Taiguara, um exemplo de poesia e resistência

O cantor e compositor Taiguara Chalar da Silva (1945-1996) nascido no Uruguai durante uma temporada de espetáculos de seu pai, o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva, foi um dos melhores compositores da MPB e considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar, tanto que teve, aproximadamente, 100 músicas vetadas, razão que o levou a se auto-exilar na Inglaterra em meados de 1973.

A letra da música “Universo No Teu Corpo” foi feita para o Brasil, no período em que ele esteve exilado, em que “gente amarga, mergulhada no passado ” significa os governantes da época, ou seja, a ditadura militar que imperava em nosso país e que “triste mundo antigo” significa a Europa (velho mundo) onde ele estava refugiado.

João Luís de Almeida Machado, Doutor em Educação pela PUC-SP, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), analisa a letra através de questionamentos:

“Onde estamos? Para onde vamos? O que queremos? Quais são nossos sonhos? O que fazemos de nossas vidas? Todos já pararam em algum momento para se perguntar isso. Ou pelo menos deveriam… Qual é o universo que pretendemos para nós e para todos os outros?” Perguntas que são para destacar pensamentos que nos afligem de tempos em tempos… E que parecem ser mais e mais frequentes, quando sempre desejamos o contrário…

Neste sentido, o professor explica que, “A manhã que eu perseguia”, de presença, carinho, humanidade, parece realmente não existir… “Um lugar que me dê trégua ou me sorria”, soa ainda mais distante e vago… “Uma gente que não viva só pra si” é, por sua vez, algo tão utópico que a cada novo dia me parece apenas um sonho bom, daqueles que não queremos acordar para não interromper…

João Machado lembra John Lennon e pergunta: Será que “o sonho não acabou?” Ou será que estamos tão imersos no cotidiano das realizações profissionais e materiais que nos esquecemos que o que realmente importa é amar e ser amado, é ser amigo e ter amigos?

Será que nos fechamos em nós mesmos e nos tornamos “gente amarga”, “mergulhada no passado” e que só quer “repartir o mundo errado” sem se importar com aqueles que nos são próximos? E o pior, sem que nem ao menos estejamos nos dando conta de que isso está acontecendo? Até quando ficaremos no “deserto do universo sem amor”? Até quando seremos “cegos e cativos”? Liberte-se… , finaliza o professor João Machado.

UNIVERSO NO TEU CORPO
Taiguara

Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
Uma gente que não viva só pra si

Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi

Por uns velhos vão motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor
E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor

Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se une em versos a canção

Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos

Vem…

Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se une em versos a canção

Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo

São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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