Radicalismos e revanchismos não levam a nada

Francisco Bendl

Não apoio radicalismos. Sou contra nacionalistas lutarem entre si para implantação de regimes ou sistemas de governo ou para derrubarem ou colocarem gente no poder sem o voto popular.

Se o golpe militar se fez necessário, inexplicáveis as torturas e mortes que aconteceram promovidas pelos litigantes de ambos os lados.

Ufanismos não são apropriados quando constatamos que houve centenas de pessoas que tiveram suas vidas ceifadas em nome de uma ideologia ou em defesa da Pátria, mas que redundaram em brasileiros aniquilando brasileiros, promovendo ódios e indignações, injustiças e temores indiscriminadamente.

TODOS ERRARAM

As Forças Armadas exageraram na sua ânsia de impedir uma ditadura à la cubana, que estava em curso indiscutivelmente; os adeptos de Castro erraram ao eleger o Estado e quem lhes fosse contra para também cometerem seus assassinatos e torturas, sequestros e roubos, que simplesmente distorciam a causa que defendiam e combatiam.

O problema que se percebe hoje em dia é o revanchismo, a vingança, a cobrança de quase trinta anos passados de um período que o País não tem do que se orgulhar, ao contrário, tanto o Estado quanto os rebeldes devem se penitenciar pela forma que adotaram para impor suas vontades, desconsiderando o povo e o Estado de Direito da cidadania brasileira.

Lamento ainda ler discursos em defesa dos assassinatos e torturas cometidas, na mesma medida que repudio explicações e justificativas dos “guerrilheiros” ainda vivos que alegam mentirosa e desavergonhadamente que lutavam pela democracia!

Se a primeira facção deveria ter seus torturadores punidos, a segunda igualmente precisaria ter seus falsos combatentes desmascarados e também cobrados pelos crimes que cometeram. Mas não é isso que está acontecendo.

Economista diz que empresários evitam alardear desconfiança na economia

Rosana Hessel
Correio Braziliense

São Paulo — O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, não vê razão para poupar pessimismo. Antes do anúncio do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre deste ano, ele foi tachativo: queda de 0,5%. Acertou. Agora, prevê um quadro mais sombrio.

Alguns especialistas acham que dos males virá o bem. Esperam para 2014 a “tempestade perfeita”, acúmulo de intempéries capaz de detonar reformas de que o país precisa para crescer de modo mais intenso, sem pressões inflacionárias. Para Vale, os problemas maiores virão em 2015, quando o próximo presidente tomará posse. “Teremos mais do que uma tempestade. Não sei que termo poderia ser. Tempestade vem e passa. Depois, você junta os cacos e reconstrói. Aqui, teremos uma tempestade para ficar durante muito tempo”, explica.

No entender do economista, são remotas as chances de a presidente Dilma Rousseff mudar a cabeça para fazer os ajustes necessários a fim de que o país retome a rota do crescimento. “Reformista de fato esse governo não é. Não está fazendo nada. Com isso, não vamos crescer como precisamos. Não tem chance”, resume.

Para Vale, o Brasil foi engolfado por uma onda de desconfiança. Por isso, faltam os investimentos necessários à retomada do Produto Interno Bruto (PIB). “Infelizmente, o governo perdeu a credibilidade. Em 2015, ao que tudo indica, Dilma entregará para ela mesma uma herança maldita”, afirma. “Em 2018, essa herança será mais maldita ainda. Será a herança tenebrosa”, completa. A seguir, os principais trechos da entrevista:

O que podemos esperar da economia brasileira em 2014?
O país vai crescer menos que em 2013. Estamos prevendo alta de 1,9%. Neste ano, o PIB terá alta de 2,3%, com avanço na margem de 0,9% no quarto trimestre. A economia saiu do fundo do poço. Infelizmente, o país não consegue crescer mais do que isso. No ano que vem, a taxa de juros estará mais elevada, a situação cambial continuará volátil, com desvalorização do real. Também haverá pressão na inflação. Está fácil para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) seguir perto de 6,5%. Enquanto isso, o Banco Central não terá liberdade para elevar os juros como deveria. Não à toa, haverá duas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) depois das eleições. Provavelmente, esse será o espaço que se colocará para o BC aumentar os juros assim que a presidente for reeleita.

Como avalia o cenário econômico atual?
É de uma indústria que piorou. O resultado do PIB do terceiro trimestre veio dentro do que a gente esperava, de queda de 0,5%. Não houve grandes surpresas. Vale lembrar que houve a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de carros e as vendas dispararam, mas a produção recuou. O setor automobilístico teve papel importante no tombo da economia no terceiro trimestre.

Dirceu está precisando de uma assessoria jurídica que seja competente

Carlos Newton

Há um ditado na ramo jurídico que diz o seguinte: “Quando um advogado defende a si mesmo, isso significa que um idiota está representando outro idiota”.

O caso de José Dirceu comprova essa situação. Mal assessorado juridicamente, o ex-ministro só vem cometendo erros, que acabam prejudicando suas pretensões.  Ele tem todo direito de cumprir a pena em regime aberto, na forma da lei. Ninguém pode contestar. O que está errado é o modo de tentar concretizar este direito.

Se estivesse bem assessorado juridicamente e não tentasse defender a si próprio, Dirceu já estaria no regime aberto e teria passado o Natal com a família.

ESTRATÉGIA ERRADA

As duas tentativas de emprego jamais poderiam dar resultado. Na primeira, a circunstância de a carteira de trabalho ter sido assinada previamente (para constituir um fato consumado e forçar a decisão judicial, e com um salário de R$ 20 mil reais) representou uma ofensa à inteligência alheia, que veio se tornar ainda mais grave depois que o Jornal Nacional desvendou os bastidores da situação jurídica do hotel St. Peter.

Agora, a presidente do Conselho Nacional de Biblioteconomia, Regina Céli de Souza, divulga nota em que contesta a oferta de emprego oferecida pelo advogado José Geraldo Grossi a  Dirceu para cuidar dos livros de sua biblioteca. “Em relação a emprego oferecido a mensaleiro, informamos que o exercício da profissão de bibliotecário é privativo do bacharel em biblioteconomia, conforme a legislação vigente determina”, diz ela.

De erro em erro, a situação vai se complicando, ao invés de se normalizar. O advogado José Dirceu precisa parar de se defender e procurar um especialista que realmente tenha a habilidade necessária para fazer cumprir a lei que lhe beneficia com o regime aberto.

É importante destacar que qualquer direito deve ser respeitado, para evitar a predominância do espírito de vingança. Como dizia Ruy Barbosa, ” a lei que protege meu inimigo é a lei que me protege”. Que assim seja.

MinistroLuís Roberto Barroso promete rapidez para mensalão do PSDB

Fernando Rodrigues
Folha

Relator do mensalão tucano, o ministro Luís Roberto Barroso aguarda apenas terminar a fase de alegações finais, ainda este ano, para preparar a parte que lhe cabe no processo.

“Sou relativamente rápido. Tudo estando pronto na volta do recesso, imagino que em meados do primeiro semestre meu voto esteja pronto”, disse ele em entrevista à Folha e ao UOL.

O mensalão tucano é um caso de uso de dinheiro não declarado para financiar campanhas eleitorais, tendo como principal acusado o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que já foi presidente nacional da sigla.

Na disputa entre PT e PSDB, os petistas sempre se queixam de terem enfretado o julgamento de seu mensalão antes que o caso dos tucanos fosse apreciado pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo Luís Roberto Barroso, entretanto, não há como prever com precisão quando o caso envolvendo o PSDB chegará a um desfecho. Eis como o ministro descreve o rito a ser seguido agora:

“Não depende só de mim. O processo está em alegações finais. É a ultima manifestação do acusado, depois de ouvidas todas as testemunhas e produzidas todas as provas. Aí o processo vem concluso para mim, elaboro o meu voto, em seguida encaminho para o ministro Celso de Mello, que é o revisor. Portanto, vai depender de eu preparar o meu voto, do ministro Celso de Mello preparar o dele, e da presidência pautar para julgar.”

IMPREVISIBILIDADE

A única certeza é sobre o voto de Barroso no início de 2014. Depois, entra-se em um cronograma cheio de imprevisibilidades jurídicas. “A gente deve prever o que está sob o nosso controle. Existem outros atores importantes. Existem alguns componentes aleatórios, como a própria pauta do Supremo ao longo de 2014″, afirma o ministro.

No caso do mensalão do PT, Barroso diz preferir não comentar a atual fase de execução das penas de parte dos condenados. A primeira fase do julgamento, em que as condenações foram definidas, foi concluída em 2012.

“Se eu achasse alguma coisa relevante sobre esse assunto eu diria internamente, e não publicamente. Tenho uma postura de não fazer juízos públicos sobre votos ou posições dos meus colegas.”

Quando ainda era advogado, Barroso defendeu a causa do italiano Cesare Battisti, que obteve direito de permanecer no Brasil, mesmo tendo sido acusado de assassinato na Itália. Indagado sobre semelhanças com o caso do norte-americano Edward Snowden, que participou do vazamento de documentos secretos dos EUA e tenta obter asilo em outros países, o ministro diz que são episódios diferentes.

“Mas se o Brasil desse asilo a ele e eu ainda fosse advogado, eu o defenderia também”, afirma. Simpatiza com a causa? “Não, eu simpatizo com a defesa.”

Mundo real e ideal

Tostão

(O Tempo)

Nesta época do ano, deveria tirar férias, viajar, já que o futebol para. A exceção é na Inglaterra. Mas prefiro continuar por aqui, escrevendo. Os aeroportos estão um caos, os hotéis abusam dos preços, chove muito ou faz muito calor no Brasil e muito frio na Europa e nos EUA. As estradas estão péssimas e perigosas. Os alemães, que fazem a logística de sua seleção, estranharam os quebramolas, que, para eles, estragam os carros, congestionam o tráfego e provocam mais acidentes.

Aproveito esses dias para ler mais e ir mais ao cinema. Tiro férias também da televisão. Não suporto as retrospectivas.

Difícil é arrumar assunto e leitores para minhas colunas.

Nesta época do ano, as pessoas sonham com o mundo ideal. Nele, os auditores do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) analisariam o caso da Portuguesa com o olhar do que está escrito no regulamento e também com o olhar da justiça, do contexto, com a certeza de que a Lusa não agiu com má-fé nem se beneficiou de seu erro.

Faltava um argumento jurídico à Lusa. Agora, já tem. Segundo alguns advogados, o Estatuto do Torcedor estaria acima do regulamento do campeonato, o que livraria o time do rebaixamento.

GASTOS COM A COPA

No mundo ideal, os gastos com a Copa seriam apenas com dinheiro privado. A CBF, as federações estaduais e os clubes seriam dirigidos por profissionais competentes, transparentes e independentes.

Não existiriam relações promíscuas, e o calendário seria feito para beneficiar a qualidade do futebol. Os clubes não gastariam mais do que arrecadam ou do que podem pagar, e acabariam os astronômicos salários, incompatíveis com as receitas.

No mundo ideal, os torcedores iriam para os estádios só para torcer e fazer festa. Haveria lugares mais caros, para quem quisesse mordomia, e outros mais baratos, populares. Todos teriam conforto e segurança. Os marginais estariam presos ou impedidos de frequentar os jogos. A vigilância seria constante e implacável.

No mundo ideal, os gramados seriam padrão Fifa. O futebol que se joga no Brasil seria muito melhor, individualmente e no conjunto.

O equilíbrio das partidas do Atlético-MG, contra times sem nenhuma expressão, no Mundial de Clubes, é mais uma constatação desta deficiência.

A Seleção é exceção, pelo fato de quase todos os jogadores atuarem fora do país.

No mundo ideal, a imprensa cobraria de técnicos, dirigentes e jogadores mais compromisso com a qualidade do jogo. Os analistas deixariam de ver futebol somente a partir da conduta dos treinadores, dos resultados e como se houvesse sempre uma relação direta entre a história do jogo e o placar final.

Quanto maior a distância entre o mundo real e o ideal, maior é a frustração e o desamparo.

O mundo ideal só existe na nossa imaginação, mas serve de referência para se tentar sempre fazer algo melhor.

O Brasil e o asilo a Snowden

Mauro Santayana
(HD) – Um dos principais assuntos da semana, foi a realização de uma reunião da Presidente Dilma,  para analisar o asilo a Edward Snowden, em troca de informações sobre as atividades de espionagem da NSA contra cidadãos e autoridades brasileiras.
O assunto surgiu a partir de uma “carta aberta” de Snowden ao povo brasileiro, publicada na  “Folha de São Paulo”, e do lançamento de uma campanha em defesa do asilo a ele, com a coleta de assinaturas e o uso de  máscaras que reproduzem sua face.
O texto renovou as denúncias a propósito dos riscos que corremos – nós e pessoas de outras nacionalidades – de termos nossas comunicações interceptadas, todos os dias, e de sermos até mesmo chantageados pelos EUA, por nossas atividades na internet.
Ela foi, também, uma mensagem de gratidão ao  governo brasileiro, pela atenção dada às denúncias de pelo empenho demonstrado, nas Nações Unidas, para atuar com firmeza em defesa da privacidade como um direito fundamental de todo ser humano.
APROPRIADO E LEGAL
O que mais chamou a atenção, no entanto, foi a parte em que Snowden afirmava, com relação às investigações que estão sendo realizadas pelo governo brasileiro:
“Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina. Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.”
Esse trecho foi interpretado como uma espécie de barganha, por meio da qual Snowden estaria oferecendo sua colaboração e informações, em troca de eventual concessão de asilo, pelo governo brasileiro. Hipótese que foi rapidamente desmentida pelo jornalista Gleen Greenwald, espécie de porta-voz oficioso de Snowden, que afirmou, que, na verdade, ele estaria apenas explicando sua impossibilidade de vir ao Brasil pessoalmente, devido à implacável perseguição que lhe é movida pelo governo norte-americano.
ARMADILHA
Ao tratar o assunto como uma questão de Estado,  o Brasil poderia estar superestimando o fato e caindo em uma armadilha diplomática e institucional. O asilo a Snowden, só se justifica por razões humanitárias, caso estivesse correndo risco de vida, na Rússia, onde está agora, o que não é o caso.  Aceitá-lo, em troca de informações, equivaleria moralmente a equiparar-nos aos EUA, fazendo o que eles fizeram conosco, que foi meter o bedelho em nossos assuntos internos.
A mensagem mais importante da carta de Snowden está no final, quando ele declara:“Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.”

Marco Regulatório da Mineração é um crime contra o povo brasileiro

Paulo Henrique Dias

O povo brasileiro não vai aceitar esta vergonha do Marco Regulatório de Mineração, que é a espoliação das nossas reservas minerais, a criação da reserva de mercado para os grandes grupos empresariais da mineração.

Empresas Internacionais corruptoras e políticos corruptos são os mentores e executores deste Marco, que há três anos atrasa a mineração e a pesquisa mineral no Brasil.

O Estado será transformado em uma grande mesa de negociatas, curvado aos agiotas do povo e das nossas riquezas, em favor das grandes potências, ao invés de fortalecer as pequenas e medias e empresas nacionais, distribuindo renda e riquezas .

Agora, as riquezas que foram catalogadas pelos garimpeiros e mineradores juniores, por pequenos e médios empresários de mineração, técnicos, geólogos e engenheiros de minas, estas jazidas minerais já descobertas serão colocadas em leilão pelo Ministério das Minas e Energia, em licitações de cartas marcadas para beneficiar as multinacionais, favorecidas também pela ampla divulgação do fim do gargalo da logística, com a criação dos modais ferroviário, hidroviário, rodoviário e aéreo, em andamento.

Os políticos corruptos se assanharam e viram a oportunidade de roubar, espoliar e entregar nossas riquezas, sob a desculpa de modernizar, inovar. Beneficiarão apenas a si próprios e aos mesmos sugadores do Estado.

Por que até hoje não foi aberto crédito especial para os mineradores juniores, as pequenas e médias empresas de mineração? E as cooperativas minerais, como a de Serra Pelada, que está sendo roubada por políticos e autoridades, executivas, legislativas e judiciárias, que apoiam empresários internacionais corruptores.

As grandes empresas têm interesse em dominar as jazidas minerais do Brasil, para controlar a demanda dos metais e minérios estratégicos necessários ao desenvolvimento e crescimento econômico, controlando o mercado de Commodities.

Mas o povo e os políticos sérios não aceitarão que os lobos continuem ditando as normas no galinheiro. Acorda Brasil!!!

Uma canção com jeito de mato

Em parceria com Maurício Santini, a arranjadora, cantora e compositora mineira Paula Fernandes de Souza retrata, peculiarmente, na letra da música “Jeito de Mato”, o universo paralelo que existe dentro de cada ser. A música faz parte do CD Paula Fernandes – Ao Vivo gravado, em 2011, pela Universal Music Brasil.

JEITO DE MATO
Maurício Santini e Paula Fernandes
De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita.
Do regalo de terra que teu dorso ajeita.
E dorme serena, no sereno e sonha.

De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita.
Do mato, do medo, da perda tristonha.
Mas, que o sol resgata, arde e deleita.

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda.
É teu destino, é tua senda.
Onde nascem tuas canções.
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória
E acende os corações.

Sim, dos teus pés na terra nascem flores.
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar.
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras.
Sete lagoas, mel e brincadeiras.
Espumas, ondas, águas do teu mar.

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Ver a presidente usando colete das equipes de resgate foi um pouco demais…

Carlos Newton

É com tristeza que se constata como a política vem se transformando numa encenação teatral, em que o marketing desempenha o papel de maior destaque.

Um dos exemplos foi a visita da presidenta Dilma Rousseff ao Espírito Santo, onde fez um sobrevoo com o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, sobre as regiões mais afetadas pelas enchentes.

Pois acreditem que a presidente vestia um colete de cor berrante que é usado pelas equipes de resgate para serem identificadas e localizadas em suas operações, e fez questão de ser fotografada a caráter, digamos assim.

Da mesma forma, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que causou o mais engarrafamento da História do Rio de Janeiro, motivado por suas ensandecidas e desnecessárias obras do tal Porto Maravilha, apareceu dando entrevista à TV Globo usando uma capa de chuva, como se fosse encarar o temporal.

Traduzindo: já não se fazem políticos como antigamente. Os que nos governam hoje não têm medo do ridículo e só se preocupam com as aparências e com o marketing. Deveriam ter um pouco mais de dignidade e espírito público.

Homenagem ao fracasso

Marcelo Gleiser

Numa sociedade em que o sucesso é almejado e festejado acima de tudo, onde estrelas, milionários e campeões são os ídolos de todos, o fracasso é visto como algo embaraçoso e constrangedor, que a gente evita a todo custo e, quando não tem jeito, esconde dos outros. Talvez não devesse ser assim.

Semana passada, li um ensaio sobre o fracasso no “New York Times” de autoria de Costica Bradatan, que ensina religião comparada em uma universidade nos EUA. Inspirado por Bradatan, resolvi apresentar minha própria homenagem ao fracasso.

Fracassamos quando tentamos fazer algo. Só isso já mostra o valor do fracasso, representando nosso esforço. Não fracassar é bem pior, pois representa a inércia ou, pior, o medo de tentar. Na ciência ou nas artes, não fracassar significa não criar. Todo poeta, todo pintor, todo cientista coleciona um número bem maior de fracassos do que de sucessos. São frases que não funcionam, traços que não convencem, hipóteses que falham. O físico Richard Feynman famosamente disse que cientistas passam a maior parte de seu tempo enchendo a lata de lixo com ideias erradas. Pois é. Mas sem os erros não vamos em frente. O sucesso é filho do fracasso.

NADA DISSO

Tem gente que acha que gênio é aquele cara que nunca fracassa, para quem tudo dá certo, meio que magicamente. Nada disso. Todo gênio passa pelas dores do processo criativo, pelos inevitáveis fracassos e becos sem saída, até chegar a uma solução que funcione. Talvez seja por isso que o autor Irving Stone tenha chamado seu romance sobre a vida de Michelangelo de “A Agonia e o Êxtase”. Ambos são partes do processo criativo, a agonia vinda do fracasso, o êxtase do senso de alcançar um objetivo, de ter criado algo que ninguém criou, algo de novo.

O fracasso garante nossa humildade ao confrontarmos os desafios da vida. Se tivéssemos sempre sucesso, como entender os que fracassam? Nisso, o fracasso é essencial para a empatia, tão importante na convivência social.

Gosto sempre de dizer que os melhores professores são os que tiveram que trabalhar mais quando alunos. Esse esforço extra dimensiona a dificuldade que as pessoas podem ter quando tentam aprender algo de novo, fazendo do professor uma pessoa mais empática e, assim, mais eficiente. Sem o fracasso, teríamos apenas os vencedores, impacientes em ensinar os menos habilidosos o que para eles foi tão fácil de entender ou atingir.

VAIDADE PESSOAL

Claro, sendo os humanos do jeito que são, a vaidade pessoal muitas vezes obscurece a memória dos fracassos passados; isso é típico daqueles mais arrogantes, que escondem seus fracassos e dificuldades por trás de uma máscara de sucesso. Se o fracasso fosse mais aceito socialmente, existiriam menos pessoas arrogantes no mundo.

Não poderia terminar sem mencionar o fracasso final a que todos nos submetemos, a falha do nosso corpo ao encontrarmos a morte.

Desse fracasso ninguém escapa, mesmo que existam muitos que acreditem numa espécie de permanência incorpórea após a morte. De minha parte, sabendo desse fracasso inevitável, me apego ao seu irmão mais palatável, o que vem das várias tentativas de viver a vida o mais intensamente possível. O fracasso tem gosto de vida.

Marcelo Gleiser é físico, astrônomo, professor, escritor e roteirista. Conhecido nos Estados Unidos por seus lecionamentos e pesquisas científicas, no Brasil é mais popular por suas colunas em jornais e revistas.

Em 2014, ‘vem pra rua você também’

Elio Gaspari
Folha

A repórter Andréia Sadi revelou que o presidente do Senado, doutor Renan Calheiros, preocupado com sua cabeça, requisitou um jato da FAB para voar de Brasília a Recife, onde fez um implante de dez mil fios de cabelo. Quem nestas Festas viajou com seu dinheiro deve perceber que esse tipo de coisa só acabará pela associação dos direitos de voto e de manifestação em torno de políticas públicas. Só com o voto isso não muda. Pelo voto, Renan começou sua carreira política em 1978, elegendo-se deputado estadual pelo MDB de Alagoas.

Renan Calheiros é um grão-mestre da costura política. Foi líder do governo de Fernando Collor de Mello e ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso. Desde 2003 é um pilar da coligação petista no Congresso. Pertence a uma categoria imune à vontade popular. Ela pode ir para onde quiser, mas ele continuará no poder, à sua maneira. Como ministro da Justiça do tucanato, tendo seu nome exposto na Pasta Rosa dos amigos do falecido Banco Econômico, defendeu o uso do Exército para reprimir saques de famintos durante a seca de 1998.

Político da Zona da Mata alagoana, estava careca de saber que tropa não é remédio para esse tipo de situação. Nessa época, dois de seus irmãos foram acusados de terem mandado chicotear um lavrador acusado de roubar um aparelho de TV numa fazenda. Um desses irmãos elegeu-se deputado federal. Entre 1998 e 2006 teve uma variação patrimonial de 4.260%, amealhando R$ 4 milhões.

Renan teve uma filha fora do matrimônio quando ganhava R$ 12.720. A mãe da criança era ajudada por uma empreiteira amiga que lhe dava uma mesada de R$ 16.500. Por causa desse escândalo, por pouco não foi cassado, mas renunciou à presidência do Senado. Reelegeu-se e voltou à cadeira que já foi de Rui Barbosa prometendo uma agenda ética, de “transparência absoluta”. Contudo, como diz o senador Edson Lobão Filho, filho e suplente do senador Edson Lobão, ministro de Minas e Energia, “a ética é uma coisa muito subjetiva, muito abstrata”.

Nesse mundo de abstrações, Renan, vendo a despensa de sua casa concretamente desabastecida, mandou abrir um pregão de R$ 98 mil para a compra de salmão, queijos, filé mignon, bacalhau e frutas. Apanhado, cancelou a compra.

Renan não é um ponto fora da curva. Ele é a própria curva. Em 2005, como presidente da Casa, deu sete cargos de R$ 10 mil a cada colega. Seu mordomo ganha R$ 18 mil. Em julho, quando ainda havia povo na rua, usou um jatinho da FAB para ir a um casamento em Trancoso. Apanhado, devolveu o dinheiro. Passados cinco meses fez o voo do implante.

Estabeleceu-se uma saudável relação de causa e efeito entre esse tipo de comensal da Viúva e a opinião pública. Eles não se corrigem, mas, uma vez denunciados, recuam. São muitos os maganos que não toleram saguão de aeroporto, despensa vazia e parente desempregado. Nessas práticas, é fácil colocá-los debaixo da luz do sol. Quando se trata da convênios, contratos de empreiteiras e grandes negócios, a conversa é outra.

Em 2014 a turma que paga as contas irá as urnas. Elas poderão ser um bom corretivo, mas a experiência deste ano que está acabando mostra que surgiu outra forma de expressão, mais direta: “Vem pra rua você também.”

(artigo enviado por Mário Assis)

Todo apoio a Mujica, mas… o que dizer da Argentina?

Daniel Oiticica

Todo apoio a Mujica e sua corajosa ideia de deixar de enxugar gelo para encarar o problema do narcotráfico sob outra perspectiva. Mas o prêmio dos liberais da The Economist para o Uruguai me fez pensar que de fato a grande mídia internacional mantém a Argentina invisibilizada, como muito bem reconheceu certa vez o Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman.

Em tempos de retrospectivas e prêmios aos melhores e maiores, não custa nada relembrar que a Argentina tem dado passos gigantescos no que diz respeito a leis de vanguarda, que ampliam direitos ou simplesmente rompem com certa ordem estabelecida, que desagrada ao establishment e aos donos da mídia.

Vejamos algumas:

Identidade de gênero – qualquer pessoa, independentemente da composição da genitália que carrega tem direito a ser reconhecida perante a lei como quiser. Maria pode ser João e Pedrinho pode ser Joana. Basta comparecer a um cartório e solicitar a troca de documento, grátis e simples.

Matrimônio igualitário – Homem com homem, mulher com mulher dava lobisomem e jacaré, mas aqui na Argentina agora pode dar casamento de verdade. Pedro se casa legalmente com Fabio e tem os mesmos direitos de Marcelo, que escolheu se casar com Ana Paula.

Petroleira estatal – Durante quase duas décadas, a YPF, companhia de petróleo argentina, esteve controlada pelo grupo Repsol, que pagava dividendos milionários a seus acionistas, mas investia quase nada no país, além de remeter fortunas à matriz. Trocando em miúdos, praticava uma política de esvaziamento da YPF às custas de desabastecimentos. A lei de reestatização da YPF permitiu que a Argentina recuperasse o controle de parte importante de seus recursos naturais.

Aposentadoria para todos (todos mesmo) – Um dia a galinha dos ovos de ouro de alguns banqueiros deixou de botar ovos para se dedicar aos idosos. Com uma lei, o governo argentino estatizou os fundos de pensão. A medida resultou em pouco tempo em um aumento em termos reais da renda média dos aposentados e incluiu no sistema todos os idosos maiores de 65 anos, independentemente de terem ou nao realizado contribuiçoes ao sistema previdenciário.

Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual – Aqui talvez esteja a explicação de tudo. Pela primeira vez na região, uma lei democraticamente debatida e aprovada define o que verdadeiramente significa liberdade de expressão. Voz pra todo mundo, ou seja, um espectro radiofônico bem dividido. A The Economist – e um punhado de empresários que controlam o mercado mundial das comunicações – não gosta desta lei, nem da Argentina.

Salve, salve, Mujica!

(artigo enviado por Mário Assis)

Presente de Natal para os aposentados: quem ganhava dez salários mínimos, agora só ganha seis

Ao longo de uma década, despencou a desigualdade entre os aposentados que recebem o maior valor autorizado pela legislação e os beneficiários do piso previdenciário, equivalente ao salário mínimo.

No próximo mês, o mínimo subirá para R$ 724 e o teto do INSS, dependendo da inflação, será fixado em algo próximo a R$ 4.392, equivalentes a seis vezes o piso.

Em janeiro de 2004, as aposentadorias mais altas -excluídas, é claro, às pagas no regime dos servidores públicos- equivaliam a dez salários mínimos.

Não é que as aposentadorias mais altas tenham perdido poder de compra: o salário mínimo é que foi reajustado muito acima da inflação.

Pela política adotada hoje, o mínimo tem um ganho anual correspondente ao crescimento da economia de dois anos antes, enquanto as demais aposentadorias são apenas corrigidas pela inflação.

Se adotada por tempo indeterminado, essa regra acabará, mais cedo ou mais tarde, igualando todas as aposentadorias. Com um crescimento econômico anual de 2%, o teto do INSS chegará a cinco salários mínimos em dez anos.

Como tudo em economia e políticas públicas, a valorização do salário mínimo gera efeitos colaterais e controvérsias.

Nos últimos anos, essa política despertou a demanda por reajustes acima da inflação para os demais aposentados -pleito que obteve sucesso no ano eleitoral de 2010.

A longo prazo, cria-se um desincentivo às contribuições mais altas: afinal, os trabalhadores que contribuem com valores maiores para a Previdência acabarão não recebendo muito acima dos que contribuem com o mínimo.

A continuidade da política de valorização do piso salarial e previdenciário terá de ser definida no primeiro ano do próximo governo. A lei atual vigora até 2015. (do Blog Dinheiro Público & Cia, site da Folha)

Recadim: ‘Eu, entre esquerda e direita, continuo sendo preta’

01

Fátima Oliveira

O título é uma frase da filósofa Sueli Carneiro, em resposta a considerações de José Arbex sobre Celso Pitta (1946-2009), à época prefeito de São Paulo, que, acusado de corrupção, “saiu de casa com um cartaz dizendo que era perseguido por ser negro”.

Sueli Carneiro: “Não me consta que o Pitta não tenha consciência de sua condição de negro. Não se tem notícia dele como ativista. (…) Somos seres humanos como os demais, com diversas visões políticas e ideológicas. Eu, por exemplo, entre esquerda e direita, continuo sendo preta” (“Caros Amigos” n° 35, fevereiro de 2000).

Dia 20 passado, no “Conexão 1.180”, da Rádio Capital, o vereador negro Fábio Câmara (PMDB), líder da oposição, declarou que foi vítima de racismo por parte do comandante da Guarda Municipal de São Luís (MA), George Bezerra: “George me chamou de ‘preto’ (eu: chamar um preto de preto não é ofensa!), ‘macaco’ (eu: chamar negro de macaco é racismo) e ‘imbecil’ (eu: a vida já disse não!)” – aqui, cabe alfabetização em oligofrenias, “caracterizadas por deficiência global da atividade psíquica. Oligofrênicos são classificados conforme o nível de desenvolvimento mental: o idiota (1 a 3 anos), o imbecil (3 a 6 anos) e o débil mental (9 a 12 anos)”.

ONIPRESENÇA

O vereador Fábio Câmara explode em onipresença nos blogs da capital. Meu sensor de analista de mídia começou a segui-lo mais amiúde ao ler “Sexta-feira quente: Fábio Câmara” (18.10.2013), no blog Robert Lobato. No intertítulo “De menino negro e pobre a vereador de São Luís”, disse: “… pra quem nasce no interior do Estado, preto e pobre, é sempre mais difícil. Todo mundo tem que matar um leão por dia para sobreviver”. Não há dúvida: ele se reconhece negro! De cultura escravocrata e bairrista, ser negro em São Luís é dose; e ser do interior é ferro de gado até no falar! Sem titubear: Fábio Câmara é vencedor deslumbrado e vulnerável!

No depoimento sobre seus ídolos, nada de Zumbi, Negro Cosme (líder da Balaiada, 1838-1841), Abdias, Clóvis Moura, Mandela, Luther King e Steve Biko. Rendeu loas à governadora e ao seu atual mentor político, o secretário estadual de Saúde. Verbalizou: “O governo Roseana Sarney deixará para o futuro do nosso Estado marcas fortes e grandiosas de uma gestão voltada para o nosso povo. (…) Bom é pouco! O secretário Ricardo Murad é o melhor até que me mostrem um, apenas um, que tenha feito em quantidade e qualidade pela saúde do nosso Estado mais do que ele já fez”. Eis a sua visão de mundo.

VASSALAGEM

Dá impressão de que aceitou a vassalagem: ser um menino de recados do clã Sarney e o bobo da corte para a mídia. Atabalhoado na ação política (assessoria de qualidade faz falta), optou pela pirotecnia parlamentar com pique invejável de metralhadora de foco único: implodir o prefeito de São Luís! Na toada em que ele ia, pressenti que eu não demoraria a precisar escrever sobre ele. Fiquei de tocaia.

É patente que eu e o vereador não temos afinidade política nem ideológica. Em comum, a negritude. A dona Lô, com ares de catimbozeira, insistia: ele vai precisar “jazim” do repertório antirracista. Simples: a cultura da branquitude não aguenta um negro com tanta onipresença, esteja ele certo ou errado, e descamba para práticas racistas. Dito e feito! Não tenho ideia das medidas tomadas pelo vereador, além da denúncia no programa de rádio, mas espero que ele vá em frente porque é covardia silenciar diante de um crime!

O racismo é uma abominável fé bandida e sou solidária com quem se diz vítima dele. (transcrito de O Tempo)

Aonde vai nosso dinheiro

Luiz Tito

O senador Renan Calheiros, aquele mesmo que já foi presidente do Senado, que foi denunciado por receber ajudas de construtoras para pagar a pensão da mãe de sua filha e quase foi cassado, que usa aviões da FAB para ir a casamentos em Trancoso e, mais recentemente, para também levá-lo para implantar cabelos, ao Pernambuco, que agora é novamente presidente do Senado (não se sabe como, mas é), foi à TV para comunicar que estaria devolvendo à União o valor de R$ 275 milhões como resultado de sua “exitosa” gestão sobre os gastos daquela Casa. Argumentou que tal economia daria para construir também 180 creches ou para o pagamento anual de 241 mil bolsas-família.

O senador sabe fazer contas e sabe também o valor das coisas. O que faltou a Renan Calheiros foi dizer que essa economia resultava de um acordo com os seus pares para o não-pagamento a esses do 14º e do 15º salários e ainda que, se houvesse seriedade no uso da verba pública, muito mais se poderia financiar.

O orçamento para 2013 do Senado federal é de R$ 2.329.325.299. Dois bilhões, trezentos e trinta milhões de reais, para facilitar. A que esse valor corresponde? Tomemos Minas Gerais como referência. Ele é 68% superior ao que o orçamento da União destina para a manutenção de toda a UFMG, para custeio da educação superior em graduação, pós-graduação, ensino, pesquisa e extensão. O orçamento da UFMG, para 2013, é de R$ 1.386.652.038. Com educação profissional e tecnológica, a União investirá em 2013, em Minas, o valor de R$ 356.295.231; são exatos 6,5 vezes menos do que o orçamento do Senado.

MAIS QUE O ACRE

O mesmo orçamento é R$ 1 bilhão maior do que a União investe em todo Estado do Acre, que tem uma população de 780 mil habitantes. Para custear todas as intervenções federais naquele Estado, o orçamento reserva R$ 1.301.443.996.

Não há dia em que não se insista na denúncia do generalizado desmazelo nacional para com os recursos do erário. Não há dia que não se denuncie a má gestão pública, o desperdício, a equivocada eleição de prioridades das nossas políticas públicas, passando pela corrupção deslavada e endêmica num país no qual a miséria representa uma vergonha histórica, que tanto nos pune e nos impede de alcançarmos mudanças estruturais na educação, na segurança, na saúde, enfim, no acesso democrático da população às benesses do desenvolvimento e não enxergamos mudanças.

Sobra a homens públicos como Renan Calheiros a cara-de-pau para vir à TV se auto elogiarem por estar devolvendo R$ 275 milhões à União, que foram economizados pela sua gestão. Renan deveria explicar como e por que cada senador, dos 81 existentes na representação dos Estados, custou ao povo brasileiro quase R$ 28,8 milhões, individualmente, no ano de 2013. Aí vai uma soma importante do dinheiro que o Brasil arrecada com seus impostos escorchantes. Pensemos melhor na hora de votar.

PS: Você, eleitor, lembra em quem votou para senador nas últimas eleições? Tem ideia do que seu senador fez com o mandato que você ajudou a lhe outorgar?

Conexão São Paulo-Rio-Panamá: tudo em 2008!

Deu no Estadão

José Dirceu abriu no Panamá uma filial de sua empresa de consultoria. Ela fica no mesmo endereço da Truston International, dona do hotel que ofereceu a ele emprego de R$ 20 mil no mês passado. A JD Assessoria e Consultoria registrou a filial em 2008, três anos depois de Dirceu ser apeado do governo em meio ao escândalo do mensalão, no escritório da Morgan & Morgan, que disponibiliza testas de ferro para milhares de firmas estrangeiras, como a Truston, no conhecido paraíso fiscal da América Central.

Na ocasião, Dirceu informou a um cartório brasileiro a constituição da filial, com endereço no 16.º andar da Torre MMG, na Cidade do Panamá, onde funciona a Morgan & Morgan. Conforme os registros, ao abrir a filial no Panamá, o ex-ministro fez um aporte em dinheiro vivo e aumentou o capital da JD de R$ 5 mil para R$ 100 mil. Metade desse capital foi destacado para a filial panamenha, cujo objetivo seria “o mesmo desenvolvido pela matriz”, criada em 1998, em São Paulo.

A Truston – dona do hotel St. Peter – foi aberta no Panamá apenas três meses depois dessa operação conduzida pelo ex-ministro, também declarando o endereço da Morgan & Morgan e tendo um “laranja” como seu presidente. José Eugenio Silva Ritter, auxiliar administrativo do Morgan & Morgan, e outros dois representantes do escritório panamenho constam como donos de nada menos que 30 mil empresas no paraíso fiscal.

Deu no site do JB

Conval Corporation e Vittenau Corporation: primeira foi constituída em 12 de junho de 2008 e a segunda uma semana depois, em 19 de junho daquele ano. Hoje elas pertencem a Valmar Souza Paes, pai do prefeito, Cada uma delas tem um capital social de US$ 4 millhões, ou seja, US$ 8 milhões, que, hoje, equivaleriam a cerca de R$ 20 milhões. Ambas foram constituídas pelo escritório Morgan y Morgan, um dos mais atuantes no Panamá, que, ao que tudo indica, tem farta clientela no Brasil. Jose Eugenio Silva Ritter é ou foi “dono” de mais de 1,5 mil empresas – a maioria delas no País.

Conval Corporation e Vittenau Corporation: a primeira foi constituída em 12 de junho de 2008 e a segunda uma semana depois, em 19 de junho daquele ano. Hoje elas pertencem a Valmar Souza Paes, pai do prefeito Eduardo Paes.

Cada uma delas tem um capital social de US$ 4 millhões, ou seja, US$ 8 milhões, que, hoje, equivaleriam a cerca de R$ 20 milhões. Ambas foram constituídas pelo escritório Morgan y Morgan, um dos mais atuantes no Panamá, que, ao que tudo indica, tem farta clientela no Brasil. Jose Eugenio Silva Ritter é ou foi “dono” de mais de 1,5 mil empresas – a maioria delas no País.

(transcrito do blog de Cesar Maia)

Em Minas, base aliada do PT racha e vai lançar candidato próprio ao governo estadual

Isabella Lacerda

Seis partidos nacionalmente aliados a presidente Dilma Rousseff formaram um grupo alternativo para a disputa pelo governo de Minas no ano que vem. Em reunião em Belo Horizonte, dirigentes de PMDB, PSD, PCdoB, PROS, PRTB e PPL anunciaram a intenção de lançarem uma “terceira via” na eleição estadual e tentar colocar fim à polarização entre PT e PSDB.

Apesar de serem aliados históricos do PT nos planos federal e estadual, lideranças das legendas criticaram ontem a postura adotada pelos petistas. Segundo eles, o partido da presidente Dilma tem “excluído” as siglas aliadas do processo de negociação para a disputa de 2014.

“Queremos uma alternativa ao ping-pong existente entre PT e PSDB. O PT tem tido um privilégio grande, com uma tendência hegemônica entre os dois partidos. O PT está deixando todo mundo de lado. Os petistas adotam a mesma postura que os tucanos em Minas”, reclamou ontem o presidente estadual do PMDB mineiro, deputado federal Saraiva Felipe.

Segundo o dirigente, nenhuma liderança do PT foi convidada para participar do debate. E, no que depender dele, nenhum convite será feito. “Os partidos que estão aqui se procuraram para conversar. Não foi ninguém que chamou. O PT não foi convidado”, argumentou. Segundo ele, se nas eleições passadas PT e PMDB caminharam juntos em Minas, neste ano os rumos deverão ser diferentes.

DEPOIS DAS PESQUISAS

De acordo com Saraiva, o nome do candidato que deve representar o grupo em 2014 será definido em um segundo momento e após a realização de pesquisas pelo Estado. E pelo menos dois partidos disseram ter interesse em lançar um nome: o PMDB, com o senador Clésio Andrade, e o PCdoB, com a deputada Jô Moraes.

Os aliados não pouparam críticas à postura do PT e prometeram travar uma batalha no Estado, levando a disputa para o segundo turno.

De acordo com o presidente estadual do PSD, Paulo Safady Simão, ainda é preciso percorrer um longo caminho até chegarem a uma definição. “Mas é possível que essa discussão desague em uma terceira via”, afirmou.

Já Jô Moraes garante que os legendas unidas em Minas não vão “aceitar negociar em troca de cargos”. “Não se pode fazer política com barganha”, disse.

Ao ser perguntado sobre a possibilidade de o PMDB apoiar o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel (PT), na disputa pelo governo do Estado em 2014, o deputado Saraiva Felipe (PMDB) disse não vislumbrar esse cenário. (transcrito de O Tempo)

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