Arquivo de categorías: Tribuna da Internet

Somos todos diferentes

http://esportefino.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2014/07/cbf_apre_gil5.jpg

Tostão
O Tempo

Gilmar Rinaldi, ex-goleiro, ex-superintendente do Flamengo e que foi, durante longo tempo, agente de atletas, é o coordenador de todas as seleções brasileiras. Ele disse que largou sua atividade de agente para ocupar o cargo. Mesmo assim, essa proximidade, que não se apaga por decreto, é conflitante com o atual trabalho. Deveria, no mínimo, passar por uma quarentena. Por que foi escolhido, já que não é nenhum profundo conhecedor do assunto?

Alexandre Gallo, coordenador das seleções de base, deu detalhadas informações, com milhares de estatísticas sobre os resultados em campo e sobre o que tem sido feito. Falou que as seleções de base jogam um futebol moderno, compacto, com muita troca de passes e poucos chutões. Não foi o que vi. Além do mais, a formação de atletas no Brasil é feita, principalmente, pelos clubes.

O Brasil ganha muitos títulos nas categorias de base porque possui um enorme número de bons jogadores, que passam a atuar nos times principais muito cedo, sem deixar de jogar pelas seleções de base. Eles ficam fisicamente prontos antes dos jovens de outros países. É raro ver um jogador de uma seleção de base da Europa já titular de um grande time. Além disso, o Brasil também perde, e muito. Não participou do último Mundial Sub-20 porque não se classificou entre os quatro primeiros no Sul-Americano.

A questão principal é saber a razão de um país tão grande, com tanta tradição, com tantos bons jogadores nas categorias de base, só ter um único craque do meio para frente: Neymar.

Gallo disse que vai priorizar o conjunto. Isso é importante. Desaprendemos a jogar coletivamente. Mas é preciso também enxergar os detalhes, a subjetividade, as exceções, e não apenas a regra. O Brasil tem formado jogadores muito iguais, em série, como se fosse uma fábrica de parafusos. Privilegiar o coletivo não é deixar de formar os diferentes. É fazer com que os diferentes participem do coletivo. A Alemanha não se destacou somente pelo conjunto. Foi a seleção com o maior número de excepcionais jogadores.

A solução não é também baixar um decreto de que todos os clubes, desde as categorias de base, adotem o mesmo estilo. É importantíssimo criar variações. Não existe apenas uma maneira de atuar bem e de vencer.

A Argentina usou, contra a Alemanha, a mesma estratégia do Real Madrid, na Liga dos Campeões, contra o Bayern, base da seleção alemã, com duas linhas de quatro, próximas e recuadas. A grande diferença é que, no contra-ataque, o Real tinha quatro jogadores excepcionais (Di María, Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale). A Argentina dependia demais de Messi com a contusão de Di María.

O Brasil precisa mudar vários conceitos sobre como jogar futebol e como se organizar e trabalhar bem. Não serão com parceiros da CBF nem somente com os Zé-Regrinhas.

 

A associação dos canalhas

João Gualberto Jr.

Nossas timelines andam entupidas de associações mal-intencionadas entre futebol e eleição. São postagens com declarações, vídeos, teorias conspiratórias e pseudo informações com pedigree de esgoto. Todas, sim, mal-intencionadas. A profusão já vinha de antes, mas foi acelerada pelo vexame do 7 a 1 para a Alemanha, que nós, mineiros, tivemos a desonra de sediar.

Associar o desempenho da seleção à organização da Copa do Mundo já seria um quiproquó sem-vergonha. Agora, ver na melancolia do time de Felipão correlação com uma suposta incompetência de Dilma na Presidência, aí é canalhice mesmo. Houve candidato da oposição e analista tido como sério que prestaram esse desserviço depois daquele atropelamento de Mercedes no Mineirão.

Rede social é terra de ninguém, está certo, coisas são publicadas e replicadas sem que se desperte, nem de longe, a precaução sobre a veracidade do conteúdo. Por isso, nossas timelines viraram um menu de irracionalidades extremas com dimensões enciclopédicas. Existe esse cara, que compartilha irresponsavelmente as coisas que melhor lhe apetecem, como caixa de fósforos nas mãos de piromaníaco. E existe o outro, que cria ou posta as mensagens com falsa convicção ou consciência plena da bagunça que pretende gerar. É esse tipo o canalha da política.

NAÇÃO E SELEÇÃO

São duas confusões nas quais estamos metidos. A primeira é entre nação e seleção brasileira. Nas eras de Pelé e Nelson Rodrigues, o “scratch” era o símbolo maior da tal “pátria de chuteiras”. Como no 21 de Abril, quando a capital é transferida para Ouro Preto, seria a noção de que, na Copa, o Brasil se restringisse a 11 homens de amarelo cercados por uma torcida apaixonada. Pois teve imbecil queimando a bandeira do Brasil no último dia 13. Queimasse a camisa da Nike, de R$ 250, com o brasão da CBF, uma empresa privada que, como tal, convoca uma comissão técnica e 23 atletas de acordo com seus interesses comerciais.

Outra confusão é a que paira sobre essas reflexões. Prezado leitor/eleitor, esse pessoal que trata partido como time de futebol e militância como torcida organizada só nos quer fazer de trouxas. Só busca nos deixar confusos, compartilhando valores ideológicos e visões fabricadas de sociedade que nem mesmo eles carregam.

MAZELAS HUMILHANTES

Enquanto vermelhos contra azuis contra amarelos contra vermelhos mantiverem esse ciclo de animosidade digna de clubes rivais, melhor será para eles: as agremiações conquistam torcedores fiéis que compram essas associações bobas de que uma derrota no esporte, ainda que a mais humilhante, é a persona das mazelas nacionais. Por outro lado, discussões sobre políticas públicas, desenvolvimento e redução da desigualdade são jogadas para escanteio. Daí não percebermos, atrás dessa nuvem de bobagens, que vermelhos, azuis, amarelos, verdes etc. se igualam por baixo no quesito do debate edificante.

E tem mais: em outubro, essa Copa já terá virado história, e o 7 a 1, só um retrato na parede. Mas como dói… (transcrito de O Tempo)

Não esqueça de lembrar daquele amigo…

Carlos Newton

O dia 20 de julho já vai chegando ao fim, mas é sempre bom lembrar que está consagrado como “Dia do Amigo.

O poeta Mário Quintana dizia que a “amizade é o amor que nunca morre”, e isso é rigorosamente verdadeiro.

Daqui do meu cantinho, envio a todos vocês um grande abraço pela passagem do Dia do Amigo, com um poema do nosso amigo Paulo Peres, que diariamente nos honra com sua participação poética aqui no Blog. Na redação da Revista Nacional, um amigo com quem eu e Paulo Peres trabalhamos, chamado Rubem Braga, nos ensinou que a poesia é necessária. E jamais esquecemos.

DIA DO AMIGO
Paulo Peres

Não existe palavra

Que possa definir

O real significado,

A bênção Divina 

E a felicidade infinita

De tê-lo como amigo.

 

 

Romário detona contratação de Gilmar Rinaldi: “Vai fazer da CBF um banco de negócios”

Deu no Zero Hora

Romário foi às redes sociais manifestar insatisfação com a contratação de Gilmar Rinaldi ao cargo de coordenador-geral da CBF. Colega do novo dirigente da entidade na conquista do tetracampeonato mundial, em 1994, o deputado federal pelo Rio de Janeiro fez duras críticas à contratação.

— Galera, só pode ser uma dessas duas coisas: sacanagem ou pegadinha. É inadmissível Gilmar Rinaldi ser escolhido para assumir o cargo de diretor/coordenador de Seleções da CBF. O cara é empresário de vários jogadores. Tive o desprazer de trabalhar com ele no Flamengo, é incompetente e sem personalidade — afirmou, antes de completar:

— Posso afirmar que Rinaldi vai fazer da CBF um banco de negócios para defender os seus interesses. Só os ratos do Marin e Del Nero para escolherem uma pessoa como essa. Para piorar, ele ainda é agente da FIFA.

Romário jogava no Flamengo em 1999, quando Rinaldi era dirigente. Na época, o ex-atacante saiu da concentração para uma noitada em Caxias do Sul após derrota para o Juventude, o que resultou em sua saída do clube.

O que devemos fazer agora é refletir sobre o futuro do país

01Acílio Lara Resende

O ideal seria pôr fim logo ao sofrimento que a Copa do Mundo nos propiciou, mas falta ainda uma simples observação. No início do mês, a presidente da República, Dilma Rousseff, fez esta infeliz analogia: “Meu governo é padrão Felipão”. Dias depois, se deixou fotografar usando a mão direita como haste e o antebraço esquerdo como travessão, formando o “T” do “Tóis” – uma palavra mágica inventada pelo jogador Neymar, que, segundo minha neta, significa o mesmo que “Nóis” –, uma corruptela do pronome “nós” (primeira pessoa do plural de ambos os gêneros).

A presidente pode até ter resistido à tentação, mas, orientada pelo seu ministro marqueteiro, se decidiu, já no fim, pelo uso do futebol em favor da sua reeleição. E outra vez errou. Esqueceu-se de que o esporte não deve servir à política nem ser usado por ela.

Confesso que, antes do início da Copa, sonhava com o astral do povo brasileiro lá no alto. Imaginei o melhor dos mundos: uma final entre Brasil e Costa Rica. Se o Brasil vencesse, o bom astral continuaria alto; se o excelente time de Costa Rica fosse vitorioso, o bom astral não seria tão afetado. Pessoalmente, eu até sentiria um pouco de orgulho pela seleção costa-riquenha, que, na dura luta contra a Holanda, ao contrário do que nos aconteceu, deixou honrosamente o gramado.

É preciso dizer, então, leitor, que a dor das pauladas que tomamos precisa de tempo para passar. E, quando a ferida fechar, a cicatriz não desaparecerá, viverá meio século ou, talvez, um século inteiro. Ou – o mais provável – ficará “per omnia seacula seaculorum”…

Como disse certa vez o professor, escritor e ex-senador Edgard Godoy da Mata Machado, mas por motivos bem mais sérios do que uma simples derrota no futebol, “sofrer passa, o que não passa nunca é ter sofrido”. Somente o tempo, nada mais, saberá pensar a ferida que se abriu no coração do outrora alegre povo brasileiro.

COLAPSO NERVOSO

Li tudo, ou quase tudo, sobre a dura paulada que a Alemanha nos deu. Finalmente, na última quinta-feira, encontrei alguém também lúcido. Após afirmar (como tem dito o nosso Tostão, o melhor comentarista da Copa) que “o Brasil parou no tempo”, o ex-jogador Pierre Littbarski, vice-campeão mundial em 1990, analisou assim o desastre e soube ainda apontar sua maior causa: “A seleção brasileira sofreu um colapso nervoso e perdeu inteiramente o controle na partida contra a Alemanha”. O craque, que hoje trabalha no Wolfsburg (clube do volante Luiz Gustavo), lamentou que o “jogo do século” terminasse como terminou: “Sem um meio de campo compacto, não recebeu uma orientação de emergência (do Felipão) para mudar a tática quando o placar chegou a 2 a 0”. Não sei se ele diria o mesmo após a paulada da Holanda. Lá se viu: o colapso não foi só da seleção, é do nosso futebol.

Logo após a primeira e terrível paulada (7 a 1), alguns políticos já se apresentaram com sugestões estapafúrdias. O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, por exemplo, querendo melhorar o que antes dissera a presidente Dilma Rousseff, abriu sua esfarrapada cartilha e sugeriu a intervenção do Estado no futebol. Menos, ministro. É preciso pensar bastante antes de falar. Ou o que o seu governo deseja é acabar com o nosso futebol?

O que devemos fazer agora, ministro, além de refletir sobre o futuro do nosso país, é reconhecer que, se não fosse o povo brasileiro, essa Copa teria sido um desastre ainda maior fora de campo! E queremos as contas, a partir do Itaquerão! (transcrito de O Tempo)

 

Jogadores de futebol precisam, além de psicologia, de mística

Leonardo Boff

Foi uma ideia construtiva da CBF e do grupo técnico da seleção de futebol brasileira terem convocado uma psicóloga experiente na área, Regina Brandão, para acompanhar os jogadores nos seus jogos. A incorporação do acompanhamento psicológico já existe há anos na seleção alemã. Mas estimo que isso ainda não é suficiente. A psicologia pode ser enriquecida com a mística. Precisamos, antes de mais nada, desmistificar a mística. Ela tem muitos significados, sendo que dois são principais: o sentido sociológico e o sentido espiritual, mas não confessional.

Cada grande reunião do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), com centenas de pessoas, sempre se inicia com uma “mística”. Que ocorre aí? Teatralizam-se os problemas vividos pelos participantes, criam-se símbolos significativos, entoam-se canções, ouvem-se testemunhos de luta e de vida. Nem sempre se fala de Deus. O que irrompe é um sentido de vida, um reforço na vontade de levar avante os projetos, de resistir, de denunciar e de criar coisas novas. O efeito final é o entusiasmo geral, leveza de espírito, congraçamento de todos. Por essas “celebrações”, toca-se a dimensão mais profunda do ser humano. Esse é o sentido sociológico de mística.

Ele se encontra referido na famosa palestra de Max Weber aos estudantes de Munique em 1919 sobre a política como vocação. Para ele, uma política digna desse nome (não o viver da política, mas o viver para a política) implica uma mística, caso contrário, se atola no pântano dos interesses individuais ou corporativos. Mística para Max Weber significa o conjunto das convicções profundas, as visões grandiosas e as paixões fortes que mobilizam pessoas e movimentos.

MÍSTICA NO FUTEBOL

Pois esse tipo de mística pode e deve ser vivido pelos jogadores de futebol. Vejam que não se trata apenas de psicologia com suas motivações. Trata-se de valores, de sonhos, de entusiasmo. A questão é: como chegar a isso?

Aqui vem o segundo sentido de mística, o espiritual. O futebol treina todas as virtualidades possíveis do corpo para criar o atleta e o craque. Mas não basta. Temos o nosso interior, a psiquê, habitado por paixões, ódios, arquétipos profundos, a dimensão de luz e a de sombra. Tarefa de cada um é domesticar os demônios e potenciar os anjos.

Mas temos também o profundo, o lado espiritual, onde encontramos as indagações inescapáveis que nos acompanham ao largo da vida. Quem sou eu? Que faço neste mundo? Que posso esperar para além desta vida? Qual o sentido de jogar na Copa? Todas as coisas são interdependentes entre si e se entreajudam para viver. Tem que haver um elo que liga e religa todas elas.

Aí tem sua fonte o entusiasmo, que em grego significa “ter um deus dentro”. Sem entusiasmo, nos acercamos do mundo da morte. Sempre que se abordam questões fundamentais da vida, quando se pergunta pela energia poderosa e amorosa que tudo sustenta, há uma aceleração da zona dos neurônios maior que a normal. Somos dotados de um órgão interior pelo qual captamos aquilo que foi chamado de “Deus”, a experiência de uma totalidade na qual estamos inseridos. Ativar o “ponto Deus” nos torna mais sensíveis aos outros, mais cuidadosos, mais amigos, compreensivos e corajosos.

Creio que a um jogador faria bem, antes de começar os treinos ou um jogo, retirar-se num canto, concentrar-se e escutar esse eu profundo onde nascem as boas ideias e se fortalece o “entusiasmo”. Há pessoas como frei Betto, dom Marcelo Barros e outros que fariam magistralmente esse trabalho. Eles colocariam os jogadores afinados com o “ponto Deus” e dispensariam a magia do “Tóis”.

 

Crise econômica atual era bastante previsível

Wagner Pires

O governo não pode se dizer surpreendido pela realidade, pois, o caos econômico atual foi bastante previsível. A dúvida havia somente sobre o momento exato desse reflexo conjuntural, que para a felicidade da nação está se apresentando antes das eleições. Realidade que nem a contabilidade criativa nem a maquiagem de números por parte do governo serão suficientes para escamotear.

A partir de agora será mais fácil o eleitor concluir sobre a verdadeira desenvoltura do atual governo e decidir-se pela alternância do poder e a chance dada ao país de experimentar uma nova perspectiva conjuntural sob uma nova dinâmica econômica, política, social e até cultural.

O país está parando! E inflação de dois dígitos, com o rendimento do trabalhador acuado do jeito que está, seria a própria extensão da desgraça total. Por enquanto, a inflação anual se encosta em 7,63%. Mas pode aumentar um pouco mais no segundo semestre. Principalmente em função dos três últimos meses do ano, que puxam os preços para cima em decorrência do aumento do volume de vendas do comércio e da expectativa dos reajustes do início do ano.

Por enquanto a taxa inflacionária apresenta a seguinte projeção: i = [(1,0055 x 1,0069 x 1,0092 x 1,0067 x 1,0046 x 1,004)^2 - 1] x 100 = 7,63%.

E O PETRÓLEO?

O Brasil só alcançará a autossuficiência em 2019, segundo as próprias palavras da presidente da Petrobras, Graça Foster. Por enquanto, seguimos importando 20% do que a economia consome. E o pior, com a Petrobras subsidiando a diferença de preço entre o valor de importação (mais caro) e o valor do combustível repassado às distribuidoras (mais barato).

O efeito é a redução do lucro da Petrobras num montante de R$10 bilhões anuais, enfraquecendo o caixa e a capacidade de endividamento da empresa. Tudo isso para que o governo controle artificialmente a inflação nos preços dos combustíveis.

É o chamado represamento dos preços administrados.

Israel chama este banho de sangue em Gaza de Operação Pilares da Defesa. Pilares da Hipocrisia seria mais adequado

Robert Fisk
The Independent (UK)

Terror, terror, terror, terror, terror. Aqui vamos nós outra vez. Israel vai “extirpar o terrorismo palestino” – coisa que afirma fazer, sem sucesso, há 64 anos –, enquanto o Hamas, a mais recente das “milícias mórbidas” da Palestina, anuncia que Israel “abriu as portas do inferno”, assassinando seu líder militar Ahmed al-Jabari.

O Hezbollah várias vezes anunciou que Israel “abriu os portões do inferno” para atacar o Líbano. Yasser Arafat, que era um super-terrorista, em seguida um super-estadista – depois de adentrar o gramado da Casa Branca – e, em seguida, tornou-se um super-terrorista novamente quando percebeu que tinha sido enganado nas negociações de paz em Camp David, ele também falou das “portas do inferno” em 1982.

E nós, os jornalistas, estamos escrevendo como ursos malabaristas de circo, repetindo todos os clichês dos últimos 40 anos. A morte de Jabari era um “ataque direcionado”, um “ataque aéreo cirúrgico” – como os que mataram quase 17 mil civis no Líbano, em 1982, os 1,2 mil libaneses, a maioria civis, em 2006 , ou os 1,3 mil palestinos, a maioria civis, em Gaza, em 2008-9, ou a mulher grávida e o bebê que foram mortos pelos “ataques aéreos cirúrgicos” na Faixa de Gaza, na semana passada. Pelo menos o Hamas, com seus foguetes Godzilla, não reivindica nada “cirúrgico”. Eles são destinados a matar israelenses – quaisquer israelenses, mulher, homem ou criança. Como, na verdade, também são os ataques israelenses em Gaza.

NAZISTA ANTISSEMITA

Mas diga isso e você vai ser um nazista antissemita, quase tão mau e diabólico como o movimento Hamas, com o qual Israel negociou nos anos 80, quando incentivou esse bando de mafiosos a tomar o poder na Faixa de Gaza e, assim, eliminar o exilado super-terrorista Arafat. A nova taxa de câmbio em Gaza por mortes de palestinos e israelenses atingiu 16:1. Ele vai subir, é claro. A taxa de câmbio em 2008-9 foi de 100:1.

E estamos criando mitos também. Jabari era o “líder das sombras número 1″ do Hamas, de acordo com a Associated Press. Mas como poderia, quando sabemos sua data de nascimento, dados da família, seus anos de prisão por Israel, durante os quais ele mudou de lado, do Fatah para o Hamas? Aqueles anos de prisão não converteram Jabari ao pacifismo, não é? Bem, sem lágrimas, ele era um homem que vivia pela espada e morreu pela espada, um destino que, naturalmente, não vai afligir os guerreiros de Israel como os civis em Gaza.

Washington apoia o “direito de defesa” de Israel e reivindica uma neutralidade espúria – como se as bombas em Gaza não viessem dos Estados Unidos e como seguramente os foguetes Fajr-5 vêm do Irã. Enquanto isso, o secretário de relações exteriores da Inglaterra William Hague considera o Hamas o “principal responsável” pela última guerra. Mas não há nenhuma evidência disso.

Segundo a revista The Atlantic Monthly, o assassinato por Israel de um “deficiente mental” palestino, que foi parar na fronteira, pode ter sido o estopim. Outros suspeitam que foi a morte de um menino palestino pelos israelenses, quando um grupo armado tentou atravessar a fronteira e foi confrontado por tanques. Caso em que militantes palestinos – não o Hamas – podem ter dado o pontapé inicial do jogo.

NADA A FAZER?

Mas não há nada capaz de impedir esse absurdo, esse lixo de guerra? Centenas de foguetes caem sobre Israel. Verdade. Milhares de hectares de terra são roubados de árabes por Israel para os judeus, e somente os judeus, na Cisjordânia. Não há sequer terra suficiente agora para um Estado palestino. O problema, curiosamente, é que as ações de Israel na Cisjordânia e seu cerco de Gaza estão trazendo para mais perto o evento que as trombetas de Israel temem anunciar a cada dia: que Israel enfrenta a destruição.

Na batalha de foguetes – inclusive os Fajr-5 do Irã e os drones do Hezbollah – uma nova fronteira está sendo cruzada por ambos os lados. Não se trata mais dos tanques israelenses cruzando a fronteira com o Líbano ou a fronteira de Gaza. Trata-se dos foguetes teleguiados, os drones e os hackers de computador – e a escória humana pelo caminho será ainda menos relevante do que tem sido ao longo dos últimos dias.

A Primavera Árabe agora trilhará seu próprio caminho: seus líderes vão ter de seguir o humor de seu público. Assim, eu suspeito, será com o pobre e velho rei Abdullah, da Jordânia. E se Benjamin Netanyahu acredita que o ataque dos primeiros foguetes iranianos exige o Big Bang do Irã, e depois o Irã dispara de volta – e talvez os americanos também e depois o Hezbollah – e Obama é engolido por outra guerra entre o Ocidente e o Islã, o que acontece então?

Bem, Israel irá pedir um cessar-fogo, como faz rotineiramente contra o Hezbollah. Vai pedir de novo o apoio eterno do Ocidente em sua luta contra o Mal, Irã incluído.

E por que não elogiar o assassinato de Jabari? Por favor, esqueça que os israelenses negociaram com Jabari, através do serviço secreto alemão, menos de 12 meses atrás. Você não pode negociar com “terroristas”, certo? Israel chama este banho de sangue de Operação Pilares da Defesa. Pilares da Hipocrisia seria mais adequado.

 

*Robert Fisk, 68 anos, é um premiado jornalista inglês, correspondente no Oriente Médio do jornal britânico The Independent. Fisk vive em Beirute há mais de 25 anos.

Para montar um bolo emergente

Carla Kreefft

O mundo do trabalho precisa andar a passos mais largos, e a visão que a sociedade tem sobre a mão de obra também necessita ser revista. Apesar de ser assunto muito discutido no último século, a relação trabalho e capital ainda é um nó.

A visita do presidente chinês Xi Jinping ao Brasil coloca uma máxima na pauta da discussão. Já virou verdade a história de que a mão de obra na China é muito barata – quase escrava. Essa seria a explicação para o baixo custo dos produtos chineses, que são espalhados por todo o mundo a preços sem concorrência. Obviamente, uma boa parte dessa história deve ser verdade mesmo.

Não gratuitamente, fabricantes de vários produtos e de todos os lugares do mundo estão escolhendo a China como o lugar para instalar suas fábricas. Mas a pergunta que se faz é: Somente o baixo custo da mão de obra é o responsável por tornar a China tão competitiva? Certamente, a resposta é não.

NEGÓCIOS

A China, apesar do seu sistema político, aprendeu a reconhecer mercados e negociar com os outros países de uma forma menos autoritária do que, normalmente, fazem os Estados Unidos e a Europa. O país asiático, até pelo tamanho de sua população, decidiu não economizar nas importações e, assim, garantiu que seus parceiros se tornassem também grandes consumidores.

E aí vale qualquer produto, o importante é fazer o mundo girar. A China compra minério de ferro do Brasil e produz aço para vender a uma montadora multinacional lá instalada, que vai produzir e fornecer carros para o mundo todo, inclusive o Brasil. E assim vai. Todo mundo tem direito a uma fatia pequena que seja. Quem conseguir juntar mais fatias, que monte seu bolo. A China montou o seu.

BANCO BRICS

Pensando dessa forma, os países em desenvolvimento (BRICS) pretendem agora criar um banco de fomento. A iniciativa, anunciada recentemente, recebe críticas e elogios ao mesmo tempo. Há quem diga que é uma tentativa louvável desse grupo de nações para se livrar das imposições do Fundo Monetário Internacional (FMI) e, portanto, é uma boa alternativa. Mas há também quem diga que a iniciativa tem caráter separatista e, em longo prazo, pode ter consequências maléficas até mesmo para o grupo que a concebeu.

Mas, independentemente do lado da análise, é preciso entender que esses países estão criando uma via de desenvolvimento e cooperação mútua que não enxerga a relação entre capital e trabalho apenas como uma forma de garantir lucro. É uma visão que entende a economia como uma ciência que deve contribuir para a melhoria da qualidade de vida do ser humano a partir de uma nova maneira de distribuir renda. Deslocando o eixo central do interesse econômico, entendendo o mundo do trabalho como capaz de consumo, surge uma nova lógica. Acertada? Talvez. Ousada? Certamente. (transcrito de O Tempo)

 

Construção civil em grave crise (ou uma minibolha estourando)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O setor da construção civil está sentindo todo o impacto da paralisia da economia brasileira. A situação é tão crítica que, para não perderem os clientes, as empresas estão abrindo mão da correção mensal das prestações pelo INCC durante o período de obras dos imóveis, quadro sem precedentes nos últimos 20 anos. Com a inflação corroendo a renda e o excesso de dívidas, vários mutuários não conseguem manter as mensalidades em dia, diante do repasse do custo da construção, que tem variado entre 7% e 8% ao ano.

Conforme relatos de construtores, o desconto do INCC se dá, principalmente, na hora do pagamento das parcelas intermediárias, a cada seis meses, e durante o acerto das chaves. Muitos compradores preferem recorrer ao distrato (devolverem os imóveis) e perderem 30% do que já pagaram, a terem de honrar as correções. Acreditam que podem encontrar oportunidades melhores na rua ao lado. Para não aumentarem ainda mais os estoques de empreendimentos, as empresas preferem dar os abatimentos.

Os construtores contam que, não bastasse o elevado nível de imóveis estocados, as incorporadoras estão sofrendo com a concorrência dos flippers, como são chamados os investidores que compraram empreendimentos na planta para vender assim que conseguissem uma valorização adequada. Como as expectativas de ganho não se confirmaram, estão desovando os ágios a qualquer preço. “Vivemos, ao mesmo tempo, um problema de demanda e uma crise de oferta. Uma minibolha que está estourando”, relata um incorporador.

REDUZIR ESTOQUES

Como não há perspectivas de melhora da economia neste e no próximo ano, as construtoras acreditam que pouca coisa mudará, até que os estoques de imóveis sejam reduzidos. Por isso, não se deve esperar por grandes lançamentos de empreendimentos tão cedo. Em Brasília, por exemplo, foram apenas 27 ofertas em 2013, praticamente nada ante o histórico recente da capital do país. “As empresas estão trabalhando com 50% do volume de obras registradas em 2012”, destaca um construtor.

Esse esfriamento da construção civil vai pesar na hora de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fechar as contas do segundo trimestre do ano. O setor tem peso importante tanto para o desempenho da indústria quanto para o de investimentos. Por isso, engrossam as estimativas do mercado financeiro de que o Produto Interno Bruto (PIB) será negativo entre abril e junho.

Também o emprego sente o baque. No Distrito Federal, nos 12 meses terminados em maio, foram fechadas 3 ,1 mil vagas na construção civil. Não há, no entender dos empresários, mais nenhum sinal da escassez de mão de obra que perturbou as empresas até bem pouco tempo. Agora, as companhias já conseguem escolher os melhores profissionais disponíveis. A sobra de trabalhadores, acreditam os construtores, tenderá a ser cada vez maior daqui por diante.

BRIGA POR REFORMAS

nas grandes capitais, onde o mercado imobiliário está em estado de letargia, várias construtoras estão recorrendo a restauração de lojas, casas e restaurantes para irrigar o caixa. Nos locais em que há obras públicas, a disputa é ferrenha. Mas nada disso está garantindo a manutenção do faturamento das empresas em níveis considerados satisfatórios.

Há construtoras que estão sofrendo mais com o momento de baixa do mercado imobiliário: aquelas com empreendimentos muito grandes, com mais de mil unidades. Descobriu-se, agora, com a renda das famílias solapada pela inflação e pelo excesso de endividamento, que as avaliações de crédito dos mutuários não foram feitas de forma adequada.

Noel Rosa, com ciúmes do gerente, eternizou os apitos da fábrica de tecidos

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa ( 1910-1937) compôs “Três Apitos”, em 1933, samba que traz no título o espaço social da época, onde se desenvolve a emergente sociedade industrial brasileira, que originava duas classes sociais nascentes: a burguesia industrial e o proletariado tipicamente urbano, que começa a surgir com o início do desaparecimento das oligarquias agrícolas. Tanto que a letra do samba-canção relata a paixão de Noel Rosa por uma moça que trabalha em uma fábrica de tecidos, portanto, no novo espaço criado pela industrialização implantada no pais. “Três Apitos” foi gravado por Aracy de Almeida, em 1951, pela Continental.
TRÊS APITOS

Noel Rosa

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Porque não atende ao grito
Tão aflito
Da buzina do meu carro
Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você
Nos meus olhos você lê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente
Impertinente
Que dá ordens a você
Sou do sereno poeta muito soturno
Vou virar guarda-noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto ao piano
Estes versos pra você

 (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Juiz federal critica ‘piquenique’ de magistrados em “resort” de luxo na ilha de Itaparica

Fausto Macedo
Estadão

Inconformado com o que chama de ‘piquenique’ da toga, o juiz federal Eduardo Luiz Rocha Cubas transmitiu mensagem por e-mail a seus pares em que classifica de “imoral” a assembleia geral ordinária da Associação dos Juízes Federais da 1.ª Região (Ajufer), marcada para 29 de agosto em um resort na Ilha de Itaparica, Bahia.

Ele informa que já solicitou “há muito tempo” sua desfiliação da entidade, sediada em Brasília. Cubas diz que a Ajufer “deveria ser mais honesta com a observância de princípios de decência”.

A Assembleia Geral Ordinária foi convocada em edital subscrito pela presidente da entidade, Candice Lavocat Galvão Jobim. O encontro na ilha servirá para “discussão sobre formas de atuação da Ajufer contra a recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aos juízes que aplicam multa aos advogados públicos em ações judiciais que tratam sobre entrega de medicamentos”. A pauta engloba, também, deliberação sobre proposta apresentada por um magistrado de “designar comissão para acompanhamento do aumento de valores do Pró-Social”.

“Deixei de processar essa entidade, a despeito de anúncio prévio, em razão de diversos pedidos para não fazê-lo, pois seria o mesmo que condenar terceiros inocentes em razão da atitude desprezível de poucos”, acentua o juiz Eduardo Luiz Rocha Cubas, na mensagem aos colegas.

A juíza Candice Jobim, presidente da Associação dos Juízes Federais da 1.ª Região (Ajufer), rechaçou com veemência as acusações de seu colega. Ela esclareceu que nem o encontro nem a assembleia terão patrocínios. “Não haverá nenhuma verba externa, os associados da AJUFER é que arcarão com as suas despesas”, afirmou Candice Jobim.

A presidente da AJUFER informou que os associados vão custear passagem, estadia, alimentação e outros itens.

A ÍNTEGRA DA MENSAGEM DO JUIZ

“Colegas,

01- Já solicitei há muito tempo meu desfiliamento desta Associação, inclusive nem pago mais as contribuições.

02- Deixei de processar essa entidade, a despeito de anúncio prévio, em razão de diversos pedidos para não fazê-lo, pois seria o mesmo que condenar terceiros inocentes em razão da atitude desprezível de poucos.

03- Imoral o piquenique que se quer realizar em resort – espero que cada qual arque com suas despesas tal qual determinado pelo CNJ, inclusive a Presidenta da associação – para que Juízes (espero que suas varas estejam em dia) possam deliberar sobre assuntos de somenos e com quórum limitado.

04- Espero que seja procedido meu imediato desligamento desta lista, pois estou encaminhando essa imoralidade para conhecimento da imprensa, pois uma associação de juízes, que deve uma quantia razoável a um ente público (claro que não os tais 21 milhões, mas menos, mas o fato é que é devedora) deveria ser mais honesta com a observância de princípios de decência.

Saudações democráticas.”

Infidelidade declarada: Filho de Cabral tem panfletos com Dilma e Aécio no Rio

Luciana Nunes Leal

Candidato a deputado federal, Marco Antônio Cabral (PMDB), filho do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), tem material de campanha com os dois principais adversários na disputa pelo Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB).

Depois do lançamento da candidatura própria do PT ao governo do Estado, o PMDB-RJ se dividiu entre aliados da presidente e o grupo que lançou o movimento “Aezão”, que prega o voto em Pezão e Aécio. Em meados do ano passado, quando começou a ganhar força a candidatura do petista Lindbergh Farias ao Palácio Guanabara, Cabral, em reunião com a direção nacional do PMDB, ameaçou apoiar Aécio e citou o parentesco de três de seus filhos com o tucano. Aécio é primo da primeira mulher de Cabral, Susana Neves.

A reportagem recebeu nesta quarta-feira, 16, dois panfletos. Em um deles, Marco Antônio divide a propaganda com a deputada Cidinha Campos (PDT), o candidato ao Senado Carlos Lupi (PDT), Pezão e Dilma. Em outro, está com Marcelo Queiroz (PP), Pezão, e Aécio Neves. O espaço para o Senado está em branco, mas a assessoria de Queiroz informou que o candidato oficial da coligação, Cesar Maia (DEM), será incluído em uma nova remessa.Antigo adversário do governador, Maia fechou apoio a Pezão na última hora. A entrada do DEM provocou a reação do PDT, que deixou a aliança para lançar a candidatura do ex-ministro Carlos Lupi ao Senado. Cabral desistiu da candidatura ao Senado em favor de Cesar Maia.

Médicos jovens e o fator RH

Eduardo Aquino
O Tempo

Dom e vocação vem da genética, e o desejo de ser médico pode ter influências de várias pessoas e lugares. Compreensível que pais ainda sonhem em ter filhos médicos, profissão ainda com certo status, mística, mas…

Eu, particularmente, não percebi nos três mais velhos nenhum talento e com alívio vejo que as escolhas por economia, arquitetura e publicidade estão de ótimo tamanho. Mas tenho ainda três menores ainda precoces para escolha. Pelo que ando vendo, não estimularia seguir meus passos, e caminho tão sofrido, mas encantador.
Quanto mais nova seja a geração dos que iniciam sua formação acadêmica, maior a péssima safra de médicos que é lançada no mercado. Ou, quanto mais faculdades de medicina são abertas para atender o mercado de saúde pública, maior a possibilidade de insatisfação da população com a deteriorada relação médico-paciente.
Faculdades particulares abertas com forte lobby político e interesses escusos pioram cada vez mais a qualidade dos médicos, com péssima estrutura, professores sem atributo técnico, sub-remunerados, currículos universitários defasados e absoluta falta de triagem dos adolescentes que nem reconhecem suas habilidades para exercer uma profissão dificílima, onde uma minoria se enriquece (infelizmente a visão mercantilista ainda é predominante, como se ser médico fosse equivalente ao que, antigamente, passar nos concursos do Banco do Brasil foi numa época, garantia de emprego e remuneração eterna e segura).
ARREPENDIMENTO
Estudo feito há anos pela USP mostrou que após dez anos de formado, 2/3 dos médicos tinhaM arrependimento da escolha profissional, havia alto percentual de abuso de álcool, índices de depressão, bem como excesso de plantões, média de três a quatro empregos, que geravam renda média total de pouco mais de dez salários mínimos. Equilibrar-se entre empregos públicos precários, convênios médicos que pouco mais são que um SUS para classe médica, correr de um lado para outro, perder noites de sono, lidar com falta de leitos, recursos terapêuticos, entre outras mazelas, vão minando o entusiasmo, idealismo e por fim, e mais grave e triste, o humanismo, essenciais ao exercício daquela que deveria ser a mais nobre arte de ajuda humana. Não temo afirmar que de cada três profissionais que convivi, um era médico de coração, mente e alma, enquanto o restante era técnico de medicina.

Em ambientes hospitalares, destaco o papel de acolhimento, compaixão, empatia muito mais nos demais profissionais de saúde (enfermeiras em seus diversos níveis, assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, fono, entre outros), do que nos médicos, muitas vezes sem tempo, estressados, endurecidos pelo temor de erros médicos, com filas desumanas de pacientes aguardando em corredores, emergências, feito gado sem dono.

PROGRAMA MAIS MÉDICOS
Do Mais Médicos, digo que com toda controvérsia, ao menos os profissionais escutam melhor, segundo o que alguns levantamentos mostram. Além de preencher um nicho que médicos brasileiros não andam querendo pequenos municípios, periferias perigosas ou distantes. A meu ver, somente projetos minimamente inteligentes onde estágios nos dois últimos anos fossem obrigatórios, sob supervisão de professores bem remunerados que se dispusessem a atuar parte do seu tempo nestes rincões, bem como obrigação de residência de um ano em atenção primária e de média complexidade (UPAs), antes da especialização, substituiria o programa, que tem forte conotação política, mas que expõe o quanto a população esta desamparada e insatisfeita com a saúde pública e seus médicos.
Quando me dispus a projetos de qualificação da área de saúde pública, e fui a campo no interior do centro-oeste, sofri com o coronelismo médico, quase uma máfia, com políticos desastrosos e corruptos, mas um apoio popular comovente e interesse de profissionais de saúde (menos os médicos!). Por isso, não me espantei quando conversando com um funcionário de um Conselho Regional de Medicina, onde contava os absurdos que testemunhei de jovens e despreparados médicos, este me contou um caso que resume todas as palavras acima: durante o processo de preenchimento de seus dados pessoais para obter sua inscrição no CRM, perguntou placidamente ao funcionário: “O que eu coloco neste item escrito RH? Espantado, este disse: “Doutor, estão querendo saber seu tipo sanguíneo!”.
“Aahhhh! Mas eu não sei, deixa eu ligar para mamãe”. Fechem as cortinas…

 

Não anule seu voto, procure um candidato que realmente o mereça

Roberto Nascimento

Nada justifica o voto em branco e nulo. Trata-se apenas o que os romanos consideravam como o “jus esperniandi”, o direito de espernear, que vale muito pouca coisa no processo eleitoral.

Ao invés de anular o voto, seria mais prático procurar com lupa aqueles candidatos que desejam realmente representar o eleitor e não a si mesmo. E isso, independente de siglas partidárias, onde se abrigam pessoas honestas e muitos picaretas e aproveitadores. São aqueles que procuram financiamento no empresariado nacional e internacional para a campanha e depois trabalham para seu mecenas, e o povo, como diria nosso melhor humorista, é apenas um detalhe no processo eleitoral.

É por causa do financiamento de campanha que uma obra, orçada em 100 mil, acaba saindo por um milhão. Uma vergonha essa orgia com o dinheiro do povo. Falta transparência no trato da coisa pública. Os órgãos de controle do Estado atuam numa lentidão abissal e quase não pegam ninguém. As denúncias, principalmente de antigos aliados que ficaram de fora do negócio e que são chamados de traíras, produzem mais efeitos incomensuravelmente, e os exemplos saltam aos olhos.

LEMBRANDO QUE…

Mas é preciso sempre lembrar que é melhor um processo eleitoral defeituoso e que vai sendo aperfeiçoado ao longo do tempo, pela prática do voto, do que uma ditadura, na qual poucos escolhem pela sociedade, e pior, escolhem muito mal.

Vamos adiante, porque pode não parecer, mas, a sociedade lentamente avança no entendimento do processo democrático, cujas eleições são o ponto máximo, entre os instrumentos à disposição do povo.

O fato de ter vivido bastante e acompanhado a política desde a juventude, nos dá uma sensibilidade para o porvir. O Barão de Itararé já dizia que “de onde menos se espera, daí é que não sai nada”. E, na política os fatos se repetem enfadonhamente. Tudo é sempre igual, o que muda são os atores e o cenário.

Realmente, é difícil dormir, quando embaixo dos pés, a areia movediça vai nos enterrando lentamente, anunciando o fim da carreira tanto desejada. Os eleitores podem mudar ou continuar o processo. Mas, creio que não há possibilidade nenhuma de mudança na geleia política atual.

 

Legado para não esquecer

Professor é detido pela PM durante ato contra a Copa, em São Paulo

Vladimir Safatle
Folha de SP

Não serei o primeiro a lembrar que, dentre os vários legados da Copa do Mundo, um dos mais duradouros será certamente a ampliação da zona de suspensão de direitos. O Brasil já era conhecido por seu histórico de violência policial, de desrespeito aos direitos civis e pela proximidade entre bandidos e a polícia. Nesta Copa do Mundo, a despeito da segurança contra manifestações políticas, tal processo chegou muito próximo da perfeição.

Enquanto todo o mundo se preparava para ver a final entre as seleções da Alemanha e da Argentina, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro mostrava, na praça Saens Peña, porque tem a palavra “militar” em seu nome.

Transformando praça pública em verdadeiras praças de guerra nas quais pessoas ficaram confinadas por horas à força, espancando jornalistas, moradores, advogados e ativistas de maneira indiscriminada — ao menos nisto eles são democráticos — e prendendo por “formação de quadrilha” pessoas cujo maior crime foi manifestarem-se politicamente, as “forças da ordem” conseguiram impor um padrão de excelência em matéria de indistinção entre democracia e passado ditatorial.

DIREITO DE CONTESTAR

Já em São Paulo, a ocasião de manifestações para a liberação de pessoas presas por estarem protestando, em vez de ficarem em casa vendo a gloriosa campanha da nossa grandiosa “famiglia Scolari” em sua luta renhida e emocionante contra os teutônicos, a polícia havia mostrado quão pouco realmente se deixa intimidar por certas “ideias abstratas”, como respeito ao direito popular de contestação e às garantias constitucionais. Neste ponto, a Fifa fez bem em escolher países como o Brasil e a Rússia para sediar a Copa do Mundo. O nível da política de segurança interna dos dois países é, hoje, praticamente o mesmo.

O problema, como costumava dizer o filósofo italiano Giorgio Agamben, é que práticas de exceção, quando aparecem devido a situações, digamos, excepcionais (como Copas, Olimpíadas, uma invasão de argentinos, guerras ou catástrofes naturais) não desaparecem mais. Elas vão se tornando uma espécie de jurisprudência muda, que pode existir nas entrelinhas, sem precisarem ser claramente enunciadas para serem efetivamente seguidas.

Assim, ao ritmo de Copas do Mundo e Jogos Olímpicos, o Brasil joga fora suas máscaras para mostrar a mais clara ausência de complexo em relação a seus arcaísmos. Mas, para um país que conseguiu, no século 19, o feito de ser, ao mesmo tempo, liberal e escravocrata, qual, afinal, é a dificuldade em ser, agora, democrático e com uma polícia fora da lei?

(Texto enviado por Mário Assis)

Boas novas: Eleição vai renovar mais da metade dos deputados federais

Julia Chaib
Correio Braziliense

Sete em cada 10 deputados federais vão tentar permanecer no Congresso Nacional pelos próximos quatro anos. A ambição da maioria dos parlamentares, entretanto, deve esbarrar no desejo dos milhões de pessoas que foram às ruas em 2013 para reivindicar, entre outros temas, a renovação na política. Na análise de especialistas, os protestos do ano passado ecoarão nas urnas em outubro. A projeção inicial do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) é de que a mudança de nomes na Câmara bata recorde em comparação às últimas quatro eleições e supere a taxa de 50%.

De acordo com o DIAP, 77,97% dos deputados federais serão candidatos à reeleição este ano. O percentual é praticamente o mesmo de 2010, quando 79% dos parlamentares tentaram se reeleger na Câmara. A renovação costuma ser inversamente proporcional à quantidade de deputados que tentam a reeleição dos mandatos. Desta vez, no entanto, a situação tende a ser diferente, segundo levantamentos do instituto.

“Acredito que o índice de renovação será de, no mínimo, 50%, algo atípico. Estaremos próximos dos percentuais verificados em 1990 e em 1994”, diz Antônio Augusto Queiroz, assessor parlamentar e analista político do DIAP. Ele explica que o prognóstico foi feito considerando o ambiente político, o custo de campanha e os históricos anteriores.

Construtora do viaduto que caiu em BH sempre foi ligada a políticos

 

Raquel Faria
O Tempo

A construtora do viaduto que desabou em Belo Horizonte, a mineiríssima Cowan, tem um longo histórico de relacionamentos políticos. Seu fundador Walduck Wanderley, morto em 2004, colecionava amigos no meio político emprestando jatinhos, patrocinando festas e financiando campanhas.

Foi muito próximo de Mário Andreazza, ministro dos Transportes na era militar, quando a Cowan teve seu auge. E manteve ótimas relações com o governo Hélio Garcia, do qual foi um dos maiores executores de obras.

“COLECIONADOR”…

Walduck também colecionava carros e mulheres. Em 1996, quando abriu sua vida e seu patrimônio à revista “Exame”, ele possuía 25 automóveis, dez deles Mercedes. Diz a lenda que, nessa época, o empreiteiro chegou a ter mais de 30 namoradas. À revista ele disse que mantinha “só dez fixas” e “algumas outras que vem e vão embora”.

Migração de deputados pode mudar tempo de propaganda eleitoral na TV

André Richter
Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu hoje analisar logo os casos de parlamentares que mudaram de partido após a eleição de 2010. A questão poderá ter impacto no tempo que 11 candidatos à Presidência da República terão no horário eleitoral no rádio e na televisão, que começa no dia 19 de agosto. A decisão foi tomada após uma audiência pública no tribunal com a presença de representantes dos partidos para debater a minuta de resolução sobre a distribuição do tempo entre as coligações.

De acordo com o presidente do TSE, Dias Toffoli, o tempo de cada coligação no horário eleitoral, já dividido pelo tribunal, poderá sofrer alterações. A decisão deve sair em agosto. “[Os tempos] podem sofrer algumas alterações em razão de informações sobre a bancada de cada partido que está tendo na Câmara dos Deputados, em relação aos eleitos e aos novos partidos criados”, disse Toffoli.

Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os partidos recém-criados têm direito a mais tempo de propaganda eleitoral, em rádio e TV, se conseguirem atrair deputados federais de outras legendas. O entendimento deve ser levado em conta na análise pelo TSE.

Nas eleições gerais de outubro, o PSD e o Solidariedade (SDD) vão eleger deputados federais pela primeira vez.

DIVISÃO ATUAL

De acordo com a proposta do TSE, a coligação Com a Força do Povo, da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), terá 11 minutos e 48 segundos. A coligação Muda Brasil, do candidato Aécio Neves (PSDB), ficou com quatro minutos e 31 segundos. Eduardo Campos (PSB), da Coligação Unidos pelo Brasil, terá um minuto e 49 segundos.

O restante do tempo no rádio e na TV ficou dividido entre o PSC, do Pastor Everaldo (um minuto e oito segundos); PV, de Eduardo Jorge (um minuto e um segundo); PSOL, da candidata Luciana Genro (51 segundos), e Eymael, do PSDC (47 segundos). Os candidatos Levy Fidelix (PRTB), Zé Maria (PSTU), Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) terão 45 segundos para expor suas ideias.

O bloco de 20 minutos que será destinado aos que disputam a Presidência da República foi dividido de acordo com o número de partidos e coligações que registraram candidaturas ao cargo e suas representações na Câmara dos Deputados.

O TSE definirá a primeira ordem de exibição dos programas em sorteio no dia 5 de agosto. Nos programas seguintes, a ordem seguirá o critério de rodízio. Caso a disputa vá para segundo turno, o bloco de 20 minutos será dividido de forma igualitária entre as coligações.

« Entradas antiguas Publicações recentes »