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O genocídio progressivo de Israel no gueto de Gaza

Ilan Pappé

Em um artigo publicado em setembro de 2006, no The Electronic Intifada, descrevemos a política israelense referente à Gaza como um genocídio progressivo.

Infelizmente, o atual ataque israelense em Gaza indica que esta política continua inabalável. O termo é importante, já que situa adequadamente a ação brutal de Israel (então e agora) em um contexto histórico mais amplo.

Deve-se insistir neste contexto, já que a máquina de propaganda israelense tenta novamente caracterizar suas políticas situadas fora do contexto e transformar em pretexto para uma nova onda de destruição, que em cada ocasião encontra a principal justificativa para outra série de matanças indiscriminadas nos campos da morte da Palestina.

O CONTEXTO

A estratégia sionista de caracterizar suas políticas brutais como uma resposta ad hoc para esta ou aquela ação palestina é tão velha como a própria presença sionista na Palestina. Foi utilizada continuamente como justificativa para implementar a visão sionista de uma futura Palestina em que haveria muito poucos palestinos originários, se é que haveria algum.

Os meios para conseguir foram mudando com os anos, mas a fórmula continua sendo a mesma: seja qual for a visão sionista de um Estado judeu, só pode se materializar sem uma quantidade significativa de palestinos e palestinas. E hoje em dia, a visão é a de Israel que se estende sobre a quase totalidade da Palestina histórica em que ainda vivem milhões de palestinos e palestinas.

Como todas as anteriores, a atual onda genocida também tem antecedentes mais imediatos. Nasceu de uma tentativa de frustrar a decisão palestina de formar um governo de unidade ao qual nem sequer os Estados Unidos poderiam se opor.

FRACASSO DA PAZ

O fracasso da desesperada iniciativa de “paz” do secretário de Estado estadunidense John Kerry legitimou o apelo palestino às organizações internacionais de deter a ocupação. Ao mesmo tempo, os palestinos ganharam mais uma vez o reconhecimento internacional devido à prudente tentativa do governo de unidade de criar mais uma vez uma estratégia para coordenar as políticas dos diferentes grupos e agendas palestinos.

Desde junho de 1967, Israel buscou uma maneira de manter os territórios que havia ocupado neste ano sem incorporar a população palestina originária como cidadãos de pleno direito. Ao mesmo tempo, participou de uma farsa em um “processo de paz” para encobrir suas políticas unitárias de colonização na base dos fatos consumados para ganhar tempo.

Durante décadas, Israel se diferenciou entre as zonas que queria controlar diretamente e aquelas que controlava indiretamente, e com o objetivo a longo prazo para reduzir a população palestina ao mínimo, por meio, entre outras coisas, de limpeza étnica e asfixia, tanto econômica como geográfica.

A localização geopolítica da Cisjordânia dá a impressão, ao menos em Israel, de que é possível conseguir isto sem que se tenha um terceiro levante ou demasiada condenação internacional.

A FAIXA DE GAZA

Devido a sua excepcional localização geopolítica, a Faixa de Gaza não se prestava tão facilmente a esta estratégia. Já desde 1994, e ainda quando Ariel Sharon chegou ao poder como primeiro-ministro, a princípios da década de 2000, a estratégia relativa a Gaza foi convertê-la em um gueto e de alguma maneira esperar que sua população (que nos dias de hoje supera 1.800.000 pessoas) caísse no esquecimento eterno.

Mas descobriu-se que o gueto era rebelde, não estava disposto a viver em condições de asfixia, isolamento, fome e colapso econômico. Por conseguinte, tinha que continuar com as políticas genocidas para devolvê-los ao esquecimento.

Em 15 de maio, as forças israelenses assassinaram duas crianças palestinas na cidade cisjordana de Beitunia. Um vídeo gravou seu assassinato a sangue frio por franco-atiradores. Seus nomes, Nadim Nuwara e Muhammad Abu al-Thahir, somaram-se a uma longa lista de assassinatos semelhantes nos últimos meses e anos.

Talvez o assassinato de três adolescentes israelenses, dois deles menores, que foram sequestrados na ocupada Cisjordania, em junho, tenha sido uma represália pelo assassinato das duas crianças palestinas. Mas proporcionou a todas as depredações da ocupação opressiva um pretexto para destruir, em primeiro lugar, a delicada unidade na Cisjordânia, mas também para realizar o velho sonho de eliminar o Hamas da Faixa de Gaza com a justificativa de recuperar a calma no gueto.

GENOCÍDIO

Desde 1994, antes mesmo de o Hamas chegar ao poder em Gaza, a muito peculiar localização geopolítica da Faixa deixa claro que toda ação de castigo coletivo, como a que está sendo realizada agora, só poderia ser uma operação de assassinatos e destruição massivos. Em outras palavras, um genocídio progressivo.

O fato de reconhecer isto não impede aos generais que ordenem bombardear a população por terra, mar e ar. Reduzir a quantidade de palestinas e palestinos de toda a Palestina histórica continua sendo uma visão sionista. Em Gaza, sua implementação adota sua forma mais desumana.

Como no passado, o momento particular em que se tem realizado tal onda está determinado por outras considerações. Continua o descontentamento social interno de 2011 e durante um tempo o público israelense pediu para cortar os gastos militares e dedicar a serviços sociais dinheiro do inflado orçamento de “defesa”. O exército qualificou esta possibilidade de suicida.

Não há nada como uma operação militar para calar qualquer voz que peça a um governo que corte seus gastos militares.

APOIO GENERALIZADO

Na atual onda, também aparecem típicas características de etapas anteriores deste genocídio progressivo. Pode-se ver cada vez mais o apoio generalizado judeu israelense aos massacres de civis em Gaza sem que haja uma só voz dissidente significativa. Em Telavive, as poucas pessoas que se atreveram a manifestar contra o massacre foram golpeadas por fanáticos judeus enquanto a polícia se mantinha à margem e observava.

Como sempre, as instituições acadêmicas se transformam em parte do maquinário. A prestigiosa universidade privada Centro Interdisciplinar Herzliya estabeleceu um “quartel general civil” em que os alunos se prestam a exercer de alto-falante a campanha de propaganda no exterior.

Os meios de comunicação participam fielmente sem mostrar imagem alguma da catástrofe humana que Israel está provocando e informam ao público de que desta vez “o mundo que nos compreende e nos apoia”.

IMPUNIDADE DE SEMPRE

Esta afirmação é até certo ponto válida já que as elites políticas ocidentais continuam concedendo ao “Estado judeu” a impunidade de sempre. Contudo, os meios não concedem a Israel o mesmo nível de legitimidade que este buscava para suas políticas criminais.

Entre as óbvias exceções encontramos os meio franceses, especialmente França 24, e a BBC, que de maneira vergonhosa continuam repetindo como papagaios a propaganda israelense.

Isto não é surpreendente, já que os grupos de pressão a favor de Israel continuam trabalhando sem descanso para pressionar a favor de Israel tanto na França como no resto da Europa, com fazem nos Estados Unidos.

Atos como queimar vivo um adolescente palestino de Jerusalém, matar a tiros outros dois só por diversão em Beitunia, ou assassinar famílias inteiras em Gaza, são todos atos que unicamente pode se perpetrar se se desumaniza a vítima.

HORRORES INIMAGINÁVEIS

Reconheço que em todo o Oriente Próximo há, atualmente, casos espantosos em que a desumanização tem coletado horrores inimagináveis como os de hoje em Gaza. Mas há uma diferença fundamental entre estes casos e a brutalidade israelense: em todo o mundo se condenam os primeiros por ser brutais e desumanos, enquanto o presidente dos Estados Unidos, os dirigentes da União Europeia e outros amigos de Israel no mundo autorizam e aprovam publicamente os que cometem Israel.

A única luta frutífera possível contra o sionismo na Palestina é uma luta baseada no programa de direitos humanos e civis que não diferencia entre umas violações e outras, embora diferencie claramente a vítima e os vitimados.

Devem ser julgados pelos mesmos princípios morais e éticos, tanto quem comete atrocidades no mundo árabe contra minorias oprimidas e comunidades indefesas quanto os israelenses que cometem estes crimes contra o povo palestino. Todos eles são criminosos, embora no caso da Palestina estejam atuando há mais tempo do que qualquer outro.

EM NOME DE DEUS

A identidade religiosa de quem comete essas atrocidades ou em nome de que religião pretende falar, na realidade, não tem importância alguma. Já se qualificam a si mesmos de jihadistas, judaísta ou sionista. Tem de tratar todos da mesma maneira.

Um mundo que parasse de usar dois pesos e duas medidas nas suas relações com Israel seria um mundo muito mais eficaz em sua resposta a crimes de guerra em qualquer outro lugar do mundo.

Acabar com o genocídio progressivo em Gaza e restaurar os direitos humanos civis básicos dos palestinos onde quer que estejam, incluindo o direito de retorno, é a única maneira de abrir uma nova perspectiva para uma intervenção internacional produtiva no Oriente Médio em seu conjunto.

Ilan Pappé é um historiador israelense, professor na Universidade de Exeter,
no Reino Unido. Nasceu em Haifa, de uma família de judeus alemães que fugira do nazismo. Aos 18 anos, serviu nas Forças Armadas de Israel, em 1973, lutando na chamada Guerra de Yom Kippur.

Deputado Luiz Moura se tornou um problema para o PT, que tenta expulsá-lo

Deu na Folha
O comando do PT em São Paulo determinou que o deputado estadual Luiz Moura apresente em dez dias sua defesa sobre a sua suposta ligação com integrantes da facção criminosa PCC. O prazo está correndo e termina na próxima segunda-feira.

O deputado é alvo de um procedimento interno desde que foi flagrado em uma reunião com integrantes da facção. Ele chegou a ser suspenso do partido, o que acabou impedindo que ele disputasse a reeleição. Inconformado, o petista foi à Justiça e derrubou, em decisão provisória do Tribunal de Justiça de São Paulo, a punição.

Petistas defendem que ele seja expulso do partido e vão tentar derrubar a decisão que o liberou para solicitar na Justiça Eleitoral seu registro de candidatura.

“FILTRO DE FILIADOS”

Em nota, o presidente do PT em São Paulo, Emídio de Souza, indicou que vai brigar para manter o deputado longe das urnas, uma vez que a medida tem o “objetivo de atender a demanda da sociedade, que exige que os partidos políticos promovam um filtro de filiados e candidatos”.

Desde o início do caso, a sigla tenta isolar Moura para evitar os efeitos da suspeita de envolvimento do deputado com o PCC sobre a campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOGNão dá para entender esse “filtro de filiados” do PT. Desde sempre o partido sabia que Moura tinha sido condenado à prisão e fugido da cadeia durante o cumprimento da pena. Só agora é que vai passar pelo filtro? (C.N.)

Planalto já reconhece que haverá segundo turno e tenta manter a base aliada

Raquel Faria
O Tempo

O Datafolha divulgado sexta-feira afetou profundamente o clima eleitoral: os tucanos ficaram eufóricos e os petistas, preocupados. Não é para menos. Embora Dilma continue à frente nas intenções de voto no primeiro turno, quando se analisam outros dados da pesquisa, como os índices de rejeição e conhecimento dos candidatos, Aécio fica em vantagem na simulação do segundo turno do Datafolha, pois tem muito mais espaço para crescer durante a campanha.

Neste momento, o Planalto está segurando os falcões e soltando as pombas por uma razão pragmática: uma campanha amena ajudará a evitar atritos e a manter aliados. A cúpula palaciana e a presidente já trabalham com a perspectiva de segundo turno, quando precisarão reunir mais apoios que o adversário.

O recente episódio na coordenação petista envolvendo Franklin Martins, responsável por site de propaganda de Dilma e desautorizado pela presidente após atacar a CBF, expôs o racha no comitê governista entre os que defendem uma campanha de confronto com o PSDB e os que preferem uma linha moderada e propositiva. Nesta semana, o grupo dos falcões petistas do qual Martins faz parte acabou vencido por pombas lideradas pela própria Dilma. Mas esse embate só está começando.

Os falcões são quase todos ligados a Lula. Mas o ex-presidente não entrou nesse embate. Como grande mediador das disputas no PT, ele deve se manter equidistante da polêmica para depois fazer a convergência entre pombas e falcões na campanha.

 

Indústria de automóveis atingiu ‘fundo do poço’, mas irá melhorar no 2º semestre, diz Anfavea

Álvaro Campos
Agência Estado

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse, durante o seminário Revisão das Perspectivas 2014, promovido pela Autodata, que a indústria automobilística brasileira já atingiu o “fundo do poço” e que a situação deve melhorar bastante no segundo semestre.

Segundo ele, a produção de veículos crescerá 13,2% no segundo semestre deste ano ante o primeiro semestre, sendo que as exportações avançarão 36,9% e as vendas internas, 14,3%. Já a produção de máquinas agrícolas deve registrar expansão de 15,3% no segundo semestre, com alta nas exportações de 12,1% e crescimento nas vendas 21,9%. Moan explicou os motivos para esse otimismo, citando que o segundo semestre terá oito dias úteis a mais que o primeiro. Além disso, sazonalmente as vendas sempre melhoram na segunda metade do ano.

O executivo também mencionou a manutenção da alíquota reduzida do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e o programa de sustentação dos investimentos (PSI) do BNDES. Moan explicou que nos últimos anos, após problemas causadas pela crise financeira internacional, os bancos brasileiros se tornaram mais seletivos na concessão de financiamento para automóveis. Mas ele vê uma mudança nesse cenário, citando que a inadimplência já caiu para 5% e que a Anfavea vem conversando com o governo sobre possíveis mudanças na legislação, que atualmente “premia o inadimplente”.

Segundo Moan, o setor continua conversando com governo e bancos para flexibilizar as regras de retomadas de veículos em caso de inadimplência no financiamento. Questionado sobre um prazo para anunciar tais medidas, o executivo afirmou que não importa se vai demorar mais um ou dois anos. “O importante é que os instrumentos sejam colocados”, afirmou, acrescentando que essas medidas, que podem estimular a concessão de crédito, também são de interesse dos bancos. “Eles estão junto conosco”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA inadimplência no setor automotivo caiu para 5%. É uma boa notícia, mas acontece que 5% ainda é uma taxa elevadíssima de calote e por isso o mercado quer dar mais facilidades para essa dívidas serem pagas. Não há outra saída. A verdade é que o mercado nacional está esgotado e não adianta vender carro para quem não tem dinheiro para pagar o combustível. O comprador vai se tornar um futuro inadimplente, sem a menor dúvida. O mercado imobiliário vive o mesmo dilema e os preços de venda e de aluguel já estão caindo. Querer revogar a lei da oferta e da procura é uma bobagem monumental. (C.N.)

Burocracia e candidatos

Vittorio Medioli

A redação de O Tempo me pediu para comentar as matérias que revelam uma inquestionável realidade: não existe um partido, um candidato, alguém neste país disputando eleição que possa apresentar um atestado de enfrentamento da burocracia e da carga tributária.

Todos os candidatos, quem mais, quem menos, conviveram, sentados em cargos de poder, com a escalada dessa babel burocrática e tributária tupiniquim, sem ações decididas para combatê-la.

Chegou, evidentemente, a hora de mostrar o que pretendem para o futuro, continuar ou mudar. Certo é que o Brasil, depois de ter perdido uma Copa, não pode perder mais uma oportunidade, desperdiçar votos e dar mandato a quem não tem propostas claras e de combate às causas do atraso.

Precisa cobrar agora clareza de intenções e demonstração de capacidade pessoal. O leitor desse jornal, eleitor em outubro, espera poder avaliar informações claras. E guardar o compromisso de cada um como instrumento de cobrança.

Como, onde, quando e, ainda, o quanto será realizado. Isso precisa ser dito. Onde se darão os cortes, as economias, os remanejamentos, os investimentos? Aumentará a despesa pública e, consequentemente, haverá mais e mais impostos? Ou diminuirá essa ciranda, possibilitando aplicação da contribuição tributaria tão exagerada?

PILOTAR A ECONOMIA

O candidato tem que explicar como pilotará a economia, o destino de um país ou de um Estado, que precisam parar de ficar patinando no mesmo lugar.

Creio que a imprensa deva fazer um questionamento o mais amplo possível e cobrar respostas, até impiedosamente claras, para evitar que se repitam estelionatos eleitorais. Também para melhorar o debate e deixar que cada candidato mostre seu cabedal, seu conteúdo atrás do rótulo que costuma desbotar depois da eleição.

Burocracia e carga tributária certamente estão no cerne do problema, do pífio crescimento e da incapacidade do Estado de ser um “bom pai”, e não um explorador.

Como me confessou um conhecido empresário, “onde o governo chega é para atrapalhar, cobrar descabidamente, atrasar’’.

ENTRAVES FEUDAIS

Hoje os entraves feudais representados pelo proliferar de normas e regulamentos, que têm a finalidade de cobrar taxas e pedágios, apenas atrasam a chegada do progresso. É possível que um surto de 20% de crescimento econômico brasileiro esteja aprisionado na burocracia estatal. E isso faz até com que a arrecadação atrase. Tem trâmites inconcebíveis que provocam atrasos na geração de emprego e de receitas para o próprio Estado. Falta QI, e sobra despotismo medieval.

Não ter pressa é ficar para trás. E essa falta de percepção parece que pesa sobre os candidatos. Menos burocracia e carga tributária bastariam para o Brasil avançar portentosamente. Isso os candidatos ainda não disseram.

Disso espera-se que o Brasil deixe de ser o campeão mundial da pior relação entre carga tributária e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

E quando isso vai parar?

Genocídio não para e o número de palestinos mortos por Israel em Gaza já passa de 500.

Da Ag. Brasil

As autoridades médicas da Faixa de Gaza informaram que nove palestinos da mesma família, sendo sete crianças, morreram hoje (21) após um ataque aéreo da aviação israelense. Segundo o porta-voz do Serviço de Emergência, Ashraf  Al Qudra, as vítimas foram mortas quando aviões atacaram a casa onde estavam.

Hoje também foram encontrados corpos de 16 pessoas mortas em ataques aéreos ocorridos ontem (20) – dia mais sangrento desde o início da ofensiva militar israelense na região. Com as novas mortes, o número de pessoas mortas chegou a 502, e não para de crescer. As forças militares israelenses tiveram 18 baixas.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas manifestou ontem preocupação com o número crescente de mortes na Faixa de Gaza e lançou um apelo por um cessar-fogo imediato. O embaixador Eugene Richard Gasana, que lidera o órgão de 15 Estados, disse que os membros do Conselho de Segurança manifestaram preocupação sobre crescimento do número de vítimas e “pediram o fim das hostilidades” entre Israel e Gaza.

*Com informações da Agência Lusa

A bagunça da democracia brasileira

Cristovam Buarque

A democracia brasileira é uma bagunça, tanto no funcionamento do aparelho do Estado (relações entre os Três Poderes e pequenas repúblicas cartoriais envolvidas no exercício da atividade administrativa no dia a dia) quanto no processo eleitoral propriamente dito. A última semana desnudou a vergonhosa realidade dessa bagunça: alianças feitas sem respeito às identidades ideológicas ou éticas entre os candidatos de uma mesma coligação. Como em toda bagunça, o eleitor fica desconsolado, e o aparelho do Estado, caótico.

Essa bagunça de casamentos imorais em grupos sem identidade, que foi chamada de “orgia” e “suruba”, respectivamente, pelo prefeito do Rio de Janeiro (RJ), Eduardo Paes, e pelo deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ), tem outro demonstrativo vergonhoso no custo das campanhas. Somente Dilma e Aécio preveem gastar R$ 588 milhões. Somando os demais presidenciáveis, o custo será de R$ 870 milhões.

Em 2010, as eleições a todos os cargos custaram R$ 3,23 bilhões, cerca de 11 vezes mais do que os gastos dos presidenciáveis de então. Mantida a mesma proporção, em 2014 os gastos serão de R$ 9,7 bilhões, equivalentes ao pagamento de piso salarial para 100 mil professores ao longo de quatro anos. Nenhum regime pode ser considerado democrático se cada voto custa tão caro.

CAOS POLÍTICO

O maior custo, porém, não é financeiro, é o caos político e administrativo que está esgotando o atual modelo de democracia brasileira, desmoralizando e emperrando o funcionamento do setor público. Apesar disso, ainda não vimos qualquer dos candidatos à Presidência propondo uma reforma eleitoral que reduza esse custo.

Com três medidas seria possível fazer a redução dos custos, tanto financeiros quanto políticos.

A proibição de alianças no primeiro turno levaria ao fim do comércio de tempo para os programas eleitorais. Essa medida reduziria o número de partidos e a consequente reorganização deles com base em identidade e substância de ideias e valores morais.

A utilização do horário eleitoral para transmitir debates e falas diretas dos candidatos, sem qualquer manipulação marqueteira que, a custos altíssimos, busca enganar o eleitor e vender o candidato como se fosse mercadoria. Sem caros marketings, o custo seria menor e a qualidade da democracia seria maior ao colocar os candidatos se enfrentando e olhando nos olhos dos eleitores, sem a parafernália usada para iludir.

Limitar os gastos eleitorais para cada candidato não poder gastar mais do que um determinado valor proporcional ao número de eleitores de sua circunscrição. Isso seria facilitado pela adoção de um sistema distrital misto em que alguns deputados e vereadores representam apenas os distritos, e não todo o Estado.

As três medidas, entre outras, não deverão ser adotadas porque os candidatos que buscam a reeleição se beneficiam da bagunça, enquanto outros sonham em entrar nela.

 

Jovens de Israel se recusam a servir ao Exército

Guila Flint 

Em uma carta endereçada ao primeiro ministro Binyamin Netanyahu e ao público israelense, 60 jovens de ambos os sexos, de 16 a 19 anos, afirmam que pretendem se recusar a prestar serviço militar pois se opõem à ocupação dos territórios palestinos.

Esta é a primeira grande onda de recusa ao serviço militar desde 2001, quando centenas de soldados da reserva se negaram a participar das ações militares de Israel na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, durante a segunda Intifada (levante palestino).

A iniciativa é denominada Recusa 2014 (Seruv 2014). “Nos territórios ocupados são cometidos diariamente atos definidos pela lei internacional como crimes de guerra”, declaram os jovens, “inclusive execuções extrajudiciais, construção de assentamentos em terras ocupadas, prisões sem julgamento, tortura, punição coletiva e distribuição desigual de recursos como eletricidade e água”.

POLÊMICA

A declaração dos jovens gera uma intensa polêmica na sociedade israelense, onde o serviço militar é obrigatório tanto para homens como para mulheres, depois de completarem 18 anos.

Muitas vezes a polêmica adquire caráter violento e vários jovens entrevistados  pelo site Terra disseram que as reações que estão enfrentando “dão mêdo”.

“Desde a publicação da nossa carta começamos a receber todos os tipos de insultos e até ameaças de morte por intermédio das redes sociais”, disse Itai Aknin, de 19 anos. Segundo ele, os integrantes do grupo “estão decididos” a não prestar serviço militar, apesar das pressões que estão sofrendo.

Como porta-voz do grupo, Aknin é um dos jovens que mais se expõem. Já foi entrevistado no canal 2 da TV israelense e na radio Galei Israel. Em ambos os programas, ficou bem evidente o antagonismo e quase ódio de outros participantes contra a iniciativa. Um apresentador da rádio chamou o porta-voz de “moleque” durante a entrevista ao vivo. Na televisão, um dos participantes afirmou que a TV “nem deveria dar espaço para essa iniciativa desprezível”.

 ABUSOS

“Não queremos participar dos abusos que o Exército comete contra os palestinos, queremos acabar com a ocupação”, disse Aknin. Ele acredita que a iniciativa pode influenciar outros jovens israelenses que estão prestes a se alistar no Exército.

“Ao lerem a nossa carta, tenho certeza de que muitos jovens pensarão duas vezes antes de prestar serviço militar”, disse.

“A guerra em Gaza, em 2008, foi o momento em que percebi que algo de muito errado estava acontecendo aqui”, contou, “naquela época, eu tinha 14 anos e me lembro que fiquei muito chocado quando descobri que o meu país estava bombardeando civis e matando inclusive crianças”.

“Arrastei minha mãe para uma manifestação contra a guerra, em Tel Aviv”, disse Acknin. Aos 17 anos, ele começou a participar de manifestações conjuntas, de ativistas palestinos e israelenses, contra a construção do Muro na Cisjordânia.

“Comecei a ir às manifestações em Bilin (aldeia palestina na Cisjordânia) e quando vi o que acontece lá ficou claro para mim que não posso, de maneira nenhuma, fazer parte do Exército”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Desde 2012, judeus religiosos ortodoxos também são obrigados a servir ao Exército de Israel e enfrentar os palestinos. É claro que isso não vai dar certo. (C.N.)

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

Pairam inúmeras dúvidas quanto à confiabilidade das chamadas urnas eletrônicas

José  Carlos Werneck

Ultimamente estão sendo feitas inúmeras enquetes perguntando aos eleitores se eles confiam na urna eletrônica. O fato é curioso e intrigante. Realmente a urna eletrônica foi um avanço significativo implantado pela Justiça Eleitoral e facilitou muito o andamento das eleições.

Mas pairam inúmeras dúvidas quando à confiabilidade e à segurança desse sistema de computação eleitoral usado no Brasil e rejeitado praticamente no mundo inteiro.

A principal delas é que, no caso de uma recontagem de votos, necessária por suspeita de fraude ou outro motivo relevante, quais seriam as provas materiais para sanar as dúvidas suscitadas?

O lendário Leonel Brizola, vítima de uma vergonhosa tentativa de fraude em sua primeira eleição para governador do Estado do Rio de Janeiro, ainda no tempo do voto escrito, quando se tentou contra ele uma gigantesca armação nas apurações, tinha sérias dúvidas em relação à urna eletrônica.

Brizola insistia que o eleitor deveria ter direito ao “papelzinho”, como ele chamava o comprovante escrito do voto exercido. Realmente não se compreende porque a Justiça Eleitoral insiste em negar ao eleitor brasileiro um direito tão elementar. Será que para as autoridades responsáveis por zelar pela lisura do pleito, a infalibilidade da urna eletrônica é um dogma inquestionável?

CAIXAS ELETRÔNICOS DE BANCOS

Até  os caixas eletrônicos das instituições bancárias dão aos usuários comprovantes impressos das transações efetuadas. Por que o mesmo singelo procedimento não pode ser adotado pela Justiça Eleitoral? Seria uma segurança a mais e mostraria respeito ao eleitor.

Hoje se sabe que jovens “experts” em informática conseguem entrar em programas sofisticados como das Forças de Segurança de países do Primeiro Mundo. Por que confiar tanto na infalibilidade da urna eletrônica adotada no Brasil?

Hoje o eleitor é induzido, pelas pesquisas eleitorais, a saber, de antemão, quem serão os vencedores, principalmente das eleições majoritárias. Daí para se maquiar os resultados é somente um pulo.

Por tudo isso e em respeito à Democracia, tão duramente conquistada, e à vontade soberana do eleitor brasileiro, todo cuidado e pouco e a Justiça Eleitoral deve estar muito atenta, rigorosa e vigilante, para que de maneira alguma possam ser suscitadas dúvidas sobre a lisura das próximas eleições.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste artigo foi publicado em 31 de agosto de 2010. Está sendo republicado por sua importância, pois de lá para cá nada mudou. (C.N.)

Recessão na economia observada no segundo trimestre pode se repetir às vésperas da eleição

Deco Bancillon

A produção industrial quase estagnada e o desempenho ruim do mercado de trabalho em junho — o pior resultado em 16 anos — sinalizam que a economia enfrenta um período de retração. Em meio à piora geral dos indicadores de confiança e, diante da falta de perspectivas de melhora no futuro próximo, os empresários botaram o pé no freio. Para não amargar prejuízos em escala, a saída foi engavetar projetos de expansão, o que derrubou investimentos e desacelerou o Produto Interno Bruto (PIB). Para os analistas, não há dúvida de que o país já está em recessão.

As apostas do mercado são de que houve uma queda expressiva da atividade econômica entre abril e junho. Alguns especialistas acreditam que a retração será tão intensa que jogará para baixo o resultado do primeiro trimestre do ano, que havia sido levemente positivo em 0,2%. “A nossa previsão é de um recuo bem forte do PIB no segundo trimestre, de 0,4%”, assinala o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira. “Caso o tombo tenha sido um pouquinho maior, digamos de 0,5%, o número positivo do começo do ano se transformará num resultado negativo, o que configuraria um quadro técnico de recessão”, emenda.

“Independentemente disso”, diz o economista, “hoje, eu trabalho com a possibilidade de retração da economia também no terceiro trimestre do ano”, completou. Nessa hipótese, o último ano do governo Dilma Rousseff será praticamente todo marcado pela recessão, que atingirá três dos quatro trimestres de 2014.

Informações de araque na declaração de bens dos políticos

 

Heron Guimarães

Mais do que esclarecer as coisas e contribuir para a orientação do eleitor, a prestação de contas que os candidatos fazem aos tribunais eleitorais cumpre um verdadeiro desserviço para quem pretende tomar suas decisões analisando a vida pregressa dos candidatos.
Chega a ser patético perceber que um apartamento que custa mais de R$ 6 milhões é declarado por cerca de R$ 120 mil. Pior ainda é ver que uma presidente da República ou um ex-governador de Estado não têm patrimônios que lhes garantam uma vida de classe média em um apartamento de três quartos na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Passeando pelas declarações de alguns candidatos nessas eleições, tromba-se com informações descabidas, uma inegável tirada de sarro do cidadão. Deputados que já possuem tempo de sobra para se aposentar chegam ao absurdo de dizer que todo esse tempo de vencimentos gordos, regalias exageradas e repasses de verbas indenizatórias, além das inúmeras atividades escusas em troca de emendas e votos aqui e acolá, contribui para seu “empobrecimento”.
DESCRENÇA NAS INSTITUIÇÕES
Tendo acesso a essa ridícula prestação de contas, o eleitor, que pena todos os anos para fazer sua declaração de Imposto de Renda de maneira correta para evitar chateações com o fisco, aumenta ainda mais sua descrença com a seriedade das instituições. Os próprios tribunais, quando aceitam tanta depravação e desfaçatez, são, no mínimo, cúmplices de uma terrível negligência contra o bem comum e a transparência pública.
Do jeito que está, seria melhor não divulgar nada, pois um candidato bem-intencionado que deseja mostrar seus bens e sua correta evolução patrimonial, se é que ele existe, acaba sendo prejudicado por velhacos que não se intimidam em declarar que, durante anos de boa vida, acumulam bens que são menos valiosos do que aqueles de um professor ou um pequeno empresário do interior.
A evolução patrimonial deveria ser uma forte ferramenta de investigação a serviço do eleitor na hora de fazer suas escolhas, afinal, muitos políticos, que impunemente declaram tão pouco, contam somente com os proventos públicos como fonte de renda. Eles, diferentemente da hora de fazer suas declarações, não se intimidam em ostentar carrões, apartamentos luxuosos, fazendas, casas de praia e viagens internacionais.
Já passou da hora de a Justiça Eleitoral tomar providências reais para evitar a mentira nas declarações e o Ministério Público agir com mais rigor contra tantos falsários à solta. Iniciativas como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei da Ficha Limpa já trouxeram algo de bom para as relações entre políticos e sociedade, mesmo que de maneira acanhada. Que o exemplo seja seguido para inibir tanta informação de araque. (transcrito de O Tempo)

 

As estrelas palpitantes de Cruz e Sousa

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Em sua visão poética, no soneto “As Estrelas”, ele questiona se tais astros não são sentimentos dispersos de primitivos grupos humanos.

AS ESTRELAS

Cruz e Sousa

Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca de Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

       (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Somos todos diferentes

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Tostão
O Tempo

Gilmar Rinaldi, ex-goleiro, ex-superintendente do Flamengo e que foi, durante longo tempo, agente de atletas, é o coordenador de todas as seleções brasileiras. Ele disse que largou sua atividade de agente para ocupar o cargo. Mesmo assim, essa proximidade, que não se apaga por decreto, é conflitante com o atual trabalho. Deveria, no mínimo, passar por uma quarentena. Por que foi escolhido, já que não é nenhum profundo conhecedor do assunto?

Alexandre Gallo, coordenador das seleções de base, deu detalhadas informações, com milhares de estatísticas sobre os resultados em campo e sobre o que tem sido feito. Falou que as seleções de base jogam um futebol moderno, compacto, com muita troca de passes e poucos chutões. Não foi o que vi. Além do mais, a formação de atletas no Brasil é feita, principalmente, pelos clubes.

O Brasil ganha muitos títulos nas categorias de base porque possui um enorme número de bons jogadores, que passam a atuar nos times principais muito cedo, sem deixar de jogar pelas seleções de base. Eles ficam fisicamente prontos antes dos jovens de outros países. É raro ver um jogador de uma seleção de base da Europa já titular de um grande time. Além disso, o Brasil também perde, e muito. Não participou do último Mundial Sub-20 porque não se classificou entre os quatro primeiros no Sul-Americano.

A questão principal é saber a razão de um país tão grande, com tanta tradição, com tantos bons jogadores nas categorias de base, só ter um único craque do meio para frente: Neymar.

Gallo disse que vai priorizar o conjunto. Isso é importante. Desaprendemos a jogar coletivamente. Mas é preciso também enxergar os detalhes, a subjetividade, as exceções, e não apenas a regra. O Brasil tem formado jogadores muito iguais, em série, como se fosse uma fábrica de parafusos. Privilegiar o coletivo não é deixar de formar os diferentes. É fazer com que os diferentes participem do coletivo. A Alemanha não se destacou somente pelo conjunto. Foi a seleção com o maior número de excepcionais jogadores.

A solução não é também baixar um decreto de que todos os clubes, desde as categorias de base, adotem o mesmo estilo. É importantíssimo criar variações. Não existe apenas uma maneira de atuar bem e de vencer.

A Argentina usou, contra a Alemanha, a mesma estratégia do Real Madrid, na Liga dos Campeões, contra o Bayern, base da seleção alemã, com duas linhas de quatro, próximas e recuadas. A grande diferença é que, no contra-ataque, o Real tinha quatro jogadores excepcionais (Di María, Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale). A Argentina dependia demais de Messi com a contusão de Di María.

O Brasil precisa mudar vários conceitos sobre como jogar futebol e como se organizar e trabalhar bem. Não serão com parceiros da CBF nem somente com os Zé-Regrinhas.

 

A associação dos canalhas

João Gualberto Jr.

Nossas timelines andam entupidas de associações mal-intencionadas entre futebol e eleição. São postagens com declarações, vídeos, teorias conspiratórias e pseudo informações com pedigree de esgoto. Todas, sim, mal-intencionadas. A profusão já vinha de antes, mas foi acelerada pelo vexame do 7 a 1 para a Alemanha, que nós, mineiros, tivemos a desonra de sediar.

Associar o desempenho da seleção à organização da Copa do Mundo já seria um quiproquó sem-vergonha. Agora, ver na melancolia do time de Felipão correlação com uma suposta incompetência de Dilma na Presidência, aí é canalhice mesmo. Houve candidato da oposição e analista tido como sério que prestaram esse desserviço depois daquele atropelamento de Mercedes no Mineirão.

Rede social é terra de ninguém, está certo, coisas são publicadas e replicadas sem que se desperte, nem de longe, a precaução sobre a veracidade do conteúdo. Por isso, nossas timelines viraram um menu de irracionalidades extremas com dimensões enciclopédicas. Existe esse cara, que compartilha irresponsavelmente as coisas que melhor lhe apetecem, como caixa de fósforos nas mãos de piromaníaco. E existe o outro, que cria ou posta as mensagens com falsa convicção ou consciência plena da bagunça que pretende gerar. É esse tipo o canalha da política.

NAÇÃO E SELEÇÃO

São duas confusões nas quais estamos metidos. A primeira é entre nação e seleção brasileira. Nas eras de Pelé e Nelson Rodrigues, o “scratch” era o símbolo maior da tal “pátria de chuteiras”. Como no 21 de Abril, quando a capital é transferida para Ouro Preto, seria a noção de que, na Copa, o Brasil se restringisse a 11 homens de amarelo cercados por uma torcida apaixonada. Pois teve imbecil queimando a bandeira do Brasil no último dia 13. Queimasse a camisa da Nike, de R$ 250, com o brasão da CBF, uma empresa privada que, como tal, convoca uma comissão técnica e 23 atletas de acordo com seus interesses comerciais.

Outra confusão é a que paira sobre essas reflexões. Prezado leitor/eleitor, esse pessoal que trata partido como time de futebol e militância como torcida organizada só nos quer fazer de trouxas. Só busca nos deixar confusos, compartilhando valores ideológicos e visões fabricadas de sociedade que nem mesmo eles carregam.

MAZELAS HUMILHANTES

Enquanto vermelhos contra azuis contra amarelos contra vermelhos mantiverem esse ciclo de animosidade digna de clubes rivais, melhor será para eles: as agremiações conquistam torcedores fiéis que compram essas associações bobas de que uma derrota no esporte, ainda que a mais humilhante, é a persona das mazelas nacionais. Por outro lado, discussões sobre políticas públicas, desenvolvimento e redução da desigualdade são jogadas para escanteio. Daí não percebermos, atrás dessa nuvem de bobagens, que vermelhos, azuis, amarelos, verdes etc. se igualam por baixo no quesito do debate edificante.

E tem mais: em outubro, essa Copa já terá virado história, e o 7 a 1, só um retrato na parede. Mas como dói… (transcrito de O Tempo)

Não esqueça de lembrar daquele amigo…

Carlos Newton

O dia 20 de julho já vai chegando ao fim, mas é sempre bom lembrar que está consagrado como “Dia do Amigo.

O poeta Mário Quintana dizia que a “amizade é o amor que nunca morre”, e isso é rigorosamente verdadeiro.

Daqui do meu cantinho, envio a todos vocês um grande abraço pela passagem do Dia do Amigo, com um poema do nosso amigo Paulo Peres, que diariamente nos honra com sua participação poética aqui no Blog. Na redação da Revista Nacional, um amigo com quem eu e Paulo Peres trabalhamos, chamado Rubem Braga, nos ensinou que a poesia é necessária. E jamais esquecemos.

DIA DO AMIGO
Paulo Peres

Não existe palavra

Que possa definir

O real significado,

A bênção Divina 

E a felicidade infinita

De tê-lo como amigo.

 

 

Romário detona contratação de Gilmar Rinaldi: “Vai fazer da CBF um banco de negócios”

Deu no Zero Hora

Romário foi às redes sociais manifestar insatisfação com a contratação de Gilmar Rinaldi ao cargo de coordenador-geral da CBF. Colega do novo dirigente da entidade na conquista do tetracampeonato mundial, em 1994, o deputado federal pelo Rio de Janeiro fez duras críticas à contratação.

— Galera, só pode ser uma dessas duas coisas: sacanagem ou pegadinha. É inadmissível Gilmar Rinaldi ser escolhido para assumir o cargo de diretor/coordenador de Seleções da CBF. O cara é empresário de vários jogadores. Tive o desprazer de trabalhar com ele no Flamengo, é incompetente e sem personalidade — afirmou, antes de completar:

— Posso afirmar que Rinaldi vai fazer da CBF um banco de negócios para defender os seus interesses. Só os ratos do Marin e Del Nero para escolherem uma pessoa como essa. Para piorar, ele ainda é agente da FIFA.

Romário jogava no Flamengo em 1999, quando Rinaldi era dirigente. Na época, o ex-atacante saiu da concentração para uma noitada em Caxias do Sul após derrota para o Juventude, o que resultou em sua saída do clube.

O que devemos fazer agora é refletir sobre o futuro do país

01Acílio Lara Resende

O ideal seria pôr fim logo ao sofrimento que a Copa do Mundo nos propiciou, mas falta ainda uma simples observação. No início do mês, a presidente da República, Dilma Rousseff, fez esta infeliz analogia: “Meu governo é padrão Felipão”. Dias depois, se deixou fotografar usando a mão direita como haste e o antebraço esquerdo como travessão, formando o “T” do “Tóis” – uma palavra mágica inventada pelo jogador Neymar, que, segundo minha neta, significa o mesmo que “Nóis” –, uma corruptela do pronome “nós” (primeira pessoa do plural de ambos os gêneros).

A presidente pode até ter resistido à tentação, mas, orientada pelo seu ministro marqueteiro, se decidiu, já no fim, pelo uso do futebol em favor da sua reeleição. E outra vez errou. Esqueceu-se de que o esporte não deve servir à política nem ser usado por ela.

Confesso que, antes do início da Copa, sonhava com o astral do povo brasileiro lá no alto. Imaginei o melhor dos mundos: uma final entre Brasil e Costa Rica. Se o Brasil vencesse, o bom astral continuaria alto; se o excelente time de Costa Rica fosse vitorioso, o bom astral não seria tão afetado. Pessoalmente, eu até sentiria um pouco de orgulho pela seleção costa-riquenha, que, na dura luta contra a Holanda, ao contrário do que nos aconteceu, deixou honrosamente o gramado.

É preciso dizer, então, leitor, que a dor das pauladas que tomamos precisa de tempo para passar. E, quando a ferida fechar, a cicatriz não desaparecerá, viverá meio século ou, talvez, um século inteiro. Ou – o mais provável – ficará “per omnia seacula seaculorum”…

Como disse certa vez o professor, escritor e ex-senador Edgard Godoy da Mata Machado, mas por motivos bem mais sérios do que uma simples derrota no futebol, “sofrer passa, o que não passa nunca é ter sofrido”. Somente o tempo, nada mais, saberá pensar a ferida que se abriu no coração do outrora alegre povo brasileiro.

COLAPSO NERVOSO

Li tudo, ou quase tudo, sobre a dura paulada que a Alemanha nos deu. Finalmente, na última quinta-feira, encontrei alguém também lúcido. Após afirmar (como tem dito o nosso Tostão, o melhor comentarista da Copa) que “o Brasil parou no tempo”, o ex-jogador Pierre Littbarski, vice-campeão mundial em 1990, analisou assim o desastre e soube ainda apontar sua maior causa: “A seleção brasileira sofreu um colapso nervoso e perdeu inteiramente o controle na partida contra a Alemanha”. O craque, que hoje trabalha no Wolfsburg (clube do volante Luiz Gustavo), lamentou que o “jogo do século” terminasse como terminou: “Sem um meio de campo compacto, não recebeu uma orientação de emergência (do Felipão) para mudar a tática quando o placar chegou a 2 a 0”. Não sei se ele diria o mesmo após a paulada da Holanda. Lá se viu: o colapso não foi só da seleção, é do nosso futebol.

Logo após a primeira e terrível paulada (7 a 1), alguns políticos já se apresentaram com sugestões estapafúrdias. O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, por exemplo, querendo melhorar o que antes dissera a presidente Dilma Rousseff, abriu sua esfarrapada cartilha e sugeriu a intervenção do Estado no futebol. Menos, ministro. É preciso pensar bastante antes de falar. Ou o que o seu governo deseja é acabar com o nosso futebol?

O que devemos fazer agora, ministro, além de refletir sobre o futuro do nosso país, é reconhecer que, se não fosse o povo brasileiro, essa Copa teria sido um desastre ainda maior fora de campo! E queremos as contas, a partir do Itaquerão! (transcrito de O Tempo)

 

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