Polícia Federal vai abrir novos inquéritos da Lava Jato para investigar corrupção e fraudes em licitações

Fausto Macedo
Estadão

A Polícia Federal deverá abrir novos inquéritos no âmbito da Operação Lava Jato para investigar especificamente fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, corrupção ativa e passiva e sonegação fiscal. Essa etapa da investigação terá como meta principal identificar servidores e admninistradores públicos e políticos envolvidos com o doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, deflagrada em 17 de março para estancar esquema de lavagem de idnherio que pode alcançar R$ 10 bilhões.

Na terça feira, a PF concluiu 4 inquéritos e indiciou 46 investigados, entre eles Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. O ex-executivo da estatal foi indiciado em um desses inquéritos, da Operação Bidone – desdobramento da Lava Jato -pelos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Costa e Youssef estão presos em caráter preventivo, por ordem da Justiça Federal.  A PF vai produzir novos inquéritos para estabelecer os vínculos do doleiro e do ex-diretor da Petrobrás com agentes públicos e políticos.

A PF suspeita que Youssef se infiltrou em órgãos públicos por meio de empresas de fachada para conquistar licitações milionárias. Na Petrobrás, o braço do doleiro teria sido Paulo Roberto Costa, segundo suspeita a PF.

MATERIAL APRENDIDO

Os novos inquéritos terão base no estudo do material apreendido em poder do doleiro e do executivo. Com Youssef, os federais encontram 7 celulares. Ele foi preso em São Luís (MA). Em uma das mepresas de fachada do doleiro, a PF recolheu outros 27 celulares. A PF pediu autorização judicial para a análise e cruzamento dos dados dos 34 aparelhos “a fim de possibilitar a real dimensão dos contatos do doleiro preso” – medida que ainda depende de extração dos milhares de arquivos de mensagens de SMS, bem como aplicativos de conversação, tais como whatsapp, viber e outros.

Na residência do ex-diretor da Petrobrás a PF apreendeu um HD e 37 pen drives que estão sendo analisados.

Afanador de galinhas

Sylo Costa

Cícero, na primeira Catilinária contra a corrupção de seus contemporâneos, exclamou: ó, tempora, ó, mores! O mesmo podemos dizer do nosso Brasil de hoje: gente pobre, se comete um deslize furtando uma galinha ou um galo, é para comer, nunca para formar aviário. Já alguns sem-vergonha e ladrões roubam é Petrobras. Outros, remediados e ricos, políticos e velhacos, afanam tudo, principalmente dinheiro público, fazendo fortunas. Ó, tempos, ó, costumes!

Imagine essa situação, caro leitor: Afanásio Maximiniano Guimarães afanou um galo e uma galinha do galinheiro de Raimundo das Graças Miranda. A Defensoria Pública requereu ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais a extinção do processo, uma vez que o acusado devolvera os animais (presumo que o dito cujo tenha sido condenado na 1ª instância).

Se o perigoso assaltante de galinhas tivesse tido tempo para devorar os bichos, certamente que a defesa apelaria para o chamado furto famélico, situação em que se subtrai algo para comer e não morrer de fome.

Ou não, porque os políticos de Brasília e aqueles que comem quietos, como mensaleiros e fanáticos interessados na Petrobras e outras fontes luminosas como Copa e Olimpíadas, já desmoralizaram esse tipo de crime e, provavelmente, já pensaram em todas as maneiras de como sair incólume dessas aventuras, depois das ditas efemérides.

Mas, voltando ao tema do furto de galinhas, presumo eu que existiu outro pedido da defesa, em caráter liminar, quanto à aplicação do princípio da insignificância, e o assunto foi parar no Supremo.

O ministro relator, Luiz Fux, ao analisar o caso, decidiu aguardar o julgamento do mérito do pedido para depois decidir a questão em definitivo. É… um país cujos principais juízes se preocupam na mais alta Corte com galos e galinhas e não conhecem de Renans e Roses, escondidos que vivem debaixo dos caracóis dos seus cabelos e perucas, não podem ter mesmo tempo para mandar prender ladrões de casacas que abundam e que agem abertamente para desmoralizar nossas instituições e quebrar, no sentido de arrebentar, nosso país.

Não sei quem foi o iluminado que um dia descobriu o termo “hediondo” e, achando-o bonito, resolveu enquadrar tudo quanto é desgraça nesse título para substituir nosso Código Penal, fazendo até furto de galinha ser crime hediondo. Ladrão de galinhas não pode ser o mesmo que ladrão de Petrobras.

A lei não pode ser oito ou 80. Quer dizer que eu, que sou apenas um cidadão comum, se furtar uma galinha para comer serei julgado por crime hediondo e terei julgamento igual a esses ladrões sócios de doleiros? Furto é uma coisa, roubo é outra. Ó, quer saber? Eu e muita gente só vamos esperar a primeira parada desse trem brasileiro. Ainda que não tenha chegado a lugar algum, quero descer e só subirei de volta quando desratizarem o ambiente pátrio.

Petrobras estagnou, diz o “New York Times”. Escândalos e maus negócios estariam afetando a empresa

Deu no New York Times

RIO – Em reportagem publicada na quarta-feira sob o título “Estrela brasileira, Petrobras é afetada por escândalos e estagnação”, o jornal “The New York Times” afirma que a maior empresa brasileira, símbolo máximo do crescimento do Brasil, passou a simbolizar “a desordem” que afeta a economia do país e leva a uma “reavaliação das perspectivas de crescimento em mercados emergentes ao redor do mundo”.

A reportagem lembra que com algumas das maiores descobertas de petróleo deste século a Petrobras galgou posições entre os produtores globais de energia, e que executivos da estatal chegaram a afirmar que ela poderia até mesmo superar a Apple como a mais valiosa empresa de capital aberto do mundo.

Segundo o jornal, com maus negócios e acusações de corrupção, a Petrobras passou a simbolizar o oposto. “Em vez de afluência, a produção de petróleo da Petrobras estagnou, aumentando a dependência do Brasil em relação ao petróleo importado. A Petrobras encontra-se atolada em investigações de corrupção e reclamações de incompetência gerencial. E sua dívida está explodindo: A Petrobras é agora classificada como empresa mais endividada do mundo, dependente dos fundos de investimento para financiar seus planos de investimento ambiciosos”.

SUPERFATURAMENTO

O “The New York Times” cita o caso da refinaria Abreu e Lima, em construção em Pernambuco como exemplo de negócio questionável. “O custo estimado da refinaria aumentou para 18,5 bilhões dólares de um inicial de R $ 2,5 bilhões. Os investigadores estão analisando se houve corrupção”, afirma o jornal.

“O declínio da Petrobras tem sido impressionante, rápido e doloroso”, disse ao jornal norte-americano Fábio Fuzetti, sócio da Antares Capital Management, uma empresa de investimento de São Paulo. “Esta é a empresa de energia que serviu de modelo para outros países em desenvolvimento”, comentou Fuzetti. “Agora é o exemplo de exatamente o que não fazer”.

Para comprovar uso de celular por Dirceu, promotora pede quebra de sigilo do Supremo e do Congresso

Deu em O Tempo

Uma promotora fez um pedido, nesta quinta-feira (17), à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal que irá aborrecer grande parte dos grandes nomes de Brasília. Isso porque Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, que investiga o possível uso de celular do ex-ministro José Dirceu, quer a quebra de sigilo de aparelhos celulares no Palácio do Planalto, no Supremo Tribunal Federal e no Congresso Nacional.

Segundo o advogado de Dirceu, uma das coordenadas está localizada no Centro de Internamento e Reeducação, onde o ex-ministro está preso. O outro local, de acordo com a defesa, é o Palácio do Planalto. Para justificar as localizações, o advogado anexou laudo de um engenheiro agrônomo.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo, publicada no dia 17 de janeiro, diz que Dirceu conversou por telefone celular com Correia. Segundo a matéria, a conversa ocorreu por intermédio de uma terceira pessoa que visitou Dirceu.

(com informações da Agência Estado)

 

A defesa de Dirceu reafirmou que o ex-ministro não fa

Jorge Béja aponta abuso do governo em tentar punir quem vazou na Petrobras o escândalo de Pasadena

Jorge Béja

O artigo de nosso editor Carlos Newton (“Era só o que faltava: Governo quer punir quem vazou  na Petrobras as informações do escândalo de Pasadena”), cujo título é o suficiente para saber o seu conteúdo de indignação, mormente no tocante à Advocacia-Geral da União (AGU), convocada pelo governo para acionar o Tribunal de Contas da União (TCU) com o propósito de abrir investigação, identificar e punir o funcionário da Petrobras que vazou o escândalo, o referido artigo de Carlos Newton enseja três breves considerações:

PRIMEIRA CONSIDERAÇÃO

O artigo 325 do Código Penal trata da “Violação De Sigilo Funcional”. Está incluso nos chamados “Crimes Praticados Por Funcionário Público Contra a Administração Em Geral”. Dispõe: “REVELAR FATO DE QUE TEM CIÊNCIA EM RAZÃO DE CARGO E QUE DEVA PERMANECER EM SEGREDO, OU FACILITAR-LHE A REVELAÇÃO”. A pena é de detenção de 6 meses a 2 anos, ou multa.

De pronto, surge a discussão se empregado da Petrobras é ou não funcionário público. O Código Penal equipara a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal. Porém, domina o entendimento de que a equiparação só alcança as autarquias, e não as sociedades de economia mista ou sociedades em que o governo seja acionista majoritário (e aí entra a Petrobras).

Logo, a tal investigação se revela inócua quando destinada a apurar a autoria de crime inexistente, o que torna inviável a abertura da ação penal pública e incondicionada.

SEGUNDA CONSIDERAÇÃO

Exige o art. 325 do Código Penal que a revelação (ou “vazamento”) do fato de que tem ciência o agente público e a respeito do qual tem o dever de manter segredo, que se trate de fato relevante e cujo segredo seja do interesse público.

No caso da compra da refinaria de Pasadena ocorre justamente o inverso. É um escândalo. Trazê-lo a público, por empregado da estatal ou por gente de fora dela, foi atitude relevante para o interesse público e nacional. Guardá-lo em segredo é que seria crime de Prevaricação ou Condescendência Criminosa, dois outros delitos inscritos nos artigos 319 e 320, respectivamente, do mesmo Código Penal.

TERCEIRA CONSIDERAÇÃO

Da mesma forma que na advocacia privada o advogado não deve advogar contra literal disposição de lei, nem prestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade e a dignidade da pessoa humana, ciente de que é ele — o Advogado — indispensável à administração da Justiça, é defensor do estado democrático de direito, da cidadania, da moralidade pública, da Justiça e da paz social, a Advocacia-Geral da União não pode se prestar a agir de maneira diversa.

A AGU é instituição que deve dar o bom exemplo, representar a defender a União, judicial e extrajudicialmente, em tudo aquilo que seja justo e bom para o interesse da Nação. Embora também exerça as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo, a instituição jamais haverá de ser subserviente e servil às pretensões que não sejam legais, leais, legítimas, ortodoxas, limpas e altaneiras que partam de seu amo, a chefia do Poder Executivo.

O efeito Marina

Tereza Cruvinel
Correio Braziliense

Com o lançamento precoce da chapa Eduardo Campos-Marina Silva, 90 dias antes do prazo final para a realização das convenções partidárias que escolherão os candidatos, o comando da campanha do ex-governador de Pernambuco espera produzir uma segunda e importante inflexão nos rumos da campanha presidencial. A estratégia é levá-lo, até agosto, ao segundo lugar nas pesquisas, posição hoje ocupada pelo tucano Aécio Neves. A aposta é numa intensa exposição da imagem da dupla, por todos os meios possíveis, para acelerar a migração dos eleitores de Marina para a chapa encabeçada por ele.

Na última pesquisa Datafolha, Campos obteve apenas 10% de preferência, e quando seu nome foi subtituído pelo de Marina, ela alcançou 27%, único cenário em que a presidente Dilma não venceria no primeiro turno. Segundo pesquisas do PSB, apenas 30% dos eleitores dele sabem que Marina o apoia e será sua vice.

A primeira alteração importante no quadro eleitoral ocorreu em outubro, quando ela filiou-se ao PSB, após o TSE negar o registro da Rede. Embora tenham anunciado naquele momento apenas uma “aliança programática”, como ela recordou no discurso de ontem, e tenha surgido divergências que ainda persistam entre PSB e Rede quanto às opções eleitorais nos estados, a partir de então, Campos adquiriu um potencial eleitoral que antes não tinha, entrando no jogo para valer. A transferência dos votos de Marina para ele, entretanto, aconteceu muito residualmente, em grande parte devido à esperança dos eleitores marinistas de que ela viesse a ocupar a cabeça da chapa.

Essa hipótese ela sempre negou, até por ter firmado compromisso nesse sentido com ele, na madrugada do dia 4 para o dia 5 de outubro do ano passado. Mas o eleitor sonhava e, com isso, não migrava. Com o lançamento da chapa, ilusões ou especulações saem do radar, e a chapa com ela no papel de vice torna-se uma realidade. Agora é esperar o efeito da jogada.
MUDANÇA DE DISCURSO

Campos, atestam os mais próximos dela, entrou na disputa para tornar-se conhecido nacionalmente, acumular capital e ser candidato para valer em 2018. Por isso, até o momento em que ganhou o apoio de Marina, mantinha uma relação ambivalente com o PT, fazendo críticas moderadas, reconhecendo os acertos e dizendo que era possível “fazer mais”. Entre 2014 e2018, o mundo poderia dar muitas voltas, e ele ainda poderia vir a ser candidato do campo de esquerda liderado hoje pelo PT.

Com a adesão de Marina, ele adquiriu nova musculatura na disputa, mudou o discurso e passou a confrontar mais agressivamente o PT e a presidente Dilma. O ex-presidente Lula, de quem foi ministro e recebeu generoso apoio como governador, ele ainda busca, de certo modo, preservar ou distinguir de Dilma. Na festa de ontem, que guardou alguma semelhança com as convenções petistas dos anos 1990, isso transpareceu tanto no discurso dele como no de Marina. “A partir de 2010, o Brasil perdeu o rumo estratégico”, disse, cutucando Dilma: “O Brasil precisa não é de gerente, é de um líder”. Marina também recomendou “não negar os avanços nem ser complacente com os erros”.

Segundo socialistas do círculo mais próximo dele, o discurso vai ser esse ao longo da campanha: colar em Dilma a responsabilidade pela alta da inflação, pela desconfiança dos mercados na condução macroeconômica, pelos problemas no setor elétrico, pelas práticas políticas que afetaram a saúde financeira da Petrobras e possibilitaram os ilícitos que estão sendo investigados.

DESDOBRAMENTO

A estratégia deslanchada com a festa de terça-feira tem outro desdobramento. O esforço para tomar do tucano a segunda posição pode afetar não apenas as relações cordiais entre eles mas, também, as possibilidades que ainda restam de aliança entre PSB e PSDB nos estados. Passada a festa, PSB e Rede vão retomar as negociações nos nove estados em que têm divergências sobre candidaturas a governador. Em alguns deles, motivadas pela tendência do PSB de apoiar um tucano.

O que vamos conferir, a partir de agora, é a amplitude do efeito Marina, a candidata que não foi mas continua sendo. Aliás, em seu discurso, sempre muito peculiar, afirmou que a vida acontece no gerúndio. “Se estamos caminhando, estamos avançando”. E ensinou que, para entrar na floresta, é preciso estar acompanhada de um bom mateiro, e andar ao lado dele, não atrás. Emendou avisando que andará “lado a lado” com Eduardo. Significará isso que não será subalterna? Cada um leia como quiser.

No mais, ali estava reunida uma grande lasca da coalizão liderada pelo PT, reunindo pelo menos cinco ex-ministros de Lula: Campos, Marina, Cristóvam Buarque (PDT), Miro Teixeira (Pros) e Roberto Amaral (PSB).

Inflação, discurso e prática

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central fez uma ressalva sobre como é importante o governo dar boas condições para que o país cresça sem solavancos. Enfatizou sobre os riscos de o país conviver com inflação tão elevada por tanto tempo. Nas palavras da autoridade monetária, taxas de inflação altas provocam distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. “Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários”.

Taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, do empregos e da renda. Pena que, no governo de Dilma, o discurso do BC esteja descolado da prática. Nos 39 meses da atual administração, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) manteve-se, na média, em 6%, sendo que, por 10 vezes, estourou o limite de tolerância de 6,5%. Com a carestia afligindo principalmente os mais pobres, a autoridade monetária dá sinais de que se conformou com tal situação. Não custa lembrar que, daqui a seis meses, os eleitores depositarão os votos nas urnas. E, certamente, darão o troco.

TETO EM FRANGALHOS

Assim como demonstra estar preocupado com a possibilidade de a inflação estourar o teto da meta, de 6,5%, o presidente do Banco Central deveria dar mais atenção ao teto do saguão da sede da instituição, em Brasília. Está em estado de calamidade pública.

O presidente do BC, por sinal, quebrou, mais uma vez, o silêncio que se tornou característico em períodos entre a reunião do Copom e a divulgação da ata. Por ordem do Palácio do Planalto, engrossou o coro governista para tentar minimizar o nervosismo com a divulgação da inflação de março, de 0,92%.

Dilemas e contradições no futebol

01
Tostão
O Tempo

Dos três times brasileiros na Libertadores, o Cruzeiro é o mais definido na forma de jogar e com melhor elenco. Para Júlio Baptista atuar parado, de costas para o gol, como tem feito, é melhor Borges, que é mais rápido nas finalizações em pequenos espaços.

O Grêmio, que era exaltado como o melhor brasileiro na Libertadores, por ter conseguido mais pontos na primeira fase, passou a ser criticado, questionado, após a goleada para o Inter. É impressionante como os conceitos mudam em poucos dias.

O Atlético vive uma transição de identidade. Não joga no estilo Galo Doido, como fazia com Cuca, nem troca passes, desde a defesa, como gosta Paulo Autuori. O zagueiro Leonardo Silva, acostumado aos chutões, erra quase todos os passes, uma característica dos zagueiros brasileiros. O argentino Otamendi é exceção.

O futebol é complexo. Muitos é que tentam simplificá-lo e reduzi-lo a dezenas de chavões e a boas manchetes.

BOM TREINADOR

É difícil ser um ótimo treinador. Tudo é incerto. Há várias maneiras de vencer. Muitos sabem, mas, na hora de decidir, ficam confusos. A autossuficiência é necessária aos técnicos, mas está próxima da soberba. Quando isso ocorre, eles passam a lembrar apenas de suas experiências positivas, a achar que são mais sábios que a sabedoria e se tornam incapazes de aceitar críticas.

Alguém já disse, provavelmente um escritor de livros de autoajuda, que a humildade não é o desconhecimento do que somos, e sim o conhecimento e o reconhecimento do que não somos. É uma bela frase. Não tenho nenhuma admiração por livros de autoajuda, mas não sou também metido a fazer um tipo que acha óbvio e primário tudo o que é simples e claro.

Na Copa, as explicações já estão prontas. Se o Brasil perder na final, evidentemente a manchete será “Maracanazzo”. Se ganhar, mesmo jogando mal, vão exaltar a magia do nosso futebol e dizer que está tudo maravilhoso.

Repito, pela milésima vez, o que passa a ser um lugar-comum, que temos dois futebóis brasileiros. Um, o da Seleção, moderno, em que quase todos os jogadores atuam fora e aprenderam a jogar coletivamente, e outro, praticado no país, na média, fraco, ultrapassado. Não são apenas os times de São Paulo e do Rio que estão mal. Eles estão piores. Há também coisas boas.

O futebol espelha os dilemas, paradoxos e contradições humanas. Na Copa, a vitória pode ser pior que a derrota, para o futuro do futebol brasileiro. Quanto mais mostram os problemas da Copa e mais se teme as manifestações de rua, os assaltos e a violência nas cidades-sede, mais se vende ingressos. Muitos torcedores que se dizem éticos, honestos e justos adoram ser campeões com um gol roubado.

Bolha imobiliária: Construtoras têm R$ 14,6 bilhões em imóveis encalhados no país

Juliana Gontijo
O Tempo

Os imóveis não vendidos pelas quatro das maiores construtoras brasileiras contabilizam R$ 14,6 bilhões, um estoque de 25 mil unidades em todo o país, conforme levantamento feito pela Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH). O estudo foi baseado nos balanços da MRV Engenharia, Cyrela, Direcional e Gafisa. Mesmo assim, as empresas afirmaram que lançarão novos empreendimentos em 2014.
 

De acordo com a entidade, atualmente, mais da metade dos apartamentos não encontram compradores nos primeiros seis meses, após o lançamento. Situação bem diferente na comparação com os anos de auge, quando o empreendimento tinha todas as unidades vendidas na primeira semana.

O presidente da ABMH, Leandro Pacifico, disse acreditar num estouro da bolha imobiliária, rumores que aumentam à medida que empresas do setor divulgam seus resultados financeiros, além do fato de a economia brasileira estar apresentando resultados fracos. “Os preços ainda estão altos e o brasileiro não tem renda para comprar. O curioso é que as empresas vão lançar mais imóveis, mesmo com um estoque considerável. Uma das razões para isso é manter o planejamento feito nos últimos anos ou pode ter reação na Bolsa, já que estas empresas têm que mostrar que continuam expandindo seus negócios, pois têm que manter os investidores”, analisa.

ESTOURO TIPO ESPANHOL

Pacífico ressalta que se a bolha estourar, deve acontecer nos moldes do que foi verificado na Espanha. “Nos Estados Unidos, a situação foi bem diferente. Afinal, lá é possível hipotecar um imóvel várias vezes. Aqui, a Caixa Econômica Federal, que cuida de boa parte dos financiamentos, é bem rigorosa na hora de conceder um empréstimo. No Brasil, é complicado financiar dois imóveis”, explica.

Para ele, um dos sinais negativos de uma crise é a redução das vendas. “Como as pessoas não têm renda suficiente, não compram”, diz. Num outro momento, quem já comprou não consegue honrar o pagamento e perde o imóvel.

A Fundação Ipead verificou queda na velocidade de vendas em Belo Horizonte. No mês de fevereiro do ano passado, a velocidade de venda era 22,92%, já em janeiro de 2014, a velocidade de venda chegou em 8,23%. Diante dessa queda, os dados do Ipead informaram que em janeiro de 2014, o número de imóveis vendidos foi de 188 unidades, diante da oferta de 2.284. Pacífico ressalta que 70% das obras no país estão atrasadas.

MOMENTO RUIM PARA COMPRAR

O momento não é favorável para quem quer comprar imóveis, a não ser que haja uma boa oportunidade. É a recomendação de especialistas. “Quem puder, deve esperar e comprar em 2015”, diz o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Newton Paiva, Leonardo Bastos Ávila.

O presidente da ABMH, Leandro Pacifico, afirma que neste ano não haverá “estouro de preço”. “Não há mais espaço para aumentos”, diz.  E Ávila, que disse não acreditar em estouro da bolha imobiliária, afirma que está verificando queda nos preços, já que a demanda está retraindo. “Eu mesmo acabei de comprar um imóvel”, diz.

O risco rebelde de Oswald de Andrade

O advogado, escritor, ensaísta, dramaturgo e poeta paulista José Oswald de Souza Andrade (1890-1954) foi um dos principais articuladores do movimento modernista literário e da célebre Semana de Arte Moderna, marco divisório na história das artes brasileiras, realizada em São Paulo, em 1922. A rebeldia de Oswald o levava a querer muito mais do que simplesmente revolucionar forma e conteúdo da criação artística, conforme o poema “Risco”,  livre de qualquer regra gramatical, tanto que sobre o qual recai a decisão de escrevê-lo ou não. Na verdade, o que Oswald queria mesmo era uma revolução que transformasse a vida social dos brasileiros, suas instituições e costumes.


RISCO

Oswald de Andrade

Um poema livre
da gramática, do som
das palavras
livre
de traços

Um poema irmão
de outros poemas
que bebem a correnteza
e brilham
pedras ao sol

Um poema
sem o gosto
de minha boca
livre da marca
de dentes em seu dorso

Um poema nascido
nas esquinas nos muros
com palavras pobres
com palavras podres
e que de tão livre
traga em si a decisão
de ser escrito ou não

           (Colaboração enviada por Paulo Peres - site Poemas & Canções)

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