O estigma do Estado Capitalista

Welinton Naveira e Silva

Na estrutura capitalista, a função do Estado é atender as ambições econômicas e financeiras das elites dominantes, mas sob o pretexto de governar para as necessidades do povo. Uma enganação gigante não percebida pelo povão. Em cima da crônica ignorância das massas, a grande mídia “livre” deita e rola, sempre fingindo estarem do lado do povo, em defesa de seus interesses, denunciando inúmeras, antigas e conhecidas coisas erradas, serviços inadequados, carências, deficiências, roubalheiras, inseguranças e violências (prato preferido).

Estar preocupado com as necessidades do povo é uma grande mentira na arquitetura do Estado Capitalista. O coitado do povo nunca aprende e volta e meia se espanta com os extravagantes e permanentes modos de o Estado conduzir e gerir os recursos públicos quase que permanentemente envolvidos em grandes escândalos financeiros e econômicos, de todos os tipos, expressos em licitações viciadas, obras sem prioridades, obras superfaturadas, fiscalização tipo vista grossa, gigantescas propinas, supersalários, superaposentadorias, escandalosas privatizações a preços de bananas, educação e saúde pública de terceira qualidade etc.

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SALVANDO AS ELITES

Não bastassem as conhecidas siderais evasões de recursos do Estado para os cofres das elites dominantes, de modo direto e indireto, em todas as grandes crises econômicas, de pronto e imediato, o Estado abre os seus cofres repletos de dinheiro do povo, sem muitas delongas nem morosidade alguma, para salvar os bilionários banqueiros. Assim foi no governo FHC/PSDB, socorrendo a poderosa rede bancária privada com o PROER. Assim está sendo feito na atual gigantesca crise do capitalismo mundial, aflorada em 2007, que já teria consumido em todo o mundo, cerca de US$ 20 trilhões de dinheiro do povo, supridos pelos Estados.

Afinal, o sistema chama-se Capitalista. Quanto ao nome, as eternas elites dominantes foram sinceras e honestas. Não enganaram ninguém. Deixaram bem claro a parte principal e essencial do Sistema. O resto é o resto. Que se dane o povo e o Planeta que a cada dia vai ficando mais sujo e imundo por conta da desenfreada poluição decorrente da alucinada e irresponsável sociedade de consumo.

Toda a riqueza existente no mundo é produzida pelo trabalhador, do tipo braçal e intelectual, que tirando as exceções, fica com muito pouco dessa riqueza, na forma de salário. A grande parte da riqueza produzida vai parar nas mãos das elites dominantes (formatada numa grande pirâmide social e econômica, situando o povão na parte mais baixa dessa pirâmide) donas dos meios de produção e do capital. Os siderais recursos acumulados no Estado Capitalista, produzidos pelo trabalhador, inclusive, através de grandes impostos de renda em cima do contracheque do assalariado, sempre priorizarão atendimento aos ricos e poderosos. Ao povão terá que se contentar com as sobras. É a natureza do Sistema.

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A FORÇA DO ESTADO

Mas, sem o poder e força do Estado, a estrutura privada não se sustenta e o Capitalismo iria à falência, a bancarrota. Isso já ficou muito claro em todas as crises, inclusive nessa atual gigantesca crise do capitalismo. Sem a poderosa ajuda do Estado, o capitalismo não teria a menor chance de sobrevida. Já teria quebrado. Além disso, sem a iniciativa e maciça participação do Estado, seria quase impossível a construção de grandes obras, extremamente necessárias, mas envolvendo grandes investimentos e/ou riscos e/ou baixo retorno, tais como usinas elétricas, exploração de petróleo, grandes túneis, pontes, rodovias, ferrovias, aeroportos, saneamentos, saúde, educação, pesquisas etc.

Por outro lado, um dos grandes problemas da convivência harmoniosa do Estado com o sistema capitalista deve-se as suas essências contrárias e antagônicas. O Estado tem índole pró-socialista, quanto o capitalismo, nada a ver com o socialismo. Grosseiramente, é a mesma impossibilidade de misturar água com óleo. Por mais que se tente nunca se mistura. Vai daí os grandes problemas para a sociedade democrática capitalista na correta gestão de suas empresas públicas, inclusive as empresas estatais.

Mas, as elites dominantes são vivas e sabem muito bem da importância do Estado para os seus negócios e as suas fantásticas acumulações de riquezas. Por isso mesmo, participam ativamente da montagem, gestão e rígido controle do Estado, tomando todo o cuidado para que não fuja de sua restrita gerência e objetivos maiores. Nisso, a arquitetura da democracia capitalista é adequada e perfeita. A cada eleição livre e democrática, fornece a grande sensação que o povo é muito importante e prioritário. E o povo sempre acredita.

Por outro lado, com a acelerada decadência do capitalismo, visto em todo o mundo, por conta do inevitável grande desemprego tecnológico e de outras fragilidades mais do sistema capitalista, o Estado vai sendo empurrado a ocupar espaços da iniciativa privada, principalmente como o grande gerador de bons empregos estáveis, fundamentais a prosperidade e estabilidade do sistema capitalista, que requer um polo consumidor sideral, constituído de infinitos trabalhadores capazes de exercerem o exigido poder de consumo. Sem este formidável consumidor o polo produtor (indústria, serviços e comércio) torna-se inviável e quebra. É a lógica do Sistema.

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