Demóstenes Torres é o maior exemplo do baixo nível a que desceu a política brasileira

Carlos Newton

Todos os jornais publicaram a “performance artística” do ex-senador Demóstenes Torres na principal casa noturna de Brasília, o Piantella, reduto de políticos desde a década de 80. O político goiano, que perdeu o mandato em condições humilhantes, agora demonstra ter perdido, ao mesmo tempo, a dignidade e a compostura.

A desfaçatez com que voltou a freqüentar a noite de Brasília chega a ser estarrecedora. Ficou se exibindo como cantor no piano-bar, como se estivesse algo a comemorar, num comportamento estranho, que merece a intervenção urgente de um médico psiquiatra. O fracasso parece ter lhe subido à cabeça. Seu estado inspira cuidados.

Conforme foi noticiado, no final do primeiro dia da defesa dos réus no julgamento do mensalão, com o restaurante Piantella totalmente lotado, o senador cassado surpreendeu o respeitável público, foi ao piano-bar e cantou duas músicas.

Primeiro, interpretou “Minha namorada”, de Vinicius de Moraes e Carlinhos Lira, lendo a letra em seu iPad. Voltou à mesa, em meio ao constrangimento geral, esperou um pouco e depois se aproximou novamente do pianista a lhe pediu que o acompanhasse em “Let me try again” (Me deixe tentar novamente), famosa na voz de Frank Sinatra. Leu a letra, desta vez, diretamente de seu smartphone.

O ex-senador havia saído de Goiânia no fim da tarde e foi a Brasília encontrar seus advogados. Um deles, o Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, é sócio do Piantella. Depois da cantoria, às 23h em ponto, Demóstenes deixou o salão, orgulhoso com a própria performance. Depois de ter sua voz gravada em centenas de ocasiões dialogando com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, só falta agora Demóstenes lançar um CD com músicas de protesto. Como dizia o genial Barão de Itararé, era só o que faltava.

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