Dilma não pode demitir Mantega. Lula e os banqueiros não deixam. Aliás, os banqueiros já tramam contra a reeleição de Dilma. Eles preferem Lula.

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff não suporta o ministro Guido Mantega. Só aceitou mantê-lo por imposição do ex-presidente Lula, que fez questão de montar o ministério de sua sucessora. Dilma aceitou a pressão, mas fez questão de nomear um economista de sua confiança para a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda, colocando Nelson Barbosa na equipe de Mantega, para vigiá-lo bem de perto.

Mantega ficou numa posição desconfortável, mas não largou o cargo, continuou agarrado a ele com todas as suas forças. A presidente Dilma sabe que Mantega não merece crédito, porque está a serviço do “sistema financeiro” desde sua desastrosa passagem pela presidência do BNDES, quando determinou que todas as operações do BNDES fossem “intermediadas” pelos bancos, que levam uma comissão de cerca de 4% ao ano, muito maior do que a percentagem do BNDES, que entra com todos os recursos dos financiamentos.

O BNDES recebe como remuneração a chamada TJLP (Taxa de Juro de Longo Prazo, que gira em torno de 6% ao ano. Atualmente, está em 5,5%. Em alguns programas, o banco adiciona uma taxa de risco ou algo assim. Portanto, subtraindo-se a inflação, às vezes o BNDES nem recupera o dinheiro que oferece para financiamento. Mas os bancos “intermediários” têm os 3%, 3,5% ou 4% garantidos, sem investirem um só centavo.

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SERÁ QUE DILMA SABE?

Será que a presidente Dilma Rousseff tem conhecimento desse inexplicável privilégio do BNDES aos bancos? Será que ela sabe que esse favorecimento foi cortado por Carlos Lessa em 2003 e depois retomado por Mantega em 2005 e até hoje mantido pelo atual presidente Luciano Coutinho? Pode ser que saiba, mas pode ser até que nem saiba nada disso, vamos lhe conceder o chamado benefício da dúvida.

Mas, com toda certeza, Dilma Rousseff sabe que Mantega é um burocrata a serviço dos banqueiros. Aceitou mantê-lo por pressão de Lula, mas exigiu a saída de Henrique Meirelles do Banco Central. Nomeou Alexandre Tombini para o BC e agora o governo está conseguindo um milagre – começar a reduzir a taxa básica de juros, a Selic. Contra a vontade dos banqueiros, é claro.

Mantega, óbvio, era contra a redução da Selic, mas Dilma passou por cima dele como um trator. A presidente o humilha, chama a atenção dele por qualquer motivo, trata mal na frente dos outros, mas Mantega se mantém agarrado ao cargo feito um carrapato financeiro, porque acredita que possa haver um revertere, ele conhece o poder incomensurável dos banqueiros.

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PARA DERRUBAR DILMA

E esta é justamente a grande guerra que hoje se trava nos bastidores do poder. Os banqueiros agora querem destruir Dilma Rouseff de qualquer maneira, e contam com o apoio total de Guido Mantega. Para os bancos, é melhor repor Lula no Planalto do que continuar suportando o ataque de Dilma Rousseff, que está usando a força do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal contra os bancos privados.

Este é o quadro atual. O câncer de Lula foi curado, mas lhe deixou terríveis seqüelas – ele não consegue caminhar direito, tem dificuldades até mesmo para gravar uma mensagem aos eleitores de São Paulo. Na última vez que tentou, sua voz de vez em quando falhava. Agora reclama do inchaço no pescoço.

Tudo depende de Lula. Se ele se recuperar completamente, os banqueiros vão recolocá-lo no Planalto. O exame que fará no próximo dia 6 (segunda-feira) no Hospital Sírio-Libanês será muito importante. Se ele não tiver condições de fazer campanha para Fernando Haddad, a situação se delineia de uma forma. Mas se Lula estiver bem, os banqueiros soltarão foguetes e tudo farão para desestabilizar a candidatura de Dilma Rousseff à  reeleição. Como dizia o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, meu vizinho no famoso edifício Zacatecas, “o suspense é de matar o Hitchcock”.

Se a gente acreditasse em teoria conspiratória, iria dizer que a onda de greves, agora engrossada pelos caminhoneiros e pelos servidores do Judiciário, já estaria sendo incentivada pelos banqueiros. Mas pode ser apenas uma grande coincidência. De toda maneira, os banqueiros são amorais e capazes de tudo. Representam o que há de pior no capitalismo. Banco é serviço público, devia ser estatal. Simples assim.

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