Trair o país – este é o caso de FHC.

Publicamos agora a segunda parte do artigo escrito há alguns anos por Helio Fernandes e que continua atual. O texto nos foi enviado pelo comentarista Carlos Cazé e digitalizado pela também comentarista Viviane Ramos. E assim voltamos a matar as saudades de Helio Fernandes e de seu magnífico estilo.

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A PROPÓSITO DAS ELITES PODRES

Helio Fernandes

Como sociólogo e professor da USP, Fernando Henrique Cardoso pesquisou com razoável esforço a problemática brasileira. Com o prestígio conquistado, viajou, fez conferências e conheceu intelectuais importantes. Embora sua Teoria da Dependência não fosse internacionalmente conhecida como ele gostava de apregoar (era um trabalho importante apenas em termos de América Latina), para explicar a miséria dos povos da região.

Depois, sem que ninguém suspeitasse, passou para o lado das “elites podres”. Como sempre, as “elites podres” rotulam de “comunista” qualquer tentativa de desvendar os mistérios dessa miséria. Simplesmente porque desvendar esses mistérios é o mesmo que demonstrar que o povo é miserável porque as elites são corruptas e os governantes, ladrões.

Assim, FHC inicialmente foi rotulado de “comunista”. Mas acontece que ele é mais esperto do que supunham as “elites”. E já tinha fortes vínculos de “colaboração” com os verdadeiros donos do poder no Brasil, isto é, com os norte-americanos.

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OPERETA BUFA

Foi assim que os militares (nem todos, felizmente), usados pelas “elites podres” como “capatazes” de seus interesses e de sua ganância, fizeram o ridículo papel de “aposentar e exilar” FHC. E aí aconteceu a cena de opereta bufa: enquanto o nosso “artista” era procurado pelo DOI-CODI, o cônsul norte-americano (o maior amigo do mesmo DOI-CODI) foi visitá-lo em seu “esconderijo” e oferecer-lhe ”asilo político” imaginem onde? Nos Estados Unidos, é claro. Pois são essas “elites podres” que, para perpetuar seus privilégios, estão inventando a “solução mágica” da ”fujimorização”. Com FHC ou ACM, tanto faz. Os dois são ótimos para o que deles esperam essas “elites”.

E quais são os mecanismos que perpetuam a miséria do povo e os privilégios das “elites”? São quase todos mecanismos de transferência draconiana de renda. Transfere-se, para setores intermediários não produtivos (bancos, testas-de-ferro, “promoters” etc.) toda a renda das atividades produtivas, sem reservar nada para reinvestimentos em atividades de desenvolvimento tecnológico, nem em atividades voltadas para o aprimoramento social do próprio operariado (educação, saúde etc.). E muito menos para maiores salários que contribuiriam para melhorar tudo por força da expansão do mercado interno.

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ROLAGEM DA DÍVIDA

Em resumo: o Brasil transfere anualmente das atividades produtivas para os bancos cerca de 200 bilhões de dólares, a título da “rolagem da dívida interna”. Uma dívida ilegítima, porque contraída por pressão dos próprios banqueiros, que através de prepostos e capatazes (Roberto Campos, Delfim, Galvêas, Marcílio, Malan, Pérsio Arida, etc.) estão há muitos e muitos anos no comando da economia (para não dizer do país).

Esses impostores inventam as justificativas mais absurdas para impor à sociedade taxas de juros que superam de muito a rentabilidade de qualquer atividade industrial ou agrícola.
Portanto, transferem para os bancos toda a “saúde” da economia brasileira. E os “presidentes da República” que se sucedem no posto não têm discernimento, nem vontade política (ou será que não têm poder?) para dar um basta nesta extorsão.

Aí está metade da explicação para o enigma de um povo miserável que (convivendo com uns poucos “empresários” e banqueiros milionários) habita um dos países mais ricos do mundo.
É o paradoxo da “Belíndia”, que em seus bons tempos Edmar Bacha e FHC identificaram muito bem. Mas quando se “pilharam” no poder, resolveram passar para o lado podre das elites, que formam boa parte da “Bélgica”, nessa infeliz Belíndia”. (Apesar de tudo, royalties para Edmar Bacha, o antigo, e não o de hoje).

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PS – Outra metade da explicação para a miséria do povo brasileiro reside na subserviência de certos “estadistas”, que não fazem nada para estancar a hemorragia financeira, representada pelos juros da “dívida”, que evidentemente poderiam ser reduzidos à terça parte, pelo menos.

PS 2 – E o montante da “dívida” deveria ser drasticamente cortado. De fato, os juros são calculados sobre um principal, ilegítimo, que além de já ter sido pago várias vezes, cresceu por força de taxas de juros que podiam flutuar ao bel-prazer dos banqueiros.

PS 3 – Sem que o povo brasileiro (através do Congresso) tivesse sido ouvido.

PS 4 – Quando os “compromissos” iam sendo assumidos por “ministros” corruptos, como Delfim, ou subservientes e incompetentes (incompetentes?) como Roberto Matogrosso Campos, Ernani Galbrega, perdão, Galvêas, João Piauí Velloso, Maílson Brega, Marcílio, Zélia, Eliseu Rezende, etc.

PS 5 – Todos eles influenciados pelos eternos “promoters” que sempre rondam os governantes incompetentes (e corruptíveis), para propor “bons negócios para o país”.

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