Siomara Ponga fala sobre o Brasil e dá uma geral nos comentaristas

Siomara Ponga

Em primeiro lugar, eu não estou “defendendo Cuba”, apontei para alguns problemas que todos conhecem. Quem falou em prostitutas, como se aqui não tivesse, é um infantil. Quem me proclamou mais conhecedora de Cuba, errou, quem escreveu que “aqui tem umas pessoas, etc.”, eu não levo em consideração.

Não comparei o Brasil com lugar algum. O Brasil é lindo, vasto, amorável (como dizia meu avô – procurem no dicionário), que o povo apesar de ignorante porque vota sempre nos mesmos por ignorância ou ganância é bom. Que “em se plantando tudo dá” e outras coisas lindas, é verdade.

Vocês sabem o que está acontecendo no sertão, nesse exato momento em que estou escrevendo? Um seca devastadora. Vou recontar milhares de vezes, sem me cansar: um empresário, vendo o sofrimento dos nordestinos, se propôs a perfurar muitos, mas muitos poços – porque vocês, que conhecem tanto o Brasil, mais do que Cuba – sabem muito bem que o solo do nordeste possui um lençol vastíssimo da melhor água potável, logo abaixo da superfície.

Pois bem, quando o empresário ia começar as perfurações, foi avisado que seria assassinado. Sabem por quê, conhecedores do Brasil ? Porque com a água perto de casa, o curral eleitoral não precisaria mais de pipas d´água fornecidas pelos “coronéis” eleitoreiros.

Isso é só uma lambuja de exemplo do que se passa em nosso querido Brasil.Nosso sistema previdenciário está levando anos sem fim para chegar a uma conclusão sobre a idade da aposentadoria. Eu pergunto e eu mesma respondo: se uma pessoa começa a trabalhar aos 18 anos e aos 48 cumpriu 30 anos de trabalho, por que obrigá-la a cumprir mais 12 anos para receber aquela maravilhosa recompensa depois de deduzidos impostos sobre impostos? Tira-lhe a chance de vir a trabalhar em outra coisa ou apenas de deixá-la numa rede aproveitando o dinheirão que recebeu depois de uma vida.

O sistema de saúde é uma perfeição! Os planos de saúde são um primor, principalmente para os pobres. Recentemente, na televisão em horário nobre, vimos o desabafo de uma médica para atender todos os pacientes de um hospital do grande e belo Rio de Janeiro. Os hospitais vão caindo por falta de manutenção, como o do pioneiro em tratamento da AIDS, no Caju, que esta semana apareceu nos jornais e foi grilado por moradores de rua, enquanto em torno eram construídos barracos (manchete de no O Globo). E  Souza Aguiar, que foi assaltado com bandidinhos que levaram 24 mil e tiraram as armas dos seguranças. E dona Dilma veio verificar câmeras de segurança de outro hospital – façam-me o favor… um presidente sair do palácio para inspecionar trabalho de eletricistas e seguranças…

E tem muito mais, muito. Crianças que ainda são vendidas pelos pais por 10,00, até mesmo 1,00 ou um almoço para qualquer um que pagar, pais que levam seus filhos – meninos e meninas – até os navios que chegam, para oferecê-los ” como distração ” aos marinheiros que passaram meses no mar. Esses animais levam seus filhos de barco, vestidos apenas com calcinhas para serem presas devoradas.

E vocês me vêm com essas ironias sobre Cuba. O que Fidel tentou foi não deixar que isso acontecesse dando-lhes educação, trazendo técnicos, os mais competentes da Rússia, para ensinar balé e esportes para os cubanos. Vocês, que reprovam o “ditador” costumam assistir aos jogos Pan Americanos, as Olimpíadas”? Já assistiram o desempenho dos atletas cubanos, mil vezes melhor do que o dos brasileiros? Pois é, foi o Dr.Fidel Castro quem proporcionou tudo isso para meninas e meninos que estariam nas mesmas condições dos nossos.

E sabem do que mais? Vou para a praia. Mas volto em outra seção dessa magnífica Tribuna para falar de outro escândalo brasileiro, ” Entradas e Bandeiras”, a grande invasão dos bárbaros portugueses sobre índios e territórios estrangeiros. Se eu amo o Brasil? Com todas as fibras do meu coração, mas isso não me cega.

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PS – O filme sobre o ” Ensaio da Cegueira ” de Saramago – que leio desde o lançamento de seu primeiro livro no Brasil e tive a honra de apertar a mão quando ele veio receber o título de Dr. Honoris Causa na UFF, aqui pertinho de casa, por escolha pessoal, já que esse título lhe foi oferecido por vários países – pois o filme é uma droga, uma porcaria. E não me venham com frases soltas e sim com comentários que sejam pertinentes, para que eu os leia com atenção e aprenda mais.

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