Paraguai representa a alma e a história da América do Sul.

Genilson Albuquerque Percinotto

Desde que obteve a independência, em 1811, o Paraguai iniciou um processo de isolamento das demais nações sul-americanas. Mas o seu grande momento naquele fatídico século XIX se iniciaria em setembro de 1840, ascendendo ao poder Carlos Antonio López, que promoveu um processo intenso e virtuoso de industrialização e investimentos em infraestrutura, construindo, inclusive, a primeira ferrovia na América do Sul.

Filho de Carlos Antonio López, Francisco Solano López assumiu a presidência em 1862, momento em que a promissora nação conseguia um elevado grau de desenvolvimento econômico e se destacava como uma verdadeira potência soberana regional em meio a um continente ainda obscurecido pelo espírito do colonialismo de renovados laços metropolitanos.

O pequeno país enfrentou Brasil, Argentina e Uruguai diante da pressão da metrópole imperialista, Inglaterra, que considerava estratégico o endividamento destes para a destruição daquele, rebelde e soberano.

A Guerra do Paraguai durou de 1865 a 1870, resultando na morte de metade da população paraguaia, desnecessária, mas cruel, destruição de toda a infraestrutura brilhantemente conquistada e perdas territoriais que em seu somatório condenaram o país e a região a um processo contínuo de subordinação.

No século XX, outro conflito marcante no qual o Paraguai esteve envolvido foi a Guerra do Chaco, entre 1932 e 1935, no seio de uma disputa territorial contra a Bolívia pelo Chaco Boreal, região petrolífera. E o Paraguai conquistou cerca de 75% da região disputada.Em 1936, oficiais liderados por Rafael Franco iniciaram a Revolução Febrerista, que realizou a reforma agrária e nacionalizou parte da economia, promovendo uma política populista. Porém, em 1937, Franco foi deposto pelos liberais.

Em seguida, o Paraguai passou por vários golpes políticos. Em 1954, com a queda do presidente Frederico Chávez e a posse do general Alfredo Stroessner, instalou-se uma ditadura no Paraguai, com o apoio do Partido Colorado. Somente em 1989 um golpe militar tirou do poder Stroessner, que se refugiou no Brasil. O líder do golpe, Andrés Rodríguez, elegeu-se presidente, restaurando a democracia.

O ex-bispo Fernando Lugo, em 2008, tornou-se presidente com 42,2% dos votos. Através da coalizão partidária Aliança Patriótica para a Mudança (APC), que reúne partidos de extrema esquerda e de centro-direita, findou-se a hegemonia do Partido Colorado, que governou o país durante 61 anos.

Em abril de 2009, o envolvimento de Lugo num escândalo de paternidade gerou uma grande crise política no país, que culminou na última sexta-feira, quando o presidente esquerdista, que jamais deteve a maioria no Congresso, sofreu um golpe sumário, apoiado pelos setores conservadores e saudosistas de mais de meio século de domínio indiscutível.

O Paraguai sempre ocupará uma posição estratégica em termos de energia, comércio (principalmente diante das vias paralelas de invasão chinesa), segurança e estabilidade, sendo ainda hoje peça chave para o ideal de construção de um bloco íntegro de nações sul-americanas para o enfrentamento e para a defesa dos interesses regionais no mundo neocolonial globalizado.

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