Erundina aproveita para faturar a súbita notoriedade

Carlos Newton

A política brasileira está cada vez mais rasteira, vive-se um tempo de permissividade, em que as convicções vão por água abaixo, num festival de
ilusionismo ideológico. Cada um quer levar mais vantagem do que o outro. A política se resume a isso.

Na coalizão de São Paulo, por exemplo, o Partido dos Trabalhadores de Lula, por exemplo, já não faz jus ao nome, o Partido Socialista Brasileiro de Eduardo Campos não tem mais nada de socialista, assim como Partido Progressista de Paulo Maluf deveria ser denominado Partido Reacionário.

Indicada a vice de Fernando Haddad (PT), a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) só aceitou porque ganharia visibilidade política e cobertura  garantida na mídia, para facilitar sua próxima candidatura a deputada federal em 2014.

Recorde-se que ela tinha tudo para virar as costas ao PT, que em 2003 a suspendeu por um ano, quando  foi convidada, pelo então presidente Itamar Franco, para se tornar ministra-chefe da Secretaria da Administração Federal. Desde então, ficou marginalizada no PT, até que, em 1997, depois de 17 anos de militância, deixou o partido.

Agora, 15 anos depois, foi convidada para ser vice do petista Haddad e aceitou, repita-se, exclusivamente para ganhar espaço na mídia. Mas não aguentou a hipocrisia da aliança do PT com Paulo Maluf, criticou publicamente a insólita coalizão. Com isso, ganhou ainda mais divulgação. E depois resolveu abandonar a candidatura a vice-prefeita, abrindo uma cratera na campanha de Haddad.

O desconforto de Erundina foi evidenciado segunda-feira, após ela conceder entrevistas aos sites da revista “Veja” e do jornal “O Globo”, afirmando que pretendia rever sua permanência na chapa de Haddad. E na terça-feira desistiu, ganhando uma notoriedade que há tempos não tinha. E daqui para a frente continuará tendo, porque seu partido se mantém ligado à campanha de Haddad e ela, a maior estrela, fica de fora, mas sempre no foco da mídia. Genial.

 

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