Morte do adolescente Wendel assusta grandes clubes do Rio

Paulo Peres

A morte do atleta da categoria de base do Vasco da Gama, Wendel Junio Venâncio da Silva, de 14 anos, no Centro de Treinamento do clube, dia 09 de fevereiro, em Itaguaí, por problemas cardíacos e bronquite crônica, conforme consta no laudo pericial, está assustando dirigentes dos grandes clubes do futebol carioca, visto que o Ministério Público está vistoriando o CT de cada clube e cobrando o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Segundo o MP-RJ, não é só o Vasco que tem problemas para cuidar das suas categorias de base entre os grandes do Rio. Com alto investimento na reforma de “Carandiru”, apelido antigo do CT de Xerém, o local ganhou melhorias para os garotos do Fluminense. O Botafogo, desde 2009, fez reformas importantes, assim como o Flamengo mostra avanços no Ninho do Urubu.

Todavia, o Ministério Público não abre mão da uniformização para todos os clube do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que o Vasco está há mais de um ano para assinar. Há falhas quanto a cuidados médicos, garantia de convivência com familiares e acolhimento dos meninos de outros estados.

“Percebemos que os outros clubes se apavoraram com o que aconteceu no Vasco (falecimento do Wendel, pois nem médico havia no local do treinamento para prestar os primeiros socorros). Assustou até patrocinadores, porque prejudica a imagem. Quando fomos ao Fluminense e ao Botafogo, vimos que já esperavam nossa visita”, afirma Afonso Henrique, promotor do MP-RJ.

O Termo de Ajustamento de Conduta, que está sendo cobrado a todos os clubes, pede como parâmetro de acolhimento em divisões de bases o mínimo também solicitado em abrigos para “crianças em risco”, que vivem na rua, abandonadas pela família ou violentadas sexualmente, conforme determinação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente e do Conselho Nacional de Assistência Social.

Em Marechal Hermes, bairro do suibúrbio carioca, um único quarto abriga cerca de 20 garotos e tem capacidade para até 30. Na “cartilha” elaborada pelo MP, “o ideal são quatro meninos por quarto e, no caso de lotação máxima, seis. O cômodo deve ter também armário e guarda-roupa individual e metragem mínima de 2,25 metros quadrados por ocupante. No Ninho do Urubu, os jovens atletas não contam armário apropriado do clube para guardar roupas”.

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ESTATUTO

Faltam a dirigentes e advogados dos clubes os conhecimentos básicos do que pede o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei Pelé. Cada time precisa garantir não só “alojamento e instalações esportivas adequados, sobretudo em matéria de alimentação, higiene, segurança e salubridade”, como também educação, transporte e convivência familiar. Conviver com a família, no caso, significa custear viagens ou do jovem atleta para reencontrar seus parentes ou dos parentes para visitarem o menino.

Os clubes dizem: “Mas onde está escrito isso?” Um dos promotores responsáveis pelas visitas, diz que “de fato, a legislação não é clara a respeito da obrigação do clube de pagar viagens para a família, mas o MP quer assegurar isso através do Termo de Ajustamento de Conduta. Nas conversas com os meninos, ouviu queixas de saudade dos familiares e outros tipos de reclamação”.

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