Algo anda muitíssimo mal na Suprema Corte

Frederico Mendonça de Oliveira

Quanto à fala do deputado petista Pepe Vargas  sobre o Supremo, o idioma continua indo de mal a pior. Vale realmente considerar que a presença dos ministros do STF sob os holofotes da mídia anda exagerada. E que a eles mesmos caberia impedir a inadequada exposição, mantendo a compostura mínima que o cargo impõe.

Em certa cidade do Sul de Minas tem juiz que depois do expediente diariamente come churrasquinho de praça e toma cerveja no meio da rua com seus amiguinhos, provando que conduta reservada não é mais uma preocupação de suas excelências. E há advogados que eufemizam isso como sendo “não ter preconceito”. Quanto ao resto da fala do deputado, que se tomem as devidas providências.

Mesmo assim, vale ressaltar que algo anda muitíssimo mal na suprema corte, desde o fato de ministros que vão julgar a grande tramóia criminosa petista terem sido indicados por Lula, seja o Toffoli ou o Barbosa.

Como conta o livro do Frei Betto: o presidente teria pedido a seu assessor que arranjasse um ministro “preto” ou “negro” para o STF. Num aeroporto, parece que no Nordeste, Frei Betto conheceu Joaquim Barbosa e o convidou para ocupar o cargo. Barbosa esbravejou – parece ser até um estilo… – até que o assessor se identificou e provou ser consistente a proposta. E assim Barbosa entrou no olimpo.

O fato de indicar ministros do STF estabelece obrigatoriamente um vínculo, claro, e muita gente lúcida poderá associar a demora inacreditável para julgar o mensalão a essa ligação tácita ou oculta entre os dois poderes.

Mas algo começa a se desenhar: a derrocada geral dessa estrutura de poder que teve nos anos Lula sua maior fase de agravamento. O Judiciário, por sua vez, não está em crise: ele já se desagregou e deteriorou de há muito, e sabe-se lá como se poderá reverter isso. Se é que se poderá reverter.

E ainda se soma ao quadro nada alentador para a Justiça o fato de Márcio Thomaz Bastos defender o bicheiro por 15 milhões, jogando mais tinta negra na já manchada imagem dos que abraçam a tarefa da Justiça.

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