Tudo acaba na China

Carlos Chagas

Normais não são os tempos atuais. Vivemos período crítico e conturbado com a CPI do Cachoeira, o embate entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, as acusações e a possível cassação do mandato do senador Demóstenes Torres, a perspectiva de julgamento do mensalão e as reuniões iniciais da Comissão da Verdade.

Seria hora de o presidente da Câmara, Marco Maia, e mais oito líderes dos partidos, viajarem para a China? Pois é. Viajaram ontem e lá ficarão por dez dias. Importa menos saber quem está pagando passagens e estadia. Provavelmente o Legislativo, com reforço chinês. O grave nesse turismo inusitado é que se sobrepõe às questões cruciais para a sobrevivência das instituições democráticas. Como sempre, no Congresso, ninguém resiste a uma viagem que não precisa pagar.

No célebre filme “Nunca aos Domingos”, de Jules Dassin, que consagrou Melina Mercuri, a personagem conta sua admiração pelas tragédias gregas porque, depois de tantos horrores, no final os atores davam-se as mãos e iam para a praia. Para ela, os agradecimentos da companhia faziam parte das peças e exprimiam a prevalência dos bons sentimentos da humanidade. Tudo acabava bem. Aqui, tudo acaba na China…

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QUEM PERMITE É O POVO

Emocionado, o Lula emocionou, na entrevista concedida ao Ratinho, no SBT. Nada haverá a opor à ressalva feita, de que poderá disputar o palácio do Planalto em 2014, caso a presidente Dilma decida não concorrer à reeleição. O estranho foi o complemento: “Não vou permitir que um tucano volte à presidência do Brasil”. Ora, quem permite ou não permite é o povo. O eleitor. Nem se fala do PT, também não consultado.

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AINDA HÁ ESPERANÇA

No Senado, na tradicional sessão das manhãs de sexta-feira, Pedro Simon confirmou a regra de que pelo menos uma vez por semana o Congresso honra suas tradições. O senador gaúcho apresentou ampla radiografia da impunidade que assola o país, referindo-se aos episódios mais recentes, da CPI do Cachoeira ao embate entre o ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes. Mas concluiu com uma pitada de esperança. Lembrou a participação popular como antídoto para todos os males nacionais: a lei da Ficha Limpa só foi aprovada por conta das milhões de assinaturas em seu favor.

Já o senador Cristóvam Buarque cobrou esclarecimento fundamental para o mais recente entrevero institucional: alguém mentiu a respeito do encontro entre Lula, Gilmar Mendes e Nelson Jobim. É preciso esclarecer e punir.

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