Até o cabo Anselmo, agente duplo da ditadura, quer receber a Bolsa-Ditadura. Era só o que faltava.

Carlos Newton

É inacreditável. Até mesmo o agente duplo José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, quer receber a chamada Bolsa-Ditadura. A Comissão de Anistia julga hoje o caso do ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político. Ele entrou com o processo na comissão

Como se sabe, o cabo Anselmo liderou a revolta na Marinha, chegou a fugir e viver no exílio, inclusive em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha. De volta ao Brasil, foi preso no início dos anos 70. Em troca da liberdade delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, incluindo sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta pela tortura.

Cooptado pelos órgãos de segurança, tornou-se agente duplo e sua atuação foi decisiva para desmontar grupos de resistência armada urbana à ditadura. Em entrevista ao programa “Roda Viva”, em outubro do ano passado, disse que não se arrepende de nada do que fez, nem de ter entregado militantes à morte, assassinados em emboscadas armadas pelas forças de repressão. O ex-militar estima ter contribuído para a morte de até 200 pessoas durante o período do regime militar, vejam só que belo tipo faceiro…

O relator do processo na comissão é o jornalista Nilmário Miranda, ex-preso político e ex-ministro dos Direitos Humanos no primeiro mandato do ex-presidente Lula. Ele vai votar contra a concessão da Bolsa-Ditadura, é claro. Anselmo merece apodrecer no inferno, é um ser desprezível e abjeto.

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