Reflexões sobre a podridão que caracteriza os três poderes da República.

Carlos Newton

Essas greves de policiais nos motivam a refletir sobre o sistema brasileiro. A imprensa, a cada dia, publica mais e mais denúncias de irregularidades e corrupção nos três Poderes da República. Ao mesmo tempo, não se vê punição, a regra é a impunidade, nos planos federal, estadual e municipal.

Pode-se alegar que a corrupção é tão antiga como o homem, não há dúvida. Mas a situação a que chegamos não tem desculpa, qualquer justificativa é improcedente, porque o exemplo que vem de cima é tenebroso. Em apenas 13 meses, sete ministros demitidos por corrupção, e mais três emporcalhados (Fernando Pimentel – PT/ Desenvolvimento; Fernando Bezerra – PSB/Integração; e Aguinaldo Ribeiro – PP/Cidades).

A imprensa divulga também a farra do boi com recursos públicos, pagamentos absurdos a ministros (via jetons de “Conselhos”), magistrados e funcionários públicos privilegiados. As denúncias se sucedem e nada acontece, o máximo que ocorre é a “autoridade deixar” o cargo e ir aproveitar a fortuna irregularmente amealhada.

A presidente da República, que é a suprema magistrada da nação, chega a ponto de dizer que, se a irregularidade tiver sido cometida antes da autoridade ter assumido o cargo (referindo-se ao “consultor” Fernando Pimentel), o governo não tem nada com isso e a autoridade não deve ser punida.

Caramba, a que ponto chegamos! Não há mérito, os concursos públicos estão totalmente desmoralizados pela terceirização. As atividades que deveriam estar a cargo dos governantes são transferidas a ONGs (organizações não-governamentais) e OSs (organizações sociais), que se locupletam com os recursos públicos e escravizam os trabalhadores, ao negar-lhes os direitos trabalhistas, transformando-os em “associados” de falsas cooperativas.

Vejam o caso do Estado do Rio de Janeiro, governado por um jovem político enriquecido ilicitamente, vindo de uma família de classe média baixa, criado no subúrbio de Cavalcanti. Nunca foi nada, a não ser político. Ficou logo milionário, casou com uma jovem modesta e enriqueceu-a também, como advogada de grandes concessionárias e empresas ligadas ao governo.

Não satisfeito, Sergio Cabral enriqueceu também o secretário de Saúde, o amigo Sergio Cortes, também modesto servidor público, que de repente compra um luxuoso apartamento de cobertura na Lagoa, e paga à vista, em dinheiro vivo. Depois, compra uma propriedade em Mangaratiba, próximo à mansão do amigo governador, porque a fortuna não para de aumentar.

E ninguém fala nada, ninguém diz nada. É como se não existesse Justiça, Polícia, Ministério Público, nada, nada. E ainda reclamam quando servidores públicos subalternos, como os policiais, que ganham salários aviltantes para arriscar a vida, decidem fazer greve exigindo melhor remuneração.

No Brasil, tentamos viver num mundo do faz-de-conta, em que a dignidade e a honradez são coisas do passado. É esta a lição que estamos passando às novas gerações. Os exemplos dados pela classe dominante são todos podres. E ainda reclamam dos PMs.

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