Escândalo das ONGs do Ministério do Esporte respinga até no vereador Netinho de Paula, do PCdoB de São Paulo.

Carlos Newton

A imprensa se repete sem parar. Agora é O Globo que vem anunciar que cerca de 73% do dinheiro comprovadamente desviado ou mal aplicado por organizações não governamentais no Programa Segundo Tempo irrigaram entidades ligadas ao PCdoB, partido que continua à frente do Ministério do Esporte mesmo depois da saída de Orlando Silva.

Há meses, isso já era mais do que sabido. A única novidade é que um levantamento feito pelo GLOBO nas 16 tomadas de contas especiais (TCEs), nas quais o próprio governo detectou irregularidades em convênios com as ONGs, apenas confirma que, em oito delas, os alvos são grupos dirigidos por filiados à legenda ou pessoas que tiveram ligação estreita com os comunistas em quatro estados.

Na verdade, depois da porta arrombada, o governo agora busca recuperar (com apoio da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União) um total de R$ 28,3 milhões, apenas em convênios fechados entre o Segundo Tempo e as ONGs. Deste montante, R$ 20,6 milhões abasteceram os cofres de entidades atreladas ao PCdoB em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Tocantins.

Entidades ligadas ao partido também estão no topo da lista de todas as ONGs beneficiadas pelo Segundo Tempo. Das cinco entidades que mais receberam recursos, quatro têm ligação com o PCdoB e não foram alvo de investigação, segundo oportuna denúncia do repórter de Roberto Maltchik, que enfim justifica e dá importância ao levantamento de O Globo, mostrando que essas quatro ONGs também precisam ser davassadas.

Por fim, o escândalo respingou até no gabinete do vereador Netinho de Paula (PCdoB), na Câmara Municipal de São Paulo. Sua principal assessora, Veruska Ticiana Franklin de Carvalho, filiada em Campinas, comandava, em 2004, a Federação das Associações Comunitárias de São Paulo (Facesp), entidade que amealhou R$ 1,6 milhão do Segundo Tempo para criar 125 núcleos esportivos nas cidades paulistas de Americana, Campinas, Mauá e Osasco. O objetivo era beneficiar 12.500 crianças, jovens e adolescentes. Porém, nem o Ministério do Esporte conseguiu descobrir onde foi parar todo o dinheiro, e, agora, pede de volta R$ 3,5 milhões (valor corrigido) por falta de execução do projeto.

Como se sabe, na última eleição Netinho de Paula quase conseguiu um milagre – passar de vereador a senador, sem parada para reabastecer. Perdeu por pouco para Marta Suplicy, que ficou com a segunda vaga, enquanto o tucano Aluizio Nunes Ferreira garantia a primeira vaga. Netinho agora pode se candidatar a prefeito, porém seria mais prudente se reeleger vereador, para depois tentar outro vôo solo, com um mandato garantido na Câmara Municipal. Com esse novo escândalo, nao há dúvida de que a imagemd ele será prejudicada.

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