Compra do Banco PanAmericano enfim é concluída, e Silvio Santos sorri, aliviado. Quem ficou com o prejuízo foi o governo, através da Caixa Econômica.

Carlos Newton 

Foi anunciada na última sexta-feira a conclusão da compra do controle do PanAmericano (braço financeiro do grupo Silvio Santos) pelo BTG Pactual, de André Esteves. O negócio tinha sido anunciado no início deste ano, depois que o PanAmericano registrou um prejuízo financeiro que mais parece um buraco negro, e quanto mais se coloca dinheiro, mas o prejuízo aumenta.

O BTG adquiriu 67,2  mil das ações ordinárias (com direito a voto) do grupo e 24,7 mil das ações preferenciais (sem direito a voto), por R$ 450 milhões. De acordo com o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o BTG deve apresentar agora à CVM um pedido de registro de oferta pública para a compra das ações preferenciais remanescentes em circulação do PanAmericano.

Parece que essa novela financeira de Silvio Santos está encerrada, mas na verdade ainda continua no ar, simultaneamente à novela “Amor e Revolução”, do SBT, que exalta a luta armada contra a ditadura militar de 1964. Como já comentamos, aqui no Blog, a novela não foi feita visando a ter audiência, e certamente é por isso mesmo que ninguém a assiste. O objetivo de Silvio Santos foi apenas retribuir a gentileza do então presidente Lula, que prontamente atendeu ao simpático apresentador, quando ele esteve no Planalto, em setembro de 2009, e lhe pediu que socorresse o Banco PanAmericano, já tecnicamente falido.

Por coincidência, mera coincidência, é claro, apenas dois meses depois da visita de Silvio a Lula no Planalto, a Caixa Econômica Federal anunciou a compra de 35,54% do capital social do PanAmericano. O valor da operação foi de R$ 739,2 milhões e envolveu a aquisição da participação acionária representativa de 49% do capital social votante e de 20,69% das ações preferenciais do PanAmericano.

Recapitulando: os R$ 739,2 milhões da Caixa foram a primeira ajuda. Não adiantou nada. Depois, já em 2010, o Fundo Garantidor de Crédito (órgão criado por bancos privados e estatais, incluindo a própria Caixa, para evitar quebradeiras no mercado financeiro) entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E não adiantou nada, mais uma vez.

Até que, no dia 11 de fevereiro deste ano, veio a então prestimosa presidente da Caixa, Maria Fernanda Gomes Coelho e anunciou que o banco estatal ia injetar mais R$ 10 bilhões no PanAmericano, que já tinha como controlador o BTG Pactual. Portanto, lembrando outro famoso apresentador de TV, Jota Silvestre, poderemos dizer que, no buraco negro do PanAmericano, só “o céu é o limite”.

Por coincidência, depois que esse escândalo foi noticiado (e logo abafado), Maria Fernanda Gomes Coelho perdeu a presidência da Caixa, mas “caiu para cima”. A presidente Dilma Rousseff imediatamente lhe arranjou uma bela mordomia, e a incansável executiva agora representa o Brasil no Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), em Washington, ganhando em dólar.  Quanto à injeção de mais R$ 10 bilhões, silêncio absoluto.

No meio desse escândalo financeiro, fica até parecendo que agora Silvio Santos é de esquerda. Mas na verdade ele é apenas um farsante. Tenta esconder que foi um dos maiores capachos da ditadura militar, quando mantinha os telejornais de sua emissora sob implacável censura interna, que nada tinha a ver com a censura efetivamente feita pela Polícia Federal em outros órgãos de comunicação. Na TV de Silvio Santos, a censura era exercida pessoalmente por ele ou pelos diretores do SBT.

Aliás, Silvio Santos posa de esquerdista e inimigo da ditadura de 64 e nem  parece mais com aquele simpático apresentador que todo domingo exibia em seu programa o longo e chatíssimo quadro “A Semana do Presidente”, para enaltecer os feitos do então inquilino do Planalto, general João Figueiredo. Agora, Silvio Santos é petista desde criancinha. De semelhança com o apresentador que exaltava os tempos da ditadura, só restou aquele sorriso falso e bolorento.

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BANCO IA FALIR, A CAIXA SALVOU

De acordo com o último balanço, no final de dezembro o PanAmericano tinha um patrimônio negativo em quase R$ 900 milhões, e o indicador de Basileia negativo em 5,5%, quando o mínimo exigido pelo Banco Central é de 11% positivo. Em vez de ter pelo menos R$ 11 próprios para cada R$ 100 emprestado, o banco tinha uma dívida de R$ 5,74 para cada R$ 100 emprestados.

Traduzindo: se fosse um banco privado, teria sofrido imediata intervenção do Banco Central, o que não pode mais acontecer, devido à generosa participação da Caixa Econômica Federal. Isso significa que agora o PanAmericano é estatal, e como todos sabem, estatal não vai a falência.

Comprar o banco falido de Silvio Santos, por recomendação do então presidente Lula, é uma coisa. Muito pior é alardear que foi um grande negócio, como fez a então presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho. Alegou que a compra de participação no PanAmericano foi “uma decisão empresarial” e obedeceu à “necessidade de crescimento” em nichos em que a Caixa Econômica Federal apresentava perda de mercado. Dá vontade de vomitar.

Em depoimento no Senado, a presidente da Caixa disse ainda que escolheu o banco do Silvio Santos por encontrar nele “maior sinergia”, em especial em segmentos em que a Caixa perdia competitividade, como leasing, aquisição de bens, cartões, seguros e consórcios, além de “presença expressiva em São Paulo”. E os senadores só faltaram aplaudi-la de pé. Bravo! Bravíssimo!!!

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