Monthly Archives: setembro 2012

Secretário-geral da ONU defende direito de Palestina ser Estado autônomo

Renata Giraldi (Agência Brasil)

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-moon, apelou para que a comunidade internacional apoie os esfoços feitos pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) em busca de sua autonomia e da conquista de ser transformada em um Estado. Segundo ele, dessa forma a comunidade internacional vai colaborara para evitar um efeito desestabilizador no Oriente Médio.

Porém, o apelo dos palestinos esbarra em resistências por parte de Israel e seus aliados, como os Estados Unidos. As discussões sobre o tema geram polêmicas e críticas.

“Não fazer isso neste momento crítico pode ter consequências que podem se revelar como desestabilizadoras [no Oriente Médio]“, disse Ban Ki-moon, lembrando que a expansão dos assentamentos (israelenses) e da divisão do povo palestino são as principais ameaças para as negociações entre palestinos e isralenses.

Ban Ki-moon pediu ainda a colaboração financeira da comunidade internacional para o comitê de ajuda aos refugiados palestinos. Segundo ele, há um “déficit urgente” de US$ 400 milhões. O secretário-geral acrescentou que as agências da ONU continuarão a trabalhar para ajudar a Autoridade Nacional Palestina.

“A situação atual não é sustentável. O estabelecimento de um Estado viável, democrático e soberano da Palestina, vivendo lado a lado com Israel está muito atrasada “, lamentou Ban Ki-moon. “É hora de a comunidade internacional a trabalhar seriamente com as partes nos próximos meses para traçar um novo caminho político credível para alcançar essa visão.”

A presidente Dilma Rousseff pretende abordar a questão entre palestinos e israelenses em seu discurso amanhã na abertura da 67ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O governo brasileiro é favorável ao Estado autônomo palestino.

Cientista político diz que julgamento do mensalão pode criar ‘círculo virtuoso’

Fernando Mello (Folha de S. Paulo)

Após cinco anos na Universidade de São Paulo, o cientista político Matthew Taylor voltou para a American University, em Washington. Antes, publicou (com Timothy Power) o livro “Corrupção e Democracia no Brasil”, uma análise sobre a impunidade de autoridades brasileiras.

Para Taylor, dependendo do resultado, o julgamento do mensalão pode iniciar um “círculo virtuoso”, ao aumentar a confiança nos brasileiros de que políticos devem, sim, temer a Justiça e podem ir para a cadeia.

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Folha – Qual é a importância do julgamento do mensalão?

Matthew Taylor – Apenas o fato de o STF julgar publicamente é um avanço, pois são pessoas graúdas e importantes da política. Pelo tamanho, pelo número de réus e por impactar uma presidência que foi muito louvada em outros campos, a de Lula, é um caso histórico.

Quais podem ser as consequências de condenações?

Quando a corrupção é descoberta, investigada e punida, um círculo virtuoso se torna possível, com ganhos institucionais. Primeiro, acaba com práticas específicas e contribui com o saneamento do jogo político. Segundo, pode dar a demonstração de que existem custos e riscos para aqueles que se engajam em práticas corruptas. Terceiro, pode ajudar a restaurar a confiança nas instituições.

O efeito é imediato?

Não, são mudanças paulatinas. Se compararmos o Brasil de 1980 e o de hoje, não houve nenhum momento de mudança institucional radical no combate à corrupção. Mesmo assim, a melhora acumulada ao longo da última geração é significativa.

Que escândalos tiveram efeitos institucionais positivos?

Após os anões do Orçamento, iniciou-se uma iniciativa que só vingou uma década depois: a possibilidade de políticos serem julgados ou investigados pelo STF sem a necessidade de autorização do Congresso. Mas em cada momento histórico surgem gargalos a serem enfrentados. Não acredito que o problema da impunidade ou corrupção seja, prioritariamente, cultural, mas institucional. Atualmente, me parece claro que o Judiciário é esse gargalo.

Arcebispo defende casamento de padre e diz que Papa não é infalível

Sérgio Fontenele (Folha)

Recém-nomeado arcebispo de Teresina (PI), dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, 65, diz que o discurso do papa “não é infalível”. E, segundo o religioso, “o fato de que, para ser padre, precisa ser também celibatário, é uma disciplina da Igreja [Católica] que pode mudar”.

O recém-nomeado arcebispo de Teresina, dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho D. Jacinto quer mudanças

A opinião se choca com recentes declarações de Bento 16 a sacerdotes reformistas que desejam tanto a ordenação de mulheres como o fim da proibição do casamento de religiosos. O papa se refere ao celibato como “imprescindível” e, a essa ala contrária, como “desobediente”.

“O papa não é infalível quando fala tudo. A Igreja tem a convicção de que ele é infalível quando fala de fé e moral”, afirma dom Jacinto.

Para ele, a mudança de opinião em relação ao celibato é alimentada por vários segmentos da Igreja. “Isso é um desejo de muitos bispos.”

“O espírito vai soprar na Igreja, e o papa tomará uma decisão oficial, conjunta, de dar as duas alternativas para o Ocidente”, diz, sobre a opção de ser ou não celibatário.

O arcebispo lembra que há padres casados na Igreja. “No Oriente cristão católico há padres casados. Isso não é estranho. A Igreja sempre teve padres casados.”

O arcebispo de Teresina diz que “recentemente o papa Bento 16 acolheu padres que saíram da Igreja Anglicana, com suas famílias, e se tornaram católicos”. E afirma que existe espaço para que essa mudança seja aceita.

Ligado à Teologia da Libertação, linha que nos anos 80 ligava o catolicismo ao marxismo, dom Jacinto se considera um religioso que defende uma renovação de ideias.

Jornalista inglês sugere o técnico ideal para a seleção brasileira

Scott Moore (Diário do Centro do Mundo)

LONDRES – Vi o jogo entre Brasil e Argentina. Mais uma vez, fiquei decepcionado com a atuação do Brasil. Temos na cabeça um Brasil mágico, e a verdade é que faz tempo que essa magia não se manifesta.

Vocês têm um problema. Talvez eu tenha a solução. O técnico Mano Menezes voltou do fracasso olímpico ainda mais inseguro do que era. A medalha de ouro empurraria a ele e ao time para cima. A de prata jogou para baixo.

Faltam quase dois anos para a Copa do Brasil. Não existe sentido em permanecer com um treinador acuado, que transmitirá sua insegurança a um time que precisa de confiança. E existe tempo.

A solução se chama Tostão. Minha lembrança dele é de jogador. Jamais esquecei aquela tarde no México em que ele baixou a cabeça, rodopiou sem rumo por si mesmo e com a perna errada deu um chute ao acaso para a área. A bola foi parar – logo em quem – Pelé, e de Pelé alcançou Jairzinho. Perdemos a Copa ali. Éramos a única seleção capaz de bater os canarinhos.

Tostão, lembro bem, foi um jogador excepcional. O boss me conta que ele continua na ativa, próximo do futebol. É segundo o boss o melhor comentarista de futebol do Brasil. “Enxerga o jogo como se ainda estivesse dentro do campo”, ouço numa rodada de pints no pub da esquina.

Eis a saída: Tostão como técnico. Tostão tem o carisma de quem foi campeão mundial, de quem venceu tudo, de quem jogou como poucos.

A questão é como negociar sua ida. Sou pragmático tal como todo bom inglês. Não existe nada que o dinheiro não possa comprar. Mesmo minha mulher Chrissie, que discorda de mim em tudo, concorda nisso.

Ofereçam a ele um bom dinheiro. Assegurem condições ideais para ele trabalhar: com isso quero dizer, coloquem no contrato que ele não sofrerá nenhuma espécie de interferência – nem de cartolas, nem de patrocinadores, nem de ninguém. (A ausência de Ricardo Teixeira é, em si, um bônus para Tostão.)

Embrulhem tudo isso numa causa nacional. Tostão há de entender que estão em jogo o orgulho, a honra, a alegria dos brasileiros. Tostão será capaz de executar as tarefas mais prementes do selecionado verde-amarelo, como, por exemplo, transformar Neymar de menino em adulto.

Feito isso, contratado Tostão, o caminho para o hexa estará plano, estupendamente agradável, para vocês, brasileiros.

Livre pensar é só pensar (Millôr Fernandes)

Dividimo-nos orgulhosamente em 60% de analfabetos, 40% de ignorantes e o resto de governantes.

Já que o Reino dos Céus é dos humildes, me digam aí, não podiam mandar minha parte em dinheiro?

Se eu fosse o Papa vendia tudo e ia embora.

Fique tranquilo: sempre se pode provar o contrário.

Em terra de cego abrir cinema é idiotice.

Era a cara escarrada do pai, sobretudo quando estava resfriado.

Que seria dos economistas se não fosse a extrema miséria do mundo?

Os grandes mistérios da telefonia: porque será que quando a gente liga um número enganado ele nunca está ocupado?

Em boca fechada não entra broca de dentista.

As pessoas são sempre problemáticas. E os problemas são todos pessoais.

Outubro amargo?

Percival Puggina

Lula tinha três projetos importantes para 2012. O primeiro era alcançar um crescimento robusto da Economia. Quando o ano começou, no melhor estilo lulista Dilma desfilava arrogância dando conselhos a chefes de Estado sobre como superar a crise. Mas eis que quando se aproxima o outubro amargo, depois de uma dúzia de pacotes para soprar as brasas da economia através do endividamento do povo, o PIB dá sinais de esgotamento e impotência. Parece não haver pílula azul que faça a economia adotar uma postura ascendente.

O segundo projeto lulista era eleger Haddad. Entendamos nosso ex-presidente. Ele estava nem aí para uma vitória do PT em São Paulo. Ele queria eleger o Haddad. Aliás, não era bem isso. Corrijo-me. Lula estava nem aí para o Haddad. Ele queria ser o cara que conseguiu fazer prefeito de São Paulo um desconhecido incompetente como o Haddad. Acontece que Marta Suplicy não apenas era candidata. Ela ponteava as primeiras pesquisas de opinião!

Em setembro de 2011, Marta tinha 29% das intenções de voto contra 18% de José Serra. Num segundo cenário, trocando Marta por Haddad, este aparecia com 2% das intenções de voto. Voilá! Lula tinha em Haddad uma versão masculina para reproduzir o prodígio que fizera com Dilma. Certo de sua onipotência, exercendo aquela autoridade absoluta, mista de cacique e pajé (que só não funcionou na época do Mensalão), exigiu que a senadora renunciasse à candidatura em favor do seu pupilo. À medida que se aproximava o amargo outubro, Lula entrou em desespero: foi beijar a mão de Maluf nos jardins da casa dele e mandou a doublé de presidente desbancar do ministério a irmã do Chico Buarque. Ato contínuo, ofereceu a poltrona da Cultura para Marta que aceitou, subiu no palanque e tirou retrato com Haddad. No momento em que escrevo este artigo parece não haver mais tempo para que o quadro político proporcione alguma alegria a Lula.

O terceiro projeto lulista para 2012 era acabar com o processo do Mensalão. Tal missão foi enfaticamente assumida ao deixar a presidência. “Xacomigo!”, terá dito Lula. Com efeito, mesmo no mais diluído senso moral, os fatos do Mensalão enodoavam sua biografia. Ora, Lula se vê como Deon, o semideus da mitologia grega que tinha o poder de submeter os demais aos seus comandos de voz.

Portanto, era só falar com um, falar com outro, dar algumas entrevistas e a maior parte dos ministros do STF, obedientes aos desígnios de quem os indicou, não se recusariam a lhe entregar a própria honra. Mas eis que quando o outubro amargo se aproxima, se evanesce a ilusão. Não há compadres em número suficiente no plenário do Supremo. Lula cruza as mãos sobre as próprias vergonhas e pede que o ano termine logo.

(Do Blog de Puggina)

Prefeito do Rio não repassa verbas a instituição que atende crianças portadoras de necessidades especiais

Carlos Newton

O Prefeito do Rio Eduardo Paes vem empurrando com a barriga (vazia) a verba destinada a Merenda das Instituições Filantrópicas conveniadas com a Secretaria Municipal de Assistência Social.

Há 6 meses a tradicional e histórica Sociedade Pestalozzi do Brasil não recebe repasses. A cada contato que a instituição faz com a Prefeitura, é exigido um documento diferente para comprovar o trabalho desenvolvido, que é tratado com descaso pela administração pública.

A Sociedade Pestalozzi do Brasil atende crianças carentes há 67 anos. Seu trabalho é de suma importância para mais de 500 famílias com crianças portadoras de necessidades especiais.

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Pais, alunos e professores da Sociedade Pestalozzi organizaram um protesto

Sepulveda Pertence enfim renuncia à Comissão de Ética da Presidência da República

Carlos Newton

Demorou, mas aconteceu. O comentarista Darcy Leite, sempre atento, nos envia a notícia de que
o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, renunciou ao cargo nesta segunda-feira, logo após dar posse aos três novos conselheiros, Marcello Alencar de Araújo, Mauro de Azevedo Menezes e Antônio Modesto da Silveira, indicados pela presidente Dilma Rousseff no último dia 3 de setembro.

Um  homem de bem

Sepúlveda deixou clara sua insatisfação com a não recondução dos conselheiros Marília Muricy e Fabio Coutinho, que poderiam ficar mais três anos na comissão.

Como se sabe, Marília Muricy sugeriu a demissão do ex-ministro do Trabalho Calos Lupi, em dezembro doa ano passado, por causa das denúncias de irregularidades em convênios da pasta com ONGs, que teriam beneficiado o PDT. E no início deste ano, Coutinho propôs uma advertência ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, devido às consultorias feitas por ele entre 2009 e 2010 para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, que renderam R$ 2 milhões. O processo está parado na comissão.

“Eu vim aqui exclusivamente para empossar os três membros designados pela presidente da República e demonstrar-lhes a satisfação que tenho com os nomes e, ao mesmo tempo, que isso nada tem a ver com o fato que lhes comuniquei de que, neste momento, estou encaminhando à chefe do governo a minha renúncia às funções de membro e consequentemente presidente da Comissão de Ética” – afirmou Sepúlveda, que é um homem de bem, mas andava curvado nos últimos tempos, com sua espinha arqueada diante de um governo que decidamente não combate a corrupção.

No Brasil, quem demite ministro corrupto é a imprensa. Se depende do governo (leia-se Lula Rousseff) eles permanecem no poder até o final dos tempos.

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