Monthly Archives: agosto 2012

Revelando o impensável

Welinton Naveira e Silva

Após as inacreditáveis invasões militar do Iraque e da Líbia, lideradas pelos EUA, seguidas de conhecidos massacres, inclusive, de assassinatos e de torturas, tudo, visando desesperadamente, rápida posse e controle do petróleo desses miseráveis povos, nada mais pode causar espanto ao mundo, nem mesmo mais, a “exemplar liberdade de imprensa” norte-americana indo para o chão, outrora tão alardeada, depois da deliberada vontade do governo dos EUA de jogar Julian Assange no corredor da morte, pelo simples “crime” de ter publicado podridões do governo norte americano.

Se não houver enérgica e continuada reação mundial contra a barbárie norte-americana, mais adiante, quando o sistema capitalista já estiver na fronteira da quebradeira, geral e definitiva, pelo tudo que já estamos assistindo, é bem possível que os EUA tentarão, até mesmo, instalar chip eletrônico na pele de todo cidadão de nações desarmadas, numa alucinada e insana busca de informações e controle, visando impedir possíveis ameaças aos seus interesses, econômicos e militares.

Se isso acontecer, a partir daí, não haverá mais espaço algum para quaisquer atos de reação e de heroísmo. A escravidão estará eternamente assegurada, bem ao gosto da nova ordem capitalista.

O momento é de lutar pelo voto nulo.

João Olivieri

Por quê o voto nulo? Simplesmente porque é a melhor maneira do povo brasileiro manifestar-se contra a bandalheira da política oficial no Brasil. É melhor maneira de nós, o povo, mostrarmos que estamos contra a falsa (e farsante) democracia eleitoreira que confunde cidadania com submissão aos princípios do sistema que nos explora.

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É importante que cada um de nós, o povo brasileiro, tenha consciência da importância desta atitude! Se estiver de acordo, espalhe esta ideia. A propaganda boca a boca, ou melhor ainda, computador a computador, já nos deu a Primavera Árabe e pode nos proporcionar um protesto expressivo nas eleições que vêm por aí…

Vejo isso nas ruas, nas manifestações das pessoas quando saio com a camiseta da campanha e distribuo os panfletos do voto nulo.

No link abaixo mais detalhes da campanha que realizo:

www.avaaz.org/po/petition/mobilizacao_popular_pelo_VOTO_NULO/?fAoacbb&pv=4

O mais novo capítulo da obscena perseguição a Julian Assange

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Tenho escrito, aqui e ali, sobre as crenças fundamentais do Diário. Vou compilá-las, em breve.Tenho personificado nossas crenças. Pessoas são a melhor maneira de explicá-las. Quando fiz o elogio das bicicletas e dos ciclismos, a imagem usada foi a da medalhista de ouro britânica Vicky Pendleton. Com sua beleza vitoriosa, Vicky tem sido uma inspiração para os ingleses. Ela fez e faz muitos deles trocarem o carro pela bicicleta ao se locomover, para o bem da saúde deles e do planeta. (Um vídeo que vi hoje sobre o caos no trânsito do Cairo reforça minha convicção de que as metrópoles são tanto mais avançadas quanto mais bicicletas circulam nelas).


Pois hoje declaro outro crença fundamental do diário: a transparência, aliada à liberdade de expressão. Não há ninguém que simboliza melhor isso que o australiano Julian Assange, 41 anos, fundador do Wikileaks.

Assange combate o bom combate com seu jornalismo inovador e transformador. As revelações do Wikileaks mostraram ao mundo, espetacularmente, a natureza cuidadosamente escondida das guerras que os Estados Unidos vêm travando no Oriente Médio.

A imagem da garotinha vietnamita correndo nua depois de ter sido alcançada e queimada pelo napalm americano foi o retrato definitivo da Guerra do Vietnã, nos anos 60. O vídeo em que civis são mortos em Bagdá por soldados americanos em helicópteros Apache – publicado pelo Wikileaks – passará para a história como o retrato definitivo da Guerra do Iraque, no início dos anos 2 000.

Assange precipitou a Primavera Árabe quando o Wikileaks expôs detalhes da corrupção abjeta de ditadores encastelados fazia décadas no poder em países como a Tunísia e o Egito. O Wikileaks fez mais pelo jornalismo investigativo, em seus poucos anos de existência, que todas as marcas tradicionais – do NY Times ao Washington Post – em décadas.

A recompensa para Assange tem sido, paradoxalmente, o tormento, na forma de uma perseguição sem tréguas.

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DENÚNCIAS SEXUAIS

O pretexto – não existe palavra melhor – foram denúncias sexuais de duas mulheres suecas que dormiram, por vontade própria, com ele. Uma soube da outra, e o que seria um caso banal de ciúme acabou se transformando num pesadelo jurídico para Assange, por força da absurda legislação sueca. Um homem pode ser acusado de estupro na Suécia se, por insistência, convencer uma mulher a dormir com ele. Ou se a camisinha se romper. Ou se, no meio da madrugada, apalpar a mulher com quem ele fez sexo algumas horas antes. Parece mentira, mas é verdade.

Assange já estava fora da Suécia – em Londres — quando as duas mulheres foram à justiça. Mulherengo ele pode ser, mas bobo não: Assange logo percebeu o risco enorme de ser extraditado da Suécia para os Estados Unidos. Lá, o aguardaria uma lei reservada a espiões, a mesma utilizada para matar o casal Rosenberg na Guerra Fria, sob a alegação de que passavam informações para os russos.

Os suecos pediram sua extradição, e enquanto a justiça britânica decidia ele ficou em prisão domiciliar, na casa de campo de um simpatizante. Quando ele achou que o risco de ir para a Suécia, e de lá para os Estados Unidos, era grande, se refugiou na embaixada do Equador em Londres. O presidente do Equador, Rafael Correa, é um admirador de Assange e tem muitas restrições à conhecida política americana na América Latina, tratada por décadas como um quintal.

Isso faz quarenta dias. Agora as coisas se precipitaram. No momento em que o governo do Equador se preparava para anunciar o pedido de asilo, o governo britânico reagiu. Ao velho modo: longe dos holofotes. Avisou que, mediante uma legislação que virtualmente ninguém conhecia, poderia prender Assange em plena embaixada equatoriana.

A resposta do Equador foi desconcertante: publicou uma carta que o governo britânico definitivamente não gostaria de ver sob os olhos do mundo. Fez um trabalho de vazamento ao estilo do Wikileaks. “Não somos uma colônia britânica”, afirmou o governo no Equador, num gesto de bravura épica.

O Diário acredita na transparência e na livre expressão. E saúda Assange por sua cruzada inspiradora pelo bem da humanidade – ao mesmo tempo que torce intensamente para que ele possa, em Quito ou onde for, retomar o trabalho que só faz mal a quem faz muito mal.

No Rio de Janeiro, surge a OAB do PT, envergonhando os advogados.

Carlos Newton

É estarrecedor, inconcebível, inimaginável, impensável – faltam-me adjetivos – mas é verdade: a historicamente apartidária OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)  está sendo administrada a serviço do PT.

O vídeo, que corre no You Tube e pode ser visto clicando-se no link ao lado (www.youtube.com/watch?v=C6qAP3QX-V8), mostra o Presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, com botton da OAB na lapela e tudo, pedindo votos para o candidato a vereador pelo PT, Siron. Incrível, mas o Presidente da OAB-RJ transformou-se em cabo eleitoral do PT.

A Seccional da OAB no Rio de Janeiro, sempre comprometida com as questões sociais, em luta pela ética na política, partícipe de grandes iniciativas sociais como “A ação da cidadania contra a fome, a miséria e pela Vida”, capitaneada pelo inesquecível Betinho, a mesma OAB que defendeu os direitos humanos na chacina da Candelária, agora está a serviço do Partido dos Trabalhadores.

Sua atuação, antes independente, passou a depender de “se o PT vai deixar ou querer”. Assim, ao invés de se preocupar com as prerrogativas profissionais dos advogados e com o engrandecimento do Estado Democrático de Direito, a OAB agora é palco para dirigentes que não escondem o seu interesse nefando de utilizá-la para catapultar suas carreiras políticas.

O candidato de Wadih Damous à presidência da OAB, Felipe Santa Cruz, depois de tentar se eleger vereador pelo Estado do Rio de Janeiro – sem êxito, diga-se de passagem – também reza a mesma cartilha e, seguindo os passos de seu mentor, confessa ser “militante político”, em entrevista que circula, também, no You Tube (www.youtube.com/watch?v=AIgpnyGtPw).

E os advogados, que assistem pacificamente a essa usurpação? Perderam a honra? Perderam a vergonha? Cadê a OAB Nacional que nada faz a respeito? Cadê os advogados que não gritam contra essa indecência e não pedem o impeachment dessa gente? Vão ficar impassíveis vendo a OAB-RJ se transformar no quintal de um partido político, seja PT, PSDB, PTB ou qualquer outro?

A OAB é um patrimônio nacional, como a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), o Clube de Engenharia  e a SBPC (Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência). São entidades que precisam se manter apartidárias, acima de questões político-ideológicas. Mas a verdade, infelizmente, é que a OAB não é mais a Casa dos Advogados. Agora é a Casa do PT. OAB do PT….

 

O julgamento de agosto

Mauro Santayana

O mundo não acabará neste agosto, nem o Brasil entrará em crise, qualquer que venha a ser o resultado do julgamento a que se dedicará o STF no mês que se inicia quarta-feira. Tampouco se esperam grandes surpresas. Ainda que mantenham a necessária discrição – e se registre, que neste caso, não conhecemos ainda manifestações intempestivas de alguns julgadores – é plausível supor que os magistrados já estejam com seu veredicto em mente.

O relatório é deles conhecido, e o texto do revisor foi distribuído, houve bastante tempo, até mesmo para redigir os votos. O que vai ocorrer, nas demoradas sessões do julgamento, é o necessário rito, para que se cumpra o devido processo legal. Apesar disso, não é de se desprezar a hipótese de que surjam novas provas e contraprovas, em benefício, ou desfavor, dos réus.

A importância maior desse julgamento está nas reflexões políticas e jurídicas que ele provocará. Admitamos, como é provável, que os argumentos maiores da defesa – de que se tratava de um financiamento, a posteriori de campanha eleitoral – venham a ser admitidos pela alta corte, o que reduziria bastante a punição dos responsáveis. O sistema eleitoral nas democracias modernas – e não só no Brasil, mas no mundo inteiro – é deformado pela influência notória do poder econômico.

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VÁRIOS MERCADOS

Há um mercado do voto, como há um mercado da fé, e um mercado da informação. Uma campanha eleitoral é empreendimento complexo, que exige a presença de ideólogos e profissionais de propaganda; de ativistas pagos; de impressos e da produção de programas de rádio e televisão; de logística de transporte e de distribuição de recursos e de pessoal. Em resumo: é preciso dinheiro, e muito dinheiro.

Esse é um dos paradoxos da democracia moderna: sem dinheiro, não há o exercício do voto; com ele, e no volume exigido, a legitimidade do sufrágio é posta em dúvida. Esse é um dos argumentos de filosofia política contra o sistema capitalista, em que o poder do Estado é visto como um bem de mercado, que pode ser ocupado pelos que pagam mais. E não só os indivíduos os que adquirem esse poder: mais do que eles são os grupos de interesse comum, como os banqueiros, os grandes proprietários rurais, as confissões religiosas, as poderosas corporações econômicas, nacionais e multinacionais. Isso, quando não há a interferência direta de governos estrangeiros, como sempre ocorre e ocorreu despudoradamente com a ação do IBAD, nas eleições de 1960 e 1962.

Sempre houve o financiamento privado das campanhas, mas, nesse problema, como em todos os outros, funcionam as leis dialéticas: a quantidade altera a qualidade. No passado, a maior parte dos políticos se valia dos recursos privados de terceiros com alguma discrição, e, alguns casos com constrangimento e pudor. É certo que desonestos sempre houve, corruptos nunca faltaram, desde o governo de Tomé de Sousa até os tempos recentes. Mas, com notável diferença, os candidatos, em sua imensa maioria, quase nunca usavam dinheiro de campanha para seu proveito pessoal.

Em muitos casos, feita a contabilidade final do pleito, destinavam as poucas sobras a instituições de caridade, e, em caso contrário, arcavam com os saldos a pagar, sacrificando os bens de família. Hoje, como frequentemente se denuncia, uma campanha eleitoral pode ser um meio de enriquecimento, como qualquer outro. Essa situação perverte todos os setores do Estado, com o superfaturamento das obras públicas, a corrupção de servidores de todos os escalões. Os cidadãos, no entanto, já demonstram sua reação contra essa perversão da vida social, como revelam movimentos vitoriosos, entre eles a iniciativa da Lei da Ficha Limpa.

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FINANCIAMENTO PÚBLICO

A inteligência política é convocada a encontrar sistema de financiamento público de campanha, de forma justa e democrática, a fim de que todos os candidatos tenham a mesma oportunidade de dizer o que pretendem e pedir o voto dos cidadãos. Não é fácil impedir a distorção do processo eleitoral, mas é preciso construir legislação que reduza, se não for possível elimina-la, a influência do poder econômico no processo político.

Estamos em um mundo que se encasula no desencanto e na angústia com relação ao futuro. Há, porém, uma promessa de justiça, na articulação de movimentos de protesto, no mundo inteiro, contra a ditadura mundial do sistema financeiro que, de acordo com a confissão de alguns culpados, se tornou uma quadrilha mundial de gangsters, ou de “banksters”.

Esse termo preciso foi criado para identificar os banqueiros responsáveis pela Depressão dos anos 30, e está sendo reutilizado agora. Não podemos esmorecer na reação dos oprimidos contra essa nova tentativa de ditadura mundial.

(Do Blog do Santayana)

Em São Paulo, Russomanno passa Serra, enquanto Haddad continua empacado

Carlos Newton

O Instituto DataFolha mostra que, pela primeira vez, Celso Russomanno (PRB) aparece à frente de  José Serra (PSDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Russomanno agora está com 31% das intenções de voto, 4 pontos a mais que Serra. Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos para cima ou para baixo, eles continuam tecnicamente empatados.

Em relação ao levantamento anterior, de 19 e 20 de julho, Russomanno cresceu 5 pontos. No mesmo período, Serra caiu 3. Esta é a última pesquisa de intenção de voto para prefeito de São Paulo antes do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa hoje.

Na disputa pela terceira colocação há quatro candidatos tecnicamente empatados. O petista Fernando Haddad tem 8% das intenções de voto; Gabriel Chalita (PMDB) tem 6%;  Soninha Francine (PPS), 5%; e Paulinho da Força (PDT), 4%.

A grande esperança de Haddad é aparecer na TV ao lado de Lula e de Dilma. Ele acredita que sua campanha enfim possa deslanchar. Nos bastidores do PT fala-se que existe uma pesquisa do Ibope indicando subida de Haddad, mas esse levantamento até hoje não foi divulgado.

Enquanto isso, as intenções de voto em Russomanno crescem constantemente desde o fim do ano passado. Na pesquisa realizada entre os dias 7 e 9 de dezembro, ele tinha 16%, dois pontos abaixo de Serra. Marcou 17% em janeiro, subiu para 19% em março, passou para 21% no meio de junho, 24% no fim daquele mês e 26% em julho.

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REJEIÇÃO

O Datafolha também investigou a rejeição dos candidatos. Só 12% dizem que não votariam em Russomanno de jeito nenhum.

Já a rejeição a Serra continua ascendente. Em junho, ele liderava por esse critério com 32%. Em julho, seu índice de rejeição subiu para 37%. Na pesquisa de ontem, oscilou mais um ponto para cima e chegou a 38%.

Celso Russomanno também aparece na liderança da pesquisa espontânea, aquela que indica a consolidação das intenções de votos nos candidatos.

Quando o eleitor é convidado a responder em quem pretende votar sem a apresentação de um cartão com os nomes dos candidatos, Russomanno atinge 15%. Nessa simulação, Serra alcança 13%.

Rubem Braga se dizia um poeta cristão

Considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, o capixaba Rubem Braga (12/01/1913 – 19/12/1990), sempre afirmou que a poesia é necessária, tanto que escreveu vários poemas, entre eles, esse bem-humorado “Poeta Cristão”.

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POETA CRISTÃO

Rubem Braga

A poesia anda mofina,
Mofina, mas não morreu.
Foi o anjo que morreu:
Anjo não se usa mais.
Ainda se usa estrela
Se usa estrela demais.

Poeta religioso
Mocinha não pode ler:
Pecará em pensamento,
Que o poeta gosta do Novo,
Mas pilha seus amoricos
É no Velho Testamento.

Ai, o Velho Testamento!
Eu também faço poema,
Ora essa, quem não faz:
Boto uma estrela na frente
E um pouco de mar atrás.

Boto Jesus de permeio
Que Deus, nos pratos de amor,
É um excelente recheio.
E isso bem posto e disposto
Me vou aos peitos da Amada:
Sulamita, Sulamita,
Por ti eu me rompo todo,
Sou cavalheiro cristão.
Minh’alma está garantida
Num rodapé do Tristão
E o corpo? O corpo é miséria,
Peguei doença, mas Jorge
de Lima dá injeção!

O badalo está chamando,
Bão-ba-la-lão.

Amada, não vai lá não!
Eu também tenho badalos –
Bão-ba-la-lão
Eu sou poeta cristão!

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

“Ramires, contra a Suécia, jogou pela direita, aberto, como na melhor fase no Chelsea.”

Tostão (Jornal O Tempo)

Não é o que falam. A seleção inglesa, campeã do mundo em 1966, inovou na parte tática. Pela primeira vez, um time jogou no 4-4-2, com duas linhas de quatro e mais dois atacantes. A defesa ficava mais protegida. Cada defensor tinha um secretário.

No Brasil, nesses 46 anos, poucas equipes atuaram dessa forma. Uma delas foi a seleção campeã do mundo de 1994. Agora, começa a ser mais frequente. Foi o que fez Mano Menezes, contra a Suécia, ao escalar dois volantes (Paulinho e Rômulo), mais Ramires, pela direita, e Oscar, pela esquerda, não tão fixo quanto Ramires, formando uma linha de quatro. Os laterais, que costumam avançar muito, ficaram mais protegidos.

O esquema da moda (4-2-3-1), em todo o mundo, nada mais é que o antigo sistema inglês, disfarçado de moderno. Os dois jogadores pelos lados marcam ao lado dos volantes, formando também uma linha de quatro, e, quando recuperam a bola, avançam como pontas.

Após a Copa América, Ramires não havia sido chamado até o jogo de quarta-feira passada. Na função de volante, marcador e organizador, Ramires era confuso e errava passes demais. A maioria pedia sua saída. No Chelsea, melhorou muito quando passou a jogar pela direita, em uma linha de quatro, como fez contra a Suécia e nos dois jogos contra o Barcelona, quando foi decisivo.

Contra a Suécia, Ramires não atuou bem. A diferença é que o Chelsea, especialmente contra o Barcelona, jogou no contra-ataque, do jeito que Ramires gosta, para aproveitar sua velocidade. Como a Suécia ficou muito atrás e tinha um jogador à sua frente, Ramires não tinha espaço para correr. Ele é um desses jogadores que se destaca correndo. Se dominar a bola e parar, torna-se comum.

No dia seguinte ao amistoso com a Suécia, um torcedor, que encontrei em minha caminhada diária, na tentativa de “esticar as canelas” mais tarde, repetiu as mesmas críticas de Casagrande, acompanhado por Galvão Bueno, de que Ramires estava na posição errada, diferente da que joga no Chelsea. Era justamente o contrário. Ele jogou pela direita, aberto, como em seus melhores momentos no time inglês e também no Benfica.

Galvão Bueno e alguns comentaristas deveriam acompanhar mais o futebol internacional. Os erros são frequentes. Galvão Bueno e Falcão, em um jogo do Barcelona, durante uns 30 minutos, até alguém avisar, chamavam o lateral-esquerdo brasileiro Maxwell de Milito, zagueiro argentino.

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PIQUET

Semana passada, Nelson Piquet fez 60 anos. Torci mais para ele do que para Ayrton Senna. “Piquet era mais real que ideal”, escreveu Fábio Seixas, que também gostava mais de Piquet. Em uma entrevista, após parar de correr, Piquet disse que, ao assistir às corridas pela TV, estava impressionado com tantas besteiras que dizia Galvão Bueno.

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ABOBRINHAS

Quando escrevo sobre jogadores, treinadores, times e seleção Brasileira, faço muito mais com o olhar de cidadão do presente, colunista, com a obrigação de ser independente, do que com o olhar de um ex-atleta. O passado me ajuda a entender o presente. Sou exigente, porque o futebol brasileiro tem de estar entre os melhores.

Alguns não entendem. Acham que, por ter sido atleta, deveria ser mais tolerante, corporativista, como alguns ex-jogadores que são comentaristas. Criticam-me ainda por não participar de festas e eventos esportivos, principalmente ligados ao Cruzeiro e à seleção. Afasto-me porque não posso ter nenhum constrangimento em elogiar ou criticar e também porque gosto mais do silêncio, do meu canto e da companhia de pessoas mais próximas.

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