Monthly Archives: agosto 2012

Circula na internet um bem-humorado pedido de equiparação dos descendentes de alemães, que querem ser tratados como negros ou gays

Em resposta à concessão de direitos especiais para afrodescendentes e homossexuais pelo Supremo Tribunal Federal, circula na internet uma bem-humorada mensagem à presidente Dilma Rousseff em que os descendentes de alemães se dizem vítimas de discriminação e pedem igualdade de direitos aos negros e aos gays.

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MINORIA SEGREGADA

Como minoria segregada no Brasil, nós, descendentes de alemães, solicitamos providências do governo federal para sermos igualados aos negros, perdão, afrodescendentes, no que tange aos direitos dos cidadãos. Para tanto, pacificamente reivindicamos seja aprovada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que contemple os seguintes pontos:

01 – Fica estabelecida a cota de 5% para alemães e seus descendentes nas universidades públicas brasileiras;

02 – Fica proibido chamar descendentes de alemães, ucranianos, holandeses e outros europeus de polaco, galego, branquela, etc e tal;

03 – Fica proibido chamar um indivíduo de “alemão”, pois o termo é pejorativo e denigre a imagem deste como ser humano;

04 – Fica estabelecido que os descendentes de alemães devem sem chamados de “germanodescendentes”;

05- Chamar alemão de alemão passa a ser considerado crime de racismo – inafiançável – a despeito do fato de a raça humana ser uma só;

06 – Fica proibido o uso de expressões de cunho pejorativo associadas aos descendentes de alemães. Ex: “Coisa de alemão!”, “Alemão porco….”, “Só podia ser alemão”, ” alemão batata” , ” comedor de chucrute”, “porco chauvinista”, “português que sabe matemática” etc;

07 – Fica estabelecido o dia 25 de julho como “Dia Nacional da Consciência Germânica”, feriado nacional;

08 – Fica estabelecido o dia 25 de novembro como “Dia Nacional do Orgulho Alemão”, com feriado nacional, mesmo que não se possa chamar alemão de alemão;

09 – Fica criada a Subsecretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Alemã, subordinada à Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial;

10 – Fica estabelecido o prazo de 2 anos para a Subsecretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Alemã virar Ministério dos Alemães, juntando-se aos outros 38 ministérios brasileiros já existentes, mesmo que não se possa chamar alemão de alemão;

11 – Passa a ser crime de “germanofobia” qualquer agressão deliberada contra um descendente de alemães, mesmo que não possa chamar alemão de alemão;

12 – Em caso de um negão chamar um alemão de alemão, este adquire o direito de chamar o negão de negão sem aplicação das sanções já previstas em lei;

13 – Ficam estabelecidos como Centros Nacionais da Cultura Alemã o bairro Buraco do Raio em Ivoti/RS, a zona central de Blumenau/SC e o bairro “ Drei Parrulho” em Santa Cruz do Sul.

Blumenau, 18 de maio de 2012.

PS: Caso italianos, portugueses, espanhois, siriolibaneses, japoneses, bolivianos, paraguaios, poloneses e tantos outros também se unirem em projetos similares, haverá dificuldades para aqueles que fazem questão de ser apenas brasileiros conseguir vagas em universidades e direitos especiais.

Filho de ex-ministro do STF desmente Noblat sobre Dias Toffoli

Do blog Cidadania, de Eduardo Guimarães:

Eduardo Pertence, filho do ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, desmente blogueiro da Globo Ricardo Noblat, que acusa ministro do mesmo STF José Antônio Dias Tóffoli de tê-lo insultado com palavrões”.

“Caro Noblat,
Aprendi a lhe respeitar e admirar desde criança, por consequência do meu pai, Sepúlveda Pertence, seu amigo e admirador.
Contudo, não posso deixar de demonstrar meu espanto com essa leviana notícia.
Estava eu, junto ao meu pai, nessa mesma festa.
Você foi recebido na mesa dele com todas as loas e elogios.
Fiquei na festa até o final, chegando a acompanhar o Min. Toffoli até seu carro, quando ele foi embora.
Afirmo não ter presenciado nada aparecido com o que você noticiou aqui.
Não vi, nem ouvi dele, nada assemelhado as loucuras aqui mencionadas.
De minha parte, testemunho que não houve.
De sua parte, espero que o Mensalão não esteja alterando sua noção de realidade.
Continue, fora isso, sendo o grande e admirável jornalista que sempre foi.
Com respeito, mas espanto.
Eduardo Pertence”.

Sociedade refém das greves que o PT sempre apoiou

Milton Corrêa da Costa

O partido político que cresceu e criou fama, décadas atrás, pelo uso estratégico das reivindicações da massa trabalhadora, na luta por aumentos salariais e melhores de condições de trabalho, e que adorava ver o circo pegar fogo,  agora enfrenta a mesma ferramenta de pressão: o direito de greve, que coloca neste momento a coletividade como refém das reivindicações das diferentes classes de servidores federais,  ao que parece unidas num só protesto.

Algumas categorias de servidores já estão paralisadas há mais de 80 dias, como os professores universitários, e o governo do PT alega que não há mais o que oferecer. Já chega a consideráveis bilhões de reais o somatório dos reajustes exigidos pelas diferentes categorias de servidores e o momento, ante a grave crise econômica mundial, é de fechar o cofre e de conter as contas públicas, e alguns países europeus demitem servidores e reduzem drasticamente até aposentadorias, como metas econômicas que terão que ser cumpridas para equilibrar as contas públicas de economias seriamente combalidas.

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MÁQUINA FEDERAL

No Brasil, o peso da máquina administrativa federal, com salários de servidores, ativos e inativos, cresceu assustadoramente nos últimos dez anos. De R$ 75 bilhões em 2003 para R$ 200 bilhões em 2012. Algumas categorias de servidores em estado de greve (utilizam-se agora como meio de pressão a chamada operação-padrão) têm em verdade salários privilegiados em relação a grande maioria das classes trabalhadoras brasileiras.

Algumas categorias de servidores federais têm no início da carreira vencimentos superiores a R$ 7 mil, enquanto alguns aposentados do INSS, após 35 anos de contribuição previdenciária, recebem o máximo de 10 salários-referência, nem chega a R$ 4 mil reais. Registre-se que servidores, além de salários absurdos e desproporcionais pelo nível básico que ostentam (motoristas e ascensoristas inclusos) ainda se aposentam com salários do topo da carreira. Alguns, com aposentadorias astronômicas e acima do teto-salarial permitido. Detalhe: servidor público (estatutário) tem estabilidade assegurada. Trabalhador do setor privado, não.

A realidade é que atual onda de greves no país vem perigosa e constantemente colocando a população brasileira como refém. Vejam o caos ocorrido recentemente nas estradas com a paralisação dos caminhoneiros, assim como a manifestação dos motoboys no Rio e em São Paulo.  O governo do Partido dos Trabalhadores está agora numa encruzilhada sem saída. Inúmeras classes de servidores vão aos poucos paralisando o país num só movimento e não há como atender, de uma só vez, todas as reivindicações de aumento salarial, plano de carreira e melhores condições de trabalho.

Alunos sem aula, calendários acadêmicos paralisados, formaturas adiadas (não se sabe até quando), passeatas com trânsito parado, direito de ir e vir comprometido, operações pente-fino em aeroportos e rodovias, problemas com desabastecimento de alguns produtos e mercadorias, queda em arrecadação de impostos, atos de vandalismo e sabotagem como fechamento de vias de circulação com pneus queimados, ameaça à ordem pública, emissão de passaportes suspensa para viagens de lazer, perda de conexões aeroviárias, compromissos sociais e profissionais suspensos, emergências médicas sob risco, remédios em falta e doação de sangue afetada.

Detalhe: os 26 dias de greve dos servidores da Anvisa já afetam os laboratórios e causa retenção de 30% dos remédios que chegam, por exemplo, no Estado do Rio de Janeiro. Ou seja, todo um cenário caótico. A pergunta é: até quando a grande maioria da sociedade brasileira ficará refém de movimentos grevistas, sejam eles justos ou não? Visível chantagem no desempenho ou na paralisação de atividades essenciais, sob o manto do direito de greve, são atos de insensatez plena. O direito constitucional de reivindicar não pode se contrapor à ordem pública e à ordem institucional.

A percepção de Nery, que tem a ousadia de expor por escrito o óbvio

Magdala Domingues Costa

Apesar das paixões políticas que norteiam o jornalista Sebastião Nery, sua aguçada percepção nunca se embota e a ousadia de expor por escrito o óbvio, apenas “sugerido” por tantos outros, é muito útil para que, neste mar de prestidigitadores mequetrefes, não nos confundamos, a ponto de perder a referência sobre a realidade, tantas as “abstrações” sugeridas no debate levado a cabo na mais alta Corte do País, sobre o esquema criminoso mais ousado de todos os tempos para tungar a Nação, eufemismo delicado para roubo.

No mandamento “não roubar” – que figura no Decálogo respeitado (pelo menos em tese) nas religiões cristãs e no judaísmo – está implicado que se apossar do que não é nosso, seja “desviar” dinheiro público, “misturar os bolsos”, é pecado mortal, passível de punição severa pela divindade e pelas leis dos homens.

Continuo perseguindo a resposta para esta questão até agora irrespondível: Qual a fonte da dinheirama que circulou à vontade, em malas, carros forte, lingerie masculina, ante a cegueira das instituições encarregadas de controlar impostos e as finanças da nação?
A destinação bem sabemos, mas o cerne do imbróglio é a fonte. O resto é o resto.

Repetirei até a exaustão: dinheiro de impostos tem destinação pública, é do povo, para receber em serviços dignos que permitam educação e saúde, sobretudo.

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E AS PRIORIDADES?

Antes de se comprarem aviões de última geração, e helicópteros espetaculares, para rivalizar com os EUA, o básico precisa ser respeitado. Há uma ordem de prioridades que é cinicamente ignorada pelos donos do poder.

A Ministra Belchior não cora de vergonha com a exibição de seus ganhos, mas é pródiga em conselhos e teses sobre a “crise” que está para nos atingir e a “necessidade” de economizar… E a tal de “marolinha”???

Brasil grande é Brasil de um povo educado e alimentado, com oportunidade de trabalho para todos, respeitadas as capacidades individuais.

Políticos são funcionários públicos, regiamente pagos (no Brasil) para representar quem lhes financia os gordos salários, a manutenção dos palácios e privilégios que todos conhecemos, desde as toneladas de acepipes consumidos até a gasolina dos meios de transporte.

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NOME$ $AGRADO$

Não compreendo o “pisar em ovos” para ousar mencionar “nome$ sagrado$”, entronizados no inconsciente tupiniquim por arte$ que agora conhecemos o preço e me produzem náusea.

Tentei inúmeras vezes assistir a um trechinho das inspiradas defesas dos douto$$$$, inclusive a do “homem que ri”. Não consegui, sobretudo pelo ataque ao vernáculo, em alguns casos, e também pelo desrespeito aos juízes, com várias alegações pífias, de mau gosto e uso de termos vulgares. Por ato falho, imagino cá com minha sombra, houve uma alusão a “cafetina”.

Invocando a lógica cartesiana: para haver cafetinas, há necessidade de prostitutas. Aí desliguei a TV.

Estudava-se tanto em tempos idos para entrar numa Faculdade de Direito e era necessário conhecer latim e familiarizar-se com Cícero e Ovídio.

Um casamento precoce entrou em minha vida e segui rumos incompatíveis com a prática da profissão para a qual me preparava, mas me esforcei muito a vida inteira para não perder conhecimentos duramente adquiridos, com esforço, dedicação e gastos com livros e bons professores particulares.

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“TEATRALIDADE”

Não dá para desperdiçar tempo precioso desaprendendo, assistindo à “teatralidade” fajuta que faz os ministros cochilarem. As fotos indiscretas foram amplamente divulgadas na mídia.

Os dois tópicos da coluna de Nery – “Mensalão” e “José Dirceu” – expressam concisa e exemplarmente o que transcorreu nos idos de 2003.
Um amazônida conhece bem a diferença entre uma tartaruga e um tracajá. São bem parecidos, mas há sutilezas em sua conformação.

Nós, pobres assistentes deste circo de horrores, precisamos urgentissímamente aprender a conhecer as diferenças entre cafetinas e prostitutas, antes de votar.

A mensagem que a China transmitiu no julgamento mais sensacional em décadas

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Começou o julgamento mais esperado da China em muitos anos. E terminou. Em sete horas, numa admirável demonstração de eficiência, a justiça chinesa cuidou do caso de Gu Kailai, mulher de Bo Xilai, um carismático líder chinês que parecia se encaminhar para o topo do poder na China até um crime sensacional surgir em seu caminho. Foi por este crime – o assassinato de um homem de negócios britânico, Neil Heywood, no final do ano passado – que Gu foi julgada.

Ela foi declarada assassina. A sentença será divulgada em breve. Os especialistas em China apostam que ela vai escapar da morte para passar uma temporada de talvez quarenta anos na prisão.

A razão para que ela não seja executada é uma informação que surgiu nos últimos dias. Gu, segundo sua defesa, matou Heywood para defender seu filho. Ela temia, de acordo com a mídia chinesa, que Heywood o matasse. Heywood, Gu e seu filho tinham uma sociedade em negócios obscuros, e em determinado momento emergiram conflitos em torno da divisão dos lucros. Até aqui, Heywood era tratado apenas como uma vítima. Não mais.

Gu, o marido Bo e Heywood

O crime foi espetacular. O cenário foi um hotel numa região que fora governada por Bo, Chongqing. Ali ele criara fama de um político modernizador — e enérgico o suficiente para derrotar as máfias que dominavam Chongqing.

A versão mais crível dos acontecimentos parece saída da mente de Agata Christie. Heywood recebeu a visita de Gu no quarto em que estava hospedado. Ela estava acompanhada de um empregado da família – também julgado e declarado assassino. Heywood bebeu além da conta, provavelmente induzido. Bêbado, pediu água. Gu e seu empregado aproveitaram a ocasião para forçá-lo a engolir veneno.

Inicialmente, a polícia afirmou que a morte se dera por excesso de bebida. Depois, sob pressão britânica, a investigação foi retomada – e então vieram os fatos que puseram fim sensacionalmente à carreira de Bo Xilai.

Em vídeos, vi depoimentos de diversos chineses que formam a chamada voz rouca das ruas. O ponto destacado por muitos é que ficou claro que ninguém está acima da lei no país.

Era provavelmente esta a mensagem que o governo da China queria transmitir aos chineses – e ao mundo. Conseguiu.

Noblat denuncia palavrões e baixarias de Dias Toffoli

Ricardo Noblat

Acabo de sair de uma festa em Brasília. Na chegada e na saída cumprimentei José Antônio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Há pouco, quando passava pelo portão da casa para pegar meu carro e vir embora, senti-me atraído por palavrões ditos pelo ministro em voz alta, quase aos berros.

Voltei e fiquei num ponto do terraço da casa de onde dava para ouvir com clareza o que ele dizia.

Tóffoli referia-se a mim.

Reproduzo algumas coisas que ele disse (não necessariamente nessa ordem) e que guardei de memória:

- Esse rapaz é um canalha, um filho da puta.

Repetiu “filho da puta” pelo menos cinco vezes. E foi adiante:

- Ele só fala mal de mim. Quero que ele se foda. Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo.

Acrescentou:

- Em Marília não é assim.

Foi em Marília, interior de São Paulo, que o ministro nasceu em novembro de 1967.

Por mais de cinco minutos, alternou os insultos que me dirigiu sem saber que eu o escutava:

- Filho da puta, canalha.

Depois disse:

- O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia, esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.

Arrematou:

- Chupa! Minha pica é doce. Ele que chupe minha pica.

Atualização das 3h52m – Imagino – mas apenas imagino – que o ataque de fúria do ministro deve ter sido desatado por um comentário que fiz recentemente sobre a participação dele no julgamento do mensalão. Segue o comentário.

http://www.youtube.com/watch?v=cvyLfkZs-jo&feature=player_embedded 2min26seg

 

Como Paul Newman personificou a nobreza (e não apenas no cinema)

Kiko Nogueira

A primeira vez em que vi Paul Newman foi numa Sessão Coruja, da TV Globo, nos anos 1980. Passava Rebeldia Indomável, no qual ele fazia um presidiário tentando fugir de uma colônia penal rural. Numa cena, Newman aposta com o colega interpretado por George Kennedy qual dos dois conseguia engolir o maior número de ovos cozidos.

O que poderia ser uma sequência de mau gosto, caricatural e estúpida tomou uma dimensão épica por causa daquele sujeito de olhos azuis claros, feições nobres, que segurou a tensão dramática com uma elegância tirada sabe-se lá de onde. Essa aura especial de Newman esteve presente em cada longa-metragem de que participou. “Sempre que peguei um script foi uma questão de ver o que eu poderia fazer com ele. Eu vejo cores e imagens. Tem de haver um cheiro. É como se apaixonar. Você não consegue entender por quê.”

Nascido em Ohio numa família de origem judaica, ele foi expulso do colégio em que estudava por mau comportamento. Nos anos 1950, participou de programas sem importância na televisão e fez peças de teatro no off-Broadway. Numa delas, Picnic, conheceu a segunda mulher, Joanne Woodward, sua companheira para o resto da vida. Foi aluno do famoso Método de Lee Strassberg, que formou seu ídolo Marlon Brando, seu rival James Dean, a linda atormentada Marilyn Monroe e, depois, tantos outros (Al Pacino, Dustin Hoffman, Robert De Niro, Jane Fonda etc).

Com a morte de Dean, a década seguinte se mostrou, praticamente, dele. Nenhum outro conseguiria encarnar, daquela maneira, uma galeria de rebeldes, foras da lei e desajustados. Seu grande momento como outlaw aconteceu com o papel do bandido gente fina Butch Cassidy. A dupla de caubóis que desafia o sistema capturava perfeitamente o espírito da contracultura dos anos 1960, e Newman, já quarentão, virou ídolo juntamente com seu seguidor Robert Redford, que fazia o pistoleiro Sundance Kid.

Essa consistência, talento e estilo eram tirados de sua vida. Apaixonado por velocidade, teve carros de corrida, disputou provas, profissionalizou-se. Conseguiu a segunda colocação nas 24 Horas de Le Mans, a mítica prova disputada na França, com um Porsche. Em 1995, aos 70 anos, correu em Daytona, nos Estados Unidos.

Nunca se preocupou com moda (queimou um tuxedo numa ocasião), mas também sempre deixou claro que se vestia como alguém que não queria passar em branco. O terno carvão justo com gravata escura e abotoaduras de seu Eddie Felson em Desafio à Corrupção e a camisa denim de Rebeldia Indomável são clássicos. Ele consegue ficar cool em qualquer situação, até na companhia de uma gangue de assassinos ou sujo de graxa (coisa que não serve para todo mundo, ok, mas você pode tentar sempre).

Com o passar do tempo, Newman teve papéis menores, mais adequados à sua idade, ainda marcantes, como em O Veredito. Em vez de perseguir eternamente a juventude perdida, fazer uma plástica nas bolsas dos olhos azuis, um implante de cabelo e casar-se pela trigésima terceira vez com uma loira peituda de passado remoto, passou a se dedicar à sua fábrica de molhos e condimentos, Newman’s Own.

Ganhou mais dinheiro com isso do que com o cinema (Newman é de uma geração anterior ao salário surreal de gente bonita, sem talento e que faz filmes ruins). A grana foi revertida para suas obras de caridade. A mais famosa delas é o acampamento Hole in The Wall para crianças com necessidades especiais. Ele fundou a instituição, batizada com o nome da gangue de Butch Cassidy. Hoje, é uma rede que cuida de 13 mil crianças por ano, de graça. Em junho de 1999, Newman doou 250 mil dólares para o campo de refugiados de Kosovo.

Em 2008, foi nomeado a celebridade mais generosa por ceder mais de 20 milhões de dólares para a benemerência. Paul Leonard Newman morreu naquele mesmo ano, em decorrência de um câncer no pulmão (foi um fumante inveterado). O jornal L’Osservatore Romano, editado no Vaticano, escreveu que ele era “um coração generoso e um ator de dignidade e estilo raros em Hollywood”.

Se ele era um santo? Não. “Um homem sem inimigos é um homem sem caráter”, disse certa vez. Paul Newman teve diversos inimigos. Mas sempre foi um homem e um ator maior do que eles.

(Texto publicado na revista Alfa)

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