Monthly Archives: agosto 2012

Fernando Henrique Cardoso não era considerado de confiança nem mesmo pela família.

Sergio Caldieri, diretor do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, nos envia esse impactante depoimento do seu amigo Fernando Santa Rosa, capitão de mar e guerra da Marinha, perseguido e cassado pelos militares em 1964.

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A FAMÍLIA CARDOSO

Conheci o tio de FHC o general Felicíssimo Cardoso. Fui preso no navio mercante Princesa Leopoldina, em 06/04/1964, com o primo carnal de FHC, coronel Joaquim Ignácio Cardoso. Pai e filho (Felicíssimo e Joaquim Ignácio), de esquerda e nacionalistas ardorosos, tal qual o general Leônidas Cardoso (pai de FHC).

Na campanha do “Petróleo é Nosso”, os irmão Felicíssimo Cardoso e Leônidas Cardoso (ambos generais) foram notáveis lutadores pela criação da Petrobrás. FHC traiu a todos e vendeu o Brasil.  Não foi sem razão a frase dita pelo general Felicíssimo Cardoso para os ínclitos Barbosa Lima Sobrinho, general Carlos Hesse de Melo, Orlando Valverde e Henrique Miranda, aos quais conheci e privei da amizade, ao responder a uma sugestão de enviar um manifesto relativo à Amazônia para FHC em São Paulo:

“Pode mandar, Miranda, mas este meu sobrinho não é de minha confiança.”

A estratégia dos EUA no Oriente Médio

Joseph Massad (Al-Jazeera, Qatar)

O aspecto mais importante de todas as estratégias dos EUA no Oriente Médio é abrir caminho e preços baixos para o petróleo, sempre, além de estimular o mais possível todas as rixas e atritos entre todos os países da região, para assim justificar que todos aqueles países consumam todos os lucros que auferem do petróleo para comprar armas que os EUA vendem a todos eles e as quais, para que continuem a comprá-las, os países têm, é claro, que usar e gastar (armas e munição), ao mesmo tempo em que mantêm viva a indústria bélica dos EUA.

No fundo, Washington pouca importância dá às rivalidades entre Omã e Emirados Árabes Unidos, ou entre Omã e Arábia Saudita – menos ainda, às brigas de Iêmen e Arábia Saudita, e praticamente dão importância-zero ao que o Qatar pense da ou faça à Arábia Saudita… desde que esses países não se envolvam em confronto militar real.

Em matéria de conflito real, os EUA só admitem um: guerra combinada de todos essas ditaduras, unidas e acrescidas de Kuwait e Bahrain, contra a República Islâmica do Irã.

Nessa arena, nada mudou. Embora a “instabilidade” interna no Bahrain, em Omã e na região leste da Arábia Saudita seja preocupante, funcionários do governo dos EUA (com os israelenses aplaudindo e, não raras vezes, tomando a dianteira) investem grandes esperanças e muito tempo numa pesada campanha de propaganda contra o Irã – o único, dentre os três produtores gigantes de petróleo da região (além de Iraque e Arábia Saudita), que se mantém fora da órbita na qual os EUA exercem pleno controle.

O fato de os regimes sectários do Golfo identificarem como xiitas as massas em revolta no Bahrain e na Arábia Saudita; e como ibadis, em Omã (mas o sultão de Omã é também crente ibadi; então, os sauditas puseram-se a falar mais sobre uma dita opressão que os sunitas sofreriam em Omã) facilitou a conexão que funcionários dos governos de EUA e estados do Golfo estão inventando entre a chamada “ameaça iraniana” e as revoltas locais. Assim, conseguem explicar compras cada vez mais gigantescas de armas, e preços mais em conta a pagar pelo petróleo… o que se chama “sucesso das metas políticas dos EUA”.

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IRAQUE SOB TUTELA

O petróleo e a estrutura de governo do Iraque continuam sob tutela dos EUA. Isso, aliado à transferência discreta do controle sobre os campos de petróleo líbio, para as potências europeias, tem conseguido manter a estabilidade por hora e para o futuro próximo.

Circularam rumores de que os qataris teriam sugerido que alugariam o Canal de Suez. Os rumores foram desmentidos. Mas bastaram para tranquilizar ainda mais os funcionários do governo dos EUA: parece já não haver dúvidas de que a “Primavera Árabe”, boa parte da qual foi patrocinada pelo Qatar, não prejudica nem impõe grave ameaça aos interesses dos EUA. Como sempre, não percebem que o que poderia proteger os interesses dos EUA seria a estabilidade. E o que se vê na região é só instabilidade e revolta.

Os qataris aconselham paciência. Argumentam que a região voltará à estabilidade, tão logo se implantem ali novos governos islamistas amigos do ocidente e do Golfo; então o bolo econômico afinal crescerá e poderá incluir empresários e empresárias islamistas. E dali em diante será business como sempre para os EUA, eternamente.

Joseph Massad é professor de Política e História Intelectual Árabe Moderna
na Columbia University, em New York.

Petróleo grego em alta tensão

Ruben Eiras

A Grécia é o país da UE e do Euro com maior potencial prospetivo de exploração de petróleo, com cerca de 22 mil milhões de barris no Mar Jônico e 4 mil milhões de barris no Mar Egeu. Por comparação, o poço Lula no Brasil (uma das maiores descobertas da última década) tem cerca de 8 mil milhões de barris. Este facto é conhecido pela Troika do FMI, UE e BCE desde 2010.

Em vez de promover a produção petrolífera para reequilibrar as contas gregas e aumentar a autonomia energética europeia, a ordem é privatizar a única via que o Estado grego dispõe para pagar aos credores. Eis a razão pela qual russos e chineses digladiam-se para controlar os portos gregos: passam a controlar terminais de distribuição de petróleo e gás para os Balcãs e centro da Europa, e conquistam uma inédita presença estratégica no Mediterrâneo.

Ciente desta ameaça, os EUA não dormem e Hillary Clinton deslocou-se recentemente à Grécia para tentar acertar condições de E&P com a Turquia, com o envolvimento da empresa americana Noble Energy. O problema reside em que a Grécia não dispõe de umaZEE e por isso não tem garantido o direito soberano sobre os recursos no solo marinho.

Por isso, Clinton foi tentar um acordo de repartição entre Grécia, Turquia e a NobleEnergy. Na semana seguinte, os russos foram bater à porta dos gregos com propostasemelhante.Se considerarmos que Israel será um exportador líquido de gás ainda nesta década e queChipre também uma bacia rica em petróleo, concluem-se dois factos:

1) O Mediterrâneo será um foco de tensão geopolítica em torno dos recursos petrolíferos

2) A UE sofre de uma cegueira estratégica extrema ou a Alemanha já desistiu daEuropa

A importância estratégica de capacidades de exploração submarina para asustentabilidade dos países

Para saber mais:

http://www.infowars.com/rising-energy-tensions-in-the-aegean%E2%80%94greece-turkey-cyprus-syria/

A violência ronda nossas casas

Roberto Nascimento

Ao assistir, pela televisão, às imagens de novo ato de violência policial, estou dominado por violenta emoção diante dos carrascos de plantão, que movidos por instintos insanos cometem barbaridades contra presos indefesos, sem chance de escapar.

Esse tiro na perna do sequestrador remonta a Idade Média, a lei do olho por olho e dente por dente. O policial virou ao mesmo tempo juiz sentenciante e carrasco executor da sentença prolatada por ele mesmo no calor dos acontecimentos.

Essas ações acirram ainda mais a violência contra o cidadão, pois os outros bandidos tendem a usar violência ainda maior contra os cidadãos desarmados.

A volta da bárbarie ronda nossas casas, nossos quintais, arrasam nossos jardins e abatem nossos sonhos de uma vida melhor e mais segura.

Vemos o sangue quase jorrar dos lábios de policiais e bandidos, todos sedentos pelo cadáver vilipendiado e inerte no chão. O cidadão não tem mais a quem apelar, os bispos estão preocupados com as almas e não com a vida dos crentes e cristãos. Os empresários insensíveis se deslocam em aviões e helicópteros e colocam suas poupanças em contas numeradas na Suíça ou em investimentos prediais em Miami ou ainda em Paris, que ninguém é de ferro.

Vejo nuvens escuras no horizonte do Brasil e o pior é que não são indícios de chuva.

Recordar é viver: ministros do Supremo já foram flagrados combinando voto no mensalão

Carolina Brígido (O Globo)

Em agosto de 2007, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) julgava a denúncia do Ministério Público Federal contra os acusados de participar do mensalão, houve ministros que foram flagrados combinando como votariam. As imagens das telas foram fotografadas durante a sessão e divulgadas pelo Globo.

Sessão do STF que julgava o caso do mensalão, em agosto de 2007. A ministra Cármen Lúcia trocava mensagens via computador com colegas de plenário<br /><br /><br /><br /><br />
Foto: Roberto Stuckert Filho / Arquivo O Globo

Ministra Carmem Lúcia, flagrada trocando mensagens. (Foto Roberto Stuckert Filho, reprodução de O Globo na internet)

Desde então, o tribunal cercou-se de cuidados. Uma das providências foi impedir que fotógrafos e cinegrafistas transitassem livremente pelo plenário. Ontem, eles foram confinados em uma área restrita o fundo do recinto. Quando viram suas mensagens publicadas no jornal, alguns ministros acabaram mudando a linha do voto e réus admitiram mais tarde que a divulgação mudou o rumo da sessão.

Após o episódio, boa parte dos ministros se tornou adepta dos bilhetinhos escritos em papel. Na época, a presidente da Corte era a hoje aposentada ministra Ellen Gracie.

Com a posse de Gilmar Mendes, veio a restrição do espaço destinado aos profissionais de imagem. Foi quando os ministros voltaram a usar o sistema interno de troca de mensagens.

Hoje, a preocupação mudou: eles querem impedir que uma intervenção de manifestantes prejudique o andamento dos trabalhos.

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SEGURANÇA TOTAL

Segundo O Globo,  o aparato montado no Supremo denuncia a comoção em torno do tema. Dezenas de seguranças de terno preto e gravata da mesma cor ficam postados diante do prédio do STF, na porta de acesso ao plenário.

Após encarar a fileira de homens de preto, o visitante precisava passar por dois detectores de metal antes de entrar no plenário. Também é necessário fazer um cadastro, com documento de identidade, como de praxe. O julgamento afetou também a vida de quem não pensou em ir ao tribunal nesses dias: o ponto de ônibus na frente do STF foi desativado temporariamente.

Os vendilhões do templo, na visão genial de António Aleixo

Publicamos ontem um poema do genial poeta português António Aleixo (1899 / 1949), dizendo que ele deveria ser mais conhecido no Brasil. Por isso, não resistimos em postar hoje mais uma obra dele, que gostava de escrever sobre religião. E para completar, um intrigante minipoema de Paulo Peres, do site Poemas & Canções, também sobre religião.

António Aleixo

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OS VENDILHÕES DO TEMPO

Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.

Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.

E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais pelos outros que por nós.

Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.

E o povo nada conhece…
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.

António Aleixo, in “Este Livro que Vos Deixo…”

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POR QUÊ?

Paulo Peres

POR QUE existem
Várias crenças
E religiões
Se existe
Um só DEUS
Que é o POR QUE
Do PORQUÊ
De tudo?……..

 

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