Monthly Archives: agosto 2012

Logo no primeiro dia, Lewandowski mostrou que a amizade a Lula fala mais alto do que a ética

Carlos Newton

Não dava para esperar nada diferente. O ministro Ricardo Lewandowski, que é o mais ligado a Lula, sendo amigo íntimo da família Silva, jogou na lata do lixo sua biografia, ao apresentar seu voto de ministro-revisor, no caso da questão de ordem urdida pelo ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, que tencionava desmembrar o processo do mensalão, para que o Supremo só julgasse os três réus com direito a foro especial.

A questão de ordem foi apresentada pelo ex-ministro da Justiça e advogado de um dos réus Márcio Thomaz Bastos logo na abertura da sessão. Bastos defendeu que os réus que não têm foro privilegiado possam ser julgados pela primeira instância.

O ministro-relator Joaquim Barbosa respondeu duramente, chamando Ricardo Lewandowski de desleal, vejam só o vexame e a que ponto chegamos nesse Supremo Tribunal que mais parece um Ínfimo Tribunal.

“Dialogamos ao longo desse processo e me causa espécie Vossa Excelência se pronunciar pelo desmembramento agora quando poderia ter sido feito há sete meses. Poderia ter trazido em questão de ordem”, disse Barbosa, que completou: “É deslealdade”, referindo-se ao voto de Lewandowski.

Até por volta das 17h, outros cinco ministros acompanharam o voto de Barbosa, constituindo maioria entre os 11 ministros. Também votaram contra o desmembramento Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cezar Peluso. E ficou desmontado o golpe armado pela dupla Thomaz Bastos/Lewandowski, que deviam estar disputando o vôlei de praia na Olimpíada, pois um levanta e o outro corta.

Pela proposta, dos 38 réus, só os três réus que tem mandato de deputados – João Paulo Cunha (PT), Valdemar Costa Neto (PR) e Pedro Henry (PP) – seriam julgados pelo STF. Os demais seriam submetidos aos tribunais de origem, isso demoraria anos e todos os crimes acabariam prescrevendo.

As pernas da mentira

Percival Puggina

Como são longas as pernas da mentira insistentemente repetida por muitos! Uma delas atropelou-me outro dia. Centenas de informações sustentam, na internet, que a anistia de 1979 foi aprovada no Congresso pelo estreito placar de 206 votos a 201. Por essa vantagem mínima, a Arena empurrara a tal anistia goela abaixo da oposição. Diante de informação tão homogênea e coincidente, eu a comprei por boa e passei a repeti-la.

No entanto, algo não abotoava. Duzentos e um congressistas, adversários do regime militar, se teriam oposto à anistia? Seria paradoxal. Por que rejeitariam um projeto que beneficiou milhares de parceiros? Pesquisando, tropecei noutra das longas pernas em que essa história caminha através dos anos: o projeto teria sido rejeitado pela oposição porque se tratava de uma auto-anistia que só interessava aos militares.

Oh, verdade! Oh, história! O que fazem com vocês duas em nome da ideologia! Dia desses, soube que o JB disponibiliza um arquivo digitalizado de seus jornais desde os anos 30. A edição do dia 23 de agosto de 1979 quebra a perna dessas mentiras. Coisa feia. Fratura exposta.

A véspera, dia da votação da anistia, fora tumultuado no Congresso. Pressão nas galerias. Exaltados discursos. O projeto do governo Figueiredo não anistiava quem tivesse participado de “terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal”. Para estes, as duras penas da lei. Mas havia uma emenda do deputado Djalma Marinho que anistiava a todos, ampla, geral e irrestritamente.

Essa emenda, levada a votação, foi rejeitada por 206 votos a 201. Ah! Quer dizer que não houve 201 votos contra a anistia, mas 206 votos contra uma emenda que a ampliava? Os 201 votos que se diz terem sido contra o projeto de anistia, na verdade foram a favor de uma anistia muito mais ampla? Sim, foi isso mesmo. Aliás, a maioria parlamentar, a base do governo Figueiredo, entendia que os crimes contra a pessoa, crimes de sangue, não mereciam perdão. Para quem os cometera – a justiça. As penas da lei. Já o projeto em si – Lei nº 6683/79 – foi aprovado em acordo, por voto das lideranças.

O país não se pacificou. Nos seis anos seguintes, continuou a campanha pela anistia ampla, geral e irrestrita, finalmente aprovada, em 22/11/1985, por um Congresso com plena legitimidade democrática, no corpo da emenda que convocou a Constituinte. Apesar de as coisas terem transcorrido desse modo, a história, mal contada e muito repetida, sobre longas pernas, insiste, agora, em que a desejada, pleiteada e ansiada anistia ampla, geral e irrestrita foi uma injustiça.

Curiosamente, reproduz a posição da bancada linha dura de 1979 e clama pelas duras penas da lei. Anistia, não! Justiça! Justiça! Também acho injusto que terroristas, guerrilheiros, assassinos e assaltantes responsáveis por mais de uma centena de mortes andem soltos e recebendo gordas indenizações. Digo outro tanto de quem torturou e seviciou. Tais impunidades não são justas!

Mas sei que por esse caminho não chegaríamos à normalidade democrática. O país só foi pacificado, só recuperou saúde institucional quando a Política superou a Justiça através da anistia de 1985. A anistia é um instrumento jurídico a serviço da Política. Da boa Política! Há conflitos, na história, que não se resolvem com Justiça, mas com Política. O passado não tinha conserto. Consertou-se o futuro. Foi esse o bom rumo que o Brasil escolheu e que alguns pernalongas, arrebatados pela ideologia do ódio, querem desandar.

(Transcrito do Blog de Puggina)

Os jovens, a ilusão e a morte

Mauro Santayana

A notícia de que o Brasil é o quarto país da América Latina com maior número de homicídios de crianças e adolescentes, divulgada pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos,  é estarrecedora. Segundo o documento, nos últimos 30 anos, o assassinato de crianças e jovens entre um e 19 anos de idade, teria aumentado cerca de 345%.

A que se deve isso? Por um lado, à migração de milhões de brasileiros do campo para a periferia das grandes cidades, nesse período, tangidos pela seca, pela miséria, pelas doenças e atraídos muitas vezes, não só pela ilusão de ter acesso a melhores condições de vida, mas também, uma grande parcela, pelo espelho mágico e enganador dos “reality shows” e das novelas de televisão.

A transformação de lavradores em trabalhadores urbanos sem qualificação profissional e a busca, pelos seus filhos – a qualquer preço – da “ascensão” social, fragmentou milhares de famílias. Assim, destruídos os laços que as unia, muitos jovens, que só tinham a esperança como bagagem para enfrentar os desafios da cidade grande, foram jogados na prostituição e no tráfico, no vício, na cadeia e no cemitério.

Se a criminalidade decorria antes sobretudo das condições sociais, hoje ela está sendo disseminada, também na classe média, cada vez mais, e mais cedo, pelas drogas, como o crack e pela insistência do sistema em resolver um problema que é principalmente de saúde pública, com a repressão policial.

Os agentes de segurança do Estado se acostumaram a punir o usuário e o pequeno traficante, mas não alcançam os peixes grandes. Esses, envolvidos também com a lavagem de dinheiro, a prostituição e o jogo, corrompem parcelas da polícia para continuar atuando. Dessa forma se mantém o movimento perpétuo de uma imensa rede de exploração e corrupção, que sustenta advogados , e atinge até mesmo ao Legislativo – vide o caso Cachoeira – e o próprio Poder Judiciário.

Como a única forma de acesso à droga é o tráfico, o usuário parte para o roubo, o assalto, o assassinato. Mata-se, hoje, por dívidas de cinquenta reais. Todos os dias, corpos de adolescentes de ambos os sexos, cada vez mais jovens, são encontrados manietados, algemados, e crivados de balas em locais de “desova”. Filhos espancam pais – e chegam mesmo a matá-los – para roubar o que possa ser vendido ou trocado por algumas pedras de crack, que serão fumadas em alguns minutos, até que a “fissura” volte a tomar conta do usuário – em todo o país e em todos os estratos sociais.

Enquanto isso, continua o incentivo do “marketing” ao uso do álcool, geralmente a porta de entrada para drogas mais pesadas. É preciso coragem para tratar da dependência química como um problema de saúde pública, e para investir com ousadia na educação correta da infância e da juventude. Sem isso, continuaremos moendo as sementes do futuro.

(Transcrito do blog de Santayana)

Blogs e sites comparam a honradez dos presidentes militares com a honradez dos políticos civis hoje em dia.

O comentarista Prentice Franco, inconformado com as críticas sobre corrupção nos governos militares, desafia que “alguém cite o nome de um militar que governou o país durante o regime iniciado em 1964, que se envolveu em corrupção e enriqueceu ilicitamente, com seus descendentes hoje vivendo em um mar de rosas”?

Prentice aproveita e envia dois textos que circulam nos blogs e sites que defendem o regime militar.

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LEMBRANDO MÉDICI
Paulo Crisóstomo (diplomata)

Sou casado com a Isolda Médici Crisostomo, sobrinha e afilhada de batismo do Presidente Médici, tanto que ele 1970 (como Presidente) foi a Bagé para ser nosso padrinho de casamento.
Mas o que gostaria de repassar são duas histórias verídicas, para ressaltar o caráter deste Presidente Militar.

Em uma ocasião, durante seu governo, foi construída uma estrada moderna unindo as cidades de Bagé e Livramento. O Presidente Médici tem uma fazendola (digo isto porque realmente pequena) herança de seus avós. Acontece que esta fazendola, quando do projeto inicial, não estava no eixo desta estrada moderna. Médici foi consultado para saber se gostaria se com um pequeno ajuste esta viesse nela passar. A reação do Presidente foi imediata, proibiu que se fizesse alteração no projeto com este objetivo.

Em outra ocasião, sabedor que haveria um aumento no preço da carne, por repasses de vantagens do Governo, mandou que seu filho Sérgio vendesse uma ponta de gado, que já estava pronta, ANTES do aumento, para que não viessem a dizer que ele se beneficiou com ao aumento.

O Presidente Médici não morreu pobre, afinal veio da classe média e nela permaneceu, morreu com o mesmíssimo patrimônio que tinha ao chegar à Presidência, seus filhos, noras, netos e demais familiares jamais tiraram vantagens econômicas pelo cargo de seu parente ilustre.

Este e outros exemplos nos enchem de orgulho, de ter o Presidente Médici deixado este legado de honra, civismo e respeito ao Povo Brasileiro.

Pouco depois que cheguei a Berlim, o Presidente Geisel visitou a Alemanha. O Prefeito Stobbe subiu a escada do avião e recebeu Geisel no alto da escada e desceu com ele. Eu estava embaixo e havia dias antes feito a visita habitual ao Prefeito. Quando cumprimentei Geisel, o Prefeito disse mais ao menos isso em alemão: “Presidente, o seu Cônsul deve ser muito importante, pois acabou de chegar e já trouxe o Presidente a Berlim”. Geisel sorriu.

Uns meses depois a filha Lucy esteve em Berlim num programa cultural. Acompanhei-a durante o dia. Perguntei a ela se o pai falava alemão. Respondeu que não, talvez tivesse uma vaga noção. Explicou que sua mãe falava alemão, mas que o pai de Geisel era muito rigoroso e no tempo da guerra, como era proibido falar alemão, seu avô (o pai de Geisel) fazia questão que se falasse só Português em casa e não ensinou Alemão aos filhos.

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ESSES “ESTRANHOS” “MILICOS”

E falava-se horrores do Andreazza… que estaria riquíssimo, que teria ganho de presente das empreiteiras um edifício na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, que não tinha mais onde guardar dinheiro.

Não sei se Amália Lucy Geisel ainda estará viva. Pouco mais velha do que eu, tinha alguns problemas de saúde. Pois bem: ela era Professora do Colégio Pedro II e, mesmo quando o pai era Presidente, ia de casa ao trabalho de ônibus. Cansei de encontrá-la neles, ela e eu a caminho do centro do Rio. Meu pai chamava isso de “os três dês do milico”: decência, decoro, discrição”.

Primeiro, morreu o Cel. Mário Andreazza. Quando Ministro dos Transportes, foi responsável pela construção da ponte Rio-Niterói, obra que teve empréstimo inglês de 2 bilhões de dólares (Sim! Dois bilhões! De dólares!). Por ocasião de sua morte, seus 37 colegas de turma tiveram de fazer uma vaquinha para que o corpo pudesse ser trasladado para o Rio Grande do Sul. Portanto, depois de gerenciar tanta verba pública, bem administrada, diga-se de passagem, morreu pobre.

Já em 2003, foi a vez de Dona Lucy Beckman Geisel. Seus últimos anos de vida, viveu de forma pobre e discreta. Morreu em acidente de carro na lagoa Rodrigo de Freitas. Ano passado, foi a vez de dona Dulce Figueiredo, que ficou viúva em1999, do último Presidente militar. Em 2001, devido a problemas financeiros, teve que organizar um leilão para vender objetos pessoais do marido. Foi a forma que encontrou para sobreviver dignamente.

Faça suas comparações com os políticos de hoje e compare o estilo de vida do último presidente brasileiro, de sua mulher, que frequentam o mais caro cabeleireiro do Brasil, as mais caras butiques, os mais caros cirurgiões plásticos, gastou os mais altos valores do cartão de crédito, que não precisava prestar contas. Nunca fez um trabalho social pelo Brasil. Só o que fez foi viajar com o marido por todos os lugares do mundo, às expensas do suor dos brasileiros trabalhadores. Seus filhos enriqueceram da noite para o dia.

Isto é que são políticos “Populares e Trabalhadores”. Tirem suas conclusões.

Cesare Battisti interpela Políbio Braga em Porto Alegre: ‘O senhor é o jornalista de ética própria?!’

O jornalista gaúcho Políbio Braga tem feito muitas críticas ao governador gaúcho Tarso Genro. especialmente quanto à acolhida que ele garante ao refugiado italiano em Porto Alegre. De repente, Políbio e Battisti se encontram.

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UMA QUESTÃO DE ÉTICA

Políbio Braga

O ex-terrorista e assassino italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália e refugiado no Brasil por iniciativa do atual governador Tarso Genro (Tarso era ministro da Justiça quando concedeu abrigo a um dos homens mais procurados pela Interpol), passou por Porto Alegre neste sábado e dirigiu-se imediatamente para Caxias do Sul, onde manteve reunião com escasso grupo de ativistas e simpatizantes da esquerda gaúcha, a pretexto de autografar um dos seus livros.Cesare Battisti era dirigente do movimento Proletários Armados pelo Comunismo, o PAC. Ele assassinou quatro pessoas que nem militância política tinham.

. A Livraria Arco da Velha, onde sairia a sessão de autógrafos deste sábado, suspendeu o evento na sexta-feira, depois de ter recebido ameaças, mas os promotores da viagem buscaram outro local e não fizeram divulgação pública. Em Caxias, pouca gente sabe da visita.

. O editor saía do carro no bairro Santa Cecília, Porto Alegre, quando encontrou o carro Honda, prata, que conduzia Battisti, estacionado num supermercado, em companhia de dois homens e uma mulher, a motorista. Ele saiu do veículo, dirigiu-se ao editor e teve início uma áspera troca de palavras:

- Então, você é que é o jornalista que tem sua ética própria para tratar de política?

Achei surpreendente a decisão de Battisti de me interpelar e querer discutir ética comigo. E respondi:

- A minha ética não é a sua ética (a ética do bandido), conforme já ficou provado nas suas sentenças de condenação.

O italiano é frio, calculista e impassível. Ele não se alterou uma única vez e nem demonstrou nervosismo, não elevou a voz e nem fez gestos bruscos. Foi tudo na medida. A conversa foi muito curta, áspera, mas sem troca de insultos, tudo quanto permite um encontro inesperado deste tipo. Foi presenciada também pelo jornalista Olides Canton, que fotografou o encontro, e vigiada de perto por seguranças que protegiam o italiano.

Cesare Battisti, cujo benfeitor brasileiro é o governador do RS, Tarso Genro, tem feito viagens frequentes ao Estado, sempre mantendo atividades políticas, sob a falsa alegação de “atividade cultural”. Battisti é ex-terrorista e assassino, foi condenado à prisão perpétua na Itália e encontrou refúgio no Brasil. Se sair daqui, será preso e deportado para Roma.

O bom exemplo dos jovens: dia e noite, protestando contra o desgoverno de Sérgio Cabral

Mário Assis

Há alguns dias observo, na esquina da rua Aristides Espíndola – onde mora o governador Cabral – com a avenida Delfim Moreira, a presença de jovens que se revezam, empunhando cartazes com críticas ao Cabral. É um protesto legítimo, ordeiro e pacífico. Não há nos cartazes palavras ofensivas.

Hoje resolvi conversar com o jovem que lá estava. Disse-me ele que se trata de um grupo que vem organizando eventos e manifestações, pareceu-me nos moldes do Occupy Wall Street muito mais modesto, para denunciar desmandos e corrupção nas práticas políticas.

Entregou-me um papel, xerocopiado e simples, que eles distribuem, denunciando “Aumentos abusivos de tarifas de transporte, descaso com a educação, sucateamento da saúde pública, isençao de impostos para conhecidos e bordeis, um bilhão e meio em contratos fraudulentos de obras públicas…E, ainda dizem que o vagabundo sou eu por dizer que não saio daqui sem que este monstro seja preso”. Tem a foto do Cabral ao lado do texto.

No pouco tempo em que conversei com o rapaz, muitos carros que passavam buzinavam e os motoristas faziam acenos positivos com as mãos.

Não identifiquei ligações político-partidárias ideológicas no movimento.

Disse-me também o jovem que nesta madrugada – eles ficam lá dia e noite – uns “seguranças” do Cabral os ameaçou, perguntando se ele não tinha medo de morrer. Nesta esquina há, permanentemente, uma viatura da PM.

Considero um bom exemplo de exercício da cidadania.

Espalhe!

António Aleixo não acreditava nesse Deus…

Em sequência à recomendação de Rubem Braga de que a poesia é necessária, vamos publicar hoje uma obra do genial poeta português António Fernandes Aleixo (1899 / 1949), que deveria ser mais conhecido no Brasil.

António Aleixo

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NÃO CREIO NESSE DEUS!

Não sei se és parvo se és inteligente
— Ao desfrutares vida de nababo
Louvando um Deus, do qual te dizes crente,
Que te livre das garras do diabo
E te faça feliz eternamente.

II

Não vês que o teu bem-estar faz d’outra gente
A dor, o sofrimento, a fome e a guerra?
E tu não queres p’ra ti o céu e a terra..
— Não te achas egoísta ou exigente?

III

Não creio nesse Deus que, na igreja,
Escuta, dos beatos, confissões;
Não posso crer num Deus que se maneja,
Em troca de promessas e orações,
P’ra o homem conseguir o que deseja.

IV

Se Deus quer que vivamos irmãmente,
Quem cumpre esse dever por que receia
As iras do divino padre eterno?…
P’ra esses é o céu; porque o inferno
É p’ra quem vive a vida à custa alheia!

António Aleixo, in “Este Livro que Vos Deixo…”

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