Monthly Archives: julho 2012

É preciso seguir o exemplo da Rússia e controlar com rigor as ONGs

Francisco Vieira

Senhoras e senhores, vejam este artigo sobre o que acontece na Rússia e tirem suas conclusões:

“A câmara baixa do Parlamento russo (Duma) adotou sexta-feira em terceira e última leitura uma controversa lei que classifica de “agentes estrangeiros” e coloca sob forte controle as organizações não governamentais (ONGs) que possuam financiamento externo e atividade “política”.

O projeto de lei apresentado pelo partido Rússia Unida (no poder), votado em primeira leitura há uma semana e colocado urgentemente na ordem do dia da Duma, apesar dos protestos dos defensores das liberdades, da oposição liberal e dos juristas, foi adotado por 374 votos a favor, três contra e uma abstenção. O texto prevê um registro separado para as ONGs que possuam financiamento externo e participem de alguma “atividade política” no território russo.

O Rússia Unida tem a maioria absoluta na câmara, com 238 dos 450 assentos da Duma. Tanto este partido, liderado pelo primeiro-ministro Dimitri Medvedev, quanto o populista Partido Liberal-Democrata e o Partido Comunista, oposto a toda “ingerência” ocidental, anunciaram que votariam a favor do texto.”

Os autores do projeto de lei citam a experiência estrangeira, nomeadamente a lei similar sobre agentes estrangeiros nos EUA (o Foreign Agents Registration Act – FARA), que foi aprovada ainda nos anos 30 do século passado, mas desde então as regras da sua aplicação foram consideravelmente alteradas e ela abrange hoje, sobretudo os lobistas de interesses políticos e de negócios de determinados países nos EUA.”

Será que os nossos Congresso Nacional e Presidência da República teriam essa coragem?

Qual será a origem do mal brasileiro?

Frederico Mendonça de Oliveira

A origem seria o mau brasileiro, desde o mais reles morador de rua até o presidente da República? Assim tenho ouvido dizerem em desabafos e em falas emocionais ou apenas emissões em que alguns apenas querem ouvir o som da própria voz. O que nos escapa é que jamais tivemos uma real defesa para as ações vindas de fora, isso desde a chegada de Cabral. Sempre estivemos atrás, sempre estivemos aquém de nossa capacidade como povo e como país vivo. Mas o que mais intriga é vermos que os que realmente indigitaram o verdadeiro inimigo foram sempre varridos de cena.

Papos de esquerda sempre foram empolados e assemelhados a um idioma alienígena. Os que se diziam marxistas e que recebiam dos conservadores a pecha de comunas pareciam ter a chave para fazer abrir-se o sésamo, mas sempre foram uma ínfima, irrisória minoria, e jamais poderiam chegar a tornar comunista um país católico ou revolucionária uma gente de índole pacífica. Hoje não se ouvem esses leros barrocos e reveladores de uma obediência a um poder intangível ou simplesmente ininteligível para o brasileiro comum.

Acrescente-se a isso a megalomania dos vermelhos tupiniquins, capazes de se considerar salvadores do mundo, quando jamais passaram de seguidores de uma doutrina cuja essência muitos deles nem sonhavam alcançar ou decifrar. E o desvario dos adeptos da guerrilha montada para peitar os milicos, se até apresentou um cariz heróico e um desapego à vida e desprezo ao medo jamais vistos, acabou sendo apenas um exercício de grupos isolados. Que, se um dia, ao toque de uma vara de condão, chegassem ao poder conduzidos pelo povo sublevado, o que fariam? Seguramente entregariam a nefanda Brasília ao Politburo, “e teríamos triunfado contra o capitalismo perversor”.

Gozado. Aí se formaria outra guerrilha, esta nacionalista, para peitar o soviético invasor. E aí poderia rolar outra confa, porque os EUA seguramente tratariam de “ajudar”, mesmo que em oculto, para recuperar seu magnífico e imperdível quintal ao sul do Equador. Enfim, jamais fomos, jamais seremos nós. Simplesmente porque fomos de início colonizados por gente que não tinha qualquer interesse aqui senão extrativismo e outras coisas nada edificantes em termos de construir um país de verdade. Isso acabou ficando para um futuro e virou até hino do tipo ufanismo bobagem.

###
DESNACIONALIZAÇÃO

Mas tem o pior, e isso ninguém traz à tona. A desnacionalização desde JK – que terá trazido a indústria automobilística responsável pelo monopólio de nossa circulação de riquezas – ocorre de forma de devastação sem freio. O Brasil não tem mais nenhum projeto que não seja atender aos interesses das empresas multinacionais – todas sob um só comando – e nossa identidade foi desmantelada a ponto de estarmos sucateados como País em todos os sentidos e servindo de banquete para a sanha colonizadora multinacional.

Até nossa música foi esmagada pelas formas estrangeiras, e hoje o samba, outrora nossa identidade maior, é apenas um rio que passou em nossas vidas. Fomos o país de Tom Jobim, hoje somos o país de Michel Teló. A distância é de anos luz de retrocesso! E a quem vamos atribuir a causa dessa desgraça? Aos “governos”?

Que o horror começou em 1964, bem, pode. Mas por que não houve, quando da entrega do poder aos civis em 1985, uma retomada radical daqueles anos perdidos em que floresceram as “carreiras” citadas pelo articulista? Não tínhamos mais, àquela altura, uma possibilidade de reorganização?

Não, não tínhamos. A Rede Globo e quejandos, que vieram através da ditadura, fizeram o serviço. Desde a primeira telenovela a Globo tomou o poder. Depois foi Xuxa, Faustão, Chico Anísio – sim, ele mesmo: a Escolinha do Prof. Raimundo foi o maior achincalhe para com nossa Educação, sem contar que levou às profundezas a prática de deseducar, de avacalhar conteúdos, de concretizar a descrença nas instituições, tudo em nome de um deboche como “postura filosófica” – e conteúdos patogênicos que tais.

De fundo musical, os asiáticos Chitãozinho e Xororó puxando um retrocesso que jogou todo o País na sua pré-história cultural. A indigência e a miséria assumiram a dianteira de nossa vida social, e isso é um efeito, não uma causa.

###
OS REVOLUCIONÁRIOS

E os marxistas-leninistas, que certamente não sabem quem é Issachar Zederblum, não deram mais as caras para peitar os civis. Estão aí em empregos públicos ou mesmo posando de ministros e altos funcionários nessa pocilga a que fomos reduzidos e condenados. E não se fala mais nisso. “O revolucionário de hoje é o reacionário de amanhã”…

Gozado é eles agora quererem, de dentro do poder, dizer o que devem os pais fazer para educar os próprios filhos ou classificar de “preconceito lingüístico” a não aceitação do desmantelamento das concordâncias. Chegamos à era do “Nós vai” através de livro distribuído pelo Ministério da Educação – que também se preocupa em ensinar, em cartilha oficial distribuída em escolas, como fazer sexo anal.

Se há efeito, há causa. O diabo é que todos ficam rodando em círculos e rebostejando nos efeitos. E as causas, exercendo um autoritarismo devastador, estão operando sem qualquer olhar de dúvida para elas. Mas tem “Ah! se eu te pego”… Vamo bailá, gente?

Reflexões sobre o Brasil e o modelo político-econômico da China

Paulo Solon

A China é estreitamente governada pelo Partido Comunista Chinês, fundado pelo fabuloso Presidente Mao Tse Tung. E que sua atual fase de prosperidade é decorrente das transformações implantadas, durante décadas, pelos comunistas.

Dizer que a China vivencia atualmente o capitalismo é pura ignorância do que lá de fato acontece. O Brasil não pode competir com a China em seriedade, ética e sinceridade, exatamente pelo fato de querermos queimar etapas sem fazermos estágio no socialismo. Exatamente por praticarmos a ultrademocracia. Essas medidas foram adotadas na China pelo simples fato de estar lá o Partido Comunista Chinês.

###
DIRETRIZES DE MAO

Vejamos o que declarou o Presidente Mao Tse Tung sobre o ultra democratismo:

“Desde que o Quarto Corpo de Exército do Exército Vermelho aceitou as diretivas do Comitê Central do Partido, as manifestações de ultrademocratismo diminuiram acentuadamente. Por exemplo, as decisões do Partido se executam agora relativamente bem; já ninguém apresenta demandas errôneas tais como a de aplicar no Exército Vermelho o “centralismo democrático de baixo para cima” ou a de “somente todo assunto primeiro à discussão dos níveis inferiores e a seguir à dos níveis superiores”. Mas, em realidade, esta supressão é apenas temporal, e não significa ainda (notem “ainda”) a eliminação das idéias ultrademocráticas. Em outras palavras, o ultrademocratismo segue arraigado na consciência de muitos camaradas. Prova disto é a dificuldade que se manifesta em diversas formas ao cumprir as decisões do Partido.

Métodos de retificação:


1. Extirpar no plano teórico as raízes do ultrademocratismo. É preciso assinalar, em primeiro lugar, que o perigo do ultrademocratismo consiste em que prejudica e desintegra por completo a organização do Partido, e debilita e inclusive destrói totalmente sua capacidade combativa, impossibilitando o cumprimento de suas tarefas na luta e causando, por conseguinte, a derrota da revolução. Em segundo lugar, há que assinalar que a origem do ultrademocratismo é a aversão individualista da pequena burguesia à disciplina. Uma vez introduzida no Partido, esta aversão se traduz em idéias ultrademocráticas no campo político e no organizativo, idéias absolutamente incompatíveis com as tarefas de luta do proleteriado.


2. Aplicar rigorosamente no plano organizativo a democracia sob uma direção centralizada.


3. Nenhum organismo do Partido, qualquer que seja seu nível, deve resolver os problemas ligeiramente. Toda decisão, uma vez adotada, deve ser posta em prática com firmeza.


4. Qualquer decisão de alguma importância tomadas pelos organismos superiores do Partido deve ser transmitida o quanto antes aos organismos inferiores e aos militantes de base do Partido.


5. Os organismos inferiores e os militantes de base do Partido devem discutir em detalhe as diretivas dos organismos superiores, tendo em vista compreender a fundo seu significado e determinar os métodos para colocá-las em prática.”

Está tudo em prática sob a direção do Partido Comunista Chinês. Está ao alcance das mais parcas inteligências que esse ministro é portavoz do Partido.

Ou será que ele foi inspirado por Zeus?

Economista prevê que Brasil terá grande mudança na área financeira nos próximos anos

Alana Gandra (Agência Brasil)

O Brasil vai atravessar, nos próximos três ou quatro anos, uma grande mudança na área financeira, diz o economista Ernani Teixeira Torres Filho, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ).

“A queda da taxa de juros é só a cereja do bolo que faltava para o mercado mudar e tornar o Brasil mais parecido com o resto do mundo”, afirmaTorres Filho, que participou do seminário O Brasil e o Mundo em 2022, evento comemorativo aos 60 anos do BNDES.

Torres Filho acredita que as empresas e bancos vão começar a mudar e, nesse cenário, o BNDES também vai se transformar.

“Ele [o BNDES] não vai crescer como um banco de crédito da mesma forma, porque o país vai em direção a utilizar créditos securitizados [títulos do Tesouro Nacional, emitidos em decorrência de recebimento e renegociação de dívidas da União assumidas por força de lei]. As empresas vão começar a lançar mais títulos”.

Com isso, o mercado de títulos no Brasil, que ainda é reduzido e controlado por bancos, na opinião do professor da UFRJ, tende a crescer e o BNDES acompanhará essa transição. A tendência é que o BNDES se firme cada vez mais como um banco de fomento de longo prazo.

A ideia é que o BNDES seja um banco de longo prazo, mas com flexibilidade. ”Ele tem que ser um banco capaz de ocupar espaços ou de responder à necessidade da economia a cada momento. Se o mercado privado se retrai e não dá crédito curto, eu acho que o BNDES entra, dá crédito curto, e sai”. Torres Filho acredita que assim que o mercado privado se aproximar do financiamento de mais longo prazo, o BNDES dará crédito ainda mais longo.

O professor da UFRJ advertiu que em uma concorrência aberta, dificilmente o BNDES terá capacidade de concorrer de igual para igual com o mercado privado, porque não tem as contas dos clientes nem todos os produtos financeiros que a rede privada oferece. “Ele [BNDES] tem uma especificidade. A flexibilidade de um banco que tem 20% do sistema de crédito na mão não é pouca coisa”, acredita.

Uma tola falta de terror

Paul Krugman (Estadão)

O vice-chanceler alemão diz que a perspectiva da saída da Grécia da zona do euro “perdeu sua aura de terror”. Ao mesmo tempo, a revista Der  Spiegel relata que o FMI decidiu que não vale mais a pena gastar mais para salvar o país.

Acho sua falta de terror… perturbadora.

Não estou dizendo que a Grécia deve ser mantida no euro; no fim, é difícil enxergar como isso pode dar certo. Mas, se há alguém na Europa pensando que uma saída da Grécia poderia ser contida com facilidade, é preciso deixar claro que isto é um sonho. Uma vez que um país – qualquer país – tenha demonstrado que o euro não é necessariamente para sempre, os investidores – e os correntistas comuns – de outros países vão certamente reparar nisso. Eu ficaria chocado se uma saída da Grécia não fosse seguida por grandes saques bancários em toda a periferia europeia.

Para conter isto, o Banco Central Europeu teria de oferecer um volume imenso de financiamento bancário – tendo provavelmente que comprar também títulos da dívida soberana, especialmente levando-se em consideração o alto rendimento das obrigações espanholas e italianas que podemos verificar enquanto você lê este texto. Será que os alemães estão prontos para este cenário?

Eu aconselharia todos a ter medo, muito medo. Num comentário paralelo, o rendimento da dívida americana de longo prazo está caindo em território japonês.

Governo se acovarda e os povos indígenas voltam a sonhar em se tornarem países independentes

Carlos Newton

Desculpem, foi engano. Não está valendo o artigo que se escreveu aqui na terça-feira, sobre a questão indígena e a possibilidade de as 206 reservas já existem no Brasil se tornarem países independentes, como tenciona a Organização das Nações Unidas (ONU).

De Brasília, o comentarista Francisco Vieira nos informa que, após intensa polêmica, a Advocacia-Geral da União (AGU) se acovardou e suspendeu os efeitos da Portaria 303, publicada no último 17/7 com o objetivo de regulamentar a atuação dos advogados públicos e procuradores em processos judiciais envolvendo a demarcação de terras indígenas de todo o país.

A informação foi divulgada ontem  pela Fundação Nacional do Índio (Funai), mas ainda não fora confirmada pela AGU, cuja assessoria, procurada, disse não estar ciente da decisão.

Em nota, a Funai informou que o advogado-geral da União, o ministro Luís Inácio Adams, concordou com a suspensão temporária da portaria, atendendo a pedido da própria fundação, para permitir que os povos indígenas possam ser consultados sobre os efeitos da aplicação da medida administrativa.

Confirmada a decisão, a AGU terá que publicar um ato de vacância suspendendo a vigência da portaria até a conclusão das consultas. Durante este período, a Funai terá que ouvir as críticas e sugestões das populações indígenas e apresentar novas propostas ao texto original.

Traduzindo tudo isso: as 206 nações indígenas existentes no Brasil e que já detém mais de 15% do território nacional podem continuar sonhando em se tornarem nações independentes, com fronteiras fechadas, sistema de governo autônomo e até moeda própria, nos termos da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela ONU em 2007.

O assunto é da maior importância e vamos voltar a ele.

Um sonho de Clarice Lispector

Era linda, inteligente, brilhante. Todos a amavam. Nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira,  a escritora, jornalista e poetisa Clarice Lispector (1920/1977). Era muito amiga de Rubem Braga, que nos ensinou que a poesia é necessária.

###
O SONHO

Clarice Lispector

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

« Older Entries