Monthly Archives: maio 2012

O escândalo da paralisação da construção das usinas nucleares versus o escândalo da corrupção

Profa. Guilhermina Coimbra

Importante sem dúvida é atacar a corrupção, em todos os seus níveis governamentais. Porém, há que se ter em mente que os grandes escândalos no Brasil e na política de modo geral, sempre tiveram e continuam tendo o objetivo de distrair a atenção para escândalos bem maiores.

Costumam desviar a atenção, por exemplo, de escândalos bem maiores, como negociatas com bens públicos inegociáveis. Os escândalos até podem ser utilizados para esconder, outro exemplo, objetivos de paralisar o desenvolvimento do Brasil.

Os jornais noticiam que o governo declara que não vai mais construir as usinas nucleares programadas. Vale dizer:

* O governo capitulou e concordou em não concorrer no Mercado Internacional da Energia Nuclear;

* O governo – através dos escândalos da corrupção,contando com a distração e o que pensa ser a ignorância da população brasileira – concordou em deixar os concorrentes acabarem de se locupletar, como vêm se locupletando há anos (através dos consórcios que distribuem a matéria-prima in natura nuclear retirada do subsolo do Brasil, como “cliente preferencial”;

* O governo concordou em, posteriormente, vir a comprar tecnologia pelo Brasil, quando a necessidade obrigar o paísl a construir as usinas que estão programadas há mais de 30 anos;

* E o governo ¨deixou-se convencer” e concordou em comprar tecnologia dispendiosa e inaceitável para um país como o Brasil (eólica, solar) como forma de energizar o Brasil.

São vergonhosos os “argumentos de autoridade” expostos nos jornais.
Deixam tantas desconfianças que dá até para indagar: quem está ganhando ou vai ganhar o quê, quanto e de quem – “para argumentar autoritariamente” com os argumentos falaciosos utilizados.

Como se estivessem “argumentando autoritariamente” para uma massa acéfala. Como se o Brasil fosse uma massa de ignorantes. Como se pudessem desprezar, impunemente, a inteligência, a sagacidade – e a percepção da população brasileira.

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NÃO HÁ O QUE TEMER

Daí, porque, contra-argumentamos: 1) não há por que temer as usinas nucleares, que são milhares nos Estados desenvolvidos, movidas pela matéria-prima nuclear brasileira transformada, em combustível, fora do Brasil; 2) Chernobill é usina ultrapassada, retrógrada, não serve de exemplo, porque os seus reatores são RBMK (reatores enormes/765 m³, extremamente difíceis de serem controlados, porque têm dispositivo de chegada lenta de urgência, não têm controle de refrigeração, o moderador é á grafite, portanto, sujeito á combustão, etc., etc., completamente diferentes dos reatores utilizados nas usinas brasileiras). Desde o primeiro “acidente” que os reatores são os mesmos.

Em 1984, no livro “Urânio Enriquecido: O Combustível do Século” e na tese/mestrado/PUC-RJ sobre o “O Direito e o Desenvolvimento, O Direito Niclear”, está didática e muito bem explicadinha a diferença entre os dois reatores, provando que se ocorreu mesmo o “acidente”, aquilo foi forjado, “marketing” da poderosa indústria nuclear, aproveitando-se de que os reatores eram obsoletos e objetivando dissuadir, pelo terror, eventuais concorrentes.

Para entender as diferenças entre as usinas nucleares da Usina de Fukushima, Japão e as usinas brasileiras, ler no site www.ibin.com.br, fazendo ”download” (ou ler os anexos).

Observem bem os “argumentos de autoridade” com que justificam o fato de terem acordado/concordado em deixar de utilizar a energia nuclear através da necessária construção das usinas nucleares (sabendo que a energia nuclear é a mais econômica, a menos poluente etc. – o Protocolo de Kioto afirma isto, não somos nós, não!

A questão não é de “achismo”, nem de opiniões despidas de cientificidade e de argumentos lógicos. As usinas nucleares são portáteis, podem ser construídas no Nordeste e em qualquer lugar onde forem necessárias, sem dessapossar, sem desalojar populações, sem inundar imensas áreas – e sem prejudicar o meio-ambiente!

Enfim, o governo do Brasil está jogando no lixo a inteligência e a experiência dos técnicos brasileiros, menosprezando as necessidades do Brasil. Está entregando a matéria-prima nuclear por desuso.

O potencial de matéria-prima nuclear – a ser transformado em combustível nuclear – é uma matéria-prima energética do mais alto valor. O seu potencial tem que ter destinação utilitária urgente para suprir as carências do país, energizando-o, principalmente, no Nordeste – exatamente, como estava programado desde os tempos do vice-presidente Marcos Maciel.

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A HISTÓRIA SE REPETE

Há que se exportar somente o excedente da referida matéria-prima valiosa, depois de supridas todas as usinas nucleares, indispensáveis ao desenvolvimento do Brasil.É a história do que antecedeu a exploração do petróleo no Brasil se repetindo pouco inteligentemente!

É lógico que têm que construir o máximo e onde puderem ser construídas, as usinas hidroelétricas. Há que se aproveitar o potencial hídrico do país, expulsando e “botando para correr”, as ONGs sabotadoras, desinformadoras da opinião pública brasileira.

O que não pode ocorrer de modo algum – por ser contrário ás razões científicas e da lógica – é comprar tecnologia dispendiosa com o erário público, priorizando as usinas eólicas e as solares (o Brasil é urbano, só tem edifícios, não têm telhados, e a população brasileira não pode ficar á mercê das intempéries, tipo, se tiver vento, ou, se tiver sol – vamos ter energia.
Ridículos, portanto, os raciocínios expostos pelo governo!

Finalmente, “por amor a arte” e como professora-pesquisadora, formadora de opinião, tenho tentado fazer o meu melhor, rechaçando todos os argumentos falsos, falaciosos, vendidos com a intenção de paralisar o desenvolvimento do Brasil, impedindo-o de dar destino útil aos seus minerais energéticos nucleares.
A percepção brasileira e o Brasil merecem e exigem respeito.

coimbra@ibin.com.br

Conheça o relatório do Mensalão, que tem Dirceu como chefe da quadrilha

O sempre atento comentarista Mário Assis, ex-secretário de Administração do governo do Estado do Rio, nos envia a íntegra do relatório do Mensalão do PT, redigido pelo ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal.

Os réus do chamado núcleo central – JOSÉ DIRCEU, JOSÉ GENOÍNO e DELÚBIO SOARES -, segundo a denúncia recebida por este Plenário, teriam sido os responsáveis por organizar a quadrilha voltada para a compra de apoio político, através dos votos dos parlamentares. Eles respondem, nestes autos, à acusação de crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.”

2. Conheça o Relatório completo de 122 páginas.

Cabral continua fugindo da imprensa

Carlos Newton

É triste e patético. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), continua fugindo da imprensa. Hoje de manhã, ele inaugurou a terceira UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Complexo do Alemão, na zona norte, mas ao final do evento, Cabral deixou o palanque às pressas, ao lado do vice-governador Luiz Fernando Pezão, para eswcapar dos jornalistas.

Pezão era o candidato do PMDB para a sucessão de Cabral em 2014. Mas como o vice-governador foi secretário de Obras no primeiro mandato e era ele quem assinava os contratos com a empreiteira Delta, de Fernando Cavendish, ex-concunhado de Cabral, Pezão agora está fora da disputa.

Cabral quer lançar o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e já encomendou pesquisas para saber se ele tem condições de enfrentar o candidato do PT, senador Lindhberg Farias, e o candidato do PRB, Marcelo Crivella.

Dinheiro aplicado em fundos vai migrar para a Bolsa, mercado futuro, derivativos e nova poupança

Carlos Newton

Agora que a poeira está baixando, os cálculos preliminares mostram que cerca de R$ 100 bilhões das economias dos brasileiros, aplicados em fundos de investimento conservadores, vão render menos do que a poupança a partir do próximo dia 30, quando o BC deve reduzir os juros para 8,5% e a caderneta começar a render 5,95% (70% da taxa Selic) ao ano.

A pedido da Folha, o economista Rafael Paschoarelli, professor da USP, fez um estudo revelando que 25,8% dos R$ 387 bilhões aplicados em fundos DI, de renda fixa e de curto prazo oferecidos pelos bancos renderiam mais se estivessem na poupança.

O levantamento trabalha com a TR a zero, cenário mais provável a partir de junho, e desconsidera os fundos fechados e os voltados a investidores profissionais.

Ao todo, são 205 fundos dos 531 dos mais populares que cobram a partir de 1,28% ao ano de taxa de administração – comissão cobrada pelos bancos para cuidar do dinheiro dos clientes.

Com essa taxa, os fundos terão rendimento líquido de 5,83% em um ano, considerando Imposto de Renda de 17,5% (alíquota para resgate em 361 dias). Ou seja, menos do que os 5,95% previstos para a nova poupança.

Segundo Paschoarelli declarou ao repórter Toni Sciarretta, a alíquota de 17,5% do IR é a mais indicada na comparação com a poupança em um ano por ser também usada pelos bancos para recolher o imposto devido.

“Esses fundos devem perder para a poupança. Devem, porque vários deles vão fazer algo para render um pouco mais. Possivelmente, deverão comprar títulos de empresas privadas, que rendem mais, porém também têm risco maior”, disse Paschoarelli.

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O QUE VAI ACONTECER?

Isso não significa que os bilhões vão migrar para a poupança. Parte desses investimentos já está até migrando, desde o mês passado, quando surgiu a informação sobre a alteração no rendimento da caderneta de poupança.

Mas grande parte do dinheiro dos fundos vai ser aplicada em outras alternativas, como mercado futuro, derivativos e sobretudo a Bolsa de Valores. O que se sabe é que os bancos estão sendo duramente atingidos.

Quanto à expansão do crédito, pretendida pelo governo, acabará acontecendo, porque o negócio dos bancos é justamente esse. O que falta hoje são clientes, porque a tal de nova classe média está bastante endividada.

O carioca tem de ir para as ruas cobrar esclarecimentos do governador Sergio Cabral

Altamir Tojal

O governador tem de explicar não só quem bancou as viagens e as farras com empresários e secretários, mas principalmente o que isso significa em aumento nos custos das obras, benefícios a amigos e financiadores em contratos e mesmo fraudes em licitações. Quando uma obra pública fica mais cara devido à corrupção, o efeito é falta de médico e remédio no hospital do pobre, é saúde, escola e serviços ruins para o povo.

A promiscuidade do governador e seus secretários com a Delta e outras empresas e empresários é vergonhosa. Será indigno se o Rio não exigir explicações de Cabral. Com a tradição política e importância que tem, o Rio não pode se omitir nem se intimidar.

O governador também tem a obrigação de responder à sociedade, à opinião pública, através da imprensa. Sérgio Cabral se nega a falar à imprensa sobre este assunto.

O jornal Estado de S. Paulo protocolou na segunda-feira, junto ao governo do Estado do Rio de Janeiro, um pedido de informações sobre as viagens do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) ao exterior.

O objetivo do requerimento, dirigido ao secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, é obter esclarecimentos sobre visitas do governador a outros países e sobre dúvidas que as envolvem.

Essas dúvidas surgiram após a divulgação de fotos e vídeos nos quais Cabral aparece em um restaurante de luxo em Mônaco com o amigo e empresário Fernando Cavendish, controlador da empresa Delta, investigada pela CPI do Cachoeira.

A poesia é necessária, como dizia Rubem Braga

CARTA A STALINGRADO

Carlos Drummond de Andrade

Stalingrado…

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!

O mundo não acabou, pois que entre as ruínas

outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,

e o hálito selvagem da liberdade

dilata os seus peitos, Stalingrado,

seus peitos que estalam e caem,

enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.

Os telegramas de Moscou repetem Homero.

Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo

que nós, na escuridão, ignorávamos.

Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,

na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,

no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,

na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes.

Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.

Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.

Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.

Saber que vigias, Stalingrado,

sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes

dá um enorme alento à alma desesperada

e ao coração que duvida.

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!

As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.

Débeis em face do teu pavoroso poder,

mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,

as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta,

aprendem contigo o gesto de fogo.

Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças!

Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!

Que felicidade brota de tuas casas!

De umas apenas resta a escada cheia de corpos;

de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.

Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas,

todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,

mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,

ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,

apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,

caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,

sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?

Uma criatura que não quer morrer e combate,

contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,

contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,

contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,

e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado!

Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga.

Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.

Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,

a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

[*] Extraído do livro A Rosa do Povo (poemas escritos
entre 1943 e 1945). Rio de Janeiro: Record, 1987

A vitória de Hollande na França e as eleições nos EUA

Roberto Nascimento

O socialista François Hollande venceu a eleição presidencial, menos por seus méritos, e mais pelos erros do presidente Sarkozy.

Nicolas Sarkozy, o marido de Carla Bruni (de origem italiana), cometeu inúmeros erros de estratégia. O primeiro e fatal foi marchar fileiras com a dama de ferro da Alemanha, a chanceler Angela Merkel, no propósito de impor aos países da Comunidade Européia, um amplo pacote de maldades, seguindo fielmente a receita salgada do FMI, com o objetivo resgatar o pagamento da dívida colossal que os países soberanos europeus fizeram ao longo dos anos com a comunidade financeira mundial.

Então, Sarkozy tentou implantar no país encantado o corte de benefícios da chamada política do Bem-Estar Social, o savoir faire dos europeus copiado em todo o mundo ocidental. A redução dos benefícios dos aposentados assustou os franceses, assim como tem provocado a paralisia da Grécia, a qual não por acaso, os dois partidos da coalizão governamental foram derrotados de forma humilhante, no mesmo domingo da derrota de Sarkozy. Até o partido nazista e os da esquerda pontuaram nessa eleição, o que deverá aumentar a ebulição na Grécia.

Mas, voltando à França, Nicolas Sarkozy, à moda de um falcão americano, comandou na primeira hora a linha de frente do ataque sem precedentes das forças da OTAN ao governo da Líbia. A destruição foi avassaladora, principalmente na capital Trípoli. Redes de energia, aeroporto, abastecimento de água, pontes, viadutos, tudo destruído para minar e tirar do poder o antigo aliado, Muhamar Kadafi. O desfecho militar com a derrubada do ditador líbio, em nada melhorou a popularidade de Sarkozy no front interno.

Para piorar o cenário, o então presidente, para atrair o eleitorado conservador de Marine Le Pen, a terceira colocada no primeiro turno presidencial, discursava contra os imigrantes, principalmente ciganos e muçulmanos. São muitas coisas negativas, que somadas deram o tom da derrota anunciada.

Entretanto, o nó górdio preponderante na perda do poder foi à crise econômica. Desemprego em alta, falta de perspectiva dos jovens em relação ao futuro, déficit público, inflação subindo e a tristeza latente da população. Todas as questões apontadas compuseram o caldo que acabou entornando e decidindo a eleição.

Hollande, o presidente eleito, sabe que o recado foi dado. O povo francês quer mudanças de rumo para sair da crise e voltar a crescer. O novo governo estará diante de duas opções:

1 – Implementar uma política monetarista voltada para a redução do déficit público, diminuição dos gastos do governo, cortes substanciais dos benefícios sociais, aumento da idade limite para a aposentadoria, criação do fator previdenciário, demissão de funcionários públicos e diminuição dos impostos pagos pelos empresários.

2 – Implementação da política desenvolvimentista, cujas ações seguem o script do modo de ser dos socialistas, ou seja, aumento dos gastos públicos, forte participação do estado na economia, criação de empresas estatais, liberação de recursos dos bancos públicos para os empresários com taxas subsidiadas, ampliação dos benefícios sociais, políticas de inclusão no mercado de trabalho para os franceses pobres e emigrantes.

Creio que a segunda opção é a mais adequada, segundo a voz das urnas na França.

Em relação à eleição presidencial nos Estados Unidos, pelos mesmos motivos (economia) que levaram a derrota de Sarkosy é que a reeleição de Barak Obama em novembro está seriamente ameaçada. As pesquisas apontam empate técnico com o republicano Mitt Romney, o que se trata de um mau presságio para o presidente democrata Barack Obama, a poucos meses do pleito.

Excesso de agrotóxicos nas lavouras continua a ser um desafio que o governo não vence

Paulo Peres

O uso excessivo de agrotóxicos nas lavouras brasileiras preocupa cada vez mais especialistas da área de saúde. A aplicação de substâncias químicas para controlar pragas nas plantações e aumentar a produtividade da terra acaba se tornando um problema para os trabalhadores rurais e consumidores, explica o Grupo de Trabalho de Saúde e Ambiente, da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco).

O Grupo, em parceria com outras instituições, lançou, durante o Congresso Mundial de Nutrição, no Rio de Janeiro, um dossiê reunindo diversos estudos sobre o tema. O documento também será apresentado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada em junho no Rio.

De acordo com o professor Fernando Ferreira Carneiro, chefe do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e um dos responsáveis pelo dossiê, as pesquisas indicam que o uso dos agrotóxicos ocorre no país de forma descontrolada.

Para Fernando Carneiro, “o Brasil reforça o papel de maior consumidor mundial de agrotóxicos e nós, que fazemos pesquisas relacionadas ao tema, vemos que o movimento político é para liberalizar o uso. A ideia desse dossiê é alertar a sociedade sobre os impactos do consumo massivo, sistematizando o que já existe de conhecimento científico acumulado”.

Um dos estudos que fazem parte do dossiê foi desenvolvido pelo médico e doutor em toxicologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Vanderlei Pignatti. Ele conduziu análises ambientais e examinou a urina e o sangue de professores e moradores das áreas rurais e urbanas das cidades de Lucas do Rio Verde e Campo Verde, em Mato Grosso. Os municípios estão entre os principais produtores de grãos do estado.

“Observamos resíduos de vários tipos de agrotóxicos na água consumida pelos alunos e pelos professores, na chuva, no ar e até em animais, revela Pignatti. “Além disso, essas substâncias foram encontradas no sangue e na urina dessas pessoas”.

Pignatti adverte que, “a poluição ambiental é elevada e as pessoas ficam ainda mais suscetíveis à contaminação porque não são respeitados os limites legais para pulverização dos agrotóxicos, que são de 500 metros no caso de pulverização aérea e de 300 metros para a pulverização terrestre”.

Em outro estudo o professor Pignatti já havia encontrado resíduos de agrotóxicos no leite materno de moradoras de Lucas do Rio Verde. Foram coletadas amostras de leite de 62 mulheres, três da zona rural, entre fevereiro e junho de 2010, e a presença dos resíduos foi detectada em todas elas.

Vanderlei Pignatti lembrou que, “diversas pesquisas também indicam aumento na incidência de doenças como má-formação genética, câncer e problemas respiratórios, especialmente em crianças com menos de cinco anos de idade”.

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