Monthly Archives: fevereiro 2012

E o Egito, que destronou o coronel-aviador Hosni Mubarak, vai democratizar, como alguns previram ai no Brasil?

Paulo Solon

Mubarak, de piloto de jato Mig russo na guerra árabe-israelense de 1973, se transformou em Faraó, não apenas no novo Al Rais (O Presidente). Foi com o Faraó Mubarak que se formaram os dezenove sequestradores suicidas dirigidos por Mohammed Atta, humilhação aos Estados Unidos, em apenas um dia, decorrente da humilhação do Egito na guerra dos seis dias.

Foi no Egito que Mohammed Atta nasceu e se radicalizou. Tanto Ayman Zawahiri, quanto Mohammed Atef, ajudantes de Bin Laden, foram também radicalizados em sua terra nativa do Egito.

Quais serão os que estão agora sendo radicalizados? Se aqueles homens puderam emergir da terra ao longo do Nilo, é imperativo indagar como estão sendo formados os novos radicais após a chamada Primavera Árabe.. E qual a relação com a proliferação de muçulmanos, tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos?

Como observador dos fatos no exterior, eu costumo diferenciar os termos islâmico e islamista. Uso islâmico para descrever algo que brota da religião do Islam. Uso islamista para descrever os muçulmanos que levam em conta o Islam e seus corolários, Sharia, ou Lei Islâmica, como seus principais pontos de referência, procurando restaurá-los no centro da vida muçulmana, por qualquer meio, inclusive o terrorismo. O dossel islamista cobre extremistas violentos e ativistas políticos moderados que rejeitam a violencia.

Inútil tentar entender o Islam, sem entender o que se passa no Egito, onde existe uma verdadeira paixão pelo Islam. Temos que observar como o reavivamento do Islam está reformulando o Egito e outros países árabes no sentido além violência politica, sem contudo eliminá-la.

Mas não se trata de reproduzir Livingstone em busca das cabeceiras do Nilo, nem Gustave Flaubert se instalando no Hotel du Nil no Cairo, 1849, com sua vida boêmia e com suas devassas. Assim como o Nilo corre no Egito por quase mil e trezentos quilômetros, gerando vida, assim é o caminho de Allah, orientando seu povo.

Apesar de não adotar cristianismo ou democracia, excelentes agentes do socialismo, é bom lembrar que o Egito Islâmico já realizou incursão socialista com Gamal Abdel Nasser, que proclamou em 1952 o “Socialismo Árabe”.
Só que Nasser atuou nesse campo de maneira primária, diferente do que os Estados modernos fazem agora.

Nasser prometeu a cada um educação gratuita, e emprego para cada graduado universitário. Nasser confiscou terras de ricos fazendeiros, dividindo-as entre fazendeiros pobres. Hoje o socialismo é mais sutil. Nasser não foi nem islâmico, nem isslamista.

Egípcios não mais esperam serviços de seus governantes, tendo desistido das promessas de Nasser referentes à ajuda do berço à sepultura. Estão de olho nos ricos cada vez mais ricos por métodos corruptos: favoritismo, nepotismo e suborno, que atingiram proporções epidêmicas em seu país. É a chamada kossa. E também a wasta, uma conexão-suborno com a burocracia capitalista para tirar vantagem.

Todos os países do Oriente Médio atuam em certo grau sobre a wasta, desde o Kuwait até mesmo Israel.No Kuwait eles falam “tomar vitamina W”.

Quando cidadãos ficam desencantados com seus governantes, e não possuem meios de reforma ou retificação, seus corações e mentes se inclinam para a subversão.

As pessoas que no Brasil ainda falam em “Terceiro Mundo” certamente não sabem o que estão dizendo. Brasil jamais foi Terceiro Mundo. A explicação é a que se segue:

Após derrubar o Rei Farouk em 1952, o coronel Gamal Abdel Nasser elevou seu povo a impensadas alturas no palco mundial. Ainda nos seus trinta anos, ele forçou as tropas britânicas a baterem em retirada do Egito. Quando os Estados Unidos se retrairam de uma oferta de financiar a construção da represa de Aswan, Nasser nacionalizou a companhia franco-britânica que operava o Canal de Suez. Em retaliação, os dois países europeus e Israel (sempre Israel tomando carona) invadiram o Egito em 1956. mas mesmo essa crise abrilhantou a imagem de Nasser, pelo fato de as três nações terem que recuar sob pressão dos Estados unidos.

O termo Terceiro Mundo surgiu de uma resposta a atuação bipolar dos países em Guerra Fria. No Terceiro Mundo o aclamado líder egípcio dividiu status de celebridade com Nehru, Kwqanme Nkruma e outros.

E agora, será que o Egito vai se democratizar?

No admirável mundo novo da internet, a CIA monitora até as redes sociais.

O comentarista Sergio Caldieri nos envia esse interessante e inquietante artigo, informando que no Centro de Fontes Públicas da CIA já se cruzam mais de 5 milhões de mensagens por dia.

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Néstor García Iturbe

Os modernos meios de comunicação  são uma benção para a espionagem. A CIA quer que cada pessoa no mundo tenha uma conta no Facebook ou Twitter para estender a caracterização e compreensão de cada um de nós.
O que é que estes instrumentos dão à agência de espionagem? Ao abrir suas informações da conta, são passados vários dados pessoais e não apenas o nome, apelido e endereço. Para “facilitar” o poder de expandir seus relacionamentos e encontrar amigos que desde a infância não tenha ouvido falar deles, também devemos informar a escola onde estudamos, os países visitados, gostos pessoais, esportes que você jogar, tipo de literatura que você lê, entretenimento, música e até  mesmo a comida que mais gosta.

Você começa a entrar em contato com os amigos, relacionamentos-chave e família. Troca mensagens com eles, fornece mais informações sobre você, seu passado, suas aspirações, e até mesmo critérios e comentários sobre o lugar político, social e econômica em seu país, na pessoa a que você stá escrevendo, ou no mundo.

Uma verdadeira bênção, que facilita o trabalho de caracterização da CIA e coloca em suas mãos um volume de informação impossível de obter por outros meios de inteligência.

O Centro de Fontes Públicas da CIA (Open Sources Center) está localizado em McLean, Virginia. É um edifício de tijolos de vários andares, que não se destaca do resto dos prédios que o rodeiam, muitas características semelhantes. A diferença é que neste edifício são interceptados mais de 5 milhões de mensagens diárias que circulam nas redes Facebook e Twitter.

O Centro, sob a direção de Doug Naquin, analista sênior da CIA, tem mais de 800 empregados, computadores de alta velocidade, grandes servidores para o armazenamento. Existe um corpo de tradutores para aqueles que recebem informações em chinês, árabe ou outra língua que não seja regularmente falada  nos Estados Unidos.

Um grupo de trabalho dentro do Centro é responsável por monitorar a imprensa, televisão e rádio, tanto nos EUA como em países prioritários. Este grupo também estuda relatórios de agências internacionais e outros centros de pesquisa sobre questões e situações que foram identificados e fazem parte do acompanhamento a ser realizado.

Embora a maioria do pessoal esteja na Virginia, há muitos desses analistas espalhados pelo mundo e que trabalham em embaixadas dos EUA, especialmente em países prioritários, a fim de estar mais perto da realidade que deve ser relatada.

Os informes mais importantes são incorporados ao relatório diário do Centro (Briefing Intelligence Daily), para que o diretor da Inteligência Nacional repasse ao presidente Obama as informações que tenham maior interesse político-estratégico.

Quando o presidente, em um de seus discursos, fala sobre situações que têm sido priorizadas, o Centro é colocado em alerta para fazer um diagnóstico através do Facebook e do Twitter sobre a reação às palavras de Obama na internet e transmiti-la no dia seguinte. É o admirável mundo novo em ação.

Ascensão e queda de Mario Negromonte, mais um ministro que já era, também repleto de acusações de corrupção.

Carlos Newton

O repórter Gabriel Mascarenhas, do Correio Braziliense, afirma que desde o início de janeiro, o isolamento do ministro Mario Negromonte ficou cada vez mais evidente com o fato de não ter sido chamado para reuniões importantes no Planalto, com pertinência à pasta de Cidades, como a preparatória para grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016.

Esvaziado, esta semana ele colocou o cargo à disposição, atendendo a um desejo do governo e evitando mais desgastes para a presidente e para o próprio partido.

Contra Negromonte pesam denúncias de tráfico de influência, fraude de documentos e até pagamento de propina a correligionários do PP. No ano passado, ele posava de político inatacável, dizendo que havia muitos políticos de ficha suja na bancada do PP, e havia mesmo. Mas Negromonte não é nem um pouco diferente deles. E os próprios correligionários do ministro desde o ano passado tratavam a queda dele como uma questão de tempo.

“Quem decide se demite e quando demite é a presidente, mas, do jeito que está, é ruim para o partido, para o governo, para todo mundo. A situação atual é constrangedora”, afirmou o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), pouco antes do ministro colocar o cargo a disposição.

O repórter Gabriel Mascarenhas diz que mesmo os aliados mais próximos de Negromonte, como Jaques Wagner, não o defendiam mais publicamente.

“Quando Negromonte foi para o ministério, deixei claro que essa era uma indicação do PP. Foi elogiada por mim porque cada baiano que ocupe um papel é importante”, esquivou-se o governador, segunda-feira.

Em novembro, porém, o posicionamento de Wagner era outro. Diante das acusações contra Negromonte, ele foi enfático ao dizer que tais suspeitas eram ridículas e vindas de pessoas que sentiam “muito ciúme da Bahia”, vejam só que tamanha desfaçatez. Como dizia Nelson Rodrigues sobre os mineiros e o câncer, os baianos só são solidários no poder…

Educação para exercer a democracia e vencer as ilusões da ‘bipolaridade’ brasileira

Pedro Ricardo Maximino

A sexta economia mundial, sem a diversidade, a estrutura e o projeto indispensável para o progresso sustentável, exemplifica a nossa “bipolaridade”, as contradições do Brasil de se enaltecer e se depreciar exageradamente, antes mesmo de ouvir as soluções (que são evidentes e repetidas por nossos estudiosos, inclusive aqui nesta Tribuna) e colocá-las em prática. Mais do que as antíteses do nosso dia a dia, superando os paradoxos conjunturais e a propaganda enganosa estrutural.

Interpretamos, em potencial natural, inclusive do nosso povo, e postura política, inclusive dos nossos governantes, o Sr. Oxímoro em pessoa.
Infraestrutura, logística, eficiência, planejamento orçamentário e estrutural, fiscalização ampla, transparência, participação, combate à impunidade e proteção dos recursos que pertencem a todos nós cidadãos e contribuintes, redução da carga tributária, cuja repercussão econômica esmaga os pobres, que sobrevivem com valores próximos ao do histórico salário ínfimo, da renda nacional que obteve louvável mas ainda tão insuficiente valorização real.

Temos a carga tributária digna de um “Welfare State”, mas são tantos os desvios por privilegiados caminhos em viciados procedimentos que a nossa competitividade internacional, com insuficientes exceções, não encontra forças para sair do chão ou para escapar das oscilações das “commoditties”.

Somente o reforço aos mecanismos de democracia direta, deliberativa, dinâmica e interativa, da qual esta Tribuna faz parte hoje e continuará fazendo no futuro, seremos capazes de alcançar conquistas reais e permanentes, com o acesso de todos ao mesmo ponto de partida (educação de qualidade) para criar, cobrar, empreender e lucrar, com uma forte, próspera e competitiva nação.

País rico é país que não se acomoda, combate a corrupção que eterniza a pobreza, se qualifica, aproveita de maneira racional e planejada os seus recursos, sobretudo humanos, cria e se prepara para competir.

Yoani Sánchez: blogueira ou mercenária?

Altamiro Borges

Nas vésperas da visita da presidenta Dilma Rousseff a Cuba, a mídia colonizada fez grande alarde em torno do nome da blogueira cubana Yoani Sánchez. Ela é apresentada como uma “jornalista independente”, que mantém um blog com milhões de acessos e que enfrenta, com muitas dificuldades materiais, a “tirania comunista”, que a persegue e censura.

Na busca pelo holofote midiático, líderes demotucanos e, lamentavelmente, o senador petista Eduardo Suplicy têm posado de defensores da blogueira. Eles se juntaram para pressionar o governo a conceder visto para que Yoani venha ao Brasil assistir a pré-estréia do filme “Conexões Cuba-Honduras”, do documentarista Dado Galvão – que, por mera coincidência, é membro-convidado e articulista do Instituto Millenium, o antro da direita que reúne os barões da mídia nativa.

Mas, afinal, quem é Yoani Sánchez? Em primeiro lugar, ela não tem nada de “jornalista independente”. Seus vínculos com o governo dos EUA, que mantém um “escritório de interesses” em Havana (Sina), são amplamente conhecidos. O Wikileaks já vazou 11 documentos da diplomacia ianque que registram as reuniões da “dissidente” com os “agentes” da Sina desde 2008.

Num deles, datado de 9 de abril de 2009, o chefe da Sina, Jonathan Farrar, escreveu ao Departamento de Estado: “Pensamos que a jovem geração de dissidentes não tradicionais, como Yoani Sánchez, pode desempenhar papel a longo prazo em Cuba pós-Castro”. Ele ainda aconselha o governo dos EUA a aumentar os subsídios financeiros à blogueira “independente”.

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SUBSÍDIOS E “PRÊMIOS” INTERNACIONAIS

Anualmente, o Departamento de Estado destina cerca de 20 milhões de dólares para incentivar a subversão contra o governo cubano. Nos últimos anos, boa parte deste “subsídio” é usada para apoiar “líderes” nas redes sociais. A própria blogueira já confessou que recebe ajuda. “Os Estados Unidos desejam uma mudança em Cuba, é o que eu desejo também”, tentou justificar numa entrevista ao jornalista francês Salim Lamrani.

Neste sentido, não dá para afirmar que Yoani Sánchez padece de enormes dificuldades na ilha – outra mentira difundida pela mídia colonizada. Pelo contrário, ela é uma privilegiada num país com tantas dificuldades econômicas. Além do subsídio do império, a blogueira também recebe fortunas de prêmios internacionais que lhe são concedidos por entidades internacionais declaradamente anticubanas. Nos últimos três anos, ela foi agraciada com US$ 200 mil dólares de instituições do exterior.

Na maioria, os prêmios são concedidos com a justificativa de que Yoani é uma das blogueiras mais famosas do planeta, com milhões de acesso, e uma “intelectual” de prestígio. Outra bravata divulgada pela mídia colonizada. Uma rápida pesquisa no Alexa, que ranqueia a internet no mundo, confirma que seu blog não é tão influente assim, apesar da sua farta publicidade na mídia e dos enormes recursos técnicos de que dispõe – inclusive com a estranha tradução “voluntária” para 21 idiomas.

Quanto ao título de “intelectual” e principal dissidente de Cuba, a própria Sina realizou pesquisa que desmonta a tese usada para projetar a blogueira. Ela constatou que o opositor mais conhecido na ilha é o sanguinário terrorista Pousada Carriles. Yoani só é citada por 2% dos entrevistados – ela é uma desconhecida, uma falsa líder, abanada com propósitos sinistros.

A “ilustre” blogueira, inclusive, é motivo de chacota pelas besteiras que publica e declara em entrevistas à mídia estrangeira. Vale citar algumas que já compõem o “ciberbestiário” de Yoani Sánchez:

- [Sobre a Lei de Ajuste Cubano, imposta pelos EUA para desestabilizar a economia cubana, ela afirmou que não prejudica o povo] “porque nossas relações são fortes. Se joga o beisebol em Cuba como nos Estados Unidos“;

- “Privatizar, não gosto do termo porque tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim“.

- “Não diria que [os chefões da máfia anticubana de Miami] são inimigos da pátria”;

- “Estas pessoas que são favoráveis às sanções econômicas [dos EUA contra Cuba] não são anticubanas. Penso que defendem Cuba segundo seus próprios critérios“;

- [A luta pela libertação dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos] “não é um tema que interessa à população. É propaganda política”;

- [A ação terrorista de Posada Carriles contra Cuba] “é um tema político que as pessoas não estão interessadas. É uma cortina de fumaça“;

- [Mas os EUA já invadiram Cuba, pergunta o jornalista] “Quando?”;

- “O regime [de Fulgencio Batista, que assassinou 20 mil cubanos] era uma ditadura, mas havia liberdade de imprensa plural e aberta”;

- “Cuba é uma ilha sui generis. Podemos criar um capitalismo sui generis”.

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MENTIRAS SOBRE PERSEGUIÇÃO

Por último, vale rechaçar a mentira midiática de que Yoani Sánchez é censurada e perseguida em Cuba. Participei no final de novembro de um seminário internacional sobre “mídias alternativas e as redes sociais” em Havana e acessei facilmente o seu blog. Segundo o governo cubano, nunca houve qualquer tipo de bloqueio à página da “jornalista independente”.

Quanto às perseguições sofridas, Yoani Sánchez tem se mostrado uma mentirosa compulsiva e cínica. Em 6 de novembro de 2009, ela afirmou à imprensa internacional que havia sido presa e espancada pela polícia em Havana, “numa tarde de golpes, gritos e insultos”. Em 8 de novembro, ela recebeu jornalistas em sua casa para mostrar as marcas das agressões. “Mas ela não tinha hematomas, marcas ou cicatrizes”, afirmou, surpreso, o correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg.

O diário La República, da Espanha, publicou um vídeo com testemunhos dos médicos que atenderam Yoani um dia após a suposta agressão. Os três especialistas disseram que ela não tinha nenhuma marca de violência. Diante dos questionamentos, ela prometeu apresentar fotos e vídeos sobre os ataques. Mas até hoje não apresentou qualquer prova.

(Transcrito do Blog Cubadebate)

Parece brincadeira, mas nomearam um ladrão para tomar conta da Casa da Moeda. É a perfeição, em matéria de roubalheira.

Carlos Newton

É muito raro acontecer de uma autoridade corrupta ser demitida em pleno fim de semana, especialmente num governo que fica esperando que ministros corruptos peçam demisão. Mas é que no caso a coisa estava passando dos limites. E o presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, acabou demitido no sábado por receber propina de fornecedores do órgão via duas empresas no exterior em nome dele e da filha, que já teriam movimentado R$ 25 milhões, segundo O Globo.

A exoneração do servidor, indicado para o cargo pelo PTB em 2008, foi formalizada no fim de semana por um funcionário do terceiro escalão do Ministério da Fazenda e publicada segunda-feira no “Diário Oficial da União”.

Detalhe: a Folha de S. Paulo garante que a demissão não ocorreu espontaneamente, como seria de se esperar, com o governo agindo duramente contra um servidor corrupto. Segundo o jornal, a exoneração só teria ocorrido depois que vazou ao Ministério da Fazenda a informação de que a Folha preparava reportagem sobre o caso.

Ouvido pelo jornal, Denucci confirmou a existência das empresas no exterior, mas negou ter feito movimentações financeiras com essas contas, vejam só quanta desfaçatez. Afinal, para que uma autoridade brasileira precisa abrir empresas no exterior? Não confia no país? Acha que nossa economia vai soçobrar, e a crise no exterior será logo superada?

Nomear um cidadão como este Denucci na Casa da Moeda é apenas a confirmação de que o governo brasileiro (o atual e todos os outros) tem mania de colocar raposas para tomar conta dos galinheiros. A piada é velha, mas parece estar cada vez mais moderna.

Brasil precisa ajudar também a Grécia, Portugal e Itália…

Vicente Limongi Netto

Dilma faz muito bem em ajudar países necessitados, como Cuba e Haiti. O Brasil tem tudo. Os brasileiros vivem bem. A comida é farta. Não há miséria, não há mendigos nas ruas. O país não tem enchentes nem desabamentos de casas nem de edifícios.

Ninguém mora pendurado em áreas de risco. O governo é sensacional. Cumpre tudo que promete. Os pais de família são bem empregados. Não há criança sem escola, as quais, por sua vez, são modernas e limpas. Os professores ganham bem, contam com toda estrutura necessária. As rodoviais são seguras, bem sinalizadas. Os serviços públicos são perfeitos. Todos têm segurança. As pessoas sabem que podem ir e voltar sossegados, sem atropelos, para casa. Os aposentados são tratados a pão-de-ló. Todos os milhões de precatórios já foram pagos. Os aeroportos, hospitais, postos de saúde, rodoviárias, são belos exemplos para países desenvolvidos. O brasileiro não reclama de nada. Tem tudo do bom e do melhor. A juventude brasileira é feliz, vive longe das drogas. Os poucos dependentes do vício são prontamente recolhidos e atendidos em clínicas especializadas espalhadas pelo Brasil inteiro. Prossiga, presidente Dilma, leve carinho e dinheiro aos povos que pedem socorro. Aproveite a viagem e vá ajudar também a Grécia, Portugal e a Itália. Nossa, presidente, a senhora é demais!

Supremo decide hoje se cassa os poderes do Conselho Nacional de Justiça. E o corporativismo indica que sim…

Carlos Newton

O explosivo processo que pede a cassação dos poderes do Conselho Nacional de Justiça entra em pauta esta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal. Nessa sessão, os ministros definirão se será ou não mantida a liminar do ministro Marco Aurélio Mello, que suspendeu as investigações do Conselho antes que as corregedorias dos Tribunais estaduais julguem preliminarmente as denúncias.

O ministro Marco Aurélio, ao ser indagado sábado pela repórter Mariângela Gallucci, do Estadão, sobre declarações de magistrados de que por trás da crise do Judiciário estaria o processo do mensalão e de que o STF estaria “emparedado” foi afirmativo: “Nessa quadra psicodélica, tudo é possível.”

Para Marco Aurélio, ao contrário do que deveria ser, existe atualmente no Supremo uma preocupação muito grande em relação à repercussão das decisões. “O dia em que atuarmos de acordo com o clamor público estaremos mal”, advertiu. “Nos meus quase 22 anos de STF nunca houve isso.”

O ministro lembrou que já disse no plenário do STF que a magistratura está intimidada. “Será que o Supremo também está?”. Ele citou o fato de o tribunal não ter julgado no ano passado a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que questiona o poder do Conselho Nacional de Justiça de iniciar por conta própria investigações contra magistrados suspeitos de envolvimento com irregularidades, apesar de ter sido colocada na pauta do plenário semanas antes.

“Qual foi a sinalização quando se deixou de chamar a Adin (do CNJ)? Qual é a leitura que se faz? Só o ingênuo não percebe”, afirmou MarcO Aurélio, que. Diante do fato de o plenário não ter julgado o processo, resolveu decidir sozinho o pedido de liminar, determinando que o CNJ inicie investigações contra magistrados somente após os tribunais locais já terem apurado as suspeitas.

Agora, quem decide é o plenário. E tudo indica que o corporativismo continuará falando mais alto. Podem apostar.

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