O PT envelheceu

Carlos Chagas

Fica difícil avançar previsões a respeito de que partido alcançará maioria na Câmara, nas eleições de outubro. Há quatro anos o PT chegou na frente, com mais deputados do que o PMDB, tradicionalmente ocupante da posição. A duras penas, até hoje, apesar dos troca-troca, os companheiros mantiveram o título de maior bancada. A dúvida é se continuarão.

Entre os dirigentes maiores do PT, a começar pelo Lula, registra-se certa inquietação sobre se o desgaste da presidente Dilma como candidata à reeleição repercutirá nas eleições para o Congresso. No Senado, dada a renovação de apenas um terço de seus integrantes, deverá permanecer o mesmo conjunto de forças, com a maioria folgada do PMDB. O diabo é a Câmara, onde PT até hoje vem equilibrando o jogo, com sua maioria.

Um dos principais fatores da intranquilidade é a falta de renovação nos quadros do partido oficial. Fora exceções, são os mesmos que há tempos o conduzem, nos estados. Melhor exemplo não há do que a má vontade dos caciques petistas diante da candidatura do senador Lindbergh Farias a governador do Rio. Ele parece haver embaralhado acordos e tendências.

Numa palavra, o PT envelheceu. Qual a alternativa para uma hoje improvável substituição de Dilma como candidata, a não ser o Lula. Como alternativa para a presidência da Câmara, sobrou Arlindo Chinaglia, não propriamente um novato.

Pior fica a situação quando se nota que, além das pessoas, as ideias e os propósitos também não foram renovados. Falta aquela garra que marcou a fundação e os anos iniciais do partido. Em vez de mudar, foi mudado.

 

Como opera a propaganda dos EUA

Paul Craig Roberts
Creators Syndicate

Por que os EUA não se uniram ao presidente Putin da Rússia, que exigiu investigação internacional objetiva, não politizada, feita por especialistas, do caso do avião da Malaysian Airlines?

O governo russo continua a distribuir fatos, inclusive fotos de satélite que mostram que havia Buks antiaéreos ucranianos em pontos dos quais o avião de passageiros pode ter sido abatido por aquele tipo de veículo armado, e documentos de que um jato de combate ucraniano SU-25 aproximou-se rapidamente do avião malaio antes de o avião ser abatido. O chefe do Diretorado de Operações dos militares russos disse em conferência de imprensa em Moscou que a presença do jato militar ucraniano foi confirmada pelo centro de monitoramento de Rostov.

O Ministério de Defesa da Rússia observou que, no momento em que o MH-17 foi abatido, um satélite dos EUA sobrevoava a área. O governo russo exige que os EUA disponibilizem as fotos e dados capturados por aquele satélite.

O presidente Putin já repetiu várias vezes que a investigação do voo MH-17 requer “um grupo representativo de especialistas trabalhando juntos sob orientação da ICAO (International Civil Aviation Organization).”

COMO AGE PUTIN?

Putin, ao exigir investigação independente pelos especialistas da ICAO não age como quem tenha algo a esconder.

Falando diretamente a Washington, Putin disse: “Até que se conheçam os resultados dessa investigação, ninguém [nem a “nação excepcional”] tem o direito de usar essa tragédia para fazer avançar seus objetivos políticos egoístas estreitos.”

Putin relembrou aos EUA: “Nós várias vezes pedimos que os dois lados suspendessem imediatamente o banho de sangue e sentassem à mesa de negociações. O que se pode dizer com certeza é que, se as operações militares não tivessem sido reiniciadas [por Kiev] no dia 28/6 no leste da Ucrânia, essa tragédia não teria acontecido.”

COMO AGEM OS EUA?

Dia 20/7, o secretário de estado dos EUA, confirmou que federalistas pró-Rússia estavam envolvidos na derrubada do avião malaio, e disse que seria “bem claro” que a Rússia está[ria] envolvida. Eis as palavras de Kerry: “É bem claro que há um sistema que foi transferido da Rússia para as mãos de separatistas. Sabemos com certeza, com certeza, que os ucranianos não têm tal sistema em ponto algum nos arredores daquele local naquela hora, portanto é óbvio que há um dedo muito claro dos separatistas.”

A declaração de Kerry é mais uma da infindáveis mentiras que secretários de Estado dos EUA mentiram ao longo do século 21. Quem poderia esquecer o pacote de mentiras que Colin Powell mentiu descaradamente na ONU sobre as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein? Ou a mentira que Kerry repetiu incontáveis vezes, de que Assad “usou armas químicas contra seu próprio povo”? Ou as infindáveis mentiras sobre “bombas atômicas do Irã”?

Recordem que Kerry, várias vezes, disse que os EUA teriam provas de que Assad ‘cruzara’ a “linha vermelha” e usara armas químicas. Mas Kerry jamais conseguiu comprovar o que dizia, nunca apresentou uma única prova, que fosse. Os EUA não tinham prova alguma a entregar ao primeiro-ministro britânico, nem mesmo para ajudá-lo a conseguir que o Parlamento aprovasse a participação britânica ao lado dos EUA, num ataque militar contra a Síria! O Parlamento então disse ao primeiro-ministro inglês: “sem provas, nada de guerra”.

KERRY, OUTRA VEZ…

Agora, aí está Kerry outra vez a declarar que tem “certeza”, em ‘declarações’ que já foram desmentidas por fotos do satélite russo e incontáveis provas de testemunhas no solo.

Por que Washington não distribui as fotos do satélite norte-americano? A resposta é: pela mesma razão pela qual Washington não distribuirá os vídeos que confiscou e que, dizem os EUA, ‘comprovam’ que um avião de passageiros sequestrado atingiu o Pentágono dia 11/9. Nenhum vídeo comprova o que os EUA mentem sobre o 11/9; assim como nenhuma foto de satélite comprova as mentiras de Kerry sobre o avião malaio.

Inspetores de armas da ONU em campo, no Iraque, relataram que o Iraque não tinha armas de destruição em massa. Mas esse fato comprovado, porque desmascararia a propaganda dos EUA, foi simplesmente ignorado. Os EUA iniciaram guerra terrivelmente destrutiva, baseados numa mentira intencional mentida em Washington.

O CASO DO IRÃ

Inspetores da Comissão Internacional de Energia Atômica em campo, no Irã, e todas as 16 agências de inteligência dos EUA relataram que o Irão não tinha (como não tem) programa de armas nucleares. Mas esse fato comprovado era inconsistente com a agenda de guerra de Washington e foi ignorado: pelo governo dos EUA e pela imprensa-empresa press-tituta.

Agora estamos testemunhando a mesma coisa, ante a ausência de qualquer evidência que comprovasse que a Rússia teria algo a ver com a derrubada do avião malaio.

Nem todos, no governo dos EUA, são tão irresponsáveis e imorais quanto Kerry e John McCain. Esses mentem. A maioria dos agentes do governo dos EUA vivem de insinuações.

UM EXEMPLO PERFEITO

A senadora Diane Feinstein é exemplo perfeito. Entrevistada pelo canal CNN da imprensa-empresa press-tituta, Feinstein disse: “A questão é: onde está Putin? Eu diria ‘Putin, seja homem. Você tem de falar ao mundo. Tem de dizer. Se foi um erro, como espero que tenha sido, diga!”

Putin não faz outra coisa que não seja falar ao mundo, sem parar, exigindo que se faça investigação por especialistas, não politizada. E Feinstein a perguntar por que Putin se esconde em silêncio! Feinstein lá estava para insinuar que ‘sabemos que você é culpado. Só não sabemos se foi crime deliberado ou acidental.’

O modo como todo o ciclo ocidental de noticiário foi orquestrado para instantaneamente culpar a Rússia, desde muito antes de que surja qualquer informação real confiável, sugere que a derrubada do avião malaio foi operação dos EUA.

IMPRENSA PRESS-TITUTA

É possível, é claro, que a bem adestrada imprensa-empresa press-tituta não precise de orquestração alguma vinda de Washington, para imediatamente culpar a Rússia. Por outro lado, alguns dos desempenhos ‘televisivos’ parecem tão bem ensaiados, que simplesmente têm de ter sido preparados com antecedência.

Também foi preparado com antecedência o vídeo de Youtube montado para ‘mostrar’ um general russo e federalistas ucranianos discutindo que teriam acabado de, por engano, derrubar um avião de passageiros.

Como já comentei, esse vídeo tem dois vícios insanáveis: já estava gravado desde antes do acidente; e, ao apresentar o que seria a fala de um militar russo, esqueceu que qualquer militar saberia ver as diferenças entre um avião de passageiros e um avião militar de combate. A própria existência daquele vídeo já implica que houve um complô para derrubar o avião e culpar a Rússia.

Já vi relatórios que dizem que o sistema russo de mísseis antiaéreos, como um de seus dispositivos de segurança, faz contato com os transponders das aeronaves, para verificar o tipo de aeronave que aparece em seu alvo. Se esses relatórios estão corretos e se os transponders do MH-17 forem encontrados, é possível que lá esteja gravado o contato.

MUDANÇA DE ROTA

Já vi notícias que dizem que o controle aéreo ucraniano mudou a rota do MH-17 e o mandou sobrevoar diretamente a área de conflito. Os transponders também indicarão se isso é verdade. Se for, há claramente uma prova, pelo menos circunstancial, de que foi ato intencional de Kiev – e ato que teria de ter sido aprovado pelos EUA.

Há notícias ainda de que haveria uma divergência entre os militares ucranianos e milícias não oficializadas formadas por extremistas ucranianos de direita, que aparentemente foram os primeiros a atacar os federalistas. É possível que Washington tenha usado aqueles extremistas para derrubar o avião malaio, para inculpar os russos e usar as acusações para pressionar a União Europeia a acompanhar as sanções unilaterais dos EUA contra a Rússia. Sabe-se que os EUA estão desesperados para conseguir quebrar os crescentes laços econômicos e políticos entre Rússia e Europa.

Se havia um complô para derrubar um avião de passageiros, todos os dispositivos de segurança do sistema de mísseis teriam sido desligados, para que não abortassem o ataque e para que não houvesse registro de ataque, não acidental, mas deliberado. Essa pode ser a razão pela qual os ucranianos mandaram um jato para ‘inspecionar’ de perto o avião malaio. É possível que o alvo fosse o avião presidencial de Putin, e a incompetência dos criminosos os tenha levado a destruir um avião de passageiros.

MENTE ABERTA

Há inúmeras explicações possíveis. É importante, agora, manter a mente aberta e resistir contra a propaganda dos EUA, até que apareçam os fatos e as provas. No mínimo, os EUA são culpados por usar o incidente para inculpar os russos ‘antecipadamente’, antes de qualquer prova.

Até agora, Washington só distribuiu acusações gratuitas e insinuações. E se Washington continuar a só distribuir acusações e insinuações sem provas… logo se saberá com certeza de quem é a culpa.

Enquanto isso, lembrem do menino que gritou “lobo!”, sem haver lobo algum, muitas vezes. Tantas vezes mentiu que, quando o lobo afinal realmente apareceu, ninguém acreditou nos gritos do menino. Será esse o destino final de Washington?

ATRÁS DE MENTIRAS

Nas guerras que declarou ao Iraque, ao Afeganistão, à Líbia, à Somália e à Síria, os EUA sempre se esconderam atrás de mentiras. Por quê? Se Washington quer guerra contra o Irã, a Rússia e a China, por que não declara guerra?

A razão é que a Constituição dos EUA exige que, para que haja guerra, o Congresso emita uma Declaração de Guerra. Com esse dispositivo, se esperava que o Congresso conseguisse impedir que o Executivo fizesse as guerras que quisesse, para promover as agendas ocultas que bem entendesse. Agora, quando já abdicou dessa responsabilidade constitucional, o Congresso dos EUA já é cúmplice nos crimes de guerra do Executivo.

E ao aprovar o assassinato premeditado de palestinos por Israel, o governo dos EUA já é cúmplice também nos crimes de guerra de Israel.

Agora, se pergunte você mesmo, e responda: o mundo não seria mais seguro, lugar de menos morte, menos destruição e menos refugiados sem teto, e não seria lugar de mais verdade e mais justiça, se os EUA e Israel não existissem?

Defesa de Cerveró vai responsabilizar Dilma e o Conselho Administrativo por Pasadena

Fernanda Nunes
O Estado de S. Paulo

A presidente Dilma Rousseff e os outros membros do conselho administrativo da Petrobrás em 2006  serão o alvo da defesa do ex-diretor da estatal Nestor Cerveró em sua argumentação contra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de responsabilizar a antiga diretoria pela compra da refinaria de Pasadena em condições desfavoráveis à estatal.

Dilma, que presidia o conselho administrativo na época da compra da refinaria, e os demais conselheiros do período foram inocentados de qualquer responsabilidade pelo Tribunal, que considerou que a presidente não teve o acesso devido às informações sobre as condições do contrato. Em contrapartida, o TCU responsabilizou, na quarta, os diretores pela aquisição e decidiu pelo bloqueio dos seus bens.

O argumento do advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, é que, pelo estatuto da empresa, o conselho de administração é o único responsável por qualquer aquisição. Ele cita trechos do estatuto que exigem do presidente do conselho tomar conhecimento dos detalhes das negociações. “O presidente do conselho pode pedir esclarecimentos sobre os contratos. O resumo executivo é meramente uma apresentação, um suplemento ao que é obrigatório”, afirmou.

NÃO SABIA DE NADA

Dilma, em resposta à reportagem do Estadão de março deste ano, disse não ter sido informada de cláusulas do contrato consideradas inapropriadas. São elas a de Put Option, que prevê que, em caso de desentendimento entre os sócios, a Petrobrás seria obrigada a adquirir a totalidade das ações da refinaria; e a Marlim, que determina que a Astra Oil, então sócia da estatal na usina, teria a garantia de retorno financeiro de 6,9% ao ano.

“O ministro relator foi induzido ao erro. Ele partiu de um pressuposto falso, que inúmeras vezes repetido, passou como se fosse verdadeiro. É falsa a declaração de Dilma de que o resumo executivo das condições de compra de Pasadena era técnica e juridicamente falho. Essa argumentação acabou responsabilizando quem não deveria ser responsabilizado, os diretores”, argumentou Ribeiro.

Ele diz que a diretoria, na época, encaminhou documentação sobre as condições do contrato à secretaria-geral da Petrobrás, que tem como obrigação encaminhá-la ao conselho para apreciação. “Se a secretaria não encaminhou, os conselheiros não poderiam ter decidido pela compra”, contestou.

CONTRA A DECISÃO

Além de atacar o conselho de administração da estatal, o advogado de Cerveró focou também no ministro José Jorge, relator do processo no TCU. Por meio de petição apresentada nessa quarta, ele tentará invalidar a decisão do Tribunal de responsabilizar os diretores com o argumento de que o ministro não poderia ocupar a posição de relator por já ter sido membro do conselho da Petrobrás.

“Ele foi presidente do conselho de administração da Petrobrás em 2001 e 2002, tem interesses em sua decisão. Não basta o julgador ser um homem honesto e íntegro. Ele precisa parecer. Para isso, não deveria ser julgador”, disse Ribeiro.

Vergonha nacional: Justiça do Estado do Rio protege os fichas-sujas e garante a candidatura deles

Daniel Biasetto e Juliana Castro / O Globo

O Brasil tem cerca de 14 mil políticos e agentes públicos condenados nos tribunais de Justiça que, caso sejam candidatos, devem ser impedidos de disputar as eleições deste ano, que começam neste domingo. Levantamento exclusivo obtido pelo Globo junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) permitiu reunir as condenações por improbidade administrativa e por atos previstos na Lei da Ficha Limpa que tornariam os réus inelegíveis para o pleito deste ano.

Juntas, as pessoas envolvidas nos 14.175 processos em que houve condenação nos tribunais regionais federais das cinco regiões, tribunais de Justiça estaduais e Supremo Tribunal Federal (STF) devem pagar à Justiça, entre multas e ressarcimentos, cerca de R$ 3 bilhões em decorrência de infrações criminais cometidas.

- Pode acontecer de uma pessoa ter mais de uma condenação em instâncias jurídicas diferentes, mas que não altera muito o número total de agentes punidos, que fica em torno de 14 mil – explica Clenio Jair Schulze, juiz auxiliar da Presidência do CNJ.

CADASTRO NACIONAL

Os dados do cadastro nacional de condenados por ato de improbidade administrativa e por ato que implique inelegibilidade mostram ainda que a unidade da federação com o maior número de agentes públicos ou particulares envolvidos nos processos em tribunais estaduais é São Paulo, com 2.903 condenações, seguida do Distrito Federal com 2.515, e do Paraná, com 1.581. O Rio de Janeiro é o 14º colocado, com 170 condenados.

O cadastro é alimentado pelos próprios tribunais com informações de processos transitados em julgado (quando não cabe mais recurso) e com condenações em segunda instância por crimes contra a administração pública e outros que tornam a pessoa inelegível.

O fato de haver um número menor de condenações em estados com população maiores que outros pode significar que existe maior ou menor controle entre as instâncias jurídicas, e até mesmo falhas de juízes que deixaram de alimentar o cadastro nacional. Em Rondônia, por exemplo, o sistema tem 623 nomes, enquanto o do Rio tem 170.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGRondônia tem 1,73 milhão de habitantes, enquanto o Estado do Rio de Janeiro tem quase dez vezes mais – 16,4 milhões. Então, como Rondônia pode ter 623 inscritos no cadastro nacional dos fichas-sujas e o Rio de Janeiro ter apenas 170. Fica mais do que evidente que a Justiça do Rio de Janeiro está protegendo os fichas-sujas, garantindo suas candidaturas. Come o se vê, no Rio de Janeiro a Justiça está podre e o tribunal fede a quilômetros. É um verdadeiro lixão, a céu aberto e impune. (C.N.)

Lula se adianta e já gravou uma série de vídeos para exibir no horário eleitoral, em agosto

Em mais um vídeo da série feita pelo Instituto Lula, para a campanha no horário eleitoral, que começa dia 19 de agosto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu que os jovens precisam, além de reclamar, questionar sobre o quê podem fazer para contribuir com seu país.

“Às vezes digo para os meus filhos: posso perder a esperança porque tenho 68 anos e vou completar 69 em 27 de outubro. Meus sonhos e esperanças têm que ser menores do que o sonho e a esperança de um moleque de 16, 17 anos, que está em casa, que está no iPad falando mal de alguém”, afirmou no vídeo divulgado nesta segunda-feira, 21.

“Além de sentar na frente da televisão, do computador e xingar todo mundo, dizer que ninguém presta, é preciso perguntar: o que eu fiz?”, complementou.

SEM FAZER NADA

Esse é o sétimo vídeo da série. Em um deles, o ex-presidente defendeu a realização de uma reforma política feita por iniciativa popular que acabe com “partidos laranja” e “partidos de aluguel”.

No vídeo desta segunda, o ex-presidente contou que, certa vez, fez um curso no sindicato em que a professora perguntava sobre os sonhos de cada um e o que estavam fazendo para concretizá-los. “Muitas vezes ficávamos decepcionados porque a gente não tinha feito nada”, disse. “Tem que levantar a cabeça e ter esperança. Tem que colocar a cabeça no travesseiro e perguntar: O que eu fiz de bom hoje?”, sugeriu.

O ex-presidente recorreu às suas histórias de vida e disse que é preciso trabalhar por “coisas concretas. “Em vez de ficar reclamando daquilo que os outros fazem, daquilo que os outros têm, acho que temos que trabalhar para coisas concretas.”

Brasil mantém condenação “a uso desproporcional da força” por Israel em Gaza

Flávia Albuquerque e Bruno Bocchini
Agência Brasil 

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, defendeu hoje (24) a posição do governo brasileiro que, em nota divulgada ontem (23), condenou “energicamente o uso desproporcional da força” por Israel em conflito na Faixa de Gaza.

“Condenamos a desproporcionalidade da reação de Israel, com a morte de cerca de 700 pessoas, dos quais mais ou menos 70% são civis, e entre os quais muitas mulheres, crianças e idosos. Realmente, não é aceitável um ataque que leve a tal número de mortes de crianças, mulheres e civis”, disse o ministro. “E é sobre esse fato que essa nova nota fala”, ressaltou Figueiredo, após participar, em São Paulo, de evento na Fundação Getulio Vargas.

O ministro lembrou que, na semana passada, o Itamaraty já havia divulgado nota condenando o movimento islâmico Hamas pelos foguetes lançados contra Israel, e também Israel pelo ataque à Faixa de Gaza. “Israel se queixa que, na última nota, não repetimos a condenação que já tínhamos feito. A condenação que já tínhamos feito continua somos absolutamente contrários ao fato de o Hamas soltar foguetes contra Israel. Isso se mantém. Não há dúvida. Não pode haver dúvida disso”, afirmou Figueiredo.

Ele acrescentou que a última nota do Itamaraty não omite nada que foi dito antes. “Ao contrário,a gente pede o cessar-fogo imediato. Cessar-fogo quer dizer o quê? [Cessarem] os ataques das duas partes. Não há cessar-fogo unilateral, não é isso que a gente pede. A gente pede que as duas partes parem os ataques. Isso permanece.”

UM DOS ONZE PAÍSES…

Figueiredo rebateu ainda afirmação do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, que, segundo o jornal The Jerusalem Post, classificou o Brasil de “anão diplomático”, apesar de sua posição econômica e cultural.  “O que eu li é que o Brasil é um gigante econômico e cultural, e é um anão diplomático. Eu devo dizer que o Brasil é um dos poucos países do mundo, um dos 11 países do mundo, que têm relações diplomáticas com todos os membros da ONU [Organização das Nações Unidas]. E temos um histórico de cooperação pela paz e ações pela paz internacional. Se há algum anão diplomático, o Brasil não é um deles, seguramente”, reagiu o chanceler.

Segundo Figueiredo, as declarações do porta-voz da Chancelaria israelense não devem, porém, estremecer as relações de amizade entre os dois países. “Países têm o direito de discordar. E nós estamos usando o nosso direito de sinalizar para Israel que achamos inaceitável a morte de mulheres e crianças, mas não contestamos o direito de Israel de se defender. Jamais contestamos isso. O que contestamos é a desproporcionalidade das coisas”, destacou.

O chanceler também defendeu a posição brasileira assumida no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O Brasil votou favoravelmente à condenação da atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e à criação de uma comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.

“A maioria apoiou, inclusive a América Latina inteira. Nós estamos junto da nossa região e apoiamos, neste caso, uma investigação internacional independente para determinar o que aconteceu, o que está acontecendo. Eu acho razoável haver essa investigação internacional independente, e foi a favor disso que nós nos manifestamos.”

Israel diz que o Brasil continua sendo “um anão diplomático”

Deu no Yahoo

Após críticas à postura israelense no conflito com palestinos na Faixa de Gaza, o Ministério das Relações Exteriores de Israel, por meio de seu porta-voz Yigal Palmor (foto), afirmou que o Brasil é um “anão diplomático”.

“Essa é uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua sendo um anão diplomático”, afirmou Palmor ao The Jerusalem Post, ao comentar as declarações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que considerou “inaceitável” o conflito na Faixa de Gaza, ponderando que Israel usou “força desproporcional” nas ofensivas.

Ainda sobre as afirmações brasileiras, Palmor afirmou que esse tipo de declaração tem “relativismo moral que faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante”.

O Brasil foi um dos 29 países que votaram na última quarta-feira (23) pela investigação das ações de Israel em Gaza.

O príncipe e o sem-teto

Mauro Santayana
(Hoje em Dia)

O príncipe George, filho de Catherine Midleton e do príncipe William, da Inglaterra, completou ontem um ano de vida. Segundo a AFP, “em comemoração à data, a coroa britânica divulgou imagens exclusivas do menino de cabelo louro, vestindo um macacão azul e uma camisa azul marinho”, registradas, há alguns dias, em um museu londrino. “ao qual o duque e a duquesa de Cambridge levaram seu filho para ver uma exposição sobre borboletas”. Em uma das imagens George aparece andando, cena saudada como “Os primeiros passos seguros do futuro rei da Inglaterra”, pelo Sunday Telegraph.

É triste. Mas devemos cumprir o doloroso  dever de informar, que, segundo um último balanço, também publicado ontem, 143 crianças palestinas, 80 delas com menos de 12 anos de idade, não poderão ver as borboletas do museu britânico, nem nenhuma outra que estiver voando por aí,  por terem perecido, segundo a UNICEF, desde que começou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Nem elas poderão fazê-lo, nem o pequeno bebê de onze meses, que morreu no hospital, depois de ter ficado trinta e cinco horas, soterrado, com sua família, sob um prédio em construção que desabou em Aracaju.

CADA VEZ MAIS FÚTIL

A humanidade está – infelizmente – cada vez mais fútil.  Incapazes de revestir sua própria vida de maior interesse, enriquecendo-a com um pouco de cultura, ou dos sentimentos de justiça e solidariedade, milhões de pessoas mergulham no culto a “celebridades”, às vezes tão efêmeras e descartáveis como lâminas de barbear, e acompanham suas peripécias pelas publicações disponíveis nas salas de espera e nos salões de cabeleireiro.

O pequeno príncipe britânico, herdeiro da opulência de um império que cresceu pela exploração de dezenas de colônias e povos como os indianos, ou os aborígenes canadenses e australianos, acaba de entrar na lista – tão ridícula como absurda – das “dez crianças mais poderosas do mundo”.

SEM-TETO BRASILEIRO

O pequeno sem teto brasileiro, um mês mais novo que ele, morreu de frio e inanição, no escuro, debaixo das ruínas  do prédio em construção – no qual sua família dormia por não ter outro lugar para ir – porque sua mãe não conseguia se mover para aquecê-lo e amamentá-lo.

Os meios de comunicação noticiaram os dois fatos, cada um, naturalmente, em sua correspondente seção. Uma, festiva, perto das notas de variedades ou editoriais de moda. A outra, nas notícias de polícia, ou de cidades, lamentando, como não poderia deixar de ser, o desabamento do prédio e as vítimas do acidente de Aracaju.

Faltou alguém somar os dois meninos, e pensar, ao menos por um segundo, em seus diferentes destinos. Perguntando-se, porque, em pleno Século XXI, algumas crianças ainda nascem em suntuosos palácios, enquanto outras continuam morrendo debaixo de bombas em Gaza, ou sob os escombros de uma marquise, porque não tinham – como certo menino que nasceu em uma manjedoura – outro lugar para se abrigar.

Guido Mantega e o PIB titubeante

Percival Puggina

Em 30 de agosto de 2013, nosso ministro da Fazenda, num surto de otimismo, afirmou à Agência Brasil que esperava um crescimento de 4% no PIB brasileiro durante o ano de 2014. Depois de ter errado todas as suas previsões para o ano de 2013, ele acabou errando, também, em 2014. Ao longo deste ano, as estimativas do ministro foram declinando, minguando, passaram para algo como 2,5%, depois para 2,3% e ontem seu otimismo levou um novo tombo, rebaixando a estimativa para mero 1,8%.

A coisa não pára aí. Estamos no início do segundo semestre e o ministro já lançou essa nova previsão porque os mercados sinalizam números bem piores. Espera o governo que a informação puxe para cima as estimativas do mercado. De fato, os analistas ouvidos no Boletim Focus já falam em 0,97%. Ou seja, uma quarta parte do que Mantega colhia de sua bola de cristal nas previsões feitas em agosto de 2013.

Num ano eleitoral, é muito ruim ao governo que o cenário aponte para uma estagnação da economia porque, junto com ela, há um corolário de redução do emprego e aumento dos gastos com o seguro desemprego.

Amigo é para essas coisas: Ministro José Eduardo Cardozo intercedeu por Paulo Maluf junto à Interpol

José Carlos Werneck

Segunto matéria do jornalista Rodrigo Vilela, publicada,no site “Diário do Poder”, o deputado Paulo Maluf declarou ao programa “Poder e Política”, que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, intercedeu por ele junto ao governo dos Estados Unidos para tirar seu nome da lista de procurados da Interpol.

Cardozo enviou ao governo norte-americano um comunicado perguntando a respeito da possibilidade de Maluf ser ouvido no Brasil sobre a acusação de usar instituições do país no suposto desvio de dinheiro na construção da avenida Água Espraiada, atualmente, Jornalista Roberto Marinho, em São Paulo. O fato foi confirmado pelo Ministério da Justiça.

De acordo com o ministério, o caso de Maluf foi o único até agora com essas características: brasileiro, com residência fixa e com aviso de procurado na Interpol para ser preso nos EUA, requerendo o direito de ser ouvido no Brasil, mas se outro cidadão, nesta condição, solicitar ajuda ao governo, será atendido.

Coincidentemente Maluf e seu advogado só procuraram o ministro José Eduardo Cardozo quando o deputado e seu partido, o PP, apoiaram a campanha do petista Fernando Haddad pela Prefeitura de São Paulo, em 2012. O deputado se encontrou com o ministro mais de uma vez nos últimos dois anos para tratar do assunto, mesmo após o governo norte-americano negar a solicitação de Maluf.

Paulo Maluf criticou a atitude do governo brasileiro. “O que estranho é que um brasileiro não tem a mesma defesa do governo brasileiro que teve o Cesare Battisti, este sim criminoso, assassino, matou gente na Itália. Está condenado pela Justiça italiana e recebeu asilo aqui”.

Triste realidade

01

Tostão
O Tempo

Por que Dunga? Tenho o hábito de tentar compreender as razões das atitudes humanas, mesmo quando as acho absurdas, ridículas, mas a escolha de Dunga me deixou perplexo, surpreso. Não entendi nada. Já a de Gilmar Rinaldi, para coordenador das seleções, dá para explicar. Ele, como informou PVC, era frequentador dos corredores da Federação Paulista, dirigida por Marco Polo Del Nero, presidente eleito da CBF e que já divide o poder com Marin.

Por que Dunga? Não foi somente porque ele e Gilmar estiveram juntos na Copa de 1994. Dunga teve a aprovação de Marin e de Del Nero. O estranho é que os dois dirigentes, políticos, espertos, acostumados com troca de favores, tenham escolhido um técnico rejeitado pela maioria, rude, rígido, irritadiço, que não vive atrás de boquinhas, como vários ex-atletas, e que acabou com os privilégios na seleção. Tratou mal a todos.

Por que Dunga? No campo, ele não é melhor, pior nem diferente de Felipão e de outros treinadores. É um bom técnico, padrão, com uma estatística favorável, como todos os outros da seleção, por motivos óbvios. Para Dunga, o futebol se resume a ganhar ou perder. Por isso, disse, tempos atrás, que não entendia porque o time de 1982, que perdeu, é tão elogiado. Ele nunca vai entender.

Por que Dunga? Será que Marin, Del Nero e Gilmar querem um técnico durão, que não permita tantas pessoas nos treinos nem a descida de helicópteros com celebridades, para fazer entrevistas especiais? Será que eles associaram a Granja Comary com a bagunça de Weggis, na Copa de 2006, e, por isso, escolheram Dunga, novamente, para moralizar a seleção? Penso que foram duas situações diferentes. Não faltou comprometimento aos jogadores nesta Copa.

O marketing enganoso e exagerado também contribuiu para o fracasso. David Luiz é um bom exemplo. Ele se tornou um herói nacional, um fenômeno como garoto propaganda, uma mistura de anjo barroco com artista pop, antes de ser campeão. Tudo por causa de algumas boas atuações, embora tenha dado dezenas de lançamentos longos inúteis, e por seu jeito extrovertido, além de seu discurso de bom moço, preocupado com a felicidade de todos.

Ele acreditou em tudo isso. Com as ausências de Neymar e de Thiago Silva, David Luiz, além de capitão, quis ser zagueiro, armador e atacante. Suas atuações contra Alemanha e Holanda foram péssimas. Agora entendo porque Mourinho, no Chelsea, o colocava na reserva de Gary Cahill, que tem muito menos talento.

A seleção precisa de um técnico que una conhecimento científico com a sabedoria de um bom observador, a gana de vencer com o prazer de jogar bem, de uma maneira agradável, e que tenha independência e criatividade, sem esquecer o pensamento cartesiano. Esqueça! Tive apenas uma fantasia. Passou. A realidade é outra, triste. A realidade é Dunga. Vamos lá, Brasil!

Datafolha e Ibope: diferença de um ponto pode levar ao segundo turno

Pedro do Coutto

Com base na pesquisa do Ibope, divulgada terça-feira pela Rede Globo e ontem simultaneamente pelo Globo e O Estado de São Paulo, comparando-se seus números com os do Datafolha, publicados na semana anterior pela Folha de São Paulo, verifica-se que as diferenças são muito pequenas, em algumas situações até mínimas. É o caso, por exemplo, dos índices que hoje decidiriam se o desfecho seria transferido do primeiro para o segundo turno. De modo geral as tendências evidenciadas convergem para as mesmas direções e posições percentuais quanto às intenções de voto.

Entretanto antes de comparar os dois panoramas, quero me referir à perspectiva de se haverá ou não segundo turno. O Datafolha apontou 36% para Dilma Rousseff e também outros 36 pontos para todos os demais candidatos reunidos, incluindo Aécio Neves, Eduardo Campos, Pastor Everaldo e todos os demais. Um empate, no qual encontram-se computadas as parcelas dos que atualmente estão dispostos a anular ou votar em branco, ou então que não souberam responder à pergunta.

Muito bem. Enquanto o Datafolha aponta 36 a 36, o Ibope assinala 38 pontos em favor da presidente da República e 37% para Aécio Neves, Campos, Everaldo e todos os demais juntos.

DIFERENÇA MÍNIMA

Assim, para o Ibope a diferença de apenas um ponto no primeiro afastaria a hipótese de um segundo turno. Para o datafolha, destaca-se a dúvida na existência do empate de 36 a 36. A diferença mínima, no momento, conduz a uma diferença essencial. Claro que tudo dependerá da atuação dos candidatos, sobretudo se houver debate entre eles no confronto inicial.

Mas esta é outra questão. O fato é que os índices dos dois institutos são convergentes. Dilma em primeiro, Aécio em segundo, Eduardo Campos em terceiro. A divergência forte que marca o foco do Datafolha e o enfoque do Ibope situa-se nas projeções para o segundo turno, vindo este a ocorrer.

O Datafolha aponta 44 para Dilma, 40 para Aécio Neves, o que ele considera empate técnico. Já o Ibope assinala, na perspectiva de um segundo turno, vantagem de 41 pontos para a atual presidente contra 33 pontos de Aécio Neves.

DIFERENÇA MAIOR

Dessa forma, para o Ibope a diferença final seria de 8%, o que não configura qualquer tipo de empate. Enquanto o Datafolha encurta o resultado para um percentual de apenas 4%. Em termos percentuais, exatamente a metade do que estimam os cálculos do Inope divulgados pelo Jornal Nacional da rede Globo, pela Globo News, pelo O Globo, além de pelo O Estado de São Paulo. O levantamento do Datafolha, como afirmamos linhas atrás, foi publicado principalmente pela Folha de São Paulo e também pela Rede Bandeirantes de Televisão.

Tanto o Datafolha quanto o Ibope incluíram Eduardo Campos na simulação para um segundo turno. Mas não faz sentido considerar esta perspectiva, pois ela depende de o ex-governador de Pernambuco ultrapassar Aécio Neves no primeiro turno. Hipótese, aliás, vale frisar, que nenhuma das duas pesquisas coloca como possível de acontecer. Dentro desse raciocínio, em havendo segundo turno, será ele decidido entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.

 

Polícia Federal pode conduzir militares à força para depor na Comissão da Verdade

Deu em O Tempo

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) decidiu recorrer à força policial para conduzir militares da reserva, que atuaram na ditadura, e que estão se recusando a comparecer para prestar depoimentos sobre violações de direitos humanos naquele período. O grupo informou que o coronel reformado Wilson Machado, que participou do atentado do Riocentro em 1981, tem se negado a comparecer à comissão e será um dos que será levado de forma coercitiva.

Integrantes da comissão se reuniram com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e acertaram como se dará o uso da Polícia Federal nesses casos. “Não nos move o espírito persecutório, mas ficou evidente que há uma tentativa de frustrar o espírito da lei. Caso do capitão (na época) Wilson Machado, que já foi chamado e não vem. Ele já foi denunciado pelo Ministério Público. A lei confere à comissão o direito de convocar e, se não comparecer, de usar o poder coercitivo. O mandado é expedido pela comissão e a Polícia Federal executa”, disse o coordenador da Comissão da Verdade, Pedro Dallari.

RECUSA

O general reformado José Antônio Nogueira Belham, acusado de envolvimento na morte do ex-deputado Rubens Paiva, também pode ser levado a depor à força. Ele tem se recusado a comparecer e alegou problemas de saúde. Belham deveria depor nesta semana em Brasília, mas informou que está no Rio. Semana que vem, a comissão irá colher depoimentos de 25 pessoas no Rio e tentará convocar o general novamente. “Se ele não comparecer dessa vez, teremos que recorrer à condução coercitiva. Mas esperamos não ter que usar”, disse Dallari.

Também integrante da comissão, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias afirmou que ter que levar um militar para depor à força é uma vergonha para as Forças Armadas. “Esses agentes públicos podem até permanecer em silêncio, mas não se recusar a comparecer. Seja coronel ou general, é obrigado a comparecer sob pena de ir coercitivamente”, disse Dias.

Na segunda-feira, a Comissão da Verdade colheu depoimento de três ex-soldados que atuaram na guerrilha do Araguaia e de um ex-adido militar no Chile, que pouco acrescentaram às investigações do colegiado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ perda de tempo. A Constituição garante o direito ao silêncio. Não adianta a Polícia Federal levar à Comissão quem se recusa a depor. (C.N.)

 

 

O poeta Oswaldo Montenegro, dividido em metades e completado com amor

O cantor e compositor carioca Oswaldo Viveiros Montenegro, na letra de “Metade”, define-se dividido em metades diferentes, apenas o amor lhe ocupa as duas metades. A música foi gravada pelo próprio Oswaldo Montenegro no LP Trilhas, em 1977, produção independente.

METADE

Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio…

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade…

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo…

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão…

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei…

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço…

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer;
Porque metade de mim é plateia
E a outra metade é canção…

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade… também.

     (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Dilma mandou parar demarcações de terras indígenas. Agora, falta revogar tratado internacional que prejudica o Brasil.

Gelio Fregapani

Obedecendo às ONGs orientadas do exterior, diversas tribos que viviam em paz passam a invadir terras e mais terras sob a orientação de antropólogos perjuros. Para receberem as benesses da legislação racista ao contrário, aldeias e vilas de pessoas comuns passam a se declarar índios de tribos extintas ou mesmo que nunca existiram.

Numerosas são as denúncias sobre a “importação” de indígenas guaranis, do Paraguai para o Paraná e Santa Catarina. Em Roraima, na “preparação” para a entrega da Raposa–Serra do Sol, a Funai promovia a vinda de índios da Guiana visando aumentar a densidade deles. Interpelada, respondeu que índios não têm fronteiras. Quem testemunhou esta situação fui eu, que como Secretário de Segurança, fiz a interpelação à Funai.

O problema tende a ultrapassar a fase de quistos tipo “bantustões”  e chegar a  divisão do País. Há algo mais que devoção antropológica ou desejo de reparação em pauta. Há, sim, interesses graúdos, que passaram durante muito tempo ignorados pela sociedade brasileira.

OPORTUNA REVERSÃO

Felizmente a situação está mudando. Fatos recentes demonstram que a tolerância com as ações do aparato indigenista está se esgotando. Produtores rurais de Mato Grosso e do Rio Grande do Sul têm manifestado uma crescente disposição de reagir aos abusos. No Maranhão os antigos produtores ameaçam voltar para as terras confiscadas, agora abandonadas pelos índios.

Este mês indígenas venezuelanos foram deportados de Roraima pela Polícia Federal e, na contramão da proliferação de arbitrárias e danosas demarcações existentes desde a Era Collor, a presidente Dilma Rousseff determinou a paralisação de todas as demarcações. Agora, aguardamos preocupados o pronunciamento da presidente sobre a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que abre espaço para a independência política e territorial das chamadas nações indígenas.

O prazo para o governo fazer a denúncia do tratado internacional está acabando. Podemos ter esperança? Precisamos também saber o que pensam a respeito os demais candidatos à Presidência.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTermina esta quinta-feira (dia 24) o prazo para o Brasil denunciar a Convenção 169 da OIT.  Se perder o prazo, o governo terá de esperar 10 anos para fazer a denúncia. Não foi no governo Dilma que a Convenção foi assinada e ratificada pelo Brasil, mas ela será a única culpada se perder o prazo para exercer a denúncia. A Convenção foi assinada no governo FHC e promulgada pelo governo Lula (C.N.)

Para atender aos anseios de mudança dos brasileiros, marqueteiro manda Dilma aceitar várias reformas

Carlos Newton

A repórter Luciana Lima, do iG Brasília, revela que a presidente Dilma Rousseff, para tentar satisfazer o desejo dos eleitores por mudança, tendência que apareceu forte em sucessivas pesquisas encomendadas pelo próprio PT, vai passar a defender em sua campanha pela reeleição a necessidade do país fazer quatro grandes reformas.

A sugestão foi feita pelo marqueteiro João Santana, que se tornou uma espécie de 40º ministro do atual governo, um ministro sem pasta, mas que manda mais do que os outros 39, pois é o único ao qual a presidente ouve e… obedece.

Na lista do marqueteiro de Dilma estão destinadas a figurar no horário eleitoral a reforma política, a reforma federativa, a reforma urbana e a reforma dos serviços públicos. Na verdade, são quatro factóides criados pelo marqueteiro, que por enquanto ninguém nem sabe explicar.

PLEBISCITO

Segundo o coordenador da campanha e presidente do PT, Rui Falcão, repetindo a estratégia de junho do ano passado, quando os protestos forçaram uma resposta do governo, Dilma pretende novamente chamar a população para uma reforma política com plebiscito.

“Essa é a primeira reforma que estamos propondo e presidenta vai encampar”, diz Falcão, acrescentando: “A reforma política, através de um plebiscito, significa perguntar ao povo se ele quer continuar com isso que está aí, com políticos que usam o mandato para fins pessoais”.

E completou: “Querem continuar com parlamentares que vocês elegem e depois não parecem mais? Vocês sabem que que tipo de coisa eles estão votando? Que tipo de coisa estão fazendo pelos eleitores? Vocês querem continuar em um sistema que é o poder econômico que decide eleição ou vocês querem ter a oportunidade de participar mais, de opinar sobre orçamento, de opinar sobre políticas públicas de saúde, de educação? “, sugeriu. “Essa é reforma política que nós queremos perguntar através de um plebiscito”.

Caramba, quase doze anos depois de chegar ao poder, o PT resolveu se preocupar com políticas públicas de saúde e educação? Mas qual seria a reforma política que o governo tenciona? Fim da reeleição e  voto distrital com lista de nomes, como sugere Lula? Adoção do regime parlamentarista? Ninguém sabe…

E a reforma federativa? Será um sistema como o americano, em que a segurança pública é municipal e as leis são estaduais? Vamos eleger xerifes, como os municípios da matriz? Os impostos serão melhor divididos entre os três níveis federativos? Ninguém sabe…

E que reforma urbana será esta? Vão obrigar os municípios a terem saneamento básico? Será proibido construir prédios com mais de cinco andares? Haverá coretos obrigatoriamente nas praças? Escolas e hospitais para todos? Ninguém sabe…

E a reforma dos serviços públicos? Como se sabe, os serviços públicos são abastecimento de água e instalação de esgotos, energia, transportes, educação e saúde. Quais são as reformas que o novo governo Dilma Rousseff pretende, ao invadir a competência dos prefeitos. Ninguém sabe…

Traduzindo: vamos deixar de intermediários e colocar logo o marqueteiro João Santana como cabeça de chave. Dilma Rousseff não tem ideias próprias, mas seria uma ótima candidata a vice-presidente.

 

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