Novas prisões de manifestantes, velho enredo

João Gualberto Jr.
A situação dos presos e procurados pela polícia por terem supostamente se envolvido em protestos violentos se tornou um roteiro previsível e, portanto, sem graça. Trama similar está em “Os Carbonários” ou “O que É Isso, Companheiro?”. Depois dos atos incendiários de militância, vêm a caça policial, a prisão e, por fim, até tentativa de exílio.
Esse filme, o Brasil já viu há quatro décadas. A ironia é ele ser reprisado tanto tempo depois, em um país dito democrático e presidido por uma mulher que viveu, literalmente na pele, quase todas aquelas fases.
É complicado para quem prima por andar na linha, mesmo mantendo aceso seu esboço de consciência crítica, compreender violência como performance para atingir fins políticos. Quebrar vidraças, destruir viaturas e arremessar pedras no batalhão de choque numa espécie de intifada ocidental-terceiro-mundista parece ser demais para quem aposta na evolução gradual do civismo e da democracia – até por não enxergar outra forma de isso se dar.
Por outro lado, não tem como não ver conotação política nas prisões desses vinte e tantos ativistas no Rio de Janeiro. Talvez existam mais em outros lugares, como um membro da tal Mídia Ninja que estava encarcerado em BH até outro dia. Da mesma forma, a acusação de associação a atos violentos coordenados soa fugaz e ressuscita o clima kafkiano da Lei de Segurança Nacional da década de 60.
ODORES SUSPEITOS
O fato de os mandados terem sido cumpridos no dia 12 de julho, no Rio, realça odores suspeitos. A “eficácia policial” contra os aparentes cabeças das manifestações fica como um dos legados mais evidentes da Copa da Fifa: na véspera da final, 19 presos. Entre os foragidos, uma advogada, que agora pede asilo político no Uruguai. Pontualmente, é o retorno a práticas, ambientes e sensações que se pensava terem ficado na história.
Mas foi a máquina de repressão o que levou os protestos a minguarem neste ano? Em julho de 2013, tão certo como a água corre para o mar era afirmar que as manifestações seriam, dali a 11 meses, tão ou mais grandiosas. O que causou o revés dessa previsão? Seria o fato de a Copa ser Copa, um circo imbatível que mina qualquer interesse político? Talvez, ainda que seja raso. Houve um ato na praça Sete agendado para acabar antes do horário das oitavas de final entre Brasil e Chile, no dia 28.
Não seria o crescimento da violência um fator mais razoável para a perda de força das ruas? As manifestações foram absorvendo cenas de batalha, também um batido elemento de enredo, protagonizadas tanto por parte da militância quanto pela PM. Convém não esquecer que, nesse um ano de distância, foi assassinado o cinegrafista Santiago, não à toa, no Rio.
Seria incorreto, portanto, deduzir que as manifestações definharam justamente com a ajuda dos manifestantes, em sua porção mais exaltada? Se a repressão policial é um legado da passagem da Fifa, com suas cenas e desdobramentos de outros tempos e outras militâncias, a beleza dos grandes atos de junho do ano passado, aquele germe cívico tão numeroso, talvez não renda frutos até outubro. (transcrito de O Tempo)

Onde a realidade melhor se esconde

Percival Puggina

Por inusitado que pareça, um dos modos mais eficientes de ocultar a realidade é escondê-la atrás dos números. A vantagem proporcionada por esse método está no sentimento de que “números não mentem”. Contudo, eles podem ser enganosos, sim. Muitas vezes, quem deseja ocultar a realidade usa dos números como se fossem pecinhas de um lego, que tanto servem para fazer um trem, um avião ou um barco.

Foi assim que li o artigo de um porta-voz do governo Tarso Genro na Zero Hora do dia 22. Nele, o porta-voz exalta os números de evolução do PIB do RS, buscando transmitir a impressão de que tudo vai bem ainda que salte aos olhos que quase tudo vai mal. Para apoiar sua tese, o autor, por exemplo, aponta o fato de que o PIB do Estado cresceu 6,3% no ano passado. Se tivesse referido também os dados de 2012, seria forçoso reconhecer que o PIB estadual, naquele ano, evoluiu -1,4%.

Diante desse tombo, determinado principalmente pela estiagem então ocorrida, era natural que a expansão do ano subsequente fosse elevada. Só para exemplificar: de 2012 (estiagem) para 2013 (boas chuvas), a agropecuária apresentou um crescimento de 39% (!), puxando todos os outros indicadores para cima.

No texto em questão, atrás dos números de 2013, foram escondidos os maus números de 2012. E de lambuja, ocultaram-se, também, os maus números de agora, de 2014. Nos cinco primeiros meses deste ano, o Índice de Desempenho Industrial do RS caiu -2,1%. O fenômeno atinge vários setores, o nível de emprego industrial e as exportações, que caíram 20% no primeiro semestre deste ano.

CASO DA MONTADORA

Por outro lado, é oportuno falar sobre o desenvolvimento do RS dois dias depois de o ex-governador Olívio Dutra haver reconhecido, publicamente, que foi sua a decisão de expulsar a montadora que a Ford começava a implantar no Estado em 1999. A empresa foi parar na Bahia. E desde que isso aconteceu, o setor automotivo daquele Estado recebeu 58 novas empresas industriais, o número de empregos saltou de 548 para 10.518 e o PIB do setor passou de R$ 3,6 milhões em 2000 para R$ 2,9 bilhões em 2012! Tudo graças ao “desenvolvimentismo” do PT gaúcho.

Quem produz ou deixa de produzir, quem emprega ou desemprega são as empresas. Para o petismo, quando o nível de emprego sobe, quem os cria é o PT. Quando ele diminui, quem desemprega é a iniciativa privada. O que os governos podem fazer pelo desenvolvimento num sentido amplo é aquilo que o governo gaúcho não vem fazendo. As estradas estão abandonadas, a CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) em situação pré-falimentar, a educação pública ideologizada e de má qualidade segue o estilo Paulo Freire, e uma hecatombe fiscal está desenhada para o próximo exercício. Q

uem ressaltou muito bem essa hecatombe foi o economista e contador Darcy Francisco Carvalho dos Santos em artigo publicado no dia 20, também em Zero Hora. Ao término da analise que fez, de modo inspirado, ele anteviu assim o teor da contestação que viria dois dias depois: “A estratégia política encontrada é se refugiar em números de crescimento conjunturais do PIB, que nada têm a ver com as ações do governo estadual”. É atrás dos números que a realidade mais facilmente pode ser escondida.

A nova CBF, de palavras ensaiadas

Chico Maia
No futebol, assim como há jogadas ensaiadas, há também entrevistas e palavras ensaiadas. A que reapresentou Dunga como técnico da seleção, na sede da CBF, foi um desses casos. Tudo arranjado, da posição onde cada ator se sentou até as palavras e frases usadas em cada resposta. O que mais me incomoda é a hipocrisia. Na maior cara de pau, Gilmar Rinaldi disse que estava com a vida resolvida, que iria morar no exterior, mas aceitou o cargo porque “não se rejeita convocação da CBF” e que ele vai é prestar um serviço ao futebol do país! E que o mesmo se aplica a Dunga! Discurso para causar inveja aos mais demagogos políticos do mundo.
Claro que a cartolagem é esperta, e entre os repórteres eles têm lá os seus “parceiros” prontos para fazerem perguntas sob encomenda e “quicadas de bola” para que um Marin da vida, Dunga ou Gilmar chute com bastante força. Uma turma que tem privilégios históricos na CBF desde antes de Ricardo Teixeira. Essas entrevistas coletivas são grandes farsas, que não servem para nada. Não informam nada novo e não esclarecem; muito pelo contrário, só confundem.
Ambiente certo
A confusão forma ambientes propícios para a ação entre amigos, daqueles que ocupam o poder para levar vantagens pessoais. Em 2010 foi a última vez em que participei desse circo, mas foi rápido. Em Johanesburgo, entre um coice e outro de Dunga nos companheiros, saí antes da metade e concluí que é pura perda de tempo.
Cumplicidade
A imprensa tem grande parte de culpa nisso. Há colegas que perguntam por perguntar, apenas para aparecer ou dizer que fez uma pergunta “exclusiva” ao entrevistado. Outros repetem perguntas que já foram feitas e respondidas. E, o mais terrível, há aqueles que fazem o jogo dos cartolas e jogadores, que fazem perguntas encomendadas por eles. O torcedor, ouvinte, leitor e telespectador estão em último plano.
Milhões e migalhas
Há os que defendem seus milhões e os que defendem as suas migalhas. O que importa ali é a defesa do interesse próprio, do comercial bem vendido e até passagens aéreas e hospedagens. Jogador usando boné com a própria marca; jogador que deixa a cueca aparecer; treinador que, estrategicamente, olha as horas no relógio de pulso para que os fotógrafos tirem muitas fotos e os programas de TV mostrem, e por aí vai.
Grana no bolso
O que importa é que o patrocinador fique satisfeito. Profissionais sérios da imprensa muitas vezes são obrigados a conviver com esse tipo de situação, por dever de ofício. Nessa coletiva da volta triunfal de Dunga, ele pôs uma pele de cordeiro, certamente bem orientado, para fazer as pazes com a imprensa. Claro que antes de ter seu nome oficializado Marin e cia. pediram bênção à Rede Globo, e ela disse sim, com a condição de que o velho/novo treinador baixasse a guarda.
Com data
Uma trégua, que durará até as primeiras vitórias da seleção da CBF, quando o velho/novo treinador subirá novamente no tamborete. Com os primeiros maus resultados da equipe, começará tudo de novo. E nesse retorno o papo foi o mesmo, antiquado, tipo: “As eliminatórias são sempre difíceis porque o Brasil é o único país que fala português”; “o que inclui um jogador é a fase dele no momento e não a idade”, e blá, blá, blá… (transcrito de O Tempo)

Foto aumenta suspeita de participação de Forças Armadas na morte de Zuzu Angel

Pedro Peduzzi
Agência Brasil 

Uma fotografia do local do acidente que, supostamente, resultou na morte da estilista Zuzu Angel, em abril de 1976, aumentou as suspeitas da Comissão Nacional da Verdade (CNV) do envolvimento das Forças Armadas no caso.

A foto, apresentada pelo ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Espírito Santo Cláudio Guerra, mostra o coronel do Exército Freddie Perdigão ao fundo, perto do veículo acidentado. Apontado como autor de torturas e assassinato de pessoas durante o regime militar, Perdigão morreu na década de 90.

Mãe de Stuart Angel, integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) que desapareceu em 1971, após ter feito críticas ao regime, Zuzu deu projeção internacional ao caso e passou a ser considerada “presença incômoda para o regime, que tinha todo interesse em seu desaparecimento”, disse o presidente da CNV, Pedro Dallari. Segundo ele, a foto deixa claro que houve algum tipo de participação das forças militares no acidente ocorrido no Rio de Janeiro.

JUNTO AO VEÍCULO…

“A grande revelação [obtida durante os depoimentos feitos nesta semana] veio a partir do depoimento de Cláudio Guerra, que apresentou uma fotografia na qual o oficial das Forças Armadas Freddie Perdigão aparece junto ao veículo acidentado. Isso estabelece um vínculo muito forte entre as Forças Armadas, já que Perdigão era notório operador em casos de violação de direitos humanos, como a morte de Zuzu Angel”, disse Dallari. “Trata-se de uma foto nova. Ela não estava nos autos do inquérito, e é uma revelação e documento muito importante”, acrescentou.

Dallari lembra que as Forças Armadas sempre negaram relação com o acidente que resultou na morte de Zuzu. “Há muitas semelhanças entre essa foto e outras usadas pela perícia na época do acidente. Todas tinham o mesmo padrão. É por isso acreditamos que ela tenha sido feita pelos peritos. Nossas suspeitas de envolvimento dos militares no caso foram reforçadas depois que o Cláudio nos contou que, ainda na década de 80, foi procurado por Perdigão, preocupado com a foto tirada”, informou o presidente da CNV.

Ainda segundo Dallari, Perdigão teria confessado a Cláudio Guerra participação no planejamento e na simulação do acidente de Zuzu Angel. “As investigações certamente, confirmarão essa hipótese”, completou.

O fim dos empresários no futebol

Deu na Folha de S. Paulo

Como parte do pacote de mudanças no futebol pós-Copa, o governo federal pretende acabar com os direitos econômicos de jogadores. Discutida em 2013, a proposta foi retomada pelo Ministério do Esporte, que quer colocá-la em prática o quanto antes. A medida mexe com a estrutura do futebol nacional: dá fim aos empresários que investem na compra e venda de atletas e faz com que apenas clubes possam ser donos dos jogadores.

Passo a passo

O plano do governo federal é, num primeiro momento, limitar a divisão dos direitos econômicos dos jogadores, deixando a maior parcela sempre com os clubes. E, posteriormente, acabar de vez com essa propriedade, deixando os clubes como os únicos detentores.

Modelo

O Ministério do Esporte está, inclusive, encomendando uma pesquisa para sustentar a aplicação da medida. O estudo, a ser produzido pela FGV, analisará os mercados da França, da Inglaterra e da Polônia, onde os direitos econômicos prevalecem nas mãos dos clubes –e não nas de empresários.

(Matéria enviada pelo comentarista Paulo Peres)

População cresce mais que PIB e a renda per capita diminui

Pedro do Coutto

Na Folha de São Paulo a reportagem está assinada por Cláudia Rolli e Tatiana Freitas, enquanto no Globo a matéria é de Geralda Doca, Marta Beck e Rennan Setti, mas os temas e as fontes são os mesmos: Boletim Focus do Banco Central reduziu a perspectiva de crescimento do Produto Interno bruto este ano para um patamar entre 0,9 e 1%. O índice coincide com o calculado pelo Banco Santander.

Resultado muito ruim. Primeiro, porque a taxa demográfica é calculada pelo IBGE na escala de 1,2%: nascem 1,9, morrem 0,7% ao ano. População avançando acima do PIB significa recuo na renda per capita, indicador fundamental para o desenvolvimento. Em segundo lugar, destaca O Globo, o IPCA está apontando para uma inflação de 6,4%. Maior do que os reajustes de salário. O reflexo atinge a sociedade como um todo em face da perda do poder aquisitivo.

Os juros aplicados às compras a crédito continuam no mundo da lua, ao lado de uma retração de consumo. Tanto assim que empresas que passaram a vender menos decidiram vender mais energia quepossuem em estoque. O destino é o mercado livre de curto prazo, cujos preços são elevados.

Todos esses fatores convergem e conduzem para ampliar os índices de insatisfação social e o governo necessita agir com firmeza para revertê-los, sobretudo porque nos encontramos num ano eleitoral com a disputa presidencial fixada para daqui a três meses e uma semana.

PESSIMISMO

O Boletim Focus encontra-se pessimista, não prevendo melhora do quadro econômico até às eleições. Surpreendente tal posicionamento, sobretudo expressado por uma entidade vinculada ao Banco Central. Não é possível que não vislumbre ele, sem trocadilho, nenhum foco de esperança no horizonte.

Provavelmente sem que sua direção sentisse  ou percebesse, o Focus proporcionou um panorama que serviu à oposição e não ao Planalto. Não ao governo, portanto, ao qual está administrativamente vinculado. Passou uma forte dose de pessimismo, que inevitavelmente se acrescenta ao clima negativo que partiu  da derrota por sete a um da Seleção Brasileira, clima que ainda vai perdurar por vários meses envolvendo a população, portanto, o eleitorado brasileiro.

O governo  Dilma Rousseff necessita reagir a tempo e mobilizar suas equipes e suas correntes de comunicação com a opinião pública para desfazer o derrotismo injetado na atmosfera nacional.

Não é possível que não exista uma fonte de reação, sobretudo no momento em que a campanha eleitoral está prestes a se iniciar através dos horários gratuitos na televisão e no rádio. Inclusive possuindo um espaço bem maior do que aquele que os seus adversários somados vão utilizar, Dilma Rousseff terá de preenchê-lo. E fazê-lo de forma positiva, otimista e convincente.

Em matéria de marqueteiro, não poderia haver alguém mais capacitado do que João Santana. Pode haver igual, mas não mais capacitado para a função. A propósito: por que a presidente da República não ouve Santana a respeito da divulgação dada pelo Boletim Focus aos números que confrontam o índice demográfico, o PIB e o aumento da inflação?

Erro de Obama põe Alemanha e EUA num distanciamento sem precedentes

Immanuel Wallerstein
Al-Jazeera

Dia 10 de julho, o governo alemão exigiu a imediata saída do país do chefe da missão da CIA-EUA em Berlim. Não é exigência absolutamente inusual, mesmo entre aliados ostensivos. Inusual é que a expulsão tenha sido anunciada publicamente com barulho máximo. O que explicará o que para alguns já é “um distanciamento sem precedentes” nas relações entre EUA e a República Federal Alemã Federal, sempre muito próximas desde 1945?

Em apenas um dia o assunto apareceu em dois espaços importantes: num editorial do Los Angeles Times e em reportagem da revista alemã Der Spiegel. Os dois artigos são pessimistas quanto à possibilidade de o tal distanciamento poder ser ‘reparado’ rapidamente, se é que será possível alguma reparação.

O editorial do Los Angeles Times, escrito por Jacob Heilbrun, leva o título de “A ruptura germano-estadounidense”. A palavra “ruptura” é inequívoca. Ou quase. Depois de fazer um panorama de vários comentários alemães, Heilbrun finaliza com uma nota de alerta: “Se Obama não conseguir controlar a espionagem contra a Alemanha, logo descobrirá que seus espiões estão ajudando a converter um aliado em adversário. Obama, se disser auf wiedersehen [adeus] a aliado de tantos anos, estará aplicando tal golpe contra a segurança nacional, que quantidade alguma de informação secreta conseguirá jamais justificar”.

NO “DER SPIEGEL”

Se Heilbrun já parece ter bem pouca esperança de que seu ponto de vista seja levado em consideração em Washington, ainda pior é o que se lê na matéria de fundo de Der Spiegel da mesma data. É texto longo e leva o título de “Quem a Alemanha escolherá: EUA ou Rússia?” Um dos subtítulos da matéria é “A gota que fez transbordar o copo”. A opinião citada não é de alguém da ‘esquerda’ ou que tivesse trabalhado a favor de relações mais próximas com a Rússia. A fonte é, bem diferente disso, um típico promotor da economia de livre mercado, conservador e pilar de sustentação das relações com os EUA, presidente de uma organização chamada “Ponte Atlântica”.

Em tom de desespero, diz: “Se for verdade o que se ouve sobre espionagem, tem de parar imediatamente.” A fonte é bem clara: não fala de iniciar discussões e negociações para ‘reduzir’ a espionagem. Fala de “parar” e de “parar imediatamente”.

Há ainda alguns detalhes que têm de interessantes o que têm de incômodos para os EUA: o embaixador dos EUA na Alemanha não fala alemão. O embaixador russo, por sua vez, é falante tão competente do alemão, que praticamente não se percebe o sotaque. A entrada do gabinete do embaixador dos EUA é cercada de mais segurança do que a se vê no Salão Oval da Casa Branca. A entrada da embaixada russa é tão fácil e desimpedida que até surpreende.

DISTANCIAMENTO

O distanciamento em que se veem hoje EUA e Alemanha será mesmo sem precedente, repetino e imprevisível? Por hora, todos os jornais importantes e menores na Alemanha, EUA, França, Grã-Bretanha e outros países estão publicando comentários, analisando causas e tentando prever desdobramentos. De modo geral, todos os comentaristas procuram alguém a quem atribuir responsabilidades. Os suspeitos de sempre são a Agência de Segurança Nacional dos EUA e o presidente Obama. Mas será só isso, ou serão só esses os culpados?

Em outras palavras: as coisas poderiam ser diferentes? Poderiam, com certeza, nos detalhes. O governo dos EUA agiu de modo torpe, estúpido, sem dúvida. Mas o problema é estrutural. Não se trata só de erros conjunturais ou da estupidez de que esteja no poder nos EUA.

O problema básico é que os EUA estão, já há algum tempo, em rota de decadência geopolítica. A coisa não agrada aos EUA. De fato, os EUA não ‘aceitam’ essa realidade, não sabem como lidar com ela e tendem sempre a minimizar o que os EUA estão perdendo. Assim, tentam restaurar o que já é irrestaurável: a ‘liderança’ norte-americana (leia-se: a hegemonia) dos EUA no sistema-mundo. E isso faz dos EUA ator muito perigoso. Não é pequeno o número de agentes agentes políticos nos EUA que têm clamado por alguma espécie de “ação” decisiva – seja lá o que isso signifique. E as eleições nos EUA podem dependem em grande parte de como os atores políticos norte-americanos jogam esse jogo.

MEDIDAS PREVENTIVAS

Contra isso, precisamente, é que líderes europeus em geral começam a tomar suas próprias providências preventivas. Agora, chegou a vez da chanceler Angela Merkel. Os EUA converteram-se em sócio muito pouco confiável. Por isso, mesmo os que, na Alemanha e em outros países da Europa vivam ainda a nostalgia do ninho quente do ‘mundo livre’ começam a aproximar-se dos menos nostálgicos e cuidam de encontrar meios para sobreviver geopoliticamente sem os Estados Unidos. Isso, precisamente, os está empurrando para a alternativa lógica: um teto europeu que inclua a Rússia.

E conforme alemães e europeus em general movem-se inexoravelmente nessa direção, os seus problemas mudam. Se não não podem confiar nos EUA, poderão realmente confiar na Rússia? E o mais importante: poderão chegar a algum acordo com os russos que os russos considerem importante e necessário cumprir?

Podem apostar: Isso é o que se discute nos círculos internos do governo alemão, hoje. Absolutamente ninguém está discutindo como reparar a brecha irreparável na confiança que afastou os alemães, dos EUA. (artigo enviado por Sergio Caldieri)

Eleitor mais influente depois de Lula, Joaquim Barbosa abrirá seu voto?

Rogério Jordão
Yahoo

O que fará nestas eleições o agora quase ex-juiz e ex-presidente do STF Joaquim Barbosa? Esta é uma pergunta que causa ansiedade a todos os candidatos à Presidência. Não é para menos. 26% do eleitorado afirmam em pesquisas que votariam “com certeza” em um candidato apoiado por Barbosa. Mais influente que Joaquim, somente Lula (36% dizem que escolheriam um nome apoiado pelo petista, segundo levantamento do Datafolha realizado em junho).

Nesta eleições nenhum candidato falará mal de um ou de outro. Será necessária muita acrobacia verbal. Ao mesmo tempo em que o ex-juiz potencializa a opinião anti-PT (mas não apenas), o ex-presidente Lula agrega um sentimento que pode ajudar o PT. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Quando anunciou sua aposentadoria precoce em junho (agora adiada para agosto), os três principais candidatos, Dilma, Aécio e Eduardo Campos, fizeram algum tipo de reverência a Joaquim Barbosa. Campos chegou a gravar um vídeo no mesmo dia em que o juiz anunciou seu afastamento precoce.

UMA INCÓGNITA

Como se sabe, Joaquim tem um pendor pela vida pública. É difícil imaginar que ele não vai se posicionar até outubro, quando acontece o primeiro turno das eleições.

Até aqui, se ele se pronunciará ou não é uma incógnita. Recentemente ele lançou uma conta no twitter (@joaquimboficial), mas suas poucas mensagens foram sobre a morte do escritor João Ubaldo, na última sexta-feira, e futebol. No dia 18 de julho, escreveu: “O Brasil amanheceu intelectual e espiritualmente mais pobre hoje em razão da morte de João Ubaldo. ‘Viva o Povo Brasileiro’, sempre!’. Antes da fatídica derrota do Brasil para a Alemanha no Mineirão, sugeriu o jogador Bernard “como arma p. segundo tempo”.

Os dois principais eleitores nacionais têm muito em comum, em termos de suas narrativas de vida para a opinião pública. Tanto Joaquim como Lula são, pode-se dizer assim, “vencedores” na vida. Vieram “de baixo” e por esforço próprio “chegaram lá”.

Sob Lula 29 milhões de pessoas saíram da pobreza monetária, segundo números que o governo costuma divulgar; sob Joaquim, o Supremo fez seu julgamento mais emblemático, o do chamado mensalão, com ampla repercussão na mídia, e que terminou, como se sabe, com a condenação e prisão dos réus.

Seja como for, no eleitorado de mais baixa renda, aquele que ganha até dois salários mínimos, um em cada cinco eleitores diz que Joaquim poderia influenciar seu voto. O (quase) ex-juiz talvez tenha algo a dizer a este eleitorado. O fará?

CONQUISTAR O ELEITOR

Para as oposições, conquistar o eleitor de renda mais baixa – onde Lula é popularíssimo e Dilma tem seu melhor desempenho – é um dos principais desafios se quiser vencer as eleições. Nas famílias que ganham até R$ 1.400,00 estão 42% do eleitorado brasileiro. Nesta faixa de renda, Aécio e Campos estão com índices baixos e estacionados nas pesquisas desde fevereiro deste ano.

Mas Joaquim é também um homem negro. Este pode vir a ser um dado novo nas eleições. Imagem da anticorrupção, ele pode ser emblema de muitas outras coisas também. Talvez, quem sabe, toque a corda de nosso racismo, sempre tão disfarçado, tema sobre o qual ele já se pronunciou diversas vezes. Abriria um ótimo debate.

Eupoema, a autodefinição de Décio Pignatari

O publicitário, ator, professor, tradutor, ensaísta e poeta paulista Décio Pignatari (1927-2012) autodefiniu-se no “Eupoema”.

EUPOEMA
Décio Pignatary

O lugar onde eu nasci nasceu-me
num interstício de marfim,
entre a clareza do início
e a celeuma do fim.

Eu jamais soube ler: meu olhar de errata a penas deslinda as feias
fauces dos grifos e se refrata:
onde se lê leia-se.

Eu não sou quem escreve,
mas sim o que escrevo:
Algures Alguém
são ecos do enlevo.

(Colaboração enviada por Paulo Peres, site Poemas & Canções)

Não adianta dizer que a Previdência está quebrada, porque não está

Arnaldo Faria de Sá

Os dados compilados pelo Tesouro, pelo Orçamento e pela ANFIP mostram que a Previdência e Seguridade Social tiveram no ano de 2013 um superávit de 78 bilhões de reais. Vou repetir bem calmamente, para todo mundo entender: 78 bilhões de reais.

Se a gente somar a esse superávit da seguridade as parcelas pagas com benefícios assistenciais, tanto a previdência rural quanto a questão da Lei Orgânica de Assistência Social, dá mais de 100 bilhões.E se se somar esses 100 bilhões aos 78 bilhões de superávit, vai se chegar perto da casa dos 200 bilhões.

Então, não existe essa história de que a Previdência está quebrada. Querem vender a Previdência como quebrada para fazer o jogo da previdência privada. Aliás, é a mesma coisa que fizeram com a saúde: inviabilizaram a saúde pública para vender a saúde privada, e hoje não se tem saúde nem na pública nem na privada. Essa é a grande verdade.

E aqui a gente tem, no Brasil, o exemplo de GBOEX, CAPEMI, Montepio da Família Militar, Montepio disso, Montepio daquilo, e não vi ninguém até hoje aposentado com esses exemplos de previdência privada.

Portanto, lembrando um detalhe de que, na própria crise mundial de 2008, a Washignton Mutual, a maior seguradora de previdência privada americana, quebrou, literalmente quebrou. E a American Internacional Group — AIG quebrou, porque o Governo americano colocou mais de 90 bilhões de dólares a fundo perdido. Ela era responsável por outras situações fora dos Estados Unidos, como aqui no Brasil era sócia do Unibanco, que acabou sendo incorporado ao Itaú.

VAMOS DISCUTIR!

Existem vários projetos em tramitação. Então, vamos discuti-los na Câmara! Vamos discutir se o 4.434 é possível ou não é possível. Vamos discutir se o 3.299 é possível ou não é possível. Não é simplesmente deixar de fora da pauta não. Coloquem na pauta! E não apenas essas matérias. Também temos que colocar na pauta a PEC nº 170.

O que é a PEC nº 170? É aquela que vai devolver a integralidade e a paridade para o aposentado por invalidez. E nós já tivemos uma PEC aprovada nesta Casa, a 270. Na sua regulamentação da Emenda Constitucional nº 70, essa PEC acabou deixando de lado os aposentados e pensionistas. E a PEC nº 170 agora vai, pelo menos, tentar diminuir o tamanho do prejuízo do aposentado por invalidez, que já perdeu a sua plena condição de atividade. É aposentado e vai perder mais pela sua integralidade? Vai perder mais pela sua paridade? É isso o que a gente quer.  A gente que acompanha o Facebook e as redes sociais vê a cobrança que se faz da omissão da Câmara.

Alguns chegam até a se desesperar: falam de maneira ofensiva com os parlamentares e, às vezes, acabam generalizando. E sei que fazem isso porque chegam ao desespero.
Mas eu queria cobrar esta Casa para que a gente tenha a possibilidade de discutir a PEC nº 170 que, em 2003, na Emenda nº 41, acabou deixando de lado a situação do aposentado por invalidez, retirando-lhe a integridade e a paridade. Se isso foi um acaso, que esse acaso possa ser corrigido agora. E há oportunidade para que a gente vote rapidamente a PEC nº 170, que trata da aposentadoria por invalidez.

FILHO DE CHOCADEIRA

Certamente nós queremos cobrar  desta Casa, até porque vários Parlamentares têm pai, mãe e sabem da dificuldade de todo aposentado, de todo pensionista, ainda que a gente reconheça que algum deve ser filho de chocadeira, que não sabe o que é a situação de um aposentado ou de uma pensionista. Se tivesse pai e mãe, certamente teria um pouco mais de responsabilidade. E é isso o que a gente quer discutir. Traga para o plenário! Traga para a discussão! E aí a gente vai resolver essa situação no voto, na conversa, no conchavo ou no que for.

Outra situação que não dá mais para enrolar e deixar passando ao largo do tempo é a PEC nº 555. O que diz a PEC nº 555? Ela quer acabar, gradativamente, com a cobrança dos inativos da Previdência. Pagar pra quê? Pagar pra nada! Já é aposentado. Terá direito a uma nova aposentadoria? Não terá. Então, o que nós estamos querendo fazer é o seguinte: é a redução gradual, para não dizer que a gente está colocando um impacto muito grande nas contas do Tesouro.  A partir do 61º ano reduzir 1/5 da cobrança; no 62º, 2/5; no 63º, 3/5; no 64º, 4/5; e partir no 65º 5/5, parando de cobrar essa contribuição do inativo. Cobrar para quê de inativo? Não há lógica!. Ele terá algum outro benefício? Não terá.

Por isso nós queremos que essa matéria também venha à discussão. Duas PECs e dois projetos de lei, que poderiam representar alguma coisa para o aposentado e para a pensionista. Não é nenhum ganho. A PEC nº 555 não traz ganho nenhum, ela só deixa de ter essa garfada que está tendo. A PEC nº também 570 não traz nenhum ganho, ela só permite que o aposentado por invalidez não tenha um prejuízo tão grande como está tendo. Os Projetos de Lei 3.299 e o 4.434 reconhecem o que o aposentado fez e o que eles merecem. Em relação ao 3.299, pelo menos agora, as centrais sindicais acordaram e vieram à luta tentar mudar esse maldito Fator Previdenciário.

(Arnaldo Faria de Sá é deputado federal pelo PTB
de São Paulo.
Artigo enviado por Ricardo Sales)

 

Em julho de 2010, Lula tinha 7,8 de aprovação e Dilma agora só tem 5,4

Deu no Estadão

A propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio só começará em 19 de agosto, mas há um número que desde já parece indicar que a eleição de 2014 será mais difícil para a presidente Dilma Rousseff do que a de 2010: a nota média dada pelo eleitor brasileiro à administração atual. Segundo a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, o governo federal está com nota 5,4 neste momento – mais de dois pontos abaixo da que Lula teve em junho de 2010, quando recebeu nota 7,8 dos entrevistados pelo instituto.

A diferença entre o humor do brasileiro em relação ao governo federal hoje e naquela época é grande. Se há quatro anos 72% dos brasileiros achavam que seu poder de compra e o das pessoas ao seu redor havia melhorado nos dois anos anteriores, agora apenas 42% acham o mesmo. A situação é parecida em relação às oportunidades de emprego: 56% haviam dito que elas haviam avançado em 2010, contra 36% atualmente.

O problema não se concentra apenas na esfera econômica, mas atinge também a avaliação por parte do eleitorado em relação aos serviços públicos. A queixa da população em relação ao atendimento oferecido pelo poder público em geral foi destaque nas manifestações que se espalharam pelo País em junho de 2013.

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Atualmente, só um em cada quatro brasileiros acha que a educação pública melhorou nos últimos anos, metade do que havia respondido o mesmo em 2010. A avaliação crítica é ainda mais intensa em relação à saúde: 16% dizem que ela está melhor hoje, contra 37% no último ano do governo Lula. Há discrepância também em relação à segurança pública: o porcentual de entrevistados que percebia avanço caiu de 30% para 18%.

A pesquisa também mostrou que a Copa do Mundo no Brasil não impactou a maneira pela qual os brasileiros avaliam o governo Dilma. Assim como no último levantamento do Ibope feito durante o início do torneio, há mais gente considerando a gestão da presidente como ruim e péssima do que como ótima e bom.

No total, 31% dos eleitores avaliam o atual governo como positivo, contra 33% que o consideram ruim ou péssimo. Outros 36% o consideram regular. A avaliação negativa se concentra nos mesmos extratos que dizem não votar na presidente Dilma Rousseff: pessoas de alta escolaridade e renda e que moram em cidades com mais de 500 mil habitantes.

Novamente, a comparação desses números com os do governo Lula revela um quadro completamente distinto. Em junho de 2010, a proporção de brasileiros que avaliavam sua administração como ótima e boa era de 75%, quase duas vezes e meia maior do que a atual. Apenas 5% diziam que ele estava sendo ruim ou péssimo. E, enquanto 50% dos entrevistados do Ibope dizem que desaprovam a maneira como Dilma está governando o Brasil, apenas 11% diziam o mesmo de Lula quatro anos atrás.

O PT envelheceu

Carlos Chagas

Fica difícil avançar previsões a respeito de que partido alcançará maioria na Câmara, nas eleições de outubro. Há quatro anos o PT chegou na frente, com mais deputados do que o PMDB, tradicionalmente ocupante da posição. A duras penas, até hoje, apesar dos troca-troca, os companheiros mantiveram o título de maior bancada. A dúvida é se continuarão.

Entre os dirigentes maiores do PT, a começar pelo Lula, registra-se certa inquietação sobre se o desgaste da presidente Dilma como candidata à reeleição repercutirá nas eleições para o Congresso. No Senado, dada a renovação de apenas um terço de seus integrantes, deverá permanecer o mesmo conjunto de forças, com a maioria folgada do PMDB. O diabo é a Câmara, onde PT até hoje vem equilibrando o jogo, com sua maioria.

Um dos principais fatores da intranquilidade é a falta de renovação nos quadros do partido oficial. Fora exceções, são os mesmos que há tempos o conduzem, nos estados. Melhor exemplo não há do que a má vontade dos caciques petistas diante da candidatura do senador Lindbergh Farias a governador do Rio. Ele parece haver embaralhado acordos e tendências.

Numa palavra, o PT envelheceu. Qual a alternativa para uma hoje improvável substituição de Dilma como candidata, a não ser o Lula. Como alternativa para a presidência da Câmara, sobrou Arlindo Chinaglia, não propriamente um novato.

Pior fica a situação quando se nota que, além das pessoas, as ideias e os propósitos também não foram renovados. Falta aquela garra que marcou a fundação e os anos iniciais do partido. Em vez de mudar, foi mudado.

 

Como opera a propaganda dos EUA

Paul Craig Roberts
Creators Syndicate

Por que os EUA não se uniram ao presidente Putin da Rússia, que exigiu investigação internacional objetiva, não politizada, feita por especialistas, do caso do avião da Malaysian Airlines?

O governo russo continua a distribuir fatos, inclusive fotos de satélite que mostram que havia Buks antiaéreos ucranianos em pontos dos quais o avião de passageiros pode ter sido abatido por aquele tipo de veículo armado, e documentos de que um jato de combate ucraniano SU-25 aproximou-se rapidamente do avião malaio antes de o avião ser abatido. O chefe do Diretorado de Operações dos militares russos disse em conferência de imprensa em Moscou que a presença do jato militar ucraniano foi confirmada pelo centro de monitoramento de Rostov.

O Ministério de Defesa da Rússia observou que, no momento em que o MH-17 foi abatido, um satélite dos EUA sobrevoava a área. O governo russo exige que os EUA disponibilizem as fotos e dados capturados por aquele satélite.

O presidente Putin já repetiu várias vezes que a investigação do voo MH-17 requer “um grupo representativo de especialistas trabalhando juntos sob orientação da ICAO (International Civil Aviation Organization).”

COMO AGE PUTIN?

Putin, ao exigir investigação independente pelos especialistas da ICAO não age como quem tenha algo a esconder.

Falando diretamente a Washington, Putin disse: “Até que se conheçam os resultados dessa investigação, ninguém [nem a “nação excepcional”] tem o direito de usar essa tragédia para fazer avançar seus objetivos políticos egoístas estreitos.”

Putin relembrou aos EUA: “Nós várias vezes pedimos que os dois lados suspendessem imediatamente o banho de sangue e sentassem à mesa de negociações. O que se pode dizer com certeza é que, se as operações militares não tivessem sido reiniciadas [por Kiev] no dia 28/6 no leste da Ucrânia, essa tragédia não teria acontecido.”

COMO AGEM OS EUA?

Dia 20/7, o secretário de estado dos EUA, confirmou que federalistas pró-Rússia estavam envolvidos na derrubada do avião malaio, e disse que seria “bem claro” que a Rússia está[ria] envolvida. Eis as palavras de Kerry: “É bem claro que há um sistema que foi transferido da Rússia para as mãos de separatistas. Sabemos com certeza, com certeza, que os ucranianos não têm tal sistema em ponto algum nos arredores daquele local naquela hora, portanto é óbvio que há um dedo muito claro dos separatistas.”

A declaração de Kerry é mais uma da infindáveis mentiras que secretários de Estado dos EUA mentiram ao longo do século 21. Quem poderia esquecer o pacote de mentiras que Colin Powell mentiu descaradamente na ONU sobre as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein? Ou a mentira que Kerry repetiu incontáveis vezes, de que Assad “usou armas químicas contra seu próprio povo”? Ou as infindáveis mentiras sobre “bombas atômicas do Irã”?

Recordem que Kerry, várias vezes, disse que os EUA teriam provas de que Assad ‘cruzara’ a “linha vermelha” e usara armas químicas. Mas Kerry jamais conseguiu comprovar o que dizia, nunca apresentou uma única prova, que fosse. Os EUA não tinham prova alguma a entregar ao primeiro-ministro britânico, nem mesmo para ajudá-lo a conseguir que o Parlamento aprovasse a participação britânica ao lado dos EUA, num ataque militar contra a Síria! O Parlamento então disse ao primeiro-ministro inglês: “sem provas, nada de guerra”.

KERRY, OUTRA VEZ…

Agora, aí está Kerry outra vez a declarar que tem “certeza”, em ‘declarações’ que já foram desmentidas por fotos do satélite russo e incontáveis provas de testemunhas no solo.

Por que Washington não distribui as fotos do satélite norte-americano? A resposta é: pela mesma razão pela qual Washington não distribuirá os vídeos que confiscou e que, dizem os EUA, ‘comprovam’ que um avião de passageiros sequestrado atingiu o Pentágono dia 11/9. Nenhum vídeo comprova o que os EUA mentem sobre o 11/9; assim como nenhuma foto de satélite comprova as mentiras de Kerry sobre o avião malaio.

Inspetores de armas da ONU em campo, no Iraque, relataram que o Iraque não tinha armas de destruição em massa. Mas esse fato comprovado, porque desmascararia a propaganda dos EUA, foi simplesmente ignorado. Os EUA iniciaram guerra terrivelmente destrutiva, baseados numa mentira intencional mentida em Washington.

O CASO DO IRÃ

Inspetores da Comissão Internacional de Energia Atômica em campo, no Irã, e todas as 16 agências de inteligência dos EUA relataram que o Irão não tinha (como não tem) programa de armas nucleares. Mas esse fato comprovado era inconsistente com a agenda de guerra de Washington e foi ignorado: pelo governo dos EUA e pela imprensa-empresa press-tituta.

Agora estamos testemunhando a mesma coisa, ante a ausência de qualquer evidência que comprovasse que a Rússia teria algo a ver com a derrubada do avião malaio.

Nem todos, no governo dos EUA, são tão irresponsáveis e imorais quanto Kerry e John McCain. Esses mentem. A maioria dos agentes do governo dos EUA vivem de insinuações.

UM EXEMPLO PERFEITO

A senadora Diane Feinstein é exemplo perfeito. Entrevistada pelo canal CNN da imprensa-empresa press-tituta, Feinstein disse: “A questão é: onde está Putin? Eu diria ‘Putin, seja homem. Você tem de falar ao mundo. Tem de dizer. Se foi um erro, como espero que tenha sido, diga!”

Putin não faz outra coisa que não seja falar ao mundo, sem parar, exigindo que se faça investigação por especialistas, não politizada. E Feinstein a perguntar por que Putin se esconde em silêncio! Feinstein lá estava para insinuar que ‘sabemos que você é culpado. Só não sabemos se foi crime deliberado ou acidental.’

O modo como todo o ciclo ocidental de noticiário foi orquestrado para instantaneamente culpar a Rússia, desde muito antes de que surja qualquer informação real confiável, sugere que a derrubada do avião malaio foi operação dos EUA.

IMPRENSA PRESS-TITUTA

É possível, é claro, que a bem adestrada imprensa-empresa press-tituta não precise de orquestração alguma vinda de Washington, para imediatamente culpar a Rússia. Por outro lado, alguns dos desempenhos ‘televisivos’ parecem tão bem ensaiados, que simplesmente têm de ter sido preparados com antecedência.

Também foi preparado com antecedência o vídeo de Youtube montado para ‘mostrar’ um general russo e federalistas ucranianos discutindo que teriam acabado de, por engano, derrubar um avião de passageiros.

Como já comentei, esse vídeo tem dois vícios insanáveis: já estava gravado desde antes do acidente; e, ao apresentar o que seria a fala de um militar russo, esqueceu que qualquer militar saberia ver as diferenças entre um avião de passageiros e um avião militar de combate. A própria existência daquele vídeo já implica que houve um complô para derrubar o avião e culpar a Rússia.

Já vi relatórios que dizem que o sistema russo de mísseis antiaéreos, como um de seus dispositivos de segurança, faz contato com os transponders das aeronaves, para verificar o tipo de aeronave que aparece em seu alvo. Se esses relatórios estão corretos e se os transponders do MH-17 forem encontrados, é possível que lá esteja gravado o contato.

MUDANÇA DE ROTA

Já vi notícias que dizem que o controle aéreo ucraniano mudou a rota do MH-17 e o mandou sobrevoar diretamente a área de conflito. Os transponders também indicarão se isso é verdade. Se for, há claramente uma prova, pelo menos circunstancial, de que foi ato intencional de Kiev – e ato que teria de ter sido aprovado pelos EUA.

Há notícias ainda de que haveria uma divergência entre os militares ucranianos e milícias não oficializadas formadas por extremistas ucranianos de direita, que aparentemente foram os primeiros a atacar os federalistas. É possível que Washington tenha usado aqueles extremistas para derrubar o avião malaio, para inculpar os russos e usar as acusações para pressionar a União Europeia a acompanhar as sanções unilaterais dos EUA contra a Rússia. Sabe-se que os EUA estão desesperados para conseguir quebrar os crescentes laços econômicos e políticos entre Rússia e Europa.

Se havia um complô para derrubar um avião de passageiros, todos os dispositivos de segurança do sistema de mísseis teriam sido desligados, para que não abortassem o ataque e para que não houvesse registro de ataque, não acidental, mas deliberado. Essa pode ser a razão pela qual os ucranianos mandaram um jato para ‘inspecionar’ de perto o avião malaio. É possível que o alvo fosse o avião presidencial de Putin, e a incompetência dos criminosos os tenha levado a destruir um avião de passageiros.

MENTE ABERTA

Há inúmeras explicações possíveis. É importante, agora, manter a mente aberta e resistir contra a propaganda dos EUA, até que apareçam os fatos e as provas. No mínimo, os EUA são culpados por usar o incidente para inculpar os russos ‘antecipadamente’, antes de qualquer prova.

Até agora, Washington só distribuiu acusações gratuitas e insinuações. E se Washington continuar a só distribuir acusações e insinuações sem provas… logo se saberá com certeza de quem é a culpa.

Enquanto isso, lembrem do menino que gritou “lobo!”, sem haver lobo algum, muitas vezes. Tantas vezes mentiu que, quando o lobo afinal realmente apareceu, ninguém acreditou nos gritos do menino. Será esse o destino final de Washington?

ATRÁS DE MENTIRAS

Nas guerras que declarou ao Iraque, ao Afeganistão, à Líbia, à Somália e à Síria, os EUA sempre se esconderam atrás de mentiras. Por quê? Se Washington quer guerra contra o Irã, a Rússia e a China, por que não declara guerra?

A razão é que a Constituição dos EUA exige que, para que haja guerra, o Congresso emita uma Declaração de Guerra. Com esse dispositivo, se esperava que o Congresso conseguisse impedir que o Executivo fizesse as guerras que quisesse, para promover as agendas ocultas que bem entendesse. Agora, quando já abdicou dessa responsabilidade constitucional, o Congresso dos EUA já é cúmplice nos crimes de guerra do Executivo.

E ao aprovar o assassinato premeditado de palestinos por Israel, o governo dos EUA já é cúmplice também nos crimes de guerra de Israel.

Agora, se pergunte você mesmo, e responda: o mundo não seria mais seguro, lugar de menos morte, menos destruição e menos refugiados sem teto, e não seria lugar de mais verdade e mais justiça, se os EUA e Israel não existissem?

Defesa de Cerveró vai responsabilizar Dilma e o Conselho Administrativo por Pasadena

Fernanda Nunes
O Estado de S. Paulo

A presidente Dilma Rousseff e os outros membros do conselho administrativo da Petrobrás em 2006  serão o alvo da defesa do ex-diretor da estatal Nestor Cerveró em sua argumentação contra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de responsabilizar a antiga diretoria pela compra da refinaria de Pasadena em condições desfavoráveis à estatal.

Dilma, que presidia o conselho administrativo na época da compra da refinaria, e os demais conselheiros do período foram inocentados de qualquer responsabilidade pelo Tribunal, que considerou que a presidente não teve o acesso devido às informações sobre as condições do contrato. Em contrapartida, o TCU responsabilizou, na quarta, os diretores pela aquisição e decidiu pelo bloqueio dos seus bens.

O argumento do advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, é que, pelo estatuto da empresa, o conselho de administração é o único responsável por qualquer aquisição. Ele cita trechos do estatuto que exigem do presidente do conselho tomar conhecimento dos detalhes das negociações. “O presidente do conselho pode pedir esclarecimentos sobre os contratos. O resumo executivo é meramente uma apresentação, um suplemento ao que é obrigatório”, afirmou.

NÃO SABIA DE NADA

Dilma, em resposta à reportagem do Estadão de março deste ano, disse não ter sido informada de cláusulas do contrato consideradas inapropriadas. São elas a de Put Option, que prevê que, em caso de desentendimento entre os sócios, a Petrobrás seria obrigada a adquirir a totalidade das ações da refinaria; e a Marlim, que determina que a Astra Oil, então sócia da estatal na usina, teria a garantia de retorno financeiro de 6,9% ao ano.

“O ministro relator foi induzido ao erro. Ele partiu de um pressuposto falso, que inúmeras vezes repetido, passou como se fosse verdadeiro. É falsa a declaração de Dilma de que o resumo executivo das condições de compra de Pasadena era técnica e juridicamente falho. Essa argumentação acabou responsabilizando quem não deveria ser responsabilizado, os diretores”, argumentou Ribeiro.

Ele diz que a diretoria, na época, encaminhou documentação sobre as condições do contrato à secretaria-geral da Petrobrás, que tem como obrigação encaminhá-la ao conselho para apreciação. “Se a secretaria não encaminhou, os conselheiros não poderiam ter decidido pela compra”, contestou.

CONTRA A DECISÃO

Além de atacar o conselho de administração da estatal, o advogado de Cerveró focou também no ministro José Jorge, relator do processo no TCU. Por meio de petição apresentada nessa quarta, ele tentará invalidar a decisão do Tribunal de responsabilizar os diretores com o argumento de que o ministro não poderia ocupar a posição de relator por já ter sido membro do conselho da Petrobrás.

“Ele foi presidente do conselho de administração da Petrobrás em 2001 e 2002, tem interesses em sua decisão. Não basta o julgador ser um homem honesto e íntegro. Ele precisa parecer. Para isso, não deveria ser julgador”, disse Ribeiro.

Vergonha nacional: Justiça do Estado do Rio protege os fichas-sujas e garante a candidatura deles

Daniel Biasetto e Juliana Castro / O Globo

O Brasil tem cerca de 14 mil políticos e agentes públicos condenados nos tribunais de Justiça que, caso sejam candidatos, devem ser impedidos de disputar as eleições deste ano, que começam neste domingo. Levantamento exclusivo obtido pelo Globo junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) permitiu reunir as condenações por improbidade administrativa e por atos previstos na Lei da Ficha Limpa que tornariam os réus inelegíveis para o pleito deste ano.

Juntas, as pessoas envolvidas nos 14.175 processos em que houve condenação nos tribunais regionais federais das cinco regiões, tribunais de Justiça estaduais e Supremo Tribunal Federal (STF) devem pagar à Justiça, entre multas e ressarcimentos, cerca de R$ 3 bilhões em decorrência de infrações criminais cometidas.

- Pode acontecer de uma pessoa ter mais de uma condenação em instâncias jurídicas diferentes, mas que não altera muito o número total de agentes punidos, que fica em torno de 14 mil – explica Clenio Jair Schulze, juiz auxiliar da Presidência do CNJ.

CADASTRO NACIONAL

Os dados do cadastro nacional de condenados por ato de improbidade administrativa e por ato que implique inelegibilidade mostram ainda que a unidade da federação com o maior número de agentes públicos ou particulares envolvidos nos processos em tribunais estaduais é São Paulo, com 2.903 condenações, seguida do Distrito Federal com 2.515, e do Paraná, com 1.581. O Rio de Janeiro é o 14º colocado, com 170 condenados.

O cadastro é alimentado pelos próprios tribunais com informações de processos transitados em julgado (quando não cabe mais recurso) e com condenações em segunda instância por crimes contra a administração pública e outros que tornam a pessoa inelegível.

O fato de haver um número menor de condenações em estados com população maiores que outros pode significar que existe maior ou menor controle entre as instâncias jurídicas, e até mesmo falhas de juízes que deixaram de alimentar o cadastro nacional. Em Rondônia, por exemplo, o sistema tem 623 nomes, enquanto o do Rio tem 170.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGRondônia tem 1,73 milhão de habitantes, enquanto o Estado do Rio de Janeiro tem quase dez vezes mais – 16,4 milhões. Então, como Rondônia pode ter 623 inscritos no cadastro nacional dos fichas-sujas e o Rio de Janeiro ter apenas 170. Fica mais do que evidente que a Justiça do Rio de Janeiro está protegendo os fichas-sujas, garantindo suas candidaturas. Come o se vê, no Rio de Janeiro a Justiça está podre e o tribunal fede a quilômetros. É um verdadeiro lixão, a céu aberto e impune. (C.N.)

Lula se adianta e já gravou uma série de vídeos para exibir no horário eleitoral, em agosto

Em mais um vídeo da série feita pelo Instituto Lula, para a campanha no horário eleitoral, que começa dia 19 de agosto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu que os jovens precisam, além de reclamar, questionar sobre o quê podem fazer para contribuir com seu país.

“Às vezes digo para os meus filhos: posso perder a esperança porque tenho 68 anos e vou completar 69 em 27 de outubro. Meus sonhos e esperanças têm que ser menores do que o sonho e a esperança de um moleque de 16, 17 anos, que está em casa, que está no iPad falando mal de alguém”, afirmou no vídeo divulgado nesta segunda-feira, 21.

“Além de sentar na frente da televisão, do computador e xingar todo mundo, dizer que ninguém presta, é preciso perguntar: o que eu fiz?”, complementou.

SEM FAZER NADA

Esse é o sétimo vídeo da série. Em um deles, o ex-presidente defendeu a realização de uma reforma política feita por iniciativa popular que acabe com “partidos laranja” e “partidos de aluguel”.

No vídeo desta segunda, o ex-presidente contou que, certa vez, fez um curso no sindicato em que a professora perguntava sobre os sonhos de cada um e o que estavam fazendo para concretizá-los. “Muitas vezes ficávamos decepcionados porque a gente não tinha feito nada”, disse. “Tem que levantar a cabeça e ter esperança. Tem que colocar a cabeça no travesseiro e perguntar: O que eu fiz de bom hoje?”, sugeriu.

O ex-presidente recorreu às suas histórias de vida e disse que é preciso trabalhar por “coisas concretas. “Em vez de ficar reclamando daquilo que os outros fazem, daquilo que os outros têm, acho que temos que trabalhar para coisas concretas.”

Brasil mantém condenação “a uso desproporcional da força” por Israel em Gaza

Flávia Albuquerque e Bruno Bocchini
Agência Brasil 

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, defendeu hoje (24) a posição do governo brasileiro que, em nota divulgada ontem (23), condenou “energicamente o uso desproporcional da força” por Israel em conflito na Faixa de Gaza.

“Condenamos a desproporcionalidade da reação de Israel, com a morte de cerca de 700 pessoas, dos quais mais ou menos 70% são civis, e entre os quais muitas mulheres, crianças e idosos. Realmente, não é aceitável um ataque que leve a tal número de mortes de crianças, mulheres e civis”, disse o ministro. “E é sobre esse fato que essa nova nota fala”, ressaltou Figueiredo, após participar, em São Paulo, de evento na Fundação Getulio Vargas.

O ministro lembrou que, na semana passada, o Itamaraty já havia divulgado nota condenando o movimento islâmico Hamas pelos foguetes lançados contra Israel, e também Israel pelo ataque à Faixa de Gaza. “Israel se queixa que, na última nota, não repetimos a condenação que já tínhamos feito. A condenação que já tínhamos feito continua somos absolutamente contrários ao fato de o Hamas soltar foguetes contra Israel. Isso se mantém. Não há dúvida. Não pode haver dúvida disso”, afirmou Figueiredo.

Ele acrescentou que a última nota do Itamaraty não omite nada que foi dito antes. “Ao contrário,a gente pede o cessar-fogo imediato. Cessar-fogo quer dizer o quê? [Cessarem] os ataques das duas partes. Não há cessar-fogo unilateral, não é isso que a gente pede. A gente pede que as duas partes parem os ataques. Isso permanece.”

UM DOS ONZE PAÍSES…

Figueiredo rebateu ainda afirmação do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, que, segundo o jornal The Jerusalem Post, classificou o Brasil de “anão diplomático”, apesar de sua posição econômica e cultural.  “O que eu li é que o Brasil é um gigante econômico e cultural, e é um anão diplomático. Eu devo dizer que o Brasil é um dos poucos países do mundo, um dos 11 países do mundo, que têm relações diplomáticas com todos os membros da ONU [Organização das Nações Unidas]. E temos um histórico de cooperação pela paz e ações pela paz internacional. Se há algum anão diplomático, o Brasil não é um deles, seguramente”, reagiu o chanceler.

Segundo Figueiredo, as declarações do porta-voz da Chancelaria israelense não devem, porém, estremecer as relações de amizade entre os dois países. “Países têm o direito de discordar. E nós estamos usando o nosso direito de sinalizar para Israel que achamos inaceitável a morte de mulheres e crianças, mas não contestamos o direito de Israel de se defender. Jamais contestamos isso. O que contestamos é a desproporcionalidade das coisas”, destacou.

O chanceler também defendeu a posição brasileira assumida no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. O Brasil votou favoravelmente à condenação da atual ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza e à criação de uma comissão internacional para investigar todas as violações e julgar os responsáveis.

“A maioria apoiou, inclusive a América Latina inteira. Nós estamos junto da nossa região e apoiamos, neste caso, uma investigação internacional independente para determinar o que aconteceu, o que está acontecendo. Eu acho razoável haver essa investigação internacional independente, e foi a favor disso que nós nos manifestamos.”

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