Dilma e a economia

Suely Caldas
O Estado de S. Paulo

Na última semana pesquisas diversas constataram: o desempenho da economia piorou e vai piorar mais, caem os índices de avaliação do governo e de intenção de votos na presidente Dilma e cresce sua rejeição entre os eleitores, alcançando 35%, a taxa mais alta entre todos os candidatos. Cenário áspero, cada dia mais difícil para uma disputa eleitoral que há seis meses dava como certo um segundo mandato para a petista.

Desde o primeiro ano, 2011, a fragilidade do governo Dilma tem sido desordenadamente construída pelo vazio de um projeto para o País e por uma sucessão de erros na gestão econômica, que têm nas medíocres taxas de crescimento do PIB a inescapável resposta. Entre 2011 e 2013, a taxa média do PIB foi de 1,97% e, se conseguir alcançar 1% em 2014 (há apostas abaixo disso), Dilma terminará seu mandato com 1,7% – o terceiro pior desempenho econômico da história do País, depois dos presidentes Collor (-1,3%) e Floriano Peixoto (-7,5%).

Diferentemente de seu antecessor e padrinho: em oito anos de Lula, a expansão média do PIB ficou em 4%. Em 2010 a taxa subiu para 7,5% e ajudou (muito) a eleger Dilma. A situação agora se inverte e ela não consegue ajudar a si própria. É certo que Lula contou com a sorte de uma economia mundial próspera em seu primeiro mandato. E, no segundo, o País abalado com a crise financeira do mundo rico, Lula usou de artifícios para acelerar a economia e vencer a eleição em 2010, fez a sucessora, mas lhe entregou uma herança pesada que ela não soube desfazer e até aprofundou. Exemplo: o represamento de tarifas públicas e a preocupante situação financeira da Petrobras.

SEM SURPRESAS

Pesquisas recentes (retração de 0,18% na economia, medida pelo Banco Central, o BC; estagnação das vendas do comércio e serviços; desaceleração na geração de empregos) e outras antigas e renitentes (inflação colada no teto da meta; juros nas alturas; queda da produção industrial) não são surpresa para o governo Dilma. Elas têm sido captadas pelo Banco Central, para monitorar suas ações e decisões, e explicitadas em cada relatório trimestral da inflação que a diretoria do banco apresenta ao Senado. No último deles, no fim de junho, o BC manifestou preocupação com o baixo crescimento de todos os setores da economia e previu: em 2014 a agricultura vai despencar de 7% para 2,8%, a indústria retrocede 0,4% e serviços crescem só 2%. Depois das últimas pesquisas, certamente o BC está refazendo essas projeções.

Portanto, surpresa não é. Mas, a cada pesquisa de maus resultados, a equipe da presidente Dilma reage como avestruz: viu antes, mas finge que não viu, surpreende-se e descreve um mundo cor-de-rosa (e desacreditado) para o futuro, garantindo que o quadro será revertido nos meses seguintes. Na arte da ilusão o ministro Guido Mantega é campeão, mas a última foi do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT): ao divulgar que a geração de 25,4 mil empregos em junho foi a pior desde 1998, ele reagiu: “Nos próximos meses vai expandir mais porque a presidente vai anunciar medidas de estímulo para as pequenas e médias empresas”.

TAPANDO BURACOS

E tem sido assim. Se o emprego vai mal, se a indústria se retrai, se o consumo recua, o governo corre para tapar buracos. Desde 2006, quando Dilma venceu a disputa pelo comando da economia com o ex-ministro Palocci e a ordem passou a ser gastar mais, imediatamente surgiu a operação “tapa-buraco” em rodovias. Não se pensou em construir novas e carentes estradas, mas em queimar dinheiro cobrindo buracos nas existentes, que as chuvas e o desgaste do asfalto tratam de refazer.

A “mãe do PAC” fez um plano para o País acelerar o crescimento no presente e vencer disputas eleitorais, mas não se preocupou em desenhar estratégias e construir projetos para o futuro. E assim tem sido nestes quatro anos. Junte-se aí uma sucessão de erros de gestão (o represamento de tarifas de combustíveis e energia elétrica e os truques e mágicas nas contas públicas são os mais graves), e Dilma Rousseff colhe agora a descrença de quem pretende e tem potencial para investir, mas acaba adiando investimentos. E o mau desempenho da economia reflete isso.

No TCU, estranhas confabulações sobre Pasadena

Percival Puggina

Mergulhou fundo em estranhas confabulações o relatório do TCU sobre a aquisição da refinaria de Pasadena. Saiu ensopado, mas saiu como o governo queria, nada respingando para o lado do Conselho de Administração. Ou seja, para o lado da presidente Dilma, que, à época da inconcebível compra, pilotava o órgão de aconselhamento superior da estatal.

O jornal O Estado de São Paulo informa, na edição do dia 25 de julho, que o ministro do TCU José Múcio Monteiro, na segunda-feira 21, dois dias antes da sessão de julgamento, esteve reunido em São Paulo com o ex-presidente Lula. Segundo o ministro, foi uma visita para matar saudade e jogar conversa fora. Para Lula, nem isso. Jacaré não vai para o céu e Lula sabe muito bem o motivo. Recusou-se a comentar o assunto.

Para as fontes do jornal, no entanto, o encontro efetivamente ocorreu como parte de uma investida do governo para blindar a presidente e evitar danos à sua imagem quando ela está em plena campanha para suceder a si mesma. Até o início da semana havia a expectativa de que o relator do processo, ministro José Jorge, indicaria responsabilidade de Dilma em virtude de sua posição no Conselho à época dos fatos.

“PROCUROU OS COLEGAS E PONDEROU…”

Transcrevo parte da matéria: “Após a conversa com Lula, o ministro do TCU procurou os colegas e ponderou que responsabilizar Dilma neste momento pré-eleitoral seria politizar demais o caso, além de repetir a defesa do governo de que a presidente votou a favor da compra da refinaria com base em resumo incompleto sobre o negócio. Um ministro, ouvido pelo Estado sob a condição de anonimato, relatou que até uma vaga no Supremo Tribunal Federal foi mencionada. A votação foi unânime“.

Noutra parte da mesma matéria, lê-se: “Lula sinalizou que até mesmo cargos em um eventual segundo mandato de Dilma poderiam ser usados como elemento de convencimento dos ministros”.

DECISÃO UNÂNIME

No dia 23, enquanto os corredores se agitavam e os celulares esquentavam as orelhas, o ministro Benjamin Zymler pediu vistas ao processo. O pedido, formulado com intuito preventivo, foi imediatamente retirado quando se evidenciou que a maioria dos membros da corte se inclinava em favor da não inclusão da presidente. Nesse mesmo sentido, aliás, posicionou-se o relator, ministro José Jorge, no voto que proferiu. Decisão unânime.

A questão que fica no ar, sem possibilidade de resposta conclusiva, é a seguinte: a deliberação do TCU foi influenciada, ou não, pelo que ocorreu nos bastidores? O que sim, se sabe, é que as fontes do Estadão relatam algo que, desgraçadamente, se torna muito verossímil porque tem toda a cara do Brasil que, a cada dia, mais e melhor conhecemos.

Será que desta vez Maluf vira mesmo ficha suja e sai da política?

Mateus Coutinho e Ricardo Chapola
Estadão

A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP) impugnou o registro da candidatura à reeleição do deputado Paulo Maluf (PP). O pedido que pede o enquadramento do deputado na Lei da Ficha Limpa foi apresentado junto com outras 824 impugnações recebidas pela corte eleitoral na sexta-feira passada.

O que motivou o questionamento da Justiça diante da candidatura foi a condenação do parlamentar em novembro de 2013 no caso de superfaturamento das obras do Túnel Ayrton Senna durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo, entre 1993 e 1997.

Dentre as penas a que foi submetido, Maluf teve os direitos políticos cassados por cinco anos, o que o torna inelegível.

Além disso, como foi condenado por improbidade administrativa por um órgão colegiado do Tribunal de Justiça de São Paulo, para o procurador Regional Eleitoral, André de Carvalho Ramos, a decisão da Justiça de São Paulo permite enquadrá-lo na Lei da Ficha Limpa.

SEM ATESTADO

Segundo Carvalho Ramos, Maluf não apenas não conseguiu suspender sua condenação no Tribunal de Justiça, como ainda deixou de apresentar à Justiça Eleitoral a documentação que atesta que ele está “em pleno exercício de seus direitos políticos”, uma das condições necessárias para se candidatar, segundo a legislação eleitoral.

Entre as condições previstas para um candidato ser enquadrado pela Lei da Ficha Limpa está a condenação por “ato doloso (intencional) de improbidade administrativa” que tenha causado “lesão ao patrimônio público” e “enriquecimento ilícito” do condenado. A eventual condenação também precisa transitar em julgado (quando não cabem mais recursos) ou ainda ser proferida por algum órgão colegiado da Justiça, como no caso de Maluf, condenado por decisão da 10ª Câmara de Direito Público do TJ de São Paulo.

MALUF SE DEFENDE

Por meio de nota, a defesa de Maluf, informou que ele não foi enquadrado pela Lei da Ficha Limpa. “No caso em questão Paulo Maluf não foi condenado por ato doloso nem por enriquecimento ilícito. Por essas razões a Lei da Ficha Limpa não impede que Paulo Maluf participe das próximas eleições.”, afirma a nota.

Para o procurador, contudo, fica provado nos autos do processo que o ex-prefeito nomerou para os cargos de secretário municipal de obras e para a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) na época um “homem de confiança e amigo de longa data” que permitiu uma fiscalização menos rigorosa dos pagamentos da obra do túnel, o que configuraria a intenção de Maluf em praticar o crime.

O ex-prefeito tem sete dias, a partir de hoje, para apresentar sua defesa, que será julgada junto com a impugnação pelo TRE.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Está difícil acreditar que enfim Paulo Maluf será impedido de se candidatar. Procurado pela Interpol e impedido de viajar ao exterior, o deputado paulista é um fenômeno em matéria de impunidade. Vamos aguardar para ver como ele se safará dessa situação. (C.N.)

Vai ser difícil achar o culpado (ou culpados) pela queda do viaduto da Copa em BH

Raquel Faria
O Tempo

As informações já disponíveis indicam não haver um grande e único culpado, mas um número enorme de culpáveis nessa impressionante série de equívocos que resultou na tragédia do Guararapes, um viaduto projetado em Belo Horizonte por uma empresa faz-tudo, construído por empreiteiros que não se responsabilizam pela obra e fiscalizado por um órgão dirigido por quem não é do ramo.

Um ano antes de desabar, o viaduto Batalha dos Guararapes foi mudado. A obra teve dois aditivos em junho de 2013, no total de R$ 4,878 milhões, o que elevou seu preço inicial em quase 30%, de R$ 15,5 milhões para mais de R$ 20 milhões. A diretoria da Cowan alegou no pedido de verba suplementar que os projetos haviam sofrido revisão e ganhado estacas de 700 mm de diâmetro, item não previsto originalmente. Mesmo assim, desabou.

CARIMBO OFICIAL

Pelo montante dos aditivos, o viaduto foi bem alterado durante a construção. E toda a revisão de engenharia e de preço se deu com o aval do órgão fiscalizador de obras da Prefeitura de BH, a Sudecap. Os pedidos da Cowan tiveram assinaturas de anuência no órgão tanto do fiscal que supervisiona a obra, Mauro Lúcio Ribeiro da Silva, como do diretor de Infraestrutura, Cláudio Marcos Neto.

E a empresa que projetou o viaduto Batalha dos Guararapes, Consol, encerrou seus trabalhos para a Sudecap em abril de 2013, antes dos aditivos financeiros no contrato da construtora Cowan, ambos feitos no mês seguinte com a justificativa de que o projeto original havia sido alterado e incluído novos materiais. Portanto, a projetista não apoiava mais a fiscalização da obra à época dos aditivos. E não acompanhou a execução das alterações. Esse caso, quanto mais se revolve, maiores a lambança e a improvisação.

A tragédia do Oriente Médio

Roberto Nascimento

O erro fatal daquela histórica Assembleia-Geral da ONU ocorrida em 1947, criando o Estado de Israel, foi certamente ignorar os palestinos que viviam naquelas terras áridas. Um povo agraciado e outro sem pátria e obrigado a viver em guetos espremido entre as fronteiras do recém-criado povo judeu, o Líbano, a Jordânia, o Egito e a Síria.

A ONU de 1947 é a mesma ONU de hoje, apenas um retrato na parede. Erros atropelados por mais erros e sem nenhum poder para resolver os conflitos e as guerras localizadas na África, na Europa e na Ásia. O Conselho de Segurança está a serviço das grandes potências, vetando qualquer resolução que seja contra os interesses dos Estados Unidos, o país que dá as cartas naquele organismo internacional.

Esse novo Império Romano, com ajuda das velhas e decadentes nações europeias, faz o que quer ao fomentar grupos chamados de insurgentes, armando-os contra as nações cujos governantes ousam contrariar os interesses do gigante internacional.

Então, a mídia internacional, comprada pelos detentores do poder maior e avassalador, incute nas consciências globais aquilo que interessa e esconde o que não convém à realidade dos fatos. Sobre esse prisma, a verdade jamais vem à tona, pois na paz e principalmente na guerra, a primeira vítima é a verdade.

NADA É POR ACASO

As atuais frentes de guerra no Oriente Médio não acontecem por acaso, aliás, nem uma folha que cai é fruto do acaso, pois tudo está ligado a tudo na interdependência universal. Alguns ditadores do Oriente Médio, até mesmo aliados dos governos americanos, principalmente os da era Bush, foram pacientemente e planejadamente minados no seu interior, a partir dos “cavalos de Tróia” infiltrados em seus círculos de poder.

O exemplo mais assustador é Saddam Hussein, o ditador sanguinário do Iraque, parceiro do governo americano e que inocentemente caiu na armadilha da diplomacia americana, que o incentivou a entrar em guerra com o Irã, o alvo principal da grande potência pelo fato dos aiatolás liderados pelo líder Aiatolá Khomeini terem derrubado o Xá Reza Pallevi, amigo dos americanos.

Saddam não logrou êxito após oito anos na frente de batalha, que ao final, enfraquecido e endividado, o Exército dilacerado e mais um erro, o definitivo, ao aceitar a sugestão de um diplomata americano para invadir o Kuwait e se apossar dos poços de petróleo do pequeno país criado pela Inglaterra, para com a venda do petróleo poder pagar as dívidas da guerra. Aceitou o conselho, invadiu o território kuawitiano e viu tropas americanas entrarem no Kuwait expulsando o Exército do Iraque humilhando o já combalido governo de Bagdá.

ARMAS QUÍMICAS?

O resultado, uma tragédia grega para Saddam, que foi acusado pelos seus ex-amigos de abrigar arsenais de armas químicas, e de até ter armas nucleares, cujas alegações não passavam de propaganda enganosa. A máquina de guerra ocidental entrou no Iraque e destruiu toda a infraestrutura militar e civil. Milhares de soldados e civis foram assassinados e o ditador foi obrigado a fugir e encontrado escondido em um buraco, sujo, barbado, faminto igual a um mendigo de rua. Capturado, preso e finalmente enforcado.

Quase o mesmo destino aconteceu com Muamar Kadaffi, o ditador da Líbia, minado a partir da cidade de Benghasi e depois a centelha dos insurgentes se espalhou até a capital Trípoli e seu bunker invadido e destruído pelas bombas despejadas dos aviões assassinos chamados de drones.

A unidade árabe foi para o espaço. Hoje, nenhum pais do Oriente Médio tem condições de enfrentar qualquer inimigo, pois estão destroçados literalmente. O alvo mais aterrador do momento está sendo a Síria. Até antigos aliados como a Turquia se prestam a ceder suas fronteiras aos insurgentes para o ataque e posterior tomada das cidades mirando ao final chegar a Damasco, a capital da Síria.

Como nada acontece por acaso, conforme descrevi inicialmente, então, como podemos acreditar que os fatos que vem ocorrendo surgiram espontaneamente? Se eles são semelhantes na cronologia dos acontecimentos e na tragédia final, que atinge os ditadores sejam eles, cruéis ou “democráticos” e que milhares de crianças, idosos e mulheres são abatidos mortalmente sem a piedade e a solidariedade da maioria dos habitantes da comunidade das nações representadas pela ONU.

Só resta lamentar que o mundo continue o mesmo ou até pior do que na época dos bárbaros e da Idade Média.

O Congresso não respeita a Constituição Federal

Pela segunda vez consecutiva, as duas Casas do Congresso entram em recesso sem terem votado um dos instrumentos que deveriam ser levados muito a sério: senadores e deputados vão cuidar de suas vidas – neste ano, com a desculpa de fazer campanha eleitoral – sem terem votado a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Parece brincadeira.

Quem ergueu a bandeira do orçamento impositivo para não ficar à mercê dos humores do Executivo nem sequer se lixa para verificar quais prioridades serão observadas na peça orçamentária que o governo deverá mandar ao exame congressual até 31 de agosto. Traduzindo, se é verdade que as manifestações populares reclamaram das péssimas condições dos serviços públicos mais importantes para a maioria, Suas Excelências não se preocupam em balizar, pela LDO, o que o Executivo deve necessariamente contemplar nesse prévio e verdadeiro guia para o conhecimento, pelo menos, de que o dinheiro público vai ser empregado nisso, e não em suntuosas obras inacabadas ou em prometidas obras jamais começadas.

Para completar essa verdadeira lição de cinismo, saem de férias e impedem que seus assessores – que têm o mesmo direito – o façam, de modo que televisões e rádios, ou mesmo a mídia escrita, não encontrem às moscas salas e corredores das duas Casas. Ficam lá os assessores dedicadamente trabalhando no que devem fazer, ou apenas fazendo hora, até que as redações retirem dali seus jornalistas para fechar a tempo suas edições. Pena que poucos chiem contra isso. Onde estão a OAB, a ABI, a CNBB – todas legítimas e insuperáveis defensoras dos direitos do povo brasileiro?!

ATENDIMENTO PONTUAL

Esse tipo de comportamento escancara o que significa um sistema político-eleitoral em que a relação mandatário/eleitor fica reduzida a um atendimento pontual de interesses locais e localizados. Cada parlamentar que é candidato só quer saber de agradar a seu público, isto é, àqueles que estejam ao alcance de sua campanha. Daí a palhaçada de votações em que, para agradar a uma categoria reivindicante, os parlamentares usam em fila o microfone para fazer entre si rapapés, cada um frisando a importância do outro para que aquela reivindicação seja atendida.

Num dia desses, um professor da UFRJ, que pertence a um amplo conjunto de outros intelectuais Brasil afora, concedeu entrevista, chamando a atenção para o fato de que só o incremento individual ou familiar da renda não é suficiente para atender as necessidades das amplas massas, quando estas se amontoam nos conglomerados das nossas regiões metropolitanas legal ou apenas informalmente constituídas. Como atender aquilo de que precisa a maioria em transporte coletivo, equipamentos de saúde, escolas, locais de moradia quando não há um diálogo nem um arranjo institucional capaz de melhorar de fato a qualidade de vida das pessoas?

Nada disso preocupa os que têm mandato ou ocupam cargos públicos. Cada um quer mandar um dinheirinho para seu município… Ao fim e ao cabo, qualquer problema só lhes incomoda durante a campanha eleitoral. Passada esta, adeus preocupação! (transcrito de O Tempo)

Para ser deputado pelo Distrito Federal, é preciso gastar pelo menos R$ 1,5 milhão

Helena Mader e Almiro Marcos Correio Braziliense
Para conquistar um mandato na Câmara Legislativa ou no Congresso Nacional, em Brasília os candidatos terão que gastar muito mais do que sola de sapato. Além de rodar o Distrito Federal no corpo a corpo com o eleitorado, os concorrentes vão precisar investir alto na campanha. A estimativa do custo de um mandato de deputado distrital este ano supera R$ 500 mil.
No caso de desconhecidos da população, o valor será ainda maior. Na corrida por um mandato de deputado federal, o valor individual necessário deve passar de R$ 1,5 milhão. As cifras são bem maiores do que a média gasta pelos eleitos em 2010. Na última disputa no DF, cada distrital eleito gastou, em média, R$ 332,6 mil. Os federais que chegaram ao Congresso há quatro anos desembolsaram uma média de R$ 1 milhão cada um. Durante a campanha, os candidatos precisam de combustível, material gráfico, pagamento de cabos eleitorais e aluguel de imóveis e de veículos, como carros de som. Alimentação, produção de jingles, manutenção de páginas na internet, contas de telefone, gastos de energia nos comitês e até o pagamento de multas por descumprimento da legislação eleitoral têm que entrar na lista de gastos.
BRIGA NO DEM
Para conseguirem os recursos necessários de forma legal, os candidatos recorrem a doações de pessoas físicas e jurídicas, doações pela internet, fundo partidário, comitês de campanha e, na maioria das vezes, colocam a mão no bolso para usar recursos próprios. Também há casos de candidatos que ajudam outros, na maioria das vezes concorrentes a cargos distintos. Na semana passada, o financiamento de campanhas ganhou ares de polêmica por causa de um embate interno no DEM. O presidente regional do partido, Alberto Fraga, registrou ocorrência contra a candidata a distrital Denise Leitão Rocha por calúnia e difamação. Segundo Fraga, Denise teria cobrado R$ 400 mil para pagar os custos da campanha e, diante da negativa, teria agredido o correligionário em redes sociais. Ela nega ser a autora dos xingamentos, mas garante que ouviu de Fraga a promessa de ajuda financeira ao ser convidada a se filiar no DEM. “Só posso oferecer um kit com santinhos e adesivos, como é com os outros concorrentes a distrital”, afirma Fraga.
### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Distrito Federal é a menor unidade da Federação, a campanha é concentrada e fica mais barata. No Estados maiores e mais importantes, o custo de uma campanha para deputado federal pode chegar a 5 milhões. País rico é assim mesmo. (C.N.)

Aviso aos navegantes: a migração da Tribuna da Internet será feita hoje

Carlos Newton

Conforme adiantamos aqui, a migração da Tribuna da Internet com mudança de servidor será feita hoje. Pode ser que haja alguma interrupção ou problema técnico para acesso ou inserção de comentário, mas esperamos que tudo corra bem e nossos comentaristas nem notem a migração. Aproveitamos para agradecer a todos os que se mantém fiéis à Tribuna da Internet, apesar dos múltiplos e surpreendentes os problemas que têm surgido aqui e que têm dificultado nosso funcionamento normal. Nos primeiros anos, quando tínhamos pouca audiência, jamais enfrentamos “problemas técnicos”. Mas depois que a audiência aumentou, chegando a mais de 64 mi acessos diretos num só dia, tudo mudou. Deve ser coincidência…

A natureza com jeito de mato, no cantar de Maurício Santini e Paula Fernandes

Em parceria com Maurício Santini, a arranjadora, cantora e compositora mineira Paula Fernandes de Souza retrata, peculiarmente, na letra da música “Jeito de Mato”, o universo paralelo que existe dentro de cada ser. A música faz parte do CD Paula Fernandes – Ao Vivo gravado, em 2011, pela Universal Music Brasil.

JEITO DE MATO

Maurício Santini e Paula Fernandes

De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita.
Do regalo de terra que teu dorso ajeita.
E dorme serena, no sereno e sonha.

De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita.
Do mato, do medo, da perda tristonha.
Mas, que o sol resgata, arde e deleita.

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda.
É teu destino, é tua senda.
Onde nascem tuas canções.
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória
E acende os corações.

Sim, dos teus pés na terra nascem flores.
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar.
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras.
Sete lagoas, mel e brincadeiras.
Espumas, ondas, águas do teu mar.

       (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Pesquisas acendem sinal vermelho no Palácio do Planalto

Vicente Nunes
Correio Braziliense

No Palácio do Planalto, o clima é de apreensão, sobretudo porque Dilma perdeu quase toda a vantagem que tinha sobre a oposição nas pesquisas de intenção de voto. A popularidade da presidente está em queda em todas as regiões, com o índice de rejeição atingindo patamares recordes. Os assessores presidenciais admitem que não será fácil para a candidata petista explicar o porquê de ter empurrado a economia para a recessão.

O discurso de que os pessimistas são contra um projeto de 12 anos, que promoveu a ascensão social de mais de 40 milhões de brasileiros, já não cola. É justamente nessa nova classe média que se nota o crescente descontentamento com o governo. O temor de perder conquistas tão importantes está evidente. E vai se refletir por meio de muitos votos.

Integrantes da campanha da presidente Dilma reconhecem que ninguém tem mais a ganhar do que ela, se anunciar, antes das eleições, qual será sua equipe econômica em um eventual segundo mandato. Ainda que timidamente, os auxiliares petistas reconhecem que o Planalto é a principal fonte de incerteza que hoje está travando o país. O ideal, reconhecem, é que ela dê um choque de credibilidade, com nomes fortes, pois, depois de quatro anos prometendo e não cumprindo, não será qualquer pessoa para comandar o Ministério da Fazenda, por exemplo, que mudará o humor de empresários e investidores.

PRAZO ÀS ELÉTRICAS

Nada indica que o governo fechará até o fim do mês o novo empréstimos de R$ 6,5 bilhões para socorrer as distribuidoras de energia e evitar um aumento maior na conta de luz. Há muitos pontos a serem amarrados com os bancos convidados a abrirem o caixa. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por sinal, já foi avisada de que poderá ser obrigada a adiar, mais uma vez, o acerto de conta das empresas. O prazo inicial era 15 de julho, mas foi estendido para o dia 31.

Genoino pede progressão para regime aberto de prisão, já forçando sua volta à prisão domiciliar

Deu na Agência Brasil
O ex-deputado José Genoino, condenado na Ação Penal 470, processo do mensalão, pediu à Justiça do Distrito Federal progressão de regime. Segundo a defesa, desde o dia 22 de julho, Genoino tem direito a passar do regime semiaberto para o aberto por ter cumprido um sexto da pena, período que garante a progressão. 
A data prevista para a concessão do benefício é 24 de agosto. No entanto, os advogados alegam que o cumprimento da pena no atual regime expirou devido aos 34 dias que o condenado tem de crédito, por ter trabalhado dentro do presídio. 

“Em virtude de atividades realizadas no presídio – tanto trabalho, quanto estudo – o sentenciado tem direito a remição de parte de sua pena, o que antecipou para 22 de julho de 2014 o cumprimento do interstício mínimo de 1/6 (um sexto) necessário para a progressão de regime”, afirma a defesa.

Genoino teve prisão decretada no dia 15 de novembro do ano passado e chegou a ser levado para o Presídio da Papuda, no Distrito Federal. Mas, por determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar temporária, uma semana após a decretação da prisão. Em abril, o ex-parlamentar voltou a cumprir pena de quatro anos e oito meses no presídio.
De acordo com o Código Penal, o regime aberto deve ser cumprido em uma Casa do Albergado, para onde os presos devem retornar somente para dormir. Em muitos casos, diante da inexistência do estabelecimento nos sistemas prisionais estaduais, os juízes determinam que o preso fique em casa e cumpra algumas regras, com horário para chegar ao domicílio, não sair da cidade sem autorização da Justiça e manter endereço fixo.
Por causa do recesso do Supremo, o pedido foi encaminhado ao vice-presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, responsável por decidir questões urgentes até o dia 1º de agosto. Na última quarta-feira (23), Lewandowski pediu o parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e, em seguida, o caso deve ser decidido pelo ministro Luís Roberto Barroso, responsável pelas execuções das penas dos condenados.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG - 
O advogado de Genoino esqueceu de descontar os dias que o mensaleiro passou fora da Papuda, alegando estar doente, assim como o logo tempo em que já ficou em prisão domiciliar em Brasília, também alegando estar doente, embora diversas juntas médicas tenham atestado que ele está bem de saúde e apto até para trabalhar. Na verdade, ele esta forçando novamente a barra para retornar à prisão domiciliar. E assim vai terminando sua carreira demonstrando não ter a menor dignidade. Mas aposentado pela Câmara com R$ 20 mil mensais, sem desconto de Imposto de Renda, mas o rendimento da Bolsa Ditadura, Genoino tem condições de viver à tripa forra, como se dizia antigamente. Sem a menor dúvida, ele pertence à elite branca tão criticada por Dilma e por Lula. (C.N.) 

O derrotado já tem nome

Carlos Chagas

Ao apoiar cinco candidatos a governador do Rio de Janeiro, a presidente Dilma corre o risco de não ser apoiada por nenhum. Dispondo-se a dividir palanques com Aécio Neves e Eduardo Campos, o governador Geraldo Alckmin perde um e não ganha o outro. Diante da disputa no Ceará,  oscilando entre os irmãos Gomes e Eunício Oliveira, o palácio do Planalto cai no vazio. No Rio Grande do Sul, Tarso Genro desconfia estar sendo traído por conta do favoritismo da senadora  Ana Amélia.  Em São Paulo, ninguém acredita na recuperação de Alexandre Padilha: nem o PT nem o Lula, preparando-se Paulo Skaf para, de público,  continuar rejeitando o apoio do governo federal, mas, em particular, contando com os votos petistas para chegar ao segundo turno contra Alckmin.

Esses são apenas alguns exemplos do que  acontece no país inteiro, quer dizer, profunda confusão partidária onde a ideologia ganhou a estratosfera.  Vale  mais a tentativa de vencer as  eleições, para os candidatos a presidente e a governador, sem esquecer os que disputam o Senado.

Por  mais estranho que pareça, oportunidade mais clara não existe para que, empossados os vencedores majoritários e composto o novo  Congresso,  venha a emergir do caos partidário uma reforma para valer. Senão a dissolução dos atuais partidos, ao menos  o remanejamento de seus integrantes. PT e PSDB poderão servir de pólos  para o novo quadro, ficando a pergunta a respeito de como ficará o PMDB. Mal, com toda certeza. A outrora legenda quase única foi-se desfazendo feito sorvete ao sol.  Menos por não haver lançado candidato presidencial desde que Orestes Quércia foi derrotado, mais por conta de haver aderido a todos os governos posteriores, tucanos ou petistas. O eleitor não é bobo. Percebeu a falta de novos líderes com personalidade própria. De tanto abdicar de sua condição de condutor em troca de ser conduzido até o banquete dos  outros, contenta-se o partido  com migalhas caídas da mesa.

Ganhando Dilma ou Aécio, ou mesmo Eduardo, ao PMDB se oferecerão cada vez menos ministérios e menor participação nas decisões de governo. O pior é que nenhuma voz se erguerá de dentro para fora. Quem puder que abocanhe as parcelas cada vez menores de influência nos destinos nacionais. Condenado ao fracasso, o partido vai virar carniça para os urubus que já voam ao seu redor. Pobre dr. Ulysses, perdido no oceano mas certamente feliz por não ter assistido o começo do fim.  Qualquer que seja o vencedor, o derrotado já tem nome.

A batalha de São Paulo na guerra do poder

Gaudêncio Torquato
“Não sou conduzido, conduzo”. O lema do brasão da cidade de São Paulo expressa de modo adequado a importância do Estado mais poderoso da Federação no pleito eleitoral deste ano.

Mas a posição de liderança no processo eleitoral não pode ser entendida apenas em decorrência do poderio econômico do Estado que possui um PIB de R$ 1,5 trilhão, representando 31,2% do PIB nacional. A força de São Paulo vai além da liderança no ranking eleitoral, com seu 23% do eleitorado brasileiro. O Estado exibe o maior grupamento de eleitores racionais. Ao longo dos últimos anos, a comunidade criou múltiplas ilhas no arquipélago do poder, tornando-as canais para fazer chegar demandas aos governantes e representantes, praticando, assim, exercícios de democracia direta.

Costuma-se dizer que o pleito será decidido pela passagem do transatlântico eleitoral pelo Triângulo das Bermudas, constituído por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios. Ou, ainda, que Minas é quem decide, sob o argumento de que o Estado do Sudeste é uma encruzilhada que representa a síntese do país. Ora, quando há na disputa dois candidatos mineiros (Aécio e Dilma), a tese parece fraquejar. O fato é que São Paulo possui os maiores exércitos da guerra eleitoral. As ondas de seu mar costumam empurrar para longe os eventos que geram protestos, denúncias, discursos positivos/negativos, avaliações de candidatos, percepções sobre o cotidiano.

CLASSES MÉDIAS

As alavancas de empuxo são constituídas pelas classes médias: a emergente classe média C, a tradicional classe B e a classe média A, de renda elevada. Os discursos mais críticos e salientes provêm desses aglomerados, que se unem em cobranças e na disposição de votar contra o status quo. Tal posicionamento pode resultar nos chamados “não votos”, contabilizados hoje pelas pesquisas em cerca de 30%, soma de abstenção, votos nulos e brancos. Mas há uma forte coluna que jogará seus votos no continuísmo, particularmente os núcleos e as bases ancoradas nos vãos da administração pública.

Nunca foi tão forte o clamor pela micropolítica, programas e projetos destinados às melhorias da estrutura urbana. À frente das bandeiras, desfilam grupos organizados, categorias profissionais sob comandos de novas lideranças e movimentos que pregam ruptura. Em suma, o nível de conscientização é mais elevado.

Isso posto, desponta a questão: a disputa paulista terá influência nas lutas eleitorais de outras regiões? Tal influência se dá no plano de formação da opinião pública. O fragor da luta não começou agora com a abertura oficial da campanha de rua. Poucos se dão conta de que o rebuliço que toma conta do país, desde junho do ano passado, começou em São Paulo. E as ondas revoltas continuarão.

O país acompanha o que se passa nesta praça de guerra. Não dá para acreditar que o velho axioma resista ao pleito de outubro: “entre mortos e feridos, todos se salvaram”. A batalha de São Paulo será decisiva. (transcrito de O Tempo)

E depois do necessário?

Carla Kreefft

Não importa quem será o próximo presidente da República. É certo que a vida dele ou dela não será fácil. O país vai enfrentar uma situação nova que, de acordo com as soluções apresentadas, poderá ser a marca do Brasil do século XXI.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou uma frase na campanha presidencial de 2002 que cabe agora. “Nós vamos fazer primeiro o necessário, depois o possível e, quando menos se esperar, nós estaremos fazendo o impossível”, disse ele naquela oportunidade.

É certo que, desde as gestões de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil tem melhorado. É evidente que as administrações de Lula provocaram um salto importante no que diz respeito à resolução de graves problemas sociais. A manutenção da estabilidade econômica, a criação de empregos, a redução da miséria e a melhoria nos índices relativos à saúde e à educação, ainda que de forma tímida, são exemplos de avanços importantes.

Pois bem, não importa em qual medida, mas os governos do PSDB e PT fizeram o que era necessário. A presidente Dilma Rousseff deu continuidade a essa caminhada. A pergunta que se faz é: E agora? Qual será o grande desafio do próximo presidente?

MANTER O RITMO

O país, certamente, precisará manter o ritmo de crescimento econômico e de conquistas sociais. Mas como fazer isso, tendo em vista um certo esgotamento das políticas públicas? É preciso reconhecer que as chamadas políticas sociais compensatórias, ainda que mantidas, não serão suficientes para alimentar ou ampliar o nível de empregabilidade. A estratégia usada até aqui para distribuição de renda também não dará conta de continuar, sozinha, transferindo cidadãos de uma determinada classe para a imediatamente superior. A capacidade de consumo interno está se aproximando de um limite prudencial. As pessoas, especialmente as da nova classe média, estão mais cautelosas no momento de ir às compras.

Por outro lado, o poder público não poderá estender indefinidamente suas ações para alimentar o mercado. O próximo presidente não poderá se restringir à ampliação do Programa de Aceleração do Crescimento ou à isenção de impostos para esse ou aquele setor.

Além dessas limitações, há ainda as questões externas. A principal delas é mesmo a retração das economias europeias e a estratégia norte-americana de criar medidas de proteção de seu mercado interno. Como se tudo isso não bastasse, começa a crescer o nível de conflitos na Europa Oriental e Ásia.

Se havia um ambiente externo muito favorável ao crescimento do Brasil até o momento, o tempo já fechou. E de acordo com as novas previsões, nuvens carregadas se aproximam, criando a possibilidade de chuva. E isso não é pessimismo, é meteorologia – pode dar certo ou não. (transcrito de O Tempo)

Advogado denuncia massacre de Yeda Crusius pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul

Fabio Medina Osório

Causa perplexidade a decisão proferida pelo juiz federal substituto da 3ª Vara Federal de Santa Maria, Gustavo Chies Cignachi, semana passada, que recebeu a Ação Civil Pública por Atos de Improbidade Administrativa movida em desfavor da ex-governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius.

A ação de improbidade tramita desde 2009 na Justiça Federal, tendo sido suspensa em relação a Yeda Crusius por força de decisão Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em 14 de outubro de 2009, e de decisão do Superior Tribunal de Justiça, em 02 de fevereiro de 2011.

Trata-se de processo que, originariamente, foi conduzido pela juíza Simone Barbisan Fortes, e que, desde 8 de março de 2013, vem sendo conduzido e presidido pelo juiz titular da 3ª Vara Federal da Subseção Judiciária Federal de Santa Maria, Loraci Flores de Lima. Processo complexo e que reúne mais de 300 (trezentos) volumes e apensos, consideradas todas as ações diretamente relacionadas que, inclusive, foram e estão sendo decididas pelo juízo titular. Só a inicial acusatória tem 1.238 páginas.

JUIZ SUBSTITUTO

Ocorre que, em 23 de julho de 2014, por força de afastamento provisório do juiz Loraci Flores de Lima para atuar no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, foi prolatado nos autos referidos despacho pelo juiz federal substituto, Gustavo Chies Cignachi, recém-removido para a Subseção Judiciária Federal de Santa Maria e cujo contato com os autos foi iniciado recentemente. or esse motivo, presume-se, a decisão foi lavrada sem fundamentação idônea ou exame acurado dos autos.

O juiz substituto não enfrentou uma linha sequer da defesa ofertada por Yeda Crusius, desprezando o dever constitucional de fundamentação das decisões judiciais. Era obrigatório examinar as teses da defesa, os argumentos e as provas dos autos. Nada disso ocorreu. Foi prolatada uma decisão padronizada, que poderia ter sido confeccionada sem nenhuma leitura dos autos, pois revela argumentos abstratos, que servem para qualquer processo. No ponto em que refere a existência de indícios, ignora completamente as provas apontadas pela defesa, sequer examinando-as para refutá-las, se fosse o caso de refutar. Há que se exigir de um juiz o cumprimento rigoroso do dever de examinar os argumentos da defesa e as provas dos autos, não sendo compatível com o Estado de Direito uma decisão arbitrária, destituída de amparo no Direito e nas provas reunidas neste volumoso processo.

Ainda tenho convicção de que a ação de improbidade deverá ser rejeitada, para evitar danos morais e materiais ainda mais expressivos a Yeda Crusius, que já vem sofrendo um autêntico massacre desde a abusiva entrevista coletiva dos procuradores signatários da inicial acusatória, os quais, antes mesmo do ajuizamento da ação, já a acusavam publicamente por fatos que jamais praticou.

Reitera-se que a ex-governadora é vítima de abuso de poder, na medida em que a ação de improbidade carece dos mais elementares fundamentos, inexistindo quaisquer indícios de participação de Yeda Crusius em esquema de fraudes no Detran. Por isso, a decisão do juiz substituto deverá ser reformada, seja por interposição de embargos declaratórios, com efeitos infringentes, seja por força de agravo de instrumento, recursos que poderão ser manejados nos respectivos prazos legais.

 

Segundo a MCM Consultores, as chances da presidente Dilma não ser reeleita já são de 60%

José Carlos Werneck

Segundo matéria de Fábio Alves da Agência Estado, a MCM Consultores passou a atribuir uma probabilidade de 60% de derrota à presidente Dilma Rousseff na eleição. Desde abril, a consultoria trabalhava com um cenário de probabilidade equivalente à reeleição e à vitória da oposição. Hoje, os analistas da MCM rebaixaram as chances da presidente e agora trabalham com uma probabilidade de 60% a 40%, contra a reeleição.

“Não estamos declarando taxativamente, é bom esclarecer, que a presidente Dilma não se reelegerá. Longe disso. É muito cedo. A campanha ainda nem começou efetivamente”, dizem os analistas da MCM na nota enviada a seus clientes. “Contudo, a nosso juízo, já existem elementos suficientes para atribuir mais probabilidade de vitória à oposição do que à candidatura governista.”

De acordo com a consultoria, as últimas pesquisas Datafolha e Ibope representaram um ponto de virada (“turning point”) para o novo cenário, agora desfavorável à reeleição. “Ambas mostraram continuidade na tendência de encurtamento da vantagem de Dilma frente a Aécio Neves e Eduardo Campos no segundo turno e aumento da diferença entre a rejeição à presidente e aos candidatos de oposição”.

Além das pesquisas, a MCM enfatizou que a mudança de cenário também considerou a piora da situação econômica, “sintetizado pelo resultado decepcionante do último Caged (abertura de apenas 25 mil vagas de trabalho em junho), os sinais de forte rejeição ao PT no Sudeste , notadamente em São Paulo e a baixa competitividade das candidaturas petistas nos estados mais importantes do País, com exceção de Minas Gerais, onde Fernando Pimentel é franco favorito nas pesquisas”.

 

Relator pretende votar cassação de André Vargas durante esforço concentrado

Karine Melo
Agência Brasil 

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo contra o deputado André Vargas (sem partido-PR) no Conselho de Ética da Câmara, pretende votar o relatório sobre o processo durante o esforço concentrado da Câmara dos Deputados, marcado para os dias 5 e 6 de agosto.

Vargas, que em abril anunciou a desfiliação do PT, legenda que militou por 24 anos, é investigado por ter atuado em favor de um laboratório que pretendia fechar um contrato com o Ministério da Saúde para fornecimento de remédios. A empresa seria um laboratório de fachada do doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, de combate à lavagem de dinheiro. O deputado nega as acusações.

A intenção do relator era ter liquidado o processo antes do recesso parlamentar de julho, mas como várias testemunhas não compareceram e diversas reuniões do conselho foram adiadas por falta de quórum, a nova previsão teve que ser feita.

O advogado de André Vargas, Michel Saliba, criticou o fato de embora o Conselho de Ética não ter poder de convocação, ter prazo para encerrar os trabalhos. Questionado sobre o não comparecimento de Vargas para se defender no conselho, o advogado explicou que a ida do deputado ao conselho está condicionada a tomada de depoimento de todas as testemunhas de defesa. “ Ele quer vir ao Conselho de Ética, mas não comparecerá em uma data açodada. Entendemos açodada, aquela que não respeita a oitiva de todas as testemunhas”, disse, ressaltando que ainda faltam três testemunhas.  Hoje, o colegiado ouviu o capitão Paulo Ricardo de Souza, da Marinha, que tem contratos com o laboratório Labogen.

NO QUARTO CONVITE…

“A gente não tem como ouvir todas as testemunhas, nós temos um prazo de encerramento. É bom lembrar que as testemunhas de defesa já estão no quarto convite”, disse o relator. Segundo ele, todas que estão sendo arroladas pela defesa poderão comparecer até o dia 29, quando já estarão na sexta convocação, inclusive o próprio deputado André Vargas , depois disso, será encerrada a fase de instrução probatória.

“Se o deputado André vargas também não comparecer como parece que não vai fazê-lo, logicamente ele terá no dia que nos apresentarmos o nosso parecer, o nosso voto, a sua defesa por escrito e oral porque ele vai ter o direito também de vir aqui” , garantiu o relator.

Mesmo assim, Delgado admite que o processo de André Vargas só deverá ser totalmente encerrado durante o esforço concentrado, que deve ocorrer na Câmara em setembro. Isso porque após a votação do parecer deve haver apresentação de recurso por parte de Vargas tanto à Justiça como à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

O jingle (im)possível na campanha de Minas Gerais

Vittorio Medioli
O Tempo
 A tropa petista queixou-se “injustamente” de Fernando Pimentel por um motivo que à primeira vista e para o público em geral pode parecer um caso de traição à presidente candidata, Dilma Rousseff. Não tem nada disso. Mesmo partido, ambos nascidos em Belo Horizonte, “companheiros” de armas e credo ideológico. A falta de menção a Dilma nas primeiras e mais importantes peças de campanha espalha desconforto apenas para quem entende a letra morta, e não o grito do “silêncio”.
Dilma certamente não é, como Lula foi, “puxadora de votos”. Pior, seu índice de rejeição é um “afastador de votos”. Ainda mais em Minas, que tem Aécio, como dizem os petistas, de “imperador” ao longo de 12 anos.
Ao contrário, Pimenta da Veiga entra no vácuo da facilidade, dos mais de 50% de intenções de votos que recolhe do presidenciável Aécio Neves. Entre um e outro, ao veterano Tarcísio Delgado cabe o papel de correr por fora, e apenas começou a correr.
“Falou Zaratustra”, que continua atual depois de milhares de anos, que “o interesse dita o comportamento”. Jogar-se de uma janela de um prédio tomado pelas chamas pode ser melhor que ficar dentro dele. Há sempre algo pior do que se pode fugir. Isso é “relativismo”, ou simplesmente “menos mal” do que se sonha abraçando um travesseiro.
SEGUNDO TURNO?
A disputa pelo Palácio Tiradentes em Minas, depois de ter contrabandeado a candidatura de Vanessa Portugal, que recolhia já 7% das intenções de votos para governador – não pela popularidade, mas por ser a “terceira via” mais detectável no questionário das pesquisas eleitorais –, se afirma num nítido e desgastado bipolarismo, PT versus PSDB. Segundo turno? Depende de Tarcísio Delgado situar-se com credibilidade. Isso cabe a ele demonstrar.
Quem pesquisou o perfil do “governador ideal”, uma espécie de retrato falado do sonho do eleitor mineiro, encontrou, atrás dos 38% de brancos e nulos e dos 7% que “não sabem de nada”, que existe um majoritário desejo de renovação falando de modernidade, superação do Estado que muito cobra e nada dá em troco, da varrição da corrupção e burocracia – principais pés de cabra para arrombar o erário e continuar a esfolar o cidadão sem saúde, educação e segurança. O “retrato falado” teria votos para ganhar de qualquer um.
Desfeita a possibilidade de o eleitor “sonhar” com uma alternativa inovadora, resta escolher um ou outro.
Deveria ser Pimentel um kamikaze a se “casar” com quem mais tira do que atrai votos? Dilma tem que se viabilizar, ultrapassar este momento pelas ações pessoais, pois no refluxo que enfrenta pode levar consigo Pimentel. Pois hoje parece que enfrentar o “imperador” é entendido como enfrentar Minas.
VOTAR CONTRA AÉCIO
A campanha caminha a favor de Aécio em Minas, sob o argumento de que Minas (inteira) voltaria ao topo do Planalto. Votar contra Aécio parece escolha impatriótica para o mineiro? Parece que sim.
A mineira Dilma ajudou esquecendo Minas como seu berço natal. A reforma do Anel Rodoviário, o metrô, duplicações de rodovias, ações que generosamente foram distribuídas pelo Brasil, ficaram sobrevoando o Estado. Fábricas de automóveis e polos químicos, que Lula tirou de Minas como último ato do governo dele, ficaram sem reparação. O “imperador” Aécio teve ajudas indiretas ao se firmar como defensor de Minas e Dilma como ingrata. O que tem a ver Pimentel com isso?
Pimenta da Veiga, costurado no amigo Aécio por 30 anos de compadrio, avança no vácuo dos 50% das preferências do imperador.
Para Pimentel resta o “Aeciel”, Aécio e Pimentel. Tem que sorver esse cálice. Só o segundo turno o afastará da disputa presidencial PT e PSDB, Dilma e Aécio. Se esta acontecer. Dilma sabe, concorda e vê tudo como natural.
Se houvesse segundo turno também em Minas para governador, Pimentel estaria seguramente neutralizado, subjugado ao Aeciel. Mas o segundo turno para governador está longe de acontecer. A separação é para se encontrar lá na frente com mais força.
Para o PT “que conta”, isso foi estudado, certamente não pode ser explicado, mas poderá dar uma diferença de 2 milhões de votos no segundo turno para Dilma aqui, em Minas, se Pimentel ganhar no primeiro. Diferença fundamental. Pimentel está livre, assim, de fazer o melhor para ele, que representa o melhor também para Dilma depois de outubro. A jogada está dada no xadrez de Minas.
Esse é o caminho do (im)possível, a escolha eleitoral de um jingle sem Dilma.

Na economia, 2015 já chegou

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Muita gente no governo acreditava que 2014 seria um ano tranquilo na economia. Nas discussões que se travaram no Ministério da Fazenda e no Banco Central, alguns meses atrás, a percepção era de que, mesmo com a inflação roçando o teto da meta de 6,5%, o ritmo da atividade seria semelhante ao observado no ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,5%. Admitia-se, porém, que, em 2015, a situação seria mais complicada, mas, com a presidente Dilma Rousseff reeleita, possivelmente no primeiro turno, os ajustes necessários para pôr a casa em ordem poderiam ser feitos mais lentamente.

Os mesmos integrantes da equipe econômica que apostavam nesse quadro, admitem agora: foram atropelados pela realidade. Parte da fatura a ser quitada em 2015 já chegou, com o país entrando em recessão às vésperas das eleições, sem que os brasileiros sintam, no bolso, o alívio dos preços dos alimentos.

“Em nenhuma das nossas projeções, havia o risco de queda no PIB em quaisquer dos trimestres do ano. Mas a onda de desconfiança que engolfou empresários e consumidores foi mais forte do que imaginávamos. O país parou”, reconhece um técnico graduado, com acesso à presidente Dilma. “E temos que admitir: o governo errou muito. Subestimou os alertas dos economistas e apostou que uma reação tardia na busca pelo apoio do empresariado daria resultados imediatos”, acrescenta.

PESSIMISMO

Na equipe econômica, são poucos o que veem melhora na economia neste ano e em 2015. “Na verdade, a possibilidade mais concreta é de piora. As eleições agravam o quadro de incertezas. Os empresários com os quais conversamos têm dito que, sem os resultados das urnas, não tocarão qualquer projeto. Vão empurrar com a barriga até saberem quem comandará o Brasil a partir de janeiro próximo e qual será a política econômica adotada”, conta um funcionário da Fazenda. “É desaminador o que nos tem sido repassado pela iniciativa privada”, emenda um técnico do BC.

O maior temor é de que 2015 seja ainda pior do que este ano. Não se pode esquecer que há uma inflação represada dos preços administrados, que o setor elétrico está em frangalhos, que as contas públicas vão de mal a pior e que os Estados Unidos vão aumentar as taxas de juros mais cedo do que se imagina.

A presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, deu uma mão e tanto ao governo brasileiro ao adiar as mudanças na política monetária norte-americana. Mas Brasília parece não ter entendido o recado. Em vez de preparar o Brasil para enfrentar a migração de recursos para a maior economia do planeta, que está em franca recuperação, ampliou as vulnerabilidades do país.

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