Dormir é um santo remédio

Eduardo Aquino

De impressionar, a quantidade de estudos sobre sono,relógio biológico, ciclos circadianos (nossa ritmicidade a cada 24 horas) e o altíssimo preço que alterações sono/vigília causam na atual geração, urbana, tecnológica, baladeira, com péssimos hábitos e opção pelo artificialismo e alto consumo de bebidas, drogas, soníferos, calmantes, entre outras coisas.

Alarmante a constatação de que 7 em cada 10 pessoas se queixam de sono insatisfatório, cansaço ao acordar, ou tem distúrbios severos do sono, como apneia, insônias, síndrome das pernas inquietas, terror noturno, etc.

Estranhamente somos os mamíferos mais incompetentes no que tange as funções básicas de comer, fazer sexo e dormir. Gosto de provocar: quem já viu zebra obesa, elefante impotente, leão com insônia? Afinal o que nos rege são leis naturais, ciclos podem ser solares, lunares e nossos hormônios buscam obedecer a ordem natural das coisas. Aí, vem nossa tresloucada pretensão humana de criar um universo paralelo, artificial – industrializamos alimentos, criamos luz elétrica, bebidas, tornamos o tempo uma dimensão psicológica a parte, maquinizamos nossa realidade e nos escravizamos pela tecnologia, entre outras brincadeiras de ser Deus.

A NATUREZA NOS VENCERÁ

E nessa guerra entre leis artificiais e as naturais, com certeza a natureza, sendo divina, sempre nos vencerá e o preço a ser pago é o aparecimento de transtornos mentais e doenças físicas geração pós-geração.

Alguém pode explicar porque vaqueiro não tem problemas para dormir? Simples: vaca dá leite sábado, domingo, feriados. Acorda sempre as cinco, dorme cedo, recebe a luz do início do dia, não tem vícios tecnológicos. Acorda com a claridade, dorme com a escuridão. Fantástico, pois seu relógio biológico é lunar, seus hormônios sono/ vigília ajustados – melatonina aumenta a noite, cortisona aumenta ao acordar. Faz exercício físico naturalmente indo até o pasto, recolhendo o gado, trabalha o ano todo, tira férias todo dia, pois as quatro da tarde relaxa, joga sua pelada, ou conversa fiada, observa a natureza, adquirindo sabedoria.

Enquanto isso em Gotham City… Legiões de zumbis, hipnotizados por suas telas de TV, computador ou celular, segue maquinalmente, sua rotina de estresse, mau humor, “pensação” disparada. Ansiosos com insônias iniciais (demoram a dormir pelos pensamentos disparados), deprimidos com insônia terminal (acordam precocemente, com ideias de ruína, já que o cérebro tenta evitar o excesso de sono de sonhar, chamado REM, que gastaria muita atividade eletroquímica já deficitária na depressão).

Olha aí a relação direta entre sono e humor! E a memória do sono? Tudo a ver, daí um dos temas recorrentes é que de tanto dormir mal a atual geração terá um percentual de dementes (Alzheimer) imensamente maior e mais cedo. E sono e obesidade? Relação direta, pois o insone desregula a química que gere a fome e a saciedade.

E a cada dia novos trabalhos científicos que vão nos mostrando que dormir bem é um dos melhores remédios que a natureza nos deu para viver mais e melhor. Algo que meu avô Zé Cocão já sabia desde o começo do século passado. Afinal, simplicidade, humildade e naturalidade, são velhos ingredientes que a humanidade sempre usa quando a civilização entra em colapso. E como dizia a antiga TV Itacolomi: “Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar, um bom sono pra você e um alegre despertar! ”

 

Chega de mentira

Luiz Tito

O tempo avança e, lamentavelmente, seguimos para confirmar que o Brasil não sairá do lugar nas próximas eleições. Montou-se no país uma rede aplicada em disseminar a insegurança como uma nova expectativa nacional, como que se, em algum momento, tivéssemos tido cenários muito melhores. Há trinta anos lutamos contra a instabilidade econômica, amenizada pelo projeto de implantação do Plano Real, que, felizmente, nos salvou durante duas décadas. Daí passamos a conviver com decisões pontuais, embutidas em Medidas Provisórias e portarias, que – ao menor descuido – passam a ter valor de lei.

Quando não é essa a realidade, vemos o amontoado de legislação que mais engessa do que regula, usinada em Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e um Congresso Nacional formados por legiões de parlamentares despreparados, desqualificados, profissional e moralmente. As exceções são ínfimas e pontuais. O comum é vermos, operando, gente da mais baixa posição na hierarquia social. Não se necessita de qualquer esforço para perceber-se a fraude que é nossa representação no parlamento brasileiro.

Reclamamos dos governos mas não sabemos viver sem eles. Criticamos o tamanho do Estado brasileiro, de sua larga interferência na vida da nação, em especial, no cotidiano dos seus cidadãos. Mas lutamos todos os dias para colocar na responsabilidade do mesmo Estado soluções paridas pelo histórico jeitinho brasileiro. Combatemos o empreguismo, o paternalismo, o nepotismo, dos outros, sobretudo quando não somos nós os favorecidos, os assessores, os ocupantes dos cargos de confiança.

NA ECONOMIA

Brigamos contra os juros altos do sistema bancário quando somos tomadores de empréstimo, mas também reclamamos da baixa remuneração dos investimentos, quando somos aplicadores. Protestamos contra a falta de qualidade da vida nas cidades mas não criamos opções dignas para a vida no interior do país.

Em Minas mesmo, por exemplo, vemos cruzar o Estado todos os dias uma imensa frota de ambulâncias trazendo pacientes para serem tratados na capital, por absoluta falta de recursos de saúde no interior. Denunciamos os desacertos do Mais Médicos e quebramos os postos de saúde quando temos menos médicos. Protestamos contra a ineficiência dos transportes de massa e incendiamos os ônibus quando as empresas pedem aumento no preço das tarifas.

CARGA TRIBUTÁRIA

Os empresários gritam contra a carga tributária, com total razão. Pagamos impostos de tudo, numa criminosa participação dos tributos no conjunto da economia. Mas estamos também entre os países onde mais se sonega impostos, mais se frauda e se corrompem agentes públicos no mundo. Debatemos a impunidade, mas criticamos as polícias que prendem, a Justiça que se exerce, o Estado que atua como agente da aplicação e do respeito à lei como parâmetro de construção do contrato social.

Precisamos de educação, de bons exemplos, de homens públicos com credenciais sólidas e não as fabricadas pelo marketing político, pela propaganda enganosa na promoção de planos, programas, bolsas e choques, meros artifícios de conservação dos mesmos no poder. Chega de fraude, de mentira, de alianças com meros interesses eleitorais, de má-fé, de conversa fiada de gente que não explica seu patrimônio, sua postura, sua vida e suas verdades. (transcrito de O Tempo)

 

Aliados somente na teoria, PT e PMDB disputam na prática 88% dos eleitores nos Estados

Deu na Agência Estado

O aliado mais importante do PT no governo federal será um de seus principais adversários nas eleições estaduais deste ano. Candidatos a governador petistas vão concorrer com peemedebistas em Estados que concentram quase 9 de cada 10 eleitores do País.

As relações entre PT e PMDB nunca foram exatamente de lua de mel, mas 2014 marca um afastamento significativo entre os dois partidos nas disputas estaduais. As alianças vão abranger apenas 25% do eleitorado, metade da taxa registrada na eleição de quatro anos atrás.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, desde o início do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006), o número de apoios mútuos entre PT e PMDB nas disputas para governador vem aumentando constantemente. Mas esse fenômeno se concentra nos Estados de menos peso eleitoral.

Em 2002, os dois partidos não dividiram nenhum palanque estadual. Mas isso ocorreu por imposição legal: o TSE determinou a chamada verticalização das alianças, ao proibir coligações nos Estados entre partidos que, no plano federal, eram adversários.

VERTICALIZAÇÃO

Na época, o PMDB apoiou formalmente o candidato tucano à Presidência, José Serra, e indicou a candidata a vice-presidente na chapa, a então deputada Rita Camata (ES). Essa aliança inviabilizou qualquer acordo entre peemedebistas e petistas nas disputas para governador.

De lá para cá, e sem a regra da verticalização, o número de Estados em que um dos dois partidos apoiou o outro passou de 5 em 2006 para 9 em 2010 e 10 neste ano. Atualmente as siglas estão juntas em vários Estados com eleitorado pequeno, como Alagoas, Tocantins e Mato Grosso.

A única exceção é Minas Gerais, onde o PMDB apoia o candidato petista, Fernando Pimentel. Em 2010, os dois estavam juntos não apenas em Minas, mas também no Rio de Janeiro, no Paraná e no Ceará, Estados que estão entre os dez de maior eleitorado no Brasil.

BASE FRAGMENTADA

Esse afastamento é, muitas vezes, explicado pela dinâmica da política local, mas também reflete o esfriamento da relação PT-PMDB na esfera federal. Isso foi notado primeiro no Congresso e, posteriormente, nas discussões para formação de alianças eleitorais em 2014. Parte dos líderes peemedebistas passou a defender abertamente o rompimento com a presidente Dilma Rousseff e o apoio a seu principal adversário na corrida eleitoral, Aécio Neves (PSDB).

Os chamados dissidentes peemedebistas mostraram controlar cerca de 40% da cúpula do partido na convenção que aprovou, por 59% dos votos válidos, a permanência de Michel Temer (PMDB) como vice na chapa de Dilma. Em 2010, a aliança com os petistas foi aprovada por uma margem muito maior – quase 85%.

O PSB, integrante da base governista até meados do ano passado, se afastou ainda mais do PT nos Estados desde 2010, em função da mudança na conjuntura federal com o lançamento da candidatura do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos à Presidência.

Em setembro, o partido entregou os cargos que ocupava no governo federal e, de lá para cá, Campos tem feito críticas à gestão Dilma. Por ora, o candidato do PSB ainda poupa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi ministro entre 2004 e 2005.

Nas eleições estaduais de 2006, os dois partidos eram adversários em Estados que somavam 51% do eleitorado nacional. Agora, esse número passou para 88% – ou seja, quase 9 em cada 10 eleitores.

Sem estudar, como o povo conseguirá votar adequadamente?

Dione Castro da Silva

Eu sou mulher, negra, filha de um alfaiate e uma enfermeira diplomada, sempre estudei em escolas públicas, fiz dois cursos universitários em universidades públicas federais (RJ) sem precisar de ‘cotas’ – nem existia essa mistificação até há poucos anos. O problema do Brasil é o seu povo, que vive num eterno círculo vicioso – carnaval, futebol e cerveja – numa ‘tautologia’ sem solução: não sabe votar porque não estuda ou não estuda porque não sabe votar?

Por não saber escolher seus representantes nessa “democracia indireta e imperfeita”, a educação fica a cada ano pior (para atender aos interesses do empresariado da educação (pagou/passou) que domina o Conselho Nacional de Educação, sempre lutando por seus próprios interesses, e aí, nesse cenário ‘dantesco’, educação pública de qualidade para quê?

Sem estudar, não conseguem pensar e escolher alguém que de fato os represente (se bem que, com essa ‘corja’ que aí está, até o direito de ‘escolha’ foi tirado….). Por falta de discernimento, ‘escolhem’ os piores dentre os piores que ‘trabalham’ para manter o “status quo” e o e,nsino público de qualidade torna-se uma utopia, sonhada por meia dúzia de idealistas sem vez nem voz.

Enquanto isso, entorpece-se a massa com o tal do funque, crack, isquenta, faustão, huck, novelas, plim-plim, copa, tele-pregadores milionários e outras baboseiras. E assim, segue a nau dos insensatos chamada Brasil: um país rico de população miserável. Aff!

TCU investiga superfaturamento em empreendimentos do PAC, o programa de obras de Dilma Rousseff

Simone Kafruni
Correio Braziliense

Com indícios de superfaturamento, grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são alvo de investigações do Tribunal de Contas da União (TCU). Dos 10 projetos listados pelo Correio, apenas um, o da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, não está sendo fiscalizado. Ainda assim, o empreendimento sofreu sucessivos atrasos por conta de entraves ambientais e por estar situado em área indígena.

As investigações do TCU apontam, inclusive, valores e prazos diferentes daqueles apresentados nos relatórios do PAC, a cargo do Ministério do Planejamento. É o caso do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um dos maiores empreendimentos da Petrobras. Conforme o TCU, o projeto foi concebido em 2004, com previsão de conclusão em 2011, a um custo de US$ 6,1 bilhões. O investimento evoluiu para US$ 8,4 bilhões em 2006 e, em 2010, chegou a US$ 26,9 bilhões. A partir do Plano de Negócios e Gestão 2013-2017 da estatal, subiu para US$ 30,5 bilhões. Segundo o TCU, a estimativa é de que a obra seja concluída no fim de 2021. Entretanto, no balanço do PAC, a previsão é para agosto de 2016, e o investimento, calculado em R$ 27,8 bilhões.

SUPERFATURAMENTO

Os principais indícios de irregularidade encontrados pelo TCU no Comperj estão relacionados a superfaturamento, a deficiências no projeto básico e ao processo de seleção e contratação da Petrobras. Nas obras de terraplenagem, o critério de medição adotado para o pagamento gerou prejuízo de R$ 76,5 milhões. Já nas obras das tubovias, o sobrepreço chega a R$ 162 milhões. A assinatura de um segundo termo aditivo ao contrato da Comperj também provocou alterações no valor global, indicando, de acordo com o TCU, falhas graves no projeto licitado.

As obras para implantação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, são fiscalizadas desde 2008 pelo tribunal. No total, foram realizadas sete investigações em 18 contratos, cujos valores somados ultrapassam R$ 17 bilhões. O órgão apontou superfaturamento de R$ 69,6 milhões em preços e serviços. Erros na caracterização do solo provocaram aumento de R$ 210 milhões no investimento. Atraso na execução das obras das tubovias elevaram o valor da obra em R$ 510 milhões. Procurada, a Petrobras não respondeu.

Na poesia genial de Orestes Barbosa, a lua furava o zinco e salpicava de estrelas o nosso chão

O poeta carioca Orestes Barbosa (1883 – 1966) é o letrista da antológica canção “Chão de Estrelas”, que Sylvio Caldas musicou e gravou em 1937, pela Odeon.

CHÃO DE ESTRELAS

Sylvio Caldas e Orestes Barbosa

Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões…
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações.

Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou…
E hoje, quando do sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou.

Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam estranho festival:
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional!

A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco,
Salpicava de estrelas nosso chão…
Tu pisavas os astros, distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Reação contrária pode levar CBF a rever indicação de Dunga

Pedro do Coutto

A forte reação contrária dos meios de comunicação e da opinião pública ao retorno do técnico Dunga ao comando da Seleção Brasileira pode levar provavelmente a direção da CBF a rever a indicação. À primeira vista a impressão que se tem é de que a iniciativa de José Maria Marim foi precipitada e não avaliou os reflexos negativos acentuados pelas matérias editadas pelos jornais (manchete de O Globo) e rejeição de 85% registrada em pesquisa realizada pelo Fantástico, noite de domingo.

A Confederação Brasileiraa de Futebol informou, pela Internet, que anunciaria a escolha hoje, terça-feira. Escrevo este artigo na véspera, portanto na segunda-feira. Admito até a hipótese de ocorrer um adiamento na divulgação.

As reações destacam tanto Dunga quanto Gilmar Rinaldi, na imprensa. São fortes  e se estendem a condição de empresário de jogadores atribuída a Rinaldi. Como coordenador do selecionado, nesta situação, ele se tornaria juiz e parte a um só tempo. E é um princípio universal de Direito que ninguém pode simultaneamente ocupar as duas posições. Aliás quanto a Rinaldi, aproveito este espaço para retificar o erro que cometi na sexta-feira quando confundi o goleiro reserva do escrete de 98 com Gilmar Neves, goleiro titular bicampeão de 58 e 62.

DESCONTROLE

Feito o conserto com atraso de alguns dias, voltando ao tema cujo foco central a mim parece a inoportunidade da decisão pró Dunga, estilo agressivo semelhante ao de Felipão, ainda sob o trauma dos sete a um para a Alemanha. Canais de televisão reeditaram  inclusive momentos de intensa exaltação do técnico na Copa de 2010 quando da desclassificação do Brasil nas quartas de final. Na condução de seu trabalho exasperou-se demais, deixando evidente seu descontrole.

O mesmo que envolveu o comportamento de Felipe Scolari, agora, quando numa entrevista a jornalistas afirmou que estava agindo como bem lhe aprouvera culminando a resposta com insultos absolutamente desnecessários e que demonstravam o descontrole que o atingia.

A direção da CBF evidentemente não esperava o resultado da pesquisa do Fantástico destacada pela Rede Globo como um fator de impacto junto à opinião pública. Pois se contasse levaria em conta que a rejeição do nome somado aos sete a um e aos três a zero  para Holanda, ultrapassa, em mal-estar, aos dez gols sofridos pela Seleção na despedida da Copa deste ano. E verdade que outras competições se aproximam. Mas não se tornam fator capaz de se sobrepor à soma da decepção com a precipitação. A esperança, agora, é uma oportuna revisão.

Antes tarde do que nunca.

Lula vai fazer campanha “meia-bomba” para Dilma, só para manter as aparências

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Carlos Newton

Instigante reportagem de Vera Rosa, no Estado de S. Paulo, revela que o comitê da reeleição de Dilma Rousseff teme que o desgaste do PT em São Paulo contamine a campanha presidencial do partido.

“As dificuldades do PT em São Paulo preocupam o partido, que enfrenta a disputa mais difícil desde 2002, ano em que Lula chegou ao Planalto. Em 2006, quando o então presidente concorria ao segundo mandato, seu índice de intenção de votos, nessa mesma época, era de 44% e o de Dilma está em 36%, de acordo com pesquisa Datafolha”, salienta a repórter, dizendo que a ideia da coordenação da campanha é potencializar a simbiose da dupla Dilma/ Lula, para que ela possa fazer comício em Belo Horizonte, por exemplo, enquanto o ex-presidente estiver atuando em São Paulo.

Bem, esta é a versão oficial do PT para justificar o fato de que Lula desta vez não pretende percorrer o país junto de Dilma. Conforme já informamos várias vezes aqui na Tribuna da Internet, Lula aceita fazer campanha para o partido, mas cada um para o seu lado. Não quer mais carregar Dilma nas costas, como fez em 2010, levando-a a uma vitória ampla sobre dois candidatos fortes – José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Está gravando no Instituto Lula uma série de vídeos para o horário eleitoral, vai fazer fotos junto aos principais candidatos petistas, mas nada de empenho total.

AS ESPERANÇAS DE DILMA

Dilma tinha esperanças de que Lula superasse o fato dela ter insistido em sair candidata, ao invés de ceder a vaga a ele, como era o propósito do PT. O partido em peso esperava que ela aceitasse a volta de Lula, mas a presidente insistiu em exigir a reeleição e Lula, contrafeito, abandonou a disputa.

Agora, Dilma precisa desesperadamente da participação de Lula em sua campanha, mas este ano não será igual àquele que passou. Lula considera Dilma ingrata e desleal, não só pela insistência em sair candidata, mas também pela forma com que tratou o caso de Rosemary Noronha, namorada de Lula há mais de 20 anos.

Para enfraquecer Lula e fazê-lo desistir de voltar a ser candidato, o Planalto vazou diversas denúncias contra Rose para o jornal O Globo, através do repórter Vinicius Sassine, e para a Veja, através do repórter Robson Bonin.

Em caso semelhante de corrupção, quando Lula ainda era presidente, o Planalto não fez a menor pressão contra a então chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, muito ligada a Dilma. Na verdade, não houve processo contra Erenice e ela sequer foi punida. Recebeu apenas uma advertência e pode até voltar a ser funcionária pública. Hoje, Erenice comanda em Brasília uma das mais bem-sucedidas “consultorias” (leia-se: tráfico de influência), enquanto Rose está enrolada numa série de processos e investigações, não pode sair na rua e a família dela é sustentada por Lula, pois o PT paga apenas os 4 escritórios de advocacia que a defendem.

“DESATADORA DE NÓS”

Dilma reza dia e noite e se pega com Nossa Senhora Desatadora de Nós, mas está difícil fazer o ex-presidente Lula esquecer tudo e se engajar de corpo e alma na campanha. A coisa está feia e em São Paulo não se sabe também como será a participação da ministra da Cultura, Marta Suplicy, nesta campanha. A ministra teve de tirar férias no governo, porque enfureceu Dilma ao promover três jantares de apoio ao movimento “Volta, Lula”.

O ambiente é de desânimo, não somente quanto à situação de Dilma Rousseff, mas sobretudo em relação ao candidato do PT ao governo de São Paulo. Em julho de 2010, o então candidato Aloizio Mercadante, hoje ministro da Casa Civil, tinha 14%, segundo o Ibope. O agora candidato Alexandre Padilha patina na faixa de 4%. A fervura desse caldeirão respinga em Dilma, enquanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que lidera a corrida ao Palácio dos Bandeirantes, já começa a alavancar a candidatura de Aécio Neves no mais importante Estado do país

 

O vazio no processo sucessório

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Carlos Chagas

Saudosismos à parte, julho já era tempo de campanhas acirradas e de motivação popular, nos anos de eleições para presidente da República.Os candidatos percorriam o país, prometiam reformas e até se agrediam. Pois agora, não. Escondem-se. Programam viagens que adiam em seguida, limitando até suas entrevistas, para não receber perguntas indigestas.

Outro fator a caracterizar a pasmaceira atual é a reeleição. Permite-se a Dilma, como antes se permitiu a Fernando Henrique e ao Lula, disputar o segundo mandato no exercício do primeiro. Quer dizer, governando e fazendo campanha, duplicidade muito próxima do péssimo exercício das duas funções. Quanto tempo faz que a presidente reuniu o ministério? Anos. Onde anda o PAC2?

Ministros existem que nem cobrados são, sem oportunidade sequer para apresentar planos e realizações no gabinete da chefe. No reverso da medalha, no quesito campanha, as pesquisas respondem pelo nível e pelo desempenho de Dilma como candidata, em curva descendente, ou seja, no mínimo não vem dando certo a busca da reeleição.

Contagiando os demais candidatos, a postura dupla da presidente parece anestesiar não apenas Aécio e Eduardo, mas o eleitor. Em outras sucessões, discutia-se para valer os defeitos e as qualidades dos candidatos. Mesmo na sua primeira eleição, Dilma era polêmica e tinha a seu lado um Lula em plena capacidade política. Enfrentou e bateu José Serra, sob as atenções gerais. Hoje, o Lula promete mais uma vez engajar-se na campanha, coisa que não acontece.

Em suma, há algo de novo no processo sucessório: o vazio…

 

O genocídio progressivo de Israel no gueto de Gaza

Ilan Pappé

Em um artigo publicado em setembro de 2006, no The Electronic Intifada, descrevemos a política israelense referente à Gaza como um genocídio progressivo.

Infelizmente, o atual ataque israelense em Gaza indica que esta política continua inabalável. O termo é importante, já que situa adequadamente a ação brutal de Israel (então e agora) em um contexto histórico mais amplo.

Deve-se insistir neste contexto, já que a máquina de propaganda israelense tenta novamente caracterizar suas políticas situadas fora do contexto e transformar em pretexto para uma nova onda de destruição, que em cada ocasião encontra a principal justificativa para outra série de matanças indiscriminadas nos campos da morte da Palestina.

O CONTEXTO

A estratégia sionista de caracterizar suas políticas brutais como uma resposta ad hoc para esta ou aquela ação palestina é tão velha como a própria presença sionista na Palestina. Foi utilizada continuamente como justificativa para implementar a visão sionista de uma futura Palestina em que haveria muito poucos palestinos originários, se é que haveria algum.

Os meios para conseguir foram mudando com os anos, mas a fórmula continua sendo a mesma: seja qual for a visão sionista de um Estado judeu, só pode se materializar sem uma quantidade significativa de palestinos e palestinas. E hoje em dia, a visão é a de Israel que se estende sobre a quase totalidade da Palestina histórica em que ainda vivem milhões de palestinos e palestinas.

Como todas as anteriores, a atual onda genocida também tem antecedentes mais imediatos. Nasceu de uma tentativa de frustrar a decisão palestina de formar um governo de unidade ao qual nem sequer os Estados Unidos poderiam se opor.

FRACASSO DA PAZ

O fracasso da desesperada iniciativa de “paz” do secretário de Estado estadunidense John Kerry legitimou o apelo palestino às organizações internacionais de deter a ocupação. Ao mesmo tempo, os palestinos ganharam mais uma vez o reconhecimento internacional devido à prudente tentativa do governo de unidade de criar mais uma vez uma estratégia para coordenar as políticas dos diferentes grupos e agendas palestinos.

Desde junho de 1967, Israel buscou uma maneira de manter os territórios que havia ocupado neste ano sem incorporar a população palestina originária como cidadãos de pleno direito. Ao mesmo tempo, participou de uma farsa em um “processo de paz” para encobrir suas políticas unitárias de colonização na base dos fatos consumados para ganhar tempo.

Durante décadas, Israel se diferenciou entre as zonas que queria controlar diretamente e aquelas que controlava indiretamente, e com o objetivo a longo prazo para reduzir a população palestina ao mínimo, por meio, entre outras coisas, de limpeza étnica e asfixia, tanto econômica como geográfica.

A localização geopolítica da Cisjordânia dá a impressão, ao menos em Israel, de que é possível conseguir isto sem que se tenha um terceiro levante ou demasiada condenação internacional.

A FAIXA DE GAZA

Devido a sua excepcional localização geopolítica, a Faixa de Gaza não se prestava tão facilmente a esta estratégia. Já desde 1994, e ainda quando Ariel Sharon chegou ao poder como primeiro-ministro, a princípios da década de 2000, a estratégia relativa a Gaza foi convertê-la em um gueto e de alguma maneira esperar que sua população (que nos dias de hoje supera 1.800.000 pessoas) caísse no esquecimento eterno.

Mas descobriu-se que o gueto era rebelde, não estava disposto a viver em condições de asfixia, isolamento, fome e colapso econômico. Por conseguinte, tinha que continuar com as políticas genocidas para devolvê-los ao esquecimento.

Em 15 de maio, as forças israelenses assassinaram duas crianças palestinas na cidade cisjordana de Beitunia. Um vídeo gravou seu assassinato a sangue frio por franco-atiradores. Seus nomes, Nadim Nuwara e Muhammad Abu al-Thahir, somaram-se a uma longa lista de assassinatos semelhantes nos últimos meses e anos.

Talvez o assassinato de três adolescentes israelenses, dois deles menores, que foram sequestrados na ocupada Cisjordania, em junho, tenha sido uma represália pelo assassinato das duas crianças palestinas. Mas proporcionou a todas as depredações da ocupação opressiva um pretexto para destruir, em primeiro lugar, a delicada unidade na Cisjordânia, mas também para realizar o velho sonho de eliminar o Hamas da Faixa de Gaza com a justificativa de recuperar a calma no gueto.

GENOCÍDIO

Desde 1994, antes mesmo de o Hamas chegar ao poder em Gaza, a muito peculiar localização geopolítica da Faixa deixa claro que toda ação de castigo coletivo, como a que está sendo realizada agora, só poderia ser uma operação de assassinatos e destruição massivos. Em outras palavras, um genocídio progressivo.

O fato de reconhecer isto não impede aos generais que ordenem bombardear a população por terra, mar e ar. Reduzir a quantidade de palestinas e palestinos de toda a Palestina histórica continua sendo uma visão sionista. Em Gaza, sua implementação adota sua forma mais desumana.

Como no passado, o momento particular em que se tem realizado tal onda está determinado por outras considerações. Continua o descontentamento social interno de 2011 e durante um tempo o público israelense pediu para cortar os gastos militares e dedicar a serviços sociais dinheiro do inflado orçamento de “defesa”. O exército qualificou esta possibilidade de suicida.

Não há nada como uma operação militar para calar qualquer voz que peça a um governo que corte seus gastos militares.

APOIO GENERALIZADO

Na atual onda, também aparecem típicas características de etapas anteriores deste genocídio progressivo. Pode-se ver cada vez mais o apoio generalizado judeu israelense aos massacres de civis em Gaza sem que haja uma só voz dissidente significativa. Em Telavive, as poucas pessoas que se atreveram a manifestar contra o massacre foram golpeadas por fanáticos judeus enquanto a polícia se mantinha à margem e observava.

Como sempre, as instituições acadêmicas se transformam em parte do maquinário. A prestigiosa universidade privada Centro Interdisciplinar Herzliya estabeleceu um “quartel general civil” em que os alunos se prestam a exercer de alto-falante a campanha de propaganda no exterior.

Os meios de comunicação participam fielmente sem mostrar imagem alguma da catástrofe humana que Israel está provocando e informam ao público de que desta vez “o mundo que nos compreende e nos apoia”.

IMPUNIDADE DE SEMPRE

Esta afirmação é até certo ponto válida já que as elites políticas ocidentais continuam concedendo ao “Estado judeu” a impunidade de sempre. Contudo, os meios não concedem a Israel o mesmo nível de legitimidade que este buscava para suas políticas criminais.

Entre as óbvias exceções encontramos os meio franceses, especialmente França 24, e a BBC, que de maneira vergonhosa continuam repetindo como papagaios a propaganda israelense.

Isto não é surpreendente, já que os grupos de pressão a favor de Israel continuam trabalhando sem descanso para pressionar a favor de Israel tanto na França como no resto da Europa, com fazem nos Estados Unidos.

Atos como queimar vivo um adolescente palestino de Jerusalém, matar a tiros outros dois só por diversão em Beitunia, ou assassinar famílias inteiras em Gaza, são todos atos que unicamente pode se perpetrar se se desumaniza a vítima.

HORRORES INIMAGINÁVEIS

Reconheço que em todo o Oriente Próximo há, atualmente, casos espantosos em que a desumanização tem coletado horrores inimagináveis como os de hoje em Gaza. Mas há uma diferença fundamental entre estes casos e a brutalidade israelense: em todo o mundo se condenam os primeiros por ser brutais e desumanos, enquanto o presidente dos Estados Unidos, os dirigentes da União Europeia e outros amigos de Israel no mundo autorizam e aprovam publicamente os que cometem Israel.

A única luta frutífera possível contra o sionismo na Palestina é uma luta baseada no programa de direitos humanos e civis que não diferencia entre umas violações e outras, embora diferencie claramente a vítima e os vitimados.

Devem ser julgados pelos mesmos princípios morais e éticos, tanto quem comete atrocidades no mundo árabe contra minorias oprimidas e comunidades indefesas quanto os israelenses que cometem estes crimes contra o povo palestino. Todos eles são criminosos, embora no caso da Palestina estejam atuando há mais tempo do que qualquer outro.

EM NOME DE DEUS

A identidade religiosa de quem comete essas atrocidades ou em nome de que religião pretende falar, na realidade, não tem importância alguma. Já se qualificam a si mesmos de jihadistas, judaísta ou sionista. Tem de tratar todos da mesma maneira.

Um mundo que parasse de usar dois pesos e duas medidas nas suas relações com Israel seria um mundo muito mais eficaz em sua resposta a crimes de guerra em qualquer outro lugar do mundo.

Acabar com o genocídio progressivo em Gaza e restaurar os direitos humanos civis básicos dos palestinos onde quer que estejam, incluindo o direito de retorno, é a única maneira de abrir uma nova perspectiva para uma intervenção internacional produtiva no Oriente Médio em seu conjunto.

Ilan Pappé é um historiador israelense, professor na Universidade de Exeter,
no Reino Unido. Nasceu em Haifa, de uma família de judeus alemães que fugira do nazismo. Aos 18 anos, serviu nas Forças Armadas de Israel, em 1973, lutando na chamada Guerra de Yom Kippur.

Deputado Luiz Moura se tornou um problema para o PT, que tenta expulsá-lo

Deu na Folha
O comando do PT em São Paulo determinou que o deputado estadual Luiz Moura apresente em dez dias sua defesa sobre a sua suposta ligação com integrantes da facção criminosa PCC. O prazo está correndo e termina na próxima segunda-feira.

O deputado é alvo de um procedimento interno desde que foi flagrado em uma reunião com integrantes da facção. Ele chegou a ser suspenso do partido, o que acabou impedindo que ele disputasse a reeleição. Inconformado, o petista foi à Justiça e derrubou, em decisão provisória do Tribunal de Justiça de São Paulo, a punição.

Petistas defendem que ele seja expulso do partido e vão tentar derrubar a decisão que o liberou para solicitar na Justiça Eleitoral seu registro de candidatura.

“FILTRO DE FILIADOS”

Em nota, o presidente do PT em São Paulo, Emídio de Souza, indicou que vai brigar para manter o deputado longe das urnas, uma vez que a medida tem o “objetivo de atender a demanda da sociedade, que exige que os partidos políticos promovam um filtro de filiados e candidatos”.

Desde o início do caso, a sigla tenta isolar Moura para evitar os efeitos da suspeita de envolvimento do deputado com o PCC sobre a campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOGNão dá para entender esse “filtro de filiados” do PT. Desde sempre o partido sabia que Moura tinha sido condenado à prisão e fugido da cadeia durante o cumprimento da pena. Só agora é que vai passar pelo filtro? (C.N.)

Planalto já reconhece que haverá segundo turno e tenta manter a base aliada

Raquel Faria
O Tempo

O Datafolha divulgado sexta-feira afetou profundamente o clima eleitoral: os tucanos ficaram eufóricos e os petistas, preocupados. Não é para menos. Embora Dilma continue à frente nas intenções de voto no primeiro turno, quando se analisam outros dados da pesquisa, como os índices de rejeição e conhecimento dos candidatos, Aécio fica em vantagem na simulação do segundo turno do Datafolha, pois tem muito mais espaço para crescer durante a campanha.

Neste momento, o Planalto está segurando os falcões e soltando as pombas por uma razão pragmática: uma campanha amena ajudará a evitar atritos e a manter aliados. A cúpula palaciana e a presidente já trabalham com a perspectiva de segundo turno, quando precisarão reunir mais apoios que o adversário.

O recente episódio na coordenação petista envolvendo Franklin Martins, responsável por site de propaganda de Dilma e desautorizado pela presidente após atacar a CBF, expôs o racha no comitê governista entre os que defendem uma campanha de confronto com o PSDB e os que preferem uma linha moderada e propositiva. Nesta semana, o grupo dos falcões petistas do qual Martins faz parte acabou vencido por pombas lideradas pela própria Dilma. Mas esse embate só está começando.

Os falcões são quase todos ligados a Lula. Mas o ex-presidente não entrou nesse embate. Como grande mediador das disputas no PT, ele deve se manter equidistante da polêmica para depois fazer a convergência entre pombas e falcões na campanha.

 

Indústria de automóveis atingiu ‘fundo do poço’, mas irá melhorar no 2º semestre, diz Anfavea

Álvaro Campos
Agência Estado

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse, durante o seminário Revisão das Perspectivas 2014, promovido pela Autodata, que a indústria automobilística brasileira já atingiu o “fundo do poço” e que a situação deve melhorar bastante no segundo semestre.

Segundo ele, a produção de veículos crescerá 13,2% no segundo semestre deste ano ante o primeiro semestre, sendo que as exportações avançarão 36,9% e as vendas internas, 14,3%. Já a produção de máquinas agrícolas deve registrar expansão de 15,3% no segundo semestre, com alta nas exportações de 12,1% e crescimento nas vendas 21,9%. Moan explicou os motivos para esse otimismo, citando que o segundo semestre terá oito dias úteis a mais que o primeiro. Além disso, sazonalmente as vendas sempre melhoram na segunda metade do ano.

O executivo também mencionou a manutenção da alíquota reduzida do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e o programa de sustentação dos investimentos (PSI) do BNDES. Moan explicou que nos últimos anos, após problemas causadas pela crise financeira internacional, os bancos brasileiros se tornaram mais seletivos na concessão de financiamento para automóveis. Mas ele vê uma mudança nesse cenário, citando que a inadimplência já caiu para 5% e que a Anfavea vem conversando com o governo sobre possíveis mudanças na legislação, que atualmente “premia o inadimplente”.

Segundo Moan, o setor continua conversando com governo e bancos para flexibilizar as regras de retomadas de veículos em caso de inadimplência no financiamento. Questionado sobre um prazo para anunciar tais medidas, o executivo afirmou que não importa se vai demorar mais um ou dois anos. “O importante é que os instrumentos sejam colocados”, afirmou, acrescentando que essas medidas, que podem estimular a concessão de crédito, também são de interesse dos bancos. “Eles estão junto conosco”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA inadimplência no setor automotivo caiu para 5%. É uma boa notícia, mas acontece que 5% ainda é uma taxa elevadíssima de calote e por isso o mercado quer dar mais facilidades para essa dívidas serem pagas. Não há outra saída. A verdade é que o mercado nacional está esgotado e não adianta vender carro para quem não tem dinheiro para pagar o combustível. O comprador vai se tornar um futuro inadimplente, sem a menor dúvida. O mercado imobiliário vive o mesmo dilema e os preços de venda e de aluguel já estão caindo. Querer revogar a lei da oferta e da procura é uma bobagem monumental. (C.N.)

Burocracia e candidatos

Vittorio Medioli

A redação de O Tempo me pediu para comentar as matérias que revelam uma inquestionável realidade: não existe um partido, um candidato, alguém neste país disputando eleição que possa apresentar um atestado de enfrentamento da burocracia e da carga tributária.

Todos os candidatos, quem mais, quem menos, conviveram, sentados em cargos de poder, com a escalada dessa babel burocrática e tributária tupiniquim, sem ações decididas para combatê-la.

Chegou, evidentemente, a hora de mostrar o que pretendem para o futuro, continuar ou mudar. Certo é que o Brasil, depois de ter perdido uma Copa, não pode perder mais uma oportunidade, desperdiçar votos e dar mandato a quem não tem propostas claras e de combate às causas do atraso.

Precisa cobrar agora clareza de intenções e demonstração de capacidade pessoal. O leitor desse jornal, eleitor em outubro, espera poder avaliar informações claras. E guardar o compromisso de cada um como instrumento de cobrança.

Como, onde, quando e, ainda, o quanto será realizado. Isso precisa ser dito. Onde se darão os cortes, as economias, os remanejamentos, os investimentos? Aumentará a despesa pública e, consequentemente, haverá mais e mais impostos? Ou diminuirá essa ciranda, possibilitando aplicação da contribuição tributaria tão exagerada?

PILOTAR A ECONOMIA

O candidato tem que explicar como pilotará a economia, o destino de um país ou de um Estado, que precisam parar de ficar patinando no mesmo lugar.

Creio que a imprensa deva fazer um questionamento o mais amplo possível e cobrar respostas, até impiedosamente claras, para evitar que se repitam estelionatos eleitorais. Também para melhorar o debate e deixar que cada candidato mostre seu cabedal, seu conteúdo atrás do rótulo que costuma desbotar depois da eleição.

Burocracia e carga tributária certamente estão no cerne do problema, do pífio crescimento e da incapacidade do Estado de ser um “bom pai”, e não um explorador.

Como me confessou um conhecido empresário, “onde o governo chega é para atrapalhar, cobrar descabidamente, atrasar’’.

ENTRAVES FEUDAIS

Hoje os entraves feudais representados pelo proliferar de normas e regulamentos, que têm a finalidade de cobrar taxas e pedágios, apenas atrasam a chegada do progresso. É possível que um surto de 20% de crescimento econômico brasileiro esteja aprisionado na burocracia estatal. E isso faz até com que a arrecadação atrase. Tem trâmites inconcebíveis que provocam atrasos na geração de emprego e de receitas para o próprio Estado. Falta QI, e sobra despotismo medieval.

Não ter pressa é ficar para trás. E essa falta de percepção parece que pesa sobre os candidatos. Menos burocracia e carga tributária bastariam para o Brasil avançar portentosamente. Isso os candidatos ainda não disseram.

Disso espera-se que o Brasil deixe de ser o campeão mundial da pior relação entre carga tributária e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

E quando isso vai parar?

Genocídio não para e o número de palestinos mortos por Israel em Gaza já passa de 500.

Da Ag. Brasil

As autoridades médicas da Faixa de Gaza informaram que nove palestinos da mesma família, sendo sete crianças, morreram hoje (21) após um ataque aéreo da aviação israelense. Segundo o porta-voz do Serviço de Emergência, Ashraf  Al Qudra, as vítimas foram mortas quando aviões atacaram a casa onde estavam.

Hoje também foram encontrados corpos de 16 pessoas mortas em ataques aéreos ocorridos ontem (20) – dia mais sangrento desde o início da ofensiva militar israelense na região. Com as novas mortes, o número de pessoas mortas chegou a 502, e não para de crescer. As forças militares israelenses tiveram 18 baixas.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas manifestou ontem preocupação com o número crescente de mortes na Faixa de Gaza e lançou um apelo por um cessar-fogo imediato. O embaixador Eugene Richard Gasana, que lidera o órgão de 15 Estados, disse que os membros do Conselho de Segurança manifestaram preocupação sobre crescimento do número de vítimas e “pediram o fim das hostilidades” entre Israel e Gaza.

*Com informações da Agência Lusa

A bagunça da democracia brasileira

Cristovam Buarque

A democracia brasileira é uma bagunça, tanto no funcionamento do aparelho do Estado (relações entre os Três Poderes e pequenas repúblicas cartoriais envolvidas no exercício da atividade administrativa no dia a dia) quanto no processo eleitoral propriamente dito. A última semana desnudou a vergonhosa realidade dessa bagunça: alianças feitas sem respeito às identidades ideológicas ou éticas entre os candidatos de uma mesma coligação. Como em toda bagunça, o eleitor fica desconsolado, e o aparelho do Estado, caótico.

Essa bagunça de casamentos imorais em grupos sem identidade, que foi chamada de “orgia” e “suruba”, respectivamente, pelo prefeito do Rio de Janeiro (RJ), Eduardo Paes, e pelo deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ), tem outro demonstrativo vergonhoso no custo das campanhas. Somente Dilma e Aécio preveem gastar R$ 588 milhões. Somando os demais presidenciáveis, o custo será de R$ 870 milhões.

Em 2010, as eleições a todos os cargos custaram R$ 3,23 bilhões, cerca de 11 vezes mais do que os gastos dos presidenciáveis de então. Mantida a mesma proporção, em 2014 os gastos serão de R$ 9,7 bilhões, equivalentes ao pagamento de piso salarial para 100 mil professores ao longo de quatro anos. Nenhum regime pode ser considerado democrático se cada voto custa tão caro.

CAOS POLÍTICO

O maior custo, porém, não é financeiro, é o caos político e administrativo que está esgotando o atual modelo de democracia brasileira, desmoralizando e emperrando o funcionamento do setor público. Apesar disso, ainda não vimos qualquer dos candidatos à Presidência propondo uma reforma eleitoral que reduza esse custo.

Com três medidas seria possível fazer a redução dos custos, tanto financeiros quanto políticos.

A proibição de alianças no primeiro turno levaria ao fim do comércio de tempo para os programas eleitorais. Essa medida reduziria o número de partidos e a consequente reorganização deles com base em identidade e substância de ideias e valores morais.

A utilização do horário eleitoral para transmitir debates e falas diretas dos candidatos, sem qualquer manipulação marqueteira que, a custos altíssimos, busca enganar o eleitor e vender o candidato como se fosse mercadoria. Sem caros marketings, o custo seria menor e a qualidade da democracia seria maior ao colocar os candidatos se enfrentando e olhando nos olhos dos eleitores, sem a parafernália usada para iludir.

Limitar os gastos eleitorais para cada candidato não poder gastar mais do que um determinado valor proporcional ao número de eleitores de sua circunscrição. Isso seria facilitado pela adoção de um sistema distrital misto em que alguns deputados e vereadores representam apenas os distritos, e não todo o Estado.

As três medidas, entre outras, não deverão ser adotadas porque os candidatos que buscam a reeleição se beneficiam da bagunça, enquanto outros sonham em entrar nela.

 

Jovens de Israel se recusam a servir ao Exército

Guila Flint 

Em uma carta endereçada ao primeiro ministro Binyamin Netanyahu e ao público israelense, 60 jovens de ambos os sexos, de 16 a 19 anos, afirmam que pretendem se recusar a prestar serviço militar pois se opõem à ocupação dos territórios palestinos.

Esta é a primeira grande onda de recusa ao serviço militar desde 2001, quando centenas de soldados da reserva se negaram a participar das ações militares de Israel na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, durante a segunda Intifada (levante palestino).

A iniciativa é denominada Recusa 2014 (Seruv 2014). “Nos territórios ocupados são cometidos diariamente atos definidos pela lei internacional como crimes de guerra”, declaram os jovens, “inclusive execuções extrajudiciais, construção de assentamentos em terras ocupadas, prisões sem julgamento, tortura, punição coletiva e distribuição desigual de recursos como eletricidade e água”.

POLÊMICA

A declaração dos jovens gera uma intensa polêmica na sociedade israelense, onde o serviço militar é obrigatório tanto para homens como para mulheres, depois de completarem 18 anos.

Muitas vezes a polêmica adquire caráter violento e vários jovens entrevistados  pelo site Terra disseram que as reações que estão enfrentando “dão mêdo”.

“Desde a publicação da nossa carta começamos a receber todos os tipos de insultos e até ameaças de morte por intermédio das redes sociais”, disse Itai Aknin, de 19 anos. Segundo ele, os integrantes do grupo “estão decididos” a não prestar serviço militar, apesar das pressões que estão sofrendo.

Como porta-voz do grupo, Aknin é um dos jovens que mais se expõem. Já foi entrevistado no canal 2 da TV israelense e na radio Galei Israel. Em ambos os programas, ficou bem evidente o antagonismo e quase ódio de outros participantes contra a iniciativa. Um apresentador da rádio chamou o porta-voz de “moleque” durante a entrevista ao vivo. Na televisão, um dos participantes afirmou que a TV “nem deveria dar espaço para essa iniciativa desprezível”.

 ABUSOS

“Não queremos participar dos abusos que o Exército comete contra os palestinos, queremos acabar com a ocupação”, disse Aknin. Ele acredita que a iniciativa pode influenciar outros jovens israelenses que estão prestes a se alistar no Exército.

“Ao lerem a nossa carta, tenho certeza de que muitos jovens pensarão duas vezes antes de prestar serviço militar”, disse.

“A guerra em Gaza, em 2008, foi o momento em que percebi que algo de muito errado estava acontecendo aqui”, contou, “naquela época, eu tinha 14 anos e me lembro que fiquei muito chocado quando descobri que o meu país estava bombardeando civis e matando inclusive crianças”.

“Arrastei minha mãe para uma manifestação contra a guerra, em Tel Aviv”, disse Acknin. Aos 17 anos, ele começou a participar de manifestações conjuntas, de ativistas palestinos e israelenses, contra a construção do Muro na Cisjordânia.

“Comecei a ir às manifestações em Bilin (aldeia palestina na Cisjordânia) e quando vi o que acontece lá ficou claro para mim que não posso, de maneira nenhuma, fazer parte do Exército”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Desde 2012, judeus religiosos ortodoxos também são obrigados a servir ao Exército de Israel e enfrentar os palestinos. É claro que isso não vai dar certo. (C.N.)

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

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