Category Archives: Tribuna da Internet

Copa de Neymar e Messi

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Tostão
O Tempo

Bayern, Barcelona, Juventus e Liverpool são as bases das seleções de seus países. A da Alemanha deve ter sete do Bayern (Neuer, Boateng, Lahm, Schweinsteiger, Kross, Müller e Götze). Como ocorre, com frequência, no Bayern, o meia Muller poder ser o centroavante.

A Espanha pode ter sete do Barcelona (Piqué, Alba, Busquets, Xavi, Iniesta, Fábregas e Pedro). Se Xavi e Iniesta não estiverem bem, há dois excelentes reservas, David Silva e Thiago Alcântara, que está contundido. Com o centroavante Diego Costa e os laterais Alba e Azpilicueta, a seleção terá melhores jogadores nestas posições do que tinha em 2010.

O Bayern, o mais festejado time do mundo, usa muito a troca de passes e a posse de bola, como o Barcelona. Os grandes problemas da equipe catalã são outros: muitos reservas são fracos, a presença de um zagueiro baixinho (Mascherano), a ausência de um centroavante ótimo nas jogadas aéreas, para certos momentos, e a falta da marcação por pressão, característica do Bayern e do Barcelona da época de Guardiola. Adiantar os zagueiros, sem tomar a bola, como tem ocorrido, é suicídio.

A seleção italiana poderá ter vários jogadores da Juventus (o goleiro Buffon, os zagueiros Chiellini, Barzagli e Bonucci, os volantes Pirlo e Marchisio e o atacante Giovinco), além do mesmo sistema tático, com três zagueiros. A Juventus é a única grande equipe do mundo que atua dessa forma.

O técnico da Inglaterra descobriu que a melhor solução é usar a base do Liverpool, líder do campeonato e, dos grandes, o que possui mais jogadores ingleses. Gerrard, Johnson, Henderson, Sterling e Sturridge devem ser titulares da seleção.

BRASIL E ARGENTINA

Brasil e Argentina são as seleções mais prontas, até nas opções. Felipão pode usar um terceiro no meio-campo (Ramires), saindo Oscar. Outra opção é a troca de posições entre Hulk, Neymar e Oscar. Pela esquerda, Oscar ou Hulk dão mais proteção a Marcelo do que Neymar. Com isso, Neymar pode atuar mais livre e mais próximo ao gol.

A alternativa principal da Argentina é trocar um dos dois atacantes que atuam à frente de Messi (Agüero e Higuaín) por um meia ou atacante, como Alavés, que marca e ataca pelos lados.

Aumentaram as chances de Neymar e Messi brilharem no Mundial. Os maus momentos dos grandes atletas são o substrato, a chama que ilumina e incendeia suas carreiras. Isso é um fato. Outro é a contusão de Neymar. Os operatórios já criaram um novo chavão, que quem descansa se destaca na Copa, como ocorreu com Ronaldo e Rivaldo em 2002. As experiências são pessoais.

O possível benefício de descansar antes da Copa é o de não correr riscos de ter uma grave contusão. Por outro lado, estar em grande forma, antes do Mundial, pode ser positivo. Não existe regra. Tudo é incerto.

Cláusulas polêmicas também em novos contratos

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Empresas coreanas e chinesas que estão negociando com a Petrobras participações em refinarias que a estatal está construindo querem incluir, nos contratos, as polêmicas cláusulas Marlim e put option do caso Pasadena.

Na primeira delas, os sócios têm direito a um lucro mínimo anual, mesmo que os negócios andem mal. Na segunda, se um dos parceiros quiser deixar a sociedade, o outro tem a obrigação de comprar a parte dele.

Depois do escândalo atual, devido ao prejuízo assumido pela Petrobras com Pasadena, de mais de US$ 1 bilhão, executivos da estatal nem querem ouvir falar do assunto, ainda que seria um alívio para o caixa da petroleira a entrada de sócios em refinarias como a de Abreu e Lima, em Pernambuco, que virou em ralo sem fundo.

Saudades do chão das Geraes

Segunda-feira, 21 de abril  de 2014
Os poetas e letristas cariocas Marcelo Pacheco e Chico Pereira, na letra de “Chão das Geraes”, lembram com saudades de suas viagens por Minas Gerais. A música foi gravada no CD Cambada Mineira, em 1999, produção independente.

CHÃO DAS GERAES
(Amarildo Silva, Marcelo Pacheco e Chico Pereira)

Somos irmãos
Filhos do chão das Gerais
E lá se vão
As cidades, praças e catedrais
Pelo sertão….
Águas Formosas, Barra Feliz, Diamantina e muito mais

Na estação o coração de um velho trem
Maria fumaça a nos levar
Ouro Preto, luar de prata, cabelo ao vento
Carro de boi, assim se foi
Meu pensamento

Mas aquelas viagens
Entre o ferro e os portais
Me lembram belas imagens
Do coração dos Gerais
Tempo de ver negro

Cantar procissões de fé o corte
A semente plantar nesse barro forte

O pó da estrada, a poeira do tempo
São minha morada
Minha alma ao vento

                  (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Justiça poderia ter começado a corrigir um dos maiores erros de sua história. Mas juiz não foi. Já tinha compromisso

Bruno Paes Manso
Estadão

Todas as pessoas e instituições estão sujeitas a erros. Há os graves, os leves, os grandes e os pequenos, de todo o tipo, que mostram acima de tudo como somos falíveis. Mas existe uma segunda etapa a se analisar. A forma como essas pessoas e instituições lidam com os erros. Nesse momento, muito pode ser relevado sobre a essência de quem os comete.

O assunto deste post é o Poder Judiciário e a forma como lidou com um dos principais equívocos de sua história. Dois médicos estão presos injustamente há cinco anos no Pará. Foram acusados de serem assassinos e estupradores em série no Pará e no Maranhão. Há provas de que são inocentes. Hoje de manhã, a Justiça poderia ter começado a reparar seus erros, mas o juiz relator do caso não apareceu porque tinha outro compromisso. Paciência. Os médicos terão que esperar um pouco mais para ganharem a liberdade.

Tudo começou ainda nos anos no final dos anos 1980 e começo dos 1990, quando garotos do Pará e no Maranhão começaram a desaparecer misteriosamente. Ao longo da década, foram pelo menos 41 meninos, entre 5 e 14 anos, que depois de mortos eram emasculados (tinham seus órgãos sexuais retirados). O caso triste e assustador foi a Júri em setembro de 2003, quando dois médicos de Altamira, Césio Brandão e Anísio Ferreira foram condenados a 56 anos de prisão. Conforme a acusação, eles fariam parte de um grupo que organizava rituais de magia negra. Os assassinatos ocorriam por motivos “religiosos”. O fato dos médicos serem espíritas foi decisivo para formar a convicção do Júri.

CONFISSÃO

Em dezembro de 2003, contudo, quando os dois já estavam presos, outro menino desapareceu no Maranhão. Um suspeito, Francisco Chagas, foi identificado. Em seguida, Chagas confessou as 41 mortes, inclusive as ocorridas mais de uma década antes em Altamira, quando morava na cidade. Chagas deu detalhes que só ele poderia dar. Disse, por exemplo, que além da retirada dos órgão sexuais das crianças, extraia as córneas, o que de fato foi verificado com a exumação das vítimas. Em Altamira, Chagas ainda apontou corretamente o local das ossadas. Cruzaram datas de morte e estadia de Chagas. Tudo bateu. Atualmente, o serial killer já foi condenado há mais de 200 anos de prisão.

Como proceder diante de tão grave injúria contra os médicos falsamente acusados? Não se trata apenas do tempo na prisão. Mas acima de tudo o que os dois e seus familiares passaram, carregando o estigma desses crimes bárbaros. Como tentar reparar esse absurdo inominável?

Na manhã de hoje, era para ocorrer a sessão onde seria estabelecida a revisão criminal na 3ª Vara do Júri de Belém do Pará. O objetivo seria tentar anular o resultado do julgamento que condenou os médicos, para que um novo Júri fosse marcado. A família dos dois, que atualmente mora no Espírito Santo, queria estar presente. Eles pegaram um trem para Belo Horizonte, onde a passagem de avião saía mais em conta. O valor nunca fica abaixo dos R$ 1,2 mil. O sacrifício é ainda maior porque os familiares dos médicos passam por dificuldades financeiras.

Mas novas vidas iriam começar do zero e os parentes queriam estar ao lado dos dois. Só que a sessão não ocorreu porque o juiz relator não apareceu. Tinha outro compromisso. A sessão foi remarcada para a segunda que vem. Alguns parentes não poderão ficar. Para os que ficam e para as duas vítimas, deixo a torcida para que desta vez o erro comece a ser corrigido. Resta ainda a pergunta: o que esse descaso com o erro revela do nosso Judiciário? Será que este poder realmente se preocupa em prestar contas de suas obrigações à sociedade?

(artigo enviado por Celso Serra)

Empréstimos bancários já têm juros de até 1.000% ao ano.

Deco Bancillon
Correio Braziliense

O que aparenta ser fácil demais pode, na verdade, se revelar uma grande armadilha. A dica vale, sobretudo, para quem recorre a bancos e financeiras que prometem crédito imediato e descomplicado mesmo para clientes sem histórico de bons pagadores. O que é vendido como facilidade pode custar caro. Levantamento feito pelo Correio Braziliense com base em dados do Banco Central (BC) mostra que há instituições que chegam a cobrar quase 1.000% de juros ao ano para emprestar dinheiro no crédito pessoal.

Os valores, ainda que elevados, nem sempre são percebidos pelos consumidores que recorrem a essas linhas de empréstimo. “Ainda hoje há muita gente que não se atenta ao que está escrito no contrato, nas letrinhas miúdas. Para essas pessoas, o que importa é se a parcela do financiamento vai caber no orçamento do mês”, observou o especialista em finanças pessoais Silvio Paixão, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Os bancos e as financeiras que praticam os juros mais elevados são justamente aqueles que oferecem mais facilidades na hora de conceder empréstimos. Um exemplo é o Banco Daycoval, que diz oferecer crédito “de forma rápida, segura e sem burocracia” a clientes. Dados do BC mostram que a taxa cobrada pela instituição no crédito pessoal foi de 988,1% ao ano no levantamento feito entre 28 de março e 3 de abril, com informações prestadas pela própria instituição. Uma pessoa que pegasse R$ 1 mil a essa taxa pagaria, ao fim do empréstimo de 12 meses, R$ 2.371,86.

Em segundo lugar nessa lista, aparece a financeira Crefisa, cujo slogan publicitário é: “dinheiro em até 24 horas para (cliente) negativado”. No levantamento, a instituição aparece cobrando juros de 827,9% ao ano no crédito pessoal. A terceira posição é ocupada pela Bradescard, que oferece cartões de loja para varejistas como Casas Bahia, C&A e o atacadista Makro. As taxas cobradas foram de 370,5% ao ano, de acordo com o BC.

ENGANO

O que leva os bancos a oferecer crédito a clientes com maior risco de calote, diz o especialista em finanças pessoais Ricardo Rocha, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), é justamente a maior possibilidade de ganho. “A instituição financeira que cobra quase 1.000% de juros ao ano sabe que quem tomar esse empréstimo provavelmente não vai ter condições de honrar o contrato até o fim”, observou. “Então, em um contrato de 24 parcelas, se o cliente conseguir quitar seis ou sete, já terá pagado um preço justo”, disse. “No fundo, os dois estão se enganando porque ambos sabem que contrataram um crédito que não vai ser honrado”, assinalou. 

Um passo antes de entrar nesse tipo de empréstimos, dizem os especialistas, é buscar recursos mais em conta, como o consignado e, em último caso, o rotativo do cartão de crédito ou o cheque especial. Mas, mesmo quem recorre a essas linhas não vem tendo vida fácil. Cinco dos seis principais bancos do país cobram taxas que ultrapassam os 100% ao ano nessas operações. A exceção é a Caixa Econômica Federal, que oferece cheque especial a 80,3% ao ano. É quase três vezes menos que o cobrado pelo Santander, o líder desse ranking — 236,3% ao ano. Quase empatado está o HSBC, com de 229,1% anuais. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Este abuso mostra quem realmente manda no país. Os bancos jamais lucraram tanto como nos últimos onze anos. Se o governo tivesse compromisso com o interesse dos brasileiros, bastava baixar os juros dos empréstimos no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Os outros bancos teriam de vir atrás. Mas não há vontade política, digamos assim. (C.N.)

Com a palavra, a filósofa e poeta mineira Adélia Prado

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Acílio Lara Resende

São muitas as más lembranças que guardo da ditadura militar, que se iniciou, na verdade, a partir do dia 2 de abril de 1964, mas não vou aporrinhá-lo com isso, leitor. Ela me alcançou já casado e pai de dois filhos, às vésperas do terceiro – finalmente uma menina, que substituiu aquela que, sabiamente, durante nove meses, só viveu no ventre materno. Não quis continuar conosco naquele atribulado mundo.

Minha condição de pai me serviu de freio. O mesmo, porém, não aconteceu com meu amigo e ex-colega de escritório José Edgar Amorim Pereira, que se ligou à AP, foi preso e demitido do Banco do Brasil, de onde era advogado. O golpe militar (e civil – sem esse apoio, talvez não vingasse) se deu dois anos antes de assumir, em Minas Gerais, a diretoria regional do “Jornal do Brasil”. Na época, o maior jornal do país.

Vivi, portanto, leitor, durante mais de 20 anos (e aqui prometo que dou por encerrado esse assunto indigesto), doída e prolongada escuridão que, espero, tenha nos deixado muitas lições. A maior delas: não há nada melhor para o desenvolvimento humano e material de qualquer país do que o exercício permanente da liberdade.

“TEMPO MUITO CINZENTO”

Mas não é a isso que quero agora me referir. Essas lembranças, por piores e mais insistentes que venham a ser, embora façam parte de um desagradável pesadelo, me fazem voltar ao que disse a filósofa e poeta Adélia Prado, recém-entrevistada pelo programa “Roda Viva”. Foi ela quem afirmou, num desabafo sincero, que, atualmente, “estamos vivendo um tempo muito cinzento, uma ditadura disfarçada”.

Com um linguajar manso e simples, mas carregado de significado, continuou Adélia na sua diatribe: “Estamos vivendo num país muito triste. Não me sinto num país democrático. Por causa dos desmandos políticos. O que predomina, hoje, é uma troca de favores, em todas as instâncias. As pessoas se calam. Ninguém fala nada. Está tudo muito ruim. Os Poderes da República estão omissos. Até mesmo na ditadura, por época das Diretas, Já, o país estava mais vivo do que agora. Vivemos a transparência do mal, que está generalizado e se enraizou. O mal, de tão generalizado, ficou transparente”.

E, num recado aos candidatos à Presidência da República, mas com a clara intenção de também dizer algo a todos nós, eleitores, perplexa, perguntou: “E quem, hoje, está aglutinando as esperanças e o desespero das pessoas?”.

PAIXÕES HUMANAS

Dizendo-se integrante da plebe, mas grata às pessoas que sempre respondem favoravelmente ao que escreve, Adélia tenta explicar a sua poesia: “O que alimenta minha poesia é o susto que tenho com a vida. Todo poeta vive do cotidiano. Afinal, o que tem a pessoa mais do que isso?”.

Contrariando Vinicius de Moraes, que dizia que o poeta, para fazer poesia, precisa ser triste, advertiu: “Todo autor fala é das paixões humanas, da perplexidade ou do assombro de existir. Ninguém escreve poesia porque é triste ou alegre. A poesia vem de outro lugar, que inclui a tristeza e a alegria. Quem sou eu, de onde vim, para onde vou? Toda arte é uma tentativa de dar resposta a essas perguntas”.

A propósito, se a política é também arte, todo aquele que encarna o poder deveria se fazer, pelo menos uma vez por dia, a mesma pergunta. Só assim, ciente da gratuidade e da finitude da vida, saberá conduzir bem um país tão carente e sofrido como o nosso.
Quantas vezes Lula e Dilma se fizeram tal pergunta? Ou essa é uma questão que sempre passou bem longe dos dois? (transcrito de O Tempo)

Pior dos riscos para Dilma

Heron Guimarães

Desde o enfraquecimento das manifestações do ano passado, a expectativa se voltou para a Copa do Mundo. A pergunta, feita a todo tempo e em todo lugar, é se os protestos vão ocorrer durante o Mundial e se eles terão a mesma força que tiveram em 2013.

A princípio, ninguém ousa duvidar da força que vem das ruas e do impulso das redes sociais. Tão pouco, alguém é capaz de garantir que as multidões se espalharão por nossas capitais.
Algumas tentativas de mobilização foram colocadas em prática neste início de ano. Nenhuma delas foi bem sucedida. Até a Polícia Militar da Bahia mostrar do que é capaz. A tropa cruzou os braços, e a baderna tomou conta de Salvador, praça que receberá nada mais nada menos do que as seleções da Espanha, Holanda, Alemanha, Portugal e França.

A baderna e a quantidade de saques ocorridas em estabelecimentos comerciais soteropolitanos deixaram governos e população em estado de terror. Greves, paralisações e as eventuais chantagens de algumas categorias de servidores públicos lotados em áreas estratégias, de certa forma, já eram esperadas, mas a rapidez com que baderneiros de plantão perceberam a ausência efetiva dos policiais nas ruas é mais um sério fator de preocupação para a segurança da Copa.

AUMENTANDO A TENSÃO

A notícia rapidamente ganhou os sites noticiosos de todo o mundo e certamente aumentou ainda mais a tensão do governo federal, que, na era Lula, imaginava fazer da maior festa do futebol uma vitrine para um país que se revelava para o mundo como potência regional e exemplo de desenvolvimento.

Porém, mais do que expor as chagas da economia titubeante e as desgastadas relações sociais da nação, o protesto militar dos últimos dias mostrou que a dor de cabeça do governo vai bem além dos Black Blocs, muito bem utilizados pelas autoridades para criar o temor de pessoas de bem em relação aos protestos contra impunidades, corrupções e desmandos da classe política brasileira.

Tirando a África do Sul, que até enfrentou alguma instabilidade social durante a Copa de 2010, com a greve de funcionários da construção civil e algumas investidas contra turistas, mas nada que chegasse perto da insatisfação generalizada no Brasil, não se tinha notícias de tumultos ou riscos como os vemos aqui.

Dilma Rousseff, que já enfrenta um terrível desgaste com as acusações de corrupção e gestão temerária na Petrobras, terá, por causa dessas ameaças à Copa, meses angustiantes.

Ficará à espreita, torcendo pelo Brasil, mais do que qualquer fanático pela Seleção Brasileira. E, no dia 13 de julho, quando o juiz der o último apito no Maracanã, sua sorte estará selada. Poderá respirar aliviada ou terá taquicardias e verticulites cada vez mais intensas. (transcrito de O Tempo)

Dilma não pode fugir à responsabilidade’, diz ex-presidente da Petrobrás

Gabrielli defende a compra da refinaria em Pasadena conforme as circunstâncias da época - Ulisses Dumas / AG BAPRESS
Ricardo Galhardo
O Estado de S. Paulo

SALVADOR – Presidente da Petrobrás à época da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006, José Sergio Gabrielli admitiu em entrevista ao Estado sua parcela de responsabilidade no polêmico negócio, mas dividiu o ônus com a presidente Dilma Rousseff.

Segundo ele, o relatório entregue ao Conselho de Administração da estatal foi “omisso” ao esconder duas cláusulas que constavam do contrato, mas Dilma, que era ministra da Casa Civil e presidia o conselho, “não pode fugir da responsabilidade dela”.

Gabrielli defende a compra da refinaria conforme as circunstâncias da época e alfineta sua sucessora, Graça Foster, ao afirmar que a Petrobrás não foi construída nos dois anos de gestão da atual presidente da estatal. De acordo com ele, a queda do preço das ações da estatal não se deve a Pasadena, mas à conjuntura externa, afetada pela crise financeira global de 2008, e à política do governo de manutenção artificial dos preços da gasolina no Brasil abaixo do mercado internacional. Política que, segundo Gabrielli, está contaminada pela disputa eleitoral.

O senhor se considera responsável pelo relatório entregue ao conselho administrativo da Petrobrás antes da compra da refinaria de Pasadena?

- Eu sou responsável. Eu era o presidente da empresa. Não posso fugir da minha responsabilidade, do mesmo jeito que a presidente Dilma não pode fugir da responsabilidade dela, que era presidente do conselho. Nós somos responsáveis pelas nossas decisões. Mas é legítimo que ela tenha dúvidas.

O relatório é falho e omisso como disse a presidente Dilma?

- Acho que não (foi falho). Ele foi omisso. Sem dúvida nenhuma foi omisso porque as duas cláusulas mencionadas (Put Option, que obrigou a Petrobrás a comprar a outra metade da refinaria, e Marlim, que compensaria a então sócia Astra por possíveis prejuízos) não constavam da apresentação feita aos conselheiros.

O conselho teve acesso à totalidade dos documentos antes de aprovar a compra da refinaria?
-
Não teve acesso a essas cláusulas. Mas isso não é relevante, a meu ver, para a decisão do conselho. O que é relevante é se o projeto é aderente tecnologicamente e estrategicamente ao que você faz e ter dado rentabilidade com os pressupostos daquele momento. Essas três condições fariam a decisão do negócio.

Se o Conselho de Administração da estatal soubesse dessas cláusulas no primeiro momento teria aprovado a compra da refinaria?

- Eu acho que teria aprovado porque o objetivo naquele primeiro momento era a possibilidade de ter um negócio nos Estados Unidos em uma refinaria que tinha preços adequados ao mercado. E poderia ser uma entrada forte nossa nos Estados Unidos, o mercado que mais crescia no mundo na época. Continuo achando que foi um bom negócio para a conjuntura de 2006, um mau negócio para a conjuntura de 2008 a 2011 e voltou a ser bom em 2013 e 2014.

O que mudou na Petrobrás de Lula para Dilma?
-
Não acho que houve mudança. É bom lembrar que saí em fevereiro de 2012 e o acordo de Pasadena é de junho de 2012. Enquanto estive lá, a partir de 2008, só fiz disputar judicialmente com a Astra. Não fiz nenhum acordo com a Astra.

Então a mudança foi de Gabrielli para Graça Foster?
- Eu não disse isso. A gestão da presidente Graça deu continuidade aos planos estratégicos desenvolvidos pela diretoria anterior. Não vejo ruptura entre mim e Graça. É uma presidência de continuidade.

Pelo menos em um ponto importante vocês divergem. Graça diz que a compra de Pasadena foi um negócio ruim e o senhor diz que foi bom.
- Nós não divergimos. Graça disse de forma explícita que hoje ela não faria o negócio mas que na época foi um bom negócio. Portanto nós não temos divergência. Na época eu faria a mesma coisa. O negócio depois ficou ruim e hoje está melhor outra vez.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFoi um bom negócio, deixou de ser um bom negócio, depois voltou a ser um bom negócio… E os números, cadê os números. Um bom negócio só pode ser medido pelos números, mas a Petrobras mantém segredo absoluto sobre a produção real da refinaria e seu balanço anual. Até quando vai durar essa desesperada e ardilosa tentativa de dissimulação?(C.N.)

Ponderável e imponderável

Gaudêncio Torquato

O recado de Lula foi direto: o governo precisa partir para a ofensiva, rebater as denúncias e defender com unhas e dentes a Petrobras. Como assim? Como será possível defender a estatal quando pairam sobre ela contundentes denúncias de transações malfeitas, teias de corrupção e escândalos, sob a inexorável constatação de que ela vale, hoje, cerca de R$ 175 bilhões, menos da metade dos R$ 380 bilhões estimados em 2010?

A sugestão dará certo? Ao menos é a mais criativa. A tentativa de encontrar respostas satisfatórias para a aquisição da refinaria de Pasadena tem sido ineficaz.

Na ciência política, campo que Lula domina por instinto, a estratégia de enfrentamento de conflitos é inserida no capítulo das redundâncias, que estuda os caminhos possíveis para alcançar um objetivo. Conversa mole e desculpa esfarrapada não levam a lugar algum, deve ter pensado Luiz Inácio.

COMANDO GERAL

Outra versão que se pode fazer da visão de Lula é a de que a campanha eleitoral, mesmo não sendo ele candidato, será desenvolvida sob seu condão. Assume de vez o comando geral. Afinal, trata-se de consolidar o projeto de poder do PT. E quem sabe manejar melhor os pauzinhos da política e das eleições? Ele, Lula, o último dos moicanos, quer dizer, o perfil que ainda exibe acentuados tons de carisma.

O território da ponderabilidade é vasto. Abriga tudo o que é provável ocorrer, numa escala que envolve situações com forte, média ou tênue previsibilidade. Pode haver apagões? É pouco provável, mas não impossível. Haverá manifestações nas cercanias dos estádios? Também é possível. A inflação poderá enervar os consumidores e contribuir para a desestabilização eleitoral? Se subir muito, certamente. Não é à toa que Lula pede ação de Dilma para melhorar a economia.

E a onda do “volta, Lula”? É razoável? Na escala da probabilidade, está no último degrau. Só em última instância o ex-presidente toparia a parada. Como exemplo, o descontrole da inflação.

Não será fácil apertar todos os parafusos da engrenagem. Resta aduzir que há na política um fator incontrolável, que não pede licença para entrar no saguão eleitoral e mudar o mapa dos votos. Ele poderia também puxar Lula para a candidatura. É o imponderável. Pode ocorrer a qualquer momento em qualquer lugar.

IMPONDERÁVEL

Vejam o caso do jegue no Piauí. Eleições de 1986, comício de encerramento de Freitas Neto, do antigo PFL, na praça do Marquês. Desde a manhã os carros de som convidavam o povo para o monumental show de Elba Ramalho. Começou a cair um toró. Pipocos e faíscas. Os cabos, em curto-circuito, queimaram. Comício sem som? Elba mostrou o contrato: “Sem som, não canto”.

Sob insistente apelo do candidato, propôs cantar uma música. Nem mesmo começara a cantar, passou a vociferar: “Imbecis, ignorantes, não façam isso”. No meio da multidão, a cena constrangedora: a galera abria a boca de um jumento e derramava nela uma garrafa de cachaça.

Sob apupos, acabava o comício. O candidato perdeu a campanha por menos de 2%. O caso foi contado de boca em boca. O imponderável: um jumento embriagado em Teresina. (transcrito de O Tempo)

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