Arquivos por mês: abril 2013

Está praticamente impossível editar o Blog da Tribuna

Carlos Newton

A conecção com o Banco de Dados (provedor) só está ocorrendo de forma ocasional, há dez dias. Os comentários não são aprovados. A operação pode ser repetida dezenas (eu disse dezenas) de vezes, e nada acontece.

Pedimos desculpas a todos por esses inconvenientes. De toda forma, não vamos desistir. Helio Fernandes nunca desistiu de nada, eu também vou nesse embalo.

Joaquim Barbosa nega novo recurso de José Dirceu no processo do mensalão

Débora Zampier (Agência Brasil)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, negou novo recurso apresentado pela defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, relativo à Ação Penal 470, o processo do mensalão. Condenado a mais de dez anos de prisão, Dirceu queria a suspensão da publicação do acórdão até que o pedido de acesso prévio aos votos escritos fosse analisado pelo plenário da Corte.

Para Barbosa, a defesa do político pretende a “manipulação de prazo processual legalmente previsto”. O acórdão reúne as principais resoluções do julgamento e votos dos ministros. As defesas podem recorrer dentro de cinco dias após a publicação do documento – no caso do mensalão, a publicação está prevista para esta semana.

Para a defesa de Dirceu, a complexidade e extensão do julgamento da Ação Penal 470 justificam a vista dos votos escritos antes da publicação do acórdão. “Não se dê causa, por ato unilateral, a prejuízo processual irreparável’, argumentam os advogados, pedindo que a questão seja levada com urgência ao plenário.

Na decisão desta semana, Barbosa volta a argumentar que o julgamento foi público e televisionado, e que os advogados poderiam iniciar a defesa desde o final do ano passado, quando as discussões terminaram. Segundo o relator da ação, os advogados também erraram ao acrescentar novo pedido no recurso ao plenário que não foi submetido à sua análise individual. O ministro relata que, além da divulgação antecipada dos votos, os advogados solicitaram que isso ocorra com “antecedência razoável” para viabilizar a defesa.

Na avaliação de Barbosa, a divulgação dos votos escritos antes da publicação do acórdão “acarretaria, na prática, na dilação do prazo para a oposição de embargos, ampliando-o indevidamente para um lapso temporal indefinido, que o requerente entende como razoável”.
Antes de pedir acesso antecipado aos votos, a defesa de Dirceu já havia solicitado mais prazo para apresentar recurso além dos cinco dias previstos em lei. O pedido também foi negado por Barbosa.

Recursos dos mensaleiros não vão alterar resultado do julgamento no Supremo, diz Gurgel

Débora Zampier (Agência Brasil)
 
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, diz que possíveis recursos na Ação Penal 470, o processo do mensalão, não têm poder de modificar o teor das decisões. Para o procurador, os únicos recursos possíveis são os embargos de declaração, usados para reforçar ou interpretar questões que não ficaram claras durante o julgamento.
  “Não vai adiantar nada…”

Perguntado se entraria com os embargos de declaração, Gurgel disse que ainda está examinando a questão, pois esse recurso tem limitações. “O que eu tenho sustentado, e sustentei inclusive no pedido de execução imediata com expedição dos mandados de prisão, é que os embargos não se prestam para a mudança do julgado, e devo manter essa linha de coerência”, disse.

Outro tipo de recurso já suscitado pelas defesas dos condenados são os embargos infringentes, que pedem novo julgamento nos casos em que a votação foi apertada. O uso desse recurso é polêmico porque, embora sua previsão não exista mais na legislação, ele ainda é previsto no Regimento Interno do Supremo.

Para Gurgel, os advogados não devem contar com esse tipo de recurso. “Os [embargos] infringentes são manifestamente inadmissíveis, não cabem de forma alguma. Eu acho que não há espaço sequer para discussão”.

Com a conclusão da etapa escrita do voto do ministro Celso de Mello , o acórdão do mensalão deverá ser  pubicado ainda esta semana. O acórdão reúne as principais decisões, votos e considerações dos ministros durante o julgamento. Somente com a publicação do documento as sentenças podem ser executadas e as partes podem recorrer em cinco dias úteis.

 

Uma gigantesca injustiça

Welinton Naveira e Silva

A verdade dura e muito cruel, que as pessoas não querem admitir nem ver, é a impossibilidade da existência de uma justiça séria, competente e isenta de corrupção, operando no sistema capitalista.

Nesse regime, as injustiças causadas pelas próprias elites dominantes são gigantescas e infindáveis. Afinal, são responsáveis pelas favelas, miseráveis e excluídos. E para que as coisas funcionem de acordo com velha roubalheira das elites, a justiça tem que ser adequada aos seus objetivos. Claro. Tem que ser corrupta e ineficiente, para o desespero do povo e de pequena parcela de íntegros magistrados.

A grande presença de corruptos em todos os governos, lamentavelmente, faz parte integrante de qualquer sistema, socialista ou capitalista. Entretanto, na democracia capitalista, essa questão é muito mais danosa e difícil de ser combatida, por conta de sua própria natureza, cínica e desonesta, de permanente controle do poder pelas elites dominantes, visando se apoderarem de gigantes riquezas do povo, até onde possível, sob o “manto da legalidade”.

E sob esse “manto da legalidade”, as elites fazem uso de diversos e conhecidos instrumentos, objetivando a transferência para si de gigantescas riquezas públicas. Dentre eles, bilionárias obras e compras, na grande maioria, desnecessárias e/ou sem eficientes planejamentos e ou fiscalizações, e/ou na condição de superfaturadas.

Contratações de caríssimos serviços terceirizados, descabidos aos interesses do povo. Privatizações de bilionárias e estratégicas empresas estatais, leiloadas em poucos minutos a preço de bananas. Altos salários e privilégios injustificáveis, para certas classes de trabalhadores do governo. E muitas outras coisas mais. Tudo, com o dinheiro do povo. Uma gigantesca injustiça, não há a menor dúvida.

Péssimo dos péssimos

Tostão (O Tempo)

O que fazem os membros do comitê da Copa? Marín troca favores, Ronaldo viaja para Londres, para fazer curso de publicidade relacionado às suas atividades empresariais, e o deputado estadual Bebeto sorri.

E Bebeto sorri…

Marín e vários políticos brasileiros acharam que a Bolívia era uma republiqueta, que a Justiça do país não tinha independência e que, para soltar os 12 corintianos, bastaria apelar ao presidente da Bolívia, Evo Morales, além de tentar comprar a dor da família do adolescente Kevin. Quebraram a cara.

A pelada entre Brasil e Bolívia não serviu para avançar na parte tática nem para selecionar jogadores para a Copa das Confederações. Na transmissão da TV Globo, tiraram várias conclusões. Há dois tipos de futebol quando joga a seleção. Um, distante da realidade, é o dito na transmissão das partidas pela TV Globo e repetido pela maioria. Outro, próximo dos fatos, é falado e discutido pela minoria.

Contra a Rússia, Kaká, Neymar e Oscar tiveram más atuações. Kaká não foi pior que os outros dois. Depois do jogo, parte da imprensa e, provavelmente, Felipão, concluíram que não há lugar para Kaká, que o lugar é de Ronaldinho, que tinha perdido o lugar, após o jogo contra a Inglaterra.

Hoje é dia de bons e decisivos jogos. Real Madri e Borussia Dortmund já estão na semifinal. Muito do que acontece em um jogo ocorre sem ser planejado, e não porque o técnico mudou um jogador três metros para a direita ou para a esquerda, como muitos acham.

O Barcelona é favorito, joga em casa, pode empatar por 1 a 1 ou por 0 a 0, mas corre muitos riscos, ainda mais se Messi não jogar. Quando a bola é lançada na área do Barcelona, para o grandalhão, forte e excepcional Ibrahimovic, é um grande perigo. No primeiro jogo, Beckham só entrou para bater escanteios, faltas e para jogar a bola na área.

O Bayern tem dois gols de vantagem sobre a Juventus. Mesmo assim, o bom time italiano tem razoáveis chances de se classificar. A Juventus é a única das grandes equipes da Europa que atua com três zagueiros. Os dois alas jogam muito à frente, e os volantes avançam, especialmente Pirlo, o organizador da equipe.

A seleção brasileira só terá um grande time quando tiver um volante como Pirlo, que, além de marcar, se torna o armador da equipe, já que é menos marcado. Isso ocorre em todas as melhores equipes do mundo.

LEMBRANÇAS

Encontrei-me, em uma de minhas caminhadas pela cidade, com Procópio, excepcional zagueiro do Cruzeiro nos anos 1960. Procópio, como Thiago Silva, Luizinho e outros ótimos zagueiros, percebiam o passe, se antecipavam aos atacantes e, com um bom passe, iniciavam o contra-ataque. A seu lado, jogava Willian, bom zagueiro, mais no estilo xerifão.

Do passado, mudo para o presente. Segundo matéria do jornal O Tempo, Atlético e Cruzeiro são as equipes do Brasil com melhor aproveitamento no Estadual. Isso é porque os dois estão muito bem ou porque o América e os pequenos de Minas são piores que os pequenos de outros Estados? O Atlético, indiscutivelmente, é um dos melhores do Brasil. Ainda é cedo para dizer o mesmo do Cruzeiro, pois o Estadual não é um bom parâmetro.

Novo papa está seguindo o caminho aberto por Bento XVI

Antonio Santos Aquino

O papa Francisco está pondo em prática determinações de Bento XVI, quanto à punição severa aos pedófilos que vagueiam dento da Igreja Católica. É só lembrar que Bento XVI determinou que um cardeal americano punisse os envolvidos na abominável prática da pedofilia, e o cardeal apenas os tranferiu de paróquia.

O atual e o ex

Lógico que o papa Francisco de muito comungava dessas iniciativas. Quanto ao empresário alemão que está presidindo o Banco do Vaticano, já foi desmentido o que foi divulgado maldosamente sobre ele na mídia. O que se sabe é que é católico praticante e de competência indiscutível para o cargo.

Bento XVI, ao nomeá-lo, não queria o banco nas mãos da “máfia” instalada na Cúria. Com um marca-passos no coração, Bento XVI sem dúvida está com a saúde abalada. O maior problema agora é a espectativa exagerada que se criou em torno do novo papa.

Ele é papa, mas não faz milagres.

O processo contra Lula e a força do simbolismo

Mauro Santayana (Carta Maior)

O Ministério Público do Distrito Federal – por iniciativa do Procurador Geral da República – decidiu promover investigação contra Lula, denunciado, por Marcos Valério, por ter intermediado suposta “ajuda” ao PT, junto à Portugal Telecom, no valor de 7 milhões de reais.
O publicitário Marcos Valério perdeu tudo, até mesmo o senso da conveniência. É normal que se sinta injustiçado. A sentença que o condenou a 40 anos de prisão foi exagerada: os responsáveis pelo seqüestro, assassinato e esquartejamento de Eliza Salmúdio foram condenados à metade de sua pena.


Assim se explica a denúncia que fez contra o ex-presidente, junto ao Procurador Geral da República, ainda durante o processo contra dirigentes do PT. O Ministério Público se valeu dessas circunstâncias, para solicitar as investigações da Polícia Federal – mas o aproveitamento político do episódio reclama reflexões mais atentas.

Lula é mais do que um líder comum. Ele, com sua biografia de lutas, e sua personalidade dotada de carisma, passou a ser um símbolo da nação brasileira, queiramos ou não. Faz lembrar o excelente estudo de Giorg Plekhanov sobre o papel do indivíduo na História. São homens como Getúlio, Juscelino e Lula que percebem o rumo do processo, com sua ação movem os fatos e, com eles, adiantam o destino das nações e do mundo.

IDENTIFICAÇÃO

Há outro ponto de identificação entre Lula e Plekhanov, que Lula provavelmente desconheça, como é quase certo de que desconheça até mesmo a existência desse pensador, um dos maiores filósofos russos. Como menchevique, e parceiro teórico dos socialistas alemães, Plekhanov defendia, como passo indispensável ao socialismo, uma revolução burguesa na Rússia, que libertasse os trabalhadores do campo e industrializasse o país. Sem passar por essa etapa, ele estava convencido, seria impossível uma revolução proletária no país.

É mais ou menos o que fez Lula, em sua aliança circunstancial com o empresariado brasileiro. Graças a essa visão instintiva do processo histórico, Lula pôde realizar uma política, ainda que tímida, de distribuição de renda, com estímulo à economia. Mediante a retomada do desenvolvimento econômico, com a expansão do mercado interno, podemos prever a formação de uma classe trabalhadora numerosa e consciente, capaz de conduzir o processo de soberania.

Não importa se o grande homem público brasileiro vê assim a sua ação política. O importante é que esse é, conforme alguns lúcidos marxistas, começando pelo próprio Marx, o único caminho a seguir.

Como Getúlio e Juscelino, cada um deles em seu tempo, Lula é símbolo do povo brasileiro. Acusam-no hoje de ajudar os empresários brasileiros em seus negócios no Exterior. O grave seria se ele estivesse ajudando os empresários estrangeiros em seus negócios no Brasil.
Lula não é uma figura sagrada, sem erros e sem pecados. É apenas um homem que soube aproveitar as circunstâncias e cavalga-las, sempre atento à origem de classe e fiel às suas próprias idéias sobre o povo, o Brasil e o mundo.

Mas deixou de ser apenas um cidadão como os outros: ao ocupar o seu momento histórico com obstinação e luta, passou a ser um emblema da nacionalidade. Qualquer agressão desatinada a esse símbolo desatará uma crise nacional de desfecho imprevisível.

O lamento do compositor mineiro Fernando Brant

O advogado, compositor, poeta e político mineiro Fernando Rocha Brant, na letra de “Diana” lamenta o sofrimento de uma velha amiga, uma cadela branca e marron. A música foi gravada por Toninho Horta no LP Terra dos Pássaros, em 1980, produção independente.

Horta e Brant

DIANA
Toninho Horta e Fernando Brant

Velha amiga
Eu volto à nossa casa
Já não te encontro alegre
Quase humana

Corpo pintado
De branco e marrom
E uma tristeza no olhar
Como se conhecesse
Dor milenar

Já não te encontro
À espera ao pé da porta
Correndo viva e bela
Ou descansando

Tanto vazio por todo lugar
Tanto silêncio
Sinto ao chegar
Ao nosso território de brincar

Almoço aos domingos
A velha farra
Todos vão inventando
Novos segredos

Fica a ausência
Branca e marron
E a tristeza milenar
Mas os meninos voltaram a brincar
Como se ainda sentissem o seu olhar

Diana, Diana, Diana, Diana, Diana

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Ato público no Rio contra o escândalo do auxílio moradia para juízes.

Os coordenadores do Sind-Justiça foram convocados para uma conversa emergencial, recebidos por um juiz e um desembargador ligados à Administração. Durante 3 horas, os coordenadores José Carlos Arruda e Alzimar Andrade ouviram dos magistrados que a realização do protesto prejudicaria a aprovação do auxílio moradia e isso causaria irritação nos magistrados que esperam por esse auxílio.

Os coordenadores explicaram que não se trata de um ato contra magistrados, mas contra a aprovação de um imoral auxílio moradia, no valor de aproximadamente 5 mil reais por magistrado e com retroatividade de 10 anos, o que importará no pagamento de cerca de 600 mil para cada magistrado, num prejuízo de mais de 400 milhões de reais num orçamento que, segundo o discurso oficial, começou deficitário nesse ano e nos últimos anos só permitiu reajustes abaixo da inflação para os servidores.

O desembargador informou que a entrevista publicada no Jornal O Dia, em que a presidente teria afirmado que a retroatividade seria de 10 anos, está errada e que não foi a presidente quem disse isso. Perguntamos então porque ela não desmentiu ou enviou nota ao jornal para desfazer a “distorção” e fomos informados de que ela não o fez porque “não vale a pena brigar com jornal.”

SEM COMPROVAÇÃO

O Sindicato se dispôs então a desfazer o mal-entendido. Solicitamos que nos fornecessem cópia do anteprojeto, para que pudéssemos publicar em nosso site a real versão do mesmo, provando que não havia previsão de retroatividade de 10 anos. Eles disseram que isso não seria possível. Assim, só temos a versão não desmentida da presidente, em jornal de grande circulação, de que irá retroagir o auxílio a 10 anos.

Informaram ao sindicato que o auxílio será aprovado de qualquer jeito. Informamos, mais uma vez, que não estamos lutando contra magistrados, mas em favor de um orçamento que é de todos e que, na eventualidade de ser aprovado esse auxílio, o impacto financeiro seria de tal porte que não sobraria um centavo para os servidores. Essa é a nossa luta e a nossa preocupação.

Propusemos que o auxílio moradia seja então reduzido, retirando-se a retroatividade, que não faz sentido, e que a diferença seja utilizada com os servidores, pagando o sonhado auxílio-educação para todos, magistrados e servidores, e convocando novos concursados, já que a vacância atual supera 1.800 servidores no quadro. A resposta foi negativa, alegando que podemos, futuramente, discutir o assunto. Perguntamos se podíamos divulgar que havia uma garantia em relação aos temas, mas foi respondido que a única garantia era de que haveria reuniões futuras para discutir o assunto. Ou seja, garantia nenhuma.

GLOBO MUDA TEXTO DO SINDICATO

A Coordenação Colegiada do Sind-Justiça havia deliberado que anunciaríamos na grande mídia o ato do desta quinta-feira(11/04), para dar visibilidade à sociedade da tentativa de aprovação de um auxílio moradia com retroatividade de dez anos, o que é imoral e inoportuno. Durante os últimos dias, estivemos negociando com os 3 grandes jornais do Estado: O Globo, Extra e O Dia.

Contratamos os 3, pagando 14 mil reais pela publicação no jornal O Globo, 10 mil no extra e 14 mil no jornal O Dia. Encaminhamos o nosso texto aos três jornais, para ser publicado hoje.
Na noite de ontem, recebemos ligação do jornal O Globo, comunicando que o texto que encaminhamos não foi aprovado, mesmo após termos feito várias alteração a pedido do jornal, e que estavam remetendo nova versão do texto, elaborada pelo próprio jornal (?). O texto encaminhado pelo Globo não tinha nada a ver com o texto original, tendo sido reduzido a u m quarto do original e com mudanças de todas as palavras, suavizando e dando a entender que é um ato por pauta interna. No entanto, o preço seria mantido (24 mil reais para os dois jornais).

Obviamente, tivemos de desfazer a publicação e lamentar a interferência do jornal O Globo. De qualquer forma, o Extra publicou uma notinha na Coluna do Servidor, do Djalma Oliveira (pág. 17 da edição de hoje). O jornal O Dia publicou a nota na íntegra.

O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Rio e Janeiro (Sind-Justiça) fará esta quinta-feira (11/04), um ato público em defesa da categoria. A manifestação será das 17h às 19h, em frente ao Fórum Central da Capital, na Avenida Erasmo Braga 115, no Centro. Os sindicalistas vão pedir a convocação de novos concursados e protestar contra o projeto de criação de um auxílio-moradia de R$ 5.400 para os magistrados.

Você acredita que Dirceu (‘assediado moralmente’) fez mesmo acordo com Fux para ser absolvido?

Carlos Newton

Brasília em transe. Não se fala em outra coisa na capital. O ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do mensalão a dez anos de prisão, afirmou, em entrevista publicada quarta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, que foi “assediado moralmente” por mais de seis meses para receber o então ministro do Superior Tribunal de Justiça Luiz Fux, que sonhava em ir para o Supremo.

Fux jogou a biografia no lixo

Dirceu diz que nem queria se encontar com Fux, mas acabou aceitando. E Fux lhe teria falado, “de livre e espontânea vontade”, que o absolveria no processo do mensalão. Mas, como se sabe, Fux foi nomeado para o Supremo e votou pela condenação de Dirceu.

O ex-ministro disse que a afirmação de Fux de que não sabia na época de sua condição de réu no mensalão é tragicômica e “soa ridículo, no mínimo”. No encontro, Dirceu disse ao então ministro do STJ que não poderia ser condenado, uma vez que não havia provas contra ele. E o petista declarou ainda que é evidente que o julgamento do mensalão foi “político”, “deliberadamente marcado com as eleições (municipais de 2012)”, e que é inocente.

FUX REALMENTE ENCONTROU DIRCEU

Em dezembro do ano passado, Fux admitiu à Folha que encontrara Dirceu quando estava em campanha para o STF, mas negou ter prometido sua absolvição. Ele disse que leu o processo depois e que ficou “estarrecido”.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa. Silvio Pereira admitiu o crime, fez acordo com o Supremo e se deu bem: ficou livre da pena de prisão.

È claro que Fux errou ao encontrar Dirceu e pedir apoio para ser indicado ao Supremo. Tem “notável saber jurídico”, talvez seja o ministro mais preparado, porém não tem mais a “reputação ilibada”. Jogou sua biografia na lata do lixo, iniciativa que Dirceu também tomou ao organizar o mensalão, para favorecer o governo Lula e aprovar o que bem quisesse no Congresso. Agora, quando se aproxima a hora de ir para a cadeia, Dirceu vai cair atirando. Se abrir a boca, a República vai tremer. Será que vai continuar poupando Lula? Esta é uma grande dúvida.

 

 

A fase é péssima para Dona Graça Foster, não sai das manchetes negativas. Excelente artigo de Ivo Herzog, pedindo (exigindo) a expulsão de Marin da CBF. Inflação é o susto do dia.

Helio Fernandes

Desde que veio a público afirmar, “as ações da Petrobras vão subir” não acertou uma, seus passos são sempre negativos. As ações não subiam, ela mesma se encarregou de desmentir o que havia afirmado a favor dela: “Anunciando publicamente a alta das ações, a presidente da empresa se livra da possível acusação de informação privilegiada”.

É isso. Desde o início dos pregões da Bolsa (segunda-feira), a Petrobras ficou perigosa e suspeitamente entrelaçada com o grupo EBX (Eike Batista). De uma queda violenta durante quase toda a segunda-feira, como venho mostrando, detalhadamente, passou à recuperação inacreditável e inexplicável.

Dona Graça se complicou não desmentindo os boatos espalhados e usufruídos pelo bilionário. E sua situação se agravou (o regime da Petrobras é presidencialista, ela é acusada de ser grosseira com funcionários que estão abaixo dela, e demasiadamente amável com autoridades acima),com declarações positivas a respeito do Porto de Açu, à beira da falência. E a Petrobras não pode afirmar, “no futuro usaremos esse porto”. Que porto?

Utilizar um porto, seja de quem for, obrigação da PEtrobras, resguardados todos os seus direitos e o do cidadão-contribuinte-eleitor, que é dono de tudo. Mas vir a público anos antes da existência desse porto, avisando que vai escoar sua produção por ele, o que é isso? E num momento em que a afirmação serviria, como serviu, para a mais revoltante especulação?

É lógico que Dona Graça sabia da repercussão de sua subida no palanque acionário do explorador. Tinha que conhecer o poder da palavra. Se não conhecia, não podia nem pode presidir uma empresa como a Petrobras.

Dona Graça devia ser investigada.Ou, no mínimo, deve uma explicação à opinião pública. Ninguém vai investigá-la, é claro. Mas bilhões e bilhões jogados (a palavra exata é essa) diariamente, deviam ser caso de polícia. Já que a CVM, sonolenta, não pode aparecer.

A CORAGEM E A SERENIDADE DE IVO HERZOG

Engenheiro, participante e, ainda mais, filho de Wladimir, assassinado pela ditadura, denuncia o presidente da CBF como cúmplice (no mínimo) da morte do pai. Muito já foi dito desse ex-”governador”, que para entrar também na estrada da corrupção, era “vice” de Maluf.

Inesperadamente, com todo esse passado, surge como presidente da CBF, que controla a paixão do cidadão brasileiro, que é (ou era, em outros tempos) o futebol.

Quem quiser pode ler o artigo de Herzog, na Folha de ontem. Vou transcrever apenas um trecho, entre aspas, como fez o autor: “Queremos projetar nossos melhores cumprimentos a um homemque de há muito vem prestando relevantes serviços à coletividade, embora nem sempre tenha sido feita justiça ao trabalho (…). Queremos trazer cumprimentos e dizer do nosso orgulho em contar na polícia de São Paulo com o delegado Sergio Paranhos Fleury”.

SÓ MARIN SE ORGULHAVA DE FLEURY

No momento em que esse José Maria Marin ameaça processos por “injúria, calúnia e difamação”, o conhecimento desse discurso, mal escrito mas elucidativo, é importantíssimo. E contrariando e contradizendo Marin, a ditadura não tinha por Fleury o mesmo orgulho.

Tanto que não podendo controlar as torturas comandadas por Fleury, decidiram orgulhosamente eliminá-lo. O que fizeram fácil e rapidamente. “Por acaso”, Fleuty bateu violentamente com a cabeça na quilha de um barco, desapareceu.

A propósito, quando Marin assumiu a CBF, fui o primeiro e único a revelar: Marin foi “vice”de Maluf de 1978 até 1982, quando saiu para se candidatar a deputado (naquela época não havia reeleição). Marin assumiu no que chama de “biênio”, mas foram 8 meses como “governador”. Ele confirma tudo em artigo (também na Folha), só que despreza as aspas, como é desprezado por todos os torcedores da seleção, mesmo comandada pelo retrocesso.

OS JUROS SUBIRÃO?

Em abril parece difícil, em maio, certo e garantido. Ontem, Felfim, o mais longo ministro da ditadura, escreveu artigo sobre o assunto. Como na véspera esteve com Dona Dilma, deve ter resumido alguma coisa, lógico, falaram sobre inflação.

Mas a grande divergência sobre isso é entre o BC e o ministro da Fazenda. Dona Dilma ouviu Delfim, mas não pode intervir. Só esperar.

QUEREM ACABA COM PARTES ENORMES
DO HISTÓRICO MURO DE BERLIM, PARA
CONSTRUIR EDIFÍCIOS LUXUOSOS

Isso é um absurdo total. Os protestos surgem da Alemanha, crescem pela Europa e pelo mundo. É preciso impedir esses vândalos de ocuparem, com o poder do dinheiro, territórios que pertencem mais à História do que à Geografia.

Estive várias vezes na Alemanha, duas delas já construído o muro, e não fui conhecê-lo. Na Copa do Mundo de 1974, ia ver o jogo Alemanha-Chile em Berlim, em estava sediado em Frankfurth. Motivo principal: o jogador da Alemanha (campeã desse 1974) Breitner, comunista, prometeu fazer um gol por causa do assassinato de Allende.

Estava de carro, fui me despedir de João Saldanha, ele me disse: “A passagem pelo muro está levando entre 3 e 4 horas. De aviãolleva 30 ou 35 minutos, igual a Rio-São Paulo”. Como Saldanha era eclético mesmo, sabia tudo, fui de avião. Ida e volta rapidíssima, vi Breitner fazer o gol prometido (um chute fabuloso de longe da área), mas não conheci o Muro de Berlim. Indesculpável, Irrecuperável, Irreparável. Inexplicável.

AS “COINCIDÊNCIAS” DE EIKE

Ontem, logo na abertura do pregão, seu porta-voz anunciou: “A OGX (holding) descobriu petróleo na Bacia de Campos e gás em Parnaíba”. O poço de Campos já foi desmoralizado diversas vezes, e atualizado em outras. O gás do Parnaíba, nada importante, principalmente para a profundidade da crise do grupo. Mas serviu para mais especulação e “puxada” em ações.

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PS – Até a hora do almoço, o OSX estava em alta de 16,4%. A LLX, que não tinha nada com isso, seu ponto mais frágil e desesperador é o Porto do Açu, no mesmo período, subia 7.75%. As outras, mais ou menos.

Será lembrada como freira?

Carlos Chagas

Tem gente que reclama contra a postura áspera, rígida e não raro mal-educada da presidente Dilma, quando ela se dirige a seus subordinados gritando e admoestando, inclusive ministros.

Trata-se de uma questão de perspectiva, de ângulo de visão, porque já imaginaram se Joaquim Barbosa virar presidente da República?

No julgamento do mensalão ele confrontou diversos ministros seus colegas com palavras mais do que deselegantes, e agora, na presidência do Supremo Tribunal Federal, continua o mesmo.

Já ofendeu gravemente jornalistas e destratou advogados, mas esta semana investiu de forma virulenta sobre juízes representantes de associações de classe.

Chegou a mandar um deles, que revidava suas agressões, a baixar a voz, calar a boca e só falar quando ele determinasse.

Disse que as associações de magistrados não representam a nação e encerrou a reunião, depois de afirmar que sorrateiramente e em surdina elas tramaram a criação de mais quatro Tribunais Regionais Federais na beira da praia.

O público costuma aplaudir e elogiar o comportamento de Joaquim Barbosa, mas, convenhamos, numa eventual eleição dele para presidente da República, de que alguns partidos cogitam, o mínimo a concluir será que Dilma Rousseff comporta-se como uma freira, no palácio do Planalto, caso mantido o temperamento do ministro.

PERIGO DE CONFRONTO

Vinte mil pastores evangélicos estão reunidos em Brasília, num congresso das Assembléias de Deus, sendo que a maioria aplaude o deputado-pastor Marco Feliciano, sempre que seu nome é referido.

Ninguém pede a renuncia dele da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, muito pelo contrário, emprestam-lhe apoio.

Está o país diante de um perigoso confronto, porque de um lado as igrejas evangélicas vem se manifestando em favor dos obscuros conceitos expostos pelo deputado-pastor, ele que é adversário dos homossexuais, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da liberação do aborto, além de ter acentuado que Deus puniu John Lennon e os Mamonas Assassinos com a morte porque ridicularizavam a religião.

Como de outro lado aumentam os contingentes dos que protestam, até violentamente, contra a presidência de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, o mínimo a temer são as consequências desse choque de concepções, capaz de levar a batalhas campais em nome da fé, como nos tempos medievais.

QUANDO JUÍZO FAZ FALTA

Em 1950 os exércitos chineses entraram pela Coréia do Norte e invadiram a Coréia do Sul, derrotando os americanos. O comandante das forças dos Estados Unidos, general Douglas MacArthur, pediu licença ao estado maior, em Washington, para bombardear território chinês, de onde saiam os soldados invasores. Queria destruir as pontes que ligavam a China à Coréia do Norte, para impedir a entrada de mais tropas comunistas.

O estado maior, empenhado em evitar a terceira guerra mundial, deu-lhe licença para bombardear apenas a metade das pontes, aquelas que estavam em território coreano.

MacArthur exasperou-se, porque em seus 52 anos de vida militar, jamais tinha ouvido falar na hipótese de destruir meia-ponte, deixando intacta a outra metade. Acabou demitido, celebrando-se depois o cessar fogo entre americanos, coreanos e chineses.

Agora que a Coréia do Norte adota a mesma política agressiva e ameaça lançar mísseis nucleares na Coréia do Sul, sempre protegida pelos americanos, retorna a sombra de uma guerra mundial, porque a China, mesmo tendo aderido ao socialismo capitalista, não deixará de apoiar a Coréia do Norte.

Seria bom que todos criassem juízo, porque o resto do mundo não tem nada com isso, mas sofrerá os efeitos de uma guerra capaz de destruir o planeta.