Arquivos por mês: agosto 2012

Circula na internet um bem-humorado pedido de equiparação dos descendentes de alemães, que querem ser tratados como negros ou gays

Em resposta à concessão de direitos especiais para afrodescendentes e homossexuais pelo Supremo Tribunal Federal, circula na internet uma bem-humorada mensagem à presidente Dilma Rousseff em que os descendentes de alemães se dizem vítimas de discriminação e pedem igualdade de direitos aos negros e aos gays.

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MINORIA SEGREGADA

Como minoria segregada no Brasil, nós, descendentes de alemães, solicitamos providências do governo federal para sermos igualados aos negros, perdão, afrodescendentes, no que tange aos direitos dos cidadãos. Para tanto, pacificamente reivindicamos seja aprovada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que contemple os seguintes pontos:

01 – Fica estabelecida a cota de 5% para alemães e seus descendentes nas universidades públicas brasileiras;

02 – Fica proibido chamar descendentes de alemães, ucranianos, holandeses e outros europeus de polaco, galego, branquela, etc e tal;

03 – Fica proibido chamar um indivíduo de “alemão”, pois o termo é pejorativo e denigre a imagem deste como ser humano;

04 – Fica estabelecido que os descendentes de alemães devem sem chamados de “germanodescendentes”;

05- Chamar alemão de alemão passa a ser considerado crime de racismo – inafiançável – a despeito do fato de a raça humana ser uma só;

06 – Fica proibido o uso de expressões de cunho pejorativo associadas aos descendentes de alemães. Ex: “Coisa de alemão!”, “Alemão porco….”, “Só podia ser alemão”, ” alemão batata” , ” comedor de chucrute”, “porco chauvinista”, “português que sabe matemática” etc;

07 – Fica estabelecido o dia 25 de julho como “Dia Nacional da Consciência Germânica”, feriado nacional;

08 – Fica estabelecido o dia 25 de novembro como “Dia Nacional do Orgulho Alemão”, com feriado nacional, mesmo que não se possa chamar alemão de alemão;

09 – Fica criada a Subsecretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Alemã, subordinada à Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial;

10 – Fica estabelecido o prazo de 2 anos para a Subsecretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Alemã virar Ministério dos Alemães, juntando-se aos outros 38 ministérios brasileiros já existentes, mesmo que não se possa chamar alemão de alemão;

11 – Passa a ser crime de “germanofobia” qualquer agressão deliberada contra um descendente de alemães, mesmo que não possa chamar alemão de alemão;

12 – Em caso de um negão chamar um alemão de alemão, este adquire o direito de chamar o negão de negão sem aplicação das sanções já previstas em lei;

13 – Ficam estabelecidos como Centros Nacionais da Cultura Alemã o bairro Buraco do Raio em Ivoti/RS, a zona central de Blumenau/SC e o bairro “ Drei Parrulho” em Santa Cruz do Sul.

Blumenau, 18 de maio de 2012.

PS: Caso italianos, portugueses, espanhois, siriolibaneses, japoneses, bolivianos, paraguaios, poloneses e tantos outros também se unirem em projetos similares, haverá dificuldades para aqueles que fazem questão de ser apenas brasileiros conseguir vagas em universidades e direitos especiais.

Filho de ex-ministro do STF desmente Noblat sobre Dias Toffoli

Do blog Cidadania, de Eduardo Guimarães:

Eduardo Pertence, filho do ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, desmente blogueiro da Globo Ricardo Noblat, que acusa ministro do mesmo STF José Antônio Dias Tóffoli de tê-lo insultado com palavrões”.

“Caro Noblat,
Aprendi a lhe respeitar e admirar desde criança, por consequência do meu pai, Sepúlveda Pertence, seu amigo e admirador.
Contudo, não posso deixar de demonstrar meu espanto com essa leviana notícia.
Estava eu, junto ao meu pai, nessa mesma festa.
Você foi recebido na mesa dele com todas as loas e elogios.
Fiquei na festa até o final, chegando a acompanhar o Min. Toffoli até seu carro, quando ele foi embora.
Afirmo não ter presenciado nada aparecido com o que você noticiou aqui.
Não vi, nem ouvi dele, nada assemelhado as loucuras aqui mencionadas.
De minha parte, testemunho que não houve.
De sua parte, espero que o Mensalão não esteja alterando sua noção de realidade.
Continue, fora isso, sendo o grande e admirável jornalista que sempre foi.
Com respeito, mas espanto.
Eduardo Pertence”.

Sociedade refém das greves que o PT sempre apoiou

Milton Corrêa da Costa

O partido político que cresceu e criou fama, décadas atrás, pelo uso estratégico das reivindicações da massa trabalhadora, na luta por aumentos salariais e melhores de condições de trabalho, e que adorava ver o circo pegar fogo,  agora enfrenta a mesma ferramenta de pressão: o direito de greve, que coloca neste momento a coletividade como refém das reivindicações das diferentes classes de servidores federais,  ao que parece unidas num só protesto.

Algumas categorias de servidores já estão paralisadas há mais de 80 dias, como os professores universitários, e o governo do PT alega que não há mais o que oferecer. Já chega a consideráveis bilhões de reais o somatório dos reajustes exigidos pelas diferentes categorias de servidores e o momento, ante a grave crise econômica mundial, é de fechar o cofre e de conter as contas públicas, e alguns países europeus demitem servidores e reduzem drasticamente até aposentadorias, como metas econômicas que terão que ser cumpridas para equilibrar as contas públicas de economias seriamente combalidas.

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MÁQUINA FEDERAL

No Brasil, o peso da máquina administrativa federal, com salários de servidores, ativos e inativos, cresceu assustadoramente nos últimos dez anos. De R$ 75 bilhões em 2003 para R$ 200 bilhões em 2012. Algumas categorias de servidores em estado de greve (utilizam-se agora como meio de pressão a chamada operação-padrão) têm em verdade salários privilegiados em relação a grande maioria das classes trabalhadoras brasileiras.

Algumas categorias de servidores federais têm no início da carreira vencimentos superiores a R$ 7 mil, enquanto alguns aposentados do INSS, após 35 anos de contribuição previdenciária, recebem o máximo de 10 salários-referência, nem chega a R$ 4 mil reais. Registre-se que servidores, além de salários absurdos e desproporcionais pelo nível básico que ostentam (motoristas e ascensoristas inclusos) ainda se aposentam com salários do topo da carreira. Alguns, com aposentadorias astronômicas e acima do teto-salarial permitido. Detalhe: servidor público (estatutário) tem estabilidade assegurada. Trabalhador do setor privado, não.

A realidade é que atual onda de greves no país vem perigosa e constantemente colocando a população brasileira como refém. Vejam o caos ocorrido recentemente nas estradas com a paralisação dos caminhoneiros, assim como a manifestação dos motoboys no Rio e em São Paulo.  O governo do Partido dos Trabalhadores está agora numa encruzilhada sem saída. Inúmeras classes de servidores vão aos poucos paralisando o país num só movimento e não há como atender, de uma só vez, todas as reivindicações de aumento salarial, plano de carreira e melhores condições de trabalho.

Alunos sem aula, calendários acadêmicos paralisados, formaturas adiadas (não se sabe até quando), passeatas com trânsito parado, direito de ir e vir comprometido, operações pente-fino em aeroportos e rodovias, problemas com desabastecimento de alguns produtos e mercadorias, queda em arrecadação de impostos, atos de vandalismo e sabotagem como fechamento de vias de circulação com pneus queimados, ameaça à ordem pública, emissão de passaportes suspensa para viagens de lazer, perda de conexões aeroviárias, compromissos sociais e profissionais suspensos, emergências médicas sob risco, remédios em falta e doação de sangue afetada.

Detalhe: os 26 dias de greve dos servidores da Anvisa já afetam os laboratórios e causa retenção de 30% dos remédios que chegam, por exemplo, no Estado do Rio de Janeiro. Ou seja, todo um cenário caótico. A pergunta é: até quando a grande maioria da sociedade brasileira ficará refém de movimentos grevistas, sejam eles justos ou não? Visível chantagem no desempenho ou na paralisação de atividades essenciais, sob o manto do direito de greve, são atos de insensatez plena. O direito constitucional de reivindicar não pode se contrapor à ordem pública e à ordem institucional.

A percepção de Nery, que tem a ousadia de expor por escrito o óbvio

Magdala Domingues Costa

Apesar das paixões políticas que norteiam o jornalista Sebastião Nery, sua aguçada percepção nunca se embota e a ousadia de expor por escrito o óbvio, apenas “sugerido” por tantos outros, é muito útil para que, neste mar de prestidigitadores mequetrefes, não nos confundamos, a ponto de perder a referência sobre a realidade, tantas as “abstrações” sugeridas no debate levado a cabo na mais alta Corte do País, sobre o esquema criminoso mais ousado de todos os tempos para tungar a Nação, eufemismo delicado para roubo.

No mandamento “não roubar” – que figura no Decálogo respeitado (pelo menos em tese) nas religiões cristãs e no judaísmo – está implicado que se apossar do que não é nosso, seja “desviar” dinheiro público, “misturar os bolsos”, é pecado mortal, passível de punição severa pela divindade e pelas leis dos homens.

Continuo perseguindo a resposta para esta questão até agora irrespondível: Qual a fonte da dinheirama que circulou à vontade, em malas, carros forte, lingerie masculina, ante a cegueira das instituições encarregadas de controlar impostos e as finanças da nação?
A destinação bem sabemos, mas o cerne do imbróglio é a fonte. O resto é o resto.

Repetirei até a exaustão: dinheiro de impostos tem destinação pública, é do povo, para receber em serviços dignos que permitam educação e saúde, sobretudo.

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E AS PRIORIDADES?

Antes de se comprarem aviões de última geração, e helicópteros espetaculares, para rivalizar com os EUA, o básico precisa ser respeitado. Há uma ordem de prioridades que é cinicamente ignorada pelos donos do poder.

A Ministra Belchior não cora de vergonha com a exibição de seus ganhos, mas é pródiga em conselhos e teses sobre a “crise” que está para nos atingir e a “necessidade” de economizar… E a tal de “marolinha”???

Brasil grande é Brasil de um povo educado e alimentado, com oportunidade de trabalho para todos, respeitadas as capacidades individuais.

Políticos são funcionários públicos, regiamente pagos (no Brasil) para representar quem lhes financia os gordos salários, a manutenção dos palácios e privilégios que todos conhecemos, desde as toneladas de acepipes consumidos até a gasolina dos meios de transporte.

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NOME$ $AGRADO$

Não compreendo o “pisar em ovos” para ousar mencionar “nome$ sagrado$”, entronizados no inconsciente tupiniquim por arte$ que agora conhecemos o preço e me produzem náusea.

Tentei inúmeras vezes assistir a um trechinho das inspiradas defesas dos douto$$$$, inclusive a do “homem que ri”. Não consegui, sobretudo pelo ataque ao vernáculo, em alguns casos, e também pelo desrespeito aos juízes, com várias alegações pífias, de mau gosto e uso de termos vulgares. Por ato falho, imagino cá com minha sombra, houve uma alusão a “cafetina”.

Invocando a lógica cartesiana: para haver cafetinas, há necessidade de prostitutas. Aí desliguei a TV.

Estudava-se tanto em tempos idos para entrar numa Faculdade de Direito e era necessário conhecer latim e familiarizar-se com Cícero e Ovídio.

Um casamento precoce entrou em minha vida e segui rumos incompatíveis com a prática da profissão para a qual me preparava, mas me esforcei muito a vida inteira para não perder conhecimentos duramente adquiridos, com esforço, dedicação e gastos com livros e bons professores particulares.

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“TEATRALIDADE”

Não dá para desperdiçar tempo precioso desaprendendo, assistindo à “teatralidade” fajuta que faz os ministros cochilarem. As fotos indiscretas foram amplamente divulgadas na mídia.

Os dois tópicos da coluna de Nery – “Mensalão” e “José Dirceu” – expressam concisa e exemplarmente o que transcorreu nos idos de 2003.
Um amazônida conhece bem a diferença entre uma tartaruga e um tracajá. São bem parecidos, mas há sutilezas em sua conformação.

Nós, pobres assistentes deste circo de horrores, precisamos urgentissímamente aprender a conhecer as diferenças entre cafetinas e prostitutas, antes de votar.

A mensagem que a China transmitiu no julgamento mais sensacional em décadas

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

Começou o julgamento mais esperado da China em muitos anos. E terminou. Em sete horas, numa admirável demonstração de eficiência, a justiça chinesa cuidou do caso de Gu Kailai, mulher de Bo Xilai, um carismático líder chinês que parecia se encaminhar para o topo do poder na China até um crime sensacional surgir em seu caminho. Foi por este crime – o assassinato de um homem de negócios britânico, Neil Heywood, no final do ano passado – que Gu foi julgada.

Ela foi declarada assassina. A sentença será divulgada em breve. Os especialistas em China apostam que ela vai escapar da morte para passar uma temporada de talvez quarenta anos na prisão.

A razão para que ela não seja executada é uma informação que surgiu nos últimos dias. Gu, segundo sua defesa, matou Heywood para defender seu filho. Ela temia, de acordo com a mídia chinesa, que Heywood o matasse. Heywood, Gu e seu filho tinham uma sociedade em negócios obscuros, e em determinado momento emergiram conflitos em torno da divisão dos lucros. Até aqui, Heywood era tratado apenas como uma vítima. Não mais.

Gu, o marido Bo e Heywood

O crime foi espetacular. O cenário foi um hotel numa região que fora governada por Bo, Chongqing. Ali ele criara fama de um político modernizador — e enérgico o suficiente para derrotar as máfias que dominavam Chongqing.

A versão mais crível dos acontecimentos parece saída da mente de Agata Christie. Heywood recebeu a visita de Gu no quarto em que estava hospedado. Ela estava acompanhada de um empregado da família – também julgado e declarado assassino. Heywood bebeu além da conta, provavelmente induzido. Bêbado, pediu água. Gu e seu empregado aproveitaram a ocasião para forçá-lo a engolir veneno.

Inicialmente, a polícia afirmou que a morte se dera por excesso de bebida. Depois, sob pressão britânica, a investigação foi retomada – e então vieram os fatos que puseram fim sensacionalmente à carreira de Bo Xilai.

Em vídeos, vi depoimentos de diversos chineses que formam a chamada voz rouca das ruas. O ponto destacado por muitos é que ficou claro que ninguém está acima da lei no país.

Era provavelmente esta a mensagem que o governo da China queria transmitir aos chineses – e ao mundo. Conseguiu.

Noblat denuncia palavrões e baixarias de Dias Toffoli

Ricardo Noblat

Acabo de sair de uma festa em Brasília. Na chegada e na saída cumprimentei José Antônio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Há pouco, quando passava pelo portão da casa para pegar meu carro e vir embora, senti-me atraído por palavrões ditos pelo ministro em voz alta, quase aos berros.

Voltei e fiquei num ponto do terraço da casa de onde dava para ouvir com clareza o que ele dizia.

Tóffoli referia-se a mim.

Reproduzo algumas coisas que ele disse (não necessariamente nessa ordem) e que guardei de memória:

- Esse rapaz é um canalha, um filho da puta.

Repetiu “filho da puta” pelo menos cinco vezes. E foi adiante:

- Ele só fala mal de mim. Quero que ele se foda. Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo.

Acrescentou:

- Em Marília não é assim.

Foi em Marília, interior de São Paulo, que o ministro nasceu em novembro de 1967.

Por mais de cinco minutos, alternou os insultos que me dirigiu sem saber que eu o escutava:

- Filho da puta, canalha.

Depois disse:

- O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia, esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.

Arrematou:

- Chupa! Minha pica é doce. Ele que chupe minha pica.

Atualização das 3h52m – Imagino – mas apenas imagino – que o ataque de fúria do ministro deve ter sido desatado por um comentário que fiz recentemente sobre a participação dele no julgamento do mensalão. Segue o comentário.

http://www.youtube.com/watch?v=cvyLfkZs-jo&feature=player_embedded 2min26seg

 

Como Paul Newman personificou a nobreza (e não apenas no cinema)

Kiko Nogueira

A primeira vez em que vi Paul Newman foi numa Sessão Coruja, da TV Globo, nos anos 1980. Passava Rebeldia Indomável, no qual ele fazia um presidiário tentando fugir de uma colônia penal rural. Numa cena, Newman aposta com o colega interpretado por George Kennedy qual dos dois conseguia engolir o maior número de ovos cozidos.

O que poderia ser uma sequência de mau gosto, caricatural e estúpida tomou uma dimensão épica por causa daquele sujeito de olhos azuis claros, feições nobres, que segurou a tensão dramática com uma elegância tirada sabe-se lá de onde. Essa aura especial de Newman esteve presente em cada longa-metragem de que participou. “Sempre que peguei um script foi uma questão de ver o que eu poderia fazer com ele. Eu vejo cores e imagens. Tem de haver um cheiro. É como se apaixonar. Você não consegue entender por quê.”

Nascido em Ohio numa família de origem judaica, ele foi expulso do colégio em que estudava por mau comportamento. Nos anos 1950, participou de programas sem importância na televisão e fez peças de teatro no off-Broadway. Numa delas, Picnic, conheceu a segunda mulher, Joanne Woodward, sua companheira para o resto da vida. Foi aluno do famoso Método de Lee Strassberg, que formou seu ídolo Marlon Brando, seu rival James Dean, a linda atormentada Marilyn Monroe e, depois, tantos outros (Al Pacino, Dustin Hoffman, Robert De Niro, Jane Fonda etc).

Com a morte de Dean, a década seguinte se mostrou, praticamente, dele. Nenhum outro conseguiria encarnar, daquela maneira, uma galeria de rebeldes, foras da lei e desajustados. Seu grande momento como outlaw aconteceu com o papel do bandido gente fina Butch Cassidy. A dupla de caubóis que desafia o sistema capturava perfeitamente o espírito da contracultura dos anos 1960, e Newman, já quarentão, virou ídolo juntamente com seu seguidor Robert Redford, que fazia o pistoleiro Sundance Kid.

Essa consistência, talento e estilo eram tirados de sua vida. Apaixonado por velocidade, teve carros de corrida, disputou provas, profissionalizou-se. Conseguiu a segunda colocação nas 24 Horas de Le Mans, a mítica prova disputada na França, com um Porsche. Em 1995, aos 70 anos, correu em Daytona, nos Estados Unidos.

Nunca se preocupou com moda (queimou um tuxedo numa ocasião), mas também sempre deixou claro que se vestia como alguém que não queria passar em branco. O terno carvão justo com gravata escura e abotoaduras de seu Eddie Felson em Desafio à Corrupção e a camisa denim de Rebeldia Indomável são clássicos. Ele consegue ficar cool em qualquer situação, até na companhia de uma gangue de assassinos ou sujo de graxa (coisa que não serve para todo mundo, ok, mas você pode tentar sempre).

Com o passar do tempo, Newman teve papéis menores, mais adequados à sua idade, ainda marcantes, como em O Veredito. Em vez de perseguir eternamente a juventude perdida, fazer uma plástica nas bolsas dos olhos azuis, um implante de cabelo e casar-se pela trigésima terceira vez com uma loira peituda de passado remoto, passou a se dedicar à sua fábrica de molhos e condimentos, Newman’s Own.

Ganhou mais dinheiro com isso do que com o cinema (Newman é de uma geração anterior ao salário surreal de gente bonita, sem talento e que faz filmes ruins). A grana foi revertida para suas obras de caridade. A mais famosa delas é o acampamento Hole in The Wall para crianças com necessidades especiais. Ele fundou a instituição, batizada com o nome da gangue de Butch Cassidy. Hoje, é uma rede que cuida de 13 mil crianças por ano, de graça. Em junho de 1999, Newman doou 250 mil dólares para o campo de refugiados de Kosovo.

Em 2008, foi nomeado a celebridade mais generosa por ceder mais de 20 milhões de dólares para a benemerência. Paul Leonard Newman morreu naquele mesmo ano, em decorrência de um câncer no pulmão (foi um fumante inveterado). O jornal L’Osservatore Romano, editado no Vaticano, escreveu que ele era “um coração generoso e um ator de dignidade e estilo raros em Hollywood”.

Se ele era um santo? Não. “Um homem sem inimigos é um homem sem caráter”, disse certa vez. Paul Newman teve diversos inimigos. Mas sempre foi um homem e um ator maior do que eles.

(Texto publicado na revista Alfa)

Ficção e espionagem

Mauro Santayana

Os serviços secretos só se justificam na defesa da integridade territorial e política das nações contra seus inimigos externos, sobretudo em tempo de guerra e em situações internacionais de grande instabilidade e perigo. A experiência histórica demonstra, no entanto, que a coleta de informações por esses agentes, mesmo nessas situações, é precária. Os relatórios dos mais importantes serviços do mundo, como os britânicos, norte-americanos e franceses, de acordo com as revelações conhecidas, demonstram que, em sua maior parte, as informações eram absolutamente falsas. No caso brasileiro, costumam ser ridículas as informações dos agentes da Ditadura sobre algumas pessoas.

Os agentes precisam mostrar serviço, e, quando não há o que informar, valem-se da ficção, ou se baseiam em boatos, em denúncias absolutamente falsas, de desafetos dos monitorados. Qualquer pessoa que tenha acesso aos registros dos vários serviços secretos, aqui e em qualquer país do mundo, sobre si mesma, encontrará absurdos espantosos. E – o que é curioso – na maioria das vezes, esses serviços não conseguem registrar as atividades reais dos investigados contra os governos ditatoriais.

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NA ERA FHC

Segundo revelou o site Carta Maior, o serviço secreto da União monitorou, durante o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, as atividades dos intelectuais e políticos de esquerda que se opuseram à sua adesão ao Consenso de Washington, ao neoliberalismo e à globalização da economia. Na realidade, esses intelectuais, políticos nacionalistas, e militantes de esquerda, se opunham, de maneira clara, transparente, nunca clandestina, à entrega dos ativos públicos, representados pelas empresas estatais, e à desnacionalização da economia e do sistema financeiro, em benefício dos capitalistas estrangeiros.

Foi uma luta de peito aberto, dentro das regras democráticas, mediante documentos públicos, entre eles vários manifestos, como o assinado por personalidades respeitáveis da República, contra a privatização da Vale do Rio Doce, que tive o privilégio e a honra de redigir em Juiz de Fora, no escritório do honrado presidente Itamar Franco.

Como muitos outros homens que transitaram pela esquerda na juventude, o presidente se converteu, com a mente e o coração, à direita. De formação, e profissão acadêmica, fascinou-se pela inteligência técnica dos jovens economistas que o cercaram no Ministério da Fazenda, e genuflectiu diante de Wall Street. Ele agiu como um arrependido de seus ideais antigos, e saudou o neoliberalismo como uma nova era na História. Mas não foram poucos os que se aproveitaram de sua guinada a fim de se enriquecer com o processo. E há gestos seus que ainda incomodam a muitos de nós – como as suas relações muito próximas com alguns banqueiros e sua visível preferência por alguns consórcios licitantes, como no caso do Banco Opportunity.

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OS ARAPONGAS…

Descobrimos agora que os serviços secretos não foram devidamente usados durante os oito anos dos tucanos paulistas na direção da República. Em lugar de seguir e monitorar os agentes estrangeiros que agiam em nosso país, sob o pretexto de combater o tráfico de drogas, e de acompanhar as atividades de autoridades brasileiras que colocavam em risco os interesses permanentes da nação, os arapongas investigavam os patriotas brasileiros que defendiam o nosso desenvolvimento autônomo. Nada de espantar: a Ditadura aprimorou o incipiente serviço secreto e o transformou no poderoso SNI para se alinhar aos norte-americanos na luta contra os comunistas, dentro do maniqueísmo da guerra fria. Como não há mais comunismo a combater, foi preciso encontrar outra causa, a causa dos novos liberais.
Teriam feito melhor se houvessem investigado como foi o enriquecimento rápido e tranqüilo de alguns daqueles que participaram do processo de privatização. Teriam feito melhor se houvessem acompanhado a evasão de recursos mal havidos, como os bilhões que atravessavam a fronteira do Paraguai, em caminhões fechados e autorizados, por portaria do Banco Central, para o ir e vir, sem a devida fiscalização da Receita Federal, em uma evasão calculada em 80 bilhões de dólares. Teriam, se assim agissem, justificado seus vencimentos, suas diárias, seus privilégios funcionais, na defesa dos interesses permanentes do nosso povo. Atuando, como atuaram, sob a ordem direta, ou não, do Presidente da República, eles se aliaram aos inimigos de nosso povo, que hoje estão sendo internacionalmente desmascarados, com a revelação de que a maior quadrilha de gangsters da História se encontra no conglomerado de Wall Street.

O pai, na visão do genial Pablo Neruda

Francisco Bendl

Felicidades a todos os pais e avôs no dia de hoje!

Parabéns a nós, que criamos nossas famílias e podemos receber o abraço de filhos e netos nesta data tão especial.

Nada se equivale ao abraço afetuoso e o carinho que nos dão, sendo este o maior presente porque é diário, e faz parte de forma tão importante às nossas vidas que, a cada afago, sgnifica mais tempo de existência, mais força para viver, mais alegria e satisfação.

Somos homens abençoados por Deus, pois temos quem nos ame, quem se importa conosco, quem gosta de nos abraçar e beijar.

Neste domingo, lembremo-nos também de agradecer pela graça de ser pai e, a outros amigos meus também avôs, duplicando esta felicidade inigualável  de sermos pais duplamente, o Super Duplo, quando digo às minhas netas o que o avô delas se sente diante de tanta beleza, afeto e amor!

Um forte abraço a todos.

FELIZ DIA DOS PAIS!

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Hoje, Dia dos Pais, vamos mostrar uma obra do poeta Nobel chileno Pablo Neruda (1904 // 1973) , que tanto gostava do Brasil e dos brasileiros. E fechamos a homenagem com um poemeto de Paulo Peres, que comanda o festejado site Poemas e Canções.

Pablo Neruda

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O PAI

Pablo Neruda

Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois… Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar… E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
… menino, meu menino…

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

Tradução de Rui Lage

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DIA DOS PAIS

Paulo Peres

Festejai, pai material,
Este dia especial.
Receba o carinho celestial
- Família, luz e amor -
Através à bênção do Pai Maior,
O Nosso Deus-Pai Espiritual

 

“O Brasil precisa aprender com a China como se transforma, rapidamente, investimentos em medalhas.”

Tostão (Jornal O Tempo)

O corpo fala primeiro. Termina hoje a Olimpíada. Mesmo que ganhe mais de 15 medalhas, será pouco para o Brasil, pelos enormes gastos. Em Pequim, foram 15. Os dirigentes dizem que, no Rio de Janeiro, em 2016, o Brasil deve chegar a 30 medalhas. Será? Sugiro a ida de especialistas à China para aprender como se transforma, rapidamente, investimentos em medalhas.

Ainda não aprendi as regras e os detalhes técnicos do badminton, do tae-kwon-do e de outros esportes. Assim como Antônio Prata, que lamentou “ter ficado muito tempo peregrinando de prova em prova, sempre com a angustiante sensação de que o melhor acontecia justo onde não estava”, eu não deveria ter trocado tanto de canal. Estou cansado. Ainda bem que terminou.

O comportamento das pessoas, diante da televisão, em uma Olimpíada, é bastante variável. Há os que assistem a tudo, mesmo se não gostarem ou compreenderem. Querem apenas passar o tempo. Existem também os que gostam e entendem e que tiram férias para ver tudo. Os mais numerosos são os que veem apenas o quadro de medalhas.

Pelos noticiários, Londres ficou mais vazia que o habitual. O número de turistas foi menor do que se previa, e muitos londrinos saíram da cidade. O mesmo ocorreu em Paris, na Copa do Mundo de 1998. Na época, encontrei uma torcedora brasileira, desesperada, decepcionada e surpresa. Para ela, haveria carnaval todos os dias na Avenida Champs-Elysées.

Para o Barão Pierre de Coubertin, um homem romântico e idealista, os Jogos Olímpicos deveriam ter funções educativas, morais e de união dos povos. Ele era bastante otimista. A maioria das pessoas que assiste aos Jogos quer apenas se divertir e/ou torcer. Os atletas quase só pensam nas medalhas. A confraternização dos atletas de vários países é muito mais uma obrigação simbólica e bem educada.

Se no cotidiano, com tempo para pensar e racionalizar, o cidadão, com frequência, tenta levar vantagem em tudo, imagine um atleta, na emoção de uma disputa e tendo de decidir, em uma fração de segundos, entre a postura ética e o orgulho e o desejo de ficar rico, famoso e de ser um herói. Por isso, alguns atletas ainda se dopam, mesmo com o enorme risco de serem flagrados.

Existe um preconceito com o esporte, de que seria algo menor, não intelectual, instintivo e corporal. Não é por aí. O esporte é uma disputa técnica, científica, criativa e rica em emoções. Os sentimentos, antes de chegarem à consciência, passam pelo corpo, por meio de gestos e olhares. O corpo fala primeiro. O corpo não racionaliza nem mente. “O corpo é a sombra da alma” (Clarice Lispector).

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GALO FORTE

O Atlético continua vencendo, de todos os jeitos. Teve muita dificuldade contra o Coritiba e ganhou por 1 a 0. Ronaldinho está cada vez melhor. Além dos passes espetaculares, está correndo mais e participando da marcação. Quando o jogo aperta, os dois zagueiros, bons e grandalhões, vão para a área adversária e decidem a partida. A dificuldade do Atlético, para ser campeão, é que os principais adversários também estão vencendo.

Hoje, contra o Vasco, vice-líder, o Galo, em casa, com um jogo a menos, tem uma grande chance de ficar quatro pontos na frente. Será um jogo difícil. O Atlético precisará de muito cuidado com a bola parada de Juninho e com as jogadas de velocidade de Eder Luis, pela direita.

Ministros do Supremo não aguentam mais tanta exibição dos advogados.

Carlos Newton

Dois ministros do Supremo Tribunal Federal já foram apanhados cochilando em pleno julgamento do mensalão – Gilmar Mendes e o próprio relator Joaquim Barbosa. E não é para menos. à exceção de Dias Toffoli, os demais ministros são idosos, alguns já chegando aos 70 anos. Quem aguenta tanta falação, depois do almoço?

https://encrypted-tbn2.google.com/images?q=tbn:ANd9GcQzqqw49Icv9BcTTOUEn0-wmkrRYCYnThu32UE4rp-dv4yg1gCr

E agora, com os julgamentos transmitidos ao vivo pela TV e acompanhados obrigatoriamente por milhares de jornalistas Brasil afora, os advogados se deixam consumir na fogueira das vaidades, os discursos chegam a ser constrangedores. Com raras exceções, os ilustres causídicos fazem questão de ocupar o tempo inteiro de que dispõem – uma hora para cada um…

E tome peroração, numa rotina implacável. Cada advogado quer brilhar mais do que o outro, comportam-se como se a sustentação oral fosse decisiva para o resultado do julgamento, quando na verdade pouco representa.

Os onze ministros vão julgar segundo os autos. Para eles, o que vale são as denúncias da Procuradoria e as defesas escritas dos réus. A sustentação oral funciona mais como uma forma de democratizar e dar transparência à Justiça.

Os cinegrafistas da TV Justiça, responsáveis pela cobertura do importante evento, evitam enquadrar os ministros aparentando cansaço no julgamento do mensalão. Mas acontece que o plenários está repleto de fotógrafos de jornais e revistas, que agem implacavelmente, prontos a documentar qualquer sinal de fraqueza, digamos assim.

Em artigo na Folha, Joaquim Falcão comenta que o regimento do Conselho Nacional de Justiça permite que conselheiros façam perguntas aos advogados. Como os ministros Dias Toffoli e Joaquim Barbosa já fizeram. A Suprema Corte americana também interroga advogados.

Falcão sustenta que sustentações orais deveriam ser diálogos esclarecedores entre ministros e advogados. E não monólogos de verdades solitárias. Ninguem aguenta mais tanta exibição dos advogados.

Entre Geisel e os irmãos Andrada

Carlos Chagas

Com todos os defeitos, alguns imensos, como o de se achar ministro de todos os ministérios, diretor de todos os departamentos e chefe de todas as seções do serviço público, o general Ernesto Geisel era um homem firme. Tão firme que em suas memórias ao CPDOC citou um único jornalista, para crucificá-lo: este que vos escreve. Não aceitou que durante todo o seu mandato, e depois, quando a censura deixava, eu o classificava de ditador.

Pois bem. É hora de fazer justiça. Shigeaki Ueki, ministro de Minas e Energia, levou-lhe certa manhã proposta para o Brasil investir na Bolívia, botando dezenas de milhões de dólares naquele país para garantir-nos o fornecimento de gás até o longínquo, naquela época, ano 2000. Geisel deu outro de seus costumeiros ataques de irritação e onipotência, encerrando o assunto ao dizer que, se aceita a sugestão, precisaria deixar o Exército de prontidão, porque mais cedo ou mais tarde teríamos de entrar no território de nossos vizinhos para garantir acordos não cumpridos.

Mesmo assim, o tonitruante presidente da República não conseguiu evitar o acordo com o Paraguai. Para nosso desenvolvimento, era essencial construir Itaipu, represando as águas do rio Paraná e até sacrificando espetáculos ímpares da natureza, como as Sete Quedas do Iguaçu e o Canal de São Simão, que a Humanidade jamais nos perdoará de haver extinto, ainda que imprescindível para a hidrelétrica. Mas havia o problema com o Paraguai, que dividia com o Brasil metade da corrente do rio Paraná. O governo do ditador Stroessner não dispunha de um centavo para investir na obra, mas tinha de ser condômino para sua viabilização.

Assim, nos comprometemos com a totalidade da implantação da maior usina geradora de energia do planeta, dividindo seus resultados com os paraguaios, que sem mover um dedo ficariam com metade da produção. Como não tinham uso para sequer dez por cento da energia que lhes caberia, estabeleceu-se o acordo para comprarmos de volta os quilowates a eles devidos, nem por sombra enviados. Careciam de falta de linhas de transmissão voltadas para seu território, como falta de uso em sua incipiente economia.

Um negócio da China para nossos vizinhos, que cumprimos religiosamente, até mesmo com o presidente Lula, mais tarde, dobrando o preço do que pagávamos e ainda pagamos pela metade da água que o Criador fez correr no lado de nossos hermanos.

Pois não é que décadas depois de afastada, a questão boliviana torna-se paraguaia? O Solano Lopes em compota do lado de lá da fronteira, feito presidente por um golpe de estado, ameaça suspender a fictícia transferência da energia produzida e utilizada no Brasil a preço de ouro. Afirma que não vai vender nem ceder aquilo que não possui, reivindicando para o seu país uma fantasia incapaz de beneficiar o seu governo. Afinal, energia serve para mover indústrias, e o Paraguai precisa, primeiro, implantá-las. Assim como libertar sua população da escuridão.

O que acontecerá se esse tal de Federico Franco insistir em manipular a ficção e em guardar aquilo que não possui? Em especial se faz a mesma ameaça com a usina de Yaceretá, construída pela Argentina, em situação igual?

Nada. Simplesmente nada acontecerá, a não ser lembranças do que Antonio Carlos e Martim Francisco de Andrada e Silva comentaram depois de patrocinar a maioridade de D. Pedro II e formar um governo liberal, subitamente substituído por um gabinete conservador: “Viu? Quem dorme com criança amanhece molhado…”

Melhor assim. Ficar com os Andrada é preferível do que ouvir os vaticínios bélicos de Ernesto Geisel. A menos que…

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DESESPERO

Como estamos no Brasil, há pessimismo. Muita gente supõe que apesar de condenados, muitos mensaleiros venham no máximo a sofrer penas de multa e de prestação de serviço civil obrigatório. Cadeia, mesmo, para ninguém, ou no máximo para um ou outro bagrinho. Apesar disso, o clima é de desespero entre os réus. Quem garante que os ministros do Supremo Tribunal Federal serão tolerantes a ponto de livrar a cara dos chefes da quadrilha?

O cabo José João do PT

Sebastião Nery

Osvaldo Trigueiro, solteiro, governador da Paraíba de 47 a 51, pela UDN (procurador-geral da República depois do golpe de 64 e ministro do Supremo Tribunal de 65 a 75), tinha um ajudante-de-ordens discreto, calado, semianalfabeto, cabo Zé João, que toda manhã lhe levava os jornais.

Era a primeira pessoa que conversava com ele, mal ele acordava. Um dia, o desembargador Braz Baracuí, amigo de infância, o procurou:

- Oswaldo, você precisa tomar uma providência urgente. Há gente importante, muito importante, de dentro de seu gabinete, vendendo promoções, negociando favores, fazendo todo tipo de negócios. Uma hora dessas, a oposição cai em cima de você. É preciso apurar, e logo.

O governador caiu em campo e descobriu. Era o calado, discreto e semianalfabeto cabo Zé João que, toda manhã, entregava os jornais e ia direto às casas dos secretários levar as recomendações reservadas do governador. Cada recomendação virava ato no “Diário Oficial”. E o cabo Zé João faturando.

Waldomiro Diniz era o cabo Zé João do Palácio do Planalto, a bala perdida, que atirava para todo lado.

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PT SAUDAÇÕES

Eleito governador do Ceará pela UDN, o saudoso Virgílio Távora recebeu logo a visita de um chefe político udenista do sertão:

- Governador, como agora estamos no poder, venho reivindicar que a coletoria de Crato permaneça com os meus correligionários. Sempre foi assim.

- Vosmicê me perdoe, mas não pode ser. O secretário da Fazenda, ontem nomeado, é quem manda lá. Ponto final. PT.

Pediu a transferência de professores adversários. Virgílio negou de novo:

- Vosmicê me perdoe novamente. Mas não pode ser. O secretário da Educação é do PSD e onde é que vosmicê já viu Virgílio Távora meter a mão em cumbuca do PSD? Ponto final. PT.

- Escute, governador, que negócio é esse de PT?

- PT quer dizer ponto final, assunto encerrado.

- Pois para mim PT quer dizer PTB, para onde me transfiro agora.