Arquivos por mês: julho 2012

É preciso seguir o exemplo da Rússia e controlar com rigor as ONGs

Francisco Vieira

Senhoras e senhores, vejam este artigo sobre o que acontece na Rússia e tirem suas conclusões:

“A câmara baixa do Parlamento russo (Duma) adotou sexta-feira em terceira e última leitura uma controversa lei que classifica de “agentes estrangeiros” e coloca sob forte controle as organizações não governamentais (ONGs) que possuam financiamento externo e atividade “política”.

O projeto de lei apresentado pelo partido Rússia Unida (no poder), votado em primeira leitura há uma semana e colocado urgentemente na ordem do dia da Duma, apesar dos protestos dos defensores das liberdades, da oposição liberal e dos juristas, foi adotado por 374 votos a favor, três contra e uma abstenção. O texto prevê um registro separado para as ONGs que possuam financiamento externo e participem de alguma “atividade política” no território russo.

O Rússia Unida tem a maioria absoluta na câmara, com 238 dos 450 assentos da Duma. Tanto este partido, liderado pelo primeiro-ministro Dimitri Medvedev, quanto o populista Partido Liberal-Democrata e o Partido Comunista, oposto a toda “ingerência” ocidental, anunciaram que votariam a favor do texto.”

Os autores do projeto de lei citam a experiência estrangeira, nomeadamente a lei similar sobre agentes estrangeiros nos EUA (o Foreign Agents Registration Act – FARA), que foi aprovada ainda nos anos 30 do século passado, mas desde então as regras da sua aplicação foram consideravelmente alteradas e ela abrange hoje, sobretudo os lobistas de interesses políticos e de negócios de determinados países nos EUA.”

Será que os nossos Congresso Nacional e Presidência da República teriam essa coragem?

Qual será a origem do mal brasileiro?

Frederico Mendonça de Oliveira

A origem seria o mau brasileiro, desde o mais reles morador de rua até o presidente da República? Assim tenho ouvido dizerem em desabafos e em falas emocionais ou apenas emissões em que alguns apenas querem ouvir o som da própria voz. O que nos escapa é que jamais tivemos uma real defesa para as ações vindas de fora, isso desde a chegada de Cabral. Sempre estivemos atrás, sempre estivemos aquém de nossa capacidade como povo e como país vivo. Mas o que mais intriga é vermos que os que realmente indigitaram o verdadeiro inimigo foram sempre varridos de cena.

Papos de esquerda sempre foram empolados e assemelhados a um idioma alienígena. Os que se diziam marxistas e que recebiam dos conservadores a pecha de comunas pareciam ter a chave para fazer abrir-se o sésamo, mas sempre foram uma ínfima, irrisória minoria, e jamais poderiam chegar a tornar comunista um país católico ou revolucionária uma gente de índole pacífica. Hoje não se ouvem esses leros barrocos e reveladores de uma obediência a um poder intangível ou simplesmente ininteligível para o brasileiro comum.

Acrescente-se a isso a megalomania dos vermelhos tupiniquins, capazes de se considerar salvadores do mundo, quando jamais passaram de seguidores de uma doutrina cuja essência muitos deles nem sonhavam alcançar ou decifrar. E o desvario dos adeptos da guerrilha montada para peitar os milicos, se até apresentou um cariz heróico e um desapego à vida e desprezo ao medo jamais vistos, acabou sendo apenas um exercício de grupos isolados. Que, se um dia, ao toque de uma vara de condão, chegassem ao poder conduzidos pelo povo sublevado, o que fariam? Seguramente entregariam a nefanda Brasília ao Politburo, “e teríamos triunfado contra o capitalismo perversor”.

Gozado. Aí se formaria outra guerrilha, esta nacionalista, para peitar o soviético invasor. E aí poderia rolar outra confa, porque os EUA seguramente tratariam de “ajudar”, mesmo que em oculto, para recuperar seu magnífico e imperdível quintal ao sul do Equador. Enfim, jamais fomos, jamais seremos nós. Simplesmente porque fomos de início colonizados por gente que não tinha qualquer interesse aqui senão extrativismo e outras coisas nada edificantes em termos de construir um país de verdade. Isso acabou ficando para um futuro e virou até hino do tipo ufanismo bobagem.

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DESNACIONALIZAÇÃO

Mas tem o pior, e isso ninguém traz à tona. A desnacionalização desde JK – que terá trazido a indústria automobilística responsável pelo monopólio de nossa circulação de riquezas – ocorre de forma de devastação sem freio. O Brasil não tem mais nenhum projeto que não seja atender aos interesses das empresas multinacionais – todas sob um só comando – e nossa identidade foi desmantelada a ponto de estarmos sucateados como País em todos os sentidos e servindo de banquete para a sanha colonizadora multinacional.

Até nossa música foi esmagada pelas formas estrangeiras, e hoje o samba, outrora nossa identidade maior, é apenas um rio que passou em nossas vidas. Fomos o país de Tom Jobim, hoje somos o país de Michel Teló. A distância é de anos luz de retrocesso! E a quem vamos atribuir a causa dessa desgraça? Aos “governos”?

Que o horror começou em 1964, bem, pode. Mas por que não houve, quando da entrega do poder aos civis em 1985, uma retomada radical daqueles anos perdidos em que floresceram as “carreiras” citadas pelo articulista? Não tínhamos mais, àquela altura, uma possibilidade de reorganização?

Não, não tínhamos. A Rede Globo e quejandos, que vieram através da ditadura, fizeram o serviço. Desde a primeira telenovela a Globo tomou o poder. Depois foi Xuxa, Faustão, Chico Anísio – sim, ele mesmo: a Escolinha do Prof. Raimundo foi o maior achincalhe para com nossa Educação, sem contar que levou às profundezas a prática de deseducar, de avacalhar conteúdos, de concretizar a descrença nas instituições, tudo em nome de um deboche como “postura filosófica” – e conteúdos patogênicos que tais.

De fundo musical, os asiáticos Chitãozinho e Xororó puxando um retrocesso que jogou todo o País na sua pré-história cultural. A indigência e a miséria assumiram a dianteira de nossa vida social, e isso é um efeito, não uma causa.

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OS REVOLUCIONÁRIOS

E os marxistas-leninistas, que certamente não sabem quem é Issachar Zederblum, não deram mais as caras para peitar os civis. Estão aí em empregos públicos ou mesmo posando de ministros e altos funcionários nessa pocilga a que fomos reduzidos e condenados. E não se fala mais nisso. “O revolucionário de hoje é o reacionário de amanhã”…

Gozado é eles agora quererem, de dentro do poder, dizer o que devem os pais fazer para educar os próprios filhos ou classificar de “preconceito lingüístico” a não aceitação do desmantelamento das concordâncias. Chegamos à era do “Nós vai” através de livro distribuído pelo Ministério da Educação – que também se preocupa em ensinar, em cartilha oficial distribuída em escolas, como fazer sexo anal.

Se há efeito, há causa. O diabo é que todos ficam rodando em círculos e rebostejando nos efeitos. E as causas, exercendo um autoritarismo devastador, estão operando sem qualquer olhar de dúvida para elas. Mas tem “Ah! se eu te pego”… Vamo bailá, gente?

Reflexões sobre o Brasil e o modelo político-econômico da China

Paulo Solon

A China é estreitamente governada pelo Partido Comunista Chinês, fundado pelo fabuloso Presidente Mao Tse Tung. E que sua atual fase de prosperidade é decorrente das transformações implantadas, durante décadas, pelos comunistas.

Dizer que a China vivencia atualmente o capitalismo é pura ignorância do que lá de fato acontece. O Brasil não pode competir com a China em seriedade, ética e sinceridade, exatamente pelo fato de querermos queimar etapas sem fazermos estágio no socialismo. Exatamente por praticarmos a ultrademocracia. Essas medidas foram adotadas na China pelo simples fato de estar lá o Partido Comunista Chinês.

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DIRETRIZES DE MAO

Vejamos o que declarou o Presidente Mao Tse Tung sobre o ultra democratismo:

“Desde que o Quarto Corpo de Exército do Exército Vermelho aceitou as diretivas do Comitê Central do Partido, as manifestações de ultrademocratismo diminuiram acentuadamente. Por exemplo, as decisões do Partido se executam agora relativamente bem; já ninguém apresenta demandas errôneas tais como a de aplicar no Exército Vermelho o “centralismo democrático de baixo para cima” ou a de “somente todo assunto primeiro à discussão dos níveis inferiores e a seguir à dos níveis superiores”. Mas, em realidade, esta supressão é apenas temporal, e não significa ainda (notem “ainda”) a eliminação das idéias ultrademocráticas. Em outras palavras, o ultrademocratismo segue arraigado na consciência de muitos camaradas. Prova disto é a dificuldade que se manifesta em diversas formas ao cumprir as decisões do Partido.

Métodos de retificação:


1. Extirpar no plano teórico as raízes do ultrademocratismo. É preciso assinalar, em primeiro lugar, que o perigo do ultrademocratismo consiste em que prejudica e desintegra por completo a organização do Partido, e debilita e inclusive destrói totalmente sua capacidade combativa, impossibilitando o cumprimento de suas tarefas na luta e causando, por conseguinte, a derrota da revolução. Em segundo lugar, há que assinalar que a origem do ultrademocratismo é a aversão individualista da pequena burguesia à disciplina. Uma vez introduzida no Partido, esta aversão se traduz em idéias ultrademocráticas no campo político e no organizativo, idéias absolutamente incompatíveis com as tarefas de luta do proleteriado.


2. Aplicar rigorosamente no plano organizativo a democracia sob uma direção centralizada.


3. Nenhum organismo do Partido, qualquer que seja seu nível, deve resolver os problemas ligeiramente. Toda decisão, uma vez adotada, deve ser posta em prática com firmeza.


4. Qualquer decisão de alguma importância tomadas pelos organismos superiores do Partido deve ser transmitida o quanto antes aos organismos inferiores e aos militantes de base do Partido.


5. Os organismos inferiores e os militantes de base do Partido devem discutir em detalhe as diretivas dos organismos superiores, tendo em vista compreender a fundo seu significado e determinar os métodos para colocá-las em prática.”

Está tudo em prática sob a direção do Partido Comunista Chinês. Está ao alcance das mais parcas inteligências que esse ministro é portavoz do Partido.

Ou será que ele foi inspirado por Zeus?

Economista prevê que Brasil terá grande mudança na área financeira nos próximos anos

Alana Gandra (Agência Brasil)

O Brasil vai atravessar, nos próximos três ou quatro anos, uma grande mudança na área financeira, diz o economista Ernani Teixeira Torres Filho, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ).

“A queda da taxa de juros é só a cereja do bolo que faltava para o mercado mudar e tornar o Brasil mais parecido com o resto do mundo”, afirmaTorres Filho, que participou do seminário O Brasil e o Mundo em 2022, evento comemorativo aos 60 anos do BNDES.

Torres Filho acredita que as empresas e bancos vão começar a mudar e, nesse cenário, o BNDES também vai se transformar.

“Ele [o BNDES] não vai crescer como um banco de crédito da mesma forma, porque o país vai em direção a utilizar créditos securitizados [títulos do Tesouro Nacional, emitidos em decorrência de recebimento e renegociação de dívidas da União assumidas por força de lei]. As empresas vão começar a lançar mais títulos”.

Com isso, o mercado de títulos no Brasil, que ainda é reduzido e controlado por bancos, na opinião do professor da UFRJ, tende a crescer e o BNDES acompanhará essa transição. A tendência é que o BNDES se firme cada vez mais como um banco de fomento de longo prazo.

A ideia é que o BNDES seja um banco de longo prazo, mas com flexibilidade. ”Ele tem que ser um banco capaz de ocupar espaços ou de responder à necessidade da economia a cada momento. Se o mercado privado se retrai e não dá crédito curto, eu acho que o BNDES entra, dá crédito curto, e sai”. Torres Filho acredita que assim que o mercado privado se aproximar do financiamento de mais longo prazo, o BNDES dará crédito ainda mais longo.

O professor da UFRJ advertiu que em uma concorrência aberta, dificilmente o BNDES terá capacidade de concorrer de igual para igual com o mercado privado, porque não tem as contas dos clientes nem todos os produtos financeiros que a rede privada oferece. “Ele [BNDES] tem uma especificidade. A flexibilidade de um banco que tem 20% do sistema de crédito na mão não é pouca coisa”, acredita.

Uma tola falta de terror

Paul Krugman (Estadão)

O vice-chanceler alemão diz que a perspectiva da saída da Grécia da zona do euro “perdeu sua aura de terror”. Ao mesmo tempo, a revista Der  Spiegel relata que o FMI decidiu que não vale mais a pena gastar mais para salvar o país.

Acho sua falta de terror… perturbadora.

Não estou dizendo que a Grécia deve ser mantida no euro; no fim, é difícil enxergar como isso pode dar certo. Mas, se há alguém na Europa pensando que uma saída da Grécia poderia ser contida com facilidade, é preciso deixar claro que isto é um sonho. Uma vez que um país – qualquer país – tenha demonstrado que o euro não é necessariamente para sempre, os investidores – e os correntistas comuns – de outros países vão certamente reparar nisso. Eu ficaria chocado se uma saída da Grécia não fosse seguida por grandes saques bancários em toda a periferia europeia.

Para conter isto, o Banco Central Europeu teria de oferecer um volume imenso de financiamento bancário – tendo provavelmente que comprar também títulos da dívida soberana, especialmente levando-se em consideração o alto rendimento das obrigações espanholas e italianas que podemos verificar enquanto você lê este texto. Será que os alemães estão prontos para este cenário?

Eu aconselharia todos a ter medo, muito medo. Num comentário paralelo, o rendimento da dívida americana de longo prazo está caindo em território japonês.

Governo se acovarda e os povos indígenas voltam a sonhar em se tornarem países independentes

Carlos Newton

Desculpem, foi engano. Não está valendo o artigo que se escreveu aqui na terça-feira, sobre a questão indígena e a possibilidade de as 206 reservas já existem no Brasil se tornarem países independentes, como tenciona a Organização das Nações Unidas (ONU).

De Brasília, o comentarista Francisco Vieira nos informa que, após intensa polêmica, a Advocacia-Geral da União (AGU) se acovardou e suspendeu os efeitos da Portaria 303, publicada no último 17/7 com o objetivo de regulamentar a atuação dos advogados públicos e procuradores em processos judiciais envolvendo a demarcação de terras indígenas de todo o país.

A informação foi divulgada ontem  pela Fundação Nacional do Índio (Funai), mas ainda não fora confirmada pela AGU, cuja assessoria, procurada, disse não estar ciente da decisão.

Em nota, a Funai informou que o advogado-geral da União, o ministro Luís Inácio Adams, concordou com a suspensão temporária da portaria, atendendo a pedido da própria fundação, para permitir que os povos indígenas possam ser consultados sobre os efeitos da aplicação da medida administrativa.

Confirmada a decisão, a AGU terá que publicar um ato de vacância suspendendo a vigência da portaria até a conclusão das consultas. Durante este período, a Funai terá que ouvir as críticas e sugestões das populações indígenas e apresentar novas propostas ao texto original.

Traduzindo tudo isso: as 206 nações indígenas existentes no Brasil e que já detém mais de 15% do território nacional podem continuar sonhando em se tornarem nações independentes, com fronteiras fechadas, sistema de governo autônomo e até moeda própria, nos termos da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela ONU em 2007.

O assunto é da maior importância e vamos voltar a ele.

Um sonho de Clarice Lispector

Era linda, inteligente, brilhante. Todos a amavam. Nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira,  a escritora, jornalista e poetisa Clarice Lispector (1920/1977). Era muito amiga de Rubem Braga, que nos ensinou que a poesia é necessária.

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O SONHO

Clarice Lispector

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

“A seleção olímpica brasileira, pela postura tática e por ser quase a principal, é a maior favorita.”

Tostão (Jornal O Tempo)

Estou otimista. Citei, em outra coluna, o que precisa mudar na maneira de jogar do futebol brasileiro e o que melhorou nos últimos anos. Uma delas tem sido o desaparecimento progressivo dos volantes-zagueiros. Esses, em vez de jogarem e marcarem no meio-campo, correm para trás para tentar ser um terceiro zagueiro. Ficam perdidos, em um espaço indefinido, no meio do caminho e sem ação. Muitos times ainda jogam dessa forma.

O Cruzeiro, nos dois últimos jogos, e o São Paulo, na partida anterior e nas duas sob o comando de Milton Cruz, atuaram com três autênticos zagueiros.

O volante Leandro Guerreiro, no Cruzeiro, jogou de zagueiro, e não de volante-zagueiro. Como Ceará e Marcelo Oliveira atuaram de laterais, e não de alas, o time ficou mais defensivo, com sete jogadores marcando no próprio campo (três zagueiros, dois volantes e dois laterais). Assim, tem dado certo. O time defende bem e faz um gol. Como disse Celso Roth, para espanto de muitos, o Cruzeiro não sabe jogar futebol. O que ele quis dizer é que o Cruzeiro não tem ainda condições de dominar e pressionar o outro time.

O São Paulo melhora com três zagueiros, porque Douglas e Cortês são ruins como laterais e bons como alas. Os dois, quando atuam de laterais, especialmente Cortês, em vez de marcar na linha dos zagueiros, marcam na dos volantes. Deixam muitos espaços nas costas. E a culpa era sempre de Casemiro.

Na Copa de 2002, Edmílson se alternou nas funções de zagueiro e de volante. Fazia uma coisa ou outra, dependendo se o adversário tinha um ou dois atacantes. Ele não era um volante-zagueiro.

Durante muitos anos, os volantes-zagueiros, criação brasileira, proliferaram, porque tinham a função de fazer a cobertura dos laterais. Como hoje muitas equipes atuam com dois jogadores pelos lados, os laterais não precisam avançar tanto. Com isso, não há mais necessidade de ter um terceiro zagueiro ou um volante-zagueiro para ser secretário do lateral.

A seleção brasileira e os quatro melhores times do Brasileirão jogam com dois zagueiros, dois laterais e dois volantes, que são jogadores de meio-campo. Os europeus atuam dessa forma há muito tempo.

Em outra coluna, ironizei os otimistas, os que acham que está tudo ótimo, mesmo quando está tudo errado. Não é o caso da seleção olímpica. Por causa da postura tática e, principalmente, por ser quase a seleção principal, o Brasil é o maior favorito para ganhar a medalha de ouro. Estou otimista.

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BOM FIM DE ANO

Nas duas últimas partidas, Ronaldinho foi mais que um excelente cobrador de faltas, pênaltis e escanteios, e jogador de apenas dois bons passes. Se continuar assim, o Atlético continuará mais forte. Bernard teve mais uma excepcional atuação. Até onde vai chegar? Ainda é cedo para dizer. O Galo está com oito pontos na frente do quinto colocado. O Cruzeiro está, no mínimo, com enormes chances para chegar à Libertadores.

O Cruzeiro, com um ponto atrás do quarto colocado, o Grêmio, tem também chances, ainda mais que Corinthians, Santos e Coritiba, que, teoricamente, estariam em melhor situação que o Cruzeiro, estão lá embaixo, por causa da Libertadores, da Copa do Brasil e da Olimpíada.

A grande dúvida shakespeariana: Lula sabia ou não sabia do mensalão?

Cássio Bruno (O Globo)

A defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), um dos 38 réus do mensalão, vai centrar fogo no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua sustentação oral no julgamento, previsto para começar no próximo dia 2, no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, dirá que Lula não só sabia da existência de todo o esquema como “ordenou” a sua execução:

— (Lula) Não só sabia (do mensalão) como ordenou toda essa lambança — revelou Barbosa ao Globo. — Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.

A tese da defesa, no entanto, contraria as declarações do próprio Jefferson, em 2005, durante seu depoimento na Comissão de Ética da Câmara. À época, antes de ter seu mandato cassado, o presidente nacional do PTB contou que foi ele quem avisou Lula sobre a existência do mensalão:

— Eu contei e as lágrimas desceram dos olhos dele. O presidente Lula é inocente nisso — afirmou Jefferson, na ocasião.

No mesmo depoimento, ao se referir ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT), outro réu no processo e apontado na denúncia como “chefe da quadrilha”, Jefferson voltou a defender Lula:

— Zé Dirceu, se você não sair rápido daí (do governo), você vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula. Rápido, sai rápido, Zé, para você não fazer mal a um homem bom, correto, que eu tenho orgulho de ter apertado a mão.

Na segunda-feira, porém, Barbosa desconversou sobre a mudança de tom:

— Não respondo pelas palavras do Roberto. Sou o advogado dele.

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HELIO BICUDO: LULA SABIA DE TUDO SOBRE O MENSALÃO

Carlos Newton

O lendário jurista Helio Bicudo, fundador do PT e ex-deputado federal, diz que o ex-presidente Lula sabia de tudo sobre o mensalão. Em entrevista ao programa de televisão “Sábado Especial”, exibido em 2006 em rede nacional, Bicudo declarou ao advogado Luiz Nogueira que Lula deveria ser processado como chefe da quadrilha.

O vídeo da entrevista de Helio Bicudo está disponível no You Tube. É imperdível.

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ELIANE CALMON: “OPINIÃO PÚBLICA JULGARÁ SUPREMO”

Fausto Macedo (O Estado de S. Paulo)

A ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, afirmou que o Supremo Tribunal Federal será julgado pela opinião pública ao analisar o processo do mensalão a partir do dia 2 de agosto.

Eliana Calmon disse que “não conhece o processo do mensalão, senão por jornais”, mas alertou. “Como ele (Supremo) se porta diante dos autos, a realidade que está retratada nos autos vai ser mostrada quando do julgamento e é neste momento que o Supremo passa a ser julgado pela opinião pública, não é?”

“Não é que o Supremo vá se pautar pela opinião pública, mas todo e qualquer poder, no regime democrático, também se nutre da confiabilidade daqueles a quem ele serve”, completou a ministra.

Indagada se a pressão pública pode influenciar o resultado, Calmon afirmou: “O Supremo não se deixa muito influenciar pela opinião popular, ele sempre se manteve meio afastado. Mas começamos a verificar que já não é com aquela frieza do passado.”

“Hoje, eles (os ministros) têm sim uma preocupação porque o País mudou e a população está participando”, afirmou a corregedora da Justiça. “A imprensa influencia, mas a opinião pública também está sendo formada pelas redes sociais. É uma participação mais efetiva. Não é ninguém que está fazendo a cabeça da população, ela se comunica entre si, isso tem causado a sensibilidade do Supremo”, completou.

Eliana Calmon defendeu um Judiciário forte. “Acho que (o julgamento) seria um bom momento (como resposta de um Judiciário forte) do que representa o STF dentro de uma expectativa da sociedade como um todo”, afirmou a corregedora.

Situação de vaca não conhecer bezerro

Carlos Chagas

Primeiro foi Marcos Valério, ameaçando o Lula ao dizer que conversou com ele diversas vezes, apesar dos desmentidos do ex-presidente. Depois, quer dizer, terça-feira, o operador do mensalão negou tudo, afirmando que não é dedo-duro. Não é mas foi, presumindo-se que terá obtido compensações nos diálogos com Paulo Okamoto, representante do Lula.

Agora, quem vai para o centro do palco é Roberto Jefferson, aquele que pela primeira vez denunciou o mensalão, então isentando o Lula de qualquer participação e carregando acusações em José Dirceu. Pois da noite para o dia o ex-deputado cassado, ainda presidente do PTB, volta em 180 graus suas baterias, denunciando que além de saber de tudo, o ex-presidente era o verdadeiro chefe, tendo ordenado a operação de compra do voto de deputados por 30 mil reais mensais a cabeça.

Assim estamos a poucos dias do inicio do julgamento dos mensaleiros pelo Supremo Tribunal Federal, não constituindo surpresa se de ontem para hoje novos acusados tiverem escoado para a mídia mais contradições, denúncias e desmentidos. Na verdade, estão todos apavorados com a perspectiva de condenações. São 38, ao todo, entre estrelas de primeira grandeza e penduricalhos de pouca significação. Assusta-os a possibilidade de saírem do plenário da mais alta corte nacional de justiça diretamente para uma cela nas instalações da Polícia Federal, condenados sabe-se lá a quantos anos de cadeia.

Seus advogados não se entendem, se um dia já se entenderam. De acordo com a lógica, trabalham para livrar o seu cliente, ainda que às custas do vizinho do lado. Não há hipótese de o Lula ser transformado em parte no processo. A tentativa foi rejeitada por decisão do ministro-relator do processo, Joaquim Barbosa. Coisa que não impede de respingarem sobre o ex-presidente pedacinhos de barro jogados no ventilador por parte de alguns mensaleiros.

Faltando sete dias para o início do julgamento, é natural que a cada dia surjam mentiras e verdades envolvendo um dos maiores escândalos da crônica da República, o primeiro, por sinal, a ser conduzido à transparência do Poder Judiciário. A situação, para os indigitados réus, está de vaca não conhecer bezerro…

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O AMARGO RETORNO

A presidente Dilma volta ao Brasil no domingo. Está na Inglaterra desde ontem, para acompanhar as cerimônias de abertura das Olimpíadas, com direito até a tomar chá com a Rainha. Oito ministros a acompanham, entre votos para que venhamos a conquistar algumas medalhas de ouro.

O diabo está no amargo retorno, com a necessidade de o governo agir, ou ao menos pronunciar-se, sobre a denúncia de que 520 bilhões de dólares brasileiros encontram-se nos paraísos fiscais, sem pagar impostos e rendendo horrores para seus proprietários. A equipe econômica não sabe o que fazer.

Mas tem mais. Dilma precisará administrar as disputas entre partidos de sua base, nas eleições municipais de outubro. Mesmo ajudada pelo Lula, só a ela caberão certas definições de governo. Acresce que o desemprego vem crescendo, enquanto o PIB diminui. A criminalidade e a violência multiplicam-se, assim como as greves no serviço público permanecem inconclusas. O Congresso reabre na próxima semana, com deputados e senadores carregados de reclamos colhidos em suas bases. E ainda por cima o preço do tomate aumentou 230%. Não fosse sua natureza forte, Dilma teria decidido ficar em Londres até o fim das Olimpíadas.

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A POMBA BÊBADA

Empolgou o país a imagem de uma pombinha branca pousada no esquife de D. Eugênio Salles, quando de seu enterro na Catedral do Rio de Janeiro. Eram coisas do céu, mesmo sem a necessidade de exaltação maior da imagem do saudoso prelado. Pois agora o repórter Carlos Newton revela que a pomba não veio voando do paraíso. Foi arremessada a poucos metros do altar, sobre o caixão do cardeal, por um mais do que solícito cristão que entrou no templo com ela no bolso.

Pior ainda: a ave estava bêbada, quer dizer, havia sido forçada a ingerir cachaça para não poder movimentar-se nem bater asas naturalmente. É claro que artifício tão pueril em nada ofusca a obra e a memória de D. Eugênio, mas encenações como essa carecem de grandeza.

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NÃO SERÁ TÃO FÁCIL ASSIM

Não há nada a opor à pretensão do senador Renan Calheiros de voltar a presidir o Senado. Pertence à velha guarda do PMDB, a maior bancada, conta com o apoio dos companheiros do PT e de outros partidos da base oficial e não contrariará, propriamente, os desejos da presidente Dilma. Afinal, era apenas no tempo dos generais-presidentes que as escolhas se faziam no palácio do Planalto. Mesmo assim, como bissextamente se ouve nos corredores vazios do Congresso, a chefe do governo preferiria Edison Lobão no comando do Senado. Por causa disso…

Datafolha revela os quadros básicos das eleições municipais

Pedro do Coutto

As pesquisas do Datafolha Globo publicadas na edição de sábado 21 da Folha de São Paulo, comentadas por Ricardo Mendonça e Ítalo Nogueira, definiram os quadros básicos das eleições para prefeituras de diversas capitais, especialmente São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As principais e que podem apresentar reflexos nacionais em relação à sucessão presidencial de 2014.

Daí por exemplo, o empenho de Dilma Rousseff quanto a Belo Horizonte, em favor de Patrus Ananias contra Márcio Lacerda, candidato de Aécio Neves. Mais uma prova de que vai disputar a reeleição, enfrentando o senador mineiro, cujo nome já foi lançado no PSDB pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Mas o problema das eleições municipais não termina aí. Em São Paulo, José Serra, embora lidere, não está tão firme como parecia no início da campanha. Alcançou 30 pontos em março, subiu para 31 em junho, desceu para 30. Está batendo no mesmo lugar. Parece ser esse seu primeiro teto no primeiro turno. Fernando Haddad chegou a 8% em junho, mas apesar do apoio entusiasmado de Lula, recuou para 7. O efeito Maluf funcionou negativamente. Em junho Celso Russomano estava com 21. Atingiu 26. Foi o único a ganhar terreno. Uma ameaça tanto para José Serra quanto para Luis Inácio Lula da Silva. Está difícil Haddad decolar.

Em Belo Horizonte polarizou-se a disputa. Márcio Lacerda com 44, Patrus Ananias com 27. Não há mais ninguém no páreo. Vanessa Portugal tem apenas 4 pontos. No Rio, Eduardo Paes, hoje, está absoluto com 54 % das intenções de voto. Em segundo, distante, Marcelo Freixo com 10. Rodrigo Maia tem 6, Otávio Leite 4. Pode não haver segundo turno. Mas, se houver, será com Marcelo Freixo. O único que pode progredir. Basta compulsar os índices de rejeição.

É claro que todo este panorama que estamos desenhando pode se alterar com o horário eleitoral na televisão e no rádio que começa na semana final de agosto. Em São Paulo, Lula vai aparecer firme na tela no esforço para alavancar Haddad, candidato que inventou, ultrapassando a candidatura natural da senadora Marta Suplicy. Mas se existe essa possibilidade, temos que considerar também que a TV não pode produzir milagres.

Na cidade do Rio de Janeiro, há um aspecto diferente. Em São Paulo e Belo Horizonte, os principais candidatos são conhecidos de todos os eleitores, praticamente. Entre os cariocas, 99% conhecem Eduardo Paes; 79% Rodrigo Maia; 67% Otávio Leite, mas apenas 50% sabem quem é Marcelo Freixo.

Um dos integrantes de sua campanha, o economista Filipe Campello, me disse que o deputado do PSOL está firme no meio universitário e nas áreas de classe média. Mas, numa visita que realizou à Feira de São Cristóvão, poucos sabiam quem era. Neste ponto, penso eu, houve uma falha na preparação e na organização. Organizada está a campanha de Eduardo Paes, incluindo o apoio de Dilma Rousseff. No Rio, terá que ser avaliada a influência ou não, nas urnas de outubro, da disposição anunciada por Sérgio Cabral de renunciar ao governo do estado, no final de 2013.

O panorama é este. Pode mudar, mas alterações nas principais colocações não são prováveis. Surpreende o quadro de Curitiba. O atual prefeito Luciano Ducci, com apenas 23 pontos, é batido pelo deputado Ratinho Junior com 27. Espanta também a fraqueza do PT em Porto Alegre: Adão Vilaverde somente com 3 %. José Fortunati, do PDT, lidera com 38. Manuela D’Avila em segundo com 30, pelo PC do B. O que está acontecendo? O governador Tarso Genro é do PT. Nunca o Partido dos Trabalhadores teve um desempenho tão fraco na capital gaúcha.

José de Alencar, o filho do padre

Sebastião Nery

Cearense de Sobral, gênio da raça, nosso professor de grego, latim, português e todas as sabedorias literárias, no seminário aqui da Bahia, o padre Correia não nos deixava ler seu conterrâneo José de Alencar:

- Tem mulher demais. É “Iracema”, “A Viuvinha”, “Lucíola”, “Diva”, “Senhora”, “A Pata da Gazela”. Esse filho de padre não fez só uma obra literária. Fez também um harém, impróprio para jovens seminaristas – dizia.

Quando saí do Seminário, tirei a diferença. E descobri o grande patrono do nacionalismo literário brasileiro, “chefe aclamado da literatura nacional” (Machado de Assis), na “busca ansiosa de uma intensidade e ressonância brasileira” (Augusto Meyer”), “preocupado em dar um conteúdo eminentemente nacional a seus livros” e atualíssimo em sua luta para escrever “em língua brasileira, com um sentir brasileiro”.

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O DEPUTADO ALENCAR

1. José de Alencar nasceu em Macejana, em 1829, e morreu no Rio, como deputado, em 1877, aos 48 anos. Foi quatro vezes deputado pelo Ceará, de 1861 a 1877, mas nunca foi senador porque, embora eleito na lista tríplice, o imperador, que não gostava do jornalismo crítico dele, o vetou.

2. – Dizem que José de Alencar teria “lutado pela maioridade de dom Pedro II”, que foi antecipada e reconhecida em 1840, mas naquela época ele tinha apenas 11 anos (já que nasceu em 1829)

3. – O pai de José de Alencar, padre José Martiniano de Alencar,  foi senador, aliás, “o primeiro senador a ser escolhido durante o período regencial, em 1832, e teve atuação destacada no movimento que antecipou a maioridade de dom Pedro II, em 1840”(Enciclopédia Britânica).

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O PADRE PAI

De certa forma ofuscado pelo sucesso do filho, o pai padre José de Alencar foi um grande sujeito, com uma bela vida pública, até mais valente e bonita do que a do filho, que ainda teve a honra de ser neto de Bárbara de Alencar, a heroína cearense da Revolução de 1817.

Ainda seminarista, o padre Alencar participou, com a mãe, da Revolução de 1817. Presos juntos, levados para Pernambuco, o padre ficou quatro anos na cadeia. Em 1821, saiu da prisão e foi eleito deputado às Cortes de Lisboa, que abandonou, “por não concordar com as medidas neocolonizadoras aprovadas contra o Brasil”.

“Deputado à Constituinte de 1823, dissolvida por d. Pedro I, figurou entre os principais chefes da Confederação do Equador. Preso em 1824 e remetido ao Rio, após um ano de reclusão foi absolvido”.

Eleito deputado em 1830 para a segunda legislatura do Império, em 1834, já senador, foi nomeado presidente do Ceará, até 1837, voltando à chefia do Estado em 1840. Morreu no Rio em 1860 (nasceu em 1794).

As ruas e praças do Ceará dedicadas ao “Senador Alencar” são dele, e não do filho escritor genial.

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MAGALHÃES E GLADSTONE

Sobre José de Alencar, o filho, há dois excelentes livros: “José de Alencar e Sua Época”(1917), de Raimundo Magalhães Júnior, incansável e fecundo jornalista e historiador, que escreveu sobre tudo.

E Gladstone Chaves de Melo, sábio lingüista, durante tantos anos da “Tribuna da Imprensa”: – “Alencar e a Língua Brasileira”(1972).

Alencar continua tualíssimo, como um dos patronos do nacionalismo brasileiro.