Arquivos por mês: julho 2012

Evasão da divisas: brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais

O comentarista Darcy Leite, sempre atento, nos envia essa matéria da Agência Brasil que causa pesar e desencanto, a respeito dos milionários brasileiros que deixam suas fortunas depositadas no exterior, como Paulo Maluf e tantos mais.

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MAIS DE UM TRILHÃO NO EXTERIOR

Um estudo inédito, que, pela primeira vez, chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais. Henry estima que, desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.

A riqueza privada offshore representa “um enorme buraco negro na economia mundial”, disse o autor do estudo. Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como o México, a Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou à BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, para enviarem seus recursos ao exterior. “Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros”, afirma.

Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais. “As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos”, observa Christensen. “No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo”.

Chistensen diz ainda que no caso do México, da Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora “este seja um fenômeno de mais de meio século”. O diretor da Tax Justice Network destaca que há enormes recursos de países africanos em contas offshore.

A propósito da política econômica de Roberto Campos e Delfim Netto no regime militar

Martim Berto Fuchs

A bem da verdade, no início do regime militar Roberto Campos e sua equipe conseguiram frear a inflação, não obstante terem dando um arrocho tremendo tanto nos trabalhadores como nos empresários.

Primeiro: o Estado estava quebrado. A desorganização das contas públicas, principalmente em função da construção de Brasília e do programa de metas 50 anos em 5, continuava trazendo seus reflexos. O Estado, desde Getúlio Vargas, era o indutor do desenvolvimento do país e estava com o caixa zerado.

Segundo. As opções não eram muitas, mas sem dúvida os trabalhadores pagaram a conta maior, uma vez que o salário só podia ser reajustado uma vez por ano e para os rentistas criaram a correção monetária, mensal.

Terceiro. De 1965 à 1969, as indústrias também tiveram um dos maiores arrochos conhecidos desde que se intensificou a industrialização após 1930. No entanto, esta estratégia recuperou a capacidade de investimento do Estado e acabou beneficiando o parque industrial brasileiro como um todo.

Podemos frisar, sim, que a recuperação dos investimentos por parte do Estado foi conseguida em sua maior parte com a transferência de renda dos trabalhadores, que, se por um lado tiveram aumentados os postos de trabalho, muito se deve justamente à sua “contribuição”, e que o Estado soube administrar, não transferindo essa renda para o bolso das bases aliadas, passando de 12 para 38 Ministérios, como nos tempos atuais.

Apenas nos últimos anos começou a recuperação dos salários mais baixos, mas à custa dos salários mais altos, até de aposentados, pois desta vez quem não faz o dever de casa são os governantes, que tiram de todas faixas salariais via imposto de renda mas não investem, usando essa extraordinária receita apenas para manter o inchaço da máquina pública e as contas particulares dos seus aliados.

Extorquem da população 38% do PIB ou 1,7 trilhões em impostos, e têm a cara de pau de regatear 50 bilhões em investimentos. Não mal comparando, em 1984 entregávamos para o governo 20% do PIB. Esta é a realidade dos números.

Uma eleição de cada vez

Carla Kreefft (O Tempo)

A eleição em Belo Horizonte virou atração nacional, adquiriu um tom político muito forte, é vista como sinalização para a distribuição de forças que deverá ocorrer em 2014 e poderá definir o alinhamento ou não do PSB em relação aos dois principais polos: o PT e o PSB.

Resta saber o que a eleição poderá trazer para Belo Horizonte. Os problemas da cidade não são poucos e, certamente, preocupam muito mais o eleitor do que qualquer consequência política do desmembramento da aliança referendada pela população em 2008. A eleição de 2014 vai ser uma preocupação para o eleitor somente em 2014.

Por enquanto, o cidadão de Belo Horizonte quer saber se o posto médico de seu bairro está funcionando adequadamente, se as ruas possuem asfaltamento de qualidade, se pais, professores e alunos estão satisfeitos com os rumos da educação, se há empregos, se a violência vai diminuir e se o trânsito vai melhorar. Em resumo, o cidadão quer saber se a vida em Belo Horizonte tem condições de ganhar qualidade.

Obviamente, os candidatos sabem desse desejo e, por isso, afirmam em seus discursos que estão interessados em debater os problemas da cidade. A questão é que, nos bastidores, a disputa eleitoral tem pouca preocupação com esse debate. É perceptível uma guerra de desconstrução de imagens.

Passado, presente e as possibilidade de futuro são usados para abalar as trajetórias dos candidatos. A proposta, especialmente na internet, parece ser desmontar as imagens dos candidatos. Os programas de governo ainda nem estão prontos ou, se estão, não foram apresentados. O que importa do ponto de vista das coordenações de campanha são os candidatos os projetos políticos.

Em uma eleição assim, há sempre o risco de julgamentos precipitados, preconceituosos, e, claro, extremamente personalistas. Questões mais ligadas à ética pessoal e aos posicionamentos ideológicos serão motes muito explorados. Mas nem sempre é possível para o eleitor entender com clareza o que está acontecendo no quadro eleitoral.

O eleitor precisa gastar seu tempo para fazer análises mais apuradas. Ele não pode se deixar levar pelas meias verdades ou pelas mentiras repetidas várias vezes. O decisão do voto precisa ser, mais do que em outras situações, muito cuidadosa e balizada.

A eleição permite algo que é raro e valioso. No momento de votar, todos os cidadãos são absolutamente iguais. Não há diferenças de raça, religião, classe social e gênero. Não há peso e tratamentos diferentes para nenhum tipo de voto.

Mas é preciso lembrar que qualquer cidadão pode escolher bem ou mal. O preço disso será conhecido em quatro anos.

Saída da China é baixar os juros e estimular o consumo interno

Pepe Escobar (Al Jazeera – Qatar)

Pequim, é claro, está extremamente preocupada com a crise na eurozona. Por isso, o Banco Central chinês acaba de baixar os juros. Haverá mais um pacote de estímulos – no mínimo, US$ 320 bilhões –, para aumentar o consumo interno. O país talvez cresça “só” 7,5% em 2012.

Mas a expansão não para nunca. O premiê Wen Jiabao acaba de propor um acordo comercial entre a China e o Mercosul – o Mercado Comum Latino-americano. Cataratas de energia, vinda de todos os cantos – Sibéria, Ásia Central, Irã, Oriente Médio, África, América do Sul – têm de continuar a jorrar, para manter ativo o dragão mercantilista.

Por tudo isso, investir bilhões no Irã e promover a exploração conjunta da energia no Mar do Sul da China são, para Pequim, medidas óbvias de desenvolvimento. Não é tempo para sanções ou tambores de guerra. É tempo para fazer negócios. Um negócio de cada vez. Sem parar nunca.

Os países ocidentais são os responsáveis principais pela crise da civilização

Leonardo Boff

O complexo de crises que avassala a humanidade nos obriga a fazer um balanço. É o momento filosofante de todo observador crítico, caso queira ir além dos discursos convencionais e intrasistêmicos.

Por que chegamos à atual situação que objetivamente ameaça o futuro da vida humana e de nossa obra civilizatória? Os principais causadores desse percurso são os que, nos últimos séculos, detiveram o poder, o saber e o ter. Eles se propuseram dominar a natureza, conquistar o mundo, subjugar os povos e colocar tudo a serviço de seus interesses.

Para isso foi utilizada uma arma poderosa: a tecnociência. Identificaram como funciona a natureza e operaram intervenções para benefício humano sem reparar nas consequências.
Esses senhores foram os europeus ocidentais. Nós, latino-americanos, fomos agregados à força como o Extremo Ocidente.

Ilustração: Duke

Hoje, eles estão perplexos. Perguntam-se aturdidos: como podemos estar no olho da crise se possuímos o melhor saber, a melhor democracia, a melhor consciência dos direitos, a melhor economia, a melhor técnica, o melhor cinema, a maior força militar e a melhor religião, o cristianismo?

Essas “conquistas” estão postas em xeque, pois, não obstante seu valor, não nos fornecem mais nenhum horizonte de esperança. O tempo ocidental se esgotou, perdeu qualquer legitimidade e força de convencimento.

Arnold Toynbee, analisando as grandes civilizações, notou esta constante histórica: sempre que o arsenal de respostas para os desafios não é mais suficiente, as civilizações entram em crise, começam a esfacelar-se até seu colapso ou assimilação por outra. Esta traz vigor, novos sonhos e novos sentidos de vida pessoais e coletivos. Qual virá? Quem o sabe? Eis a questão cruciante.
O que agrava a crise é a persistente arrogância ocidental. Mesmo em decadência, o Ocidente se imagina ainda a referência obrigatória para todos.

Para a Bíblia e os gregos, essa atitude constituía o supremo desvio, pois as pessoas se colocavam no mesmo pedestal da divindade. Chamavam a isso de “hybris”, quer dizer: arrogância e excesso do próprio eu.

Foi essa arrogância que levou os Estados Unidos a intervir, com razões mentirosas, no Iraque, depois no Afeganistão e antes na América Latina, sustentando regimes ditatoriais.

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PROJETO IMPERIAL

Com o presidente Barak Obama se esperava um novo rumo, mais multipolar, respeitador das diferenças culturais e compassivo para com os vulneráveis. Ledo engano. Está levando avante o projeto imperial na mesma linha do fundamentalismo de George W. Bush. Não mudou substancialmente nada naquela estratégia. Ao contrário, inaugurou algo inaudito e perverso: uma guerra não declarada usando “drones”, aviões não tripulados. Dirigidos eletronicamente a partir de bases militares no Texas, atacam matando lideranças individuais e até grupos inteiros nos quais supõem estarem terroristas.

O próprio cristianismo, em suas várias vertentes, se distanciou do ecumenismo e está assumindo traços fundamentalistas. Há uma disputa no mercado religioso para ver qual das denominações mais aglomera fiéis.

Assistimos na Rio+20 à manifestação dessa mesma arrogância: os poderosos recusaram-se a participar e a buscar convergências que aliviassem a crise da Terra.

E pensar que, no fundo, procuramos a singela utopia bem expressa por Pablo Milanes e Chico Buarque: “a história poderia ser um carro alegre, cheio de um povo contente”.

Campanha pró-faxina dos políticos conta a história do barbeiro que fazia serviço comunitário e não cobrava cortes de cabelo

O comentarista Luiz Fernando Brito Pereira, sempre atento, nos envia uma curiosa mensagem que faz sucesso na internet, na defesa de uma faxina na política, sob o lema “Na próxima eleição troque um ladrão por um cidadão.

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O BARBEIRO

O florista foi ao barbeiro para cortar seu cabelo. Após o corte perguntou ao barbeiro o valor do serviço e o barbeiro respondeu:

- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.

O florista ficou feliz e foi embora.

No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um buquê com uma dúzia de rosas na porta e uma nota de agradecimento do florista.

Mais tarde, no mesmo dia, veio um padeiro para cortar o cabelo.

Após o corte, ao pagar, o barbeiro disse:

- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.

O padeiro ficou feliz e foi embora.

No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um cesto com pães e doces na porta e uma nota de agradecimento do padeiro.

Naquele terceiro dia veio um deputado para um corte de cabelo. Novamente, ao pedir para pagar, o barbeiro disse:

- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.

O deputado ficou feliz e foi embora.

No dia seguinte, quando o barbeiro veio abrir sua barbearia, havia uma dúzia de deputados fazendo fila para cortar cabelo.

Essa é a diferença entre os cidadãos e os políticos. Justamente por isso, o escritor Eça de Queiroz recomendava que “os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão”.

Um punhado de ossos, na visão poética de Ivan Junqueira

Sempre lembrando o amigo Rubem Braga, a poesia é necessária e hoje vamos postar o mais conhecido poema de Ivan Junqueira, jornalista, poeta, ensaísta e crítico literário, membro da Academia Brasileira de Letras.

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ESSE PUNHADO DE OSSOS

(Ivan Junqueira
A Moacyr Felix)

Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro e de mais fino.
Foram damas tais ossos, foram reis,
e príncipes e bispos e donzelas,
mas de todos a morte apenas fez
a tábua rasa do asco e das mazelas.
E ai, na areia anônima, eles moram.
Ninguém os escuta. Os ossos choram.

Saber ver, enxergar o que não está claro, é uma das qualidades mais difíceis no futebol.”

Tostão (Jornal O Tempo)

Os maiores atletas do mundo, de cada esporte, com exceção do futebol, estarão em Londres. Os melhores são, especialmente nos esportes individuais, os mais pressionados, solitários e ambiciosos. A brasileira Fabiana Murer, a grande saltadora com vara, disse à “Folha” que usa o tédio – e acrescento a tensão – antes das disputas, para saltar mais alto.

A Olimpíada, ao mesmo tempo em que desperta belos sentimentos, estimula os cidadãos, atletas ou não, crianças, adolescentes e adultos, a pensarem que só serão felizes se forem vencedores, mesmo em pequenas coisas do cotidiano. O mundo é cada dia mais competitivo. Perder é morrer.

Apesar da razoável atuação na vitória sobre a Grã-Bretanha, o Brasil, por ter a única seleção quase do mesmo nível que a principal, é o maior favorito para conquistar a medalha de ouro. Contra algumas equipes, como a Espanha, mesmo sem jogadores acima de 23 anos, e o Uruguai, com a ótima dupla de atacantes da seleção principal, formada por Cavani e Suárez, o Brasil terá muitas dificuldades.

Oscar, com seu futebol simples e eficiente, tem grande chance de ser destaque no Chelsea. Porém, tenho dúvidas se ele será um dos grandes jogadores do futebol mundial. Os ingleses, pelo valor pago, e muitos brasileiros, pelo oba-oba, já o tratam como um craque, definitivo, antes de ser.

Na Olimpíada de 1996, nos EUA, na véspera da estreia com o Japão, conversei, por um longo tempo, com Ernesto Santos, conhecido observador da seleção brasileira. Minha intenção não era apenas obter informações para meus comentários. Queria trocar ideias sobre futebol e aprender com ele. Admirava seu trabalho, desde as Copas de 1958 e 1962.

Penso que técnicos e imprensa costumam dar muitas opiniões, informações, se fechar em grupos, mas conversam pouco sobre futebol. Muitos não escutam nem querem aprender. Acham que sabem tudo.

Ernesto Santos, depois de dar todas as informações para a comissão técnica, me mostrou os detalhes técnicos, táticos e estatísticos do time japonês. Milhares de setas cruzavam o papel, para mostrar a movimentação dos jogadores. Apesar das informações corretas, o Brasil jogou mal, Dida e Aldair se trombaram, e o Japão ganhou por 1 a 0.

Há, em uma partida, duas histórias paralelas. Uma, racional, ordenada, baseada em detalhadas informações e conhecimentos técnicos, e outra, imprevisível, ocasional. Um grande time é o capaz de impor sua história.

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GALO E RAPOSA

Escrevo essa coluna antes do jogo de ontem, contra o Sport. Independentemente da atuação do Galo e do resultado, o time tem boas chances de seguir entre os primeiros até o fim. A equipe tem jogado muito bem, mas não é nenhuma maravilha, como ouço e leio, com frequência, em BH e nos programas de televisão de Rio e São Paulo. Para mostrar que não são bairristas, muitos excedem nos elogios ao time mineiro.

O Cruzeiro, como ocorreu em outros jogos que venceu, armou um esquema defensivo e ganhou da Portuguesa. Guerreiro jogou de terceiro zagueiro. Ceará e Diego Renan atuaram de laterais, e não de meias ou alas pelos lados. E hoje, contra o Flamengo? Celso Roth vai manter esse esquema mais cauteloso, que tem dado certo, ou, em casa, vai pressionar, o que não sabe fazer?

Era só o que faltava: deputados querem derrubar transparência na divulgação de salários dos servidores

Carlos Newton

È uma das iniciativas mais importantes e meritórias dos últimos tempos. Exatamente por isso é que vem sendo tão duramente criticada. E agora chegou ao Congresso Nacional a polêmica em torno da legalidade da divulgação dos salários dos servidores públicos pela internet.

Reportagem de Leandro Kleber, no Correio Braziliense, revela que um grupo de quatro parlamentares — Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG), Henrique Oliveira (PR-AM), Izalci (PR-DF) e Policarpo (PT-DF), à época no mandato de suplente — apresentou projeto de decreto legislativo para tentar derrubar a publicação dos contracheques.

O mais incrível é a justificativa. Ao invés de assumir que são contra a transparência dos salários, eles alegam que a regulamentação da lei, editada pela Presidência da República e publicada em 16 de maio deste ano, extrapola a competência do Executivo. Isso porque, segundo eles, a presidente determinou a divulgação das remunerações apenas na regulamentação, exigência que a lei não previa, na avaliação deles.

“Ao impor tal obrigação, que não consta da lei, a presidente manifestamente exorbitou do poder regulamentar, exercendo indevidamente, em caráter individual, atribuição própria do Parlamento”, afirma o deputado Bernardo Santana de Vasconcellos. De acordo com ele, cabe agora ao Congresso sustar o ato “exorbitante”.

A proposta precisa passar por duas comissões antes de ser votada no plenário da Câmara e seguir para o Senado. Se for aprovada, é melhor fechar logo o Congresso e ir reclamar com o bispo. Será a desmoralização total da política.

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DESOBEDIÊNCIA JUDICIAL

Como se sabe, sexta-feira foi o último dia do prazo estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a publicação dos salários dos servidores do Judiciário, mas 12 dos 27 Tribunais de Justiça não disponibilizavam as informações na internet e muitos outros Tribunais federais também não o fizeram.

Isso é desobediência civil, um crime previsto no Código Penal, mostrando até que ponto caiu a dignidade dos magistrados brasileiros, com as exceções de praxe, é claro. O assunto é gravíssimo e vamos voltar a ele, amanhã, dando mais detalhes.

Como acabar com os pobres de espírito?

Carlos Chagas

A Revolução dos Cravos gerou sucessivas turbulências, apesar de ter-se constituído num dos movimentos mais libertários da crônica de Portugal. Extirpada a ditadura salazarista sucederam-se governantes de diversas tendências, até que anos depois tudo se ajeitasse dentro dos parâmetros democráticos. Mas houve um tempo em que o poder foi exercido por um major auto-promovido a brigadeiro, Otelo Saraiva de Carvalho, radicalíssimo em suas concepções políticas.

Certa feita, visitando a Suécia, onde os socialistas governavam com o primeiro-ministro Olav Palme, o dirigente português buscou cativar o anfitrião dizendo que “no meu país a grande meta é acabar com os ricos”. Palme, do alto de sua experiência, retrucou que no seu era o contrário: estava tentando acabar com os pobres…

O episódio se conta a propósito de uma das principais metas da presidente Dilma, de extirpar a pobreza absoluta. Sucessivos programas tem sido desenvolvidos, sendo cedo, ainda, para saber se eficazes. Vale, porém, a intenção.

O diabo é que, apesar dos bons propósitos da presidente, sente-se ter a pobreza diversas faces. A econômico-financeira, objeto de suas preocupações, parece não ser a única a enfrentar. Existe a pobreza de espírito, largamente difundida e cultivada em nossas instituições.

Tome-se, por exemplo, os partidos políticos. Raras vezes se tem visto carência igual de valores ideológicos. Depois da curta experiência praticada pelo PT, de constituir-se num partido distinto dos demais, com sua ascensão ao poder transformou-se num aglomerado de interesses pessoais e nem sempre acordes com a ética. Igualzinho ao PMDB, ao PP, ao PR, o PTB e outros, sem esquecer a oposição, com PSDB e DEM à frente. Inexiste a menor diferença entre os companheiros e os outros. Com motivos de sobra foram saindo dos quadros petistas os intelectuais, a Igreja e a juventude. No reverso da medalha, agregaram-se à legenda muitos oportunistas, vigaristas e sucedâneos. Senão em maioria, são esses que ditam os rumos do partido outrora criado para ser diferente.

Quem se dedicar à pesquisa a respeito dos candidatos a vereador e a prefeito apresentados pelo PT constatará a ausência quase total de mensagens sociais, econômicas e políticas em suas campanhas. Falta conteúdo doutrinário na busca de votos pela imensa maioria deles. Não se importam em prometer acabar com os pobres. Nem com os ricos. Pretendem, mesmo, ocupar o poder, no caso municipal. E já de olho nas eleições gerais de 2014, com os mesmos objetivos cultivados desde que o Lula tomou posse: satisfazer interesses pessoais.

Quem discordar desse diagnóstico meio cruel que responda: qual o projeto nacional elaborado pelo PT nos últimos anos? Que tipo de país pretendem seus dirigentes? Não vale citar realizações dos governos Lula e Dilma, porque nenhum subsídio os dois receberam do partido. Só pedidos de nomeações, de empregos e de facilidades…

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DESESPERO EM ASCENSÃO

Quando faltam dez dias para o início do julgamento dos mensaleiros, sente-se haver desaparecido qualquer sentido de unidade entre os 38 réus. Agora é cada um por si, importando-se todos em escapar do peso da lei, mesmo que às custas do vizinho do lado. A única exceção foi do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que em memorial endereçado ao Supremo Tribunal Federal assumiu a culpa de tudo, mesmo negando a existência do mensalão e alegando operação para pagamento de dívidas de campanha. Quanto aos demais, para livrar-se das penas, até gostariam que elas caíssem nos ombros dos outros. É desespero puro, que as intervenções de seus advogados logo demonstrarão.

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OU VAI OU RACHA

Está a CPI do Cachoeira de recesso, mas diante de dilema cruel: ou reformula suas atividades e consegue o que não conseguiu até agora, ou seja, dizer a que veio, ou melhor será encerrar suas atividades uma vez reabertos os trabalhos do Congresso. Pouco adianta convocar testemunhas que ficarão caladas. Muito menos promover oitivas de gente sem importância. Investigar as tramóias do contraventor e sua quadrilha exige a atuação de gente qualificada para seguir adiante onde a Polícia Federal parou. Não será por falta de recursos nem por inexistência de estruturas às quais recorrer. Por que não apelar para a Abin?

Renúncia de Sérgio Cabral prejudica Paes no Rio

Pedro do Coutto

Ao anunciar, em julho de 2012, que vai renunciar ao governo do Rio em dezembro de 2013, portanto com uma antecedência de doze meses, Sergio Cabral tomou uma atitude drástica difícil de compreender e, com ela, enfraqueceu a campanha de Eduardo Paes à reeleição para a Prefeitura. A soma dos dois aspectos deixa o panorama político estadual mais complicado ainda.

Reportagem de Paulo Celso Pereira, O Globo de quinta-feira 19, focalizou reflexos que logo emergiram. As fotos são de Hudson Pontes e Pablo Jacob. O ato, segundo o próprio governador, anunciado por ele à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula, há dois meses, fez o relógio eleitoral acelerar. E abalou a aliança, por si frágil, entre PMDB e PT em favor de Eduardo Paes. Isso porque Sérgio Cabral destacou que vai renunciar com data marcada para transmitir o governo ao vice Luiz Fernando Pezão, no sentido de fortalecê-lo na sucessão de 2014 para o Palácio Guanabara.

Essa vontade detonou logo a contradição que se encontrava oculta entre as duas siglas. É que o senador Lindberg Farias, do PT, é candidato do Partido dos Trabalhadores às eleições de daqui a dois anos. Seu adversário é exatamente Luiz Fernando Pezão. Sentindo-se previamente atingido, sem tempo para aprofundar qualquer articulação, Lindberg reagiu frontalmente ao plano do atual governador.

Mas o que poderá fazer? Nada. Renúncia, como ficou claro no episódio Jânio Quadros, tese sustentada pelo senador Afonso Arinos, é ato unilateral de vontade. Em relação a ele não cabe apreciação, apelo ou votação. O titular dá adeus às armas e a comédia é finita.

Se não cabe apreciação, o governador Sergio Cabral, nesta altura dos acontecimentos, não poderá recuar do propósito que espontaneamente anunciou de público. Seria pior, seu candidato Eduardo Paes perderia os votos que conquistou na luta para reeleger-se. Como reagiria o eleitorado? Depois de antecipar a renúncia, recua? A confusão já grande, tornar-se-ia maior.

Afinal de contas para prestigiar Pezão, Cabral poderia renunciar no início de abril de 2014, seis meses antes do pleito. O vice assumiria firme no rumo das urnas. O mesmo princípio legal se aplicaria em relação ao seu filho que, segundo O Globo, está cogitando ser candidato a deputado. Ele mesmo, Sergio Cabral, renunciando até seis meses antes das eleições, poderá disputar o Senado ou a Câmara Federal. Nesta segunda hipótese, aliás a mais lógica, nada mudaria em relação ao vice Luiz Fernando, a seu filho e a si próprio. Mas o enigma continua. Cabral não consultou os que o elegeram e reelegeram.

Pois se de dezembro de 2013 a abril de 2014, são apenas quatro meses, diferença mínima, qual o motivo que levou Sérgio Cabral a anunciar sua saída do Palácio Guanabara, agora, em julho de 2013? Politicamente se enfraquece na medida em que as perspectivas naturalmente voltam-se para Pezão, fortalecendo-o. Sérgio Cabral está abrindo mão do poder em troca de nada. Estaria se retirando da política partidária? Uma surpresa ainda maior. Bem, a motivação pessoal do chefe do executivo é algo, no momento, insondável. Sim. Porque o que apresentou como explicação não convence a ninguém. Seu gesto, estilo Jânio Quadros, acredito que não convença nem a ele mesmo. Só o passar do tempo será capaz de traduzir.

Derrubando para cima

Sebastião Nery

Oscar Stevenson, advogado e professor, amigo de Ademar, foi indicado em 51 para a presidência do IAPTEC. Getúlio, aliado de Ademar na campanha (Café Filho foi vice-presidente pelo PSP na aliança PTB-PSP), nomeou.

O professor Stevenson não era do ramo. Chegou lá entrava em conflitos diários com o governo, vivia falando mal do Palácio. E resmungava:

- Não tenho nada com isso. Não tenho nada com o Catete. Estou aqui por indicação do dr. Ademar. Só dou satisfação a ele.

O P TB começou a pressionar para derrubá-lo. Roberto Alves, secretário de Getúlio, advertia:

- Presidente, precisamos tirar esse homem. É contra o senhor. Só atende ao Ademar.

- Deixa comigo. Ele é muito amigo do Ademar. Não posso fazer isso com o Ademar.

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AMIGO DE ADEMAR

Um dia, Getúlio tira o professor Stevenson do IAPTEC e o põe como subchefe da Casa Civil. Roberto Alves não entendeu:

- Presidente, essa decisão foi do senhor ou foi o Ademar que pediu?

- Foi minha. O Ademar não me pediu nada.

- Não consigo compreender. E o PTB está irritadíssimo. O senhor pega um inimigo seu, declarando, que vive hostilizando o Palácio, e o promove?

- Meu filho, quando a gente não pode derrubar para baixo, derruba para cima.

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CAINDO PARA BAIXO

Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, há muita gente com medo de ser derrubada para cima. Os ministros sabem que Dilma não tem coragem de demitir e passa meses fritando os ministros denunciados pela imprensa, até saírem.

Mas também sabem que o ministério pode ser reformulado após as eleições. O problema é que ministro não cai para cima. Só cai para baixo.