Arquivos por mês: julho 2012

Novo governo do Paraguai recua e diz que não vai instalar bases dos EUA

O novo governo paraguaio, comandado por Federico Franco, afirmou que não tem intenções de instalar uma base militar estadunidense em seu território, tal como levantado na semana passada pelo deputado José López Chávez.


Ilustração: Site Pátria Latina

O ministro de Relações Exteriores paraguaio, José Félix Fernández, deu uma coletiva para desmentir a intenção. “Em nome do governo nacional me vejo obrigado a desmentir essa possibilidade”, disse, assegurando que “não existem planos oficiais neste sentido” e que “não existe nenhuma conversação a respeito” do assunto.

Como se sabe, o deputado José Lópes Chávez, no entanto, havia declarado que representantes do Pentágono visitaram o Paraguai dias após o golpe parlamentar que resultou na destituição de Fernando Lugo da presidência do país, conforme divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo. Os militares estadunidenses teriam ido a Assunção para conversas sobre programas de cooperação.

De acordo com o López Chávez, a ideia seria instalar a base no vilarejo de Mariscal Estigarribia, perto da fronteira com a Bolívia. O deputado justificou o pedido sob a alegação de que a Bolívia está realizando uma corrida armamentista e que o Paraguai precisa proteger essa área pouco povoada do país.

Na última segunda-feira, antes do pronunciamento do governo, o ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, classificou de “esdrúxula” a possibilidade de instalação de uma base militar dos Estados Unidos no Paraguai.

“Eu não sou ministro das Relações Exteriores, mas seria uma coisa tão esdrúxula que resultaria no isolamento a tão longo prazo do Paraguai que acho que não vale a pena. Não creio que ocorrerá”, afirmou Amorim.

(Da Redação do portal Vermelho)

Paulo Henrique Amorim diz que a Record denuncia a Globo, mas não é bem verdade

Reportagem de Rodrigo Viana no Jornal da Record sobre a revelação do grosso esquema de suborno de Ricardo Teixeira e João Havelange na Suíça rev ela que o jornalista suíço Jean-François Tanda diz claramente: Globo pagou ISL ( a empresa que tinha a exclusividade para a transmissão da Copa para o Brasil) e a ISL pagou Teixeira e Havelange.

De posse desta informação, o jornalista Paulo Henrique Amorim passou a dizer que a Record está denunciando a Globo, o que realmente não ocorreu. O fato de a Globo ter pago à ISL não significa que subornou Teixeira e Havelange.

A denúncia de Amorim contra a O Globo só se sustenta porque as ligações entre a entidade e Ricardo Teixeira eram realmente ilegais e com flagrante favorecimento. No Brasil, até o início dos jogos passou a depender do horário das novelas da Globo e ninguém achava isso estranho…

Sobre as ligações Globo/Teixeira, o silêncio do Jornal Nacional diz tudo. Portanto, Paulo Henrique Amorim acerta em cheio quando diz que a Globo blindou a dupla Havelange/Teixeira: ” Não mostrou nem o rostinho rechonchudo deles. O Jornal Nacional é muito delicado, gentil”, diz o site de Amorim, o Conversa Afiada

O jovem delegado da PF e os contracheques do pessoal

Sandra Starling (Jornal OTempo, de BH)

Há pequenos indícios de que o Brasil pode mudar! Vi na televisão, outro dia, o rosto jovem de um delegado da Polícia Federal chamado Raul. Não guardei o sobrenome dele, mas parece que tudo o que anda acontecendo em torno do escândalo a envolver Carlos Cachoeira, Demóstenes Torres, empreiteiros, governadores e detentores de diversos tipos de mandato teria começado pelo seu trabalho.

O Ministério Público Federal andava investigando um caso de contrabando de máquinas caça-níqueis e pediu o auxílio da Polícia Federal para a apreensão de um lote desses artefatos em Anápolis. Deflagrada a operação, nada se encontrou. Suspeitou-se de vazamento dentro da própria PF. Foi, então, pedida autorização judicial para a escuta telefônica envolvendo Cachoeira, primeiro averiguado no caso do contrabando.

O jovem delegado, especializado na utilização de alta tecnologia em escutas telefônicas, teria ouvido de outro delegado, seu colega de sala, a seguinte pergunta: “O guardião (aparelho de escutas telefônicas da PF) pode captar as ligações feitas pelos aparelhos Nextel?”. Ao que ele, montando ali uma iniciativa de contrainformação, teria declarado de bate-pronto: “Se os aparelhos forem habilitados no exterior, não há como fazer escutas telefônicas”.

Logo em seguida, foi captada uma ligação entre seu colega policial e Carlinhos Cachoeira, informando quanto à “invulnerabilidade” dos aparelhos Nextel. O jogo começou a ser aí jogado. E o mesmíssimo jovem delegado acaba de descobrir quem ameaçava a procuradora da República a qual denunciou toda a quadrilha de Cachoeira: o ex-cunhado do contraventor, que já dorme protegido por grades…

Entrementes, o Supremo Tribunal Federal, que acabou com todas as pretensões de relaxamento da prisão de Carlos Cachoeira, cumpre a ordem de um juiz de primeira instância em Brasília e tira do ar os contracheques dos respectivos funcionários. Afinal, a Suprema Corte não examinou ainda a constitucionalidade da Lei de Acesso à Informação, modulada em seus efeitos pelo juiz de primeiro grau, em face do princípio da proteção à privacidade, inserido na Constituição como garantia individual. Isso é o mais legítimo Estado de direito!

Esses dois fatos isolados, quando unidos em uma colagem, revelam sinais de esperança na rejeição ao compadrio corporativista e ao argumento de autoridade, em vez da autoridade do argumento. São pequenos indícios de que as coisas podem mudar. Para eu ter maior esperança, só faltam os sindicatos, o Ministério Público e as ONGs de transparência pública ingressarem em juízo para obrigar o BNDES a explicar por que a preferência – e quanto custa esta – em repassar recursos para tal ou qual grupo econômico em detrimento de outros. Ou por que pagar obras superfaturadas de diversas empreiteiras, a título de cumprir prazos agendados para a Copa do Mundo.

Afinal, tudo isso – investigações, aparato jurisdicional e empréstimos estatais – também é pago pelo tributo cobrado de todos nós.

Faz sucesso na internet uma carta de Caymmi a Jorge Amado

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CARTA DE CAYMMI PARA JORGE AMADO

“Jorge meu irmão, são onze e trinta da manhã e terminei de compor uma linda canção para Yemanjá, pois o reflexo do sol desenha seu manto em nosso mar, aqui na Pedra da Sereia. Quantas canções compus para Janaína, nem eu mesmo sei, é minha mãe, dela nasci.

Talvez Stela saiba, ela sabe tudo, que mulher, duas iguais não existem, que foi que eu fiz de bom para merecê-la? Ela te manda um beijo, outro para Zélia e eu morro de saudade de vocês.

Quando vierem, me tragam um pano africano para eu fazer uma túnica e ficar irresistível.

Ontem saí com Carybé, fomos buscar Camafeu na Rampa do Mercado, andamos por aí trocando pernas, sentindo os cheiros, tantos, um perfume de vida ao sol, vendo as cores, só de azuis contamos mais de quinze e havia um ocre na parede de uma casa, nem te digo. Então ao voltar, pintei um quadro, tão bonito, irmão, de causar inveja a Graciano. De inveja, Carybé quase morreu e Jenner, imagine!, se fartou de elogiar, te juro. Um quadro simples: uma baiana, o tabuleiro com abarás e acarajés e gente em volta.

Se eu tivesse tempo, ia ser pintor, ganhava uma fortuna. O que me falta é tempo para pintar, compor vou compondo devagar e sempre, tu sabes como é, música com pressa é aquela droga que tem às pampas sobrando por aí. O tempo que tenho mal chega para viver: visitar Dona Menininha, saudar Xangô, conversar com Mirabeau, me aconselhar com Celestino sobre como
investir o dinheiro que não tenho e nunca terei, graças a Deus, ouvir Carybé mentir, andar nas ruas, olhar o mar, não fazer nada e tantas outras obrigações que me ocupam o dia inteiro. Cadê tempo pra pintar?

Quero te dizer uma coisa que já te disse uma vez, há mais de vinte anos quando te deu de viver na Europa e nunca mais voltavas: a Bahia está viva, ainda lá, cada dia mais bonita, o  firmamento azul, esse mar tão verde e o povaréu. Por falar nisso, Stela de Oxóssi é a nova iyalorixá do Axé e, na festa da consagração, ikedes e iaôs, todos na roça perguntavam onde anda Obá Arolu que não veio ver sua irmã subir ao trono de rainha?

Pois ontem, às quatro da tarde, um pouco mais ou menos, saí com Carybé e Camafeu a te procurar e não te encontrando, indagamos: que faz ele que não está aqui se aqui é seu lugar? A lua de Londres, já dizia um poeta lusitano que li numa antologia de meu tempo de menino, é merencória. A daqui é aquela lua. Por que foi ele para a Inglaterra? Não é inglês, nem nada, que faz em Londres? Um bom filho-da-puta é o que ele é, nosso irmãozinho.

Sabes que vendi a casa da Pedra da Sereia? Pois vendi. Fizeram um edifício medonho bem em cima dela e anunciaram nos jornais: venha ser vizinho de Dorival Caymmi. Então fiquei retado e vendi a casa, comprei um apartamento na Pituba, vou ser vizinho de James e de João Ubaldo,
daquelas duas ‘línguas viperinas, veja que irresponsabilidade a minha.

Mas hoje, antes de me mudar, fiz essa canção para Yemanjá que fala em peixe e em vento, em saveiro e no mestre do saveiro, no mar da Bahia.  Nunca soube falar de outras coisas. Dessas e de mulher. Dora, Marina, Adalgisa, Anália, Rosa morena, como vais morena Rosa, quantas outras e todas, como sabes, são a minha Stela com quem um dia me casei te tendo de padrinho.

A bênção, meu padrinho, Oxóssi te proteja nessas inglaterras, um beijo para Zélia, não esqueçam de trazer meu pano africano, volte logo, tua casa é aqui e eu sou teu irmão Caymmi”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - Caymmi e Amado eram não somente amigos, mas também parceiros. “É Doce Morrer no Mar”, um dos clássicos da música brasileira, foi composto pelos dois.

(A carta de Caymmi a Amado foi enviada ao Blog pelo comentarista Mário Assis.)

Ironicamente, o Incra é o maior desmatador da Amazônia

Paulo Peres

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou na semana passada uma nova etapa da atuação contra o desmatamento ilegal na Amazônia, na qual aponta o Incra como o maior desmatador da floresta. Neste sentido, foram ajuizadas ações em seis Estados: Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Mato Grosso.

Segundo o Ministério Público Federal, essas ações reúnem dados inéditos sobre o desmatamento em assentamentos de reforma agrária que mostram que cerca de um terço das derrubadas ilegais vêm ocorrendo nessas áreas. “Os procedimentos irregulares adotados pelo Incra na criação e instalação dos assentamentos vêm promovendo a destruição da fauna, flora, recursos hídricos e patrimônio genético, provocando danos irreversíveis ao bioma da Amazônia”.

A participação do Incra no volume total de desmatamento da região também vêm crescendo por conta da regularização ambiental da atividade pecuária, afirma o MPF. “Historicamente, a criação de gado em áreas particulares era o principal vetor do desmatamento, mas dois anos depois dos acordos da carne legal, iniciados no Pará, as derrubadas em assentamentos estão ficando mais preocupantes. Elas representavam 18% do desmatamento em 2004, mas em 2010 atingiram o pico: 31,1% de todo o desmatamento anual na Amazônia”.

Esses processos do MPF requerem à Justiça “a interrupção imediata do desmatamento em áreas de reforma agrária, proibição de criação de novos assentamentos sem licenciamento ambiental e um plano para licenciar os assentamentos existentes, bem como para averbação de reserva legal e recuperação de áreas degradadas, com prazos que vão de 90 dias a um ano”.

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DANOS DE r$ 38,5 BILHÕES

De acordo com a investigação, “até 2010 o Incra foi responsável por 133.644 km² de desmatamento dentro dos mais de dois mil projetos de assentamento na região amazônica. Para se ter uma ideia do prejuízo, a área desmatada é cerca de 100 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Entre 2000 e 2010, foram mais de 60 milhões de campos de futebol em florestas que vieram ao chão”.

Conforme cálculo feito pelo MPF, com base no valor comercial dos produtos madeireiros, chegou-se a um valor total de R$ 38, 5 bilhões em danos ambientais causados pelo Incra em toda a Amazônia.

O Instituto do Homem Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) informa que, “os assentamentos mais desmatados estão no Pará, Maranhão e Mato Grosso. Nesses locais, segundo a entidade, entre 75% e 100% da cobertura vegetal foi derrubada ilegalmente. Na Amazônia, o Código Florestal prevê reserva legal de 80% da cobertura vegetal, em propriedades privadas, bem como nas áreas de reforma agrária”.

O MPF afirma que as principais causas que colocam o Incra como protagonista do desmatamento na Amazônia são negligência com a infraestrutura dos assentamentos e descontrole sobre a venda de lotes. A auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que, “até 2003 tinham sido criados mais de 4 mil assentamentos sem licença ambiental no país. “O modo de criação, gestão e implantação de assentamentos em desrespeito à legislação ambiental deve-se à falta de ação do Incra, que sequer chega a protocolar os pedidos de licenciamento”.

No Egito, os ventos do Norte já começam a dissipar a Primavera Árabe

Carlos Newton

Depois de surpreender o mundo ao baixar decreto mandando reabrir o Parlamento, o novo presidente do Egito, Mohamed Mursi, afirmou que vai respeitar a decisão da Justiça, que revogou a determinação dele e fechou novamente o Legislativo.

O comunicado de Mursi mostra que na realidade quem continua mandando no Egito são as forças armadas, que há décadas vêm sendo sustentadas pelos Estados Unidos. Ou seja, o Egito continua a ser uma ditadura militar, apenas travestida de democracia no ilusório carnaval da Primavera Árabe.

Para disfarçar a realidade, a nova posição do presidente foi vista como uma tentativa de aliviar a tensão entre o governo e os deputados de um lado, e os militares e os magistrados da Corte Constitucional do outro, como se isso fosse possível.

No comunicado, Mursi disse que buscará o diálogo com as forças políticas e do Judiciário para resolver a questão. “Haverá consultas entre todas as forças políticas, instituições e autoridades do Conselho Supremo Judiciário para achar a melhor saída para essa situação”, afirmou o presidente, que é integrante da Irmandade Muçulmana, facção político-religiosa majoritária no Egito e que não aceita a submissão aos militares.

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RELEMBRE A CRISE

No dia 14 de junho, a Corte Constitucional concluiu que houve irregularidades na eleição de pelo menos um terço dos membros da Câmara baixa. Os militares, então, dissolveram o Parlamento e assumiram as funções legislativas. Além de dissolver o Parlamento, eles aprovaram um ato institucional antes do anúncio das eleições, retirando qualquer poder do presidente sobre as Forças Armadas. Os comandantes também receberam poder de legislar, além de poderem vetar partes da futura Constituição, que ainda não possui nem rascunho.

Em um desafio à junta militar, Mursi ordenou no último domingo, por decreto, que fosse reinstalado o Parlamento do país, dissolvido pela Suprema Corte Constitucional por influência dos militares que governaram interinamente o país entre a deposição do ditador Hosni Mubarak, no início de 2011 e a posse.

Mas a sessão de reabertura do Parlamento durou menos de dez minutos, porque a Corte Constitucional desautorizou o presidente e confirmou o fechamento. Os deputados anunciaram que vão apelar da decisão da Corte Constitucional de dissolver o Parlamento, mas trataram de encerrar logo a sessão, antes que os tanques chegassem…

Esta é a Primavera Árabe em versão egípcia.

Dez soluções para melhorar o Brasil, segundo o primeiro-ministro da China

Nelio Jacob

Circula na internet uma postagem atribuída ao jornalista Joelmir Beting, noticiando que o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, ao visitar o Brasil,  surpreendeu pelo conhecimento que tem sobre nosso país. Devido o aumento da amizade e dos negócios entre Brasil e China, ele vem estudando a cultura, o povo, o desenvolvimento e o governo de nosso país nos últimos 5 anos. Por isso, teria aproveitado a visita de acordos comerciais para lançar algumas sugestões que, segundo ele, foram responsáveis pelas mudanças e pelo crescimento estrondoso da China nos últimos anos.

Segundo o suposto Joelmir Beting, durante uma de suas conversas com a Presidente Dilma e seus ministros, Wen foi enfático no que ele chama de “Solução para os paises emergentes”, que é o caso do Brasil, China, Índia e outros países que entraram em grande fase de crescimento nos últimos anos, sendo a China a líder absoluta nessa fila.

O que o ministro teria apontado para um país como o Brasil desponte a crescer fortemente??? Sugeriu mudanças imediatas na administração do país, sendo a principal delas, a eliminação de fatores hipócritas, onde as leis insistem em ver o lado teórico e não o prático e real de suas consequèncias, sendo que, para isso o país terá que sofrer mudanças drásticas em seus pontos de vista atuais, como fez a China nos últimos 20 anos, sendo os 10 principais os que se seguem, segundo o suposto jornalista Joelmir Beting.

1) PENA DE MORTE PARA CRIMES HEDIONDOS COMPROVADOS:
Fundamento: Um governo tem que deixar de lado a hipocrisia quando toca neste assunto, um criminoso não pode ser tratado como celebridade, criminosos reincidentes já tiveram sua chance de mudar e não mudaram, portanto, não merecem tanto empenho do governo, nem a sociedade honesta e trabalhadora merece conviver com tamanha impunidade e medo, citou alguns exemplos bem claros: Maníaco do Parque, Lindeberg, Suzane Richthofen, Beira Mar, Elias Maluco etc.

Eliminando os bandidos mais perigosos, os demais terão mais receio em praticarem seus crimes, isso refletirá imediatamente na segurança pública do país e na sociedade, principalmente na redução drástica com os gastos públicos em segurança. A longo prazo isso também reflete na cultura e comportamento de um povo.

2) PUNIÇÃO SEVERA PARA POLÍTICOS CORRUPTOS:
Fundamento: É estarrecedor saber que o Brasil tem o 2º maior índice de corrupção do mundo, perdendo apenas para a Nigéria, porém, comparando os dois países, o Brasil está em uma situação bem pior, já que não pune nenhum político corrupto como deveria.

O Brasil é o único país do mundo que não tem absolutamente nenhum político preso por corrupção, portanto, está clara a razão dessa praga (a corrupção) estar cada vez pior no país, já que nenhuma providência é tomada, na China, corrupção comprovada é punida com pena de morte ou prisão perpétua, além é óbvio, da imediata devolução aos cofres públicos dos valores roubados. O ministro chinês fez uma pequena citação que apenas nos últimos 5 anos, o Brasil já computou um desvio de verbas públicas de quase 100 bilhões de reais, o que permitiria investimentos de reflexo nacional. Ou seja, algo está errado e precisa ser mudado imediatamente.

3) QUINTUPLICAR O INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO:
Fundamento: Um país que quer crescer precisa produzir os melhores profissionais do mundo e isso só é possível quando o país investe no mínimo 5 vezes mais do que o Brasil tem investido hoje em educação.

Caso contrário, o país fica emperrado, aqueles que poderiam ser grandes profissionais, acabam perdidos no mercado de trabalho por falta da base que deveria prepará-los, com o tempo, é normal a mão de obra especializada passar a ser importada, o que vem ocorrendo a cada vez mais no Brasil, principalmente nos últimos 5 anos quando o país passou a crescer em passos mais largos.

4) REDUÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA E REFORMA IMEDIATA:
Fundamento: A China e outros países desenvolvidos como os EUA já comprovaram que o crescimento do país não necessita da exploração das suas indústrias e empresas em geral, bem pelo contrário, o estado precisa ser aliado e não inimigo das empresas.

Afinal, é do trabalho destas empresas que o país tira seu sustendo para crescer e devolver em qualidade de vida para seus cidadãos, a carga tributária do Brasil é injusta e desorganizada e enquanto não houver uma mudança drástica, as empresas não conseguirão competir com o mercado externo e o interno ficará emperrado como já é.

5) REDUÇÃO DOS SALÁRIOS DOS POLÍTICOS BRASILEIROS:
Fundamento: Os Brasil tem os políticos mais caros do mundo, isso ocorre pela cultura da malandragem instalada após a democrácia desorganizada que tomou posse a partir dos anos 90 e pela falta de regras no quesito salário do político. O político precisa entender que é um funcionário público como qualquer outro, com a função de empregar seu trabalho e seus conhecimentos em prol do seu país e não um “rei” como se vêem atualmente, a constituição precisa definir um teto salarial compatível com os demais funcionários públicos e a partir dai, os aumentos seguirem o salário mínimo padrão do país.

Na China um deputado custa menos de 10% do que um deputado brasileiro. A revolta da nação com essa balbúrdia com o dinheiro público, com o abuso de mega-salários, sem a devida correspondência em soluções para o povo, causa ainda mais prejuízos ao estado, pois um povo sentindo-se roubado pelos seus líderes políticos, perde a percepção do que é certo, justo, honesto e honrado.

6) DESBUROCRATIZAÇÃO IMEDIATA:
Fundamento: O Brasil sempre foi o país mais complexo em matéria de negociação. Segundo Wen, a China é hoje o maior exportador de manufaturados do mundo, ultrapassando os EUA em 2010 e, sem nenhuma dúvida, a China e os EUA consideram o Brasil, o país mais burocrata, tanto na importação, quanto exportação, além é claro, do seu mercado interno.

Para tudo existem dezenas de barreiras impedindo a negocição que acabam em muitas vezes barrando o desenvolvimento das empresas e refletindo diretamente no desenvolvimento do país, isso é um caso urgente para ser solucionado.

7) RECUPERAÇÃO DO APAGÃO DE INVESTIMENTOS:
Fundamento: O Brasil sofreu um forte apagão de investimentos nos últimos 50 anos, isso é um fato comprovado, investimentos em infraestrutura, educação, cultura e praticamente todas as demais áreas relacionadas ao estado, isso impediu o crescimento do país e seguirá impedindo por no mínimo mais 50 anos se o Brasil não tomar atitudes fortes hoje.

O Brasil tem tudo para ser um grande líder mundial, tem território, não sofre desastres naturais severos, vive em paz com o resto do mundo, mostrou-se inteligente ao sair ileso da grande crise financeira de 2008, porém, precisa ter a coragem de superar suas adversidades políticas e aprender investir corretamente naquilo que mais necessita.

8) INVESTIR NA MUDANÇA DE CULTURA DO POVO:
Fundamento: A grande massa do povo brasileiro não acredita mais no governo, nem nos seus políticos, não respeita as instituições, não acredita em suas leis, nem na sua própria cultura, acostumou-se com a desordem governamental e passou a ver como normal as notícias trágicas sobre corrupção, violência etc.

Portanto, o Brasil precisa investir na cultura brasileira, iniciando pelas escolas, empresas, igrejas, instituições públicas e assim por diante, começando pela educação patriótica, afinal, um grande povo precisa amar e honrar seu grande país, senão é invevitável que à longo prazo, comecem surgir milícias armadas na busca de espaço e poder paralelo ao governo, ainda mais, sendo o Brasil um país de proporções continentais como é.

9) INVESTIR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA IMEDIATAMENTE:
Fundamento: Proporcionalmente, o Brasil investe menos de 8% do que a China em ciência e tecnologia, isso começou a ter forte reflexo no país nos últimos 5 anos, quando o Brasil passou a crescer e aparecer no mundo como um país emergente e que vai crescer muito a partir de agora.

Porém, não tem engenheiria de qualidade, não tem medicina de qualidade, tecnologia de qualidade, não tem profissionais com formação de qualidade para concorrer com os países desenvolvidos que encontram-se mais de 20 anos a frente do Brasil, isso é um fato e precisa ser visto imediatamente, pois reflete diretamente no desenvolvimento de toda nação.

10) MENORIDADE PENAL E TRABALHISTA A PARTIR DE 16 ANOS:
Fundamento: O Brasil é um dos poucos países que ainda possuem a cultura de tratar jovens de 15 a 18 anos como crianças, não responsáveis pelos seus atos, além de proibi-las de oferecer sua mão de obra, isso é erro fatal para toda a sociedade, afinal, o Brasil, assim como a grande maioria dos paises, estão envelhecendo e precisam mais do que nunca de mão de obra renovada.

Essa contradição hipócrita da lei, serve apenas para criar bandidos perigosos, que ao atingirem 18 anos, estão formados para o crime, já que não puderam trabalhar e buscaram apenas no crime sua formação. Na China, jovens tem permissão do governo para trabalhar normalmente (não apenas como estagiários como no Brasil) a partir dos 15 anos, desde que continuem estudando e, sim, respondem pelos seus crimes normalmente, como qualquer adulto com mais de 18 anos.

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OBSERVAÇÃO DO SUPOSTO JOELMIR

Nelio Jacob

Este texto pretensamente teria sido retirado do Blog do jornalista Joemir Beting, da Rede Bandeirantes. Segundo o assessor que teria permitido o “vazamento” do relatório da conversa com o primeiro-ministro chinês, o governo brasileiro optou por não divulgar estas informações por não se tratarem da real missão do primeiro-ministro ao Brasil, que era apenas para tratar de assuntos comerciais entre os dois paÍses.

Bem, a postagem pode ser mentirosa, mas há um bocado de verdades nas tais sugestões do  Sr. Wen a  um povo verdadeiramente acomodado.

Acredite se quiser: Ricardo Teixeira continua recebendo salários na CBF. Parece brincadeira, mas é verdade.

Angela Lacerda(Agência Estado)

Apontado pela Justiça da Suíça, ao lado do presidente de honra da Fifa, João Havelange, como receptor de subornos milionários para fechamento de acordos com a agência de marketing esportivo ISL, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, continua recebendo salários da entidade. A informação foi confirmada quinta-feira pelo atual presidente da CBF, José Maria Marin, em entrevista no Palácio do Campo das Princesas, no Recife.

Embora tenha se recusado a comentar a confirmação do envolvimento dos dois dirigentes brasileiros no caso da ISL, feita no dia anterior pela própria Fifa, Marin disse que as denúncias “nada têm a ver com o vínculo existente entre Ricardo Teixeira e a CBF”. “Ele continua prestando serviços”, reiterou o novo presidente da entidade. “Nós temos mais de 300 contratos em andamento na CBF e ele (Ricardo Teixeira) contribui com assessoria internacional pelo status que ocupou.”

Marin destacou a experiência de Ricardo Teixeira em 24 anos como presidente da CBF, além de ter sido membro da Conmebol e da Fifa – pressionado pelas denúncias confirmadas agora, ele deixou todos os cargos em março, alegando motivos de saúde. “Aproveitamos da melhor maneira possível a experiência que Ricardo Teixeira tem nos assuntos do futebol internacional, inclusive captando recursos através de publicidade e de divulgação do próprio futebol brasileiro”, afirmou.

O presidente da CBF participou de entrevista coletiva quinta-feira, ao lado do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para anunciar que a seleção brasileira fará um amistoso contra a China, no dia 10 de setembro, no Estádio do Arruda, no Recife, dentro dos preparativos para disputar a Copa das Confederações de 2013 e a Copa do Mundo de 2014.

A liberdade em forma de oração, segundo Miguel Torga

O cronista Rubem Braga considerava necessária a poesia. E o escritor e poeta português Miguel Torga (1907/1995) acrescentava que a liberdade também é necessária.

Miguel Torga

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LIBERDADE

Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga, in ‘Diário XII’

Eduardo Paes usa contracheque de servidores para fazer campanha, diz procurador

Igor Mello (Jornal do Brasil)

Diversos servidores da prefeitura do Rio de Janeiro tiveram um susto ao receberem, há poucos dias, o contracheque do mês de junho. Junto com o demonstrativo de pagamento, foi anexada uma folha adicional relacionando supostas melhorias empreendidas pela atual gestão para o funcionalismo. Nem todos os servidores receberam o comunicado, mas funcionários da educação e da saúde confirmaram terem sido contemplados.

Após analisar o documento, obtido com exclusividade pelo Jornal do Brasil, o procurador regional eleitoral Maurício da Rocha Ribeiro afirmou se tratar de crime eleitoral por parte do prefeito Eduardo Paes. Na folha adicional, o texto exalta feitos da gestão de Paes em relação ao funcionalismo.

“Essas situações de propaganda irregular têm que ser analisadas em conjunto com outros fatos. Em três anos de gestão, o prefeito nunca se preocupou em fazer esse tipo de divulgação. Por que fazer agora, três meses antes da eleição? A resposta é óbvia”, garante Rocha Ribeiro.

O procurador ainda enxerga na atitude outras irregularidades: “É abuso de poder político. Ele está usando os instrumentos que ele tem em mãos para fazer uma campanha ostensiva. O prefeito vai dizer que é publicidade regular, mas o fato é que só agora está dando publicidade a esses dados, justamente na época da eleição”, completa.

Segundo Rocha Ribeiro, a Procuradoria Regional da República enviará ofício detalhada para a promotoria de primeira instância analisar e tomar as providências cabíveis.

Procurado pelo Jornal do Brasil, através de sua assessoria, o prefeito Eduardo Paes não se mainifestou sobre a questão.

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HISTÓRICO DE PROBLEMAS

Procurador vai investigar peça publicitária e esta não é a primeira vez que o prefeito Eduardo Paes fica na mira da Justiça Eleitoral. Na semana passada, ele recebeu uma recomendação para não participar de duas inaugurações ao lado da presidente Dilma Rousseff e do governador Sérgio Cabral, no primeiro dia de campanha oficial. Mesmo assim, esteve nos dois eventos e ouviu da presidente e do governador amplos elogios à sua administração.

Antes disso, ele já havia sofrido duas ações por abuso de poder político. Em ambos os casos, ele e seus aliados, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram acusados de aproveitar inaugurações de obras públicas para pedir votos.

A última e mais pitoresca ocorrência foi na segunda-feira. O prefeito cedeu o Palácio da Cidade, sede do governo municipal, ao Botafogo de Futebol e Regatas para que o clube realizasse lá a primeira entrevista coletiva do craque holandês Seedorf. Paes posou para fotos ao lado do jogador e do presidente alvinegro, Maurício Assumpção, filiado ao PMDB e possível candidato a vereador em outubro.

(Matéria transcrita do JB Online, enviada pelo comentarista Paulo Peres)

Era só o que faltava: Câmara pode tirar do MP o direito de investigar crimes.

Carlos Newton

Uma das atividades públicas que vêm funcionando no país são as investigações desenvolvidas pelo Ministério Público, em seus três níveis – municipal, estadual e federal. Os inquéritos que redundaram nas operações Caixa de Pandora, Aquarela e Monte Carlo, da Polícia Federal, por exemplo, partiram do Ministério Público.

Um deles causou a renúncia do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e de seu vice, Paulo Octavio. O segundo fez com que o ex-governador Joaquim Roriz também renunciasse a seu mandato de senador. E o terceiro levou Carlinhos Cachoeira à prisão e está prestes a levar o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) à cassação.

Segundo o repórter Paulo Celso Pereira, de O Globo, um levantamento feito pelo Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais em 15 estados mostra que o MP teve papel decisivo em muitas das operações contra políticos e agentes públicos nos últimos anos.

Pois quando a nação, agradecida, deveria estar aplaudindo as ações dos procuradores e promotores, a Câmara dos Deputados se prepara para votar uma proposta de emenda constitucional que acaba com a possibilidade de o Ministério Público fazer investigações. Parece brincadeira, mas é verdade.

A proposta de mudança na lei atual foi feita pelo deputado federal Lourival Mendes (PTdoB-MA), que é delegado da Polícia Civil. A tendência é que ela esteja pronta para ser votada no plenário da Câmara a partir de agosto e, se aprovada, seguiria para a apreciação do Senado. A medida é defendida pelas associações de policiais, que não investigam nada e colocaram o Brasil na lista dos países de maior impunidade em termos de homicídios, mas querem ter exclusividade.

Segundo o procurador-geral do Rio de Janeiro, Cláudio Lopes, que preside o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais, a atuação do Ministério Público ocorre justamente quando a polícia se omite. “Os casos em que o MP em regra procede ou são casos que envolvem policiais, ou são crimes que não são praticados por policiais, mas que a polícia não está investigando por algum motivo. Pode ser homicídio, tráfico de drogas, quadrilha de roubo de carga, mas sempre casos em que a polícia não faz a investigação por estar sem condições, por interesse, por omissão ou por conivência”, declarou Lopes na entrevista a Paulo Celso Pereira.

O projeto de emenda constitucional deixou procuradores e promotores alarmados país afora. O temor deles não é apenas em relação à impossibilidade de continuarem fazendo investigações. O pior, dizem, seria a brecha aberta para que as investigações já realizadas sejam consideradas inválidas pela Justiça.

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DISCUSSÃO NO SUPREMO

Mas o repórter de O Globo explica que, antes que o projeto termine de tramitar no Congresso, a tendência é que o Supremo Tribunal Federal se posicione sobre o tema, porque existem duas ações questionando o poder de investigação criminal do Ministério Público.

Uma delas foi impetrada pelo ex-prefeito de Ipanema (MG) Jairo de Souza Coelho. Condenado por crime de responsabilidade, o ex-prefeito recorreu alegando que a investigação foi conduzida pelo MP. A segunda ação é de um habeas-corpus de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, denunciado pelo Ministério Público como mandante do assassinato do prefeito petista Celso Daniel em 2002.

O julgamento sobre o poder de investigação chegou a ser iniciado, mas foi interrompido por um pedido de vistas do ministro Luiz Fux quando seis dos 11 ministros haviam votado. Desses, quatro mantinham o poder de investigação do MP. A expectativa na Corte é que o julgamento seja concluído a partir de setembro, após o fim do julgamento do mensalão.

Mesmo que o Supremo mantenha a tendência atual e entenda que a legislação autoriza o Ministério Público a realizar essas investigações, a aprovação de uma nova emenda constitucional tornaria a decisão inócua.

 

Uma conspiração bem orquestrada

Carlos Chagas

Há dúvidas sobre se Dilma Rousseff acordou e percebeu de onde vem a campanha que assola o governo com greves variadas de servidores públicos. Mais ainda, indaga-se estar a presidente consciente de que logo irromperá o movimento no setor privado. Porque para este segundo semestre, com os metalúrgicos à frente, preparam-se paralisações para ninguém botar defeito.

Trata-se de uma ação organizada e consciente para levar o governo a um impasse. Ou cede às reivindicações, algumas delas absurdas, ou continua irredutível e assiste à gradativa estagnação da economia. A quem interessa esse nó? Com que finalidade?

Ilude-se quem jogar a responsabilidade nas centrais sindicais. Com a CUT à frente, elas funcionam mais ou menos como as mãos do gato, para tirar as castanhas do fogo. Com o prato na mão, para degluti-las, está o PT, ironicamente o partido de Dilma, agastado com a pouca importância que vem tendo na administração federal. O PT, sem faltar o seu líder principal, que não pode ser outro senão… (cala-te boca). Porque um movimento de tal envergadura não se desenvolveria sem pelo menos o beneplácito do Lula. Ou até sua orquestração.

A presidente tem realizado sucessivos encontros com líderes partidários, a começar pelos companheiros. Ainda esta semana jantou com a bancada petista, mas não ficou apenas nela. O vice-presidente Michel Temer tem sido convocado, o PMDB é ator importante na peça. O líder socialista Eduardo Campos esteve no palácio da Alvorada. E outros.

O problema é que o surto grevista não poderá ser contido apenas pelos partidos da base oficial. Sequer pela liberação de verbas para atender emendas individuais ao orçamento. Despertaram o leão até agora adormecido, com o agravante de que ele tinha fome, depois de um jejum de oito anos estabelecido pelo governo passado. Muitas categorias que cruzaram os braços tem fartos motivos para protestar, como professores, médicos e policiais. Outras, nem tanto, mas o que chama a atenção é o conjunto, impossível de se formar e se desenvolver sem um objetivo. Qual? O de levar a presidente à defensiva, a perder o controle do governo, abrindo ou não as portas do tesouro nacional. Como 2014 vem aí, basta somar dois e dois.

O singular nessa equação é que as oposições formais estão de fora. A conspiração é exógena. Vem de dentro do sistema que tomou conta do país em 2002.

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MOTIVAÇÕES DIVERSAS

Terá sido apenas em função da voz rouca das ruas que se reuniram 80 senadores para cassar o mandato de Demóstenes Torres? Porque raras vezes registrou-se quorum tão alto. Claro que o Senado devia explicações à opinião pública, na medida em que jamais poderia deixar de punir o agora ex-representante de Goiás. Mas há quem suponha, também, ter havido um acerto de contas entre os principais dirigentes da Câmara Alta e Demóstenes.

Durante anos ele não poupou figuras como José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Fernando Collor e outros. Sempre que pode, lançou sobre eles a suspeição de malfeitos variados. Mais do que duro, foi cruel quando vestiu a armadura de cavaleiro andante da ética e da moral. Flagrado em irregularidades, recebeu o troco, com juros. Só faltou um senador, de licença para tratar de questões pessoais. Os demais foram mobilizados. Por quem?

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AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA

Apelou o ex-presidente Fernando Henrique para a galhofa, quando perguntado sobre se doaria para alguma instituição de caridade o milhão de dólares que recebeu como prêmio da biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Respondeu que já estava doando mais de 27% da quantia para o governo brasileiro, a título de impostos. E até tripudiou acrescentando esperar que fossem bem gastos.

Ora, quem mais aumentou impostos no país senão o sociólogo? Se tem alguma reclamação a fazer, dirija-se ao período em que governou o Brasil…

Dilma inicia a campanha para sua reeleição em 2014

Pedro do Coutto

A presidente Dilma Rousseff ofereceu jantar ao vice Michel Temer, ao governador Eduardo Campos, presidente do PSB, ao governador Cid Gomes, também deste partido, e a ministros do PT, com o objetivo de assegurar a solidez da aliança PT-PMDB-PSB para as eleições presidenciais de 2014. Reportagem de Paulo Celso Pereira, Isabel Braga e Luiza Damé, O Globo de quarta-feira, focaliza o acontecimento.

A matéria, penso eu, deveria ter saído com maior destaque, uma vez que, nesse encontro, obviamente Dilma Rousseff iniciou a campanha por sua reeleição. Caso contrário, o ex-presidente Lula estaria presente. Não comparecendo, ficou nítido o projeto político nacional do PT para as urnas de aqui a dois anos.

Importam pouco as divergências municipais que estão ocorrendo na cidade de São Paulo, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Trata-se de etapa menor. A meta básica volta-se para 2014. Há motivos para os dois fatos. Quanto à hipótese de o PSB afastar-se do Palácio do Planalto, ela foi levantada por José Serra, do PSDB, quando há poucos dias admitiu a possibilidade de uma candidatura de Eduardo Campos à presidência da República. Com isso, atingiu diretamente Aécio Neves, cujo nome inclusive já fora lançado pelo ex-presidente Fernando Henrique. Surpresa? Sim. Porque Serra é tucano, mesmo partido de Aécio e FHC.

Ao sugerir o exame da fórmula Campos, o candidato a prefeito da capital paulista distanciou-se das articulações de seu esquema partidário. Procurou incentivar o governador de Pernambuco como forma de dividir a base política do governo federal. Por isso, Dilma entrou em ação. E, aparentemente, alcançou êxito: Eduardo Campos afirmou a O Globo que o essencial é manter a aliança de hoje para o embate eleitoral de amanhã. Evidentemente, Rousseff aprovou a tese. As divergências em São Paulo, Minas e No Rio são detalhes.

Em Belo Horizonte, o PT, que lançou Patrus Ananias, como candidato próprio contra Márcio Lacerda, agiu menos por Márcio pertencer à sigla PSB, e mais por ter sido ele, em 2008, eleito inteiramente pelo apoio de Aécio Neves. Assim, fortalecer Lacerda, seria fortalecer Aécio para 2014. E o ex-governador de Minas já se declarou disposto a concorrer ao Planalto pela oposição.

Em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores não está bem na parada com Fernando Haddad. Mesmo com o apoio entusiasmado de Lula, o máximo que alcançou até agora foi de 6 pontos no Datafolha, José Serra tem 31, Celso Russomano 10%. Além da fraqueza do ex-ministro da Educação, acrescente-se o distanciamento da senadora Marta Suplicy da campanha.

Na coluna semanal que mantém na Folha de São Paulo, condenou fortemente a aproximação de Lula com Paulo Maluf, adversário histórico do PT, condenado pela Justiça de Nova Iorque, além de procurado pela Interpol. A situação do PT na cidade não se apresenta favorável. Claro que Haddad, com apoio de Lula no horário eleitoral da televisão, não vai ficar nos 6% atuais. Mas daí a derrotar Serra há uma diferença bastante expressiva.

No Rio, uma corrente petista afastou-se da aliança com Eduardo Paes e se manifestou pela candidatura Marcelo Freixo, do PSOL. Não há dúvida. Trata-se da corrente do senador Lindberg Farias que, em 2014, enfrenta Luiz Pezão, candidato do governador Sérgio Cabral, ao Palácio Guanabara. Entretanto, nenhum dos três casos preocupa a presidente da República.

Com o jantar de Brasília, ela iniciou, com dois anos de antecedência, a alvorada da sua candidatura à reeleição. A ausência de Lula na mesa, anteontem, acentua a presença de Dilma nas urnas de amanhã.

Duas histórias do poder em São Paulo

Sebastião Nery

Abreu Sodré estava deixando o governo de São Paulo, em 1970, o presidente Médici começou a articular a escolha dos novos governadores. Mandou pelos Estados, numa sondagem prévia, o presidente da Arena, Rondon Pacheco, carregando uma pasta cheia de papéis em branco, com aquele ar e aquela gorda palidez de comissário do povo da Bulgária. Uma tarde, Abreu Sodré entra no Palácio do Planalto para uma conversa com Médici:

- Presidente, sei que o governador será escolhido pelo senhor. Trago-lhe, como colaboração, essa lista dos 15 nomes que estão sendo lembrados pela imprensa de São Paulo.

E começou a ler a lista:

- Primeiro, meus principais colaboradores, os homens que estão mais ligados aos problemas de São Paulo e suas soluções (Arrobas Martins e vários outros secretários ). Depois, os ministros de V. Exa. (Delfim, Buzaid e Fábio Yassuda). Finalmente, o ex-governador Laudo Natel e o deputado Herbert Levy.

- Governador, agradeço-lhe a colaboração. Vou estudar os nomes depois.

- Presidente, desejava dizer-lhe apenas uma coisa. Não tenho candidato. Mas, desses 15, há dois nomes que eu não poderia aceitar, porque são adversários meus e romperam relações comigo: o deputado Herbert Levy, que foi meu secretario de Agricultura e saiu brigado comigo, e o ex-governador Laudo Natel, que me hostiliza desde o primeiro dia de governo.

Sodré voltou para São Paulo e no dia seguinte me dizia, no palácio:

- Não vou fazer o governador. Não tenho candidato. Sei que nesta cadeira não vai se sentar quem eu quero. Mas sei também que não se sentará quem eu não quero.

Dois dias depois, Brasília anunciava o novo governador: Laudo Natel.

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SODRÉ E PAULO EGÍDIO

Atrás de uma mesa quadrada e amarela, sentado numa cadeira com cara de trono, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, o governador Paulo Egídio apontou-me o retrato de Rodrigues Alves, ex-governador e ex-presidente, bem a sua frente:

- Está ali Rodrigues Alves. A cadeira não é mais a mesma, mas as mesa é. Ele dizia: – “Quem tem força não sou eu. Quem tem força é esta cadeira”.

Conto-lhe que a última fez em que estive naquela sala, o governador Abreu Sodré, no final do mandato, me dizia:

- Sei que não vou fazer o sucessor que quero. Mas nesta cadeira não se senta quem eu não quiser.

Alguns meses depois, estava sentado ali o governador Laudo Natel, adversário e inimigo pessoal de Sodré.

Paulo Egídio balança o rosto gordo, num gesto muito seu, e sorri:

- Por isso é que não vou repetir os erros deles. Não vou querer continuar governador nos quatro anos seguintes. São Paulo acabou com o ademarismo, o janismo, o sodresismo, o laudismo, os ‘ismos’ todos que andavam por aí. Não tenho candidato a governador e não terei. A Arena de São Paulo é um partido ecumênico. Por isso meu governo é um governo ecumênico, tem representantes das várias lideranças. Tenho os números todos no arquivo. Hoje ninguém tem ainda maioria na convenção da Arena, para ser candidato a governador. Delfim é um candidato forte. Nada tenho contra ele e pode ser o meu candidato. É meu amigo há 25 anos. Claro que em determinados instantes, disputamos uma mesma posição e eu fui o governador. Mas não seria isso que iria abalar uma amizade de tanto tempo. Delfim é dinâmico e muito capaz. Se for o candidato, terá todo meu apoio.

O indicado foi Laudo Natel, o escolhido foi Paulo Maluf. Duas sucessões descadeiradas.