Arquivos por mês: junho 2012

E David venceu Golias (leia-se Sérgio Cabral, além da Procuradoria do Estado e da CVM)

Carlos Newton

Foi um julgamento emocionante e consagrador para a Justiça brasileira. Estava em jogo uma multa inacreditável, no valor de R$ 504 milhões – isto mesmo, mas de meio bilhão de reais, referentes a supostos prejuízos sofridos pela RioPrevidência e pelo governo do Estado em um leilão de venda da carteira imobiliário do fundo de pensão estadual.

O Golias da antiJustiça estava triplamente representado (pela Procuradoria do Estado, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo governador Sérgio Cabral, que não compareceu, mas nos bastidores fez de tudo para pressionar o Judiciário Federal). E David era um só, representado pelo jovem advogado Fernando Orotavo Neto, um dos mais promissores juristas da nova geração, autor de diversos obras sobre Direito Financeiro.

Primeiro, foi à tribuna o representante da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que defendeu a independência da autarquia federal para julgar e punir infrações no mercado de capitais. Garantiu que não houve cerceamento da defesa dos réus, apesar de a CVM não ter permitido que eles produzissem provas de que não eram culpados de nada. E defendeu a estranha tese de que não havia necessidade de se comprovar o alegado prejuízo sofrido pela RioPrevidência e pelo governo do Estado.

Em seguida, na mesma linha de raciocínio, falou o representante da Procuradoria do Estado, dizendo que houve um “prejuízo bilionário”, mas não o quantificou. Tentou pressionar os desembargadores, advertindo que a decisão deles, se fosse contrária à CVM, poderia ter efeito multiplicador. Previu que todas as instituições financeiras e investidores já punidos pela CVM então poderiam recorrer à Justiça nas mesmas circunstâncias. E afirmou que as provas solicitadas pelas instituições e investidores punidos pela CVM no caso RioPrevidência não foram permitidas porque “não eram pertinentes”.

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DEMOLINDO A FARSA

Subiu então à tribuna o advogado Fernando Orotavo Neto, que fez uma magnífica sustentação oral. Com objetividade, ironia e total conhecimento de causa, foi demolindo, uma a uma, as alegações da Procuradoria do Estado e da CVM. Mostrou que houve cerceamento da defesa, porque a autarquia não apresentou provas do alegado “prejuízo” nem permitiu que os réus apresentassem provas de que não houve nenhum prejuízo à RioPrevidência ou ao governo estadual.

Orotavo Neto mostrou que a CVM funciona como um tribunal de exceção, pois o mesmo diretor que determinou a multa de R$ 504 milhões foi o juiz do recurso apresentado à autarquia pelos réus. Provou também que a CVM jamais conseguiu demonstrar a existência de prejuízo ou ocorrência de fraude. Pediu que o tribunal fizesse um julgamento técnico e não político, lembrando que o leilão foi organizado pela Procuradoria do Estado, que então deveria estar sendo arrolada como ré, caso tivesse acontecido a suposta fraude.

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UM ACÓRDÃO MEMORÁVEL

A 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região mostrou que ainda há juízes em Berlim, digo,  no Rio de Janeiro. Por unanimidade, decidiu anular o julgamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que impusera uma multa de R$ 504 milhões a 4 instituições e a 13 investidores do mercado financeiro, determinando à autarquia federal que produza as provas requeridas pela defesa de Olimpio Uchoa Viana, um dos adquirentes da carteira imobiliária do RioPrevidência, vendida em leilão público em 2005.

Os desembargadores federais José Antonio Neiva (presidente e relator), Luis Paulo Araújo e Reis Friede entenderam que nos autos não havia qualquer prova da existência de prejuízo causado ao Estado do Rio de Janeiro e à RioPrevidência, conforme denunciou a CVM na peça de acusação que deu origem à multa. Tanto assim, que ordenaram à autarquia que seja feita uma perícia para comprovar se houve ou não o alegado prejuízo.

Esta era a segunda maior já aplicada na história da CVM, que só perde para a determinada ao Banco Santos, da ordem de 600 milhões. Trata-se de julgamento inédito, uma vez que, nos 35 anos de existência da CVM, jamais qualquer decisão da autarquia foi anulada pelo Poder Judiciário.

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PS – Por incrível que pareça, a imprensa não acompanhou o eletrizante julgamento, embora envolvesse a nada desprezível soma de meio bilhão de reis. O autor dessas mal traçadas linhas foi o único jornalista presente ao ato.

Presidente eleito do Egito quer reatar relações com o Irã e rever acordo com Israel

Carlos Newton

A Irmandade Muçulmana se prepara para assumir o poder no Egito e pretende uma mudança expresiva nas relações internacionais. O presidente-eleito Mohammed Mursi disse em entrevista publicada no Irã que deseja restabelecer as relações entre os dois países, de modo a criar um “equilíbrio” estratégico na região.

Outro tema polêmico e explosivo é que, ao contrário do que Mursi disse pela TV após ser declarado vencedor, a agência iraniana Fars afirmou ter ouvido do novo presidente egípcio que o acordo de paz de 1979 entre Israel e Egito “será revisto”. O acordo é um dos pilares da política dos EUA no Oriente Médio, e foi firmemente preservado por Mubarak apesar da sua impopularidade entre os egípcios. Mubarak também perseguia politicamente a Irmandade Muçulmana.

As declarações do presidente eleito com certeza preocupam os Estados Unidos e seus aliados ocidentais, que tentam isolar o Teerã usando como pretexto o programa nuclear da República Islâmica.

Egito e Irã romperam relações há mais de 30 anos, mas vêm demonstrando um desejo de reaproximação desde a revolução que depôs o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak, no ano passado. “Devemos restaurar relações normais com o Irã com base em interesses partilhados, e ampliar as áreas de coordenação política e cooperação econômica, porque isso irá criar um equilíbrio de pressão na região”, disse Mursi na transcrição da entrevista à agência iraniana Fars.

Segundo a agência, a entrevista foi realizada horas antes da oficialização da vitória eleitoral do candidato da Irmandade Muçulmana, no domingo.

Depois do anúncio de que Mursi havia derrotado o ex-brigadeiro Ahmed Shafik, último premier de Mubarak, o Irã cumprimentou o Egito pela “esplêndida visão de democracia” que marcou a fase final do “despertar islâmico” do país. Já o Ocidente, Israel e países árabes do Golfo Pérsico reagiram com cautela ao resultado, saudando o processo democrático que levou à eleição de Mursi, mas salientando que a estabilidade no Egito é a maior prioridade.

Resta saber como vão reagir as forças armadas do Egito, que há décadas são sustentadas financeiramente pelos Estados Unidos, sempre obedeceram as orientações de Washigton, especialmente no tocante ao estabelecimento de uma política de não-agressão a Israel.

Algumas considerações sobre o assassinato de PC Farias

Francisco Vieira

Acerca do assassinato de PC Farias, lembremos que a perícia de local é feita pelo perito criminal e não pelo médico legista, pois enquanto este último examina apenas o corpo, o primeiro faz o exame perinecroscópico no corpo e o exame completo no local mediato e imediato.

O fato de um cadáver apresentar as marcas de enforcamento no pescoço ou uma marca de tiro encostado no ouvido não quer dizer absolutamente nada! Somente com a soma dos vestígios encontrados no cadáver e no local será possível alguém dizer que se trata de homicídio ou de suicídio! O resto é CSI.

Esse negócio do médico examinar apenas o corpo e diagnosticar suicídio ou homicídio é coisa para telejornal. Tem mariposa que não suporta ver uma luz acesa!

Outro ponto a dar razão para os argumentos do Fernando Pawlow é que na época do crime foi mostrado um sítio onde a Susana, após comprar a arma, treinou tiro em um coqueiro. Na árvore era possível ver as marcas das balas. Será que ela compraria uma arma, treinaria pontaria a pedido dos seguranças e depois daria a arma para estes?

Outra coisa: sempre que um crime comum acontece com pessoas importantes, pensa-se logo em alguma “teoria conspiratória”. Elas acham que, por serem importantes, estão imunes aos crimes que acontecem com os simples mortais; afinal, assaltos, suicídios, chifres, acidentes de trânsito, problemas conjugais ou homicídios são coisas da periferia! Coisas para pessoas comuns e não para aquelas que ostentam o “pronome de tratamento” Doutor – mesmo que nunca tenham feito um doutorado na vida…

Lembro-me de dois fatos semelhantes, divulgados pela imprensa de Brasília. Em um deles, um repórter de um jornal local estava em uma cidade da periferia do Distrito Federal quando tomou um tiro. Foi um deus nos acuda! Já que o autor não levou qualquer objeto da vítima, todos pregavam atentado contra a liberdade de imprensa ou arte do “crime organizado” que o repórter investigava. Rendeu páginas da imprensa escrita e horas da imprensa televisionada! Até o ministro da justiça da época deu entrevista, condenando o ato e prometendo rigorosa apuração!

Quando o bandido foi preso, disse que iria cometer “apenas” um assalto e que atirou na vítima porque ela, supostamente, reagira; indagado o porquê de não ter levado nada, ele simplesmente disse que sabia que “a pena para o crime de latrocínio era maior do que para o crime de homicídio”, por isso saiu sem levar valores para não caracterizar o latrocínio!

Em outro caso de repercussão nacional, um cidadão (me desculpem, mas não me lembro do nome dele), defensor dos direitos dos indígenas e de outros “movimentos sociais”, foi morto enquanto sacava dinheiro em um banco. Imediatamente a mídia ligou a sua morte às atividades em defesa de minoria e que os criminosos estariam ligados aos pecuaristas, desmatadores ou outros grupos prejudicados pela atuação desse senhor. Mais uma vez as autoridades tripudiaram sobre essa morte, prometendo o mundo e o fundo!

Quando a polícia prendeu o assassino, constatou que se tratava, apenas, de um assalto praticado por um menor, frustrando boa parte da imprensa, sedenta por divulgar um “conluio” e maior repercussão!

Em minha opinião existe apenas uma coisa que coloca o trabalho da perícia sob suspeita: o fato das autoridades terem levado pessoas alheias ao plantão daquela noite para fuçarem na elaboração do laudo. Ora, se os peritos criminais da capital eram incompetentes para realizar uma simples perícia de homicídio seguido de suicídio então porque estavam trabalhando naquela noite? Deveriam voltar para a academia!

Ficou a impressão que foram escolhidas pessoas “de confiança” para darem palpites no laudo final, já que os plantonistas, mero trabalhadores, com certeza não tinham vínculos políticos com ninguém e para eles a ocorrência daquela noite não passava de mais uma entre as dezenas que acontecem em uma das cidades mais violentas do mundo!

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PS: Os peritos do local, uma vez realizados os trabalhos e coletados os vestígios julgados necessários à elaboração do laudo, têm toda a liberdade de liberar o local para limpeza na hora que acharem melhor. Aliás, como sempre fizeram nas dezenas de plantões tirados ao longo do ano.

Fome, apenas uma questão política

Paulo Peres

Segundo a FAO, a safra 2011/2012 deverá fechar com mais um recorde de produção de cereais, ou seja, 2,325 bilhões de toneladas métricas, que se dividindo pela população mundial e por 365 dias do ano haveria uma disponibilidade técnica de 930 gramas para cada terráqueo. Em termos dietéticos, isto é mais que necessário para alimentar a todos. Estes números são somente de cereais. Se somarmos outros itens da dieta humana (legumes, frutas, carnes, peixes etc), então dá para se empanturrar. Todavia, uma em cada sete pessoas passa fome.

Diante destes números, o economista e professor, Sergio Sebold, questiona o seguinte: Por que tanta fome pelo mundo? Será que a diferença fica por conta do “gato que comeu”, usando nossa gíria popular?

A resposta é sim, há um gato que comeu e continua comendo, afirma o economista. “Sinistramente, há um grande interesse político que assim o seja. Há uma certa analogia com o ‘exército de desempregados’ de Marx, uma manobra do modelo capitalista, para manter salário baixos e com isto maiores lucros. Pela lei do mercado, um exército de famintos também levanta preços”, diz ele.

Na verdade, homem com fome, assim como o homem analfabeto, fica com o seu espírito critico limitado, adverte Celso Sebold. Não há tempo para quem passa fome, pensar mais em outra coisa a não ser como conseguir a comida para as próximas seis horas. Assim, para manter um nível de preço que seja condizente com os custos da indústria do agronegócio, é “necessário” que haja fome.”Quem se beneficia com a fome são os especuladores do mercado alimentício. Fora os desvios para o mercado de bicombustíveis, os alimentos básicos transformaram-se em objeto de especulação e manobra política, cujos preços aumentaram 35% de 2010 para cá”.

Por outro lado, uma parcela da população de renda elevada acaba consumindo além das suas necessidades básicas. A ansiedade pela sobrevivência gerada pela insegurança leva as pessoas a armazenarem maior quantidade de comida tanto em espécie, como através da comilança até onde alcança seus limites físicos, explica Sebold. “Assim, vemos dois limites catastróficos, uns morrendo por doenças ligadas ao excesso de obesidade, outros morrendo de insuficiência alimentar. Neste último caso, sinistramente as crianças são as maiores vítimas. A elevação dos preços agrícolas ocorrida na primeira crise (2007/2008) empurrou mais 100 milhões de terráqueos para o contingente da fome e da miséria, e na alta de 2010/2011 mais 40 milhões”.

No terreno político, salienta o professor, “voz dos famintos não conta, se é que têm voz, nas grandes resoluções. Uma imensa maioria das famílias mora no campo, por consequência vivem da agricultura familiar onde não têm seus interesses representados nas instituições econômicas multilaterais, mesmo neste mundo globalizado. Eles não têm lobby. A preocupação política está sempre por conta da produção industrial, do crescimento do PIB, dos índices da bolsa de valores. Depois disto vamos nos preocupar com a fome, dizem eles. Só que esquecem: povo morto de fome não gera PIB”.

Se politicamente os países ricos ou desenvolvidos fizerem doações generosas (não empréstimos), eles ativarão a economia global. Em outros termos, abrir mão da comilança é num primeiro momento reduzir o lucro das multinacionais. Mas a médio prazo todos ganharão. O Brasil, através de uma distribuição de renda na forma de bolsas família, gerou uma dinâmica interna de mercado sem precedentes na história. Mas, em termos orçamentários, é uma “titica”.

Sinistramente, o sistema capitalista, como concebido, somente sobreviverá pela diferença de mercado entre a oferta e a procura, que no final será a morte de milhões pela fome para que outros sobrevivam, ressalta Celso Sebold. “Por ironia do destino, a única saída para salvar a economia do desastre será pela solidariedade e não pela ganância de uma minoria privilegiada. Isto só é possível pela ação política”, recomenda o economista.

Jornal britânico denuncia como Arábia Saudita e Qatar dão armas e financiam rebeldes e mercenários na Síria

Carlos Newton

O jornalista Valter Xeu, do site Pátria Latina, nos envia reportagem do jornal britânico The Guardian, escrita por Martin Chulov (Beirute), Ewen Mac Askill (Washington) e John Densky (província de Idlib, na Síria),  denunciando que a Arábia Saudita está assumindo o pagamento dos salários dos membros do “Exército Livre de Síria”, para aumentar a pressão militar ao regime de Assad.

A medida, que vinha sido debatida entre Riad e dirigentes do mundo árabe e dos EUA, foi adotada depois que os membros do governo saudita perceberam que toda vez que seu país e o Qatar fazem remessas de armas enviadas às forças rebeldes, através da fronteira Sul da Turquia, o impacto é muito positivo nos campos de batalha na Síria.

A reportagem mostra que a Turquia também permitiu o estabelecimento de um centro de comando em Istambul, que está coordenando as atividades em conjunto com os líderes rebeldes no interior da Siria. Acredita-se que esse centro esteja composto por no máximo 22 pessoas, a maioria, cidadãos sírios.

O repórter John Densky, do The Guardian, foi testemunha da transferência de armas aos rebeldes no princípio de junho, próximo à fronteira turca. Cinco homens vestidos ao estilo dos árabes do Golfo chegaram a um povoado fronteriço a Altima, na Síria, e entregaram 50 caixas de fuzis e munições, assim como uma grande carga de medicamentos, que trouxeram da cidade turca de Reyhanli.

Esses homens foram tratados com deferência pelos líderes rebeldes locais, e o fluxo de armas, segundo The Guardian, revitalizou a insurreição no norte da Síria. Nesse contexto, o pagamento dos salários dos guerrilheiros é visto como uma oportunidade para renovar a confiança da guerrilha e também para incentivar deserções nas forças armadas sírias. Como se sabe, o valor da libra síria se reduziu drasticamente desde que começou a revolta contra o regime de Assad há 16 meses, causando a uma dramática queda do poder aquisitivo da população. Assim, o plano saudita é pagar os salários dos guerrilheiros e mercenários em dólares ou euros, fazendo com que o valor dos soldos, na prática, seja maior do que antes.

free syria army
Rebeldes e mercenários sírios (reprodução de foto da Ag. AFP-Getty)

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EUA APOIAM O PAGAMENTO

O senador americano Joe Lieberman, que apoia ativamente a oposição siria, examinou a questão dos soldos durante recente viagem ao Líbano e à Arabia Saudita. Seu portavoz, Whitney Phillips, revelou: “O senador Lieberman pediu que os Estados Unidos proporcionem um amplo e robusto suporte à oposição armada siria, em coordenação com nossos sócios no Oriente Medio e Europa. Conclamou especificamente aos Estados Unidos a trabalharem com nossos sócios para proporcionar armas, treinamento, inteligência táctica, comunicações seguras e outras formas de apoio à oposição armada síria, para mudar o equilíbrio do poder militar dentro da Síria”. E acrescentou:

“O senador Lieberman também apoia a idea de garantir que os combatentes armados recebam um salário regular e suficiente, apesar de não crer que seja necessário que os Estados Unidos proporcionem diretamente este financiamento”.

A reportagem do The Guardian cita também que na semana pasada o The New York Times informou que a CIA estava operando no sul da Turquia, ajudando a decidir quais seriam os aliados combatentes da oposição que receberiam as armas.

Portanto, não é preciso dizer mais nada. Vamos parar por aqui.

Algumas imprevisíveis alianças políticas

Humberto Braga

1) Churchill, o mais encarniçado anticomunista britânico, aliou-se a Stalin contra a Alemanha Nazista (1941).

2) Nixon, o mais inflamado anticomunista americano (depois de McCarthy), foi a Pequim para aliar-se ao hipercomunista Mao Tse Tung, contra a URSS (1973).

3) Trotsky aliou-se ao seu figadal inimigo Zinoviev, contra Stalin (1926).

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NO BRASIL

1) Na Revolução de 1923, no Rio Grande do Sul, o “picapau” Flores da Cunha e o “maragato” Batista Luzardo se acusaram mutuamente de assassino e estiveram prestes a bater-se em duelo de morte. Em 1930, eles se aliaram contra o governo de Washington Luiz.

2) O ex-presidente Arthur Bernardes, em 1930, se aliou aos tenentes que anos antes tentaram derrubá-lo, (Juarez Távora, João Alberto, Eduardo Gomes, Cordeiro de Farias) contra o governo de Washington Luiz.

3) Em janeiro de 1947, Adhemar de Barros elegeu-se governador de São Paulo, com o apoio de Luiz Carlos Prestes, em oposição ao presidente Dutra.

4) Em julho do mesmo ano, na campanha para vice-governador de São Paulo, Vargas e Prestes se aliaram contra Adhemar e Barros, aliado do presidente Dutra. Em 1936, o governo de Vargas entregou a mulher de Prestes ao governo alemão.

5) Em 1950, Vargas e Adhemar se aliaram na campanha presidencial, em oposição ao presidente Dutra.

6) Otavio Mangabeira e Juracy Magalhães, que pareciam inimigos inconciliáveis (política baiana) se aliaram contra Vargas, em 1945.

7) Em 1945, Carlos Lacerda denunciou Etelvino Lins, interventor federal em Pernambuco, como assassino. Em 1955, quis lançá-lo candidato à presidência da República.

8) Carlos Lacerda, durante anos, chamou Juscelino e Jango de corruptos. Em 1967, foi a Lisboa confraternizar com o primeiro e depois a Montevidéu confraternizar com o segundo, para oposição ao governo Costa e Silva.

9) Em 1984, Tancredo e Ulysses se aliaram a Sarney e a Antonio Carlos Magalhães – ardorosos defensores do regime militar – contra a candidatura de Maluf.

10) Enfim, Lula se alia a Maluf.

 

Os versos de Florbela Espanca

Como dizia o grande Rubem Braga, a poesia é necessária. Hoje, vamos postar um soneto da poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894/1930).

Florbela Espanca

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OS MEUS VERSOS

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…

Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…

Florbela Espanca, in “A Mensageira das Violetas”

Os obstáculos do Corinthians serão o Boca e a pressão emocional de ganhar o título pela primeira vez.

Tostão (O Tempo, de BH)

Corinthians e Boca Juniors estão no mesmo nível técnico. O Corinthians vai adotar a marcação mais à frente, como algumas vezes faz, ou vai marcar mais atrás, com duas linhas de quatro encostadas à grande área, como fez em boa parte dos jogos contra o Santos?

O Boca deve fazer muitos cruzamentos para a área. Para isso, o Corinthians tem um goleiro muito alto e muito bom. Cássio me passa a impressão de que será um goleiro excepcional. Ou já é? Não sei. Temos de vê-lo mais vezes.

Com a queda técnica de Julio Cesar, o Brasil ficou sem um grande goleiro, como foram, recentemente, Marcos, Rogério Ceni, Dida e o próprio Julio Cesar. Quem sabe será Cássio? Apesar do erro contra o Vasco, Fábio é, hoje, o melhor. Jéferson e Rafael, bons goleiros, preferidos de Mano Menezes, falham mais que o goleiro do Cruzeiro.

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EUROCOPA

Hoje e amanhã, conheceremos os finalistas da Eurocopa. Durante a Copa de 2010, diziam, como agora, que a Alemanha era a melhor equipe e que a Espanha trocava passes em excesso, sem objetividade. No sábado, contra a França, na Copa, diante da Alemanha e contra a maioria dos adversários, a Espanha, pelo estilo e por ter os melhores armadores do mundo, ficou com a bola, deixou os rivais longe de sua área e ganhou, várias vezes por 1 a 0. Evidentemente, se a Espanha tivesse um ótimo atacante, seria mais forte.

É muito bom ver a Itália com nova postura. O time troca muitos passes e chega à frente com vários jogadores. Só não entendo o cartaz que dão a Balotelli, como se ele fosse, além de fanfarrão e exibicionista, um craque. É um bom jogador. De vez em quando, faz belos gols. Craque é Pirlo, com seus excepcionais passes.

Enquanto isso, continuam, no Brasil, a correria, os chutões e os passes longos e errados. As razões não são apenas falta de qualidade técnica ou de treinar passes. Acontece, principalmente, porque os jogadores se acostumaram, desde as categorias de base, a ter pressa para chegar ao gol, como se isso fosse moderno. Sem passe, não existe futebol coletivo, apenas espasmos individuais.

Ainda bem que poderei ver, na íntegra, o jogo da Libertadores e os outros dois pela Eurocopa, sem ficar curioso para saber os detalhes de outra partida simultânea. A turma especializada nos melhores momentos, que assiste a três jogos ao mesmo tempo e que olha mais para o computador do que para o jogo, para twittar e buscar informações, deve me achar esquisito, perdido no tempo e no espaço.

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LÍDER E VICE

Contra o Vasco, Celso Roth armou bem novamente a equipe, bloqueando avanços dos laterais e aproveitando o contra-ataque. Wellington Paulista fez mais um belo gol, Montillo brilhou intensamente, e Léo jogou bem de lateral, melhor que Diego Renan. O jornaleiro de quem compro meus jornais, que entende de futebol, como a maioria da torcida do Cruzeiro, disse que é preciso, com urgência, arrumar um zagueiro e um volante para os lugares de Mateus e Charles.

Para discordar da maioria, acho que Ronaldinho tem jogado menos do que no Flamengo. Mais uma vez, fez seu tradicional gol de pênalti, bateu bons escanteios e deu bons passes. É pouco para o que ele foi, mas é muito mais do que os outros jogadores que o Atlético tem para a posição podem fazer.

Não satisfeito com a aliança com Maluf, o PT agora libera coalizões com PSDB, DEM e PPS. Você sabia?

Carlos Newton

Se causou estranheza e asco a súbita aliança entre o ex-presidente Lula e seu ex-inimigo Paulo Maluf, o que dizer das novas alianças que o PT pretende fazer com PSDB, PPS e DEM, nas eleições municipais de 7 de outubro?

A imprensa não noticiou, mas segunda-feira o Diretório Nacional do PT aprovou a “Resolução sobre a Política de Alianças”, para possibilitar o fechamento de coligações eleitorais com os três partidos oposicionistas, contrariando expressa determinação do IV Congresso Nacional do partido, realizado em setembro de 2011.

Como recordar é viver, vamos então conferir o que fora decidido nessa importante encontro do partido: “Como já foi dito, mas vale enfatizar, nosso objetivo é ampliar fortemente a presença do PT e seus aliados no comando dos municípios brasileiros e nas Câmaras de Vereadores(as), especialmente as capitais e as cidades com mais de 150 mil eleitores. Nossos adversários serão as agremiações que representam o bloco conservador, formado pelo PSDB, pelo DEM e o PPS, com os quais não faremos chapas”.

Onde está escrito “com os quais não faremos chapas”, leia-se agora “faremos chapas”, mostrando a que ponto chegou a política rasteira praticada no país. E para quem pensa que isso é alguma novidade, basta lembrar que, antes mesmo desta resolução do Diretório, o PT já costumava fazer coligações com o PSDB, como ocorreu no Acre no governo Jorge Viana e está ocorrendo agora na campanha para eleição do prefeito de Belo Horizonte, onde PT e PSDB caminham juntos, apoiando o candidato Marcio Lacerda, do PSB.

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JUSTIFICATIVA (?)

É muito interessante a justificativa do PT para fazer alianças com os partidos de oposição. A resolução do Diretório Nacional alega “a dinâmica de relações municipais da estrutura partidária brasileira, na qual as alianças nacionais não se refletem, de forma homogênea, nos processos estaduais e municipais”.

Diz também que há “necessidade de potencializar diversas candidaturas petistas com chances reais de vitória e que podem ampliar suas alianças fora da base do governo federal”, acrescentando que “a direção do Partido precisa ter opções táticas para dar conta desse enfrentamento político das eleições municipais”.

Portanto, em matéria de desfaçatez, o PT realmente vem extrapolando. O resultado é que um político desqualificado e ladrão como Paulo Maluf até se vê no direito de ridicularizar o partido que hoje exerce no Poder. Maluf diz que está à esquerda do PT e é mais comunista do que o Lula, e a gente tem de engolir.

Dos Juristas aos Jurilas

Carlos Chagas

Quarenta e oito anos depois, sobrou o quê, do movimento militar de 1964? Para começo de conversa, cobranças, mesmo com o tempo fazendo a poeira assentar. Cobranças de parte a parte.

De um lado, existem os que continuam criticando, protestando e apresentando a conta. São os que, de uma forma ou de outra, viram-se atingidos pela truculência do regime. Não apenas os torturados, exilados, censurados, demitidos e marginalizados. Ou seus familiares, se eles não estão mais entre nós.

Muitas instituições também tem o que cobrar. A imprensa, por exemplo, obrigada a omitir tudo o que prejudicava os donos do poder. Sem esquecer que a maior parte dos veículos de comunicação da época esmerava-se em divulgar aquilo que agradava os poderosos. Temendo represálias ou programando benesses, acomodaram-se quase todos os barões da mídia e muitos de seus acólitos. Seria menos ridículo que, hoje, certos falsos heróis de uma resistência inexistente ficassem calados ao invés de tentarem faturar aquilo que não praticaram.

De um modo geral, porém, a imprensa sofreu e involuiu. Jamais as tiragens dos jornais ficaram tão reduzidas, proporcionalmente ao número de leitores. “Comprar jornal para quê?” – insurgia-se o cidadão comum, se era para ler elogios ao falso milagre brasileiro ou, em contrapartida, versos de Camões ou receitas culinárias. Com a televisão e o rádio, perseguidos até no roteiro de suas novelas, pior ainda. Transmitiam a impressão de vivermos num outro mundo.

Massacrados da mesma forma foram os advogados. O regime confundia o sagrado dever de defender o semelhante com a integração obrigatória do defensor nas práticas do réu. Um monumento deveria ser erigido ao Advogado Desconhecido, mesmo a gente conhecendo o nome da maioria desses abnegados bacharéis que honraram a profissão. E sofreram por isso.

Sofreu também o Poder Judiciário, atingido em seus tradicionais predicamentos constitucionais de vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos. Ministros dos tribunais superiores e simples juízes de primeira instância, intimidados, acomodados ou dispostos à resistência, assistiram desmanchar-se a estrutura fundamental da democracia, erodida por absurdos como o de que os atos revolucionários seriam insusceptíveis de apreciação judiciária. É claro que também pontificaram os “jurilas” de todas as ditaduras, misto de juristas e de gorilas tão a gosto do regime. Reconheça-se o papel altivo do Superior Tribunal Militar, que num sem-número de ocasiões desfazia aquilo que nas instâncias inferiores a voracidade da exceção buscava transformar em regra.

Os políticos, da mesma forma, perderam o que lhes restava de credibilidade junto à opinião pública. A sombra das cassações de mandatos e das suspensões de direitos políticos só não agredia tanto a prática parlamentar quanto os ucasses que transformaram o Congresso em apêndice desimportante do Executivo. Atos institucionais, atos complementares, decretos-leis, casuísmos, fechamentos e recessos parlamentares fizeram com que a atividade política e eleitoral se transformasse em objeto de chacota nacional. Num determinado momento, para sepultar laivos de independência, os militares dissolveram os partidos, criando o bipartidarismo obrigatório.

Para continuar na política seria pertencer ao partido do “sim”, a Arena, ou ao partido do “sim senhor”, o MDB, mais tarde inflado pela indignação, transformando-se num dos principais aríetes responsáveis pelo fim da ditadura. Para cada dr. Ulysses ou para cada “autêntico” que se insurgia, centenas de desfigurados marionetes candidatavam-se a se ajoelhar no altar da exceção. (Continua amanhã)

E os empregados do Pão de Açúcar, Casas Bahia e do Ponto Frio?

Pedro do Coutto

O correspondente do jornal O Estado de São Paulo em Paris, Andrei Netto, traçou um roteiro excelente, no plano econômico, e dele extraiu entrevista de página inteira com o empresário Jean Charles Naouri, presidente do gigante Casino, que assumiu esta semana o comando do Supermercado Pão de Açúcar, das Casas Bahia, do Ponto Frio. As fotos foram de Márcio Fernandes e Marcos de Paula. A matéria foi publicada na edição de segunda-feira 25.

Jean Charles Naouri, argelino de nascimento, naturalizado francês, que está agora empenhado em assumir o controle da tradicional Galeria Lafayette, em Paris, e luta paralelamente pelo supermercado Monoprix, outro grande do setor, foi, me parece, bastante franco, até sobre o lado financeiro do Casino no Brasil. Tanto assim que descartou, de modo absoluto, qualquer acordo com o adversário o Carrefour,ou mesmo intenção de adquiri-lo. E deixou nítida a estratégia que vai adotar à frente do conglomerado a partir de agora.

Mas teria sido importante – o que não aconteceu ao longo da entrevista – uma referência clara e direta quanto à posição dos empregados do GPA, das Casas Bahia e do Ponto Frio. Só as Casas Bahia possuem 56 mil empregados. O Ponto Frio tem menos. Porém o Pão de Açúcar tem mais, especialmente em São Paulo, onde é fortíssimo. Acredito assim que Pão de Açúcar. Casas Bahia e Ponto Frio atinjam, em conjunto, em torno de 150 mil funcionários. Incluindo suas famílias, tal soma envolve pelo menos isso. Teria sido importante se Neouri tivesse se dirigido a essa massa humana com uma mensagem social positiva e tranqüilizadora. Talvez venha a fazê-lo em breve. Vamos ver.

A oportunidade continua em aberto. Sobretudo porque Jean Charles afirmou não desejar entendimento com a família Klein (Casas Bahia) tampouco com a Sra. Lilly Safra (Ponto Frio). Com esta, inclusive, a falta de sintonia deslocou-se, disse ele, para a esfera judicial. Quanto a Abílio Diniz, o presidente do Casino informou ter oferecido ao empresário brasileiro permanecer na presidência do Conselho de Administração do GPA. Mas não sei – acrescentou – se ele vai aceitar. Assinalou também que Casas Bahia e Ponto Frio pertencem a Viavarejo, liderada pelo Pão de Açúcar. Não tenho nenhuma intenção de vender a Viavarejo, afirmou Naouri.

Mas em me referi à questão do emprego porque num dos pontos da entrevista a Andrei Netto, Jean Charles revelou uma estratégia diversa as que vinha sendo adotada pelo Pão de Açúcar e, antes dele, pelas Casas Sendas.

Trata-se da criação de hipermercados. O homem que comanda o Casino disse claramente que os hipermercados funcionam plenamente em áreas de renda menor. E não funcionam bem nas áreas de renda mais alta. Nestas áreas, defendeu a estratégia que ele chama de “proximité”, proximidade entre os pontos de venda e os consumidores. Algo assim, me parece, com a política de colocar unidades leves próximas umas das outras, como procedeu, no Rio, o supermercado Zona Sul.

Se Jean Charles adotar este sistema é porque pretende reduzir as lojas de maior porte e investir nas de médio e pequeno porte. Como ficam os empregados? – razão do título deste artigo. E os do Ponto Frio, cujo relacionamento é ainda complicado? E a posição das Casas Bahia no mercado publicitário brasileiro? As Casas Bahia, que despenderam mais de 1 bilhão e 200 milhões em 2011, maior anunciante do país, como vai passar a proceder? Só Jean Charles Naouri pode desvendar o futuro nesta altura dos acontecimentos. A exemplo da canção popular, como será o amanhã? Responda se puder.

A crença de Jorge Amado

Sebastião Nery

Jorge Amado, deputado comunista na Constituinte de 45, por São Paulo, deixou sua marca de libertário, democrata, popular e filho de santo baiano, como autor do item VI do art. 5 da Constituição:

- “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livro exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.

Apesar da garantia da Constituição, a perseguição religiosa, no Brasil, durou muito tempo. Só a Igreja Católica tinha realmente liberdade. Os protestantes, hoje evangélicos, sofriam pressões em toda parte. Os espíritas também. E o candomblé, até mesmo na Bahia e no Maranhão, era implacavelmente discriminado, perseguido, chantageado.

Na Bahia, a polícia invadia sistematicamente os terreiros para extorquir dinheiro ou bater, prender. Eleito deputado baiano em 62, Jorge Amado me sugeriu e apresentei, com a autoridade de católico e oito anos de seminário, um projeto, baseado no artigo dele na Constituição, proibindo a polícia de entrar em terreiros sem ordem judicial, como não entrava nas igrejas e templos.

Quando os levava a algum candomblé, amigos do sul não entendiam o carinho da velha Menininha do Gantois e outras mães de santo comigo. É que nunca mais a polícia baiana chantageou, extorquiu ou invadiu terreiro nenhum.

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BEIJO NA BOCA

Luís de Oliveira, orador popular nas lutas políticas da Aliança Liberal, na revolução de 30, aliado e liderado de José Américo de Almeida na Paraíba, elegeu-se vereador de João Pessoa. Era o tribuno do povo.

Um dia, os jornais começaram uma campanha contra beijo na boca em público. Diziam que aquilo era “degradação que vinha do Rio, contaminado por idéias estranhas aos puros sentimentos do povo brasileiro e que não podia ser consentida pela virtuosa família paraibana” (editorial do jornal “A União”).

Logo apareceu, na Câmara Municipal, um projeto mandando prender quem desse beijo na boca em público. O bispo mandou chamar Luís Oliveira:

- Vereador, o senhor é o maior votado, o mais popular e o representante da juventude na Câmara. Precisa dar o exemplo, nos ajudar. Queremos seu voto.

- Senhor bispo, me perdoe, mas não posso. Sou um cristão, um católico e sei que o beijo na boca em público é um atentado à moral. Mas sou um democrata e não posso ficar contra um movimento popular vitorioso.

O projeto foi aprovado. Mas o democrata Luís Oliveira votou contra.