Arquivos por mês: maio 2012

O escândalo da paralisação da construção das usinas nucleares versus o escândalo da corrupção

Profa. Guilhermina Coimbra

Importante sem dúvida é atacar a corrupção, em todos os seus níveis governamentais. Porém, há que se ter em mente que os grandes escândalos no Brasil e na política de modo geral, sempre tiveram e continuam tendo o objetivo de distrair a atenção para escândalos bem maiores.

Costumam desviar a atenção, por exemplo, de escândalos bem maiores, como negociatas com bens públicos inegociáveis. Os escândalos até podem ser utilizados para esconder, outro exemplo, objetivos de paralisar o desenvolvimento do Brasil.

Os jornais noticiam que o governo declara que não vai mais construir as usinas nucleares programadas. Vale dizer:

* O governo capitulou e concordou em não concorrer no Mercado Internacional da Energia Nuclear;

* O governo – através dos escândalos da corrupção,contando com a distração e o que pensa ser a ignorância da população brasileira – concordou em deixar os concorrentes acabarem de se locupletar, como vêm se locupletando há anos (através dos consórcios que distribuem a matéria-prima in natura nuclear retirada do subsolo do Brasil, como “cliente preferencial”;

* O governo concordou em, posteriormente, vir a comprar tecnologia pelo Brasil, quando a necessidade obrigar o paísl a construir as usinas que estão programadas há mais de 30 anos;

* E o governo ¨deixou-se convencer” e concordou em comprar tecnologia dispendiosa e inaceitável para um país como o Brasil (eólica, solar) como forma de energizar o Brasil.

São vergonhosos os “argumentos de autoridade” expostos nos jornais.
Deixam tantas desconfianças que dá até para indagar: quem está ganhando ou vai ganhar o quê, quanto e de quem – “para argumentar autoritariamente” com os argumentos falaciosos utilizados.

Como se estivessem “argumentando autoritariamente” para uma massa acéfala. Como se o Brasil fosse uma massa de ignorantes. Como se pudessem desprezar, impunemente, a inteligência, a sagacidade – e a percepção da população brasileira.

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NÃO HÁ O QUE TEMER

Daí, porque, contra-argumentamos: 1) não há por que temer as usinas nucleares, que são milhares nos Estados desenvolvidos, movidas pela matéria-prima nuclear brasileira transformada, em combustível, fora do Brasil; 2) Chernobill é usina ultrapassada, retrógrada, não serve de exemplo, porque os seus reatores são RBMK (reatores enormes/765 m³, extremamente difíceis de serem controlados, porque têm dispositivo de chegada lenta de urgência, não têm controle de refrigeração, o moderador é á grafite, portanto, sujeito á combustão, etc., etc., completamente diferentes dos reatores utilizados nas usinas brasileiras). Desde o primeiro “acidente” que os reatores são os mesmos.

Em 1984, no livro “Urânio Enriquecido: O Combustível do Século” e na tese/mestrado/PUC-RJ sobre o “O Direito e o Desenvolvimento, O Direito Niclear”, está didática e muito bem explicadinha a diferença entre os dois reatores, provando que se ocorreu mesmo o “acidente”, aquilo foi forjado, “marketing” da poderosa indústria nuclear, aproveitando-se de que os reatores eram obsoletos e objetivando dissuadir, pelo terror, eventuais concorrentes.

Para entender as diferenças entre as usinas nucleares da Usina de Fukushima, Japão e as usinas brasileiras, ler no site www.ibin.com.br, fazendo ”download” (ou ler os anexos).

Observem bem os “argumentos de autoridade” com que justificam o fato de terem acordado/concordado em deixar de utilizar a energia nuclear através da necessária construção das usinas nucleares (sabendo que a energia nuclear é a mais econômica, a menos poluente etc. – o Protocolo de Kioto afirma isto, não somos nós, não!

A questão não é de “achismo”, nem de opiniões despidas de cientificidade e de argumentos lógicos. As usinas nucleares são portáteis, podem ser construídas no Nordeste e em qualquer lugar onde forem necessárias, sem dessapossar, sem desalojar populações, sem inundar imensas áreas – e sem prejudicar o meio-ambiente!

Enfim, o governo do Brasil está jogando no lixo a inteligência e a experiência dos técnicos brasileiros, menosprezando as necessidades do Brasil. Está entregando a matéria-prima nuclear por desuso.

O potencial de matéria-prima nuclear – a ser transformado em combustível nuclear – é uma matéria-prima energética do mais alto valor. O seu potencial tem que ter destinação utilitária urgente para suprir as carências do país, energizando-o, principalmente, no Nordeste – exatamente, como estava programado desde os tempos do vice-presidente Marcos Maciel.

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A HISTÓRIA SE REPETE

Há que se exportar somente o excedente da referida matéria-prima valiosa, depois de supridas todas as usinas nucleares, indispensáveis ao desenvolvimento do Brasil.É a história do que antecedeu a exploração do petróleo no Brasil se repetindo pouco inteligentemente!

É lógico que têm que construir o máximo e onde puderem ser construídas, as usinas hidroelétricas. Há que se aproveitar o potencial hídrico do país, expulsando e “botando para correr”, as ONGs sabotadoras, desinformadoras da opinião pública brasileira.

O que não pode ocorrer de modo algum – por ser contrário ás razões científicas e da lógica – é comprar tecnologia dispendiosa com o erário público, priorizando as usinas eólicas e as solares (o Brasil é urbano, só tem edifícios, não têm telhados, e a população brasileira não pode ficar á mercê das intempéries, tipo, se tiver vento, ou, se tiver sol – vamos ter energia.
Ridículos, portanto, os raciocínios expostos pelo governo!

Finalmente, “por amor a arte” e como professora-pesquisadora, formadora de opinião, tenho tentado fazer o meu melhor, rechaçando todos os argumentos falsos, falaciosos, vendidos com a intenção de paralisar o desenvolvimento do Brasil, impedindo-o de dar destino útil aos seus minerais energéticos nucleares.
A percepção brasileira e o Brasil merecem e exigem respeito.

coimbra@ibin.com.br

Conheça o relatório do Mensalão, que tem Dirceu como chefe da quadrilha

O sempre atento comentarista Mário Assis, ex-secretário de Administração do governo do Estado do Rio, nos envia a íntegra do relatório do Mensalão do PT, redigido pelo ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal.

Os réus do chamado núcleo central – JOSÉ DIRCEU, JOSÉ GENOÍNO e DELÚBIO SOARES -, segundo a denúncia recebida por este Plenário, teriam sido os responsáveis por organizar a quadrilha voltada para a compra de apoio político, através dos votos dos parlamentares. Eles respondem, nestes autos, à acusação de crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.”

2. Conheça o Relatório completo de 122 páginas.

Cabral continua fugindo da imprensa

Carlos Newton

É triste e patético. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), continua fugindo da imprensa. Hoje de manhã, ele inaugurou a terceira UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Complexo do Alemão, na zona norte, mas ao final do evento, Cabral deixou o palanque às pressas, ao lado do vice-governador Luiz Fernando Pezão, para eswcapar dos jornalistas.

Pezão era o candidato do PMDB para a sucessão de Cabral em 2014. Mas como o vice-governador foi secretário de Obras no primeiro mandato e era ele quem assinava os contratos com a empreiteira Delta, de Fernando Cavendish, ex-concunhado de Cabral, Pezão agora está fora da disputa.

Cabral quer lançar o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e já encomendou pesquisas para saber se ele tem condições de enfrentar o candidato do PT, senador Lindhberg Farias, e o candidato do PRB, Marcelo Crivella.

Dinheiro aplicado em fundos vai migrar para a Bolsa, mercado futuro, derivativos e nova poupança

Carlos Newton

Agora que a poeira está baixando, os cálculos preliminares mostram que cerca de R$ 100 bilhões das economias dos brasileiros, aplicados em fundos de investimento conservadores, vão render menos do que a poupança a partir do próximo dia 30, quando o BC deve reduzir os juros para 8,5% e a caderneta começar a render 5,95% (70% da taxa Selic) ao ano.

A pedido da Folha, o economista Rafael Paschoarelli, professor da USP, fez um estudo revelando que 25,8% dos R$ 387 bilhões aplicados em fundos DI, de renda fixa e de curto prazo oferecidos pelos bancos renderiam mais se estivessem na poupança.

O levantamento trabalha com a TR a zero, cenário mais provável a partir de junho, e desconsidera os fundos fechados e os voltados a investidores profissionais.

Ao todo, são 205 fundos dos 531 dos mais populares que cobram a partir de 1,28% ao ano de taxa de administração – comissão cobrada pelos bancos para cuidar do dinheiro dos clientes.

Com essa taxa, os fundos terão rendimento líquido de 5,83% em um ano, considerando Imposto de Renda de 17,5% (alíquota para resgate em 361 dias). Ou seja, menos do que os 5,95% previstos para a nova poupança.

Segundo Paschoarelli declarou ao repórter Toni Sciarretta, a alíquota de 17,5% do IR é a mais indicada na comparação com a poupança em um ano por ser também usada pelos bancos para recolher o imposto devido.

“Esses fundos devem perder para a poupança. Devem, porque vários deles vão fazer algo para render um pouco mais. Possivelmente, deverão comprar títulos de empresas privadas, que rendem mais, porém também têm risco maior”, disse Paschoarelli.

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O QUE VAI ACONTECER?

Isso não significa que os bilhões vão migrar para a poupança. Parte desses investimentos já está até migrando, desde o mês passado, quando surgiu a informação sobre a alteração no rendimento da caderneta de poupança.

Mas grande parte do dinheiro dos fundos vai ser aplicada em outras alternativas, como mercado futuro, derivativos e sobretudo a Bolsa de Valores. O que se sabe é que os bancos estão sendo duramente atingidos.

Quanto à expansão do crédito, pretendida pelo governo, acabará acontecendo, porque o negócio dos bancos é justamente esse. O que falta hoje são clientes, porque a tal de nova classe média está bastante endividada.

O carioca tem de ir para as ruas cobrar esclarecimentos do governador Sergio Cabral

Altamir Tojal

O governador tem de explicar não só quem bancou as viagens e as farras com empresários e secretários, mas principalmente o que isso significa em aumento nos custos das obras, benefícios a amigos e financiadores em contratos e mesmo fraudes em licitações. Quando uma obra pública fica mais cara devido à corrupção, o efeito é falta de médico e remédio no hospital do pobre, é saúde, escola e serviços ruins para o povo.

A promiscuidade do governador e seus secretários com a Delta e outras empresas e empresários é vergonhosa. Será indigno se o Rio não exigir explicações de Cabral. Com a tradição política e importância que tem, o Rio não pode se omitir nem se intimidar.

O governador também tem a obrigação de responder à sociedade, à opinião pública, através da imprensa. Sérgio Cabral se nega a falar à imprensa sobre este assunto.

O jornal Estado de S. Paulo protocolou na segunda-feira, junto ao governo do Estado do Rio de Janeiro, um pedido de informações sobre as viagens do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) ao exterior.

O objetivo do requerimento, dirigido ao secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, é obter esclarecimentos sobre visitas do governador a outros países e sobre dúvidas que as envolvem.

Essas dúvidas surgiram após a divulgação de fotos e vídeos nos quais Cabral aparece em um restaurante de luxo em Mônaco com o amigo e empresário Fernando Cavendish, controlador da empresa Delta, investigada pela CPI do Cachoeira.

A poesia é necessária, como dizia Rubem Braga

CARTA A STALINGRADO

Carlos Drummond de Andrade

Stalingrado…

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!

O mundo não acabou, pois que entre as ruínas

outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,

e o hálito selvagem da liberdade

dilata os seus peitos, Stalingrado,

seus peitos que estalam e caem,

enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.

Os telegramas de Moscou repetem Homero.

Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo

que nós, na escuridão, ignorávamos.

Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,

na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,

no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,

na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes.

Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.

Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.

Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.

Saber que vigias, Stalingrado,

sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes

dá um enorme alento à alma desesperada

e ao coração que duvida.

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!

As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.

Débeis em face do teu pavoroso poder,

mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,

as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta,

aprendem contigo o gesto de fogo.

Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças!

Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!

Que felicidade brota de tuas casas!

De umas apenas resta a escada cheia de corpos;

de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.

Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas,

todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,

mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,

ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,

apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,

caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,

sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?

Uma criatura que não quer morrer e combate,

contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,

contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,

contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,

e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado!

Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga.

Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.

Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,

a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

[*] Extraído do livro A Rosa do Povo (poemas escritos
entre 1943 e 1945). Rio de Janeiro: Record, 1987

A vitória de Hollande na França e as eleições nos EUA

Roberto Nascimento

O socialista François Hollande venceu a eleição presidencial, menos por seus méritos, e mais pelos erros do presidente Sarkozy.

Nicolas Sarkozy, o marido de Carla Bruni (de origem italiana), cometeu inúmeros erros de estratégia. O primeiro e fatal foi marchar fileiras com a dama de ferro da Alemanha, a chanceler Angela Merkel, no propósito de impor aos países da Comunidade Européia, um amplo pacote de maldades, seguindo fielmente a receita salgada do FMI, com o objetivo resgatar o pagamento da dívida colossal que os países soberanos europeus fizeram ao longo dos anos com a comunidade financeira mundial.

Então, Sarkozy tentou implantar no país encantado o corte de benefícios da chamada política do Bem-Estar Social, o savoir faire dos europeus copiado em todo o mundo ocidental. A redução dos benefícios dos aposentados assustou os franceses, assim como tem provocado a paralisia da Grécia, a qual não por acaso, os dois partidos da coalizão governamental foram derrotados de forma humilhante, no mesmo domingo da derrota de Sarkozy. Até o partido nazista e os da esquerda pontuaram nessa eleição, o que deverá aumentar a ebulição na Grécia.

Mas, voltando à França, Nicolas Sarkozy, à moda de um falcão americano, comandou na primeira hora a linha de frente do ataque sem precedentes das forças da OTAN ao governo da Líbia. A destruição foi avassaladora, principalmente na capital Trípoli. Redes de energia, aeroporto, abastecimento de água, pontes, viadutos, tudo destruído para minar e tirar do poder o antigo aliado, Muhamar Kadafi. O desfecho militar com a derrubada do ditador líbio, em nada melhorou a popularidade de Sarkozy no front interno.

Para piorar o cenário, o então presidente, para atrair o eleitorado conservador de Marine Le Pen, a terceira colocada no primeiro turno presidencial, discursava contra os imigrantes, principalmente ciganos e muçulmanos. São muitas coisas negativas, que somadas deram o tom da derrota anunciada.

Entretanto, o nó górdio preponderante na perda do poder foi à crise econômica. Desemprego em alta, falta de perspectiva dos jovens em relação ao futuro, déficit público, inflação subindo e a tristeza latente da população. Todas as questões apontadas compuseram o caldo que acabou entornando e decidindo a eleição.

Hollande, o presidente eleito, sabe que o recado foi dado. O povo francês quer mudanças de rumo para sair da crise e voltar a crescer. O novo governo estará diante de duas opções:

1 – Implementar uma política monetarista voltada para a redução do déficit público, diminuição dos gastos do governo, cortes substanciais dos benefícios sociais, aumento da idade limite para a aposentadoria, criação do fator previdenciário, demissão de funcionários públicos e diminuição dos impostos pagos pelos empresários.

2 – Implementação da política desenvolvimentista, cujas ações seguem o script do modo de ser dos socialistas, ou seja, aumento dos gastos públicos, forte participação do estado na economia, criação de empresas estatais, liberação de recursos dos bancos públicos para os empresários com taxas subsidiadas, ampliação dos benefícios sociais, políticas de inclusão no mercado de trabalho para os franceses pobres e emigrantes.

Creio que a segunda opção é a mais adequada, segundo a voz das urnas na França.

Em relação à eleição presidencial nos Estados Unidos, pelos mesmos motivos (economia) que levaram a derrota de Sarkosy é que a reeleição de Barak Obama em novembro está seriamente ameaçada. As pesquisas apontam empate técnico com o republicano Mitt Romney, o que se trata de um mau presságio para o presidente democrata Barack Obama, a poucos meses do pleito.

Excesso de agrotóxicos nas lavouras continua a ser um desafio que o governo não vence

Paulo Peres

O uso excessivo de agrotóxicos nas lavouras brasileiras preocupa cada vez mais especialistas da área de saúde. A aplicação de substâncias químicas para controlar pragas nas plantações e aumentar a produtividade da terra acaba se tornando um problema para os trabalhadores rurais e consumidores, explica o Grupo de Trabalho de Saúde e Ambiente, da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco).

O Grupo, em parceria com outras instituições, lançou, durante o Congresso Mundial de Nutrição, no Rio de Janeiro, um dossiê reunindo diversos estudos sobre o tema. O documento também será apresentado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada em junho no Rio.

De acordo com o professor Fernando Ferreira Carneiro, chefe do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e um dos responsáveis pelo dossiê, as pesquisas indicam que o uso dos agrotóxicos ocorre no país de forma descontrolada.

Para Fernando Carneiro, “o Brasil reforça o papel de maior consumidor mundial de agrotóxicos e nós, que fazemos pesquisas relacionadas ao tema, vemos que o movimento político é para liberalizar o uso. A ideia desse dossiê é alertar a sociedade sobre os impactos do consumo massivo, sistematizando o que já existe de conhecimento científico acumulado”.

Um dos estudos que fazem parte do dossiê foi desenvolvido pelo médico e doutor em toxicologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Vanderlei Pignatti. Ele conduziu análises ambientais e examinou a urina e o sangue de professores e moradores das áreas rurais e urbanas das cidades de Lucas do Rio Verde e Campo Verde, em Mato Grosso. Os municípios estão entre os principais produtores de grãos do estado.

“Observamos resíduos de vários tipos de agrotóxicos na água consumida pelos alunos e pelos professores, na chuva, no ar e até em animais, revela Pignatti. “Além disso, essas substâncias foram encontradas no sangue e na urina dessas pessoas”.

Pignatti adverte que, “a poluição ambiental é elevada e as pessoas ficam ainda mais suscetíveis à contaminação porque não são respeitados os limites legais para pulverização dos agrotóxicos, que são de 500 metros no caso de pulverização aérea e de 300 metros para a pulverização terrestre”.

Em outro estudo o professor Pignatti já havia encontrado resíduos de agrotóxicos no leite materno de moradoras de Lucas do Rio Verde. Foram coletadas amostras de leite de 62 mulheres, três da zona rural, entre fevereiro e junho de 2010, e a presença dos resíduos foi detectada em todas elas.

Vanderlei Pignatti lembrou que, “diversas pesquisas também indicam aumento na incidência de doenças como má-formação genética, câncer e problemas respiratórios, especialmente em crianças com menos de cinco anos de idade”.

Situação do governador Marconi Perillo se complica cada vez mais

Em depoimento sigiloso à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, o delegado da Polícia Federal (PF) Matheus Mela Rodrigues, que coordenou a operação Monte Carlo, citou uma lista com 82 nomes que tiveram relações ou foram apenas citados em conversas do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A lista inclui nomes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de governadores, senadores, deputados federais, prefeitos, jornalistas e, até mesmo, de Dilma Rousseff.

O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), fez um apelo aos parlamentares para que não comentassem com a imprensa os nomes da lista, já que o fato de estarem citados em conversas não significa que tenham envolvimento com o esquema de Cachoeira.

Vital do Rêgo ressaltou que os nomes podem ter sido usados pelo grupo do contraventor sem conhecimento dos citados. Apesar da orientação, o portal UOL teve acesso e divulgou a lista na tarde de ontem

No depoimento, o delegado também ressaltou a proximidade entre Cachoeira e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo ele, nos diálogos gravados, o nome do tucano foi citado 237 vezes por pessoas envolvidas no esquema comandado pelo bicheiro.

Áudios divulgados anteriormente apontam que Perillo teria favorecido a Delta Construções – empresa suspeita de fazer parte do grupo de Cachoeira – em obras nas rodovias de Goiás.

Ao deixar a sala da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AM) disse que o depoimento do delegado da Polícia Federal deu a ele a certeza de que Marconi Perillo deveria ser convocado para depor na comissão mista.

Ao ouvir a declaração do senador, o deputado federal Silvio Costa (PTB-PE), que também havia deixado a sala da CPI, se irritou e começou um bate-boca. A jornalistas, Costa disse que o senador Randolfe Rodrigues era “demagogo” e “doido”.

(Transcrito do jornal O Tempo)

Desespero total: para alavancar o fracassado Haddad, PT baixa resolução ditatorial que prejudica seus candidatos em outras cidades.

Carlos Newton

Para tentar impulsionar a fracassada candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, a Executiva Nacional do PT editou ontem uma resolução draconiana, tirânica e ditatorial, exigindo que as alianças em cidades com mais de 200 mil habitantes sejam homologadas pela própria Executiva, antes do registro.

A resolução ainda terá de ser aprovada em reunião do Diretório Nacional no dia 18, em Porto Alegre, e vai dar muito problema ao partido, porque o acordo entre PT e PSB se tornou uma obra de ficção.

Já foram mencionadas na lista do acordo as cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Cuiabá, Campinas, Natal, Mossoró, Duque de Caxias, Boa Vista, Macapá e Franca. Em algumas delas o PT lançaria candidatos, em outras seria o PSB.

O problema é que o PSB há vários anos já é coligado ao PSDB na prefeitura da capital e no governo de São Paulo, e ambos os diretórios já mostraram disposição de apoiar o tucano José Serra (embora haja alguns dissidentes no diretório municipal que preferem Haddad).

Justamente por isso, o governador Eduardo Campos, presidente do PSB, disse a Lula que os dois só poderiam voltar ao assunto em junho, quando os diretórios estadual e municipal do PSB em São Paulo já tiverem se pronunciado definitivamente sobre a possibilidade de apoiar ou não José Serra.

Mas acontece que até junho as candidaturas do PT nas outras cidades já estarão todas consolidadas, porque há prazos regimentais a cumprir e a direção nacional do PT em nenhum momento procurou os respectivos diretórios regionais ou municipais para evitar candidatura própria e apoiar os possíveis  indicados pelo PSB.

Resultado: em dez dessas doze cidades, o PT decidiu lançar candidatura própria. Em algumas delas, já até escolheu o candidato. Apenas em Belo Horizonte e Boa Vista (capital de Roraima, que tem menos de 300 mil habitantes) o PT não quer candidatura própria e vai apoiar o PSB. E em Recife ocorre o contrário, é o PSB que não quer lançar candidato, para apoiar o PT.

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CANDIDATURAS PRÓPRIAS DO PT

CUIABÁ (MT) – o PT tem já candidato próprio (vereador Lúdio Cabral) e não quer nem ouvir falar em apoio ao PSB.

CAMPINAS (SP) – foi aprovada a candidatura do economista Marcio Pochmann, que conta com apoio entusiástico do ex-presidente Lula, que já se manifestou a respeito, e a cidade está fora do acordo com o PSB.

MOSSORÓ (RN) – o pré-candidato do PT é o reitor da Universidade Federal do Semiárido, Josivan Barbosa, que descarta qualquer possibilidade de apoio ao PSB.

MACAPÁ (AP) – o PT vai  lutar até o fim para lançar seu candidato a prefeito da capital, porque em 2010 houve um acordo nesse sentido, assinado pelo governador Camilo Capiberibe, do PSB.

FORTALEZA – o PT vai ter candidato próprio, e espera manter a aliança atual com o governador Cid Gomes, mas o diretório municipal do PSB está se rebelando e exige candidatura própria.

FRANCA (SP) – o PT decidiu lançar o candidato Gilson Pelizaro, que já iniciou sua pré-campanha.

NATAL (RN) – o vereador Fernando Lucena foi escolhido pré-candidato e o diretório não quer acordo com o PSB.

DUQUE DE CAXIAS (RJ) – a educadora Dalva Lazaroni foi escolhida pré-candidata e lá o PT também não aceita aliança com o PSB.

 

Já se cogita da substituição de Haddad

Carlos Chagas

A luz está passando de amarela para vermelha no semáforo do PT postado diante da eleição para a prefeitura de São Paulo. Fernando Haddad não passou dos 3%, na pesquisa divulgada pelo Ibope. Continua patinando nesse percentual desde que lançado pelo ex-presidente Lula, seis meses atrás.

Farão o quê, os companheiros? Marchar para o cadafalso por lealdade à sua maior estrela? E o desgaste capaz de atingir o próprio Lula, caso seu ex-ministro da Educação não cresça como candidato, pelo menos em condições de passar para o segundo turno? Melhor seria cogitar desde já de sua substituição, ainda que um prazo para recuperar-se possa chegar até junho. O diabo é que inexistem opções. Marta Suplicy teve seu nome erodido, menos por falta de possibilidades, mais pelo seu comportamento egoísta depois de garfada. Não se integrou na candidatura Haddad. Rui Falcão, presidente do partido, vem produzindo trapalhadas capazes de excluí-lo junto a seus companheiros. E mais quem?

De qualquer forma, já se ouve o toque de retirada no campo de batalha. Afinal, como superar José Serra, Celso Russomano, Netinho de Paula, Sonia Francine, Gabriel Chalita e Paulo Pereira da Silva, todos situados acima de Fernando Haddad?

O ex-presidente Lula tem feito milagres, mas ficará muito difícil inverter as tendências agora reafirmadas. Ele espera superar os últimos empecilhos de saúde para mergulhar na campanha, mas seria justo obrigá-lo a percorrer diariamente a cidade de São Paulo na carroceria de um caminhão?

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CONDENADA AO SUCESSO

Infla o balão do governo a confirmação dos presidentes da França, François Hollande, e da Rússia, Wladimir Putin, na reunião Rio+20, feita pelo telefone à presidente Dilma. Tudo indica a presença de outros importantes chefes de estado, inclusive dos Estados Unidos e da China.

Como acentuou o chanceler Antônio Patriota, ontem, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, sobressai o caráter universal da política externa brasileira, assumindo contornos de maturidade.

Um reparo, apenas, na performance do ministro das Relações Exteriores: ao abordar a presença brasileira no mundo, deu como certa a reeleição do presidente Barack Obama, em novembro. A previsão parece óbvia, mas se por hipótese os ventos mudarem e a eleição vier a favorecer o candidato republicano, não faltarão intrigantes para lembrá-lo de que o governo brasileiro posicionou-se antes da hora em questões da economia interna americana.

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MEIA DEFESA

Bateu firme o Procurador Geral da República ao afirmar que provém dos mensaleiros as críticas à sua decisão de não ter aberto processo contra Demóstenes Torres quando recebeu os autos do inquérito da Operação Vega, em 2009. Para ele, fica inequívoca a intenção do PT e outras forças para desviar as atenções do julgamento do maior escândalo político nacional dos últimos tempos, o mensalão.

Tudo bem, Roberto Gurgel terá razão no diagnóstico, mas falta explicar porque deixou engavetada a evidência de participação do senador goiano, junto com alguns deputados, nas lambanças de Carlinhos Cachoeira. Certamente seus argumentos serão fundamentais para sufocar intrigas.

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DELAÇÃO PREMIADA?

Não descansa a central de boatos que cerca os trabalhos da CPI do Cachoeira. Ontem, corria entre deputados e senadores que compõem o grupo a hipótese de o bicheiro solicitar na Justiça de Goiás o benefício da delação premiada. Em troca de uma sentença mais branda, estaria disposto a abrir o véu de suas atividades ilegais junto a políticos, governantes e empresários. Seria, como se repete, barro no ventilador sobre sua própria quadrilha.

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ENDURECIMENTO PARA VALER

No despacho de ontem com o ministro Guido Mantega, a presidente Dilma recomendou a manutenção da mesma postura diante dos bancos, pela redução dos juros: exigir do sistema financeiro privado os mesmos esforços desenvolvidos pelos bancos estatais.

O ministro da Fazenda comunicou haver recebido com satisfação informação da Febraban, pelo seu presidente, Murilo Portugal, de não terem sido da entidade os conceitos exarados por um de seus consultores, de críticas ao governo. Os bancos privados empenham-se na preservação do diálogo com Brasília.

Ibope pode levar Marta a ressurgir no PT de São Paulo

Pedro do Coutto

Pesquisa do Ibope sobre as intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo, divulgada na noite de quarta-feira pela Rede Globo e, no dia seguinte, pelo Globo e Folha de São Paulo, apontou uma firme liderança de José Serra com 31 pontos, seguido por Celso Russomano 16 e Netinho de Paulo 8%.

De plano, os leitores indagarão em que posição figura no levantamento o candidato pó presidente Lula, confirmado pela convenção do PT, Fernando Haddad. O ex-ministro da Educação encontra-se na última colocação com apenas 3%. Está atrás de Soninha Francine, Gabriel Chalita, Paulo Pereira da Silva. Muito fraco.

Algumas pessoas dirão: E a força incontestável de Lula? Não há dúvida quanto a sua dimensão, mas a história revela que não são todos os candidatos que fazem passar a corrente do voto, em matéria de transferência. Se assim fosse, grande parte das eleições estaria decidida logo ao início, não valendo a pena nem se realizar campanhas.

Não é assim. Transferir votos é algo dificílimo, os exemplos de sucessão são raros, quanto às eleições majoritárias. Antes porém, elogiar a qualidade da reportagem de Leonardo Guandarino e Tatiana Farah, O Globo de quinta-feira.

Como maior exemplo de transferência de votos, temos o apoio de Vargas a Eurico Dutra, em 1945. O desempenho do ex-ministro do Exército estava fraco até o pronunciamento do ex-ditador. Faltavam vinte dias para 2 de dezembro de 1945. Dutra, atrás nas pesquisas, saltou para 52% nas urnas da redemocratização.

Vargas então era o senhor dos votos? Não. Elegeu o general Eurico Dutra em 45. Mas em 1947, apoiou Hugo Borghi para governador de São Paulo, e Ademar de Barros venceu o pleito disparado. O quadro paulista era outro. Getúlio seria impopular em São Paulo? Nada disso. Em 45, antigamente não havia a exigência do domicílio eleitoral e o candidato podia eleger-se por mais de um estado simultaneamente.

Vargas elegeu-se senador por São Paulo e Rio Grande do Sul. Escolheu o mandato gaucho. Elegeu-se também deputado federal por cinco unidades da Federação. Sorte dos suplentes.

Na sucessão presidencial de 50, ganhou facilmente alcançando 49% da votação. Não existia ainda a exigência de maioria absoluta. Nem de domicílio eleitoral.

Recorro a outro exemplo. No final do mandato, em 60, Juscelino estava no auge do prestígio popular. Seu governo mudara o Brasil. Muito bem. Foi a Minas apoiar a candidatura Tancredo Neves para governador. Tancredo foi derrotado por Magalhães Pinto, presidente da UDN. A diferença foi de 25 mil votos, cerca de um por cento do eleitorado mineiro da época.

No Rio de Janeiro, Leonel Brizola elegeu-se governador em 82. Em 85, transferiu seu apoio e a vitória para Saturnino Braga, prefeito da cidade do Rio. Saturnino rompeu com Brizola. Em 88, Brizola apoiou Marcelo Alencar. Outra vitória. Mas antes, em 86, o ex governador empenhou-se a fundo por Darci Ribeiro. Moreira Franco, na oposição, derrotou o candidato do PDT por 4 pontos. Uma eleição curiosa. Moreira Franco saiu com 40 pontos, chegou com os mesmos 40%. Não são todos os candidatos que reproduzem nas urnas o apoio que recebem.

Mas, no título, citei Marta Suplicy. Depois do Ibope de agora, seu nome está ressurgindo como a melhor alternativa do PT para enfrentar José Serra. Fernando Haddad, com somente 3 pontos, revela não conseguir decolar. Nem Lula conseguiu fazê-lo alçar vôo para alcançar o tucano no espaço paulista.

Porque Hollande

Sebastião Nery

PARIS – Domingo, 3 da tarde, almoçávamos no Café-Restaurante Les Editeur, no Odeon, boulevard Saint German, aqui no centro de Paris, esperando o fim da votação do segundo turno das eleições presidenciais, para assistirmos os resultados na sede do Partido Socialista , ali perto.

Na mesa ao lado, três mulheres elegantes e um rapaz. De repente o celular de uma delas, a mais velha, loura, anunciou uma mensagem. Eram exatamente 16 horas. Ela pegou o telefone, leu e começou a xingar. A televisão da Belgica acabava de dar a vitoria de François Hollande.

Aqui na França há uma legislação ridícula. As urnas fecham às 18 horas, mas é proibido divulgar resultado, mesmo de pesquisas de boca de urna, antes das 20 horas. Então cria-se uma situação kafkiana. Os estúdios de televisão no ar, preparados para a grande notícia. Mas proibidos.

Desde s 16 horas as TVs da Belgica e Suiça já estão antecipando os resultados das derradeiras pesquisas. Às 18 horas todos já têm os números finais franceses. Mas os pobres apresentadores da TV, os Willian Bonner e Patricia Poeta, com cara de tacho, esperando as demoradas 20 horas.

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BASTILHA

Só o povo não esperava. Desde as 19 horas, nas ruas, multidões com suas bandeiras e carros já se dirigiam para a rua Solferino, sede do Partido Socialista, ou para a gloriosa e imensa praça da Bastilha, que em 1981 já recebera François Mitterrand e agora receberia seu aluno François Hollande. que votara na sua cidade no interior e vinha chegando, de avião, para mais um cortejo até a praça. Uma noite delirante em Paris.

A diferença entre ele e Nikolas Sarkozy, que tentava a reeleição, foi mínima: 51,63% contra 48,37%. Em 1981, o ex-presidente François Mitterrand, amigo, líder e mentor político de Hollande, ganhou com 51,8%.

A França sempre foi assim: uma laranja de duas bandas, ao meio.

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DE GAULLE

Por que Hollande ganhou? Desde 1948, um pequeno e sábio livro, uma bíblia política, “Doctrine Politique” (Ed. Rocheur), havia respondido:

-“O liberalismo tornou-se inconcebível, insuportável para o mundo e especialmente para a França hoje. O velho liberalismo não é o caminho econômico e social para a França. A questão social tem de ser colocada em primeiro lugar. Os povos têm direito de dispor inteiramente de si, não para enriquecer oligarquias internas e externas. Para libertar o homem”.

Assinado, Charles De Gaulle, o herói da França.

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JACQUES ATTALI

Em 90, Adido Cultural aqui em Paris, o universal Delfim me disse:

-“Procure conhecer o trabalho e as obras do professor Jacques Attali. É o mais interessante dos novos intelectuais franceses”.

Com 70 anos e todos os títulos do jornalismo e da universidade, ele é hoje o mais consagrado e múltiplo intelectual da França. Tem livros imperdíveis: “Os Judeus, o Dinheiro e o Mundo” (Ed Saraiva), “Dicionário do Século XXI” (Ed Record), “Phares” (Ed Flamarion). Na véspera da eleição, apesar de a revista “L’Express”, a “Vejona” daqui, ser do grupo Dassault, dos aviões “Airbus” e “Rafale”, e dono do jornal “Figaro ”, o mais reacionário, Jacques Attali escreveu um artigo retumbante:

-“Porque votarei Hollande Domingo”. Era um aval e um comício.

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HOLLANDE

1 – “Conheço muito bem cada um dos dois candidatos. Um desde 1980, o outro desde 1982. Trabalhei com os dois. Tornaram-se, para mim, amigos. E continuaram. Por isso votarei domingo em François Hollande”.

2- “O período que começa será muito difícil. O mundo será cada vez mais competitivo. O presidente que sai não me parece o melhor preparado para enfrentar esta situação. Primeiro, por causa de seu balanço. Alguns dirão que ele não podia fazer mais em razão da crise financeira mundial. Não penso assim: a crise não o impedia de reformar bastante o Estado, não o obrigava a reduzir as receitas fiscais sem diminuir as despesas públicas”.

3 – “François Hollande é o melhor candidato. Eu o conheço bem há longo tempo para poder garantir sua competência, sua transparência, sua cultura, sua seriedade, sua força moral. Seu programa e sua estratégia correspondem, muito mais que os de Sarkozy, ao que o país precisa hoje, ser unido , ser juntado. Reunir duravelmente todas as forcas da Franca”.

É por isso também que votei nele. Quer dizer, teria votado.