Arquivos por mês: maio 2012

Vitoriosos e Derrotados do PDT na nomeação de Brizola Neto

Mario Assis

O presidente do PDT, Carlos Lupi, saiu derrotado nesta escolha de Brizola Neto para o Ministério do Trabalho. Mas não só ele.

O jornalista Bob Fernandes divulgou no site do Terra que Manoel Dias, secretário-geral do PDT, não escondeu seu descontentamento. Disse que foi uma escolha pessoal da Presidente, o que é verdade. O descontentamento de Dias se deve ao fato de seu nome ter sido cogitado para assumir a pasta. Diz que foi vetado por Ideli Salvatti, seguindo o script de fritura da ministra em fogo alto.

Outro descontente é o deputado Vieira da Cunha, PDT-RS, que também tinha seu nome na lista de indicação de seu partido para o posto.

O que contou mesmo foi a lealdade de Brizola Neto às orientações do Palácio do Planalto. Percebendo as manobras do governo federal, Paulinho da Força foi rápido no gatilho e começou a apoiar publicamente o nome de Brizola. Foi o que aconteceu. Simples assim.

Tudo por dinheiro – este é o lema dos partidos políticos brasileiros. Vejam, por exemplo, o caso do PPS.

Carlos Newton

Como se sabe, o PPS vem a ser o antigo Partidão (Partido Comunista Brasileiro), que se desmembrou em vários outros, como PPS, PCdoB, PCB, PCO, PSTU etc. Todos eles, de uma forma ou outra, são derivados do velho Partidão de Luiz Carlos Prestes. Se essas legendas trabalhassem unidas, imaginem que grande partido não seria.

Mas hoje o que menos importa na política é a ideologia. O interesse maior é o fisiologismo, os cargos, o poder… e as comi$$õe$ por ele proporcionadas. O noticiário dos jornais torna cada vez mais transparente essa abominável realidade.

No plano nacional, o PPS, por exemplo, está na linha de frente da oposição ao governo Lula Rousseff. Mas em Brasília, surpreendentemente, o partido está coligado ao PT. Quem entende isso? E a adesão é acintosa: por 30 votos a apenas 5, o Diretório do PPS do Distrito Federal acaba de contrariar a direção nacional do partido e decidiu manter o apoio ao governo de Agnelo Queiroz (PT), alvejado pelas mais diferentes denúncias de corrupção e incompetência.

O deputado distrital e secretário de Justiça, Alírio Neto (PPS), pediu licença por um ano do partido, já prevendo uma possível intervenção da direção nacional.

E o mais incrível é que a suplente de Alírio, deputada distrital Luzia de Paula (PPS), indicada para participar da CPI da Arapongagem, que vai investigar escutas telefônicas ilegais no DF, deverá seguir a orientação da base governista na comissão parlamentar de inquérito. A CPI terá apenas um deputado da oposição: Celina Leão (PSD).

O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), convocou  uma reunião do Diretório Nacional do PPS para o dia 8 de maio para discutir a possível intervenção. “A decisão (do diretório do DF) incomoda e provoca constrangimento ao partido”, comentou Freire, que defende o afastamento do partido do governo Agnelo.

A CPI deverá ser instalada, mas o líder do PT, Chico Vigilante, adianta que a bancada governista não permitirá a convocação do governador ou de secretérios do governo, além de rejeitar requerimentos que proponham o acesso a bancos de dados sigilosos.

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PSB E PSD FAZEM A MESMA COISA

A mesma incoerência se revela em relação ao PSB, que é da base aliada do governo federal, mas em São Paulo aderiu ao PSDB e ao PSD, apóia e participa do governo de Geraldo Alckmin e da administração municipal de Gilberto Kassab. Os diretórios estadual e municipal do PSB já até comunicaram à direção que pretendem apoiar a candidatura de Serra a prefeito da capital.

E o PSD, que é da base aliada da presidente Dilma Rousseff, também está firme no apoio a Serra, para não perder as benesses do poder na mais importante capital do país, que tem o terceiro maior orçamento da República.

Bem, como se percebe, a política brasileira virou uma espécie de programa de Silvio Santos, que desde o regime militar apoia o governo – qualquer governo. É mesmo “Tudo Por Dinheiro”, como diz o simpático e adesista apresentador-empresário.

Sarcozy sofre um baque: a líder da ultra-direita não votará nele

A  Agência France Presse anuncia que a dirigente da Frente Nacional (extrema-direita), Marine Le Pen, declarou que votará em branco nas eleições presidenciais de 6 de maio entre o presidente conservador Nicolas Sarkozy e o socialista François Hollande.

Marine Le Pen, que ficou em terceiro no primeiro turno com cerca de 18% dos votos, afirmou que votará em branco, nem em Sarkozy nem em Hollande, mas não deu orientação de voto a seus partidários. “Cada um fará sua eleição. Eu farei a minha. Vocês são cidadãos livres e devem votar de acordo com sua consciência, livremente”, afirmou.

“Não concederei minha confiança nem mandato a esses dois candidatos (…). No domingo, votarei em branco”, afirmou.

Uma nova pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Ipsos mostrou o candidato socialista François Hollande como favorito com 53% das intenções de voto, mas a distância para Sarkozy diminuiu dois pontos.

O resultado, que dá ao candidato conservador 47% dos votos, um ponto a mais que na semana passada, responderia principalmente às previsões de uma mobilização “um pouco mais forte” do eleitorado do centrista François Bayrou e à abstenção de uma “pequena parte” dos eleitores do esquerdista Jean-Luc Mélenchon.

Segundo o Ipsos, Hollande conta com um apoio “majoritário” de boa parte das categorias demográficas consultadas, com a exceção do tradicional voto de direita, composto pelos maiores de 60 anos, os aposentados, os artesãos, comerciantes e empresários, que lhe apoiam em 60% dos casos.

A pesquisa revelou ainda que a rejeição a Sarkozy teria diminuído durante a campanha, já que contra 57% dos eleitores que em fevereiro desejavam “verdadeiramente” que o atual presidente fosse vencido, hoje estes somam apenas 45%.

Procurador-geral rebate críticas e diz que investigará ‘quem quer que seja’. Mas será mesmo?

O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, rebateu críticas de que demorou a agir no caso Cachoeira e sustentou que o Ministério Público vai investigar “quem quer que seja”. O texto explica que Gurgel recusou convite para falar na CPI do Cachoeira porque a participação poderia “futuramente torná-lo impedido para atuar nos inquéritos em curso e ações penais subsequentes”.

O comando da CPI convidou Gurgel para falar aos integrantes, mas o procurador recusou. Aos congressistas, o procurador-geral disse que as investigações não estão encerradas.

“O material do inquérito é muito vasto e está sendo analisado com o devido critério e a necessária prioridade, bem como que o Ministério Público Federal, como sempre, não se furtará a investigar quem quer que seja”, afirma a nota.

De acordo com a Procuradoria, Gurgel explicou ao comando da CPI que demorou a encaminhar material ao Supremo Tribunal Federal porque só recebeu da Justiça Federal de Goiás, em 9 de março de 2012, material da Operação Monte Carlo, que envolve o empresário de jogos ilegais Carlos Cachoeira, e pessoas com prerrogativas de foro privilegiado, como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

A explicação rebate acusações de parlamentares de que o procurador teria sido negligente com o caso. “Este material, agora sim, reunia indícios suficientes relacionados a pessoas com prerrogativa de foro e, assim, menos de 20 dias depois, em 27 de março, o procurador-geral da República requereu a instauração de inquérito no STF, anexando tudo o que recebeu nas duas oportunidades.”

Ele esclareceu ainda que no início do caso, em 2009, quando teve acesso ao material referente à Operação Las Vegas, fez uma avaliação preliminar e verificou que os elementos não eram suficientes para qualquer iniciativa no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

“Optou por sobrestar o caso, como estratégia para evitar que fossem reveladas outras investigações relativas a pessoas não detentoras de prerrogativa de foro, inviabilizando seu prosseguimento, que viria a ser formalizado na Operação Monte Carlo.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG - O procurador se saiu bem e escapou por um triz. Mas suas explicações foram primárias. Dizer que “optou por sobrestar o caso, para evitar que fossem reveladas outras investigações” é uma desculpa inacreditável. O mais incrível, porém, é que a CPI parece ter desistido de convocá-lo. Se agiu, assim, começou muito mal.

‘Marcha da Maconha’: o perigoso caminho da insensatez

Milton Corrêa da Costa

No próximo sábado, transcorre na Zona Sul do Rio de Janeiro mais uma ‘Marcha da Maconha’, embora esteja proibido, obviamente, qualquer tipo de apologia ou consumo da droga durante a manifestação, pois constitui crime previsto na Lei Antidrogas..

Até aqui tais manifestações, agora liberadas pelo SupremoTribunal Federal, inclusive no que tange à passeatas reivindicatórias sobre descriminalização e legalização de outras drogas ilícitas, surtiram pouco ou nenhum efeito. Usar maconha continua sendo crime e não há nenhuma movimentação no Congresso Nacional que faça entusiasmar a chamada corrente progressista da droga, encabeçada por intelectuais, estudiosos, ONGs e ex-autoridades, que defendem a liberação.

Pesquisa desenvolvida durante um ano em Londres foi negativa. A droga já não era nenhuma novidade no bairro de Brixton, na parte pobre da capital inglesa, e a polícia de Lambeth, distrito londrino que inclui Brixton, com objetivo de liberar agentes para o combate a crimes mais graves, decidiu que os usuários de maconha seriam apenas advertidos, e, no máximo sofreriam a apreensão da droga.

O teste trouxe resultados dúbios. Em seis meses avaliados, a polícia poupou apenas o equivalente a 90% do trabalho em tempo integral de dois policiais, de um total de 860 lotados naquele distrito. As ocorrências ligadas à posse da erva cresceram 35% e o tráfico subiu 11%. Mas nos bairros vizinhos, os flagrantes de posse caíram 4% e o tráfico 34%, confirmando o que os moradores mais temiam: Brixton se tornou ponto de reunião de “maconheiros” de outros bairros.

Com relação aos males provenientes do consumo da maconha, que certificam que a erva não é tão inofensiva assim, uma pesquisa mostrou que jovens que fumam maconha por seis anos ou mais têm o dobro de possibilidade de sofrer de episódios psicóticos do que pessoas que nunca fumaram a droga.

Claro que há pessoas que fumam maconha diariamente por toda a vida sem que sofram consequências negativas, assim como há quem fume cigarros até os 100 anos de idade e não desenvolva câncer de pulmão. Mas até agora não temos como saber quem é tolerante à droga e quem não é. Então, a maconha é, sim, perigosa.

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FRANCESES FUMAM MAIS

Cerca de 200 milhões de pessoas são usuárias de maconha no mundo, segundo estimativa da ONU, o que envolve 4% da população ativa. O país com o maior número de consumidores é a França.

Outras pesquisas revelam que o uso da maconha – uma porta de entrada para a dependência de outras drogas – pode causar, além de transtornos psiquiátricos, câncer de pulmão (tal e qual o cigarro), câncer de testículo e ainda afetar a memória.

Os altos gastos com tratamento e recuperação de vítimas do alcoolismo e do tabagismo no país já seria exemplo suficiente para inviabilizar a descriminalização e legalização da maconha. Legalizar drogas é sinônimo de aumento de consumo, do número de dependentes e de doenças psiquiátricas.

O estado não pode ser o indutor (legal) do uso da droga. Deve trabalhar em sua missão de prevenção, tratamento terapêutico de dependentes e repressão qualificada ao tráfico com base na inteligência policial.

Drogas não agregam valores sociais positivos. Se o jovem conhecesse os males da droga antes do uso certamente que não a usaria. A busca do ‘mundo colorido’, através do uso de drogas, é falsa.

Nomeação de Brizola Neto racha de vez o PDT, onde o grupo de Lupi é amplamente majoritário

Carlos Newton

Reportagem de Mariana Carneiro, da Folha de S. Paulo, revela que o novo ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT) acha que o seu partido “tende a marchar pela unidade”. Sabe-se que essa unidade é até possível, mas improvável.

A indicação de Brizola Neto não era unanimidade no partido e foi tratada como “indicação pessoal” da presidente. O ministério é comandado interinamente por Paulo Roberto Santos Pinto desde dezembro do ano passado, quando o ex-ministro Carlos Lupi deixou o cargo em meio a denúncias de irregularidades.

Além de Brizola Neto, o PDT (leia-se: Carlos Lupi) apresentou os nomes do deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) e do secretário-geral do partido, Manoel Dias, o preferido de Lupi, que só apresentou dois nomes para não dar na vista e relegou Brizola Neto a um esquecimento estratégico.

Mas a presidente Dilma não entrou nessa, nomeou Brizola Neto e rachou de vez o partido. E o pior foi que ela própria deu ao novo ministro a missão de unificar o PDT.

“A grande questão agora é a unidade partidária. É importante o partido dar sinalização de unidade. Creio que não teremos dificuldade porque existem questões maiores a nos unir do que divergências desse processo de escolha do ministro”, afirmou o novo ministro, acrescentando:

“Este primeiro momento é de buscar reafirmar a unidade do partido em torno do fundamental, que a nossa identidade e o apoio ao governo Dilma”, disse Brizola Neto. “A divergência é resultado do processo natural da escolha. Com o desfecho dessa questão, o partido tende a marchar no caminho da unidade.”

Infelizmente, Brizola Neto está equivocado. O racha no PDT é abissal. Para refazer a unidade do partido, o novo ministro precisará se acertar com o grupo de Lupi. Mas acontece que Brizola Neto é um dos líderes dos dissidentes. Os dois não têm como se acertar, a não ser que o cinismo e a desfaçatez prevaleçam. A posse de Brizola Neto acontece nesta quinta-feira. Será que Lupi vai comparecer?

Garotinho volta à carga e exibe as mansões de Cabral e Sergio Côrtes

EXCLUSIVO! O mundo mágico de Sérgio Cabral em Mangaratiba – Parte 2
As DUAS mansões no luxuoso Portobello
http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=8247

23/06/2011 16:57
EXCLUSIVO! O mundo mágico de Sérgio Cabral em Mangaratiba – Parte 3
A MANSÃO de Sérgio Côrtes
http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=8248

24/06/2011 08:10
EXCLUSIVO! Fraude, sonegação e corrupção na mansão de Sérgio Côrtes
http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=8251

24/06/2011 11:46
EXCLUSIVO! A milionária cobertura de Sérgio Côrtes na Lagoa
http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=8254

É incrível! Dilma não se satisfaz com o AeroLula e quer comprar um avião novo.

Igor Gielow (Folha)

O governo federal reabriu a compra de um novo avião presidencial, processo que estava parado desde que Dilma Rousseff tomou posse no ano passado.

No mês passado, a FAB (Força Aérea Brasileira) emitiu dois pedidos de informação, a primeira etapa da compra: um para a aquisição de um avião de transporte VIP e outro para uma aeronave de reabastecimento aéreo. Três empresas poderão fazer ofertas: a Airbus europeia, a Boeing norte-americana e a IAI israelense, que não fabrica aviões mas sim adapta modelos usados.

O futuro avião, apelidado informalmente de Aerodilma, será maior e terá maior autonomia do que o atual Aerolula, e poderá custar quase seis vezes mais – tanto o avião-tanque quanto o VIP novos pode sair por quase US$ 300 milhões cada – modelos usados, por um terço do preço.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGVejam como são as coisas. No mesmo dia em que este Blog da Tribuna faz um baita elogio à presidente Dilma Rousseff, por seu empenho em baixar os juros, a Redação se vê obrigada a dar uma esculhambada nela, por essa insistência em comprar um novo avião. Seria muito melhor se continuasse viajando no AeroLula e usasse os US$ 300 milhões em outra finalidade mais útil para o povo brasileiro.

Se perder, cai

Tostão

A seleção principal, tão contestada por ter poucos craques e por não ter ainda um time, um conjunto, é, paradoxalmente, uma das grandes favoritas para ganhar a medalha de ouro nas Olimpíadas.

Isso ocorre porque, diferentemente de outras seleções, o time olímpico brasileiro será quase do mesmo nível que o principal. Na Europa, por causa da contratação de estrangeiros, são raros os jovens abaixo de 23 anos que são destaques das melhores equipes. Nem sei se os europeus vão levar os três melhores com idade acima de 23 anos.

A Argentina não estará nas Olimpíadas. Fora os três acima da idade permitida, o time olímpico uruguaio não terá um único titular da seleção principal. Algum africano, como sempre, deve disputar o título.

A Argentina, bicampeã olímpica, tinha situações parecidas com as do Brasil atual. Na última Olimpíada, com Messi, Di Maria, Tévez e outros, os argentinos ganharam com facilidade do time brasileiro.

Do meio para frente, os prováveis quatro titulares da seleção olímpica, Neymar, Ganso, Lucas e Leandro Damião ou Pato, serão os prováveis titulares na Copa. Neymar é certo. Há vários volantes com idade olímpica, como Casemiro, Fernando, Rômulo e Sandro, que estão no nível dos que têm sido escalados por Mano Menezes.

Como o Brasil vai levar os três acima de 23 anos – Thiago Silva é certo -, o time será quase igual ao principal. Os outros dois podem ser um goleiro (Júlio César ou Diego Alves), um zagueiro (Dedé ou Luisão ou David Luís) ou um ou dois laterais (Daniel Alves e Marcelo).

A Olimpíada vai escalar a equipe principal. Se o Brasil ganhar a medalha de ouro, os jovens ganharão confiança e serão os preferidos para a Copa. Se o Brasil perder, aumentarão os pedidos para a volta de jogadores da última Copa, como Kaká, Robinho e Luís Fabiano.

Se o Brasil vencer, haverá também riscos, o do oba-oba. Muitos dirão que o Brasil voltou a ser o melhor do mundo e que é o favorito para a Copa de 2014. Esquecem que os adversários da seleção olímpica não têm nada a ver com suas seleções principais.

Deduzo, pelas entrevistas do presidente da CBF, José Maria Marín, e do diretor de Seleções, Andrés Sanches, que, se o Brasil não ganhar a medalha de ouro, sai Mano Menezes. Deve entrar Felipão, apesar das más campanhas do Palmeiras. Aí, volta a Família Scolari e tudo que todos conhecem.

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TIME OLÍMPICO

Com frequência, uma das justificativas para convocar jogadores que são discutíveis para a seleção principal é que eles tiveram boas passagens pelas categorias de base. Possuem boa ficha. O perigo é ser mais pelo bom comportamento do que pelo talento.

Muitos jogadores se destacam porque ficam prontos mais cedo, na parte física e técnica. Quando vão para o time principal, perdem essa vantagem. No passado, grandes craques, como Pelé, nunca jogaram na seleção olímpica. Eram raros os campeonatos das categorias de base. Hoje, todo dia, tem jogo de várias seleções Sub-20, Sub-17, Sub-15. Virou um palco, uma vitrine, para os empresários faturarem.

Será que a presidente Dilma rompeu com Lula? Tudo indica que sim.

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff merece aplausos, por ter aproveitado a comemoração do Dia do Trabalho para cobrar dos bancos privados, em cadeia nacional de rádio e televisão, a redução mais contundente das taxas de juros.
A presidente afirmou que não há como justificar os patamares praticados, salientando que o setor financeiro “não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros”.

“É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Esses valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso”, disse a presidente.

Dilma lembrou que o Banco Central tem reduzido nos últimos meses a taxa básica de juros, a Selic, e que isso também precisa se traduzir para o consumidor, com a diminuição de taxas para empréstimos, cartões de crédito, cheque especial e crédito consignado.

Ela afirmou que é “importante” que os bancos privados sigam os públicos, que puxaram a redução nas últimas semanas, e são “bom exemplo da saudável concorrência de mercado”.

“Os bancos não podem continuar cobrando mesmos juros para empresas e consumidor enquanto a taxa básica (Selic) cai”, frisou.

É preciso destacar que, pela primeira vez nas últimas décadas, uma autoridade resolveu enfrentar os bancos. A coragem de Dilma Rousseff impressiona. Recentemente, ela passou por cima do ministro Guido Mantega como um trator e pessoalmente determinou que os dois maiores bancos públicos do país, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, liderassem um processo de redução nas taxas, o que foi seguido pelas instituições privadas.

Ao mesmo tempo, pressionou o Banco Central a reduzir os juros básicos (Taxa Selic) ao menor patamar em termos reais (descontada a inflação) na história recente do Brasil.

Em sua fala, a presidente também voltou a defender a indústria nacional, dizendo que é preciso haver “diminuição equilibrada” dos impostos para produtores e para consumidores, com uma taxa de câmbio que defenda a indústria e a agricultura.

Sem fazer referência direta ao caso Cachoeira, Dilma disse ainda que vai enfrentar “malfeitores”. “Vamos continuar buscando meios de baixar impostos, de combater os malfeitos e os malfeitores. E cada vez mais estimular as coisas bem feitas e as pessoas honestas de nosso país”.

Caramba! Será que a presidente Dilma rompeu com Lula? Tudo indica que sim. Jamais na História desse país um presidente enfrentou os banqueiros com tamanha determinação. Apenas Prudente de Moraes pode ser lembrado como exemplo, ao desafiar os credores externos. O resto, incluindo Lula, se curvou covardemente diante dos banqueiros.

CPI: entre mortos e feridos…

Carlos Chagas

Vamos dar asas ao cavalo branco da imaginação. Suponhamos que a CPI do Cachoeira funcione a contento, comprovando a corrupção praticada por parlamentares, governantes, altos funcionários de governos variados, policiais e empresários, sob a coordenação do bicheiro. Depois de meses de trabalho, esses resultados constarão do relatório final da CPI, divulgado e encaminhado ao Ministério Público, para providências.

Haverá a hipótese de os parlamentares envolvidos, com o senador Demóstenes Torres à frente, perderem seus mandatos, por ação dos Conselhos de Ética do Senado e da Câmara e decisão dos respectivos plenários. Quem sabe até o exemplo se repetisse numa ou outra Assembléia Legislativa, porque as cassações independem de pronunciamentos da Justiça. São políticas. Cadeia, no entanto, nem pensar. Antes dela falarão as prescrições, caso venham a responder a processos.

Governadores como Marconi Perillo, Agnelo Queiroz e Sergio Cabral também podem, na teoria, ser cassados, se evidenciada sua participação ativa nas lambanças. Agora, na dependência do voto da maioria dos deputados estaduais. Nessa hora, funcionarão os esquemas político-partidários armados no começo de cada administração.

Fidelidade em troca de secretarias e da direção de empresas estatais, ou da celebração de contratos entre o poder público e empresas recomendadas pelos partidos e as lideranças. Ficará quase impossível o impeachment político dos governadores, vale repetir, se evidenciada sua culpabilidade. Só o Poder Judiciário, através de demorados processos, teria condições de afasta-los, mas quando se caracterizassem as sentenças, seus mandatos teriam terminado faz muito.

Quanto a secretários e altos funcionários, se os governadores não os sacrificarem em nome de sua própria sobrevivência, a Justiça será capaz de atingi-los, mas igualmente em processos bem mais longos do que seus períodos nos governos.

Policiais sempre poderão ser demitidos a bem do serviço público, em processos administrativos, mas o corporativismo funciona nessas horas, pelo menos protelando a ação da Justiça, se tiverem sido abertos processos contra eles pelo Ministério Público.

Sobram os empresários, na quadrilha do Cachoeira e em inúmeras outras quadrilhas semelhantes, até mais poderosas. Neles, a CPI não chegará senão retoricamente, podendo apontar um ou outro como agente corruptor e beneficiário da corrupção. Estarão todos, porém, muito bem blindados, até na teoria desligados de suas empresas. Até hoje, faltam exemplos de punição efetiva para os empresários corruptos.

Não se dirá que entre mortos e feridos salvar-se-ão todos, mas é quase isso. A exceção talvez venha a ser o próprio Carlinhos Cachoeira, como satisfação para a opinião pública. A CPI não deverá poupá-lo, nem o Ministério Público, muito menos os tribunais. Isso caso não venha a encontrar-se gozando de sua fortuna fora do país.

Dilma usa Delta e Mensalão para se livrar de falsos aliados

Pedro do Coutto

Reportagem de Sônia Racy e Tiago Décimo, O Estado de São Paulo de segunda-feira, 30 de abril, revela que a presidenta Dilma Rousseff, ao contrário do que supunham figuras do próprio PT, mandou colocar na internet todos os contratos da Delta Construções com o governo federal. Assim agindo, ela impulsiona governadores e prefeitos, a fazerem o mesmo. Sem dúvida. Caso contrário, não tomaria a iniciativa. As informações são do deputado Marco Maia, presidente da Câmara Federal. A foto que acompanha a matéria é de Tiago Archanjo.

Dilma, maias uma vez, diante de denúncias de corrupção e comprometimento, escolhe o caminho certo da transparência. Com isso demonstra nada temer das investigações e, sobretudo, sinaliza de que a si não interessa que o processo Delta seja abafado. Pelo contrário. Quanto mais exposto estiver, melhor politicamente para ela. O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao mensalão.

Não interessa à presidenta da República a absolvição de quem quer que seja. Nada disso. Quanto mais rigor houver, na CPI Demóstenes-Cachoeira e no Supremo Tribunal Federal, melhor.

Dilma, em ambos os casos, livra-se dos aliados incômodos, dos falsos amigos, os quais sempre terminam levando os que ocupam o poder a situações constrangedoras. Para dizer o mínimo. Dilma Rousseff não convive bem com a corrupção. É visível que tem de se esforçar para tornar-se capaz de suportar tais atmosferas tóxicas. Como inclusive reconheceu o ex presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista a Maria Cristina Frias, Folha de São Paulo também de segunda-feira.

Vale a pela ler a matéria que, por coincidência, acrescenta-se à de Sônia Racy e Tiago Décimo. FHC, em dado momento, destaca que, agora, está havendo mais corrupção do que em seu governo. Logo, deixou claro, ser praticamente impossível reduzi-la à taxa zero. Porém isso não quer dizer que possa ser interpretada como algo aceitável. Pelo contrário.

Pois é – digo eu – a corrupção inflando os contratos entre o poder público e empresas privadas que conduz à escassez de recursos para a saúde, educação transportes.  Setores nos quais se concentra fortemente o déficit social no Brasil. Dívida cujo resgate é sempre anunciado de uma campanha para outra, mas nunca amortizada.

Pelo contrário. O IBGE, em levantamento recente, penúltimo da série sobre condições de vida no país, informou que de 2000 a 2010, enquanto a população cresceu 12,7%, o número de habitantes em favelas avançou 75%. Com isso, sem dúvida, agravaram-se as condições de saneamento. Mas este é um outro assunto. O fato é que os recursos públicos, na verdade, são limitados.

Basta ler o orçamento da União para 2012: 2,2 trilhões de reais em números redondos. Para o programa de investimentos apenas 106 bilhões. Cinco por cento, praticamente. Muito pouco, como se constata pela comparação entre os números.

Dívida mobiliária quase 2 trilhões, o Banco Central a anunciou em 1 trilhão e 896 bilhões. Em cima dela, juros agora de 9% ao ano. Na realidade índice real de 3 pontos, já que a inflação do ano passado, registrada pelo IBGE, foi de 6,3%. Mas há que considerar o crescimento da população na escala de 1,2%. São dois milhões de pessoas a mais a cada doze meses. Maior pressão em cima dos serviços públicos.

Acobertar a corrupção, um sorvedouro de dinheiro na dança dos preços inflados para pagamento de comissões, diretas e indiretas, significa tacitamente diminuir o poder do estado e, portanto, a capacidade de administrar do governo. Evidentemente, tal panorama visto da ponte pode interessar à presidenta Dilma Rousseff. Nem Cachoeira. Nem Mensalão. Muito menos a Delta, que só acrescenta reflexos extremamente críticos a tudo isso.

O pescoço de Sarkozy

Sebastião Nery

PARIS – Aqui de cima, Maria Antonieta disse que, se o povo não tinha pão, que comesse brioche. Também não havia brioche. Comeram o reino dela, o pescoço dela, do marido dela, da família dela. Só restou o rei sobre seu cavalo, na frente do palácio. E a nevoa desmanchando a tarde e compondo a noite, como o tempo que desmanchou a eternidade deles.

Já lá se vão mais de 50 anos, quando volto a Paris venho a Versailles. Aqui tudo começou. Aqui a revolução francesa fez com sangue o parto da democracia. O mundo deve muito ao pescoço da bela Antonieta. Do alto dessas janelas que vêem o infinito sobre jardins desenhados e lagos mansos, bosques de pé e campos deitados, Luis XVI e Maria Antonieta jamais imaginaram que tudo ia se acabar levando seus imperiais pescoços.

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MARIA ANTONIETA

Em frente ao palácio, dois prédios: um era a estrebaria do rei, o outro a estrebaria da rainha. Lá ficavam seus cavalos e éguas. O povo, longe. Versailles era o “chateau” onde o rei e a rainha passavam fins de semana e férias, e, quando começou a revolução, se escondiam da fúria do povo.

Nas primaveras, um sol envergonhado chega e vai logo embora. As tardes ficam cobertas por uma bruma fria que desce sobre as arvores secas. As folhas vão caindo devagar, como nobres e tontas lágrimas douradas.

Hoje há alamedas enevoadas, de faróis acesos e turistas encapotados. Só faltam mesmo, ali nos salões, quartos, pátios e corredores imensos, eles, os reis e seus nobres de roupas complicadas e cabelos encaracolados.

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ROBESPIERRE

Isso aqui é uma Universidade do poder. Ninguém, por mais poderoso, é divino e eterno. Quem derrubou o rei também pensou que era.

Robespierre, 30 anos, furioso à frente das multidões, proclamou-se “Pontífice do Ser Supremo”, vestiu uma bata longa, cintilante, pôs um barrete frigio de cardeal e desfilou em Paris à frente de todos. Nas mãos, rosas e espigas, como em um “gala-gay”. E de 24 de outubro de 1793 a 27 de junho de 1794, oito meses, Robespierre cortou a cabeça, na guilhotina, de 2.596 pessoas. No interior, outro tanto. Até que cortaram a dele também.

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BOLIVAR

Engano pensar que só nas tiranias nascem tiranos. Também nas democracias. O grego Sófocles, 500 anos antes de Cristo, avisou no Édipo que “o tirano nasce do ventre da insolência e não sai pela própria vontade”.

O russo Dostoievski, que sofreu a tirania nos grilhões da “Casa dos Mortos”, sua prisão na Sibéria que estive visitando, ensinou que “a tirania a tal ponto se dilata que acaba virando doença”.

Herói da unidade sulamericana, Bolívar avisou: – “Nada tão perigoso como deixar alguém no poder por muito tempo. O povo acostuma-se a obedecer e ele a mandar, de onde se originam a usurpação e a tirania”.

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SARCOZY

Há cinco anos, Nikolas Sarkozy, filhote da direita francesa, derrotou a candidata do partido Socialista Segolene Royal. Um de seus argumentos é que François Mitterrand havia ficado 14 anos, dois mandatos de sete anos, no poder, e que a democracia prefere ou exige alternância.

Cinco anos presidente, Sarkozy se desespera, nesta véspera do segundo turno (domingo), porque as pesquisas dão a Francois Hollande 55%, 54% ou 53%, enquanto ele não passa de 45%, 46% ou 47%.

A França sabe por que Sarkozy ficou indefensável, inelegível.

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MITTERRAND

Em 1965, o general De Gaulle deixou o governo com 54% de aprovação (35% de desaprovação). Em 1998, François Mitterrand terminou seu governo com 54% de aprovação (e 33% de desaprovação). Em 2002, Jacques Chirac saiu com 47% de aprovação (e 48% de desaprovação).

Até Giscard d’Estaing deixou o governo com 40% de aprovação ( e 46% de desaprovação). Agora Sarkozy, depois de cinco anos de governo, tem apenas 36% de aprovação (e 64% de desaprovação). Que moral tem para querer continuar no governo, quando dois terços o querem fora?

Mais vezes, nesta semana, Sarkozy esperneou, para tentar salvar o pescoço. No comício de 1º de maio e no grande debate final com Francois Hollande, ele deixou claro que não tem nível para comandar a França.