Ucrânia, à beira da guerra civil

Da Agência Lusa

Ao menos quatro pessoas morreram hoje (15) durante combates entre as forças especiais ucranianas e as milícias pró-russas do aeroporto de Kramatorsk, na região de Donetsk (Leste da Ucrânia). Após a conclusão da operação, o presidente ucraniano interino, Olexandre Tourtchinov, anunciou que “forças especiais tinham libertado o aeroporto dos terroristas”.

“Sim, há mortos”, assegurou em declarações à agência ucraniana UNN um porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano, que tinha anteriormente divulgado uma “operação especial” para libertar o local do controle dos grupos pró-russos. Entretanto, a comunicação social russa, que cita fontes das milícias pró-russas de Kramatorsk, informaram que os combates fizeram de quatro a 11 mortos entre os ativistas separatistas.

“Há quatro mortos e dois feridos entre as milícias [pró-russas]. Os combates terminaram. As milícias recuaram. A parte ucraniana assumiu o controle do aeroporto”, afirmou um porta-voz dos ativistas, citado pela agência russa estatal Ria Novosti.

O chefe da operação antiterrorista lançada no domingo pelas autoridades ucranianas, general Valeri Krutov, advertiu hoje as milícias pró-russas de que “não vão existir mais ultimatos” e que o Exército ucraniano “irá combater os invasores estrangeiros”.

INSURREIÇÃO ARMADA

Uma grande parte do Leste da Ucrânia, de maioria russófona, na fronteira com a Rússia, enfrenta há vários dias uma insurreição armada pró-russa. O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, afirmou hoje que a Ucrânia está à beira de uma guerra civil. “Serei breve: a Ucrânia está à beira da guerra civil, é assustador”, disse o primeiro-ministro e ex-presidente da Rússia, citado pelas agências russas.

Medvedev acrescentou ter esperança de que “as autoridades de fato’” da Ucrânia não permitam “esse tipo de terrível perturbação”. A Rússia não reconhece o governo de Kiev, apoiado pelos países ocidentais, que assumiu o poder durante a crise que levou à destituição do presidente ucraniano Viktor Ianukovitch, considerado pró-russo.

Decisão do Supremo sobre CPI fica para depois da Semana Santa. E la nave va, fellinianamente

Carolina Brígido
O Globo

Três senadores de oposição – Aécio Neves (PSDB-MG), José Agripino (DEM-RN) e Aloysio Nunes (PSDB-SP) – foram recebidos nesta terça-feira pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem fizeram um apelo por uma decisão favorável ao pedido de instalação no Congresso Nacional de uma CPI exclusiva para apurar irregularidades na Petrobras. A ministra, sorteada relatora da ação, disse aos parlamentares que só tomará a decisão a partir da próxima terça-feira, quando terminar o feriado prolongado.

— Mostramos que trata-se de um direito líquido e certo da minoria, um direito garantido no Regimento (do Senado) e na Constituição e que não pode ser violentado por uma ação da maioria. Não cabe ao presidente do Senado fazer juízo de valor, estabelecer mérito dessa ou daquela (CPI), menos ou mais abrangente — disse Aécio Neves ao fim da audiência.

O tucano afirmou que está confiante em uma decisão favorável à oposição:

— A nossa confiança é plena, saímos confiantes na decisão do Supremo Tribunal Federal, o guardião da nossa Constituição, o que nós queremos é que nossa Constituição seja respeitada.

Agripino também disse que saiu convicto da disposição da ministra em conceder a liminar à minoria.

— Eu acho que a ministra entendeu perfeitamente que, se essa liminar não for concedida, o instituto da CPI perde o sentido. Porque você tem o fato determinado, que é o fundamento da CPI. Na medida em que vai examinar outros assuntos, a maioria vai manobrar no rumo que quiser — alertou o parlamentar.

OUTRAS CPIS

Aloysio argumentou que, se os governistas quiserem, devem instalar outras CPIs para investigar outros fatos, e não juntar todos os temas na CPI da Petrobras. A maioria defende uma apuração ampla, que incluiria irregularidades na estatal, junto com a suspeita de cartel do Metrô de São Paulo e fraudes na obra do Porto de Suape, em Pernambuco. Uma investigação ampliada atingiria, além do governo Dilma, as candidaturas de Aécio e de Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República.

— Se o governo quiser investigar outros fatos, metrô, trem, portos, que faça sua própria CPI. Agora, não queiram abafar a CPI da Petrobras — ponderou Aloysio.

Para Agripino, o depoimento prestado pela presidente da Petrobras, Graça Foster, hoje no Congresso não enfraquece a necessidade de CPI – ao contrário, reforça a tese da oposição.

— A Petrobras, como instituição, está incomodada com a prisão de um diretor, a invasão de sua sede. Os funcionários estão com a autoestima abalada. Isso ela (Graça Foster) reconheceu. Se a oposição quer, como quer, promover uma limpeza na Petrobras, o que devemos fazer, em nome do interesse nacional, é instalar essa CPI logo, até para satisfazer os maiores interessados, que são o corpo técnico, os funcionários. Se não limpar a Petrobras, ela não vai ter as condições de dar a volta por cima. Se se permitir que a corrupção que está instalada se enraíze e se alastre, a vaca vai para o brejo — defendeu.

Congresso adia decisão sobre a CPI da Petrobras.

Pedidos de criação de duas CPI's foram lidos em Plenário - André Dusek/Estadão
Débora Álvares 
O Estado de S. Paulo

Brasília – O Congresso Nacional prorrogou mais uma vez a decisão sobre a instalação da CPI da Petrobrás. Em uma frente, o Senado adiou para semana que vem a votação do relatório que defende uma investigação ampliada – incluindo apurações sobre o cartel no Metrô de São Paulo e o Porto de Suape, em Pernambuco. Já os deputados aproveitaram a sessão conjunta das Casas e apresentaram questões de ordem, após a leitura dos pedidos de criação de comissões mistas – uma ampla e outra que investigue apenas a Petrobrás.

O presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), a quem cabe bater o martelo sobre os questionamentos, disse que dará um parecer “oportunamente”, mas destacou estar à espera de uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre os rumos da CPI.

A ministra Rosa Weber tem em mãos dois recursos sobre o assunto: um da oposição, que pede a instalação da CPI exclusiva da Petrobrás, e o outro apresentado por governistas, com questionamentos sobre a conexão entre os fatos a serem investigados. A expectativa é que ela se posicione até terça-feira.

Caso isso não aconteça, o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), já avisou que vai entrar com outro mandado de segurança no Supremo.

“Como há expectativa em relação à decisão do Supremo, não adianta precipitarmos. Não adianta colocar a decisão do plenário acima (do STF)”, disse Renan Calheiros.

COMPASSO DE ESPERA

O adiamento conta com a concordância da oposição que, descontente com a possibilidade de que acabe instalada uma CPI ampliada, prefere aguardar o posicionamento de Rosa Weber. “Não vejo problema em deixar para semana que vem. Se essa for a decisão do governo, não vamos criar dificuldade”, disse o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG), que defende uma CPI exclusiva da Petrobrás.

As denúncias contra a Petrobrás estimularam a criação de quatro Comissões Parlamentares de Inquérito – duas de iniciativa da oposição e duas bancadas pelos governistas. A oposição defende investigações exclusivas da estatal, com objetos idênticos nos dois pedidos de CPI: uma só do Senado e outra, mista. O governo, por sua vez, protocolou pedidos de comissões com objetos ampliados, que abrangem além da Petrobrás, assuntos indigestos ao PSDB e ao PSB.

No Senado, depois que Renan mandou a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decidir sobre a abrangência das investigações, prevalece a CPI ampla, como quer o governo. Contudo, a decisão da CCJ ainda precisa ser analisada em plenário.

Presidente da Petrobras também confessa “falhas” nas obras do Comperj, que tiveram custo quintuplicado…

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Foto: Givaldo Barbosa / Agência O GloboIvan Richard
Agência Brasil 

A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que “não há justificativa” para o sobrepreço constatado nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A executiva admitiu que a Petrobras falhou na preparação do projeto e que, atualmente, a estatal tem trabalhado para elaborar projetos de com “um nível de maturidade adequado”.

Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o valor gasto pela Petrobras para construção do complexo deve ser cinco vezes superior ao previsto. Além disso, as obras do Comperj  devem ser concluídas em 2021, dez anos após o prazo inicial.

“Não há justificativa [para o sobrepreço]. Temos trabalhado muito depois do Comperj para ir para a rua com projetos que tenham um nível de maturidade adequado. Quando a minha equipe vai para a rua contratar e não tem a maturidade do projeto, o outro lado, que é o contratado, começa com sobrepreços. Então, estão corretas todas as suas observações no sentido de que a Petrobras deve ir para o mercado, sim, com uma melhor proposta, com uma proposta firme, para que se evite tanto sobrepreço”, disse Foster.

DE 6 BILHÕES PARA 30 BILHÕES…

Segundo o TCU, inicialmente, a obra foi estimada em US$ 6,1 bilhões, mas deve chegar a US$ 30,5 bilhões. A Petrobras assegura que, em 2010, foram investidos US$ 8 bilhões, e atualmente a previsão é que a obra custe US$ 13,5 bilhões. A elevação é explicada pela companhia por questões relativas a licenciamento ambiental, greves e processos de desapropriação para implantação do acesso de equipamentos especiais.

Em sete horas de audiência no Senado, a presidente da Petrobras respondeu a perguntas de senadores da oposição e da base aliada sobre denúncias de irregularidades envolvendo a estatal. Em resposta ao senador Pedro Taques (PDT-MT), Graça Foster rechaçou que a Petrobras seja uma “quitanda”. Segundo ela, a companhia dialoga constantemente com os órgão de controle para minimizar prejuízos aos cofres da empresa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGFicou faltando falar da refinaria Abreu Lima, outro grande golpe dentro da Petrobras. O custo era de 2 bilhões de dólares e já passou para 18 bilhões de dólares, aumentando apenas 9 vezes. Isso significa que o TCU não fiscaliza coisa alguma, é tudo um gigantesco teatro. Ninguém vai preso, não acontece nada. O Brasil se tornou o país da “maracutaia” (que o PT tanto denunciava, com o próprio Lula sendo o propagador dessa expressão jocosa, que hoje tanto incomoda os petistas). (C.N.)

Graça Foster admite que compra de Pasadena “não foi bom negócio”. E agora, quem vai pagar por isso?

Karine Melo
Agência Brasil 

A presidenta da Petrobras, Graça Foster, reconheceu nesta terça-feira (15) que a compra pela estatal brasileira da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi um bom projeto no início, mas que se transformou em um projeto de baixa possibilidade de retorno. “Hoje, olhando aqueles dados, não foi um bom negócio, não pode ser um bom negócio. Isso é inquestionável do ponto de vista contábil.” Segundo ela, o prejuízo para a Petrobras com aquisição da refinaria foi US$ 530 milhões.

A avaliação foi feita em audiência pública que acontece nas comissões de Assuntos Econômicos e na de Fiscalização e Controle do Senado, onde Graça foi convidada para falar sobre as denúncias de irregularidades na estatal, como a compra da refinaria. Para uma comissão lotada de jornalistas, parlamentares da base aliada ao governo e de oposição, Graça Foster esclareceu ainda que o custo total da transação US$ 1,25 bilhões.

HOUVE FALHAS…

A executiva admitiu que em fevereiro de 2006 houve falhas por parte da direção da área internacional da empresa, ao apresentar o projeto ao Conselho de Administração da estatal, que autorizou a compra de 50% da refinaria.

“Em nenhum momento no resumo executivo, na apresentação de PowerPoint feita pela direção da área internacional à época foram citadas duas condições muito importantes: não se falou da Cláusula de Put Option no resumo executivo, nem na apresentação de PowerPoint e também não se falou da Cláusula de Marlim”, admitiu.

Para Graça Foster, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a compra de 50% de uma refinaria e não houve, nesses dois documentos, nenhuma citação à intenção e à obrigatoriedade de compra dos 50% remanescentes. “Esse foi o trabalho feito. Um resumo executivo, sem citação dessas duas cláusulas contratuais completamente importantes. O valor autorizado pelo Conselho de Administração foi US$ 359.285.714,30. Essa foi tão somente a aprovação feita”, ressaltou.

RESUMO MAL FEITO…

Responsabilizando a área internacional da empresa pela falha, Graça Foster afirmou que, quando uma apresentação de resumo executivo é feita ao Conselho de Administração, o documento deve conter todas as informações necessárias para a devida avaliação do que se pretende fazer. “Além disso, é obrigação de quem leva para a diretoria apontar os pontos fracos e frágeis da operação. Não há operação 100% segura. Não existe isso, imagino, em nenhuma atividade comercial e, certamente, não existe na indústria de petróleo e gás”, destacou.

Desde que vieram à tona as denúncias de que houve superfaturamento na compra da refinaria pela estatal brasileira, esta é a primeira vez que uma autoridade do governo vem oficialmente ao Congresso falar sobre o assunto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTraduzindo: Graça Foster confessa que deram um golpe na Petrobras, com um resumo mal feito que enganou o Conselho de Administração (leia-se: Dilma Rousseff). Reconhece também um prejuízo de 530 milhões de dólares, que na verdade é apenas a ponta do iceberg. Agora vamos recordar o que disse o ex-presidente Sergio Gabrielli há duas semanas: “A refinaria de Pasadena foi um grande negócio, está refinando 100 mil barris por dia e dá muito lucro à Petrobras”. Esse farsante e golpista é pré-candidato ao governo da Bahia. Numa país sério, estaria na cadeia e teria os bens arrestados. (C.N.)

 

 

Deputado André Vargas desiste de entregar carta de renúncia nesta terça

Felipe Néri
Do G1, em Brasília

O deputado licenciado André Vargas (PT-PR) desistiu de entregar à Câmara nesta terça-feira (15) a carta de renúncia ao mandato, segundo informou a assessoria de imprensa da Vice-Presidência da Casa.

O recuo do parlamentar, que um dia antes havia anunciado a intenção de renunciar, se deu devido à interpretação do Conselho de Ética da Câmara de que a renúncia não interrompe o processo de cassação aberto no órgão.

Nota divulgada pela assessoria do parlamentar diz que, “de acordo com a Constituição Federal, a renúncia ao mandato será inócua, pois não surtirá qualquer efeito. Em face disso, o deputado federal André Vargas (PT-PR) está reestudando a hipótese de renúncia”.

PROCESSO DE CASSAÇÃO

O Conselho de Ética instaurou o processo de cassação depois que os partidos de oposição PSDB, DEM e PPS protocolaram representação pedindo a apuração de quebra de decoro parlamentar.

Vargas é alvo de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso em operação da Polícia Federal sob suspeita de participação em esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 10 bilhões. No último dia 2, da tribuna do plenário da Câmara, o deputado chegou a admitir que viajou de maneira “imprudente” em um jatinho fretado pelo doleiro, mas negou ilegalidade na relação com Youssef. Três dias depois, a revista “Veja” reproduziu mensagens que ele teria trocado com o doleiro para tratar de um contrato entre uma empresa e o Ministério da Saúde.

Segundo a assessoria da Vice-Presidência da Câmara, o deputado chegou a viajar para Brasília com o objetivo de entregar a carta de renúncia. Mas voltou atrás depois de saber da intenção do Conselho de Ética de manter o processo disciplinar contra ele.

De acordo com o artigo 55 da Constituição, a renúncia de parlamentar alvo de processo que pode levar à cassação tem os “efeitos suspensos até as deliberações finais” do procedimento aberto. Assim, a renúncia só seria plena após a conclusão do processo no Conselho de Ética.

“A renúncia não corta os efeitos da representação se a admissibilidade [do processo] for aprovada pelo Conselho de Ética. Se aprovada a admissibilidade, o processo continua, independentemente da renúncia”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), nomeado relator do processo de cassação no conselho.

DIVERGÊNCIA

Mas o tema ainda é objeto de divergência entre o corpo técnico da Câmara e deputados.  O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP), disse que pretende dar continuidade ao processo na Câmara mesmo com a renúncia de Vargas.

Na avaliação de Izar – e de consultores da Secretaria Geral da Mesa da Câmara – o processo de cassação deveria continuar como forma de garantir uma apuração própria do Legislativo sobre o caso, embora o próprio Izar tenha confessado que, na hipótese de renúncia, o processo se tornaria inócuo, ainda que “importante”.

“Continuar o processo após a renúncia não tem efeito prático e pode até parecer inócuo. Mas acho que é importante continuar porque entendo que o deputado quer evitar esse processo disciplinar aqui dentro ao decidir pela renúncia. Ele não quer que investiguemos. Podemos ir além [na investigação] dos fatos que já estão sendo mostrados”, disse Izar.

Nesta terça, o deputado Júlio Delgado foi à Polícia Federal para pedir acesso à parte do inquérito da operação Lava Jato que detalha a suposta ligação do deputado com o doleiro Alberto Youssef.

A dívida da imoralidade

Vittorio Medioli

Procurando encontrar uma explicação para as incríveis vitórias de Napoleão, que fizeram dele um dos maiores “condottieri” da história, como foram Alexandre, Aníbal e Júlio César, o estudioso Carl von Clausewitz explica que “a força moral, mais que números, é o que decide a vitória e o sucesso. A moral está para o físico como três para um”.

A moral multiplica, exalta. Não é só inteligência que pesa, essa pode ser usada de várias e contraditórias formas; a moral envolve e abarca. Ainda possui um magnetismo próprio, mantém vivos valores que transcendem, unem e potencializam.

Sacraliza bens materiais como o território, as águas, o conjunto da natureza que dá sustento aos seres humanos, a coisa pública à disposição da comunidade.

Os conceitos de “pátria” e de “nação” serviram para forjar os movimentos mais duradouros e inoxidáveis da história, mantiveram de pé impérios milenares. A moral cultivada pelo exemplo dos líderes transformou coelhos em leões.

Assim, Napoleão, Alexandre, Aníbal e Júlio César fizeram verdadeiros milagres, cada um em sua época, por terem em comum o ideal, perceptível e motivador, que levou ao auge da sacralidade o termo “pátria”.

SEM LÍDERES

Mas, hoje, que líderes temos? Existe um vislumbre de figura carismática e “moral”, dessas que podem fazer sonhar e se orgulhar uma nação inteira?

Nos últimos anos, têm alcançado o poder não só no Brasil, com insolente frequência, figuras que de moral são exemplos inversos e que competência para governar têm ainda menos.

O avanço do Brasil medido com a régua internacional, nos últimos 14 anos, é muito abaixo da média, assim como ilusórias e demagógicas as comemorações. Se países congêneres subiram três degraus durante uma onda mundial, o Brasil subiu um. Ainda perdeu os ventos que sopravam a favor.

O tamanho da população e do território, diga-se a potencialidade do país que continua a ser lembrado como gigante adormecido em berço esplêndido, autorizaria a crer num avanço igual ou maior que o da China, da Índia e de Tigres de diferentes continentes.

ANESTESIA

O gigante continua anestesiado, quase que etilizado pela dose de incompetência e despreparo de suas principais lideranças. E voltando a Von Clausewitz, que identificou na “moral” de Napoleão o multiplicador do potencial de seu povo por três, podemos verificar que aqui a imoralidade vigente dividiu esse potencial até por mais que três vezes, desperdiçou o momento favorável, ainda deixa um legado catastrófico de burocracia, de corrupção, de desmoronamento ético que tomou conta do país como uma pandemia.

Na Idade Média, era a peste que dizimava; agora é a corrupção que tira oportunidade de combater as pragas sociais e fomenta a escalada da violência, dos assaltos, da infelicidade.

Ainda as próximas gerações terão que lidar com a reeducação ética e moral da população. Uma geração inteira exposta à radiação dos maus exemplos que vieram de cima com intensidade e despudor insano dos líderes da nação; os coelhos que Napoleão transformou em leões agora passaram a ser roedores que, encantados pelo tocador de flauta, se encaminham para se afogar num mar de lama.

Lamentável, desesperador para quem não tem mais horizonte e enxerga nele as provações que se abaterão sobre aparentes inocentes que não aprenderam a votar. (transcrito de O Tempo)

Reflexões sobre a utopia de existir um blog realmente livre e o exemplo de Wagner Pires

Carlos Newton

Podem dizer o que quiserem, toda crítica é válida. Só não aceitamos que se tente induzir o blog da Tribuna da Internet a se posicionar sectariamente,  buscando-se atrelar sua linha editorial a essa ou aquela tendência. Pelo contrário, insistiremos sempre na utopia de editar um blog realmente livre, em que todas as correntes políticas, filosóficas e religiosas possam se intercomunicar, manifestando-se da forma mais aberta possível, mas com respeito e sem trocar ofensas.

Muitos comentaristas não aceitam tal liberalidade, sem entender que é justamente essa pré-condição que ampara seus próprios posicionamentos. Como dizia o genial Ruy Barbosa, “a lei que protege meu inimigo é a lei que protege”. Mas alguns comentaristas chegam a considerar  os opositores como se fossem inimigos, empenhando-se numa briga de vida ou morte, sem perceberem que se pretende apenas que haja troca de opiniões, apenas isso.

Resumindo: já existem blogs demais alinhados a essa ou aquela corrente, e muitos deles são remunerados para tal. O que falta, justamente, é a existência de blogs livres. Isso parece óbvio, mas quem se interessa?

O EXEMPLO DE WAGNER PIRES

Através da troca de informações, um blog realmente livre acaba funcionando sempre em prol do interesse público. Vejam o que acaba de ocorrer, com o sensacional artigo em que o comentarista Wagner Pires simplesmente revelou na Tribuna da Internet o segredo mais bem guardado da Petrobras: a produção de Pasadena, mostrando que a refinaria produz apenas menos de 25% do que a Petrobras apregoa e não está dando lucro coisíssima alguma.

Quando Pires começou a comentar aqui no blog, escrevia sob um pseudônimo jocoso. Mandei um e-mail e pedi que assinasse seu nome, para que pudéssemos publicar seus artigos, sempre de altíssimo nível. E o resultado aí está.

Muitos outros comentaristas também enviam comentários sensacionais, sob pseudônimos humorísticos, mas não podemos publicá-los, porque falta credibilidade. Se não querem usar o nome verdadeiro, por um motivo ou outro, usem um pseudônimo decente, como faziam Fernando Pessoa, Alceu Amoroso Lima e tantos outros pensadores fantásticos.

A MARCA TRIBUNA DA IMPRENSA

E a boa novidade é que esta semana enfim conseguimos registrar o domínio da marca tribunadainternet.com.br. Isso significa que agora poderemos ir abandonando o link da antiga marca tribunadaimprensa.com.br, que seguimos usando para manter o blog no ar.

No próximo dia 24, termina nosso contrato com o registro do link heliofernandes.com.br, que há muitos anos também está sob nosso domínio, mas imediatamente paramos de usá-lo quando há alguns meses Helio Fernandes nos deixou e resolveu fazer seu próprio blog.

Esperamos que seu procurador Roberto Monteiro Pinho, que hoje responde por tudo que envolva a antiga Tribuna da Imprensa, se interesse em assumir logo a marca heliofernandes.com.br, e depois também a marca tribunadaimprensa.com.br, que dentro de alguns meses também terá encerrado seu contrato de registro e estará liberada.

Quanto a Helio Fernandes, nossa amizade a ele é de aço inoxidável e só lamentamos que ainda não tenhamos autorização para reproduzir seus artigos aqui neste blog, que ele tanto honrou com sua presença, durante anos.

Aécio Neves de novo na vitrine da TV, tentando deslanchar a candidatura

Raquel Faria
O Tempo

A nova campanha publicitária do PSDB na TV, iniciada com 30 comerciais nos dias 8 e 10, prossegue hoje com a veiculação de mais dez inserções de 30s, todas dedicadas a promover a candidatura de Aécio, também alvo do novo programa partidário a ser exibido em horário nobre na quinta-feira. Nestes dias, o tucano domina a telinha.

Toda essa mídia em torno de Aécio ocorre simultaneamente ao protagonismo político do senador tucano no caso Petrobras. Uma coisa reforçando a outra, num plano estruturado para deslanchar a sua candidatura, ainda patinando nas pesquisas.

Wagner Pires desvenda o segredo mais bem guardado da Petrobras: produção de Pasadena é de 22,9 mil barris/dia, e não de 100 mil

Wagner Pires

A refinaria de Pasadena não deu e nem está dando lucro ou retorno sobre o investimento do Petrobras. Toda a produção de óleo e gás natural da Petrobrás na América do Norte foi em fevereiro/2014 de 22,9 mil barris/dia (Mbpd).

Se a refinaria é para processar toda a produção dos campos de exploração da Petrobras na América do Norte (EUA e México), a refinaria, se é que está em condições de operar, está processando, no máximo 22,9 mil barris de petróleo por dia.

Em 2013 o custo de extração do petróleo foi de US$ 9,50 por barril e o refino foi de US$ 4,06. Isto, na produção externa.

Fazendo uma conta de chegada o custo total da produção externa foi de: US$ 9,50 + US$ 4,06 = US$ 13,56.

Se a produção é de 22,9 mil barris e o preço é do barril é de US$97,06, então, sem o refino o lucro mínimo será:

Receita:………….22900 x US$ 97,06 = US$ 2.222.674
Custo:……………22900 x US$ 13,56 = US$ 310.524
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Lucro Bruto:…………………………………US$ 1.912.150 por dia

Logo: US$ 1,912 milhão x 365 = US$ 697,88 milhões por ano.

Conclusão: se a refinaria de Pasadena foi comprada por US$1,18 bilhão, ela já foi amortizada. Na produção internacional atual da Petrobras, na América do Norte, dois anos de produção são suficientes para amortizar a refinaria.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGGostaríamos que Wagner Pires depois detalhasse ainda mais esse cálculo que nos apresenta com absoluta exclusividade, para que se saiba quais são as parcelas do custo real do barril, incluindo todas as despesas de custeio em geral, impostos, manutenção da refinaria, multas administrativas, investimentos obrigatórios contra a poluição etc., para que enfim cheguemos aos números verdadeiros. O que já se pode adiantar é que na Petrobras e no governo todos estão mentindo, inclusive o ex-presidente Sérgio Gabrielli, quando alegam que Pasadena refina 100 mil barris/dia, que seria apenas a “capacidade nominal”, não a capacidade real. E fica comprovado o acerto do cálculo inicial que fizemos aqui no blog da Tribuna da Internet, quando previmos que a produção não poderia ser superior a 25 mil barris/dia. (C.N.)

PS – Devido à extraordinária importância do artigo de Wagner Pires, vamos manter o texto no alto da página durante todo o dia de hoje, com as outras matérias sendo publicadas na sequência. 

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